sexta-feira, setembro 18, 2026

Alegremente a caminho do Estado Falhado

 


Um Estado Falhado é numa definição simplista, um Estado soberano cuja autoridade central perdeu a capacidade e a legitimidade para exercer as funções básicas de governação sobre o seu território e a sua população, basicamente o Estado perde o controlo efectivo do território para grupos armados, milícias, cartéis de droga ou fações rebeldes, o Estado demonstra incapacidade de fazer cumprir a lei e de manter a ordem pública, resultando em elevados níveis de criminalidade e corrupção sistémica. Verifica-se uma falha total na oferta de saúde, educação, infraestruturas, fornecimento de água e energia, e proteção social à população. Observa-se um colapso económico com uma hiperinflação, uma desvalorização severa da moeda, encerramento de mercados formais e dependência do mercado negro ou de ajuda externa de emergência. Assistimos igualmente a uma uma deslocação massiva de populações com elevados fluxos de refugiados e deslocados internos devido à violência e à crise humanitária. Por norma a sequência de um Estado Falhado é a seguinte, primeiro um Estado Frágil, depois um Estado em Rutura e finalmente um Estado Falhado.

Portugal neste momento é um Estado Frágil, um terço do território está ao abandono, nos dois terços restantes o Estado Português tem demonstrado uma crescente incapacidade de fazer cumprir a lei e de manter a ordem pública, locais há e gentes há cujas especificidades culturais e étnicas os faz estar completamente nas tintas para o Estado, sendo aliás até, apesar das muitas e recorrentes bandalhices em que são useiros e vezeiros, protegidos pelo Estado, para grande espanto de alguns de nós, daqueles que trabalham e pagam isto tudo.

Felizmente ainda não temos uma falha total na oferta de Saúde, Justiça, Educação, infraestruturas, fornecimentos de água bem como de energia, e de proteção social à população, não temos, felizmente nenhuma falha total, mas temos muitas e cada vez mais graves falhas especialmente no que concerne à Saúde, Justiça mais à Educação, qualquer uma dessas instituições está presa por arames, como sói dizer-se, num estado de quase coma, a Saúde é o que se sabe, o pobre do SNS está moribundo porque os sucessivos governos de imbecis dos últimos quarenta anos tudo fizeram para que isso acontece-se, a Educação é uma absoluta miséria, e não falo dessa degradação por causa dos indicadores Pisa, que são uma treta, alumio o assunto porque é isso que facilmente se constata. Por fim, a Justiça, é uma anedota pegada, começa na barafunda dos tribunais completamente ineficazes, às dificuldades das polícias acabando no actual detentor da pasta ministerial.

Temos problemas económicos cada vez mais graves, uma economia paralela que rouba milhões ao erário público, ajudada essa fuga pela completa incapacidade do Estado de reaver e perseguir os prevaricadores, e pior, os últimos quarenta anos só nos deram, com uma ou outra excepções, incapazes, como governantes, estamos portanto no bom caminho para nos tornarmos um Estado completamente falhado. O tráfico de droga instalou-se em grande, sabedores das dificuldades das polícias os cartéis de traficantes usam Portugal como porta de entrada para a Europa, a corrupção, outra componente dos Estados falhados, é em Portugal uma instituição, basta olhar para os muitos casos, demasiados, dos que se conhecem claro está, casos de corrupção que envolvem o politiquedo, por último a protecção social, está pelas ruas da amargura, faltam lares, para receber os pobres idosos que vivem à míngua, faltam salas de cuidados continuados e cuidados paliativos, faltam CRIEs para que as crianças com problemas cognitivos

possam ter vidas dignas, esbanjam-se porém fortunas em observatórios e projectos de inclusão e integração, direccionados essencialmente para gentalha medíocre que não se inclui nem se integra.

Concluíndo, Portugal mostra alguns preocupantes sinais, só não os verá quem não o quiser ver, de ser um Estado Frágil no seu início, sem que nenhum governo corte a direit para recuperar dessa enfermidade, ao contrário, os governos dos últimos quarenta anos só continuaram a cavar mais fundo e a acicatar o galope para a meta de sermos um Estado Falhado, espero estar completamente enganado e assim continuamos alegremente a caminho do Estado Falhado.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia


sexta-feira, setembro 11, 2026

O Quadrilheiro

 

Fonte da imagem: https://sinapol.pt/historia-quadrilheiro/

 

 

Há muito, muito tempo, existiram os Quadrilheiros, eram uma espécie de polícias, há até quem diga que realmente são os percursores do que séculos depois seriam as forças públicas de segurança1, ao consultar antiquíssimos canhenhos tropecei nesta história de um desses Quadrilheiros, que hoje vou, para aqui, transcrever.

Reina, por aqueles dias, El Rei Dom João o Quarto de seu nome, pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar… Portugal recuperára a liberdade havia pouco tempo, a Restauração e consequente expulsão dos malvados castelhanos ainda dava brados e daria. Há época existia um afamado Quadrilheiro de nome Pimpão, que exercia o seu mester, a que estava por régia vontade obrigado, de forma algo requintada.

Corria o ando da Graça de nosso senhor de 1643, era dia de São Anastácio Pompeu, redentor dos anafados, Pimpão, percorria os caminhos redundantes da grande Praça onde por vezes se matavam toiros, eventual malta do PAN que leia isto, pá naqueles tempos era assim, dizia eu, Pimpão fazendo jus ao seu nome, mais parecia um pavão, andava por ali de peito inchado, com o chapéu de veludo preto ornado de plumas e fitas escarlates, na mão direita a vara, símbolo da sua autoridade, à cintura um chanfalho, espécie de espada curta, mais umas bugigangas, umas luvas de coiro, umas grilhetas e um pimeneiro para por na boca dos desbocados, debaixo do braço esquerdo um caderno forrado a couro, o tão temido caderno das coimas.

Ia quente a manhã, soprava um suão ligeiro, Pimpão rodava por ali, vara na mão, passo lento e estudado, peito cheio, botim ensebado a reluzir, pelas veredas iam e vinham carretas, carroças, seges, berlinas, landaus e diligências, era Sábado, dia de passeio, a malta andava doida por arranjar um sítio, entre as várias tabernas, botecos e estalagens de má fama e zurrapa, uma boa malga de feijoca com batata e pé de porco, era a loucura, os passeios herdados dos tempos dos avoengos romanos estavam pejados de carretas e carroças estacionadas em cima.

Alguns afoitos, com a mania da nobreza, revelando a displicência própria dos arrogantes, passavam sinais de proibição, que já os haviam garanto-vos, pisavam os traços contínuos que separam as vias, também existiam pintados a cal viva, é verdade acreditem, seges em excesso de velocidade atroavam os rodados de metal pelas pedras da calçada, até deitavam chispas, o que era um perigo naquele tempo de estio, se fosse hoje por causa dos incêndios ainda proibiam aquilo, pois que macadame e ou alcatrão ainda não existiam, era um regabofe típico de um Sábado ali pelas ruas que davam à real praça onde se matavam toiros, malta do PAN, temos pema é a História pá, Pimpão o Quadrilheiro a isto tudo era indiferente, ele andava ali de peito inchado, com apemas um designio, mostrar-se, como de costume, as únicas criaturas que invectivou, no meio daquela verdadeira orgia de crimes, prevaricações e contraordenações, foram uns pobres falcatos, os rejeitados da sociedade que por vezes pediam uma mealha, um tipo de pequena moeda de prata, daí advêm os termos “amealhar” e “mealheiro”, para guardarem o lugar para estacionar uma carreta ou landau, foi apenas a esses pobres diabos que o Pimpão resolveu fazer sentir o peso da sua botifarra, grande coragem, forte com os fracos fraco com os fortes, assim era Pimpão o Quadrilheiro Real, a manhã já ia longa, Pimpão sentiu um ronco, não trovejava, era antes a pança a pedir sustança, e pinga, Pimpão rodou os calcanhares e ala que se faz tarde, à procura do almoço que a barriga não tem culpa dos maus negócios da cabeça.


P.S. – A “estória” acima reproduzida, é só isso mesmo, uma “estória” fictícia de tempos idos, hoje duvido que um representante da autoridade do Estado, elemento das actuais polícias PSP e ou GNR, que hipoteticamente, andasse a patrulhar uma determinada zona, fechasse os olhos permitindo descarada e vergonhosamente o estacionamento abusivo de motos e carros em cima dos passeios, os excessos de velocidade e ou o desrespeito da sinalização rodoviária.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia


1https://sinapol.pt/historia-quadrilheiro/

sexta-feira, agosto 21, 2026

Assédio laboral. Uma experiência

Fonte da imagem:https://palestraparaprofessores.com.br/tag/assedio-moral-no-trabalho-como-provar/

 

 

Quero falar-vos hoje de uma triste realidade que é o assédio laboral, vou discorrer sobre essa temática, não de um ponto de vista meramente teórico mas depois de uma vivência na primeira pessoa, durante uns 5 anos fui vítima desse tipo de comportamento. Diz o enquadramento desse fenómeno, numa definição mais ou menos consensual que o assédio laboral pode ser definido como um conjunto de comportamentos indesejados, repetitivos e prolongados no tempo, que têm como objetivo ou efeito afectar a dignidade de um trabalhador, criando um ambiente hostil, humilhante, intimidativo ou ofensivo. Pode ser exercido por superiores hierárquicos, colegas de trabalho ou até por subordinados.

No meu caso, era um assédio vertical descente, que se verifica quando o superior hierárquico é o agente desse assédio, no caso o agente era o superior máximo, sendo que os dois restantes eram apenas alegres coniventes colaborantes.

Tudo começa com a minha recusa, devidamente fundamentada com base na legislação em vigor ao tempo, em cumprir uma tarefa imposta por esse “chefe”, exemplo maior de tiranete disfarçado de grande democrata que nem sequer se coíbe nem vergonha demonstra de, de quando em vez andar a enrolar-se com a bandeira nacional, conspurcando dessa forma o nobre estandarte, pois esse “democrata” de pacotilha é um tiranete, mal formado, bandalho e quase sem ética, aquilo que a vox populi, comummente apelida de “um bardamerda”.

- Ah mas se a recusa tinha uma base legal, como é que foste penalizado? – atiram vocês, ora meus caros, no caso deste tipo de “democratas” bandalhos, a legislação é um mero pro forma, porque a Lei que vigora é a do “posso, quero e mando”, logo, se o homem diz que é assim, é assim que se faz e não se discute mais, pois foi o que me sucedeu. Nos 5 anos anteriores, desempenhando funções de detentor de licenciatura que era condição essencial para essas funções, auferindo no entanto como indiferenciado, apesar de ter mais do que a formação académica necessária para ter um salário adequada às funções, solicitei, em duas ocasiões distintas, a mudança que reporia a justiça moral, fiz o pedido a esse mesmo tiranete bandalho, porém nem sem sequer uma resposta obtive da sua parte a qualquer dos pedidos, enquanto isso amigos e clientelas eram promovidos.

Num instante sou colocado numa arrecadação, uma secretária e um computador, trabalho zero, é isso mesmo meus caros, durante 5 anos praticamente não tive tarefas absolutamente nenhumas, por outras palavras não fiz peva, limitei-me a cumprir o horário e pouco mais, isto tudo com a conivência dos outros dois “chefes” intermédios.

Dizem os manuais destas coisas do assédio que entre outros conselhos, devemos; procurar reportar a situação aos Recursos Humanos, ao canal de denúncias da instituição e ou ao sindicato. Que devemos formalizar uma queixa, recorrendo às autoridades competentes, como a Autoridade para as Condições do Trabalho – ACT, para iniciar uma inspeção ou ação legal. Tudo treta, primeiro porque internamente toda a gente conhecia a minha situação, eu era aliás olhado como os leprosos eram olhados no antigamente, e ninguém fez nada, nem estava à espera que o fizessem, os colegas por exemplo, compreendo, os sabujos que estavam ligados ao “chefe” não se prenunciavam por estima canina ao dono, os outros, poucos, que não pertenciam à corte do tiranete bandalho, não se iam “queimar” porque todos temos contas para pagar, resultado estive sempre sozinho.

Resumindo, quando coisas destas acontecem, seja no sector público, seja no privado, onde até se resolvem melhor, a pessoa está basicamente só, e é assim só que vai enfrentando o problema, só com a família que é quem nos vai ajudando a superar o quotidiano, não vos digo que seja fácil, mas temos de nos superar, rendermos é dar a vitória ao inimigo, claudicar é ser vencido porque como diz o assisado ditado “ as árvores morrem de pé”.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia


Legislação

Código do Trabalho - CT - Artigo 29.º - https://diariodarepublica.pt/dr/legislacao-consolidada/lei/2009-34546475-108008978

Lei n.º 73/2017 - https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/lei/73-2017-108001409


Canais de denúncia e queixa

Autoridade para as Condições do Trabalho - https://portal.act.gov.pt/Pages/Home.aspx

Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego - https://cite.gov.pt/web/pt

Ministério Público - https://www.ministeriopublico.pt/

 

 

 

 

 

sexta-feira, agosto 14, 2026

De mijar a rir

 

Fonte da imagem: https://www.facebook.com/demijararir/

 

 

Portugal está transformado num país de cafres, se calhar sempre o foi eu é que nunca percebi, vivemos alegremente ensimesmados com a nossa mediocridade e permanente estado de mendicidade. Portugal está transformado num pardieiro de terceiro mundo, um quase cadáver subsídio dependente, viciado em dinheiros de fundos, que acho que sempre fomos, entre acampamentos, bairros, favelas e sanzalas, pejados de igrejas e mesquitas e outras trampas religiosas, entre tudo isso soçobra Portugal o país que ninguém quis, uma anedota de mijar a rir.

Os nossos emigram, piram-se, vão fazer filhos na estranja e por lá ficarão, nós à mingua de gentes importamos as sobras, é de mijar a rir, os politiqueiros miserandos arrotam pelas televisões gastas, prenhes de lixo, de poluição visual, debitando defesas do indefensável, atolados na sua pulhice de trafulhas, intelectualmente mendicantes, são a expressão mais marcante e acabada do estado desta sociedade podre e demente, é de mijar a rir.

Na Educação é o caos, e no que ainda resta está igual, a burrice asnal é o que mais se destaca, disparates que se acumulam, décadas de politiqueiros tabardilhas, até a coveira da Educação, a Lurdinhas, vai aos jornais, segura pela cátedra e pela grande experiência politiqueira, exalar dichotes, bardamerda a cátedra e mais as bocas, agora atiraram com a “digitalização” que deu para o torto, em mais uma infindável sucessão de broncas, o politiqueiro responsável tornou culpas a todos, aos alunos, aos pais que querem ir de férias, pasmem-se, aos professores sabotadores e por fim às escolas, só não tornou culpas à sua grande teimosia asinina, é de mijar a rir.

Pelas ruas é o que se vê, lixo, o inefável colchão conspurcado encostado a um contentor do lixo, e garrafas e latas de bebidas espalhadas pelo chão ou depositadas em cima de bancos de jardim ou dos parapeitos das janelas são hoje uma imagem de marca disto a que chamam Portugal, é de mijar a rir. Hordas de trotineteiros singram pelas ruas aos pares, em contramão, por cima dos passeios, é o regabofe total, entretanto o chefe mor politiqueiro está a banhos que a carteira está recheada, é de mijar a rir.

Reciclar é preciso, por isso volta que a gente perdoa, entretanto sai mais uma negociata, para entreter o zé poveco, enchendo os bolsos de uns artistas, mais uns, é de mijar a rir, há quem aplauda, que se regozije com a multiplicidade, há quem odeie a pluralidade, pessoalmente advogo a temperança e o equilíbrio, precisamente o oposto de tudo aquilo que acontece, nesta terra do regabofe, polícias nem vê-los, caçam apenas bêbados e pouco mais, o restante anda em autogestão, entre turistas baleados, em plena capital deste reino do disparate, ai a vaca sagrada do turismo, e os sórdidos vendilhões que vendem retalhos do país a galfarros endinheirados, que vão transformar Portugal numa espécie de reserva de ricalhaços, ficando para os indígenas apenas a famosa “praia do cagalhão” é de mijar a rir.

E assim distraídos, os mainatos que somos, andam entorpecidos pelo álcool, armados em finos a gastar dinheiro que não temos, presumindo, somos bons nisso, mesmo muito bons a fazer de conta, a fingir grandeza, temos um grande espírito de Ronaldo, mesmo quando a cueca está castanha de respos e a meia rota nos calcanhares, e com toda está distração um destes dias nem país teremos, mas não temam isso nem é bom nem é mau é a penas a dinâmica da História deste Mundo, afinal Roma também caiu.

Portugal é uma estúrdia, uma anedota, nós os actores principais desta comédia de trágicas consequências nem por isso damos, demasiado ocupados, não e esqueçam que o campeonato dos empurra bolas já começou e na televisão, entre novelas mexicanas, relatos de incêndios, guerras e contos de faca e alguidar, o Mundo, mesmo que seja apenas este nosso pequeno rincão, interessa pouco, é de mijar a rir.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

sexta-feira, julho 31, 2026

O abominável homem das Neves

Fonte da imagem:https://narodnatribuna.info/lists/s/yeti-story-adventures-of-the-abominable-snowman/
 

 

Era ainda madrugada, o radioso Sol só dali a umas boas duas horas despontaria, sentia-se o vento, frio, cortante, as rajadas perpassavam entre os montes e as serranias num continuo ulular, dava medo, a neblina era gelada e húmida, esperava-se porém um dia bonito, assim que o astro rei despontasse no horizonte, era sempre assim, as noites pavorosas e os dias excelentes, subindo ao monte do tanque, que afinal era uma piscina, mas que sempre que se quisesse voltava a ser um tanque, numa admirável manifestação milagreira, mirávamos em redor e a vista alcançava tudo, até se via o atrelado entregue ao amigo, cheio de tralha manhosa, estávamos afinal em Xangrilá, essa terra das maravilhas onde tudo é possível.

Entretanto toca o telefone, o abominável homem das Neves, acorda sobressaltado, boceja, espreguiça-se, enquanto a malvada maquineta debitava os pavorosos decibéis de uma musiqueta com um timbre metálico, firmemente empenhado em por cobro aquela cacofonia, o abominável homem das Neves, atende.

- Tá sim, fala Neves – ele abreviava o nome porque responder que era “o abominável homem das Neves” era um pouco para o comprido.

- Bom dia Neves – ouviu-se do outro lado da linha – fala Montebranco – ó Diabo era o Primeiro-monge, o Grão-vizir de Xangrilá, que quereria o homem a esta tão matinal hora, pensou o abominável homem das Neves.

-Ó Neves, pá, tou a ligar-te porque tens que ir esclarecer aquela trapalhada do tanque que parece que não é um tanque, mais o atrelado cheio de trampa perigosa, mais aquilo da declaração, ah e a empresa da dona Neves, pá fazemos assim, marcas uma conferência de imprensa, já temos o guião preparado, dás uma banho aos jornaleiros e tá feito…

- Mas ó PM, e se…

- Nada de hesitações, tá tudo preparado, levámos semanas a preparar esta porra toda, depois o Lama Huguinho vai à televisão por-te a mão por baixo, não te preocupes que eu não te deixo cair. Vais lá dizes umas tangas, compões o microfone pra ganhares tempo, pigarreiras, dás umas gargalhadas, mas lembra-te bem, não respondas a nenhuma pergunta que te façam, tergiversa, distrai a maralha, faz como te digo, ah e nada de improvisares, segue o guião pá!

- Assim farei grande PM – acrescentou o abominável homem das Neves.

- Muito bem, ah e fica atento ao telemóvel que posso ter de te mandar umas mensagens orientadoras, vai lá meu rapaz, eu acredito em ti, ah e não bebas nada que pode fazer-te mal – e desligou.

O abominável homem das Neves, ficou à nora, que raio de coisa havia de acontecer, mas pronto à hora marcada lá teria de estar, meter a cara de pau número um, tentar enganar a malta e pronto corações ao alto.

Acabada a conferência o abominável homem das Neves, foi descansar, estava contente consigo próprio, tinha feito uma muito boa figura, nisto lá toca novamente o telefone, era o PM novamente, não tinha descanso, que raio quereria o homem desta vez, já tinha falado com o Grande Líder do Mosteiro do Rato, com o Lama Lanzudo, também já falara com o Príncipe Regedor, que era o mais alto magistrado de Xangrilá, estava descansado, agora lá vinha o PM novamente, atendeu a medo.

- Tou sim, como vai o meu caro PM…

- Pá ó Neves, deixa-te lá de merdas – ouviu-se do outro lado, num tom irado – disse-te para seguires o guião e tu nada, resolveste armar em engraçado, foram só tiros nos pés, parecias o Arnaldo, - o ícone da selecção nacional de bilhar de bolso que é o grande desporto de Xangrilá, - pá ó Neves, foi só tiros nos pés pá, então vais dizer que desconhecias a Lei, logo tu que foste o chefe dos prebostes, ora porra pra ti pá, a partir de agora nem um pio, ficas calado, ouvistes bem – e desligou.

O coitado abominável homem das Neves, estava com os nervos em frangalhos, meteu umas cuecas, umas peúgas mais um calçonito, dentro de uma mochila e abalou, choramingante, para o monte, ia hibernar uns dias para lá, estava calor, bebia umas jolas, assava umas sardinhas e ficava de molho dentro do tanque que era uma piscina que afinal era um tanque e ao Demo isto tudo.

Todos os ministros ordináriamente são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e dicção pura, versejam em albúns de casas particulares, são perfeitos cavalheiros, e excelentes convivas, e adoráveis cortesãos. Mas não têm nem a ciência, nem o espírito, nem a dignidade, nem a elevação de carácter, nem a austeridade, nem o instito político, nem a experiência que faz o estadista. Excelentes num sarau literário, são nulos numa crise da pátria. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política superficial, política de expediente.

País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e patronato, por privilégio e influência de camarilha, é possível que possa conservar a sua independência?”1


Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia


P.S. – Ontem assistimos, quem quis e ou pode, a um degradante espectáculo, televisionado, um verdadeiro circo, prenhe de palhaçadas, anedotas e muita muita mediocridade, tanto do actor principal como dos que seguiram a comentar, a coisa em si é lana caprina, porque estamos habituados à governação de falcatos medíocres e trafulhas, o triste, o mesmo muito triste é ver o estado a que chegou este país, o estado a que chegou Portugal.


1Queirós, José Maria Eça, Da Colaboração no Distrito de Évora – I (1867), Lisboa; Livros do Brasil, 2000

sexta-feira, julho 17, 2026

A charca do Ti Neves

Fonte da imagem: https://sicnoticias.pt/pais/2026-07-14-video-tanque-ou-piscina--imagens-mostram-imovel-de-ministro-luis-neves-alvo-de-polemica-98000270
 

 

O actual elenco governamental, começando pelo “chefe” da pandilha governeira o senhor Montenegro, tem sido terreno fértil para broncas, burrices e barracadas, aliás, há muito que não me recordo de um governo tão prenhe de tabardilhas, de ineptos e de verdadeiros cromos difíceis.

Da ministra da Saúde, passando pela anterior ministra da Administração Interna, a avózinha assustada, incluindo o actual detentor da pasta o senhor Neves, mais o secretário de Estado senhor Dias acabando no Primeiro-ministro e mais alguns que me esqueço, há muito que não víamos um governo tão absolutamente incapaz.

Nada disto seria verdadeiramente preocupante acaso vislumbrássemos numa qualquer outra formação partidária alguma qualidade, infelizmente, olhando o variado espectro de falcatagem politiqueira, da extrema Esquerda ganzada à extrema Direita trauliteira, passando obviamente pelo Centro tradicional, o que se constata é uma atroz indigência intelectual que nos apavora, olhe-se o PS, olhe-se o PCP, olhe-se o BE e ou o Livre ou a IL já para não falar no Chega, é mau demais, é tudo demasiado mau, parece que estamos num daqueles filmes do Ed Wood.

Nisto, o Ti Neves, que por acaso passou de chefe bófia a ministro, tomado por um acesso de cândida bondade, resolve num monte em São Teotónio, município de Odemira, dar emprego a um amigalhaço empreiteiro que passava por dificuldades, empreiteiro esse que trabalhou para a PJ quando o Ti Neves era o “chefão”, passando o tal amigalhaço a construir um alojamento local nesse monte, detido por uma empresa registada em nome da esposa do Ti Neves, que ele por “lapso” se esqueceu de declarar quando ainda era o “judite” mor do Reino, onde é que nós já vimos este filme.

O Ti Neves, prevendo as agruras do estio do alentejano município contrata igualmente ao “amigalhaço” a construção de um tanque, leia-se piscina, que permita arrefecer as paixões campestres e temperar a quentura daquelas terras, perguntado porque não solicitou a devida licença camarária, o bom do Ti Neves disse que entedia que se calhar, notem bem, aquelas obras não carecem de pedido de licenciamento, estamos portanto no domínio do entendimento pessoal, fica muito bem a um ministro este elevado nível de interpretação da legalidade.

Entretanto, a Câmara de Odemira, fez constar em declaração oficial que está a verificar a legalidade das obras realizadas no monte do Ti Neves, pior, o município declarou ainda que “não está em curso qualquer processo de licenciamento ou comunicação de obras nos prédios referidos”, outra porra, além disso o tanque afinal parece que é uma piscina, se bem que a legislação que rege essas coisas é uma peça anedótica típica da legislação nacional.

E isto tudo é importante porque? Meus caros, fazendo uso de um chavão, “tudo é relativo”, claro, sou com isso forçado a concordar, no entanto, às gentes politiqueiras, bem como a todos nós, exige-se uma coisa que se chama Ética, exige-se-lhes correcção, urbanidade, muito respeito por quem os elege, e neste momento nada disso existe neste país, sem prejuízo claro está de no meio desta cáfila de falcatos até poderem existir alguns, infelizmente poucos, que são gente decente.

Portugal é uma cloaca, uma choldra, demonstra-o a esta longa sucessão de casos, de exemplos de gentalha miserável, um que falseia a licenciatura, outro que faz exames ao Domingo, outro que se esquece de pagar impostos, outro ainda que rouba malas, outro que tira 80 mil fotocopias, culminando nas trapaceirices do actual primeiro-ministro e da sua Spinumviva ou nas mais recentes trafulhices do Ti Neves mais a sua charca no monte.

Tudo isto num país medíocre, um país onde os que não querem trabalhar têm tudo e os que trabalham não têm nada e têm cada vez menos, um país que desbarata fortunas em madraços e bandalhos, deixando velhotes morrer à míngua, um país que não cuida dos seus e está sempre aberto a esbanjar com os de fora, esta salgalhada toda, é produto de 50 anos de escumalha politiqueira medíocre, de gentalha asquerosa, sem Ética, sem honestidade, sem decência que se banqueteia alarvemente com o erário público, a trapalhada da charca do Ti Neves é só mais um exemplo do triste estado deste Estado, que já não existe, Portugal não é um país, é um esgoto a céu aberto.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

sexta-feira, julho 10, 2026

Interessante país este


Fonte da IMAGEM: https://lisbongo.com/portugal-flag/

 

São 11.54h, é Terça-feira, dia seguinte à hecatombe futeboleira, que viu a selecção nacional eliminada pelos malfadados castelhanos, a manhã está ensolarada, mas fresca a vaga de calor já passou está agradável, os semblantes dos indígenas denotam azia, ainda não digeriram os infortúnios das futebolices, como se esses fossem os maiores dos seus males, alheios a isso tudo, ali no banco do jardim escudados do Sol sob o fresco remanso de uma magnólia florida estão 5 homens todos jovens, todos agarrados aos telemóveis, mais adiante passam mais 3 homens jovens, carregam sacos de plástico com mercearias, perto existe um minimercado que até a mim me dá muito jeito, na esplanada do café do outro lado da rua, 2 velhotes reformados conversam, numa mesa mais longe 4 rapazes daquela seita que está isenta de trabalhar bebem umas cervejolas, dessas 14 pessoas, sendo que 2 já trabalharam, dos restantes aparentemente ninguém trabalha, interessante país este.

São 12.30h, saio para almoçar, felizmente um percurso curto, sou um sortudo por ora, demoro 10 minutos de casa ao trabalho e vice versa, mas pelo caminho, vou vendo mais coisas curiosas, carros estacionados em cima dos passeios, gentalha de várias nacionalidades circulam em trotinetas e bicicletas igualmente pelos passeios como se nada fosse, pelo chão, em cima dos parapeitos das janelas, a cada canto, garrafas de cerveja vazias, latas disto e daquilo, junto à ilha de reciclagem já próximo de casa vemos uma javardice pegada, a cada passo, o chão atapetado de lixo, papeis, papelinhos e papeletes, escarros e vómitos, trampa de cão e o mais que se queira, de premeio não se vê um polícia, parece que não existe tal coisa por aqui, a cidade está em perfeito abandono, interessante país este.

O pessoal da limpeza bem dá ao chinelo, mas não consegue competir com tanto suíno, aos javardos lusitanos autóctones, juntaram-se as hordas das pífias sociedades do terceiro mundo, com os seus hábitos ainda mais relapsos, sejam eles oriundos da América do Sul, da Ásia ou de África, são porcos que dói, ser pobre não é ser porco, sou pobre remediado desde que nasci, e não sou porco como esta gentalha toda, sejam os de cá sejam esses todos muitos que aqui chegam, e vão lá dizer-lhes alguma coisa, ainda correm o risco de levar um sopapo, interessante país este.

Portugal, afoga-se tranquilamente em trampa, regredimos ao nosso anterior terceiro mundismo mas pior, estamos a ficar ainda mais terceiro mundistas, com toda esta gentalha sem regras, sem respeito, sem controlo, sem nada de bom que se lhes aponte, mas isto não é mau nem é bom é o que é, “percepções” diz a escumalha politiqueira que vive na redoma dourada, curioso que ao ver e ouvir, os discursos ocos e insalubres das várias personagens politiqueiras que dominam as ondas hertzianas, sejam eles da Direita revanchista à Esquerda trauliteira, soa tudo a delírio, parecem cenas daquele filme sobre a queda da cidade de Berlim em 1945, onde um Hitler maníaco e delirante lança mão de exércitos fictícios projectando ofensivas irreais e surreais, é a isso que soam os discursos, por exemplo, do senhor Montenegro, aquele bom rapaz, agente imobiliário, que faz de conta que é primeiro-ministro, soam a delírio, a falta de contacto com a realidade medíocre, veja-se a pateta realidade de um município com cerca de 200 mil pessoas estar à mingua de água num ano em que choveu a rodos, isto diz muito sobre a qualidade do politiqueiredo .

No entanto não desesperem meus caros, é Verão, aproveitem o calor, bebam umas cervejolas, arranjem umas churrascadas, convivam com família e amigos, não façam caso de um velho rabugento e patético como eu, continuem ao invés ligados aos livros de caras deste Mundo, aos xis e aos ipsilones, continuem a promover debates grunhos sobre tudo e sobre nada, onde prevalece a grunhice besunta, onde os burgessos semi analfabetos destilam ódios, ataquem os pretos, os amarelos e os azuis, batam nos ciganos, nos índios e ou nos marcianos, aproveitem enquanto este merda, leia-se Portugal, ainda vai durando, um dia esta gaiola de malucas vai implodir, e nesse dia esteja eu onde estiver vou fartar-me de rir.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia