terça-feira, março 31, 2026

La Fiesta1

 


 

   

Este passado Domingo, houve toiros, o povo foi à praça garantir um pouco de “circensis” para as suas vidas, já que o “panem” está cada vez mais caro. Agradeçamos ao antigo romano Juvenal2, que vivo fosse teria seguramente estado por aqui no Domingo, regozijando-se por este estranho e bárbaro povaréu manter vivas algumas destas tradições da antiga Roma.

As corridas de toiros, evocam essa barbárie do circo romano, não me julguem contra as ditas, mas também não me julguem a favor, sou ribatejano é verdade, coisa que já não mais existe, esse Mundo feneceu há muito, no entanto, actualmente esse tipo de eventos diz-me pouco, o mundo dos toiros acho-o uma chatice, gosto dos rapazes da jaqueta e das suas façanhas, não aprecio nada toureio a pé e chateia-me o toureio a cavalo, dito isto, não estou aqui nem para condenar nem para endeusar a coisa, estou apenas para me divertir a escrever, deixo a luta dos radicais do contra, versus os radicais do a favor, para gente bem mais capaz do que eu.

As corridas de toiros, não se explicam, sentem-se, são uma coisa visceral e cultural, daí as extremadas posições que frequentemente causam. Pessoalmente tenho outra abordagem o que me interessa não é ver a corrida, aliás não entro numa praça para ver tal tipo de evento há décadas, o que me interessa é fauna.

Cá fora ia quente a tarde, faltavam ainda bem umas duas horas para as cinco da tarde, hora marcada para o início da tarde taurina, quando soarem os acordes que darão início às bodas de sangue que se lhe seguirão, encostei-me ao fundo do balcão do bar que costumo frequentar, um sítio bem catita, onde me sinto bem, local que frequento, com maior e ou menor frequência, talvez há mais de trinta anos, nestes dias de corrida, um grande balcão é colocado cá fora, para aproveitar os sequiosos aficionados.

Bem cedo se viam as senhoras e os senhores de almofada por debaixo do braço, para mais comodamente alaparem o traseiro no frio cimento das bancadas da praça, vou observando, a fauna taurina enxameia por ali, ganaderos, toreros e outros bonecos, aqui ao meu lado por exemplo está um bando de “bernardos marias e constanças”, aquilo a que na gíria se chama “agrobetos”, com um “dress code” a condizer, tratam-se todos por você, jogam todos ténis e assim, adoram cavalos e toiros, e festas na Golegã, cumprimentam-se apenas com um beijo, elas parecem todas sofrer de problemas de amígdalas dado que tem sempre vozes roucas, ou será do bagaço bebido às escondidas, não sei, mas é divertido – obrigado tio – ouve-se, - Francisca venha cá – atira a mamã agrobeta a uma fedelha agrobeta com ar irritante que se divertia a tentar desancar o poste de metal que segurava o chapéu de Sol, eles com ares mais de “agro labregos”, riem bebem gins e imperiais, ai que divertido os toiros, sempre se está com o povo.

Ali mais à frente, um grupo de rapaziada campónia, já de idade, botins de cabedal, boina na cabeça que quando não o inclemente disco solar queimar-lhes-á a careca, grandes partilhas, homens do antigo e desaparecido Ribatejo, bebem imperiais e trincam bifanas acabadas de fazer, asseguram o “panem” antes de irem ao “circenses”, e que boas são essas bifanas, vão por mim que de quando em vez as provo, se acaso calhar passem por lá e provem-nas.

Mais adiante um casal que regurgita “afición”, caminham quase pairando, chapéus à espanhola, ele com calça de cós subido ela de xaile e saia discreta justa, bem torneada a senhora, lá seguem, escondem-se atrás dos óculos escuros, na realidade abominam esta ralé mas este dia é especial, mais lá ao fundo, um grupo de rapaziada local, bebem com visível agrado, é do calor diz um, são aficionados, gostam dos toiros, mas gostam mais de cerveja, e do jantar bem regado que quase sempre fazem depois das corridas, esse é o verdadeiro fito.

Aos toiros vem mais para ser vistos do que para ver, elas mais eles, eles de peito inchado a caminhar lentamente outros coitados por causa da idade já só arrastam os pés, elas mais ou menos produzidas com mais ou menos maquilhagem, as corridas de toiros são uma, mais uma, feira de vaidades, olé, siga que o cornetim já sopra “às armas”, largam tudo, esvaziasse o grande balcão, bem como a maioria das mesas protegidas sob grandes chapéus que garantem a salvífica sombra redentora, hão de voltar, assim que o evento encerre, sequiosos, sedentos de mais “fiesta”.

Do lado de fora sentados nas mesas e encostados ao balcão, como eu, ficam poucos, uns não gostam daquilo, outros até odeiam mas não o confessam, outros ainda estão nas tintas gostam é de cerveja. Pessoalmente, o que mais gosto é de observar esta fauna, os agro betos labregos, mais os outros, os fanfarrões, os beberrões, as damas e os cavalheiros distintos mais os vagabundos, disputam-se olhares e atenções, mostram-se as roupas e as joias evocam-se viagens, cativam-se olhos com decotes arrojados e ou calças justas, escondem-se almas tristes sob a estúrdia de músicas sevilhanas e acordes de pasodobles, - olé, viva a festa - grita um já toldado pelos maus conselhos de Baco, esse igualmente malandro deus dos velhos romanos.

Que bela tarde de toiros eu tive sem sequer de lá sair, dessa arena regada a vermelho, sem sequer precisar de bilhete, fica-me barata a festa, divirto-me muito mais, rio-me a bandeiras despregadas, vou mais contente e descontraído quando o Sol começa a sair do firmamento, outro dia voltarei, para ver a fiesta.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia


1https://www.bertrand.pt/livro/fiesta-ernest-hemingway/15327886

2https://www.paxprofundis.org/livros/juvenal/juvenal.htm


sexta-feira, março 27, 2026

Um presente.

 


  

 

Uma tarde quente, daquelas em que quase não se sente sequer uma brisa, igualmente quente, bebíamos um café, contávamos umas patranhas, eu fumava um cigarro de enrolar, que preparo com uma maquineta que enrola cigarros, seguramente já viram um desse zingarelhos, nunca me ajeitei para enrolar cigarros à mão e hoje que já só tenho uma, ainda menos habilidade tenho, a minha maquineta está velha, é uma mera caixa de metal com uma fita dentro onde se deposita o tabaco, depois a mortalha já devidamente lambida, fecha-se a caixa e “voilá”, um cigarrito de enrolar.

O amigo que estava comigo, a certa altura, pergunta-me se queria uma dessas maquinetas, que tinha uma, como tinha deixado de fumar, por causa da maleita que o apoquentava, propunha-se a ofertar-me o artefacto, disse-lhe que sim, aceitava o presente com a maior das alegrias, e que se preciso fosse acaso alguma vez ele voltasse aos maus hábitos do fumo, coisa de que pessoalmente me deveria também abster, eu devolver-lhe-ia a dita, sorriu, com aquele grande e franco sorriso que o caracterizava, - eu nunca mais fumo pá – diz-me, soltei uma gargalhada, disse -lhe que bastava ultrapassar aquilo que ora o apoquentava, e daqui a uns tempos estaria em forma novamente, depois seria o costume, um gajo não fuma, mas vai ali a um petisco e acaba a fumar três ou quatro cigarros, interessa é no dia a seguir resistir e não cair em tentação.

- Não, está descansado que eu nunca mais fumo – diz o meu amigo. Voltei a rir-me, olhei para os seus olhos, tinham um brilho diferente do habitual, na altura não liguei a esse pormenor, entretanto, retira da bolsa a dita maquineta estendendo-a na minha direcção, - toma aqui está – diz-me, então andas com isso na bolsa e não fumas, ca grande cromo me saíste, deu-me uma desculpa esfarrapada, também não liguei a esse outro sinal, mas ele era assim, por vezes desconcertante, com um sentido de humor afinado e sarcástico, foi por causa desse tipo de humor que começámos a falar há trinta e muitos anos, era ele um puto, e eu também, acabado de chegar do estrangeiro, onde sempre vivera, onde tinha nascido, numa cultura completamente diferente, vendo-se num repente aqui no meio das planas charnecas da lezíria, sem amigos, pior, o seu domínio do português era titubeante, eu falava um pouco de inglês, devo então ter-lhe parecido um “anjo” caído de oportunidade, que lhe matava um pouco da saudade desse estrangeiro longínquo.

Passaram-se os anos, continuamos amigos, continuamos a falar inglês um com o outro, mais por brincadeira, quando o meu filho nasceu, momento de alegria esfuziante, ele estava lá, foi ele que me aturou o enorme pifo que apanhei nesse dia, esse meu grande amigo, de grande coração e maior bondade.

Nessa tarde quente despedimo-nos, eu tinha de ir trabalhar, as férias de Verão, estavam quase ao virar da esquina, disse-me que ia até Espanha com a família, e foi, ainda a conduzir o seu carro que adorava e do qual cuidava com esmero, era um gajo com uma coragem tremenda, não uma coragem física antes uma coragem moral inabalável como até hoje poucas vezes constatei, não o vi mais, vivo, o seu estado era mais grave do que me fez crer, faleceu.

Aquela maquineta, fora o seu presente de despedida, eu, mais asno que uma bota da tropa velha, não percebera o simbolismo daquele pequeno gesto, o meu amigo, o meu grande e bom amigo, o meu grande e corajoso amigo, despedira-se de mim, sem que eu, asno, tivesse percebido, disse-me adeus com aquele seu grande e luminoso sorriso, este texto é um pouco fazer e encerrar esse luto pela sua morte, nunca a vou usar, aquela maquineta, está guardada, é uma memória, as memórias são para desfrutar, as boas mais que as más, aquela máquina é uma memória, daquele sorriso imenso, adeus amigo, obrigado por teres feito parte da minha vida, um grande abraço.


Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

terça-feira, março 17, 2026

O regresso

 

Fonte da imagem:https://eu.usatoday.com/story/news/world/2025/06/22/inside-attack-iran-nuclear-facilities/84306234007/

 

  

Caros amigos, peço desculpa por ter estado ausente aqui deste espaço, mas como mudei de funções, tive de me concentrar nas novas exigências, continuo um pouco “à nora” como sói dizer-se, mas felizmente e com zelo a coisa vai. Desculpas apresentadas vamos lá ao que interessa.

Ano novo, guerra nova. Cantavam, em 1969, os Temptations1 “War, h'uh Yeah! What is it good for?Absolutely nothing”, uma canção com várias versões incluindo a de Bruce Sprinsgteen, escrita em 1969 para a lendária Motown de Berry Gordy.

Nada como uma guerra para dar um impulso ao Mundo, o senhor Trump sabe-lo bem e vai daí que desata a bombardear a escumalha islamita iraniana, e faz muito bem digo eu, que até não gosto de Trump, mas gosto muito menos daquela gentalha dos ayatollahs mais do rebotalho que os sustenta, gentalha manhosa e assassina que há mais de 40 anos patrocina o terrorismo islâmico mundial, para além de assassinarem o seu próprio povo, recordam-se da sentença de morte que essa infeliz gentalha lançou sobre Salman Rushdie.

Por isso lamberem umas bombas agora é apenas a retribuição desses 40 anos, critica-se porém o timming da coisa, mas já sabemos que o senhor Trump é um rapaz pouco ortodoxo, para ser simpático, assim de uma assentada o bom do senhor Trump, abre a famosa caixa dos males do Mundo, malvada Pandora, ao caos europeu causado pela criminosa guerra da Ucrânia patrocinada pelos nazis comunistas de Putin, mais da sua trupe de seguidores, o senhor Trump achou por bem, claro que pressionado pelos sauditas mais os israelitas, criar mais uma distração e arruinar ainda mais um Mundo já podre.

Graças a esta grande quantidade de ineptos intelectuais que ora dominam o Mundo, aliás quase que apostava que daqui a umas centenas de anos se isto a que chamamos planeta ainda existir vão chamar a este século o Século dos Imbecis, tal é a quantidade e qualidade dessa súcia, olha-se para a esquerda ou olhe-se para a direita, é de arrebentar a rir, pouco mais podemos fazer, a corja de tabardilhas, brigalhoiços, falcatagem e sucatagem que domina os lugares de poder pelos esconsos antros de Poder dos 5 continentes.

A ver vamos, no que tudo isto vai desembocar, não esperem porém grandes mudanças e nem coisas boas, a não ser que venha uma grande epidemia que leva uns conservadores 90% da Humanidade, o actual estado deste Terra tem tudo para correr mesmo muito mal.

Entretanto por cá, tomou posse o novo Presidente da República, despedimo-nos do senhor Marcelo, e damos as boas vindas ao senhor Seguro, auguram-se tempos mais sossegados no que tocam às selfies mais aos afectos, o agente imobiliário que faz de conta que é primeiro-ministro vai ter o homem Presidencial à perna, sabem que até começo a ter algum dó do senhor Montenegro, dado que sobre ele anda a pairar o miserável espectro do medíocre Coelho, de braço dado com a múmia do gasolinas de Boliqueime, o bom do Coelho tem vinda aos jornais arrotar postas de pescada, cuidado Montenegro que o companheiro anda a ver se te faz a folha. E assim meus caros segue o mundinho, vão os caros amigos apertando os cordões à bolsa que isto vai ficar ainda mais complicado, entretanto vamos ver o que poderemos bombardear de seguida.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia