quarta-feira, janeiro 10, 2007

Conto de Fim de Ano Passado

Era Sábado, o ano acabaria dali a 24 horas, faltava-me pão, diacho, havia que reagir! - Olha vamos os três, aproveitamos e bebemos um café e sempre se passeia um pouco! - Propôs a minha mulher. Olhei para o relógio, 19.30h. Ok. Anui, peguei no piqueno, enfiei-lhe o casacão e o barrete e ala que se faz tarde, rua afora, palmilhamos os cerca de 50 ou 60 metros que distam da minha barraca até uma padaria pastelaria cá da terra.
Estava frio como o raio, as pedras húmidas com a névoa, pouca gente na rua, o cheiro das madeiras a crepitar nas lareiras enchia o ar, apesar do ar festivo das decorações natalícias, adivinhava-se já o fecho da quadra, o espírito natalício estava já arrumado na gaveta, aguardando até ser retirado no próximo Natal.
Entrei na pastelaria, duas funcionárias vegetavam, uma idosa debicava um queque e bebericava um daqueles chás intragáveis que servem nestes sítios, a Elsa pediu o pão e os cafés a empregada gracejou com o meu fedelho que é um grande sem vergonha, porque se mete com todas a gente. Entrou um camarada com ar meio esgazeado, um trolha, como denunciavam as botas atascadas em cimento, o ar esgazeado devia-se seguramente às “bejecas” sorvidas à socapa durante o trabalho, depois admiram-se de cair dos andaimes.
O carro do trolha estava estacionado em cima do passeio, claro, lá dentro quatro pessoas incluindo duas crianças, qual cinto qual cadeirinhas qual nada, o exemplo acabado do “tuga”, boçal, imbecil e incivilizado, entretanto pagamos a despesa, entra uma senhora, muito atarefada pelo ar afogueado, devia ir apanhar o comboio.
O passeio junto à dita padaria tem cerca de um metro e meio, o que aqui para o burgo é excelente, a dita senhora tinha estacionado a carripana junto a porta de entrada do estabelecimento, deixando à vontade 40 ou 50 centímetros para nós os imbecis dos peões andarmos, eu segui com o puto ao colo, de repente dei por ter dado uma cachaporrada no espelho, mas o tloc…tloc, habitual não me fez virar para trás, os espelhos batem e voltam ao sítio, por isso segui.
-Olhe desculpe, o senhor partiu o espelho do meu carro!
- Disse a encomenda, virei-me para trás e vi o espelho dependurado pelos fios, retorqui que pedia desculpa mas não tinha visto e segui.
– Olhe mas aquela senhora viu! Voltou a criatura à carga, nessa altura perdi a cabeça, atirei o miúdo para o colo da mãe dei meia volta e perguntei à criatura. Oiça lá e que quer que eu faça, acha que é minha obrigação andar a desviar-me dos carros que as bestas estacionam em cima dos passeios, ainda por cima com o meu filho ao colo?
- O senhor tem razão mas o espelho está partido, não me dá o seu nome e o seu telefone?
- Olhei para a tipa, se fosse um homem tinha-lhe partido o focinho, assim ri para a alimária virei-lhe as costas disse-lhe Não, não lhe dou coisa nenhuma e se tem algum problema chame a polícia!
A beldroega retorqui que não precisava de chamar a polícia e lá ficou. O meu estômago ardia, como gostava de ser um gajo rico, porque se o fosse, ao carro daquela avantesma, tinha-o deixado em cacos, haveria de ir para casa a pé, com um cheque para comprar outro carro mas aquele ficaria ali feito em trampa para a besta aprender a não estacionar em cima do passeio.
Resta dizer que do outro lado da rua existiam lugares de sobra para estacionar. Porque será que as pessoas são tão estúpidas?


Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

35 comentários:

Leonoretta disse...

ola barao.
algumas pessoas têm desses vipes estranhos. eu chamo-lhe brancas. concentram-se tanto num pensamento ou que esqueçem tudo e todos á sua volta conseguindo só importunar.
tambem me deparo com alguns assim. e provavelmente algumas vezes devo tambem ter feito o mesmo.
olha... mas o relato está soberbo num tom bem coloquial.
abraço da leonoreta

Carlos Gil disse...

chiça Barão!... que relato! eu 'senti', li pedra-a-pedra esse caminho, o passeio, a pastelaria, a fauna... e também a tua ira, se a entendo...
restou acrescentar, talvez, que desse lado é proibido estacionar e, habitualmente, há lá tantos carros parados, no tal, 1,5 mts de passeio, como quase as pessoas que lá estão ao pão.
abc

Isabel-F. disse...

".....
Porque será que as pessoas são tão estúpidas?
"

Falta de civismo ... é isso que nos rodeia ...

Bj

Savonarola disse...

Desgraçados dos pobres, que nem à pastelaria podem ir sem terem chatices. Para os remediados, é uma história triste, para os pobres é o fim de ano possível. Já chega de tanta desigualdade! Ainda por cima o incidente do espelho. Bem que me magoei eu várias vezes de cadeira de rodas para tentar passar entre os carros e as paredes dos prédios. Não são os passeios que são estreitos, é a cabeça das pessoas!
Um abraço

francis disse...

Ora, acho que ainda se vai cirar uma associação nacional para se pedir aos proprietários dos cafés e restaurantes para fazerem portas mais largas para se puder entrar com os carros e até estacionar ao lado do balcão. Os portugueses estão imbuídos no espiríto americano do Drive-in. E por outro lado, ò Barão, Trolha que não estacione em cima do passeio ou ponha o cinto no puto, é maricas! É uma regra elementar do senso comum português :-)
Bom Ano (começamos bem!)!

Isabel Magalhães disse...

Caro Barão;


Bem vindo ao MUNDO REAL da 'nossa' PORTUGALIDADE!





Haja calma! 'Somos' ingovernáveis! :)

Cucagaio disse...

Muda o ano, mas não as vontades. Afinal as tradições são para se manter. Bom ano caro Barão.

Eduardo Milheiro disse...

Grande Barão, assim é que é, esta espécie de gente, gente!!!, animais, sem educação nem respeito por ninguém, merecem ser tratados assim ou de maneira pior, anda para aí um género de bichos ranhosos que quando andam de carro, carro!!!!, a maior parte são latas velhas, a cair de podre, sentem-se os donos do mundo, é esta a educação e a forma de afirmação de alguns dos nossos compatriotas, é pena, mas fazer o quê, porque se espreitarmos bem lá para o fundo os verdadeiros culpados são outros, mas como nesses outros a mediocridade é medida mais alta que lhes encontro, fazer o quê ???

RCataluna disse...

Um gosto esquisito em sermos estúpidos...

Quem te percebe, Portugal...

Abraço!

Anónimo disse...

Genial como sempre nas explicações banais dos acontecimentos do dia a dia .
Tens cá umas cócegas do caraças para te encostares ao espelho e logo partir-se .
Que sorte a da tipa, que se calhar sabia mesmo que o espelho já estava partido , estava era esperando um otário. eheheheh.touaqui42

Daniela Mann disse...

Lá acordou com os pés de fora!
Beijinhos

agua_quente disse...

Ai, que mau feitio! :)
Estou a brincar, claro, até porque aqui para os lados da minha rua passa-se exactamente o mesmo ao pé de um café que acumula com uma caixa Multibanco ao lado. É o caos. Com "montes" de estacionamento.
Beijos

Fernando Bravo disse...

Pfff... Estupidez ao volante, dá para uns 500 posts!
Abraço!

Utzi disse...

Partilho a tua revolta... é uma tristeza a falta de civismo e respeito pelos outros...

Um beijo grande para ti

Andesman disse...

Simplesmente não há explicação. Haja paciência!!

Z disse...

Nem mais!

IsaMar disse...

e ela só não entrou pela loja a dentro porque o diabo da porta era estreita. senão era mesmo em frene ao balcão que o carro parava e sem sair da traquitana, comprava o que queria e lá seguiria de novo o seu caminho.
jinhos meus

Jade disse...

Numa certa escola onde eu estive há uns anos era ver as mãezinhas a ir buscar os meninos em brutos jipes que obviamente não sabiam conduzir e "empancar" o trânsito todo em frente à escola porque resolviam estacionar em 2ª, 3ªa fila. Digo "mãezinhas" porque eram maioritariamente mãe e "obviamente" porque aquelas não sabiam de facto conduzir. Não tem nada a ver com o facto de serem mulheres.
Fica bem!

Isabel-F. disse...

BOm fim de semana para ti

Bj

eu mesma! disse...

eu também me passava!

há uns anos passou-se uma coisa identica comigo, um carro que ia a passar, eu estava paradinha, fora do passeio é verdade, mas paradinha para atravessar a rua, com a minha filha ao colo e o chapéu de chuva pendurado no braço, um carro passou, bateu no meu chapéu de chuva, estragou-o e fez um risco no carro. O gajo, muito emproado parou e tal qual essa gaja disse que eu tinha de pagar o arranjo e aqui a parva, achou que sim, que se calhar eu devia estar no passeio, etc. Olha quando cai em mim, até tive que gastar dinheiro com um advogado, mas acabei por não pagar arranjo nenhum. Se fosse hoje virava costas como tu!

Eric Blair disse...

Caro amigo,
Há uns 20 anos, quando tinha menos juízo, entretinha-me a passar tangentes com o meu carro aos que se encontravam estacionados em fila dupla e, com o meu espelho direito partir-lhes o esquerdo (o meu já estava todo partido e já só me servia para isso).
Agora que sou um respeitável cidadão limito-me a raspar, disfarçada e cobardemente, a chave ao longo da pintura dos carros que estão em cima do passeio.
Esta anarquia reprimida…

Belzebu disse...

Para terminar um ano em que nos cruzámos com dezenas ou centenas de pessoas burras e incivilizadas, nada melhor que um episódio destes, para nos preparar para o inferno de 2007! É que essa gente ainda vai andar por aí para nos atazanar!

Saudações infernais!

António Lisboa Gonçalves disse...

Nada de novo, infelizmente!

Já em tempos muito, mas mesmo muito idos, um Imperador Romano dizia qualquer coisa deste tipo:

Existe, lá para os lados da Ibéria, um povo bábaro, atrasado e bruto que nem se governa nem se deixa governar!

Portanto, continuamos na mesma!


Bom fim de semana e um abraço!

Manuel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Casemiro dos Plásticos disse...

a falta de civismo é grande enfim
bom fds barão

≈♥ Nadir ♥≈ disse...

....oooO
....(....)... Oooo
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....(_/.......)../
..............(_/
....oooO
....(....)... Oooo
.....)../. ...(....)
....(_/.......)../
..............(_/
...... Passei por aqui
......... E desejo
......... Um bom fim de semana
BEIJOS

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Barão:

Concordo... falta de civismo... cuja aprendizagem deveria ter começado bem cedo.

Um abraço,

Klatuu o embuçado disse...

Pois!
As fantasias de Natal, etc, são um luxo dos ricos!

Abraço!

Manel do Montado disse...

Meu caro Barão,

A falta de civismo e de educação é uma das bandeiras portuguesas, mas isso até a matula se habitua a suportar. Agora, a estupidez nua e crua, ostentada e escarrada pela cloaca bucal de alguns aglomerados de moléculas que por aí andam, custa engolir…aí isso custa!
Mas é assim, por cima desta estupidez natural e assumida que se vai construindo um novo povo, jamais aquele povinho inculto mas justificado pela falta de instrução e de informação que nunca lhes chegava. Este povinho é outro, é matarruano assumido, besta até doer a alma e ainda por cima julga que educação é responsabilidade do ministério com o mesmo nome.
Tiveste muita paciência. Eu, num dos meus dias de noites mal dormidas, tê-la-ia mandado marrar com um exemplar da cerâmica caldense…e dos maiores!
Um abraço e bom fim-de-semana!

Kalinka disse...

Iniciou-se a contagem decrescente para o lançamento do livro «Que é o Amor?».

Colaborei com um texto da minha autoria, dedicado a todos que de alguma forma marcaram a minha Vida em momentos inesquecíveis, mas também a alguém muito especial que nasceu dia 7 de Fevereiro e que, por não pertencer ao Mundo dos vivos, guardo com muito Amor, na minha memória (minha Mãe).
É uma excelente oferta em qualquer altura, mas como se aproxima o Dia dos Namorados, será bom começarem a preparar as vossas encomendas quanto antes.

Beijos e abraços.

Kalinka disse...

PEGO NA TUA PERGUNTA:
Porque será que as pessoas são tão estúpidas?

Tenho a minha opinião, milhentas delas não são estupidas, FAZEM-SE DE PARVINHAS...dá muito jeito, para enganar outros tantos tão parvos como elas...
ADORO A TUA FORMA DE EXPOR OS ASSUNTOS.
Continua.
Bom fim de semana.

Kalinka disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
polittikus disse...

Estavas á espera do quê??? Estás em Portugal, as coisas são mesmo assim.... á tuga.

Maresi@ disse...

Belo relato...de um "civismo duvidoso" ehehe

Grata pela visita

Beijo suave______maresi@

-pirata-vermelho- disse...

Então Sr Barão? Um Barão não chama Beldroega a uma Beldroega.

Quanto muito Baldroega...

Nem parece seu.