segunda-feira, outubro 20, 2008

Papa Misto

Perdoem-me o título eivado de brejeirice a roçar o mau gosto, mas porra, também tenho direito a ter uns momentos de leviandade de quando em vez. Bento XVI, vocês conhecem é aquele velhote bonacheirão, um pândego levado da breca, que volta e meia nos surpreende com umas anedotas, a última foi a de voltar a condenar o uso do preservativo, copiando o seu antecessor, além disso encomendou um estudo para verificar a utilidade profiláctica do dito zingarelho no combate contra o HIV/Sida e como eficaz meio de controlar o descontrolo demográfico a que o mundo assiste.
O Bentinho, como carinhosamente lhe vou chamar, reforçou mais uma vez que é contra os contraceptivos, eu não, tenho pena é que não fossem de uso obrigatório na localidade de Marktl am Inn, na Baviera, nos idos de 1927, pois agora eu estaria a escrever sobre outra qualquer coisa igualmente cretina. O Bentinho lá palavreou, sobre a abstinência, a monogamia, a fidelidade e tal, que são efectivamente conceitos lindos, mas que exceptuando o segundo em raras espécies, são coisas completamente contra natura, por exemplo ao contrário da homosexualidade que se encontra transversalmente espalhada por quase todas as espécies da Criação, será que o Grande Arquitecto era boiola? - Perguntava um amigo brazuca, daqueles de sotaque nordestino cerrado enquanto discutiamos isto a beber umas fresquinhas, num dia de estio dos diabos.
Mas continuando, acho realmente muita piada ao Bentinho e à sua comitiva de ratos de sacristia, a esse propósito deixem que vos conte um episódio que ilustra bem esta coisa da hipocrisia.
Há uns anitos, visitava, a convite de um compincha, uma terreola, ali da Beira, tinhamos partido três de Lisboa, para ir visitar a terra do “Pingalim”, que era a alcunha do meu amigo, lá fomos, depois de um lauto e reparador jantar, o pai do meu colega atira com esta. - Quereis ir inté à discoteca, buber um copo? - Oh Atóino, deixe lá os rapazes, que devem estar cansados, ide mas é à deita!-Repicou a esposa, avisada de certeza pela sabedoria dos anos a aturar o senhor António, mas nós putos traquinas, recém promovidos ao oficialato, cheios de sangue na guelra queriamos era folguedo e anuimos, no entanto estranhei a conversa e perguntei; ir à discoteca? Mas esta terra tem uma discoteca? - Num tem uma tem três! - Respondera o senhor António.
Lá fomos, aos trambolhões, num carripano velho, por entre fraguedos e giestas, no meio de um pinhal lá estava a tal “discoteca” que mais não era que uma casa de meninas, claro que entramos, bebemos umas cervejolas, a 200 paus cada uma, na altura era uma fortuna cá fora uma cerveja custava 20 paus, o senhor António ainda dançou com uma piquena, já entradota, mas toda bem disposta e a seguir fomos deitar.
Ao outro dia alçamos cedo das mantas, era dia de festarola na terreola, toda a gente recebeu convite para ir ver a procissão, sim porque não há festa sem procissão, postado junto a um poste fumava um cigarrito, ao cimo da ladeirita assumava o andor, levado pelos mocetões mais capazes da terra, a dois passos de mim um grupo de velhas engelhadas olhava-me de soslaio. - Apaga o cigarro, que é falta de respeito pra com a santinha! - Atira-me o Pingalim, porra nem o dianho da pirisca pude saborear até ao fim por causa da porra da santa, que diabo o fumo nem lhe fazia mal, era de barro, enfim coisas de ateu, de incréu condenado às eternas chamas do Demo.
Passa a fanfarra de uma terreola vizinha, gostei particularmente das mini-saias das moçoilas da banda, um mimo, a música era ao estilo”paralelos do ritmo”, tocam todos juntos mas cada um a sua, nunca se encontrando, eis que tenho uma revelação, é verdade, confesso, vi a luz, era a porra do Sol a dar-me nos olhos que até deixei de ver, óculos escuros na fuça, rodei à esquerda e lá vinha o andor, curioso, reconheci dois compinchas locais que me haviam sido apresentados na noite anterior, assíduos frequentadores da tal “discoteca”, intimos conhecedores dos mais infímos detalhes físicos das moçoilas que lá estavam bem como da sua proficiência em determinada habilidade sexual, agora alí iam os dois vestidos de renda a segurar o andor como meninos de coro, claro que se notava ainda o efeito, do espumante rasca, pago a preço de champanhe franciú que haviam emborcado na noite anterior.
Acenei-lhes, um fingiu que eu era invisível o outro esboçou um meio sorriso e lá seguiram, passaram uns anjos e outras assombrações, quando impecavelmente trajado com uma opa decorada a preceito e carregando uma cruz com a figura do Redentor, vinha mais vermelho que um tomate, com a bigodaça a jorrar suor e restos da beberragem da noite anterior, mais um compincha da noite anterior. - Oh Pingalim, eu tive a falar com aquele ontem, o gajo tava com uma cardosa! - Xiu, cala-te que é o senhor Presidente da Junta. - Rosnou irado o Pingalim, contra o meu gesto de indiscrição.
Afinal os frequentadores das sacristias, despidas as opas e paramentos, tinham por baixo homens e mulheres, iguais aos outros, excepto numa coisa, eram muito mais hipócritas!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

4 comentários:

Pata Negra disse...

Vim ver de onde vinhas. Há por aqui matéria com forma para futuros entendimentos - sem papas no meio.

Um abraço entre nobres

Abril disse...

Meu caro ,não é necessário ir para a Beira,á terra que "pariu" o Pingalim,para assistir a esse "espectáculo"...Eu bem perto da terra do "Catrana",já fui dar com um acólito do Bentinho,caído no meio de dois depósitos de uma adega e muitas...pessoas á espera que o gajo fosse fazer o báptizado.Somos todos filhos do "Mesmo"ou não?

Anónimo disse...

Bravo, Barão. Estupendo texto.
Obrigada pelas gargalhadas.

Anónimo disse...

Grande Barão
Na verdade um GRANDE compincha.
Santos de casa não fazem MILAGRES.

touaqui42