Um Estado Falhado é numa definição simplista, um Estado soberano cuja autoridade central perdeu a capacidade e a legitimidade para exercer as funções básicas de governação sobre o seu território e a sua população, basicamente o Estado perde o controlo efectivo do território para grupos armados, milícias, cartéis de droga ou fações rebeldes, o Estado demonstra incapacidade de fazer cumprir a lei e de manter a ordem pública, resultando em elevados níveis de criminalidade e corrupção sistémica. Verifica-se uma falha total na oferta de saúde, educação, infraestruturas, fornecimento de água e energia, e proteção social à população. Observa-se um colapso económico com uma hiperinflação, uma desvalorização severa da moeda, encerramento de mercados formais e dependência do mercado negro ou de ajuda externa de emergência. Assistimos igualmente a uma uma deslocação massiva de populações com elevados fluxos de refugiados e deslocados internos devido à violência e à crise humanitária. Por norma a sequência de um Estado Falhado é a seguinte, primeiro um Estado Frágil, depois um Estado em Rutura e finalmente um Estado Falhado.
Portugal neste momento é um Estado Frágil, um terço do território está ao abandono, nos dois terços restantes o Estado Português tem demonstrado uma crescente incapacidade de fazer cumprir a lei e de manter a ordem pública, locais há e gentes há cujas especificidades culturais e étnicas os faz estar completamente nas tintas para o Estado, sendo aliás até, apesar das muitas e recorrentes bandalhices em que são useiros e vezeiros, protegidos pelo Estado, para grande espanto de alguns de nós, daqueles que trabalham e pagam isto tudo.
Felizmente ainda não temos uma falha total na oferta de Saúde, Justiça, Educação, infraestruturas, fornecimentos de água bem como de energia, e de proteção social à população, não temos, felizmente nenhuma falha total, mas temos muitas e cada vez mais graves falhas especialmente no que concerne à Saúde, Justiça mais à Educação, qualquer uma dessas instituições está presa por arames, como sói dizer-se, num estado de quase coma, a Saúde é o que se sabe, o pobre do SNS está moribundo porque os sucessivos governos de imbecis dos últimos quarenta anos tudo fizeram para que isso acontece-se, a Educação é uma absoluta miséria, e não falo dessa degradação por causa dos indicadores Pisa, que são uma treta, alumio o assunto porque é isso que facilmente se constata. Por fim, a Justiça, é uma anedota pegada, começa na barafunda dos tribunais completamente ineficazes, às dificuldades das polícias acabando no actual detentor da pasta ministerial.
Temos problemas económicos cada vez mais graves, uma economia paralela que rouba milhões ao erário público, ajudada essa fuga pela completa incapacidade do Estado de reaver e perseguir os prevaricadores, e pior, os últimos quarenta anos só nos deram, com uma ou outra excepções, incapazes, como governantes, estamos portanto no bom caminho para nos tornarmos um Estado completamente falhado. O tráfico de droga instalou-se em grande, sabedores das dificuldades das polícias os cartéis de traficantes usam Portugal como porta de entrada para a Europa, a corrupção, outra componente dos Estados falhados, é em Portugal uma instituição, basta olhar para os muitos casos, demasiados, dos que se conhecem claro está, casos de corrupção que envolvem o politiquedo, por último a protecção social, está pelas ruas da amargura, faltam lares, para receber os pobres idosos que vivem à míngua, faltam salas de cuidados continuados e cuidados paliativos, faltam CRIEs para que as crianças com problemas cognitivos
possam ter vidas dignas, esbanjam-se porém fortunas em observatórios e projectos de inclusão e integração, direccionados essencialmente para gentalha medíocre que não se inclui nem se integra.
Concluíndo, Portugal mostra alguns preocupantes sinais, só não os verá quem não o quiser ver, de ser um Estado Frágil no seu início, sem que nenhum governo corte a direit para recuperar dessa enfermidade, ao contrário, os governos dos últimos quarenta anos só continuaram a cavar mais fundo e a acicatar o galope para a meta de sermos um Estado Falhado, espero estar completamente enganado e assim continuamos alegremente a caminho do Estado Falhado.
Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia






