segunda-feira, março 31, 2008

E=mc²

Nós cá na terra somos assim! O Einstein deve ter criado a teoria para nos satisfazer o ego, dado que nós portugueses somos uns grandes relativistas, tudo neste pardieiro é relativo, relativizamos tudo, claro está desde que não nos aconteça a nós, aí é um ai Jesus pegado, de baba ranho e choradeiras, com as carpideiras de serviço a vir ao terreiro botar faladura e vomitar impropérios atirar propostas de sevícias, do simples esquartejamento à mais requintada crucificação, somos assim uns pobres tristes relativistas.

Esta questão da violência nas escolas, é algo que não é de agora, mas que se tem agravado, e muito, com o passar da ampulheta do tempo ainda que saibamos quão remansosa é a sua passagem no que toca a assuntos que deveriam merecer atenções sérias. Este é um daqueles assuntos que mereciam mais cuidado e ponderação, no entanto os nossos sempre atentos responsáveis políticos, relativizam a coisa e centram a discussão no baixo número de queixas, o que é uma grande falácia, porque neste como noutros casos, as pessoas não se queixam em Portugal, porque têm medo, porque as autoridades não defendem ninguém, porque o estado não têm autoridade nenhuma, e a réstia que lhe sobra serve só para as cerimónias dos corta fitas de serviço e pouco mais, porque verdade verdadinha se uma pessoa honesta e diligente tiver um qualquer desacato com um dos milhares de energúmenos que andam por aí só tem duas soluções, engole e finge que nada se passou ou pega numa fusca e rebenta o coiro ao meliante, confesso já, que sou adepto da segunda.

Uma outra questão, relativa. Claro está! Como querem vocês que os fedelhos birrentos e malcriados das escolas sejam modelos de cultura e sapiência, se os exemplos que lhes são mostrados incutidos e reverenciados são na maioria dos casos da mais absoluta pobreza intelectual e degradação de costumes e moral, senão vejamos, cromos da bola putanheiros, regiamente bem pagos, politiqueiros aldrabões e ladrões que por mais que roubem nunca são presos, pais e mães engolidores de telenoveluchas rasca e revistecas cor-de-rosa sobre o bordel da alta e baixa sociedade. Televisões para mentecaptos e que só formam mentecaptos onde as horas de telelixo são o triplo de programas com interesse e conteúdos.

Transversalmente a nossa sociedade é pobre e podre, alias até a coisa anda tão mal que quando se topa com um caso de bom samaritano isso significa logo direito a televisão em horário nobre com vários ângulos de câmara e musiqueta lamechas em fundo, pois, é tão raro que a malta até desconfia, quando deveria ser o oposto.

Ora com tantos e tão fantásticos exemplos de imbecilidade conjuntural, como podemos nós almejar crianças, inteligentes, bem comportadas e fortes, quando só lhes damos exemplos tristes e miseráveis, como podemos querer formar gerações com valores edificantes quando nós preferimos a corrupção o compadrio o amiguismo, o embuste e a farsa, como podemos desejar uma coisa e fazer o seu contrário, como explicar que trinta anos de campanhas cívicas, não tenham dado resultado nenhum, trinta anos de programas de inserção não sirvam para inserir ninguém, como explicar que como sociedade somos uns falhados!

Mas claro que isto é tudo relativo, porque eu como sou um bêbado estou a ver o copo meio vazio, e os iluminados vão de certeza ver o copo meio cheio, talvez, eu seja pessimista, talvez seja isso verdade, no entanto não auguro futuro nenhum brilhante a esta terra, enquanto não for reposta a legalidade e a moralização da política e da sociedade em geral, enquanto não acabar este verdadeiro culto da impunidade que se vive neste país.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

5 comentários:

Anónimo disse...

Se repararmos na Natureza, nas comunidades de animais há sempre indivíduos que procuram tornar-se líderes dentro dessas comunidades e para atingir um estatuto superior testam os seus iguais e confrontam-se com eles para imporem a sua autoridade e atingirem a posição de líderes; alguns não chegam ao topo, ficam em posições abaixo: 2.º, 3.º lugar etc. estabelece-se enfim uma hierarquia que é respeitada por toda a comunidade até que apareça um novo líder: normalmente um elemento mais jovem e robusto que consegue destronar o líder anterior.
Nos seres humanos passa-se exactamente o mesmo e tal é observado nos empregos, nos clubes, nos partidos políticos, nas escolas e até em nossas casas. Até de entre os que seriam em princípio iguais se estabelece uma relação hierárquica. O poder e a liderança ganham-se suplantando os iguais e os concorrentes, mas também é preciso exibir essa qualidade aos restantes membros do grupo para que o líder seja por eles reconhecido e respeitado. Então, como chefe poderá beneficiar de privilégios vários que me escuso de enumerar.

A delinquência e violência mais graves que se observam nas escolas são precisamente o processo de luta para atingir, exibir e ganhar um estatuto superior na escala da liderança sobre colegas, professores e funcionários e, uma vez conseguida essa posição há que mantê-la, demonstrando o facto constantemente porque há sempre um aspirante a líder à espreita.

Assim, quem defende que a escola deve funcionar como uma “democracia” está completamente enganado:
1.º) A escola nunca poderá ser uma democracia porque os alunos candidatos a líderes vão por à prova os seus professores, funcionários e próprios colegas, para tentar dominá-los e exibir a sua liderança. Isso não pode acontecer: a autoridade do professor nunca pode ser ultrapassada pelo aluno. Em muitos casos isso já aconteceu e eis aí porque uma turma respeita um professor e não outro. Os professores com uma personalidade mais frágil são facilmente dominados e muitos acabaram por abandonar a profissão;
2.º) As verdadeiras democracias também não existem, nem entre nem dentro dos próprios partidos. O que existe é muita luta entre partidos pela liderança do país e muita luta pela liderança dos partidos dentro deles, novos líderes estão sempre à espreita. Isto não tem nada de estranho e passa-se em qualquer outro lugar em que haja o exercício do poder. Para se chegar ao topo há que ultrapassar muitas barreiras e os adversários ficarão sempre à espreita para depor o líder logo que seja oportuno.

Os nossos filhos começam desde muita tenra idade a testar os pais e os possíveis irmãos para verem de que forma conseguem obter aquilo que desejam: choram, berram, batem o pé, chegam a bater-nos: começam com um sacudir de mão, depois dão uma “palmadinha” e se não os pararmos em breve crescerá a sua ousadia. Os pais sabem-no bem!

Zé da Burra o Alentejano

António Lisboa Gonçalves disse...

"engole e finge que nada se passou ou pega numa fusca e rebenta o coiro ao meliante, confesso já, que sou adepto da segunda"

Eu igualmente!!! Claro que depois devo ir a julgamento, como um criminoso qualquer, mas que levam chumbo, isso levam.

Cumprimentos

padeiradealjubarrota disse...

Verdade.

deep disse...

Não posso estar mas de acordo!

Ontem, contava-me uma amiga, que é professora, que fez queixa de um aluno por este a ter ameaçado. A escola, por sua vez, comunicou a situação à "Escola Segura". Apesar de tudo, a minha amiga dizia-me que sente medo. Eu também teria.

É o país que temos. :(

Rosario Andrade disse...

Uma pouca vergonha!!!!Mais nada!!!!!

Beijicos!