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Correndo o risco de ganhar mais um bom número de inimigos, o que ao longo destas décadas que levo de escrevinhar não me têm faltado, não posso porém deixar de escrever sobre este verdadeiro ícone nacional, “o fato de treino domingueiro”. Eu sou do tempo em que ao Domingo se reservavam as melhores fatiotas, com o tempo bom, ou seja sem chover, saíam à rua, para passear, pouco mais havia para fazer porque eram curtos os cabedais, tal como hoje saísse para ver e para ser visto, havia a missa para quem era disso e pouco mais, mas pelo menos usávamos as melhores farpelas que tínhamos.
Hoje, não surpreendentemente, dado o avançado estado de labreguismo que assola este país, estamos na era do “vale tudo”, modas que reaparecem, o soquete branco, vulgo “pé de gesso” está de volta, desta vez usado com um chinelo de enfiar no dedo ou dos outros, os cortes de cabelo com enfeites como se fazia antigamente às mulas e aos burros, mais o muito apreciado fato de treino domingueiro.
Chegado o Domingo, é vê-los, sem distinção de classe, sim porque a labreguice é democrática, pela manhã, nas pastelarias e nos supermercados, trajando o tal fato de treino, sempre da marca da moda claro está, complementado com a bela sapatilha, agora diz-se «ténis» ainda não percebi porquê, alguns ainda usam um chapéu, daqueles iguais aos dos americanos, eles, com a pança proeminente dos cozidos, das sopas enfarta brutos e da pinga, sem sombra de se darem ao trabalho de qualquer tipo de exercício físico, ah e o toque final é o telemóvel xpto em cima da mesa por cima da carteira de cabedal mais o porta chaves da “máquina”, meus caros é de morrer a rir.
Depois elas, trajando mais ou menos o mesmo tipo de indumentária mas com dourados, apresentam-se com os seus fartos cus anafados, cheios de pampilhos e palmiers recheados, mais sumos detox, que escondem atrás do casaco do fato de treino enrolado na cintura com uma parte pendente que esconde os anafados glúteos. E é isto, mais uma vez de morrer a rir.
Não me queiram mal, aliás mal nenhum advém ao Mundo por causa do uso fato de treino domingueiro ou do chanato com pé de gesso, são apenas modas labregas, reveladoras da mediocridade geral da sociedade, no entanto essas modas são detalhes que nos mostram quão desleixada, quão medíocre e quão degrada está essa mesma sociedade.
Portanto meus caros, no próximo Domingo, lá estaremos numa pastelaria perto de si, para tomar o pequeno almoço, trajados a rigor com o nosso fato de treino domingueiro, quiçá com o saco do Expresso em cima da mesa, que fica sempre bem mostrar quão letrado e culto sou, enquanto a cara metade espanta o fastio enquanto espreita as coscuvilhices das redes sociais, depois é será Segunda-feira e outra semana seguirá. Não vejam este textozeco como uma crítica, não é de todo, é antes um sincdero e profundo agradecimento à turma do fato de treino domingueiro que me faz rir a bandeiras despregadas, a todos eles o meu muito obrigado por fazerem do Mundo um sítio mais divertido e por me propiciarem umas boas e valentes gargalhadas, rir faz muito bem à alma .
Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia