sábado, maio 16, 2020

Um relato de realidade...


O relato que hoje aqui trago, foi partilhado comigo por um amigo, quero deixar claro que se é certo que uma árvore não faz a floresta, também não é menos verdade que se não se cuidar dessa árvore podre, ela irá seguramente contaminar todas as árvores da floresta, leiam este relato com fé na natureza humana.

“Espero que não tenham a sorte como eu de assim do nada um vizinho meu resolver alugar o seu apartamento a ciganos depois quero ver o que dizem. Passei por isso ao ponto de ter de vender o apartamento, ainda hoje não sei como consegui sair do pesadelo de ter as escadas tipo pocilga, a porta do prédio partida, aberta a pontapés, campainhas a tocarem de madrugada e musica toda a noite e nem a força policial vinha quando chamávamos por saberem do que se tratava.
Tanta coisa que aqui tinha pra contar. Agora perguntem por lá no bairro se existe problemas com mais alguém, sem ser com aqueles senhores. Não sabem viver em comunidade. Tenho alguns amigos ciganos 5 estrelas que souberam integrar-se. Agora o resto, levem-nos para o vosso prédio ou para uma casa ao vosso lado e depois falamos.
Só eu e a minha família sabemos o que sofremos. Desde ameaças a pontapés na porta e com a minha filha com 2 anos assustada. Campainhas a tocar de madrugada, sacos de lixo espalhados pela escada atirados desde o terceiro andar. Apanhamos uma depressão que até chorávamos sem saber o que fazer. Felizmente apareceu uma pessoa que queria comprar apartamentos para depois alugar e foi o milagre que tivemos. Todas as confusões que conheço naquele bairro são criados por aqueles senhores. Todas.
Cuspiam na escada. comiam e deitavam o lixo para o chão. Deitavam-se no chão à entrada do prédio e tínhamos de passar por cima para entrar porque não se desviavam, tinha aqui tanto para contar. Não desejo a ninguém passar pelo mesmo, vão a esse bairro e perguntem aos velhotes que moram por lá as ameaças que sofrem.
Passámos bastante. Fiz várias queixas aos representantes da autoridade, mas quando lhes ligava não apareciam por saber que eram eles. Uma vez esqueceram a chave para entrar no prédio e rebentaram com a fechadura a pontapé para entrar, nesse dia, chamei a força policial, ainda hoje estou à espera.”

Este relato emocionou-me por várias razões. Primeiro fiquei triste pela falta de solidariedade da comunidade, que vencida pelo medo e por saber que a Lei em Portugal não protege as pessoas, preferem não se meter e assobiam para o lado. Depois mais triste fiquei com a falência da autoridade do Estado, que fazendo fé neste relato não existe, daí resultando que comunidades inteiras se encontram à mercê de um qualquer grupo de delinquentes, sem que ninguém as proteja.
Por último fico ainda mais triste, por verificar que no século XXI ainda existam pessoas que se comportam de uma maneira selvagem e que isso lhes seja permitido, termino como comecei, se é verdade que uma árvore não faz a floresta, uma árvore podre contamina as outras árvores e acaba com a floresta.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

terça-feira, abril 28, 2020

Da minha janela…


Durante estes dias, já largos, que levo de isolamento, passo mais tempo à janela, o que me permite, para distrair, ir observando com mais acuidade o que passa lá fora, francamente tem sido muito divertido verificar o país de tontos onde vivo, com uma maior atenção.
Tenho então enchido a barriga com gargalhadas, a ver passar, a diversa avifauna local. É curioso que desde a instauração do dito “estado de emergência”gente existe que se esteve integralmente nas tintas para esse estado. Gente dos grupos de risco a julgar pela idade, outros apenas uns malucos, muitos malucos, aliás os tontos são uma das grandes forças motrizes deste nosso país.
Diverti-me a arranjar-lhes nomes, que os caracterizassem, dado que não sei os seus nomes, socorri-me das suas características, para os classificar, divertindo-me com as manias de cada um, pelo menos aquelas que consegui observar da minha janela.
Começo com a “Avó do Zorro”, chamei-lhe assim por causa da máscara que desde os primeiros tempos a vi utilizar. É uma senhora já de idade, terá mais de 65 anos, andar engraçado como alguém que percorre o tombadilho de um navio durante um malagueiro, impreterivelmente pela manhã, lá passa ela com os sacos para as compras, todos os dias, mas mesmo todos os dias aquela senhora sai de casa à mesma hora, pela manhã, para ir às compras.
O “Boinas” coloquei-lhe esse nome por causa do típico boné que utiliza, surge sempre pela manhã a pedalar lentamente uma, quase tão velha quanto ele, bicicleta, todos os dias sensivelmente à mesma hora aquela alminha tem passado aqui, passada uma hora lá vem de volta com um saquito com compras, todos os dias vai às compras.
A “Irrequieta”, é a campeã destas aves raras geriátricas. Chamei-lhe a irrequieta, porque esta senhora, todos os dias da semana, sai de casa, umas quatro ou cinco vezes. A primeira saída é bem cedo para despejar o lixo, normalmente um baidezito com duas ou três coisas, depois vem a ida à reciclagem, a ida às compras e mais uma saída para voltar a despejar lixo, e assim é todo o santo dia, a senhora não consegue estar de todo quieta em casa.
Um dos mais divertidos é o “Devagar”, um cavalheiro que surge a passear uns canídeos, aos quais, como não consegue controlar vocifera “devagar…devagar…” daí o nome que lhe dei, um dia agradecer-lhe-ei as gargalhadas que me provoca ao ver a pobre criatura armada em “encantador de cães” coisa para a qual não tem a mínima apetência, mas ele lá insiste, todos os dias, quando começo a ouvir cães a ganir já sei que me vou rir com aquela figurinha.
Por último, temos o “Pateta”, que sou eu, passando horas a uma janela, como tantos de vós por aí, de quando em vez a olhar o Mundo lá fora que agradece o estarmos quietos, apesar de muitos de nós fazermos de tudo para não estarmos quietos.
Mais avantesmas haveria para dissecar, gente que não pára, que não se percebe o porquê da pressa, o porquê do desvario, mas que interessa isso, na próxima pandemia, que espero que seja daqui a cem anos, conto já cá não estar, outro “eu” se sentará a uma janela para se rir com o Mundo de tontos em que vivemos.

Um abraço, deste vosso amigo 
Barão da Tróia

segunda-feira, abril 13, 2020

... e dos loucos, quem cuida?


Chove, o dia está soturno, céu plúmbeo, nuvens escuras a perder de vista, ao longe soam sinos, são oito da manhã, está frio. Alheio a isso tudo um homem caminha a direito sem evitar as poças de água, veste um casaco surrado, calças sujas de ganga, nos pés umas sapatilhas de ar miserável, os cabelos compridos estão molhados, barba hirsuta com cãs, é um homem que ainda não tem 50 anos, mas parece ter mais, há muito que perdeu o tino.
Percorre as ruas da cidade duas ou três vezes por dia, vasculhando os contentores do lixo, fala alto, os olhos estão vazios, a loucura instalou-se faz muito tempo, vive num casebre quase em ruínas, numa rua da cidade, vive na maior das misérias numa casa que nunca foi sua mas não conhece outra, está lá por esmola do senhorio que não precisa da casa, há bem mais de uma década que ali vive, sozinho.
Dias depois, num parque de estacionamento, lá está uma visita costumeira, é uma rapariga, idade indefinida, mas terá menos de 30 anos seguramente, tem um visível e acentuado atraso mental, anda por aí, vasculha os contentores do lixo, pede moedas.
Anda normalmente suja, tem piolhos, que cata encostada a um carro onde agora bate o Sol da tarde, um sol miudinho mas agradável, pertence a uma família desestruturada, sem regras de civilidade, cresceu assim e por aqui anda, com a sua loucura, abandonada, suja e mal cuidada.
Talvez nesta cidade onde habito existam outros casos semelhantes aos que descrevi, casos de gente a quem a razoabilidade abandonou, por algum motivo, não conheço outros porém, aos dois de que vos falei, conheço-os bem vejo-os quase todos os dias, são um perigo para a saúde pública mas são sobretudo um perigo para si próprios, revelando uma realidade muito simples mas atroz, a realidade da falência de uma sociedade que deixou de ter empatia para com os menos afortunados.
De que nos valem então as torrentes de “doutoras” e de “doutores” que enxameiam os serviços sociais, as comissões disto e daquilo que enchem os dias com os seus ares de superioridade e gastam a sua verborreia em intermináveis reuniões, de que nos valem os exércitos de “voluntários” cheios de boas intenções e de instituições que vivem do subsidiozito pago com os nossos impostos, do que nos vale isso tudo que não são capazes de ajudar dois pobres e miseráveis loucos.
Que raio de sociedade esta, que adora arrotar postas de pescada sobre tudo e mais alguma coisa, uma sociedade que vive à beira do tal “burnout”, que corre sempre cada vez mais, cheia de aparelhos, cheios de selfies e apps, não haverá uma app que sirva para nos fazer parar e criar empatia com o sofrimento?
Pois não deve haver, não pode haver, porque se existisse algo assim, poderíamos não ter os loucos a despejar caixotes, sós, abandonados pelas ruas, como se fossem mais um sub produto de uma sociedade demasiado ocupada para dar importância a quem não alinha pelo padrão d dita “normalidade”. Vale bem a pena as patranhas da modernice que nos enfiam pela goela, quando nem são capazes de tratar condignamente dois pobres loucos, quando não são capazes de cuidar de duas pessoas que tanto precisam de ser cuidadas.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, março 23, 2020

A nova cara do MUNDO

Esta última semana encadeia-se perfeitamente no meu artigo anterior sobre este país ser uma espécie de “Quinta Dimensão”. Esta última semana foi um extraordinário episódio real dessa mesma “Quinta Dimensão”, por não ser ficção o seu dramatismo é maior, a Morte é real, as lições a extrair desta situação não são meros ensaios retóricos ou ditos recheados de moral bolorenta, são lições apoiadas em factos reais que todos, ou quase todos, pudemos constatar em tempo real.
Esta pandemia viral mostrou-nos que um qualquer acto nos antípodas, tem uma consequência deste lado, mostrou-nos que este planeta é só um, que não temos para onde fugir, que ter dinheiro nada significa excepto adiar o inevitável, mostrou-nos quão frágil são as estruturas dos países, mesmo daqueles que se dizem desenvolvidos.
Esta pandemia, mostrou-nos, em lanços mais ou menos dramáticos repetidos até à exaustão no ópio moderno dos média, que todas aquelas patacoadas com que o ser humano se entretêm a fazer de conta, religiões, ideologias e divisões étnicas, são balelas, patranhas para entreter néscios, nada ficará como antes, pelo menos para uma parte considerável da população do Mundo, isto porque uma outra parte considerável composta essencialmente por gerbos sem cérebro, esses pobres indigentes intelectuais continuarão como até aqui a presumir, a levantar muros, a erguer bandeiras e ou a acender velas, prostrados de cu para o ar à espera de divindades patéticas.
Nada como um microscópico ser unicelular, sem cérebro, para nos fazer ter consciência daquilo que somos, meros animalejos que corroem o planeta, nada como um vírus, felizmente por enquanto pouco letal, para nos mostrar que o caminho tem de ser outro, nada como aquele pequeno ser para nos fazer descer da soberba e da arrogância com que andamos neste Mundo único, assim tenhamos todos enquanto espécie a decência de perceber o alcance daquilo porque estamos a passar e das imensas possibilidades de o mesmo se poder repetir, esperemos que sem grandes consequências, porque não tenho nenhuma dúvida de que se este vírus fosse realmente letal e particularmente virulento, a esta hora não estaria aqui ninguém!
É minha mais intima convicção, que os poderosos do Mundo vão, passando este ordálio, extrair conclusões, espero igualmente que os povos percebam o cada vez mais estreito labirinto em que nos encontramos e que a sua pressão junto desses seres poderosos os obrigue a reorientar a bússola singrando outro rumo, precisamos todos de desacelerar, de reaprender a viver.
Espero igualmente, que existe na sociedade a capacidade de auto análise sobre as atitudes que todos tomámos durante estes dias, do açambarcador sem vergonha, ao cretino plantado na esplanada como se nada fosse ou o grunho que atira as luvas usadas para o chão, se bem que eu saiba que metade da população é demasiado imbecil para perceber o alcance da sua cretinice. Acredito que se sobrevivermos a esta, o que nos irá matar, poderá começar com um vírus, uma bactéria ou uma qualquer maleita que inexoravelmente nos extermine, no entanto acredito que o que realmente nos matará é a estupidez colectiva, a falta de decência, a ausência de civismo e a falta de respeito pelos outros em suma a nós humanos o que nos irá matar será a falta de humanidade, por incrível que isso possa parecer.
P.S. Já agora quando isto passar, corram a gastar dinheiro em velas, a pagar dízimos e a rezar de cu para o ar, em templos de vão de escada com madraços embusteiros a que chamam pastores, mestres, gurus ou o que quer que seja, e chorem o dinheiro dos vossos impostos quando aplicado em bolsas de investigação para desenvolvimento da ciência, vão e paguem bilhetes para verem empurra bolas que ganham milhões, mas não se esqueçam dos investigadores, dos médicos, dos enfermeiros, dos cientistas, dos polícias, que ganham tostões!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

terça-feira, março 17, 2020

REALIDADES SURREAIS


Este nosso bom Portugal, parece um episódio de uma série que passava na RTP2 há uns bons anos, que se chamava “Twilight Zone” em português “Quinta Dimensão”, afirmo-o por causa das várias realidades, das várias dimensões, que se vivem, convivendo alegremente neste único plano tridimensional, Portugal, porque por incrível que pareça convivem por cá realidades diversas, por vezes conflituantes, tantas que são, que parece milagre que isto funcione como um país, tal é por vezes a distância que separa estas realidades de interesses divergentes.
Desenvolvamos então, desde logo, a realidade da diferença entre um Norte beato, por oposição a um Sul mais libertário e humanista, com as mitologias identitárias típicas desta dicotomia, o Norte é mais assim no Sul é menos assado e por adiante.
De seguida a realidade oposta entre uma faixa litoral povoada em demasia, versus, uma faixa interior literalmente desertificada, no que concerne à população, às instituições públicas e à autoridade do Estado, que estou em crer que no último terço deste país nem existe já.
Temos depois o país do povo, mas nem esse é homogéneo. Existe um povo, honesto, trabalhador, respeitador, civilizado e decente, cada vez menos, que luta em desespero contra uma cada vez maior turba de grunhos, de parasitas, de gentalha miserável, torpe, uma corja acéfala de biltres, de pulhas, que vivem do trabalho do povo honesto e trabalhador, realidades incompatíveis mas que forçosamente vão convivendo.
Aparece depois o país dos políticos, por oposição a quem tem de viver com 600 Euros ou menos por mês, o país dos gabinetes com ar condicionado, o país do dinheiro a rodos para despesas de representação e motorista, versus o país dos patetas desgraçados que a meio do mês já estão falidos, o país dos empresários que andam de topo gama de 100 mil Euros, mas que vivem a chorar cada Euro que pagam aos seus empregados, um país de poucos com anafados rendimentos por oposição a muitos que trabalham por migalhas.
O país dos mais novos, sem eira nem beira, perdidos em consumos, cheios de certezas e euforias por oposição aos mais velhos, perdidos sem esperança, agarrados a drogas medicamentosas que os mantêm vivos, alimentando a poderosa indústria das farmácias.
Portugal é pois uma grande amálgama de realidades, facto que acrescenta um maior tom de surrealismo ao modo como esta sociedade funciona, ou antes, adensa a perplexidade que se instala em perceber como é que este concreto disfuncionalismo se torna de facto funcional, sendo que parece que por “motu proprio” as engrenagens vão rodando no sentido certo mesmo apesar dos muitos entraves causados pelas burocracias e pelo faz de conta nacional que parecem desafiar a velha locução latina do “Ex nihilo nihil fit”, pois quando menos se espera em Portugal do mais profundo nada vem uma qualquer cretinice absurda que nos faz ficar de queixo caído e comentar “...isto só em Portugal...”.
Entretanto a propósito do vírus vira-se o povaréu para o demiurgo celeste, à espera do famigerado milagre de que tanto por cá se gosta e invoca, lindo será assistir de camarote ao que aí vai a propósito desta maleita manhosa, veremos se o surreal não ultrapassará novamente a realidade, nesta quinta dimensão que é Portugal!

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, março 02, 2020

Eutanásia, felizmente sim!


Recentemente a possibilidade de recorrer à Eutanásia foi aprovada, e muito bem, pelo parlamento, no entanto muita água correrá por debaixo daquela velha ponte romana, gasta pelo uso e verde de musgo, até esta possibilidade estar salvaguardada e ser uma realidade, no que será um bom avanço civilizacional, um passo importante para conferir dignidade a uma parte importante da Vida que é precisamente a Morte.
Nas semanas que antecederam o debate, assistimos ao habitual chorrilho da idiotia nacional. Atiram-se contra a Eutanásia todo o tipo de argumentos falaciosos, fantasistas e intelectualmente indigentes, entre as associações de ratos de sacristia sempre tão lestos a querer meter o nariz na vida dos outros à posição do retrógrado e esclerosado PCP, venha o Demo e escolha o que melhor lhe aprouver, sendo que, curiosamente ou se calhar não, interessante verificar a proximidade que une o CDS, o PCP e a religião.
Desde logo reclamou-se por um plebiscito referendário, socorrendo-se para tal da manobra típica de quem quer que tudo fique na mesmo, ou seja, as hostes da rataria de sacristia vociferaram a favor do tal referendo, enquadrados pela elite eclesiástica e pelo rebotalho politiqueiro medíocre de onde destaco as tristes e patetas figuras do senhor Silva e do senhor Coelho, não está porém ainda afastada essa insanidade, andam a recolher assinaturas para o dito referendo, sendo que os próprios proponentes declaram que o “Sim” venceria, daí se concluindo que um tal referendo seria um completo desperdício de milhões de Euros, além de redundante, isto apesar de eu saber que o corrupio nas sacristias seria imenso, com ambulâncias, carros de instituições e particulares a servirem para arregimentar a velharia acamada ou enfiada em lares manhosos, desde a avó surda que nem uma porta até aquela tia solteirona que já nem sabe que está viva, para irem todos de roldão a correr votar contra a Eutanásia, ninguém me contou, vi acontecer isso mesmo no referendo anterior sobre o tema.
Ora temos então essa possibilidade do referendo, temos também a possibilidade quase certa de Sua Excelência o senhor Presidente da República, conhecido rato de sacristia, vetar o diploma do Parlamento enviando o tal diploma para o tribunal Constitucional, até porque o senhor bastonário da Ordem dos Médicos, outro ratito paramentado, veio a terreiro botar faladura contra, bem como uma coisa chamada Comissão de Ética para as Ciências Médicas, só o nome assusta, assustando mais perceber que ali novamente domina a ratice de sacristia, que entendeu emitir um comunicado contra a Eutanásia valendo-se de argumentos absolutamente néscios, sendo que nenhum deles tinha que ver com Ética.
O grande problema é que ao contrário do que andam por aí a ventilar, isto da Eutanásia, não tem nada que ver com Ética, nem com Religião, nem com Moral, nem com Consciência, muito menos com Politica, a Eutanásia tem sim que ver com uma coisa simples que infelizmente anda tão arredada da nossa sociedade, a Eutanásia tem tudo eu ver com a Empatia, essa extraordinária capacidade de nos colocarmos no lugar do Outro, para perceber a sua dor, o seu sofrimento, a sua alegria ou a sua loucura, uma capacidade extraordinária para percebermos, respeitarmos e aceitarmos o Outro, parece quase não existir nesta infeliz sociedade egocêntrica, narcisista, psicopata e fascizante que temos, é natural que faltando essa Empatia, tão rara ela é, que um assunto importante como a Eutanásia cai no domínio do etéreo, do religioso e outras patranhas que o ser humano adora.
E quão importante é a empatia, foi ela que fez de nós humanos, que nos permitiu evoluir no sentido do respeito pelos outros, no respeito pelas liberdades, pelos direitos e pela paz, infelizmente neste dealbar de século, quer-me bem parecer que uma nova idade tenebrosa está aí a despontar, os sinais estão por todo o lado, desde a estupidificação colectiva à falta de respeito e valores de humanidade, não admira pois que a Eutanásia levante tantas questões, destes arautos do condicionamento da vida dos outros.
Entretanto veremos no que isto vai dar, se conseguiremos dar mais um passito lento na direcção da Luz ou se continuaremos na escuridão da sacristia agarrados à escuridão dogmática da infeliz indigência intelectual.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia