quinta-feira, setembro 06, 2007

Onde pára o Estado

Vivemos tempos de mudança, escuso aos vossos cristalinos o fastio de um discurso sobejamente conhecido de mudanças, o facto é, que elas surgem diariamente, umas mais visíveis outras mais encapotadas, mas o mundo muda, num tropel louco, com uma velocidade que nunca antes fora conseguida. O conceito de Estado esboroa-se, gasto por anos de inépcia o Estado, soçobra, num mar revolto de novas convenções sociais, politicas e sobretudo económicas porque como dizia o outro”…money makes the world go around…”

O Estado tenta impor a sua Autoridade, mas, sucumbe aos dilemas modernos, vamos ao primordial, o que é a Autoridade do Estado, passando ao lado das definições académicas, eu diria que, se trata de um poder que exercido dentro da norma democrática e constitucional, persegue objectivos de zelar pela segurança e integridade nacional, zelar pelo cumprimento das leis, direitos e garantias consignados e proteger o cidadão, fazendo cumprir as leis e mantendo o país em funcionamento.

Ora é aqui que a porca torce o rabo, dos diversos actores da Autoridade do Estado, que actuam como seus representantes, resulta uma incomensurável confusão e dispêndio de cabedais, naquilo a que uns chamam burocracia, o Estado hesita! Os representantes da autoridade, Assembleia da República, Tribunais e Polícias, ocupam-se de garantir que o Estado seja representado em todos os actos da vida do cidadão regulando essas actividades no são cumprimento das premissas legais da Estado, quando ao seu desempenho o que dizer?

Em relação aos primeiros, qualquer dos 487 vocábulos, que me passam assim num repente pelo neurónio, para os classificar, entram seguramente na categoria da ofensa, grave, muito grave e gravíssima, o Barão que é um tipo ordeiro e respeitador, não querendo desrespeitar as mães e restante família dos senhores deputados, exime-se portanto a fazer comentários, direi somente que assim como está a AR, pouco préstimo tem e autoridade nenhuma, logo falha este representante do Estado em zelar pelos interesses desse mesmo Estado.

Nos Tribunais, é aquilo que se vê, num misto de má vontade, falta de conhecimento, limitações materiais, falta de condições, má vontade, limitações impostas pelos vários códigos legais, desactualizados face às mudanças do mundo novo, o que os tribunais produzem é farinha de pão escuro. A autoridade do Estado revela-se fraca, muito fraquinha no capítulo legal, reina a impunidade, os poderosos orquestram a Lei a seu bel-prazer e os pobretanas batem com os costados na choldra, os exemplos são bastos e demasiado conhecidos seria fastidioso voltar a enumera-los, na certeza porém de que se o ilícito envolve alguém com nome ou posição, nunca nada se prova. Pois falha novamente outro representante da autoridade do Estado, falha catastroficamente, pior, mostra à populaça, que isto é tudo uma farsa, que o que conta na realidade são os cifrões e o resto são outros quinhentos.

Por último as polícias, ora como são o último terço da recta, é sobre eles que recaem todas as recriminações e exigências, como se as polícias fossem corpos autónomos e dotados de capacidade própria, não o são! Não o são na imediata subordinação ao poder politico e judicial, não o são porque democraticamente não poderíamos ter uma espécie de pretorianos, que sem rei nem roque fizessem tudo aquilo que lhes desse na gana, um dia polícia outro ladrão.

São porém os únicos que merecem ser louvados, porque estão entre a espada e a parede, entre a espada da sociedade sempre prestes a acusa-los de tudo e mais alguma coisa e sempre pronta a gritar aqui d’el rei quando sente o traseiro apertado, sem nunca sequer se lembrarem, de que por baixo da farda estão homens e mulheres, que têm filhos e família, dívidas e prestações, doenças e problemas, alegrias e tristezas, momentos bons e maus, condições de trabalho por vezes a roçar o subdesenvolvido.

Contra a parede das instituições judiciais e políticas que condicionam e espartilham a sua actividade, que comprometem o seu desempenho que os atacam e ajudam a desrespeitar, fazendo com nos dias que correm um polícia inspire tão pouco respeito. Falha mais uma vez o representante da Autoridade do Estado, mas este contrariamente aos anteriores falha não por iniciativa própria, mas pelas condicionantes que lhe são impostas.

Ora se os representantes da Autoridade do Estado falham, onde pára a Autoridade do Estado? Pára pouco, manifesta-se pouco e mal e sempre aos mesmos, porque o mesmo estado que a uns impõe tudo a outros tudo permite, a Autoridade do Estado falha rotundamente, neste país não há porra nenhuma de Autoridade do Estado, isso é uma anedota, uma farsa, uma mentira para manter a maioria a cumprir que é isso que interessa, ainda que exista uma minoria grande, que faça gato-sapato da Autoridade do Estado, que o prejudique, que o esburgue, que pratica todas as vilezas e sai incólume, esta minoria causa a maioria dos crimes, que lesam o Estado em milhões e milhões, paulatinamente o Estado, qual pai complacente e bonacheirão assume a despesa sem reclamar, os seus representantes, inchados pela qualidade que ocupam, engordados com os cabedais do mesmo saco, olham para o lado, relativizam fingem nem reparar, como na canção.

Pois porque afinal, o Estado somos nós, os infelizes, que pagamos isto tudo, que alimentamos, o político, o tribunal, o polícia e o ladrão, damos de comer a todos e somos comidos por todos, naquilo a que se poderia chamar uma grande e feliz Homossexuaolacracia.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

13 comentários:

125_azul disse...

Querido Barão, não te iludas, nada, nadinha muda, jamais, por estas bandas. Ainda um dia destes um avião da TAP atrasou a sua saida de Bruxelas 2 horas porque esperavam a Sra. D. Uva!!!
E mentiram aos passageiros, que só souberam a verdade porque um outro eurodeputado que estava a bordo ficou ressabiado (suponho) e meteu a boca no trombone...
Nada muda...

Anónimo disse...

vaia, nunca é tarde descubrir paraisos tan solidarios en Portugal, "Grandola vila morena", sempre con cravel vermello
saúdos de Yoli, unha galeguiña
:-)

O Provedor disse...

Sábias palavras, caro amigo, sábias palavras. O mais caricato de isto tudo é que o estado somos todos nós, cidadãos, mas só para as alturas em que temos de deixar o nosso óbulo na patena dos impostos. Porque Estado, mesmo, afinal, são os trogloditas sedentos de poder que mandam e desmandam neste pobre e infeliz pedaço de terra a que chamamos Portugal...

Francis disse...

Vê o lado positivo: Este país é uma fonte inesgotável de anedotas!
:-)

O Micróbio II disse...

Feliz quê??? Cruzes, canhoto...

António Lisboa Gonçalves disse...

Excelente análise (mais uma) sobre esta triste tentativa de País!

Efectivamente, a Autoridade do Estado anda pelas ruas da amargura, com impunidades inadmissíveis. Pelo sim pelo não a "Beretta" está sempre a jeito!

Um abraço caro Barão.

missixty disse...

Infelizmente é verdade, tudo o que disseste. No dia em que me reformar, o trabalho não me vai deixar saudades nenhumas! As coisas não mudam!

RCataluna disse...

Mais um excelente texto!

Abraço!

Joana Dalila Santos disse...

Há que ter fé

Diogo disse...

Excelente artigo, caro Barão,

«alimentamos, o político, o tribunal, o polícia e o ladrão»

Mas infinitamente pior, alimentamos o grande ladrão que financia o político. Este dispõe de bancos, jornais, televisões, políticos e tribunais. É este que leva 99% do bolo. É este que nos suga a todos.

♥≈Nღdir≈♥ disse...

mudam-se os tempos... e as vontades?
beijos

Alien David Sousa disse...

Meu barão, eu diria mais: somos comidos e cada vez mais controlados. Basta prestas atenção à revisão da norma do CPP no que concerne à divulgação de escutas. É deveras interessante verificar como estamos cada vez mais a ser enrolados para sermos observados.
Gostei da tua analize se assim lhe podemos chamar.

Saudações alienígenas & kiss

Lumife disse...

Por considerar este espaço merecedor da Corrente da Amizade o Blog "ALVITO" nomeou-te. Passa por lá e levanta a foto.

Abraço