terça-feira, abril 27, 2021

Para onde foi Abril?

Aproxima-se mais um aniversário do 25 de Abril de 1974, no caso o quadragésimo sétimo, e pergunto-me para onde terá ido Abril, aquele Abril sonhado e desejado por tantos e pelo qual outros tantos deram as suas vidas, uma dúvida assalta-me, para onde foi esse Abril, essa talvez quimera feita de utopias patetas, para onde foi, onde se esconde?

Quase com meio século de idade, o 25 de Abril de 1974, debate-se com o mesmo problema de todas as outras datas históricas estruturantes da mitologia identitária que fazem deste lugar alegadamente um país, a memória curta dos seus cidadãos. E vemo-la diariamente a essa «desmemoria» uma espécie de apagão, que reduz a importância dessas datas a meros feriados em que a malta se balda ao trabalho para poder gozar idílicos fins de semana alargados.

A falta de memória tanto afecta tanto e igualmente a populaça desmiolada, acéfala e quase analfabeta, embrutecida por décadas de futebóis, noveluchas e velinhas à santa, como afecta as elites labregas endinheiradas, afeta tanto os que viveram esses tempos como afecta os mais novos que nem sequer sabem de que data se trata.

Se a falta de memória, respeito e empenho em perpetuar a data nos parece atroz nos mais novos, essas mesmas características são ainda mais atrozes no caso dos mais velhos, em especial em muitos que tendo vivido em Ditadura, parecem hoje não ter nem sequer fingir demonstrar qualquer respeito pela Liberdade e ou pela Democracia, estas gerações separadas por tanto, encontram-se aqui ligadas por um cordão umbilical invisível que os irmana, uma apatia generalizada em relação ao emblemático, uma apatia que não se percebe, mas falo claro está da população em geral, se particularizarmos, vemos que uma certa Esquerda trauliteira parece ter-se apropriado do 25 de Abril como se essa data fosse uma coisa só de Esquerda, é, mal comparado, como a questão do cravo na lapela, que os pategos da Direita insistem em não usar, como se o cravo não fosse apenas e tão somente um sinal de exteriorizar o contentamento que se sente por poder estar em Liberdade e em Democracia, sem mais outra simbologia, que não seja essa imorredoira esperança de dias melhores que hão de chegar.

É por entre esta labregada toda, entre a Esquerda medíocre, a Direita labrega e a maralha patega, que a memória desse dia que pessoalmente tenho por fantástico, pois permitiu-me ter os meios e poder escrever estas linhas, sem correr o risco de ser preso e ou assassinado, dizia eu, que é por entre os dedos sapudos da burguesia anafada, ou das falanges famélicas do novel povelho escravizado que se esvaí como água fugidia a memória cada vez mais brumosa desse Abril quimérico, quixotesco, quase e cada vez mais uma espécie de mito fugidio impossível de alcançar, tal foi a grandeza em que a fasquia foi colocada com esse dia.

Chateia-me profundamente, não sei se sou apenas eu, pode bem ser apenas uma coisa minha, ver que Abril nos escapou, que o sonho parece cada vez mais distante inatingível, por várias ordens de razões, primeiro porque as elites continuam obscenas, sórdidas e medíocres, depois porque a populaça está cada vez mais embrutecida, mais analfabeta e sensaborona, de premeio apesar de muitas boas evoluções, infelizmente as cabeças continuam iguais ao antanho salazarento, demasiado bolorentas fedem a sacristia, tresandam a miserabilismo intelectual, nem as juventudes nos safam, que os meninos estão ainda mais tacanhos e retrógrados que os avós, por isso tudo e mais um par de botas, Abril ilude-nos e foge, aninha-se na névoa dos sonhos de onde, confortável, teima em não querer sair, para nos bafejar.

Por isso pergunto aos ventos «para onde foi Abril», mas não tenho de volta nem uma débil aura que seja como resposta. Abril teima em iludir-me, em iludir-nos, teima em fazer birras, umas vezes berra Democracia, para logo se esconder atrás de uns políticos pulhas e biltres, depis dobro a esquina e oiço Abril a gritar Liberdade... para depois desaparecer sob um qualquer pardieiro onde no meu país não posso entrar porque os que ali habitam não gostam de mim por causa da cor da minha pele.

O Abril que temos hoje é um abrir de negociatas torpes, com aquela da venda das barragens que mais não é que uma pulhice, ou como a Justiça, que para além de ceguinha, está demente, ou a Educação que já pouco educa, o Abril de hoje é uma coisa cinzenta, que uns saudosistas abominam, e outros parvos exaltam ao nível do intocável, quando nada é já intocável, por isso, vou continuar sem Norte a perguntar aos ventos «para onde foi Abril?»…

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

 

 

quinta-feira, abril 22, 2021

Pobres como nós…

 

A Fundação Francisco Manuel dos Santos, FFMS, publicou no início desta semana mais um documento de excelência, que desta vez versa sobre a pobreza em Portugal, os resultados desse estudo, só serão surpresa para aqueles que não conhecem a realidade deste país e ou que vivem alienados dessa mesma realidade alcandorados nas suas inacessíveis «torres de marfim» imunes portanto ao contacto com o povinho, esse mesmo povinho que sofre e que em última instância paga isto tudo, e como «quem paga adiantado acaba mal servido», assim vai a realidade desta mui pouco nobre gaiola de malucas a que chamamos Portugal.

Aponta este trabalho para que 28% das pessoas pobres referidas no estudo, residentes em Portugal sejam reformados. Pessoalmente acredito que o número peca por defeito, fundamento essa opinião com números de 2014 que diziam que dois milhões de portugueses tinham reformas inferiores a 364 euros, ainda assim o número apontado no estudo da FFMS é atroz.

Nada que de antemão já não soubéssemos, a velhice em Portugal é uma pena severa, às maleitas próprias da idade e à consequente velhice juntam-se a miséria, a fome, o abandono, a solidão, o isolamento, os maus tratos e as deficientes condições de acesso a cuidados de saúde, por outras palavras e recorrendo a um chavão recorrente, este país não é para velhos.

Depois, aponta o estudo que quase 60% das pessoas referidas, indiciadas como pobres são pessoas que trabalham, o que mostra bem a importância que as elites governeiras e económicas dão ao trabalho e à sua justa recompensa, é pavoroso.

Esta realidade indiciadora da base onde assenta a economia deste país, uma base perversa, obscena, quase equiparada a servidão que se viu em tempos medievos. Daquele total, 32% dessas pessoas pobres, são pessoas que possuem trabalho certo com salários certos e contratos de trabalho, ora sabendo nós os salários miseráveis que se pagam neste país, de novo nada disto é de espantar.

Mais, de novo dos que trabalham, identificados como pobres, 27% são precários, gente que está sujeita aos neo esclavagistas do sector empresarial, tanto do sector privado como do sector público, que aí a coisa dá igual, estes números são bem reveladores da realidade terrível que assola este país, ainda assim, para quem anda atento a estas coisas, são números que voltam a não trazer qualquer surpresa, tendo eu a convicção de que estes números pecam por defeito, talvez eu esteja a ser demasiado pessimista, mas tendo estado ligado ao sector social nesta última década, tenho a percepção de que a coisa é bem pior, se calhar estou errado claro está.

A todos os verdadeiramente pobres que atrás aludimos, ainda se junta mais uma percentagem de «pobres de espírito» representados pelas várias súcias parasitas, daquelas que vivem em bairros ditos sociais mas que se deslocam em veículos topo gama, são os pobres «profissionais» vivem disso,vivem de ser tidos como pobres, alimentam e justificam uma grande teia de profissionais, de instituições e de burocracias, componentes de uma grande máquina que vive da pobreza, mas apenas deste tipo de pobres, pois não querem nada com os outros descritos mais acima, esses, reformados, precários e trabalhadores pobres que se desenrasquem.

Temos então uma larga fatia da população que vive em pobreza, que passa dificuldades, que não consegue pagar todas as contas, que não se alimenta decentemente, que não vai de férias, que se deita muitas vezes sem saber como será o dia de amanhã, mata-os a fome, as carências e mata-os a pressão psicológica em que vivem, um permanente estado de alerta que lhes vai arruinar mas a saúde.

No entanto temo bem que a actual conjuntura, se vá traduzir numa situação ainda mais perversa, onde os mais frágeis e desamparados, ficarão ainda pior, tenho esperanças ainda de estar errado nesta análise, enquanto a trama avança, seráficos e impávidos, como bons carneirinhos sacrificiais, continuamos a ver os politiqueiros a esbanjar, a desbaratar o nosso dinheiro, a enterrar capitais em bancos falidos, em processos judiciais megalómanos e em empresas públicas que há muito deveriam ter sido alienadas, assim vai este pardieiro.

P.S. - Se quiserem consultar o documento da FFMS aqui fica a ligação: https://www.ffms.pt/publicacoes/grupo-estudos/5364/a-pobreza-em-portugal-trajectos-e-quotidianos

 

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

terça-feira, abril 06, 2021

OS BONS MONSTROS

 

Se quando as coisas são mal amanhadas, abandalhadas e até superlativos exemplos ilustrativos da putativa bandalheira em que este país caiu, nós devemos, por óbvia motivação de cidadania gritar bem alto o nosso descontentamento, o mesmo temos por dever quando algo é bem feito e resulta numa melhoria para a sociedade.

E é sobre um desses casos de sucesso que vos quero hoje falar, não tanto para enaltecer a iniciativa e ou os seus promotores, dado que gente bem melhor que eu já o fez, mas para louvar e enaltecer, aqueles que com o seu trabalho ajudam de forma decisiva a que essa iniciativa siga sendo, se não um completo sucesso, pelo menos uma bem conseguida tarefa, que o é com toda a certeza.

Falo-vos de uma iniciativa desenvolvida pela edilidade aqui da cidade em que vivo, a que deram nome de «Camioneta dos Monstros», esta iniciativa conta já alguns anos, replicada por várias localidades deste nosso Portugal, uma iniciativa que na prática presta um serviço bem simples aos munícipes, quando estes possuem monos dos quais se querem desfazer, como sejam, colchões velhos, mobiliário, eletrodomésticos e o mais que se queira de monos e tralha variada, ao invés de se abandonarem essas tralhas, nos passeios junto aos contentores do lixo ou junto aos ecopontos, contactamos o município, agendamos a recolha dessas tralhas de acordo com a disponibilidade do serviço, depois basta aguardar, que na hora marcada do dia aprazado eles lá estarão para fazer a recolha, na realidade um serviço simples mas muito importante e quer-me parecer eficaz.

Se trago este tema hoje aqui, não significa que vá tecer encómios

à autarquia, aos seus responsáveis políticos e ou outros que tais, nada disso, até porque para esse tipo de sabujice primária, existem centenas, senão milhares de pessoas que o fazem de forma extraordinária e profissional, conforme podemos nas redes sociais, onde essa sabujice lamechas é levada muito seriamente até a um nível de quase vómito, mas adiante.

Dizia eu que se trago este tema hoje aqui, o objectivo é mais humilde, quiçá desinteressante, peço até humildes desculpas por o tema não ser altamente intelectual e ou controverso, ma verdade quero de forma pública agradecer aos funcionários que executam o trabalho de recolha dessa tralha, agradecer-lhes o esforço, a dedicação e empenho que colocam nessa actividade que pode parecer menos nobre mas não é, na minha perspectiva claro está, porque podem como é óbvio existir outras opiniões. Quero agradecer a esses funcionários o esforço que fazem para tentar dar um ar mais asseado e organizado a uma cidade que muito carece desse asseio e organização.

Este serviço e os seus funcionários não só fazem as recolhas agendadas, efectuadas por cidadãos conscientes e com comportamentos comprovadamente cívicos, no que à recolha e reciclagem de monos concerne, como o serviço funciona durante a semana e até ao fim de semana, recolhendo as porcarias e as tralhas, que os muitos javardos, peço desculpa mas não há outra palavra para dar a esta gentalha, excepto talvez alguns sinónimos como «porcos» ou «suínos», se bem que eu prefira «javardos» pois é uma palavra muito mais afeiçoada à realidade que temos por aqui em termos de população. Dizia então que o serviço funciona de semana e ao fim de semana recolhendo as porcarias que os tais javardos se limitam a abandonar na via pública, junto aos contentores do lixo, junto às ilhas e ou aos ecopontos, onde se podem ver todo o tipo de tralha abandonada, por quem tem a suprema preguiça de pegar num telefone, ou andar quinhentos metros para solicitar no edifício da edilidade que lhes recolham a tralha, lindo de se ver, sofás rotos e descarnados, colchões, mobiliário variado, sanitas e mais que se queira abandonado, por gentalha miserável que não sabe viver em comunidade nem consegue ter o mínimo de civismo e respeito por si próprio e pelos outros. Atente-se no aspecto maravilhoso e imagem que este tipo de coisas dão a uma localidade.

Quero portanto publicamente agradecer a esses funcionários que levam a cabo tão importante e nobre tarefa, podem muitos até argumentar que «os funcionários são pagos para trabalhar», verdade, mas tal facto não invalidade que possamos deixar uma palavra de apreço às pessoas que fazem bem o seu trabalho e é essa palavra de apreço e de agradecimento que hoje quero deixar aqui bem expressa a todos os funcionários que trabalham na «Camioneta dos Monstros», a maioria deles auferindo salários medíocres, mas isso já são contas de outro rosário. Por isso meus caros em meu nome um grande obrigado a esses funcionários.

 

Um abraço, deste vosso  amigo

Barão da Tróia

sábado, março 20, 2021

Este nosso Fado da corrupção.

 ma instituição nacional que trabalha na prevenção da corrupção, o Conselho de Prevenção da Corrupção, publicou esta semana o seu relatório anual, relativo ao ano de 2020, onde estão inscritas as ocorrências relativas a actos de corrupção comunicadas a esse mesmo conselho.

Num pequeno relatório de 30 páginas, está plasmada uma parte da situação deste país no que concerne à corrupção, essa outra praga que nos assola há tanto tempo, sem vacina que nos valha, de tal maneira está instituída no mais interior âmago da sociedade, intuído desde bem cedo como um modo justificado de fazer as coisas.

O relatório apresenta 738 ocorrências, de tipologia variada, dizem respeito apenas à Administração Pública na sua vertente Central e Local, não são os únicos locais onde a corrupção existe mas são os locais preferenciais, por causa do contexto e das relações muitas vezes assimétricas e tempestuosas, do cidadão com a Administração Pública e ou do modus operandi dos agentes dessa mesma Administração.

À cabeça da bandalheira, estão as Autarquias, já havia escrito o mesmo, há uns tempos, chateia-me ter por vezes razão avant la lettre, mas neste caso, conhecendo bem o panorama das autarquias é fácil chegar a essa conclusão, agora confirmada por este relatório, as enxovias autárquicas são antros de bandalheira, ninhos de corruptos, tenho um exemplo bem próximo, onde o nepotismo, as redes de amiguismos, as clientelas e o caciquismo oligárquico são os exemplos desta miserável sociedade de gentalha corrupta, basta confirma-lo lendo este pequeno relatório.

Mas bem, ou antes, menos mal estaríamos se a corrupção grassasse apenas nos podres corredores da Administração Pública, infelizmente, essa coisa da corrupção, da cunha, do favor, extraordinariamente ilustrado no velho adágio “Uma mão lava a outra” expressão que apesar de ter origem na Antiguidade Clássica, e com outra significação, quadra aqui neste Portugal corrupto de forma extraordinária, dizia eu que a corrupção é algo que transversalmente infectou qual vírus toda a nossa sociedade.

E de tal maneira isto está instilado na génese social que até o pacato e cumpridor cidadão, quando por vezes confrontado com determinada situação não hesita em recorrer ao “untar da mão” ou ao “favorzinho” para por exemplo arranjar consulta no centro de saúde, emprego para os filhos ou escapar à multa, é esta uma realidade nacional que se pode observar de Norte a Sul do país, numa teia de interdependências e clientelas que posteriormente chegam à política, minando inteiramente a sociedade.

Ao lermos o relatório chegamos igualmente à conclusão de que a par com a corrupção, também a Justiça, quiçá também tocada pelo verme que corrompe, qual maça podre, apresenta um desempenho medíocre, dado que aparecem apenas 88 acusações e apenas 10 condenações de 738 casos reportados, o que é absolutamente medíocre, mais uma vez o crime compensa, sendo que as vítimas, somos todos.

Gostaria de saber quanto custa ao país, quanto nos custa a todos a corrupção, quantos milhões se esvaem nos bolsos fundos dos corruptos, fundos tão necessários a um país de pobretanas falcatos que vivem de mão estendida para a Europa, a ver quando caem as migalhas.

P.S. – Podem ver o relatório aqui https://www.cpc.tcontas.pt/

 

Um abraco, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, março 10, 2021

tanto barulho e nada...

Em Portugal o legislador vomita legislação. O edifício jurídico-legal português é uma extraordinária fortaleza bem apetrechada, há de quase tudo sobre tudo e mais um par de botas no entanto por incrível que pareça, devem existir poucos lugares no Mundo, dos que têm semelhantes edifícios legislativos, onde tanto se releve o cumprimento dessa legislação, como aqui em Portugal.

Além de não cumprirem a legislação os indígenas, andam sempre a reclamar da mesma, dou-vos um exemplo que bem ilustra aquilo que vos quero dizer, no capítulo da condução automóvel é vulgar ouvir os sevandijas clamarem por “pedagogia”, isto quando há um código da estrada escrito, livros vários sobre regras e sinalização, livros com exames de código, existindo inclusive para os avessos à leitura centenas de portais da Internet com informação sobre o tema, existe ademais espalhada pelas auto-estradas, estradas, avenidas, ruas, ruelas, becos, vias e veredas, sinalização de vária ordem para além do complementar código penal, não se percebe portanto que mais “pedagogia” pretendem estas alimárias, ou são analfabetos e não conseguem ler, ou então são apenas gente estúpida.

Está um bonito Domingo de Sol, percorro as ruas aqui da cidadezita onde habito, aqui e além ouve-se um chinfrim desgraçado de obras, barulho de berbequins, de rebarbadoras, marteladas e outras cacetadas, uma cacofonia de poluição sonora que mais não é, de que mais um extraordinário exemplo do não cumprimento da legislação em vigor sobre o ruído.

Em Portugal existe uma coisa legislativa chamara «Regulamento Geral do Ruído», é daquelas leis que se fez só para dizer que não existe nada, e que no seu artigo 16º diz: “ As obras de recuperação, remodelação ou conservação realizadas no interior de edifícios destinados a habitação, comércio ou serviços que constituam fonte de ruído apenas podem ser realizadas em dias úteis, entre as 8 e as 20 horas, não se encontrando sujeitas à emissão de licença especial de ruído.” Neste Domingo, como noutros, ninguém quer saber dessa legislação para coisa nenhuma, tal é o banzé dominical, que por vezes aqui se escuta, uma pessoa que queira como é seu direito dormir até mais tarde, dificilmente o conseguirá acaso viva paredes meias ou perto de um desses fãs da “obra dominical”.

Eu sei que vivo numa cidadelha das berças, onde ainda vigoram os ancestrais usos e costumes próprios da labreguice saloia, sei que não devo esperar muito, ainda assim sendo esta terra parte integrante do território nacional, porque será que a Lei não se cumpre, nem tão pouco se faz cumprir?

E ai daquele que ouse contrariar essas tradições instituídas, nunca vi sítio como este, tão dominado pelo egoísmo egocêntrico e onde o bem-estar público seja tão desrespeitado e atirado às malvas, numa absoluta falta de respeito pelo bem estar comum, pela saúde de todos, um verdadeiro hino à incivilidade, uma elegia à boçalidade labrega e despótica, onde cada um age per si, como se fora dono e senhor de tudo, como se cada moradia ou cada apartamento fossem castelos isolados, como se as pessoas não tivessem de se respeitar, é incrível ver esta gentalha, pior é que a grande e larga maioria destes tipos acha isto tudo normal, para eles está tudo bem.

E não pense o caro leitor insurgir-se contra a tradição, porque será perseguido de imediato por ululantes matilhas de cidadãos desvairados que ladram bem alto o seu rancor contra o malvado pateta que ultraja os seus bons costumes, pondo e causa a sua curiosa cosmovisão daquilo que é viver em sociedade. Estou em crer que o tal Regulamento do Ruído, é coisa para, como muitas outras peças legislativas, só ver o seu cumprimento efectivo lá para os lados da capital do reino, porque aqui pelas berças provinciais é o que se vê.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

 

sexta-feira, março 05, 2021

Essa velha, nova, pandemia... a estupidez.

Graças a esta nova moda de zurzir no Passado, como se com esse acto irreflectido e porque não dize-lo, estúpido, se mudasse alguma coisa deste nosso atribulado presente e incerto futuro, tem surgido notícias de verdadeiros hinos à estupidez humana, o último que ouvi foi o de uma senhora a estudar para ser doutora, declarar que os Maias, obra maior de Eça de Queiroz, tem laivos de discurso racista, vai-lhe servir para pouco o doutoramento, porque a coitada da senhora com ideias destas não passa de uma imbecil, uma pobre pateta.

Mas dizia eu que graças a essa moda, apareceram os mais variados tipos de falcatos medíocres e patéticos, a vociferar contra o passado, contra o nosso passado, contra a nossa História portanto, como se isso adiantasse alguma coisa, e assim apareceram desde os desconhecidos em busca dos seus 5 minutos de fama, declarando alarvidades de todo o tipo, passando depois para os activistas do faz de conta, ao serviço de interesses manhosos, que se encarniçam contra a terra que os alimenta, há um deles que diz tanto mal disto que o homem deve ter um qualquer distúrbio mental, quiçá uma parafilia de cariz sexual no domino do masoquismo sádico, existindo até deputados desta infeliz Nação que não se coíbem de dizer as maiores imbecilidades tartamudeando parvoíces patetas, gentalha egocêntrica e mal-formada que destila ódio.

Um desses pobres patetas, quiçá farto de ser ignorado, o ego pode ser uma coisa terrível, resolveu recentemente declarar que o Padrão dos Descobrimentos devia ser demolido por ser uma obra do “salazarismo”, sinceramente não sei se deva rir se chorar.

Numa outra pérola, demonstrativa do superior intelecto deste idiota, homem que tem ideias, declara a certa altura a criatura, “a nossa História precisa de ser descolonizada”. Esta é verdadeiramente para rir, uma verdadeira chalaça, o homem que declara tal coisa é um comediante nato, porque isto é verdadeiramente anedótico.

Já seria mau um qualquer galfarro dizer tal barbaridade, mas fica ainda pior se quem diz isto é um deputado deste infeliz país, o que prova que o nosso sistema de ensino falha redondamente e que só tem servido para engendrar imbecis, analfabetos e gentalha abrutalhada, como é claramente o exemplo triste deste infeliz e digno de dó senhor.

A História caro senhor não se manipula, ela é o que foi, e olhe que até concordo consigo quando diz que nunca tivemos Império nenhum, excepto talvez durante os 48 anos de salazarice beata, mas isso não significa que todos aqueles homens que figuradamente se encontram representados no Padrão dos Descobrimentos não devam ser enaltecidos e celebrados, com prova na nossa capacidade e espírito de sacrifício que sempre demonstramos de forma colectiva, capacidade essa que nos tem feito mais ou menos resistir a tantas centenas de anos dominados por elites miseráveis como é o caso do senhor deputado.

Esta moda não nos leva a nada, a Educação, os exemplos de bondade, de tolerância e aceitação, mas também de intransigência contra prevaricadores que fará mudar o Presente para melhorar o futuro, esta moda de continuar a hostilizar a História, só trará agruras, desgosto e ódio, coisas que passamos bem sem, por isso aconselho ao senhor deputado, tenha vergonha nas trombas e deixe de dizer coisas estúpidas.

 

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

 

quarta-feira, fevereiro 17, 2021

Esta coisa, a pandemia.

 

A pandemia está cada vez mais a trazer à tona o pior que há na Humanidade, cupidez, estupidez, boçalidade, estultice, labreguice e miserabilismo, mais o que se queira, evidente que no meio desta perfeita tempestade de disparate surgem ilhas de bom senso e de bondade que nos fazem ter esperança, mas no geral a pandemia, ao contrário daquilo que muitos quiseram acreditar quando propalaram até à exaustão que “vamos sair disto, melhores pessoas”, mostra-nos que estamos cada vez mais mesquinhos, mais patéticos, mais avarentos e egocêntricos.

Nem sequer falo das hordas de “negacionistas”, de teóricos da conspiração, mais das suas fabulosos e quiméricas para não dizer patéticas efabulações, aliás não tinha a percepção de que Portugal possuía tantos cientistas, tanta gente dedicada à pura ciência, basta correr as redes sociais internauticas e ver o ror de gente com teorias acerca de tudo, mais do seu contrário, é só cientistas, realmente somos um país de doutores, arre macho toca pra diante.

Também não me cinjo, aos exemplos biltres e nojentos de gentalha, que se tem abotoado com vacinas, invocando as mais das patéticas e mentirosas razões, não, esses representam apenas aquela quota-parte de gentalha que temos na nossa sociedade, que sempre cá estiveram e sempre cá vão estar, porque são inatingíveis, estão sempre acima da Lei, consequentemente fazem o que querem e quando querem, porque sabem que nada lhes vai acontecer como será o caso presente, bem disse a outra que são efectivamente “a fina flor do entulho”, nisso acertou, apesar do desbragado da linguagem que lhe fica mal, mas que subscrevo inteiramente, a maioria daquela gentalha, a provarem-se os factos merecia ser açoitada de nádegas ao léu na praça pública, zurzida sem dó, corja de bandalhos.

No entanto a minha maior preocupação não se prende com as horda de tontos, de que vos falei acima, prende-se antes com o estado cada vez mais periclitante da saúde mental de todos nós mas mais em especial dos mais novos, das nossas crianças, isto sabendo nós, com dados científicos fornecidos sobre a literatura sobre o tema, que Portugal tem uma elevada incidência de problemas mentais na sua população, temo bem que esta situação espoletada pelo vírus esteja a fazer piorar esses indicadores e a fazer perigar ainda mais a saúde mental das nossas crianças, colocando em risco o seu desenvolvimento e o seu futuro desempenho, o que me leva a questionar, que adultos serão estas crianças no futuro, acaso não se tomem as devidas precauções para atalhar, para tentar mitigar e ou para sarar as chagas que vão surgir no percurso destas crianças por causa da actual situação.

E quando digo crianças, não falo apenas dos mais pequenos, falo inclusivamente dos pré-adolescentes, dos adolescentes e até dos jovens adultos, falo destas faixas etárias, porque me parecem ser os que mais sofrem, com os confinamentos, desde logo porque mais novos, porque alguns ainda em estruturação com a consequente falta de maturidade própria do seu período etário, mas também talvez porque sejam de gerações menos habituadas a sofrer contrariedades, menos habituadas ao sacrifício, logo sem as adequadas ferramentas e ou mecanismos comportamentais, sociais e mentais para ter a necessária resiliência para passarem por este ordálio o melhor possível.

Preocupam-me pois estas crianças e estes jovens, preocupantes são também os exemplos que nós os adultos lhes estamos a dar, precisamos de lhes fornecer bons e sólidos exemplos, de bondade, de entreajuda, de disponibilidade, de decência e resiliência para que se possam fortalecer, infelizmente ao invés disso, o mais que se vê, são, infelizmente, muito péssimos exemplos de avareza, codícia e miserabilismo intelectual, que são dispensáveis, mas que parecem ter tomado conta desta nossa sociedade, ainda há tempo para inverter o caminho, pensem nas crianças.

 

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia