domingo, janeiro 16, 2022

Eleições

Dia 30 do corrente mês lá seremos novamente chamados a exercer o nosso dever cívico de votar, temo porém que dali vá sair mais um grosso disparate. Recentemente o senhor Costa, perdendo completamente a vergonha, tem inundado os ecrãs televisivos atacando sem pejo o eleitorado com repenicadas e repetidas súplicas pedinchando uma maioria absoluta que o deixe de mãos livres para ajustar contas com os antigos parceiros da “geringonça”, partindo e repartindo o baralho sem ter de dar cavaco.

A senhora Catarina da extrema esquerda desdobra-se em torções e contorções de malabarista circense para que os votos pinguem e o seu partidelho continue a ter alguma projecção, algum peso numa futura nova congregação de más vontades que se proponha assumir um Governo.

Do outro lado da trincheira, a nemesis dos bloqueiros, a extrema direita do senhor Ventura, adensa o discurso, um nada oco diga-se, mas confesso que ali a espaços vejo alguns pontos pertinentes que importaria discutir com seriedade, sem alarido, fazendo para que se promovam verdadeiras reformas, não aquelas com que os politiqueiros patetas enchem a bocarra, mas reformas feitas e pensadas com seriedade que moralizem um pouco este sistema que está podre e caduco.

O partido do camarada Jerónimo, continua entrincheirado na bafienta luta dos trabalhadores, nada de novo, discurso oco, hipócrita completamente sem sentido, procuram tão somente uns votos que lhes encham os cofres, que lhes rendam as tenças de que tanto precisam para alimentarem o polvo de funcionários, controleiros e sedes partidárias, mais uma vez nada de novo.

Os cristãos centristas, a horda de ratos de sacristia ultramontanos, vai, felizmente, de mal a pior, o Chicão, puto empurrado para a liça porque nenhum dos “artistas” de topo se quis queimar bem os tramou, partidelho insalubre e pateta, prenhe de gentalha hipócrita, quase tão hipócrita com os seus gémeos comunas.

Os liberaleiros da IL, dão dó, pensam que descobriram a pólvora, discursos neo liberais de pacotilha, não é que em alguns pontos não tenham razão, mas no geral são mais uns “iuppies” patetas, que não jogam com o baralho todo, já tivemos um bom exemplo daquilo que são capazes com a tralha do governo do senhor Coelho, um bom exemplo de liberaleiros toscos, medíocres e com a acuidade intelectual de uma ameba com diarreia.

No PAN, é também mais do mesmo, cavalga-se a onda da ingenuidade urbana, apontam-se baterias aos “mauzões” preparando o golpe da “imprescindibilidade”, qualidade que dará um jeito enorme na eventualidade de a votação ser estilhaçada, sendo necessários acordos para viabilizar futuros governos, ciente disso a senhora Inês batalha com afinco para arrancar o máximo que conseguir para ser um fiel de balança e aceder ao poleiro governativo.

O senhor Rio mais o seu saco de gatos chamado PSD, que será provavelmente o mais votado, não o vencedor, pois acredito que a Abstenção será novamente o partido vencedor, dizia eu que o senhor Rio, vai andar em bolandas, se quiser ser governo terá de engolir sapos, terá de tragar alguns sapos de sabor horrível, mas se quiser chegar ao poleiro terá de o fazer.

Restam ainda uns fenómenos episódicos como por exemplo o Livre do senhor Tavares, entre outras várias aberrações, que serão sempre boas alternativas para votarmos de forma a estilhaçar a possibilidade de maiorias absolutas que são o pior erro em que poderemos incorrer.

Tudo isto dito, tenho para mim que é essencial evitar uma maioria absoluta de um só partido, seja ela de Esquerda ou seja ela de Direita, o ideal seria que só fosse possível ao partido mais votado formar governo se aliado a um partido de um espectro político oposto ao seu, por exemplo PSD e Bloco, PS e IL, isto seria o ideal, uma “geringonça” de Direita seria mau, porque exceptuando o Chega, as outras alternativas de direita são idênticas logo seria como se fosse uma maioria absoluta.

Dia 30 veremos o que daqui vai resultar, uma dúvida me assalta ainda, que fará Sua Excelência o Presidente da República, desconfio que desta feita já não teremos o mesmo cordeiro pacífico do mandato anterior, ainda que o seu proverbial sentido de Estado não o deixe fazer grandes disparates, isto porque o seu candidato Rangel foi às malvas, se não tivesse ido a conversa seria outra. Tenho no entanto muitas poucas esperanças no que dali vai resultar, temo este povinho embrutecido e dolente, temo os “cantos de sereia” de certos quadrantes armados em arautos da desgraça, temo verdadeiramente o peso da abstenção, por isso vá votar.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

 

 

quarta-feira, janeiro 05, 2022

2321, há futuro?

Hoje vamos fazer futurologia, vamos pensar numa Europa longínqua, projectada num futuro, mais ou menos próximo, vamos, por exemplo, imaginar uma Europa daqui a 300 anos, se ainda existir o Mundo com o concebemos, que Europa será esta, aliás que Mundo será este, vamos reflectir sobre uma Europa quiçá distópica, vamos falar sobre como será o Mundo quando a Europa cair.

Vivemos hoje no início daquilo a que chamei em escritos anteriores “As Guerras da água”, acossadas pelas alterações climáticas, por conflitos bélicos e pelas consequências que tais eventos dramáticos trazem, populações oriundas de África, da América do Sul e Central bem como da Ásia lançam-se em migrações à procura da “fartura” norte americana e europeia, estamos apenas a ver o início dessas migrações em massa, é minha convicção que com o agudizar dos problemas climáticos a tendência será para um recrudescimento dessa migração, junte-se-lhe o problema dos Estados baseados em arquipélagos como por exemplo Kiribati, Vanuatu e Ilhas Salomão que irão desaparecer, ou Estados populosos com zonas costeiras extensas e muito desprotegidas como o Bangladesh, as Filipinas, Moçambique ou a China, Portugal, segundo projecções baseadas em modelos ambientais computorizados, perderá vastas extensões, sendo um país de risco médio segundo avançam os cientistas. O que iremos fazer com todos esses milhões de pessoas que terão de ser deslocadas?

Assolada por trezentos anos de migrações a Europa ruiu, deixou de existir. Amanhece naquilo que foi Lisboa, o que resta é uma amalgama de ruínas, o ano é 2321, Portugal, que deixou de existir, enquanto unidade geográfica e política, perdeu um terço do território devido às alterações climáticas, a União Europeia deixou de existir há mais de 200 anos na sequências das guerras internas, às crises pandémicas recorrentes juntaram-se as crises provocadas pelas pressões migratórias, pelas consequências das alterações do clima, por fomes e surtos de doenças, pelos conflitos étnicos que entretanto eclodiram e por pressões externas de regiões terceiras.

Os países europeus eclipsaram-se, hoje onde era Lisboa o dia nasce com um estranho nevoeiro, é quase sempre assim pela manhã, uma névoa, que a partir de meio da manhã quando a temperatura já rondar os 30º, se dissipará, deixou de haver Londres, Madrid, Bruxelas, Roma, Berlim ou Paris, o Vaticano ao que parece vai resistindo, mas sem qualquer vestigio da glória do passado, os antigos Estados dos Balcãs foram engolidos pelas marés humanas do Médio Oriente, gentes que professam outra religião, daí vão partindo ataques ocasionais que dizimam os territórios limítrofes ocupados por minorias étnicas mais antigas.

Aquilo que já foi França, está dividida em enclaves em permanente estado de guerra, o Sul dominado por populações de origem norte africana, magrebinos e do Médio Oriente, a norte onde era a Bretanha, resistem os últimos dos descentes dos antigos habitantes, na antiga Alemanha é o caos com enclaves étnicos que se digladiam sem quartel, as instituições desapareceram, há centenas de anos que não existem meios de comunicação daqueles que existiam nos tempos antigos, como a televisão, a rádio, os jornais, a internet, tudo soçobrou com os grandes cataclismos, quando a Europa caiu, quando a união das nações se desfez corroída por dentro por conflitos tribais, religiosos e por pressão das vagas de povos famintos vindos de Sul, parece que acabou a civilidade, das Américas não se sabe nada, nem da Austrália, sabe-se que muitas ilhas do Pacífico desapareceram engolidas pela subida das águas, e sabe-mo-lo por causa dos milhares de migrantes que chegaram.

Existem áreas catástrofe, sem vida, depois de antigas centrais nucleares terem visto os seus reactores colapsar, vastos arsenais nucleares estão escondidos debaixo do solo em catacumbas que se desconhecem, mesmo que as achem, já não existe o conhecimento para utilizar essas armas, permanece o perigo o enorme perigo nuclear, uma bomba relógio para um Mundo, para um planeta doente que parece querer recuperar, mas que na verdade está moribundo.

Quando a Europa deixou de conseguir financiar-se, muita coisa do outro lado do Mundo deixou de funcionar muitas ajudas, muitos fundos, muita solidariedade, muita actividade que era essencial para a ainda assim ténue sobrevivência de povos residentes em zonas e países ditos pobres, depois vieram as doenças mais hediondas, as fomes devastadoras, incêndios descomunais, temperaturas escaldantes, secaram lagos e rios, exterminaram toda a vida, a água vale hoje mais que qualquer matéria prima e ou minério valeram em tempo algum daquele que levamos enquanto seres humanos, hoje matamo-nos por um simples regato de água suja, muitas vezes ainda contaminada pelos disparates e pela ganancia de séculos passados, espectros miseráveis com roupas em farrapos arrastam-se pelas areias abrasadas pelo Sol, sobra-lhes a esperança, mas mesmo essa parece-se cada vez mais com uma brisa fresca num dia de calor. 

 

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

 

sábado, dezembro 18, 2021

Caro Eduardo Arménio

Escrevo-te esta singela missiva, não me julgues teu amigo, para deplorar a tua prestação, naquele dia em que te demitiste, ó Eduardo Arménio, meu rapaz, aquilo não se faz pá, aquela soberba toda, aquela arrogância e topete caíram muito mal, mais ainda, posteriormente aquele anuncio de demissão precedido de uma espécie de liturgia de auto elogio de auto comprazimento é pá caiu ainda pior, demonstrou um problema de um egocentrismo narcicista patológico a roçar a psicopatia, foi mau, foi mesmo péssimo pá.

Quem te escreve isto ó Eduardo Arménio, é o mesmo tipo que na mesma semana em que foste indigitado para a pasta ministerial que assumiste, escreveu que não tinhas o mínimo perfil para aquilo, que eras um crasso erro de elenco, infelizmente para o país, as tuas prestações provaram isso mesmo, só o senhor Costa é que não via isso, com a visão toldada pela tua inquestionável lealdade canina, a mim porém bastou-me ver-te numa cerimónia para te perceber logo, meu pobre rapaz, parecias um pato bêbado num baile de elegantes flamingos, assentava-te a pasta ministerial tão bem, palavra que adoras pronunciar, como um selim nas costas de uma vaca.

Depois de ler os rasgados encómios que a tua dilecta esposa te teceu, fica-me a desagradável sensação de que as tuas acções recentes traem completamente o perfil que traçam de ti esses elogiosos comentários, assumo que possas ter sido bom profissional, um bom executor de tarefas, um diligente feitor dos trabalhos de sapa sujos do aparelho partidário, sendo por tal que o senhor Costa muito te deva, assumo até que possas ter sido um bom político, novamente, infelizmente para o país, nada nas tuas actuações recentes demonstra tal facto, os teus bons começos lá por Macau, onde até aprendeste mandarim, não auguram nada de bom nessa Macau coutada de um certo socialismo pernicioso que fez de um tal Melancia, e outros, um especialista em faxes, e tu por lá andavas a fazer tirocínio e o que aprendes-te está bem à vista.

Quem também te topou à légua foi a senhora Leite, avisada estava ela por ter pertencido à chusma cavaquista do muito rebotalho politiqueiro que por aí anda, quando te disse em 2004, ““O senhor não merece o ordenado que recebe – era com isto que o senhor deveria estar preocupado! […] Como é possível haver um deputado que, ontem, na Comissão de Economia e Finanças, faz uma pergunta e hoje, aqui, repete essa mesma pergunta, que é absolutamente a de um ignorante?”, a senhora Leite lá saberá pá.

E depois ó Eduardo Arménio, temos aquelas trapalhadas todas em que te metes-te pá, desde a patetice anedótica do microfone na comissão parlamentar em 2014, às golas antifumo em 2019, ao caso Ihor em 2020, à extinção do SEF e surto em Odemira, à barracada das comemorações do campeonato dos empurra bolas, culminando no infausto caso do atropelamento na A6, foram demasiadas ocorrências, que uma após a outra demonstraram que eu sempre tive razão, quando ia escrevendo que tu eras completamente imprestável enquanto ministro de tão sensível pasta, ademais nessas situações todas, saltaram à vista determinadas características comportamentais que se foram repetindo e que igualmente provam a minha avaliação, demonstras-te sempre uma soberba, uma falta de humildade, um ego desmedido, uma arrogância inusitada e uma completa falta de capacidade de comunicar, esta última é de estranhar porque deves ter tido um assessor de imprensa que te dava orientações, ou o rapaz não sabia o que fazia ou tu não seguiste à risca essas indicações o que faz perigar o mito de seres alguém inteligente.

Bem pelo contrário ó Eduardo Arménio, quem te ouviu na manhã do pedido de demissão ouviu um ser asqueroso, arrogante e patético, ouviu alguém a quem faltam as qualidades de excepção, que deveriam ser obrigatórias, para alguém ser ministro, falta-te empatia, falta humildade e faltou-te principalmente humanidade, o que me faz pensar que tu ó Eduardo Arménio, não sejas grande coisa enquanto ser humano, aliás se te julgasse pelas declarações dessa manhã e depois à tarde com o pedido de demissão antecedido de mais uma arenga egocêntrica, chegando até ao ponto de pareceres o Calimero com a vitimização que foste construindo, a ideia que fica é que estamos perante um ser com algumas questões de personalidade mal resolvidas, alguém com mau fundo, egoísta, arrogante e pouco capaz de se sujeitar ao escrutínio e muito menos de assumir erros.

Caro Eduardo Arménio, como te disse inicialmente não me julgues teu amigo, nem inimigo antes te desprezo profundamente como incarnação de um tipo de político que infelizmente abunda no nosso panorama político, o teu consulado fica desde o início marcado por um fedor a putrefacção que desde início foi ficando mais forte, era o odor dos cadáveres da “decência”e da “humanidade” que em ti haviam fenecido, cada novidade que vamos sabendo sobre ocaso da A6 mais adensa esse olor a coisas pútridas, começou logo contigo a usares o ministério para sacudires a água do capote acusando o falecido e uma suposta falta de sinalização, ambas patranhas, depois foi uma cascata de burrices que culminou quando se soube que a testemunha que te ilibou de responsabilidades no atropelamento na A6, afinal, nem seguia no interior do carro acidentado. Afinal ó Eduardo Arménio, nem para te escapulirares acertas pá, és mesmo uma nódoa.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

 

sábado, novembro 20, 2021

Como é possível morrer tanta gente atropelada nas passadeiras?

Há cerca de um ano, ou coisa que o valha, um acidente rodoviário, do qual resultou a morte de uma pessoa por atropelamento em cima de uma passadeira, fez-me começar a cogitar porque morre tanta gente em Portugal, atropelada nas passadeiras, que supostamente são os locais seguros para os peões efectuarem o atravessamento de vias rodoviárias.

Comecei então a observar com mais acuidade os comportamentos quer de condutores quer de peões, no que concerne à abordagem da passadeira, mas também fui observando a qualidade das passadeiras, que as há para todos os gostos e feitios, feitas dos variados mais materiais, verifiquei a sinalização vertical, a iluminação, bem como a colocação das ditas passadeiras, na tentativa de responder à questão inicial, sobre como é possível morrer tanta gente atropelada nas passadeiras.

Tentei fazer a coisa o mais objectivamente possível, ciente que nada disto é científico e carece como é óbvio de verificação por gente qualificada, sendo que eu sou um mero e quiça pouco capaz leigo preocupado, espanta-me pois que tal questão não tenha ainda preocupado as doutas e sapientes mentes que se ocupam destas questões, mas andando que melhores dias virão.

Ora do ponto de vista da localização, construção, materiais, iluminação e sinalização, o que observei neste último ano, sugere-me o seguinte, para não variar, temos de tudo mais um par de botas, passadeiras gastas, pouca visibilidade, deficiente iluminação, passeios elevados que podem provocar quedas e dificultam a locomoção de pessoas com deficiência motora, com dificuldades motoras temporárias e ou carrinhos de bebé, passadeiras colocadas de forma questionável que propiciam o acidente, tintas que com chuva propiciam as quedas, veículos estacionados em cima das passadeiras e ou dificultando o seu pleno acesso, sarjetas colocadas junto ao passeio nas passadeiras propiciando quedas, postes de iluminação ou de sinalização plantados nos passeios junto às passadeiras, materiais de igualmente questionável aplicação para esse fim como seja por exemplo a pedra de calçada, materiais esses que dificultam o atravessamento, enfim, sem ser nem poder ser exaustiva a observação que fiz, sugere-me que isto das passadeiras para atravessamento de peões dava para uma tese de doutoramento, tal é a diversidade de situações que propiciam e até elevam a possibilidade de acidente.

Se ao atrás mencionado juntarmos o comportamento animal, começamos gradualmente a desenhar um quadro de hipóteses que confirmadas podem permitir uma resposta à pergunta inicial sobre como é possível morrer tanta gente atropelada nas passadeiras.

Para condensar vou resumir a descrição da observação comportamental a quatro tipos essenciais de utilizadores das passadeiras, começo pelos ciclistas.

Quanto à rapaziada do pedal, confesso que fiquei desiludido, tinha-os por mais civilizados, mas não, passo a explicar, ao que sei, a legislação vigente estipula que o ciclista só possa cruzar a passadeira a pé com a bicicleta pela mão sendo então equiparado a um peão, nunca vi nenhum fazer tal coisa, pior, vi gente a circular de bicicleta por cima de passeios, coisa que não podem fazer, subitamente chegados a uma passadeira cruzarem-na como se nada fosse.

Alguma rapaziada dos motociclos deixa também muito a desejar, mais uma vez observei coisas degradantes, que ainda mais me tiram a confiança, cada vez menor, que ainda deposito na Humanidade, falo de circularem a velocidades estratosféricas, de ultrapassarem pela esquerda, de pura e simplesmente arrepiarem caminho por entre os veículos cruzando as passadeiras sem mais aquela.

No que aos peões concerne, a coisa também não melhora, a grande maioria atira-se para a passadeira, quando o que diz o número 1 do Artigo 101 do Código da estrada é, e cito “Os peões não podem atravessar a faixa de rodagem sem previamente se certificarem de que, tendo em conta a distância que os separa dos veículos que nela transitam e a respectiva velocidade, o podem fazer sem perigo de acidente.” Infelizmente o que se vê maioritariamente não é nada disto, vêem-se pessoas com auriculares a consultar telemoveis, pessoas que atravessam sem olhar para o trânsito, pessoas que circulando pelo passeio repentinamente se atiram para a passadeira, tudo gente que parece querer morrer.

Por último os condutores de veículos automóveis, começaria por afirmar perentoriamente que isto de “tirar a carta” está tudo errado, é tudo uma farsa, gentinha há que nunca deveria conduzir veículos automóveis, seguindo em frente, mais uma vez observei uma enormidade de comportamentos desprezíveis, comportamentos homicidas que denotam sobretudo graves distúrbios comportamentais quiça ao nível da psicopatia e ou da sociopatia, por outras palavras, se uma vasta percentagem dos peões são uns imbecis, uma outra vasta percentagem dos condutores são umas rematadas bestas. Saúdem-se os edificantes exemplos de comportamentos civilizados, infelizmente poucos por comparação com as bizarrias quase homicidas a que assisti.

No fim disto tudo, depois de consultar as notas que fui tirando, cheguei a uma questionável claro está, conclusão que serve de resposta à questão “ como é possível morrer tanta gente atropelada nas passadeiras?”

A causa maior para esses nefastos eventos é em 90% dos casos a pura e dura estupidez, o egotismo narcisico que leva as gentes a não ter o mínimo sentido de devoção à vida do outro, que em última análise podia ser a do próprio, os 10% restantes são efectivamente acidentes, resultantes dos imponderáveis da vida, infelizes ocorrência imprevisíveis, logo inevitáveis.

É pois a estupidez que mata nas passadeiras, o excesso de velocidade, a falta de cuidado, o facilitismo a mais atroz falta de sensibilidade para a protecção da vida a par do mais pavoroso desrespeito pelas regras de civismo existentes, a tal barbaridade, responde o Estado com legislação medíocre, fiscalização praticamente inexistente, molduras penais miseráveis e processos de indemnização que são verdadeiras anedotas.

Deixo-vos um conselho simples, quer se encontrem como peões ou como condutores, diz um velho adágio popular que “cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém”
 
Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sábado, novembro 13, 2021

Vai mais um COP!

Parece que lá numa taberna para os lados da Hibernia, locais aos quais por essas longitudes apelidam de “pub”, como se taberna não fosse mais fácil, mas dizia eu que para esses lados, onde os homens usam saias mas chamam-lhes “kilts”, uma data de rapaziada graúda, os ditos importantes do Mundo estão reunidos para falar sobre o planeta, nomeadamente sobre a piela que este está apanhar, tanto assim é, que o pobre planeta, como dizia a excelente série humorista que passou pelas nossas televisões, um mero terceiro calhau a contar do Sol, está cheio de gases, e com febre, estão então todos aqueles senhores e senhoras, muito sábias e muito sábios reunidos para concertar um modo de dar conserto ao que está cada vez mais desconsertado, ainda que uns tenham antes optado por lhes dar um concerto, dar-lhes música pois então, que as hostes parecem tristes e precisam de alegria.

Dizem que esta é a vigésima sexta vez, que a rapaziada mundial se junta para falar sobre o Ambiente, sobre como poluir menos o planeta, sobre como não sujar o único sítio que suporta vida aqui pelos arredores deste sistema solar, ao que parece há uma trintena de anos que andam nisto, ao que parece, metem-se nisto dos COP’s e depois é que são elas, a ressaca deve ser tão tremenda que depois e passados os efeitos eufóricos dos eflúvios diletórios de Baco, parecem esquecer-se de tudo o que por lá disseram, bem como se esquecem por completo das papeladas que assinaram, a prova disso está no facto de que durante estes últimos trinta anos, o planeta está cada vez pior, a Natureza acossada, as florestas exterminadas, ⅔ do Mundo à míngua de água doce, outros tantos porém, com água salgada a mais, miríades de ilhas, ilhotas e ilhéus habitados, especialmente no Pacífico, incluindo Estados, correm o risco sério de desaparecer, isto enquanto os senhores do Mundo andam há trinta anos metidos nos COP’s a dar ar à boca, os que lá põem os pés, porque cretinos há que nem aparecem, suspeito que devem ter um Mundo deles, algures por aí.

Os dados científicos revelam que cerca de 30% das espécies classificadas do planeta correm risco de extinção. Falamos de 38 500 espécies, falamos de plantas, mamíferos, aves, repteis, anfíbios e corais, falamos de uma extinção em massa que se prepara, estou eu em crer, prenunciando a nossa própria extinção. ⅓ da superfície terrestre é desertica, os gelos nas calotes polares derretem, fazendo elevar o nível global dos oceanos o que reduzirá ainda mais a superfície de terra disponível para uma massa humana cada vez maior, somos cada vez mais, gastamos cada vez mais, exigimos cada vez mais e um dia a corda vai rebentar, nesse dia não haverá dinheiro que nos salve, mas bem antes disso, teremos de assistir a décadas de guerras, de massacres, de conflitos e desgraças que ainda sustentarão ilusões, os ricos gostam de ter ilusões, luxo a que um pobre não se pode dar, mas ilusões são mentiras, não são reais, por outro lado o que nos está reservado será realmente pavoroso.

Enquanto a tragédia vai desfiando os seus actos, os poderosos continuam a fingir, vão obviamente continuar a fingir, tentando tapar o Sol com a peneira, mas vai chegar um tempo que será impossível esconder a realidade, nesse dia será o acordar, será o ter forçosamente de assumir, tudo aquilo que nunca assumiram anteriormente e que nos poderia ter salvo, assumirão finalmente que estamos condenados, mais uma vez felizes os ignorantes, que desaparecerão sem sequer perceber o que lhes aconteceu, podem até dizer-me que sou catastrofista, que sou ave de muito mau agoiro, mas olhem para o Mundo lá fora, olhem verdadeiramente com os vossos olhos, sem monitores sem ecrãs de telemóveis, sem redes sociais, olhem para o Mundo que desaba, os insectos polinizadores que quase desapareceram,a água essencial para a vida que rareia, poluída sem remorso pelos mesmos idiotas que dela necessitam desesperadamente para estarem vivos, enquanto o edif í cio desaba, numa qualquer cidade do Mundo, numa qualquer taberna, lá se juntarão os senhores poderosos, alguns deles, que outros os parvos continuarão a não querer aparecer, e lá se perguntar á com toda a certeza; “Então, vai mais um COP?”

 Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

terça-feira, novembro 09, 2021

ESTA NOSSA POBRE DEMOCRACIA

Começo por dizer que não sou nem militante do PSD nem do CDS, nem de nenhum outro partido, felizmente não pertenço a nenhuma dessas congregações. Fico porém triste ao ver o ponto miserável a que chegou esta nossa Democracia.

Vem esta arenga propósito das lutas intestinas que por estes dias dilaceram as entranhas daquelas duas agremiações políticas, consequentemente dilaceram a Democracia, confesso que tenho dó, que me dão imensa pena além de uma condolência atroz, os militantes, simpatizantes e votantes em tais associações partidárias, porque estão constrangidos a simpatizar, votar e eleger, aquele tipo de rebotalho que ali se digladia sem mais aquela, num patético exemplo de peixeirada do mais baixo nível, nada próprio de partidos políticos de um sistema democrático saudável, o que ali agora vemos é a prova de quão doente está este sistema, de quão doente está a nossa sociedade e por consequência o nosso país.

No PSD, aproveitaram o descalabro do senhor Coelho e das suas políticas de miserabilismo, para empurrarem Rio, que se pôs a jeito diga-se, os tacticistas politiqueiros do PSD dispuseram-se a aguardar dias melhores, excepto o palonça do Montenegro que ainda armou ao pingarelho, até que alguém com siso lhe disse para deixar de ser pateta, intuíram então essas “almas negras” que assim que a geringonça vacilasse, e cheirasse a Poder, seria o momento ideal para atacar, até porque Rio, desgastado pela constante guerrilha interna para além da função de oposição, seria presa fácil, vai daí que aparece um Rangel, delfim e herdeiro da tralha “coelhista” neoliberaleira, com o respaldo de el’Rei Marcelo, que detesta Rio, está pois armado o golpe, o assalto aos tachos, com a perspectiva de ganharem eleições, até perdem o tino e desatinam.

Pessoalmente nutro simpatia por Rio, em especial pelo seu sentido de Estado, coisa que Rangel e a sua tropa fandanga nunca saberão o que é, respeito Rio pela determinação e capacidade de procurar compromissos e por ter uma visão ampla da realidade de uma Nação, coisa que Rangel e a sua tropa fandanga nunca saberá, já que procuram apenas o Poder para as traficâncias costumeiras destas podres elites. Tenho por isso muito dó pelos os militantes, simpatizantes e votantes do PSD, Rio foi o mais decente líder que tiveram desde Balsemão, por quem também tenho alguma estima, desde essa altura, de Balsemão, até Rio foi uma longa e penosa sucessão de lixo.

No CDS, partido que reputo a par com o PCP, como supremo exemplo de hipocrisia, aliás, CDS e PCP, são faces da mesma moeda, agremiações políticas miseravelmente hipócritas, mas dizia eu, que no CDS a coisa é mais ou menos idêntica aquilo que se passa no PSD, depois do partido quase ser destruído pela senhora Cristas, criatura arrogante e pateta, ninguém entre os notáveis se quis “queimar” como se diz na gíria, chutaram todos para canto, o senhor Melo andou a passear lá pelas Europas a presumir importância, e quão relativa ela é, mas presunção e água benta é o que se queira como diz o ditado, os outros ditos “notáveis” também submergiram para ver se deles se esqueciam, lá apareceu um puto com ar apatetado que qual pavão inchado com a honra, não se coibiu de assumir a liderança para a qual foi convenientemente empurrado, a prazo claro está, porque os “zorros” estariam atentos para que assim que surgissem as estrelas propícias lhe tirariam o tapete, tal é o que agora sucede, agora que cheira a Poder, que cheira a tachos ministeriais, que cheira a coligação com o PSD para arrancar as rédeas da governança aos “geringonços” do PS, agora lá emergiram, o Melo, o Lima e o resto da tralha, com declarações apopléticas, com encenações dramáticas, até Portas, essa avantesma medíocre não se coíbe de vomitar atoardas.

Tudo isto é tão triste, bem podia ser apenas um Fado, infelizmente assim, não é, a coberto de uma pretensa legitimidade democrática, que no CDS quer no PSD o que se faz são meros golpes de estado pulhas, com motivos de perpetuar a escrocaria politiqueira do costume, que tendo estado arredada dos cofres públicos, quer roubar o poleiro aos esquerdelhos para se banquetearem com as tenças, não esquecendo que como diria o outro o empurra bolas, “vão vir bazucas de dinheiro…”

Miseráveis comportamentos os destas gentes que se acobertam de forma vil e sem qualquer laivo de pudor sob um manto de pretensa Democracia, aliás, cientes que estão da injustiça que cometem, desde o primeiro minuto que quer Rangel quer Melo encheram a boca com a palavra Democracia e seus derivados para justificar as suas pretensões que sabem estar inquinadas pela sabujice pulha. É triste, aqui chegados, continuarmos a assistir a este tipo de pulhices, em política parece que todas as pulhices são válidas, já antes viramos isto acontecer quando Costa apunhalou Seguro, daí transparecendo que nos métodos, diferenças não se lhes conhecem, nem nos objectivos. E mal vamos nós quando para escolher nos dão tais misérias, tais indigentes.

 Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

sábado, outubro 30, 2021

VAMOS A VOTOS

O Governo caiu, mas também fez por cair. A Geringonça morreu, viva a geringonça. Bloco e PCP, pretenderam descolar do PS, uns e outros possuem agendas próprias, o Bloco quer recuperar eleitorado, o PCP quer qualquer coisa que ainda ninguém percebeu o que é, felizmente o PCP está na mesma rota que o CDS, a rota de uma anunciada e inexorável extinção.

O orçamento era mau, dizem uns, era o possível dizem outros, pessoalmente cada vez mais acredito que nós não temos dinheiro para ser um país, especialmente para sermos um país nestes moldes, com tanto parasita, com tanta coisa à borla, com tanta benesse sem retorno nenhum de espécie alguma, um país que mais se parece com uma grande Santa Casa da Misericórdia do que com um país digno desse nome, Portugal mais parece um orfanato sórdido a esboroar-se cada vez mais pelintra, onde adoram presumir grandeza, evocar isto mais aquilo, defendendo patranhices ao invés de olhar ao que aí vem.

Sua Excelência o senhor Presidente da República, munido das armas que a legislação lhe confere, num registo sobejamente conhecido, assim que se começou a questionar a viabilidade do orçamento, tratou logo de avisar as hostes, que dissolveria a enxovia parlamentar, aquele cóio de madraços, mandando o governo às malvas, convocando de seguida eleições legislativas antecipadas, meteu os pés pelas mãos, redundando nas suas habituais trapalhadas do diz que disse, mas que não queria dizer o que disse, já nos habituámos a isso.

Com a dita Esquerda estilhaçada, dividida pelas suas várias capelinhas, com a Direita fragmentada em total desnorte, das eleições pouco espero, antevejo que vamos tão somente trocar a cor ao balde, lá dentro o conteúdo acastanhado, exalando eflúvios pútridos será o mesmo. No PSD, Rio ver-se-á engolido, figuradamente claro está, por Rangel, resta saber se isso será antes ou depois das eleições legislativas, a guerra interna retirará quase toda a capacidade de manobra a um e a outro, as eleições internas, serão um regabofe, como são quase sempre as eleições internas deste tipo de partidos, a “ala coelhista”, quer exterminar Rio e a sua trupe, Rio tenho-o por um político sério, com um verdadeiro sentido de Estado, coisa que Rangel e a sua tropa fandanga não sabe nem sonha sequer o que seja.

Mas indiferentes a essas questiúnculas, iremos a eleições, num qualquer Domingo de um frio e chuvoso Janeiro, lá iremos em procissão até aos pavilhões e às escolas, daí espero que saiam escolhas com algum acerto, sendo certo que será a abstenção que irá novamente vencer, prevejo-a entre os 45 e os 55%, se errar, farei a mesma figura daquelas empresas que cobram milhões para elaborarem sondagens e fazerem o mesmo que eu fiz, atirar ao calhas.

Quanto aos resultados, não faço futurologia, ainda assim, creio que o PS levará pra tabaco, que o PSD saíra vencedor, o Chega, estou em crer será porém o único grande vencedor, quanto aos restantes o interesse estará em saber se é desta que o CDS passa de partido do táxi a partido da trotineta, saber se o Bloco ainda contará para alguma coisa, se o PAN conseguirá manter e ou aumentar a sua relevância, creio que o PAN será outra surpresa, pela negativa.

Quanta à restante tralha partidária, finalmente desaparecerão aquelas aberrações das deputadas não inscritas, mais o IL, este último esvaziar-se-á de eleitorado se acaso Rangel assumir as rédeas laranjas porque os “liberaleiros” sentir-se-ão novamente representados, dado que a Direita em Portugal parece ser o PSD, que é como sabemos um saco de gatos assanhados sempre prontos a navalharem-se uns aos outros, dizia eu que a Direita é esse partido mais os seus descontentes, leiam-se Chega e IL, os liberais com Rangel vão poder novamente cavalgar o capitalismo selvagem que querem implementar escravizando quem trabalha, quanto ao CDS, depois de arruinado pela senhora Cristas dificilmente recuperará. Quanto aos patetas do PCP, já sabemos cantarão mais uma vitória, com menos votantes como de costume e avante camarada, queremos é embolsar uns milhares com os votos.

Espero no entanto ansiosamente que o povinho eleitor tenha aprendido alguma coisa nestes últimos anos, que não caia mais em oferecer maiorias absolutas a bandalhos partidários, a nossa propensão para o “sebastianismo” redentor e salvífico volta e meia faz das suas, ademais tendo os anteriores patéticos e intelectualmente indigentes exemplos de Cavaco e Sócrates, como bitola para aquilo que jamais se deverá repetir, uma maioria absoluta.

Quanto a expectativas, não espero nada, Esquerda e Direita em Portugal são faces da mesma moeda gasta, já não trazem nada de novo, não tem coragem, não tem objectivo algum, excepto enriquecerem e fazerem enriquecer os amigos com as suas trafulhices e vigarices. Esquerdas e Direitas mais se governam do que deixam governar, presas por grupos de pressão, medrosos, vítimas das suas traficâncias estão na mão dos corporativismos mafiosos, trata-se mal quem trabalha, quem produz e quem paga impostos, enaltecendo os bandalhos e os madraços.

Vamos a votos e como diriam os velhos patrícios “Alea jacta est”.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia