Há
já vários anos que não restam em mim quaisquer dúvidas sobre o facto de
Portugal ser uma anedota, ainda por cima daquelas sem grande piada, apesar de
muitas vezes enchermos o papo a rir com o absurdo daquilo eu acontece num
suposto país europeu Estado de Direito democrático, blá...blá...blá... onde a
prática desmente e desmonta diariamente os conceitos.
Para
provar o meu ponto de vista, vou contar-vos duas situações, que provam para lá
de qualquer dúvida que Portugal é uma anedota. A primeira prende-se com o
amianto, conhecida substância com efeitos perniciosos que foi durante anos
utilizada, e que muitas vezes de forma mais ou menos camuflada continua por aí,
a sua utilização foi proibida pelo Decreto-Lei nº 101/2005, de 23 de Junho, no
entanto a legislação para a remoção de amianto em edifícios, instalações e
equipamentos públicos a Lei n.º 2/2011 de 9 de Fevereiro só apareceu seis anos
depois, ou seja os brilhantes deputados e governantes desta nação demoraram
seis anos a fazer alguma coisa, daí dizer que a produtividade em Portugal anda
mais por baixo que barriga de crocodilo, chegados aqui, percebemos que vamos
chegar a 2020, ou seja 15 longos anos depois do amianto ter sido proibido, com
centenas e centenas de escolas e edifícios públicos onde ainda se espera que
retirem o amianto.
A
segunda situação é igualmente do domínio da anedota, vejamos então, utilizarei
até o meu exemplo para mostrar quão anedótico é este alegado país. Imaginem que
aqui neste gabinete onde exerço funções, entra uma senhora que me pergunta por
emprego aqui na terra, olho para o listagem e respondo que não há. Incomodada a
senhora vai reportar o incómodo a uma outra funcionária que reporta à sua
superior que liga de imediato ao meu superior, pronto lá estou eu com um
processo disciplinar. As funções que exerço são meramente burocráticas,
inventadas para justificar os lugares de nomeação política das hierarquias dos
ministérios e dos institutos ou seja, apesar de exigirem que eu seja detentor
de uma licenciatura, pagam-me como auxiliar de limpeza para fazer um trabalheco
de caca, que ainda assim é altamente escrutinado como se desta palhaçada
burocrática depende-se a vida de alguém.
Mas,
se por outro lado eu fosse licenciado em Medicina, abri-se aqui nesta mesma
marquise infecta uma clínica para fazer ultrassonografias médicas, vulgarmente
conhecidas por ecografias e de seguida fosse fazer um curso de 35 horas em
método elearning sobre ultrassonografia, para depois desse fantástico e
aturadissímo curso, já com o certificado de conclusão do mesmo iria celebrar um
contrato com o Ministério da Saúde, para receber um valor por cada ecografia
que fizesse.
Mesmo
que não percebesse patavina daquilo, mesmo que não visse bebés sem nariz, sem
queixo, com tudo o tipo de malformações, não estaria preocupado porque em
primeiro não existe uma verdadeira fiscalização à actividade desses antros, em segundo
porque mesmo que os lesados se queixem a essa coisa chamada Ordem dos Médicos,
os conselhos disciplinares dessa instituição funcionam com membros voluntários
que de borla e quando dá jeito se reunem para julgar as queixas sobre os seus
pares, daí resultando que milhares de queixas sobre atropelos, homicidios e
demais desmandos dos senhores doutores estejam ainda aprazados para apreciação,
lá para as Calendas, presumo eu.
Vejam
então proporcionalidade que existe entre a fiscalização e escrutínio que se faz
a um pobre manga-de-alpaca como eu encerrado numa marquise manhosa a preencher
papelada inútil e um médico que estraga vidas. Atentem bem nas situações que
descrevi tanto do amianto como esta última e digam-me lá se Portugal é ou não é
uma grande anedota, uma triste piada de mau gosto, de muito mau gosto.
P.S.
– Segundo informação que chegou aos orgãos da comunicação social, a clínica
onde foram efectuadas as ecografias ao bebé que nasceu sem rosto, não tem
contrato de associação, mas aceita as credeniais do Serviço nacional de Saúde,
o que significa que as ecografias são feitas de borla, ou haverá aí o indício
de mais uma trafulhice medica, não sabemos porque ao contrário do que acontece
no meu caso, aos senhores doutores ninguém parece fiscalizar.
Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia
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