segunda-feira, fevereiro 18, 2019

Que povo é este, que povo?


“Que povo é este, que povo
Que vende os rios que tem,”

 Excerto do fado “Que povo é este, que povo”, popularizado por António Mourão, letra de Vasco de Lima Couto.

Bem difícil é a resposta a esta questão, “Que povo é este, que povo?”, quem afinal somos nós enquanto povo, enquanto sociedade quase milenar? Que é isto de ser português?
É com muita perplexidade que olho para isto que aparentamos ser, para lá do eterno Fado, da Sina, que nós faz há 600 anos correr as partidas do Mundo, em busca de sabe-se lá o quê, esquecendo-nos de aqui fazer para melhorar. “Que povo é este, que povo?”, que se insurge contra isto aquilo e aqueloutro que no Mundo se passa mas tolera o quase diário martírio de mulheres às mãos dos bois capados e mansos dos homens nacionais, “Que povo é este, que povo?”, que se resigna com tal obscenidade e que permite a existência de Juízes que fazem alusões a lapidação da mulher adúltera, como em qualquer bom regime ditatorial talibã.
“Que povo é este, que povo?”, que continua a deixar as suas crianças à mercê de tudo e mais alguma coisa, que as maltrata, que as não defende, antes pelo contrário, menoriza o seu sofrimento, as suas dores e desventuras, parecem não colher a atenção dos poderosos e menos ainda dos patetas que os elegem, “Que povo é este, que povo?”, que maltrata velhos frágeis! Que gentalha medíocre é esta, que rebotalho é este que por aqui habita e encolhe os ombros, procrastinando a sua própria existência para as calendas do finamento quando se dirão da praxe os “améns” e se acende a socrassanta velinha à santinha, “Que povo é este, que povo?”, que assim procede sempre à espera que outros se levantem para lhe defender as partes.
“Que povo é este, que povo?”, tão lesto sempre a achincalhar quem pensa de modo diferente da maralha. Sempre tão lesto a opinar sobre a vida dos outros, a impor regras e moral bafienta, que nem é sequer capaz de lidar com as misérias que tem. Que ralé é esta que se acomoda aos fogachos da moda, às partilhas de frases patetas, às fotografias do pezinho na areia e do cãozinho mais do prato de rúcula comida com fastio num qualquer ermo pateta em que se paga um preço obsceno por um fugaz momento prandial que mal apreciam na ânsia da “la minute” tirada com o aparelhómetro que custa os olhos da cara e do qual nunca se separam, parecendo uns tristes patetas cibernáuticos, sempre ligados ao Mundo esquecidos as desgraças ao seu redor que insistem em não ver, preocupados com minudências e futilidades.
“Que povo é este, que povo?” que se insurge, discute, ralha e se maltrata por causa de um jogo onde empurra bolas demasiado bem pagos a par de outros mafiosos e trânsfugas vigaristas se entretêm num faz de conta que enlouquece os patetas, o mesmo povo que lânguida e mansamente assassina as suas mulheres, viola as suas crianças e espanca os seus velhos sem sequer parar um segundo a pensar nessas atrocidades diárias, que interessa chegando a Maio acende-se mais uma velinha e paga-se uma promessa e tudo é lavado.
“Que povo é este, que povo?” que se assassina nas estradas onde andam podres de bêbados, drogados qual bestas perdidas a acelerar como toupeiras cegas doidas “Que povo é este, que povo?”
“Que povo é este, que povo?” que poluiu à água de que precisa para viver, que deixa envenenar o chão onde planta o que come, que mata os animais preciosos da natureza sem sequer nisso pensar, um poveco que se deixar ludibriar por gente medíocre e trafulha, “Que povo é este, que povo?

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, fevereiro 11, 2019

Portugal é um país de porcos!


Portugal é um país de porcos. Pedindo antecipadamente desculpa ao nobre “sus domesticus” esse sápido mamífero do qual aproveitamos todas as partes para horas de gulosa degustação, por o estar a comparar ainda que de forma metafórica ao ser humano medíocre e asqueroso que por aqui habita, mas faço recurso de uma imagem que se vulgarizou, apesar de o animal propriamente dito, não ter nada de sujo, ao contrário da contraparte humana, essa sim, deveras imunda.

Nem a propósito do tema de hoje, entrámos esta semana no Ano do Porco do calendário Chinês uma clara homenagem aos portugueses. Há quase 300 anos Giuseppe Gorani, um aventureiro oriundo da península itálica, queixava-se nos seus relatos da porcalhice que vira em Lisboa, claro que passada apenas uma década sobre o terramoto de 1755, Gorani ainda experimentou a ressaca daquele grande cataclismo, ainda assim essa catástrofe não explica a hecatombe da falta de asseio das lusas gentes, vindo esse reparo de um italiano, habituado aos igualmente porcinos hábitos de higiene pública da sua terra muito espantam as suas observações sobre a capital do Reino dos porcos.

Vem este texto a propósito de uma reportagem que passou na televisão sobre as escombreiras de uma antiga mina que foram deixadas ao abandono e ameaçam contaminar, mais ainda, um importante rio português, no caso o Zêzere. Fosse este o único caso, seríamos um país feliz, para mal dos nossos pecados assim não é, por esse país fora existem centenas de minas abandonadas, com escombreiras de onde toneladas de metais e outros poluentes extremamente perigosos como sejam o mercúrio, o cádmio, o arsénio, o chumbo, o cobre e vários tipos de ácido.

Infelizmente somos um país de porcos, prova simples desta afirmação são as ruas das localidades deste pardieiro feito país, é tanta a lavajice que parece incrível que alguém queira visitar isto, os “camones turistas” são deveras masoquistas, ou então adoram visitar a “reserva” indígena” da Europa, para ver o labrego lusitano em estado puro, em todo o seu porcino esplendor arruinamos paulatinamente o nosso ambiente, destruímos tudo o que é natural, sendo que a preservação de ecossistemas é um factor que nos poderia diferenciar dos outros, mas não, alegremente malbaratamos a diversidade biológica, maltratamos a natureza, somos em suma um povo de porcos, vejam apenas como exemplo desse afã destrutivo a estupidez aeroportuária que preparam para a zona do Montijo.

Entre muitas outras coisas que me intrigam, nesta vasta temática da porcalhice nacional, há uma que me deixa realmente perplexo, sabendo nós o estado miserável dos cursos de água deste país, que estão poluídos, basta ver o Tejo, ou aqui ainda mais perto o Vale Virgo que não passa de um esgoto a céu aberto que atravessa a parvónia onde resido.

Sabendo nós, que a utilização de produtos químicos na agricultura está em roda livre, sabendo nós que o tratamento de esgotos das povoações e instalações industriais é um embuste, faz-me confusão ao percorrer a zona industrial aqui da terra onde não se vê um único ecoponto, tão limpinhas que são as indústrias aqui do burgo!

Ora sabendo nós que não temos ninguém ao nível político que realmente cuide do ambiente, expliquem-me como é possível as análises das águas das redes de distribuição para consumo das populações, apresentarem sempre qualidade “Excelente” e como é possível que as praias apresentem tantas “bandeiras azuis” sinónimo ao que parece de qualidade, “não bate a bota com a perdigota” como sói dizer-se. Alguém que me explique este mistério.

Um destes dias quando alguém se quiser debruçar com seriedade sobre a real qualidade das águas que bebemos e sobre o estado e tipo de canalizações, muitas com amianto, que existem para a distribuição dessas águas acredito que nos vamos fartar de rir, claro que nunca nada disto acontecerá, continuaremos a engolir alegremente as nossas microdoses diárias de metais poluentes, de amianto das canalizações e de toda a merda com que deixamos poluir a água, o único bem verdadeiramente importante deste Mundo.

P.S. – Entretenham-se a ler isto, mas não se assustem muito:






Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quinta-feira, fevereiro 07, 2019

Ajuntamentos


Portugal é um antro esquizofrénico cheio de instituições mais ou menos trapaceiras que dedicam mais tempo a engendrar métodos para “lixar o parceiro” do que efectivamente a fazer alguma coisa que valha a pena.

Uma dessas mui credíveis instituições são as famosas “Juntas médicas” essa figura de excepção, suprema expressão administrativa e burocrática deste pardieiro pateta. Estas juntas, constituídas por elementos dessa classe profissional de elite que são os médicos, diga-se num pequeno aparte que Portugal possuiu três classes profissionais, que estão equiparadas à figura divina, num panteão à portuguesa, uma espécie de Olimpo pobrezito, Juízes, Médicos e Advogados, ocupam o ligar da Santa Trindade cristã, como seres, omniscientes, omnipresentes, divinamente infalíveis, de inquestionáveis decisões, mesmo quando essas decisões lixam o “Zé Pagão” que é aquele pobretanas de calça esfarrapada e casaco remendado, que o leitor vê quando olha para um espelho, o tal que lá vai pagando os ordenados a esta tropa toda.

Como não tenho experiência sobre os vários tipos de juntas médicas, ainda que assim de forma empírica sem método apenas por ir lendo coisas nos jornais que narram os episódios rocambolescos que os pobres sofrem quando são indicados para serem presentes a este tipo de cabidos de sumidades da ciência médica, temo que as tais “juntas” sejam praticamente todas iguais, sendo o seu objectivo, um apenas, a saber, cercear os direitos das pessoas e poupar dinheiro, ainda que para poupar dinheiro se gaste tanto neste tipo de armadilhas burocráticas que mais valia dar meio milhão a cada pessoa que vai a uma junta poupava-se muito dinheiro.

As “juntas” sobre as quais, com alguma propriedade posso falar são aquelas a que os deficientes são forçosamente obrigados a submeter-se para que lhes possa ser fornecido um papelucho que diga que o portador daquele papel tem uma determinada percentagem de invalidez, que os senhores “doutores” em medicina avaliam de acordo com extensa legislação que determina as percentagens a atribuir às maleitas apresentadas pelo malsão que se lhes apresenta. Afirmo peremptoriamente que estas “juntas” são uma inqualificável palhaçada!

Esclareço o leitor de que sou amputado, do membro superior esquerdo desde 1991, altura em que me atribuíram 35% de incapacidade, hoje, depois de uma dezena de idas às tais “juntas” tenho um atestado multiusos elaborado de acordo com a legislação anterior aquela que está actualmente em vigor, que me atribuiu uma percentagem de 55%, bastavam apenas 5% para atingir os 60% e ter uma ajuda no IRS, mas nem isso.

Conheço porém casos em que furúnculos no cu deram para 65% de incapacidade, pois neste país basta conhecer as pessoas certas, ter uma boa conta bancária, ser pródigo na distribuição de envelopes e os milagres acontecem.

Estas “juntas” são como escrevi anteriormente uma palhaçada do país do faz de conta em que vivo, a atribuição do grau de deficiência por juntas médicas de faz de conta serve apenas para moderar os gastos com os deficientes ou com pessoas com doenças crónicas, impedindo o seu acesso à redução de IRS e cercear ainda mais os seus, já parcos direitos, o resto são fábulas.

E dou-vos um exemplo prático do que afirmo, fui a junta médica com a legislação nova, entre perguntas mais ou menos parvas a que fui respondendo, dois senhores doutores iam apalpando o coto do meu braço onde antes esteve a minha infeliz mão, procuravam um osso qualquer, porque fazia toda a diferença ter ou não esse osso, diziam eles, tive que me rir na cara dos senhores perguntei-lhes que diferença faria o tal osso porque sem mão até podiam esta lá dez ossos, que não fariam diferença nenhuma, ficaram irritados, porque os aos senhores doutores não se questiona, e mais ficaram porque enquanto discutiam entre eles, eu levantei-me e saí, um deles, ao que me pareceu o chefe da camarilha veio cá fora dizer "Ó homem onde é que vai? Ainda não acabou!", nem lhe respondi olhei para ele virei-lhe as costas e saí daquela enxovia nunca mais voltei a pedir essa porcaria de atestado multiusos e acho que nunca mais pedirei.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

terça-feira, janeiro 29, 2019

Bostologia – Tratado universal da bosta nacional!

Portugal lugarejo mal frequentado segundo uns, reino velho com quase mil anos, orgulhoso da sua diáspora de quinhentos anos, recebeu no seu seio, um afamado bostólogo senegalês que nos veio revelar a verdade sobre a nossa existência, nós pobres patetas ignorantes que há quinhentos anos contactamos com gente de todas as raças, credos e cores, nós que somos de todas as cores e credos, ficámos a saber, que somos um país muito racista e que somos bosta.
Agradecemos ao luminoso arauto da bostologia mundial a excelsa informação, resgatando-nos das garras da ignorância e colocando-nos no patarmar em que devemos estar o de paíszeco racista e bosteiro, um pardieiro de escaravelhos bosteiros nazis, hossanas ao glorioso e intrépido senhor que vindo do longínquo Senegal, veio espalhar a sua preclara visão sobre esta bosta de terra, perguntando-me eu, porque e que tão inteligente, capaz e dotada pessoa se dá ao sacrifício de residir nesta bosta de terra, neste antro de nazis, de expor os seus filhos a esta gentalha miserável e de se rebaixar, degradando a sua pessoa ao receber o dinheiro sujo dos impostos dos nazis que pagam o seu, estou em crer, muito exigente cargo de assessor, cargo esse que a fazer fé nos números publicados numa plataforma governamental totalizaram 200 mil euros em meros 3 anos, eu simples escaravelho bosteiro nazi, vou precisar de 20 anos para ganhar esses mesmo 200 mil Euros, mas claro eu sou apenas um nazi racista, um bosta.
Não fora o senhor especialista em bostologia nazi, vindo do país que ao mundo deu por exemplo a personalidade singular de um senhor chamado Leopold Senghor que se aconselha vivamente a leitura por ser um excelente poeta e um humanista de eleição, dizia eu que se não fosse a inteligentíssima visão do doutor bostólogo, nós os escaravelhos bosteiros nazis que habitamos este pais continuaríamos cegos na nossa cruzada contra as cores do Mundo.
Obrigado ao senhor bostólogo por revelar ao Mundo que Portugal é um antro de escaravelhos bosteiros nazis, sem as sensatas, inteligentes e sábias declarações do senhor doutor bostólogo, jamais as pessoas incautas que poderiam considerar vir para Portugal, cairão em semelhante erro, ninguém no Mundo poderá dizer que não foi avisado, Portugal é um antro de nazis, nem a Alemanha em 1940 teve tantos nazis como Portugal possuiu neste momento, obrigado inteligente senhor, a sua inestimável ajuda foi determinante para desmascarar esta gentalha medíocre, este bando de nazis bosteiros que se acoita neste paizeco de quinta categoria.
Pena tenho das vastas comunidades de cidadãos brasileiros, ucranianos, russos, indianos, nepalases, paquistaneses e chineses que escolheram este antro de nazis para viver e trabalhar, estão a ser enganados pelos nazis manhosos e velhacos que querem viver do trabalho destas pessoas.
Não fora este excelente e lúcido cidadão senegalês o racismo em Portugal seria um tabu, obrigado a este senhor doutorado em bostologia e em nazismo racista por ter trazido este assunto à superfície deste conspurcado antro de nazis, de bostas que é Portugal, é de gente assim que Portugal necessita, gente que aponte a dedo a corja nazista que aqui vive, que se alimenta à conta do trabalho das pobres pessoas que tal como este excelente senhor vindo do Senegal em missão, sim porque só um missionário imbuído de um espírito altruísta e dotado de um quase miraculoso poder de sacrifício se disporia a vir viver para este antro de nazis, só alguém muito acima da média se disporia a aceitar ser pago por dinheiro sujo dos impostos destes bostas nazis de Portugal para desempenhar tão nobre missão, muito obrigado caro senhor, é vossa excelência um farol de luminosa decência neste porco mar de racistas, de nazis bosteiros. 
Já se sabia que éramos um pardieiro de corruptos, de analfabetos e de atrasados, a isso junte-se agora o excelente epíteto de racistas, deixo porém uma pergunta, se isto é tão mau, tão degradante e se as pessoas de cá são tão más, tão xenófobas e tão racistas, que vindes fazer para cá, sois masoquistas? Tendes senhores e senhoras que demandam Portugal algum fetiche sexual que vos faz serem glutões da punição? Se assim não é porque vindes, sois porventura apenas estúpidos ou vindes como o doutor entendido em bostas, com espírito missionário para remir as almas dos bostas nazis de Portugal?

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

terça-feira, janeiro 22, 2019

O Império dos esquecidos

“Em Abril sentado no meu alpendre vejo a parada passar,
Vejo os meus velhos camaradas orgulhosamente a marchar.
Recordando antigas glórias, todos dobrados e doridos,
Heróis de guerras esquecidas, heróis esquecidos.
E os mais jovens perguntam “Porque estão eles a marchar?”
Pergunto-me o mesmo enquanto a banda está a tocar,
Enquanto eles passam a marchar,
Ano após ano menos aparecem para desfilar,
Temo que um destes dias, ninguém mais irá marchar.”

Tradução livre de um excerto da canção "And The Band Played Waltzing Matilda" dos Pogues ”

Há duas semanas faleceu um amigo, um velho combatente, também ele marchava orgulhosamente no 10 de Junho, agora que felizmente resolveram dar algum relevo e mostrar respeito pelos antigos combatentes, apesar de eu acreditar que o relevo deveria ser dado a todos os veteranos, ou seja a todos os que cumpriram serviço militar em prol desta coisa Pátria, sem prejuízo de mostrarmos o nosso respeito pelos que foram combater, muitas vezes por quimeras patéticas.
Esse meu amigo, foi um dos meus instrutores há trinta anos quando “assentei praça” como se dizia antigamente. Trazia no seu curriculum várias comissões na Guerra Colonial, nos ombros as divisas de sargento. Partiu esse bom amigo, com ele parte mais uma parte de mim, parte uma migalha do fim do Império.
Eu sou um desses filhos dos restos do Império, cresci com histórias de guerra, na escola o meu núcleo duro de amigos tinha um angolano branco, um moçambicano preto e um indiano, nunca ninguém se lhes referia pela cor, mas pelo nome, não eram afro não sei quê ou luso coiso e tal, eram portugueses, eram o João, o Carlos e o Henrique, também eles filhos dos restos desse Império que desapareceria definitivamente em 1999 com a entrega do território do Leal Senado à China.
O Império velho de 500 anos, teve apenas uma década de fulgor, a década de 50 do século XX, no fim dessa década, poucos perceberam que o kurikutela da História galgava barrancos inexorável no seu percurso anunciando que o ouro negro traria novas de um acordo final que acabasse em paz e assim foi, mas foi preciso muita guerra, muita morte, muito sangue, muitas lágrimas e muita dor e o Império findava sem glória.
Muitos gostam de ver os antigos combatentes como exemplos do brio perdido desse sonho imperial, não digo que não haja no meio desses milhares de homens e de mulheres, gente que assim pense, tenho porém que a grande maioria sente-se orgulhoso apenas por ter sobrevivido e por ter feito aquilo que deles se exigia, apesar de depois de 1974 terem sido completamente esquecidos pelo mesmo Estado que os mandou para uma guerra estúpida.
Este meu excelente amigo, já octogenário, dizia sempre que fez o que tinha que fazer pois era militar, não odiava nada nem ninguém, tinha saudades dos camaradas, tinha saudade de ser jovem, de resto não tinha saudades de mais nada, faleceu paz à sua alma, honre-se a sua memória e a todos os que combateram, respeitem-se essas mulheres e homens pela coragem, são os restos do Império que mais uma ou duas décadas serão apenas memórias inscritas em monumentos e manuais de História, fica aqui expressa a minha homenagem.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, janeiro 14, 2019

Portugal precisa de inimigos?


O ano de 2018, terminou com mais um triste e bem negro balanço nas estradas de Portugal. Muito se preocupam as pessoas com hipotéticos inimigos externos, terroristas, quimeras patetas, porém os verdadeiros inimigos dos portugueses são os próprios.

Para quem anda distraído, Portugal deixou há muito de existir, deu lugar a uma coisa a que vou chamar “Grunholândia”, um pardieiro terceiro mundista habitado essencialmente por grunhos, gentalha medíocre desprovida de qualquer educação, sem respeito pelos outros e sem possuir sequer um mínimo de regras de convivência civilizada, em suma “grunhos”.

Eu arriscaria dizer que o território que anteriormente apelidávamos de Portugal, é actualmente o paraíso terrenal dos “grunhos” o Shangri-la da grunharia mundial, tem aliás atraído muito disso, gentalha, rebotalho e mais rebotalho que se junta ao muito que por cá existia já em abundância, falo de um “país” onde por exemplo, entre os dez programas de televisão mais vistos no ano de 2018, nove foram jogos de futebol e um é daqueles programas aberrantes para seres acéfalos produto charneira do telelixo nacional.

Os números falam por si entre dia 21 de Dezembro e dia 2 de Janeiro, cerca e 2500 acidentes rodoviários, provocaram 23 mortes, para além de mais de um milhar de feridos entre graves e ligeiros, uma verdadeira hecatombe provocada pela estupidez colectiva de um povaréu cretino.

As causas desta estatística vergonhosa radicam fundo nesta sociedade medíocre, vamos falar sobre algumas dessas causas. Começamos por concluir que uma dessas causas reside no facto de que somos um poveco de grunhos labregos, que jamais deixaremos de o ser, ainda que nos encham de gadgets e penteados à moda, a grunhice sobrepõe-se sempre a tudo, uma grunhice pegajosa que sai pelos poros de cada “tuga” que exala quase permanentemente esse odor fétido de grunhice, não julguem no entanto que a grunhice escolhe classes, porque não escolhe, em Portugal tão grunho é o doutor como o cavador.

Em Portugal a grunhice é uma condição democrática, igualitária e nada discriminatória, o grunho de Portugal é branco, preto, azul e até verde, é mulher, é homem é de todas as cores raças e credos, e essa é a característica mais marcante do grunho nacional, essa irmandade que se coloca acima de qualquer característica hipoteticamente diferenciadora, o grunho existe exibindo e fazendo gáudio dos mesmos comportamentos grunhos independentemente da sua origem étnica e ou social, independentemente do seu sexo ou credo, o grunho nacional prospera.

Como outra causa que podemos aduzir à sinistralidade, está a péssima qualidade das estradas nacionais, a falta de condições e por aí adiante, será que podemos dizer que acontecem acidentes por causa das condições das estradas? Podemos sim, mas por si só esse facto explicará uma ínfima percentagem dos acidentes, podemos igualmente aduzir as condições climatéricas, sim podemos, mas de novo estamos perante uma ínfima percentagem dos acidentes, sendo que num e noutro caso se pode sempre adequar por exemplo a velocidade ao estado do piso e às condições atmosféricas tentando mitigar as dificuldades, essa é sempre uma opção do elemento humano da equação.
Apesar das duas situações anteriormente descritas serem relevantes, as causas mais directas desta terrível «guerra civil» que há muito grassa neste pardieiro feito país, têm que ver essencialmente com duas coisas, impunidade e estupidez.

No que concerne à segunda, pouco se pode fazer, contamos com 30 anos talvez mais, de campanhas de prevenção rodoviária, cujos resultados tendo em conta o muito investimento feito têm sido próximo do miserável, prevenção existe bem feita e com qualidade, não é por aí. Quanto à pedagogia, temos um Código da Estrada o primeiro data de 1928, bem como outra legislação conexa, sendo que as primeiras regras e sinalização do trânsito datam do já longínquo ano de, pasmem-se, 1686. No que toca à pedagogia, ela existe, mais que muita é preciso ser muito estúpido para a não perceber.

Então porque raio; continuamos a assistir a este morticínio? Vamos ao início do disparate, a obtenção da habilitação legal para conduzir veículos. É aqui que tudo começa e começa logo mal, porque em Portugal qualquer anormal obtêm uma “carta de condução» sem mais aquela que frequentar uma palhaçada a que pomposamente chamam Escolas de Condução e uns exames patéticos, nada disto infelizmente forma condutores, é preciso ser muito estúpido para não perceber isso.

Teria aqui de acontecer uma mudança radical para formar condutores, a avaliação psicológica auditada e fiscalizada teria de ser normal padrão para sancionar a obtenção dessa licença, e para a poder manter, uma licença que é uma espécie de «uso e porte de arma» porque um veículo pode ser uma arma e como está à vista de todos, os veículos matam e matam demais, ao invés disso inventaram-se uns atestados médicos para certificar que se está em condições, atestados esses que se arranjam por quantias variáveis em todos os cantos deste pardieiro onde médicos corruptos os passam sempre que se queira, é preciso ser muito estúpido para  não perceber que isso acontece.

No que concerne à impunidade, essa parece ser mesmo a condição crucial que determina este miserável estado de coisas, quando há pouco referi as primeiras regras de trânsito de 1686, diga-se que a queixa mais frequente que lhes fizeram foi que, e cito, “A lei foi desprezada e houve negligência daqueles a quem competia fazê-la cumprir.” Aí está a resposta, mais triste é perceber que nada mudou em 400 anos, continuamos tal como estávamos em 1686, as leis são desprezadas por todos e muitas vezes completamente negligenciadas por aqueles a quem compete fazê-las cumprir.

Há pouco ouvi o senhor Ministro da Administração Interna, proferir uma daquelas frases que esta gentinha politiqueira tanto gosta, “tolerância zero” para com a sinistralidade rodoviária. Ora essa tal tolerância implica que neste governo ou noutro que venha a existir, haja pelo menos uma pessoa com testículos, pode até ser uma mulher, ele há senhoras com mais testículos que muitos homens, ora como testículos é coisa que pouco existe nos governos, estamos conversados.

Não é preciso nenhuma “tolerância zero” a coisa é bem mais simples e para além de poupar dinheiro ainda seria uma boa fonte de receita, não é preciso inventar nada, basta fazer o mesmo que outros países fizeram para domar os seus grunhos.

Por exemplo coimas com valores sérios, a começar em 500 Euros, bêbados que acusem a taxa crime, que deveria ser ZERO, não precisam de ir a tribunal, ficam imediatamente sem carta, pagam coima e se o valor da taxa de alcoolemia for demasiado vão dentro e são obrigados a ter de tirar novamente a carta. Atropelamentos e fuga, julgados com homicídios premeditados com penas mínimas de 20 anos e cassação da carta, estes são apenas alguns exemplos. Acima de tudo impunha-se uma alteração legislativa, mais ainda uma alteração comportamental dos agentes da Autoridade, que deixassem a permissividade e passassem efectivamente a fiscalizar a aplicação das leis.

Isto tudo aconteceria claro está acaso vivêssemos num país de gente normal, de políticos decentes, de instituições saudáveis e de pessoas minimamente civilizadas, como infelizmente estamos a falar de Portugal, no fim deste ano, voltaremos a lamentar mais um milhar ou dois de acidentes, mais uma vintenas de vidas ceifadas e assim continuará tudo numa completa tolerância Zero a tudo aquilo que é civilizado, decente e bom para todos, viva pois o grunhismo nacional!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia