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Os bons dos portugueses, cada vez mais uma minoria neste país, adoram essa coisa do “sebastianismo”, quase passados que estão 500 anos, desde o desaparecimento do “Desejado” em Alcácer Quibir, continuamos a esgotar o nosso tempo a procurar “novos “sebastiões” nos quais depositamos uma cega “fé”, transferindo para os mesmos, todas as nossas incapacidades, mediocridade e desnorte, esperando que o tal “sebastião” resolva e nos devolva a autoestima, daí resultando que a cada tiro nos pés, lá vociferamos passando a culpa para o dito “sebastião”, fazendo dele bode expiatório da nossa patética e execranda incúria, não que por vezes não seja acertada essa escolha de atribuição de culpa, sendo que em abono da verdade “sebastiões” tem havido que se colocaram a jeito.
A malta cá deste rincão adora “sebastiões”, é uma coisa nossa, adoramos os “ungidos”, é uma coisa que nos vem das entranhas, depositamos neles as maiores das esperanças, andamos constantemente à procura de um “sebastião” para adorar, um a quem possamos lamber o traseiro com fervorosa alegria e devoção, já que o outro, o verdadeiro, o dito”encoberto”, parece que quinou na batalha, não havendo nevoeiro que lhe valesse e ou lhe propiciasse um bilhete de regresso aqui ao Reino.
Dito isto, - ó pá o que tem El-Rei Dom Sebastião que ver com Ronaldo? – perguntam vocês, atarantados que devem estar com a rebuscada invectiva por parte deste alucinado escriba. Pois saibam vossas mercês, esta cena fica sempre bem dar um ar medievo ao discurso, dizia eu, que apesar de um ter berço real e do outro não ter berço o que aparentemente os distancia, na realidade, Ronaldo partilha muito com o bom El-Rei Dom Sebastião, os mui nobre feitos, que ninguém pode negar, a forte simbologia identitária que os cola a uma quase personificação da própria essência da nacionalidade, um culto da imagem, um desmesurado ego são mais que características suficientes para provar, por conseguinte que Ronaldo é o nosso actual Sebastião oficial e oficioso, ah, e a inegável mania das grandezas que ambos revelam é outra prova de que Ronaldo é um Sebastião.
Outra coisa que os une pode resumir-se a um antigo provérbio, felizmente que existem e quase todos com uma actualidade estarrecedora, “entrada de leão saída de sendeiro” ou numa versão mais vernacular “entrada de leão saída de parvalhão”.
Ambos partilham também esta característica, a tristemente patética característica de no final da “estória” tudo deitarem a perder por serem uns cachopos birrentos, inconsequentes e patetas. El-Rei Dom Sebastião, porque pôs na cachola que tinha que ir dar porrada na moirama, acicatado claro está, por outros patetas da mesma igualha, Ronaldo igualmente, ao sair do jogo da Selecção Nacional fazendo uma “birrinha” digna de um qualquer sozinho em casa, manipulado qual títere, pelos escuros interesses financeiros que o manipulam, demonstrou mais essa semelhança com o Sebastião.
Concluindo, esta anedota de país, Portugal é na verdade uma anedota, anda há dias a encher horas de televisão e de jornais, por causa de um empurra bolas falcato, esquecendo o resto. Um país que tem como seu herói nacional um qualquer empurra bolas semi analfabeto, é um país patético e medíocre, que alento terão para continuar, os nossos cientistas, poetas, calceteiros, médicos e pintores, policias e actores, enfermeiros e professores, só para citar alguns, que alento terá esta gente mal paga, vilipendiada, quantas vezes alvo de chacotas e violências ao verem que o grande herói deste Reino da imbecilidade é um empurra bolas birrento e mal formado?
Triste realidade a nossa portanto. Triste povo este, mais triste sociedade, que se ainda deixa arrastar por “sebastianisses” labregas, a tal ponto que o rústico agente imobiliário a fazer de conta que é Primeiro-ministro, o senhor Montenegro, até invectivou a nação a ter o que chamou “espírito de Ronaldo”, felizmente que o nosso espírito, mesmo menos bom, vai sendo outro, pois que se o exemplo mor da portugalidade é esse empurra bolas pateta, bem diz um grande amigo – é pá, ca país de merda que este é” – e não é que eu concordo.
Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia






