terça-feira, julho 29, 2008

Acordo do meu desacordo

Escrever certo por linhas tortas é apanágio do supremo ser, ao que dizem todo-poderoso, mas escrever errado por linhas direitas vai ser doravante apanágio desta cloaca a que chamamos país. Ainda estive esperançado que sua Excelência o Presidente da República demonstrasse alguma réstia de bom senso e vetasse a malfada e estuporada coisa, mas não, ao invés saiu um cinzento e lacónico “promulgue-se”.
Está assim concluída mais uma etapa no assassinato da nossa identidade cultural, etapa feita a pedido e para gáudio e contentamento de umas elites rançosas e outros bárbaros, únicos detentores da sabichona alegoria do intelectual verbo escorreito, guardiães de toda a língua, a sorte é que a nossa é uma língua viva e bem viva que evolui por si, note-se que evoluir não significa ficar melhor, mas andando.
Precisava assim tanto a nossa língua de um acordo? Não! A nossa língua com a sua diversidade continental precisava em antes e principalmente de políticas concretas de divulgação, de leitorados em países de referência, leitorados assentes em bases concretas de divulgação e apoio a todos os que querem descobrir a nossa língua, e o Acordo Ortográfico servirá para quê? Nada! O Português continuará como até aqui a evoluir, seguindo o curso dos países falantes, alias como até aqui, este acordo não trás nada, nada, nada é alias um grande e imenso nada que serviu somente para melhorar o ego magoado de um certo colonialismo ao contrário, vindo do lado de lá do Atlântico, ao qual a subserviência miserável do governo português deu asas.
Então se o Acordo é assim tão inócuo é indiferente que seja aprovado! Claro, porque quem tiver um dedo de bom senso, mandará às malvas esta idiotice e continuará a escrever como até aqui, tristes serão as gerações que crescerão com a imposição desta imbecilidade e que serão contaminadas com a pura palhaçada a que se resume este acordo. Alias a sacrossanta nulidade que se chama CPLP, que para nada serve, serviu de capítulo aos papa esmolas que lhe entopem os corredores, este passeio de vaidades o mais perfeito exemplo do nada fazer para parecer que se trabalha, dizia eu que a pomposa cimeira dessa coisa torpe e inenarrável que se chama CPLP, serviu para ratificar o acordo ortográfico, impondo assim a vontade de dois países aos outros.
Ora meus senhores para terminar e em bom português aqui da minha terra, quero que vocês e os vossos acordos estúpidos vão para o raio que vos parta esse é um facto, não um fato que isso é coisa de vestir, indesmentível. Neste blogue continuar-se-á a escrever sem acordo, em desacordo e contra o acordo, em especial contra este acordo, porquê, pura e simplesmente porque não faz sentido nenhum!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

2 comentários:

nuvem disse...

Mais uma vez, de acordo contigo.
Excelente crítica.

Beijo

José disse...

de passagem, não resisto a comentar que a lingua é viva, pelo que terá necessariamente de sofrer mutações.
Senão ainda estariamos a escrever pharmacia..
Agora que não concorodo com o fato, de dormir, em vez de facto, isso é óbvio.
Bom blogue