terça-feira, abril 06, 2021

OS BONS MONSTROS

 

Se quando as coisas são mal amanhadas, abandalhadas e até superlativos exemplos ilustrativos da putativa bandalheira em que este país caiu, nós devemos, por óbvia motivação de cidadania gritar bem alto o nosso descontentamento, o mesmo temos por dever quando algo é bem feito e resulta numa melhoria para a sociedade.

E é sobre um desses casos de sucesso que vos quero hoje falar, não tanto para enaltecer a iniciativa e ou os seus promotores, dado que gente bem melhor que eu já o fez, mas para louvar e enaltecer, aqueles que com o seu trabalho ajudam de forma decisiva a que essa iniciativa siga sendo, se não um completo sucesso, pelo menos uma bem conseguida tarefa, que o é com toda a certeza.

Falo-vos de uma iniciativa desenvolvida pela edilidade aqui da cidade em que vivo, a que deram nome de «Camioneta dos Monstros», esta iniciativa conta já alguns anos, replicada por várias localidades deste nosso Portugal, uma iniciativa que na prática presta um serviço bem simples aos munícipes, quando estes possuem monos dos quais se querem desfazer, como sejam, colchões velhos, mobiliário, eletrodomésticos e o mais que se queira de monos e tralha variada, ao invés de se abandonarem essas tralhas, nos passeios junto aos contentores do lixo ou junto aos ecopontos, contactamos o município, agendamos a recolha dessas tralhas de acordo com a disponibilidade do serviço, depois basta aguardar, que na hora marcada do dia aprazado eles lá estarão para fazer a recolha, na realidade um serviço simples mas muito importante e quer-me parecer eficaz.

Se trago este tema hoje aqui, não significa que vá tecer encómios

à autarquia, aos seus responsáveis políticos e ou outros que tais, nada disso, até porque para esse tipo de sabujice primária, existem centenas, senão milhares de pessoas que o fazem de forma extraordinária e profissional, conforme podemos nas redes sociais, onde essa sabujice lamechas é levada muito seriamente até a um nível de quase vómito, mas adiante.

Dizia eu que se trago este tema hoje aqui, o objectivo é mais humilde, quiçá desinteressante, peço até humildes desculpas por o tema não ser altamente intelectual e ou controverso, ma verdade quero de forma pública agradecer aos funcionários que executam o trabalho de recolha dessa tralha, agradecer-lhes o esforço, a dedicação e empenho que colocam nessa actividade que pode parecer menos nobre mas não é, na minha perspectiva claro está, porque podem como é óbvio existir outras opiniões. Quero agradecer a esses funcionários o esforço que fazem para tentar dar um ar mais asseado e organizado a uma cidade que muito carece desse asseio e organização.

Este serviço e os seus funcionários não só fazem as recolhas agendadas, efectuadas por cidadãos conscientes e com comportamentos comprovadamente cívicos, no que à recolha e reciclagem de monos concerne, como o serviço funciona durante a semana e até ao fim de semana, recolhendo as porcarias e as tralhas, que os muitos javardos, peço desculpa mas não há outra palavra para dar a esta gentalha, excepto talvez alguns sinónimos como «porcos» ou «suínos», se bem que eu prefira «javardos» pois é uma palavra muito mais afeiçoada à realidade que temos por aqui em termos de população. Dizia então que o serviço funciona de semana e ao fim de semana recolhendo as porcarias que os tais javardos se limitam a abandonar na via pública, junto aos contentores do lixo, junto às ilhas e ou aos ecopontos, onde se podem ver todo o tipo de tralha abandonada, por quem tem a suprema preguiça de pegar num telefone, ou andar quinhentos metros para solicitar no edifício da edilidade que lhes recolham a tralha, lindo de se ver, sofás rotos e descarnados, colchões, mobiliário variado, sanitas e mais que se queira abandonado, por gentalha miserável que não sabe viver em comunidade nem consegue ter o mínimo de civismo e respeito por si próprio e pelos outros. Atente-se no aspecto maravilhoso e imagem que este tipo de coisas dão a uma localidade.

Quero portanto publicamente agradecer a esses funcionários que levam a cabo tão importante e nobre tarefa, podem muitos até argumentar que «os funcionários são pagos para trabalhar», verdade, mas tal facto não invalidade que possamos deixar uma palavra de apreço às pessoas que fazem bem o seu trabalho e é essa palavra de apreço e de agradecimento que hoje quero deixar aqui bem expressa a todos os funcionários que trabalham na «Camioneta dos Monstros», a maioria deles auferindo salários medíocres, mas isso já são contas de outro rosário. Por isso meus caros em meu nome um grande obrigado a esses funcionários.

 

Um abraço, deste vosso  amigo

Barão da Tróia

sábado, março 20, 2021

Este nosso Fado da corrupção.

 ma instituição nacional que trabalha na prevenção da corrupção, o Conselho de Prevenção da Corrupção, publicou esta semana o seu relatório anual, relativo ao ano de 2020, onde estão inscritas as ocorrências relativas a actos de corrupção comunicadas a esse mesmo conselho.

Num pequeno relatório de 30 páginas, está plasmada uma parte da situação deste país no que concerne à corrupção, essa outra praga que nos assola há tanto tempo, sem vacina que nos valha, de tal maneira está instituída no mais interior âmago da sociedade, intuído desde bem cedo como um modo justificado de fazer as coisas.

O relatório apresenta 738 ocorrências, de tipologia variada, dizem respeito apenas à Administração Pública na sua vertente Central e Local, não são os únicos locais onde a corrupção existe mas são os locais preferenciais, por causa do contexto e das relações muitas vezes assimétricas e tempestuosas, do cidadão com a Administração Pública e ou do modus operandi dos agentes dessa mesma Administração.

À cabeça da bandalheira, estão as Autarquias, já havia escrito o mesmo, há uns tempos, chateia-me ter por vezes razão avant la lettre, mas neste caso, conhecendo bem o panorama das autarquias é fácil chegar a essa conclusão, agora confirmada por este relatório, as enxovias autárquicas são antros de bandalheira, ninhos de corruptos, tenho um exemplo bem próximo, onde o nepotismo, as redes de amiguismos, as clientelas e o caciquismo oligárquico são os exemplos desta miserável sociedade de gentalha corrupta, basta confirma-lo lendo este pequeno relatório.

Mas bem, ou antes, menos mal estaríamos se a corrupção grassasse apenas nos podres corredores da Administração Pública, infelizmente, essa coisa da corrupção, da cunha, do favor, extraordinariamente ilustrado no velho adágio “Uma mão lava a outra” expressão que apesar de ter origem na Antiguidade Clássica, e com outra significação, quadra aqui neste Portugal corrupto de forma extraordinária, dizia eu que a corrupção é algo que transversalmente infectou qual vírus toda a nossa sociedade.

E de tal maneira isto está instilado na génese social que até o pacato e cumpridor cidadão, quando por vezes confrontado com determinada situação não hesita em recorrer ao “untar da mão” ou ao “favorzinho” para por exemplo arranjar consulta no centro de saúde, emprego para os filhos ou escapar à multa, é esta uma realidade nacional que se pode observar de Norte a Sul do país, numa teia de interdependências e clientelas que posteriormente chegam à política, minando inteiramente a sociedade.

Ao lermos o relatório chegamos igualmente à conclusão de que a par com a corrupção, também a Justiça, quiçá também tocada pelo verme que corrompe, qual maça podre, apresenta um desempenho medíocre, dado que aparecem apenas 88 acusações e apenas 10 condenações de 738 casos reportados, o que é absolutamente medíocre, mais uma vez o crime compensa, sendo que as vítimas, somos todos.

Gostaria de saber quanto custa ao país, quanto nos custa a todos a corrupção, quantos milhões se esvaem nos bolsos fundos dos corruptos, fundos tão necessários a um país de pobretanas falcatos que vivem de mão estendida para a Europa, a ver quando caem as migalhas.

P.S. – Podem ver o relatório aqui https://www.cpc.tcontas.pt/

 

Um abraco, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, março 10, 2021

tanto barulho e nada...

Em Portugal o legislador vomita legislação. O edifício jurídico-legal português é uma extraordinária fortaleza bem apetrechada, há de quase tudo sobre tudo e mais um par de botas no entanto por incrível que pareça, devem existir poucos lugares no Mundo, dos que têm semelhantes edifícios legislativos, onde tanto se releve o cumprimento dessa legislação, como aqui em Portugal.

Além de não cumprirem a legislação os indígenas, andam sempre a reclamar da mesma, dou-vos um exemplo que bem ilustra aquilo que vos quero dizer, no capítulo da condução automóvel é vulgar ouvir os sevandijas clamarem por “pedagogia”, isto quando há um código da estrada escrito, livros vários sobre regras e sinalização, livros com exames de código, existindo inclusive para os avessos à leitura centenas de portais da Internet com informação sobre o tema, existe ademais espalhada pelas auto-estradas, estradas, avenidas, ruas, ruelas, becos, vias e veredas, sinalização de vária ordem para além do complementar código penal, não se percebe portanto que mais “pedagogia” pretendem estas alimárias, ou são analfabetos e não conseguem ler, ou então são apenas gente estúpida.

Está um bonito Domingo de Sol, percorro as ruas aqui da cidadezita onde habito, aqui e além ouve-se um chinfrim desgraçado de obras, barulho de berbequins, de rebarbadoras, marteladas e outras cacetadas, uma cacofonia de poluição sonora que mais não é, de que mais um extraordinário exemplo do não cumprimento da legislação em vigor sobre o ruído.

Em Portugal existe uma coisa legislativa chamara «Regulamento Geral do Ruído», é daquelas leis que se fez só para dizer que não existe nada, e que no seu artigo 16º diz: “ As obras de recuperação, remodelação ou conservação realizadas no interior de edifícios destinados a habitação, comércio ou serviços que constituam fonte de ruído apenas podem ser realizadas em dias úteis, entre as 8 e as 20 horas, não se encontrando sujeitas à emissão de licença especial de ruído.” Neste Domingo, como noutros, ninguém quer saber dessa legislação para coisa nenhuma, tal é o banzé dominical, que por vezes aqui se escuta, uma pessoa que queira como é seu direito dormir até mais tarde, dificilmente o conseguirá acaso viva paredes meias ou perto de um desses fãs da “obra dominical”.

Eu sei que vivo numa cidadelha das berças, onde ainda vigoram os ancestrais usos e costumes próprios da labreguice saloia, sei que não devo esperar muito, ainda assim sendo esta terra parte integrante do território nacional, porque será que a Lei não se cumpre, nem tão pouco se faz cumprir?

E ai daquele que ouse contrariar essas tradições instituídas, nunca vi sítio como este, tão dominado pelo egoísmo egocêntrico e onde o bem-estar público seja tão desrespeitado e atirado às malvas, numa absoluta falta de respeito pelo bem estar comum, pela saúde de todos, um verdadeiro hino à incivilidade, uma elegia à boçalidade labrega e despótica, onde cada um age per si, como se fora dono e senhor de tudo, como se cada moradia ou cada apartamento fossem castelos isolados, como se as pessoas não tivessem de se respeitar, é incrível ver esta gentalha, pior é que a grande e larga maioria destes tipos acha isto tudo normal, para eles está tudo bem.

E não pense o caro leitor insurgir-se contra a tradição, porque será perseguido de imediato por ululantes matilhas de cidadãos desvairados que ladram bem alto o seu rancor contra o malvado pateta que ultraja os seus bons costumes, pondo e causa a sua curiosa cosmovisão daquilo que é viver em sociedade. Estou em crer que o tal Regulamento do Ruído, é coisa para, como muitas outras peças legislativas, só ver o seu cumprimento efectivo lá para os lados da capital do reino, porque aqui pelas berças provinciais é o que se vê.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

 

sexta-feira, março 05, 2021

Essa velha, nova, pandemia... a estupidez.

Graças a esta nova moda de zurzir no Passado, como se com esse acto irreflectido e porque não dize-lo, estúpido, se mudasse alguma coisa deste nosso atribulado presente e incerto futuro, tem surgido notícias de verdadeiros hinos à estupidez humana, o último que ouvi foi o de uma senhora a estudar para ser doutora, declarar que os Maias, obra maior de Eça de Queiroz, tem laivos de discurso racista, vai-lhe servir para pouco o doutoramento, porque a coitada da senhora com ideias destas não passa de uma imbecil, uma pobre pateta.

Mas dizia eu que graças a essa moda, apareceram os mais variados tipos de falcatos medíocres e patéticos, a vociferar contra o passado, contra o nosso passado, contra a nossa História portanto, como se isso adiantasse alguma coisa, e assim apareceram desde os desconhecidos em busca dos seus 5 minutos de fama, declarando alarvidades de todo o tipo, passando depois para os activistas do faz de conta, ao serviço de interesses manhosos, que se encarniçam contra a terra que os alimenta, há um deles que diz tanto mal disto que o homem deve ter um qualquer distúrbio mental, quiçá uma parafilia de cariz sexual no domino do masoquismo sádico, existindo até deputados desta infeliz Nação que não se coíbem de dizer as maiores imbecilidades tartamudeando parvoíces patetas, gentalha egocêntrica e mal-formada que destila ódio.

Um desses pobres patetas, quiçá farto de ser ignorado, o ego pode ser uma coisa terrível, resolveu recentemente declarar que o Padrão dos Descobrimentos devia ser demolido por ser uma obra do “salazarismo”, sinceramente não sei se deva rir se chorar.

Numa outra pérola, demonstrativa do superior intelecto deste idiota, homem que tem ideias, declara a certa altura a criatura, “a nossa História precisa de ser descolonizada”. Esta é verdadeiramente para rir, uma verdadeira chalaça, o homem que declara tal coisa é um comediante nato, porque isto é verdadeiramente anedótico.

Já seria mau um qualquer galfarro dizer tal barbaridade, mas fica ainda pior se quem diz isto é um deputado deste infeliz país, o que prova que o nosso sistema de ensino falha redondamente e que só tem servido para engendrar imbecis, analfabetos e gentalha abrutalhada, como é claramente o exemplo triste deste infeliz e digno de dó senhor.

A História caro senhor não se manipula, ela é o que foi, e olhe que até concordo consigo quando diz que nunca tivemos Império nenhum, excepto talvez durante os 48 anos de salazarice beata, mas isso não significa que todos aqueles homens que figuradamente se encontram representados no Padrão dos Descobrimentos não devam ser enaltecidos e celebrados, com prova na nossa capacidade e espírito de sacrifício que sempre demonstramos de forma colectiva, capacidade essa que nos tem feito mais ou menos resistir a tantas centenas de anos dominados por elites miseráveis como é o caso do senhor deputado.

Esta moda não nos leva a nada, a Educação, os exemplos de bondade, de tolerância e aceitação, mas também de intransigência contra prevaricadores que fará mudar o Presente para melhorar o futuro, esta moda de continuar a hostilizar a História, só trará agruras, desgosto e ódio, coisas que passamos bem sem, por isso aconselho ao senhor deputado, tenha vergonha nas trombas e deixe de dizer coisas estúpidas.

 

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

 

quarta-feira, fevereiro 17, 2021

Esta coisa, a pandemia.

 

A pandemia está cada vez mais a trazer à tona o pior que há na Humanidade, cupidez, estupidez, boçalidade, estultice, labreguice e miserabilismo, mais o que se queira, evidente que no meio desta perfeita tempestade de disparate surgem ilhas de bom senso e de bondade que nos fazem ter esperança, mas no geral a pandemia, ao contrário daquilo que muitos quiseram acreditar quando propalaram até à exaustão que “vamos sair disto, melhores pessoas”, mostra-nos que estamos cada vez mais mesquinhos, mais patéticos, mais avarentos e egocêntricos.

Nem sequer falo das hordas de “negacionistas”, de teóricos da conspiração, mais das suas fabulosos e quiméricas para não dizer patéticas efabulações, aliás não tinha a percepção de que Portugal possuía tantos cientistas, tanta gente dedicada à pura ciência, basta correr as redes sociais internauticas e ver o ror de gente com teorias acerca de tudo, mais do seu contrário, é só cientistas, realmente somos um país de doutores, arre macho toca pra diante.

Também não me cinjo, aos exemplos biltres e nojentos de gentalha, que se tem abotoado com vacinas, invocando as mais das patéticas e mentirosas razões, não, esses representam apenas aquela quota-parte de gentalha que temos na nossa sociedade, que sempre cá estiveram e sempre cá vão estar, porque são inatingíveis, estão sempre acima da Lei, consequentemente fazem o que querem e quando querem, porque sabem que nada lhes vai acontecer como será o caso presente, bem disse a outra que são efectivamente “a fina flor do entulho”, nisso acertou, apesar do desbragado da linguagem que lhe fica mal, mas que subscrevo inteiramente, a maioria daquela gentalha, a provarem-se os factos merecia ser açoitada de nádegas ao léu na praça pública, zurzida sem dó, corja de bandalhos.

No entanto a minha maior preocupação não se prende com as horda de tontos, de que vos falei acima, prende-se antes com o estado cada vez mais periclitante da saúde mental de todos nós mas mais em especial dos mais novos, das nossas crianças, isto sabendo nós, com dados científicos fornecidos sobre a literatura sobre o tema, que Portugal tem uma elevada incidência de problemas mentais na sua população, temo bem que esta situação espoletada pelo vírus esteja a fazer piorar esses indicadores e a fazer perigar ainda mais a saúde mental das nossas crianças, colocando em risco o seu desenvolvimento e o seu futuro desempenho, o que me leva a questionar, que adultos serão estas crianças no futuro, acaso não se tomem as devidas precauções para atalhar, para tentar mitigar e ou para sarar as chagas que vão surgir no percurso destas crianças por causa da actual situação.

E quando digo crianças, não falo apenas dos mais pequenos, falo inclusivamente dos pré-adolescentes, dos adolescentes e até dos jovens adultos, falo destas faixas etárias, porque me parecem ser os que mais sofrem, com os confinamentos, desde logo porque mais novos, porque alguns ainda em estruturação com a consequente falta de maturidade própria do seu período etário, mas também talvez porque sejam de gerações menos habituadas a sofrer contrariedades, menos habituadas ao sacrifício, logo sem as adequadas ferramentas e ou mecanismos comportamentais, sociais e mentais para ter a necessária resiliência para passarem por este ordálio o melhor possível.

Preocupam-me pois estas crianças e estes jovens, preocupantes são também os exemplos que nós os adultos lhes estamos a dar, precisamos de lhes fornecer bons e sólidos exemplos, de bondade, de entreajuda, de disponibilidade, de decência e resiliência para que se possam fortalecer, infelizmente ao invés disso, o mais que se vê, são, infelizmente, muito péssimos exemplos de avareza, codícia e miserabilismo intelectual, que são dispensáveis, mas que parecem ter tomado conta desta nossa sociedade, ainda há tempo para inverter o caminho, pensem nas crianças.

 

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

sábado, janeiro 30, 2021

A impune pulhice de que o bom Povo está farto!

Nestes últimos dias após a eleição presidencial, fui ouvindo várias autópsias à coisa, das luminárias do comentário político omnipresentes no telelixo, alguns miseráveis que foram enquanto governantes parecem agora saber de tudo e possuir todas as soluções, mas ouvi-os e também fui lendo artigos escritos em jornais nacionais ou regionais, passando claro está pela Internet, sendo que nas redes sociais, locais sobrepovoados por hordas de patéticos e patetas dados à conspiração cretina, ao rumor, ao boato e à simples estultice ao serviço de interesses políticos, foi um dos locais a que menos recorri, por ser um esgoto sórdido raso de idiotas.

Dos muitos «comentadeiros» foi um fartote de “ai Jesus” e “Aqui d’el Rei”, por causa das votações no senhor Ventura. Num repente eis os papões fascistas ressuscitados, o povo de Esquerda treme, barafusta e aponta o dedo, os «politburos» e comités agitam as foices, falam de racismo, de xenofobia e outros papões, muitas delas promovidas em agendas de gentalha racista e sectária que promove aquilo que diz lutar contra, do outro lado a mesma incredulidade, o povo de Direita está assarapantado, eles que se julgavam donos de tudo, dos liberais que a cada escolho lá regressam à mama do velho Estado exaurido, aos mais conservadores marretas de vistas curtas e mentes tão empedernidas como os cavalheiros marialvas do antanho torpe deste país. “Aí que se acaba a Democracia” gritam uns, “Ai que se acaba o tacho” clamam outros, tudo por causa de um tipo que a vender a sua banha da cobra qual sereia maviosa levou meio milhão de eleitores à certa, ser tão redutor na análise e nas conclusões pategas como os comentadores ou como os politiqueiros em relação a esta votação é mesmo não perceber ponta de corno deste país nem do seu Povo.

O que realmente faz perigar a Democracia, o que faz verdadeiramente o Povo afastar-se da governação e da política, não são os patetas mais as suas bojardas racistas, não são maquinações de sociedades mais ou menos secretas nem sequer os papões de um qualquer pretenso fascismo latente, o que realmente está a fazer ruir a Democracia é a pulhice, e não perceber isso é ser absolutamente néscio.

Confusos? Não temam, caros leitores, vou explicar. A pulhice dos nossos políticos, que se manifesta nas suas acções, parece não ter limites, quando incautamente se julga que não é possível ser-se mais pulha, mais biltre e mais bandalho, eis que os nossos políticos nos surpreendem com ainda mais uma vilania do piorio, em suma meus caros é desta impune pulhice que o bom Povo está farto.

Veja-se aquela que, minha profunda convicção, foi a mais recente e suprema pulhice, os senhores políticos deixaram passar as eleições para anunciarem que a Direcção Geral da Saúde, como se nós acreditássemos que essa súcia tem alguma autonomia, dizia eu, que foi anunciado que a dita DGS ia incluir a corja politiqueira, ministros, deputados, presidentes de câmara entre outras subespécies, no rol da vacinação à frente de muita da gente que realmente necessita de ser vacinada o quanto antes, ora meus caros amigos se isto não é uma pulhice das mais rematadas, não sei o que será. Ouvi sobre isto vindo essencialmente da corja politiqueira argumentos do mais pulha que pode existir, no entanto, manda a decência que se diga que registei com agrado, que alguns políticos, poucos, recusaram alinhar, e bem, com aquela pulhice.

Pois amigos dilectos, é este tipo de pulhices, de comportamentos biltres e bandalhices, que nos últimos 40 anos nos vendem como Democracia, de que o Povo está farto, sendo portanto presa fácil para qualquer aprendiz de politiqueiro que queira subir os degraus do poleiro, portanto meus caros, o ventre de onde saem as tais serpentes venenosas dos pretensos fascismos novos foi fecundado pelos politiqueiros que se dizem democratas, do tal Estado de Direito que alegam que somos, outra pulhice traída pelo dia-a-dia em que o Povo se vê pisado, cerceado e achincalhado sem apelo nem agravo, pela quase inexistência de quem o proteja.

Estas aventuras, desventuras e porventura até a ventura de sermos este pardieiro são tudo produtos dos partidos políticos que temos, da gentalha medíocre que por lá assentou arraiais, e é disto tudo desta eterna noite de pulhice que o Povo está cansado, sem perceber este simples facto, sem entenderem o Povo, bem pode acenar com fantasmas, que a maioria, está nas tintas, por isso não vota, e dos que votam, meio milhão agora resolveram mostrar que estão fartos, e daqui a dois anos veremos como será nas legislativas. Existirão então limites para a pulhice em Portugal?

Um abraço, deste vosso amigo

 

terça-feira, janeiro 26, 2021

Ah, a Inveja...

Se há característica humana que eu abomino de forma venal, a Inveja está certamente no topo dessa lista. A Inveja é transversal ao ser humano, no entanto ela tem manifestações diversas que são mais ou menos o mesmo, com outros nomes, dependo das idiossincrasias de cada uma das sociedades e culturas.

No caso de Portugal, a Inveja é uma manifestação poderosa, transversal no tempo que não olha a pergaminhos, e é de tal maneira o seu poder, que percebendo isso desde cedo, os poderosos dela se socorrem para atingirem os seus fins. Instrumentalizada politicamente para melhor dividir uma populaça já de si pouco propensa a comportamentos de preocupação colectiva, a Inveja à portuguesa, é uma espécie de bacalhau com todos.

Se nos tempos do antanho os avoengos coevos já a usavam, os governos, contemporâneos, os políticos e as máfias politico partidárias têm utilizado até à exaustão a Inveja, para manipular, promover e alimentar a divisão da sociedade, evoluímos muito desde o antigo ricos contra pobres ou cavaleiros contra servos e vice-versa, nos tempos que correm, lestos, mais actuais clivagens invejosas, fazem, o Norte vociferar contra o Sul ou o funcionário do privado contra o funcionário público, dois singelos exemplos apenas, dessa luta que a inveja promove dentro de uma sociedade já de si propensa a dislates secessionistas.

Isto sem esquecer aquela inveja mais comezinha, que corre bairros e vizinhanças, onde se cobiçam mulheres, carros, casas, televisões e o mais que se queira num impressionante turbilhão de «invejice».

Os velhos invejaram sempre a juventude dos novos, é uma inveja compreensível, desde que não seja maldosa e maldizente, o mais triste é que por terras lusas a inveja é quase sempre maldosa e maldizente, o português é muito bom a invejar, fá-lo com uma paixão incrível, pusesse noutras coisas essa dedicação e paixão e muito se poderia esperar de tais denodados «invejões».

Infelizmente, a nossa inveja, pouco alcança, excepto a criação de nichos de ódios, onde criaturas azedas e carrancudas destilam a sua inveja de formas odiosas e cobardemente miseráveis, e vemo-lo, na nossa rua, no nosso emprego e ou nas redes sociais internautas, este último local tornou-se no mais privilegiado palco da «invejaria» reles e mesquinha que nos corrói enquanto sociedade.

E se a inveja do bairro é má, ela torna-se ainda mais odiosa quando é instrumentalizada e manipulada pelas máfias politico partidárias que fingem governar o país, que a utilizam para impedir uma unidade, essencial, para que o comum cidadão se possa defender da ditadura democrática em que vivemos, realidade aparentemente antagónica em que dois conceitos opostos se associam por puro oportunismo, assim, manipulado de maneira torpe e descarada e cidadão embarca voluntariamente nessas correntes de ódio invejoso, onde se aponta o dedo porque sim e pelo seu oposto, com a maior das facilidades.

Ao invés de lutarem por direitos, ao invés de cumprirem os deveres, os «tugas», essa raça bastarda que hoje, maioritariamente, ocupa o território de Portugal, prefere a Inveja, prefere o chiqueiro, onde se digladiam em lodosos pântanos de imundice, assim entretidos, separados em facções, sem sequer perceber que são manipulados, os tolos continuam a invejar-se, facilitando o trabalho aos «barões» que manobram as marionetas e que enchem os bolsos, no fausto dos indolentes, assistindo de camarote à canzoada invejosa que se retalha à dentada, enquanto eles os «grandes», riem a bandeiras despregadas, incrédulos sobre o facto de como é fácil, manipular e dividir a populaça, simplesmente alimentando a sua inveja.

 

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia