terça-feira, setembro 14, 2021

POR QUEM OS SINOS NUNCA DOBRAM

Portugal, este país ao avesso, dizem que tem uma tradição humanista no que à aplicação do Direito concerne, dizem, que dessas coisas não sei nada, sei que fiz a quarta classe e que sei ler, vou interpretando o que leio e também o que oiço e vejo, por isso repito, dizem que Portugal tem uma “tradição” humanista de aplicação do Direito, daí termos abolido a pena de morte, os castigos corporais e as penas longas, não quer dizer porém que não se as apliquem, mas disso falaremos mais adiante, por ora fiquemos-nos pela “tradição” humanista, pelos direitos liberdades e garantias constitucional e legalmente aceites e tidos por sãos, que conferem aos maiores, aos mais empedernido dos bandalhos criminosos a segurança de conseguirem fazer as maiores, mais escabrosas, macabras e hediondas patifarias, sem que daí advenham grandes penas, normalmente em casos extremos são 25 anos, dos quais cumprem, geralmente, uns 15, uma benesse portanto, para assassinos, pedófilos, abusadores, violadores e restante maralha criminosa.

Acresce ainda que acaso o criminoso tenha acesso ou lhe seja permitido o acesso a grossos cabedais, o galfarro prevaricador, pode então recorrer aos serviços de vários conceituados causídicos, que em troca da empatia endinheirada que sentem pelo patrocinado o irão defender até com unhas emprestadas, assegurando que todos os prazos são ultrapassados, que todos os recursos e mais alguns são interpostos, garantido ao meliante uma seráfica e relativa liberdade, mais, se o criminoso pertencer a um determinado nível social, digamos se pertencer às elites, caso não tenha caído em desgraça, os “amigos” serão generosamente “oleados” para facilitar a escorregadela do bandido por entre os frágeis e quase incapazes dedos artríticos dessa velhinha cega e quase incapaz a que dão o nome de Justiça.

Por entre acórdãos, recursos para instância superior, manobras dilatórias, que muitas vezes se colam perigosamente à falcatrua, prescrições, pedidos de perícias de variada natureza, audições intermináveis de testemunhas que pouco ou nada testemunham, mais a endémica inépcia e lentidão de um sistema judicial caduco, burocrático em excesso, que interessa manter assim, tudo polvilhado com pomposas comissões parlamentares, que honra lhes seja feita, levantam muita poeira, destapam as lebres, mas que outras consequências não têm excepto as de acrescentar mais ruído e distração a algo que se quer sereno e focado, depois disto tudo e o mais que se sabe mas não se pode provar, nomeadamente as mãos sempre bem besuntadas de euros e prebendas de alguns, os criminosos em Portugal desfrutam de um quadro verdadeiramente humanista no seu tratamento, existe porém uma ligeira deturpação, o facto de existirem realmente dois tipos de Justiça, uma Justiça dos pobres e uma Justiça dos ricos, apesar de ser um pouco avesso a concepções maniqueístas simplórias, porque entre conceitos opostos existem imensas realidades que os vão aproximando e ou afastando ainda mais, ainda assim efectivamente em Portugal, o quadro de laxismo geral da Justiça ainda mais se exacerba quando o agente criminoso tem posses.

Lembram-se de nos inícios deste artiguelho opinioso, eu vos ter dito que, e cito-me “...termos abolido a pena de morte, os castigos corporais e as penas longas…”, pois menti, inadvertidamente colaborei com a imensa farsa que é a Justiça, os seus rituais e celebrantes primordiais. Menti porém ciente da mentira, que ora esclareço, efectivamente os criminosos, a face visível, as estrelas dos processos criminais, basta ver os jornais, telejornais, serviços noticiosos, reportagens, já reparam por exemplo nas reportagens que são feitas, sobre criminosos anos depois de cometerem os seus crimes, as televisões sugam até à exaustão esse filão, esgotam-se em entrevistas sobre os criminosos, sobre como eram em crianças, ou em adultos, enfim um nauseante desfilar de idiotarias dispensáveis.

No entanto sobre as vítimas, umas escassas linhas, uns breves comentários e assunto arrumado. Pois, essa é a mesma questão que me ponho há década, todas aquelas crianças, velhos, mulheres homens e animais vítimas de crimes. Que há para dizer dessas vítimas, de todas esses seres inocentes. Infelizmente as vítimas de crimes em Portugal, qualquer que seja a natureza desse crime, do mais corriqueiro roubo de pilha galinhas ao mais macabro homicídio, a esses ninguém os quer, são os ocultos, os omitidos, os obliterados, os silenciados, aqueles sobre os quais ninguém fala, as vítimas de crimes em Portugal são os invisíveis, quando eu disse que em Portugal não existe a pena de morte, os castigos corporais e as penas longas, menti, porque na verdade existem pessoas efectivamente condenadas a essas penas em Portugal, essas pessoas são as vítimas dos crimes, condenadas a penas perpetuas de sofrimento, a penas de morte em vida, a castigos psicológicos que condicionam toda a sua restante existência, vitimas essas que ninguém quer saber, com as quais não se gasta um pataco furado, vítimas que após os julgamento se esquecem e se descartam.

Quantas vezes viram nas televisões, ouviram nas rádios e ou leram nas internetes e nos jornais, reportagens sobre programas de apoio a vítimas de crimes, linhas de ajuda e apoio concreto a vítimas de crimes, preocupação séria e efectiva para com as vítimas de crimes? Infelizmente pelas vítimas, em Portugal, os sinos nunca dobram...

 

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

 

terça-feira, junho 29, 2021

A MOSCA DOS DEUSES

É confrangedor, assustador e completamente estapafúrdio, que se continuem a utilizar métodos estalinistas, salazarentos e muito pouco democráticos para tentar governar este nosso país, o exemplo mais recente foi o bem conhecido caso passado no município de Lisboa, que anda e parece que andou a fornecer dados das pessoas que organizam manifestações junto a embaixadas de países conhecidos por serem declaradamente anti democráticos, isto como se essa gentalha precisasse desse favor, pois estou seguro que para cada manifestação que haja frente às embaixadas deste tipo de países, exista elaborado pelos agentes secretos colocados nessas embaixadas, um excelente arquivo com fotografias, vídeos e detalhados relatórios sobre os participantes, só alguém muito ingénuo acredita que aquela rapaziada está à espera dos tolinhos da câmara municipal para saber pormenores sobre quem organizou a manifestação.

Ainda assim o município da capital do reino, fica muito mal na fotografia, fica ali aquele travo estalinista e salazarento, pior, fica ali plasmada uma subserviência absolutamente degradante que nos faz temer pela nossa segurança, afinal aqueles que elegemos e pagamos, principescamente para nos representar, governar e defender, são os primeiros a venderem-nos pelos tais trinta dinheiros, isto é tudo tão patético que chega quase a ser anedótico, pior que o caso em si, são as desculpas aduzidas em sua defesa, que o chefe da edilidade apresentou à populaça e consequentemente ao país através da comunicação social, desculpas esfarrapadas, patetas e patéticas, que só tiveram paralelo nas igualmente cretinas e disparatas declarações que o nosso primeiro dos ministros, entendeu por bem fazer, em defesa do “camarada” autarca.

Invocar o uso, para defender o absurdo, é ao nível do argumento, o mesmo que dizer que os nossos governantes apresentam um grau zero de intelecto, não havendo entre aquela chusma de desvalidos do intelecto ninguém que aparentemente consiga ter pelo menos dois neurónios funcionais, a coisa ainda se torna mais patética e grave, porque com a transposição para o ordenamento jurídico nacional do famoso Regulamento Geral sobre a Protecção de Dados (RGPD), Regulamento (UE) 2016/679 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 2016, que se tornou aplicável obrigatoriamente a partir de 2018, passados três anos já passou tempo suficiente para que esta rapaziada, o senhor autarca de Lisboa incluído, ter dado instruções claras aos serviços para que este tipo de insanidades fosse extinto, infelizmente, como em numerosas outras situações, demasiadas para caberem agora aqui, as leis existem, mas ninguém parece querer cumpri-las, ou sequer implementar e fiscalizar o seu cumprimento, e tanto isso é verdade que num recente artigo de um jornal (1) se afirma que “57% dos municípios não cumprem a lei de protecção de dados, mas ainda não foi aplicada qualquer coima.”, pessoalmente acredito que a realidade seja bem pior, mas essa é apenas a minha convicção.

Nos tempos da senhora governanta do famoso “botas” de Santa Comba, legislação existia que por exemplo, obrigava a que “...os patrões deviam reportar oportunamente a greve ao Instituto Nacional do Trabalho e Providência e à PIDE, caso se ocultasse por detrás do descontentamento laboral a desafeição política…” (Cerezales 2011) (2) . Como está à vista, mesmo que desarmada, de todos, tal prática de antanho, e esta prática mais modernaça, praticada pelo município de Lisboa, tem o mesmo cariz e intenção, a pura delação, por outras palavras, o salazarismo bafiento finou-se em 1974, será, mas os métodos, entre outros, estes da “bufaria” e da “sabujice” mantiveram-se activos e bem de saúde mesmo quando já estava em vigor legislação específica que os proibiria, e bem pode o senhor chefe da autarquia lisboeta dizer que não consegue saber o que todos os funcionários da edilidade fazem, pois não, apesar de eu acreditar que é seu dever ter pelo menos uma ideia geral, sendo que para isso é preciso sair do ar condicionado do gabinete, para visitar os subordinados, conhece-los, falar com eles saber o que fazem, porque afinal ele é o chefe, é ele que colhe os louros, logo solidariamente é o responsável, afinal quem é que juridicamente representa o município?

O senhor autarca pareceu-me desnorteado, surgiu-me a alegoria de ele ser uma mosca dos Deuses, uma mosca que ao serviço desses deuses exigentes, quanto mais esbraceja na merda que fez, mais atolado nela fica e mais mau cheiro exala, ainda assim não acredito que nestes casos as demissões serviam alguma coisa excepto, para a vulgar “fuga com o rabo à seringa” como sói dizer-se, uma efectiva ida ao banco dos réus seria o mais desejável, mas para isso seria necessário que a legislação deixasse de proteger este tipo de galfarrices, até porque ao contrário daquilo que quer o governo quer o senhor autarca de Lisboa se esforçaram por esconder, os dados transmitidos, não eram de cidadãos estrangeiros, visto que pelo menos dois deles são cidadãos com nacionalidade portuguesa, o caso que já era mau ficou ainda pior, tenham vergonha.

1. Artigo Jornal O Observador, https://observador.pt/2021/06/22/57-dos-municipios-nao-cumprem-lei-de-protecao-de-dados-mas-ainda-nao-foi-aplicada-qualquer-coima/ , acedido em 24-06-2021

2. Cerezales, Diego P., Portugal à Coronhada, Tinta da China, 2011

 

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

 

terça-feira, junho 22, 2021

Gervásio o nobre chimpanzé

“O Gervásio levou exactamente uma hora e doze minutos a aprender a separar as embalagens usadas…” Era assim que começava uma campanha televisiva inovadora lançada pela Sociedade Ponto Verde, no ano 2000, cujo objectivo era sensibilizar os habitantes deste infeliz lugarejo, muito mal frequentado, a que chamam Portugal a fazer reciclagem, uma tentativa para que a reciclagem se tornasse parte dos hábitos diários dos indígenas.

A estrela dessa campanha era o chimpanzé Gervásio, um primata evoluído de dedo oponível, animal inteligente e nosso primo directo, nesta coisa da evolução, que alguns macacos ainda teimam em negar, agarrados que ainda estão às patetices dos deuses e porcarias do género. Vinte e um anos depois que resultados terá tido essa campanha?

Na sua localidade, caro leitor ou leitora, não sei, mas vou contar-lhe, a realidade aqui deste pardieiro provinciano onde habito. É essa realidade triste, muito triste, a mais grossa fatia do indigenato local, no que à reciclagem concerne, não se qualifica como primata evoluído, por outras palavras, a maioria dos habitantes deste infeliz pardieiro, não chega a chimpanzé não possui as elevadas qualidades intelectuais que permitiram ao Gervásio, aprender em pouco mais de uma hora a fazer reciclagem, essa vasta maioria de primatas locais, estará ali entre o singelo sagui e o abrutalhado babuíno, estando eu seguro que o grosso da horda milita definitivamente no campo do babuíno, porque a observação atenta dos comportamentos leva-nos a rapidamente chegar à inevitável conclusão que, esta rapaziada é uma verdadeira corja de babuínos.

No que toca à reciclagem, esse comportamento babuinesco, tem um dos seus máximos expoentes, em querendo confirmar aquilo que ora afirmo sem pudor de erro, bastará ao inteligente leitor e ou leitora, dar uma volta aqui pela cidadelha, parando aqui e além para verificar o interior dos contentores do lixo, nem tem sequer de levantar a tampa, pois muitos não possuem tampa, enquanto que outros, estão escancarados porque os babuínos tem dificuldades em fechar tampas, podendo nós dessa forma, acercar-nos desses objectos fétidos, verificando então, que lá dentro estão depositados a granel todo o tipo de desperdícios mais ou menos repelentes e viscosos, por junto com plásticos variados, cartão, papel, vidro, lixo doméstico largado a esmo, enfim o que se queira, provando quão avessos à reciclagem são os habitantes locais, que nem conseguem chegar aos calcanhares de um chimpanzé.

Outro local, onde in situ, se pode constatar, a fraqueza destas gentes, é a zona industrial, aonde curiosamente não se vislumbra sequer a sombra de um ecoponto, lançando um olho aos contentores do lixo daquela zona, lá estão resmas acamadas, de plásticos, cartão, desperdícios industriais, embalagens plásticas com restos de produtos químicos, seguramente tóxicos, uma verdadeira orgia de porcaria, por ali campeiam os babuínos, reina a ganancia e o lucro, o resto que se lixe, ou que se lixo, os babuínos reinam.

No entanto, os poucos patetas que reciclam, triste maralha onde me incluo, conseguem encher os ecopontos, o que se traduz numa pavorosa conclusão, se nós os que reciclamos produzimos essa enormidade de matéria, quanto não estará a ser aproveitado, quanto não estará a ser pura e simplesmente atirado para as lixeiras para conspurcar ainda mais o nosso pobre martirizado planeta, quanta porcaria não está a poluir os aquíferos, a matar as espécies e a fazer seriamente perigar a nossa existência enquanto espécie, duvido que alguém saiba a resposta.

Gervásio o nobre chimpanzé levou exactamente uma hora e doze minutos a aprender a separar as embalagens usadas, vinte e um anos depois, uma vasta maioria de babuínos que habita por aqui onde vivo, ainda não conseguiu perceber como fazer o mesmo, e dizem-se eles animais racionais.

 

sexta-feira, junho 11, 2021

A MARQUISE DO ARNALDO

A questão da “marquise” mandada construir, por um conhecido empurra bolas, no topo de um prédio lisboeta, à revelia de uma qualquer Lei, tem levantado algumas questões, entre comentários mais ou menos cretinos em defesa do senhor promotor do mamarracho e outros igualmente cretinos atacando-o, o que fui lendo, centrou-se na questão fulanizada da pertinência e justeza da acção daquele camarada, que dizem uns, tanto tem dado ao país, outros dizem que agora o atacam por mera inveja, que o país não o merece, porque sim e porque sopas.

Na minha humilde convicção, a questão da marquise do dito senhor, está muito para além de uma mera prevaricação, se existir alguma, está mesmo muito para além da mera violação de quaisquer preceitos legais, de posturas municipais e ou alegadas violações de direitos autorais, o problema radica mais fundo, radica numa coisa a que chamo “tuguismo”.

Aquilo que se passou foi mais um exemplo do comportamento “tuga”, essa raça que veio substituir o português, tipo que está em extinção, que aliás se irá extinguir nas próximas duas ou três décadas, engolido pela voragem dos tempos, ficará o “tuga” a versão abastardada daquilo que foi o português, animal que só poderemos revisitar nos museus, mas deixe-mo-nos de lérias e vamos ao que interessa.

Per si o episódio da construção do mamarracho no topo de um prédio lisboeta, é apenas mais um episódio, entre milhares de situações análogas e ou bem piores, que grassam pelo país todo de Norte a Sul e ilhas adjacentes, perpetrados por novos ricos labregos e ou pela resma de bandalhos endinheirados que enxameia este país, essa nova elite labrega, sem pingo de educação bom gosto e ou cultura, expoentes máximos do Mundo actual, o Mundo do “tuga”, foi portanto apenas mais um exemplo do “tugismo”, um exemplo de narcisismo arrogante egocêntrico umbiguista, é o velho «posso, quero e mando», na sua moderna, actualizada e aumentada versão, atitude tão ao gosto das elites podres do «ancient regime» do antanho bolorento, mas revitalizada como produto destes tempos, um tempo que como escreveu a escritora Italiana Andrea Marcolongo, onde "a ignorância se converteu num valor social".

É portanto convicção minha que aquilo foi antes de mais um problema de arrogância de uma atroz ignorante arrogância, apanágio do “tuga” para o qual, a Lei, as regras, as normas, os direitos de autor e coisas assim menores valem nada, nada disto é sequer novo, pois o “tuga” não nasceu de geração espontânea, ele é produto de anos de apuro de raça, o vício de ser do contra vem tal como a fama do bagaço, de longe, de muito longe, e para não ir mais atrás, recordemos o que em meados do século XIX, já dizia el-rei Dom Pedro V (1837 – 1861) a propósito dessa propensão dos portugueses para se sentirem alheios ao cumprimento da Lei, dizia então o bondoso monarca que, “o primeiro instinto dos portugueses era resistir às autoridades”.

Dito isto, continuo a estar convicto de que aquilo da marquise, é mais um exemplo dessa coisa “tuga” de se achar acima da Lei, se o “tuga” pelintra se sente assim, o “tuga” da elite, ainda mais se sente assim, olhe-se os politiqueiros, os banqueiros e outra dessa escumalha da elite, crendo-se, e cada vez mais sendo-o efectivamente, impune, já que a grande conquista desta nossa Democraciazita nestes últimos 20 anos foi a impunidade, uma impunidade corrosiva que surgiu da necessidade de colocar a salvo as elites politiqueiras e os seus amigalhaços e clientelas, mas que foi apodrecendo a sociedade, estendendo-se ao resto do povaréu, tendo um impacto incrível nas gerações mais novas, criadas na mais perturbadora impunidade.

Uma das defesas aduzidas pelos defensores do empurra bolas da marquise, diz que o rapaz é bondoso, que deu isto e mais aquilo, que lhe devemos muito, pessoalmente não lhe devo nada nem tão pouco me sinto em divida, mas quem sou eu. Este tipo de defesa é uma outra característica do “tuga”, é a síndrome do “ele fez obra”, que tanta vez se ouve acerca de muitos dos mais rematados pulhas, biltres, escroques e bandalhos que pululam neste país, coisa que por exemplo num tempo recentemente, deu origem a uma mansa ditadura de 48 anos, pela qual muitos ainda suspiram, deu igualmente origem já em tempos mais democráticos, a fenómenos de retumbantes votações conducentes a maiorias absolutas que elevaram ao estrelato tão nefastas e mediocres criaturas como sejam por exemplo um Cavaco ou um Sócrates, para dar apenas dois exemplos de rebotalho político do pior.

A rainha Dona Estefânia (1837 – 1859) numa carta escrita a sua mãe constatava que "Os portugueses têm o sentido do luxo e da pompa, mas não o da dignidade", pois, o actual “tuga” herdou essa característica, esse é mais um dos problemas que subjaz à questão aparentemente dispiciendo de uma construção de gosto mais ou menos duvidoso, mas não pior de que outros atentados arquitectónicos de que este país está cheio.

À laia de conclusão, que se faz tarde, estou convicto de que a construção da dita marquise, é o menor dos problemas, na realidade o que ali está em jogo, é toda uma cultura de laxismo, uma cultura avessa ao cumprimento das regras, uma cultura corrupta, arrogante narcisista, nada edificante, que faz tábua rasa do civismo, uma cultura da menorização da decência da educação e do respeito pelos outros, em suma, o problema ali agora claramente exposto é o do triunfo da cultura “tuga”, amplificada pelas redes sociais onde as massas ignorantes de confrontam, quanto à marquise do Arnaldo propriamente dita, deixem lá isso em paz é só mais um mamarracho, numa cidade cheia deles.

 Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

 

terça-feira, maio 25, 2021

Berram cabritas no monte…

A semana passada, espoletado pelo infeliz, e não único, caso de Odemira, foram várias as vozes, muitas de oportunistas politiqueiros medíocres, que se levantaram contra o ministro Cabrita, o todo poderoso, estou a brincar o homem é um pobre diabo digno do nosso dó, senhor da Administração Interna.

Ao contrário dos muitos demagogos aproveitadores que zurziram no coitado do Cabrita, apenas a seguir à trapalhada de Odemira, eu há muito, desde que disseram que o homem estava na calha para Ministro com a pasta da Administração Interna, que digo que o excelso cavalheiro é uma nódoa ministerial, o homem não serve para aquilo, é um pateta digno de pena, uma pobre alma que se arrasta ou antes se pavoneia por ali sem se dar conta do ridículo nem das anedotas que nas suas costas os seus “comandados” contam sobre ele.

Eu sei que todos os elencos governeiros têm aquilo a que chamo “ministro anedota”, o governo do senhor Costa, inovou, numa dada altura chegou a ter pelo menos três, no Ambiente pontua um, na Defesa já esteve outro, um pobre diabo, que como se viu com a trapalhada de Tancos, estava tão bem para o cargo como assenta bem uma sela nas costas de uma vaca. O terceiro é o nosso inefável Cabrita, um bonacheirão um verdadeiro comediante e dos bons, afianço-lhes, desta loiça aparece pouca, o homem tem um jeito inato para a trapalhada e uma queda delirante para a bronca, enfim o bom do Cabrita é um dos nossos melhores comediantes.

Invoco para fundamentar o que até aqui disse sobre a propensão do senhor Cabrita para a anedota, episódios tão edificantes e tão terrivelmente esclarecedores, como sejam o bem conhecido caso das famosas “Cabras sapadoras”, outra barracada bem conhecida com o seu dedinho foram as não menos famosas “golas antifumo”, que ardiam só de pensarem em fogo. Num registo mais sério recordar a barracada, ainda actual, do “Siresp” esse logro, a incrivel e patética dissolução do SEF, outra barracada com os helicópteros Kamov, que apodrecem fechadinhos num barracão perdido por aí para ver se ninguém deles se recorda, e mais recentemente as burrices com Odemira e a escravidão dos emigrantes, e o triste episódio das comemorações da vitória do Sporting, todos estes casos são prova mais do que suficiente de que o senhor Cabrita, com eu sempre afirmei, não presta para o cargo. Então ó Chico, dizem vocês, depois disto tudo como é que o Cabrita ainda se aguenta no cargo e o senhor Costa ainda diz que “tem um excelente ministro”?

A resposta é deveras simples, o senhor Cabrita é um “aparatchik”, ou seja um aparelhista, que cresceu na sombra das redes clientelares partidárias, oriundo da JS, amigo de faculdade do senhor Costa, o senhor Cabrita sempre andou pelos alvajares do Poder, nos anos oitenta passa por Macau, que era um feudo particular do PS, para onde eram nomeados muitos dos seus quadros, para encherem bem o bolso de patacas antes de rumarem aos gabinetes governamentais e aos ministérios, resumindo, o senhor Cabrita é um homem do aparelho, um amigalhaço do chefe, logo não sai, claro está.

Pessoalmente nada me move contra o senhor Cabrita, nenhum rancor, animosidade e ou questão pessoal, acredito piamente que o senhor Cabrita seja, uma boa alma, um inteligente e capaz executor de tarefas, uma excelente pessoa, não ponho nada disso em causa, aquilo a que objecto com veemência é ao facto do senhor Cabrita ter qualidades para ser Ministro de uma área tão especializada e sensível como é a Administração Interna, o que claramente não acontece. Que mais não fosse, se as provas anteriores não fossem suficientes, o estado miserável em que se encontram as forças policiais, tanto em meios como em legislação, a completa impunidade em que os criminosos deste país actuam, seriam razões mais que suficientes para afirmar que o senhor Cabrita enquanto Ministro das Administração Interna, não nos serve, tem a criatura, enquanto ministro tanto préstimo como um pente para um careca.

Para terminar perguntem a o senhor Cabrita se é sócio ou já o foi de uma empresa de advogados, que fez a assessoria jurídica do contrato inicial do SIRESP, assinado em 2006 por António Costa. Se tal for verdade, o senhor Cabrita pode ser excelente ministro, da ética, infelizmente, não tem noção alguma do que isso seja.

 

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

 

terça-feira, abril 27, 2021

Para onde foi Abril?

Aproxima-se mais um aniversário do 25 de Abril de 1974, no caso o quadragésimo sétimo, e pergunto-me para onde terá ido Abril, aquele Abril sonhado e desejado por tantos e pelo qual outros tantos deram as suas vidas, uma dúvida assalta-me, para onde foi esse Abril, essa talvez quimera feita de utopias patetas, para onde foi, onde se esconde?

Quase com meio século de idade, o 25 de Abril de 1974, debate-se com o mesmo problema de todas as outras datas históricas estruturantes da mitologia identitária que fazem deste lugar alegadamente um país, a memória curta dos seus cidadãos. E vemo-la diariamente a essa «desmemoria» uma espécie de apagão, que reduz a importância dessas datas a meros feriados em que a malta se balda ao trabalho para poder gozar idílicos fins de semana alargados.

A falta de memória tanto afecta tanto e igualmente a populaça desmiolada, acéfala e quase analfabeta, embrutecida por décadas de futebóis, noveluchas e velinhas à santa, como afecta as elites labregas endinheiradas, afeta tanto os que viveram esses tempos como afecta os mais novos que nem sequer sabem de que data se trata.

Se a falta de memória, respeito e empenho em perpetuar a data nos parece atroz nos mais novos, essas mesmas características são ainda mais atrozes no caso dos mais velhos, em especial em muitos que tendo vivido em Ditadura, parecem hoje não ter nem sequer fingir demonstrar qualquer respeito pela Liberdade e ou pela Democracia, estas gerações separadas por tanto, encontram-se aqui ligadas por um cordão umbilical invisível que os irmana, uma apatia generalizada em relação ao emblemático, uma apatia que não se percebe, mas falo claro está da população em geral, se particularizarmos, vemos que uma certa Esquerda trauliteira parece ter-se apropriado do 25 de Abril como se essa data fosse uma coisa só de Esquerda, é, mal comparado, como a questão do cravo na lapela, que os pategos da Direita insistem em não usar, como se o cravo não fosse apenas e tão somente um sinal de exteriorizar o contentamento que se sente por poder estar em Liberdade e em Democracia, sem mais outra simbologia, que não seja essa imorredoira esperança de dias melhores que hão de chegar.

É por entre esta labregada toda, entre a Esquerda medíocre, a Direita labrega e a maralha patega, que a memória desse dia que pessoalmente tenho por fantástico, pois permitiu-me ter os meios e poder escrever estas linhas, sem correr o risco de ser preso e ou assassinado, dizia eu, que é por entre os dedos sapudos da burguesia anafada, ou das falanges famélicas do novel povelho escravizado que se esvaí como água fugidia a memória cada vez mais brumosa desse Abril quimérico, quixotesco, quase e cada vez mais uma espécie de mito fugidio impossível de alcançar, tal foi a grandeza em que a fasquia foi colocada com esse dia.

Chateia-me profundamente, não sei se sou apenas eu, pode bem ser apenas uma coisa minha, ver que Abril nos escapou, que o sonho parece cada vez mais distante inatingível, por várias ordens de razões, primeiro porque as elites continuam obscenas, sórdidas e medíocres, depois porque a populaça está cada vez mais embrutecida, mais analfabeta e sensaborona, de premeio apesar de muitas boas evoluções, infelizmente as cabeças continuam iguais ao antanho salazarento, demasiado bolorentas fedem a sacristia, tresandam a miserabilismo intelectual, nem as juventudes nos safam, que os meninos estão ainda mais tacanhos e retrógrados que os avós, por isso tudo e mais um par de botas, Abril ilude-nos e foge, aninha-se na névoa dos sonhos de onde, confortável, teima em não querer sair, para nos bafejar.

Por isso pergunto aos ventos «para onde foi Abril», mas não tenho de volta nem uma débil aura que seja como resposta. Abril teima em iludir-me, em iludir-nos, teima em fazer birras, umas vezes berra Democracia, para logo se esconder atrás de uns políticos pulhas e biltres, depis dobro a esquina e oiço Abril a gritar Liberdade... para depois desaparecer sob um qualquer pardieiro onde no meu país não posso entrar porque os que ali habitam não gostam de mim por causa da cor da minha pele.

O Abril que temos hoje é um abrir de negociatas torpes, com aquela da venda das barragens que mais não é que uma pulhice, ou como a Justiça, que para além de ceguinha, está demente, ou a Educação que já pouco educa, o Abril de hoje é uma coisa cinzenta, que uns saudosistas abominam, e outros parvos exaltam ao nível do intocável, quando nada é já intocável, por isso, vou continuar sem Norte a perguntar aos ventos «para onde foi Abril?»…

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

 

 

quinta-feira, abril 22, 2021

Pobres como nós…

 

A Fundação Francisco Manuel dos Santos, FFMS, publicou no início desta semana mais um documento de excelência, que desta vez versa sobre a pobreza em Portugal, os resultados desse estudo, só serão surpresa para aqueles que não conhecem a realidade deste país e ou que vivem alienados dessa mesma realidade alcandorados nas suas inacessíveis «torres de marfim» imunes portanto ao contacto com o povinho, esse mesmo povinho que sofre e que em última instância paga isto tudo, e como «quem paga adiantado acaba mal servido», assim vai a realidade desta mui pouco nobre gaiola de malucas a que chamamos Portugal.

Aponta este trabalho para que 28% das pessoas pobres referidas no estudo, residentes em Portugal sejam reformados. Pessoalmente acredito que o número peca por defeito, fundamento essa opinião com números de 2014 que diziam que dois milhões de portugueses tinham reformas inferiores a 364 euros, ainda assim o número apontado no estudo da FFMS é atroz.

Nada que de antemão já não soubéssemos, a velhice em Portugal é uma pena severa, às maleitas próprias da idade e à consequente velhice juntam-se a miséria, a fome, o abandono, a solidão, o isolamento, os maus tratos e as deficientes condições de acesso a cuidados de saúde, por outras palavras e recorrendo a um chavão recorrente, este país não é para velhos.

Depois, aponta o estudo que quase 60% das pessoas referidas, indiciadas como pobres são pessoas que trabalham, o que mostra bem a importância que as elites governeiras e económicas dão ao trabalho e à sua justa recompensa, é pavoroso.

Esta realidade indiciadora da base onde assenta a economia deste país, uma base perversa, obscena, quase equiparada a servidão que se viu em tempos medievos. Daquele total, 32% dessas pessoas pobres, são pessoas que possuem trabalho certo com salários certos e contratos de trabalho, ora sabendo nós os salários miseráveis que se pagam neste país, de novo nada disto é de espantar.

Mais, de novo dos que trabalham, identificados como pobres, 27% são precários, gente que está sujeita aos neo esclavagistas do sector empresarial, tanto do sector privado como do sector público, que aí a coisa dá igual, estes números são bem reveladores da realidade terrível que assola este país, ainda assim, para quem anda atento a estas coisas, são números que voltam a não trazer qualquer surpresa, tendo eu a convicção de que estes números pecam por defeito, talvez eu esteja a ser demasiado pessimista, mas tendo estado ligado ao sector social nesta última década, tenho a percepção de que a coisa é bem pior, se calhar estou errado claro está.

A todos os verdadeiramente pobres que atrás aludimos, ainda se junta mais uma percentagem de «pobres de espírito» representados pelas várias súcias parasitas, daquelas que vivem em bairros ditos sociais mas que se deslocam em veículos topo gama, são os pobres «profissionais» vivem disso,vivem de ser tidos como pobres, alimentam e justificam uma grande teia de profissionais, de instituições e de burocracias, componentes de uma grande máquina que vive da pobreza, mas apenas deste tipo de pobres, pois não querem nada com os outros descritos mais acima, esses, reformados, precários e trabalhadores pobres que se desenrasquem.

Temos então uma larga fatia da população que vive em pobreza, que passa dificuldades, que não consegue pagar todas as contas, que não se alimenta decentemente, que não vai de férias, que se deita muitas vezes sem saber como será o dia de amanhã, mata-os a fome, as carências e mata-os a pressão psicológica em que vivem, um permanente estado de alerta que lhes vai arruinar mas a saúde.

No entanto temo bem que a actual conjuntura, se vá traduzir numa situação ainda mais perversa, onde os mais frágeis e desamparados, ficarão ainda pior, tenho esperanças ainda de estar errado nesta análise, enquanto a trama avança, seráficos e impávidos, como bons carneirinhos sacrificiais, continuamos a ver os politiqueiros a esbanjar, a desbaratar o nosso dinheiro, a enterrar capitais em bancos falidos, em processos judiciais megalómanos e em empresas públicas que há muito deveriam ter sido alienadas, assim vai este pardieiro.

P.S. - Se quiserem consultar o documento da FFMS aqui fica a ligação: https://www.ffms.pt/publicacoes/grupo-estudos/5364/a-pobreza-em-portugal-trajectos-e-quotidianos

 

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia