terça-feira, julho 18, 2006

Mudam-se os Tempos! Mas não se muda mais nada.

Um destes dias no Canal 2 da RTP, essa ilha de excelência, quando comparado com os restantes canais, num daqueles programas onde senhores bem falantes, rasos de doutoramentos até ao cocuruto, alguém falava e bem sobre este ser o século das micro-ditaduras, achei piada ao termo, não me recordo quem o proferiu mas agradeço-lhe a deixa. Por isso deixem-me que vos conte uma história, uma ficção, impossível de acontecer, produto tão-somente da minha pobre mente doente e cretina.
Conta-se que noutros tempos, existiu uma ilha paradisíaca a que chamavam Ilha Lenhosa, nessa ilha o chefe era um Ogre Papão quase eterno, fora eleito pelo povo, sim porque apesar das coisas roçarem a ditadura, pelo menos existiam eleições, as quais eram sempre ganhas pelo Ogre Papão.
Onde quer que metesse o nariz o Ogre papão, açambarcava e ingurgitava dinheiro às toneladas parecendo nunca estar saciado. Na sua voracidade escalavrou o solo da ilha, fazendo buracos que levam a maltosa de lá a andar mais rápido, criando ilhas de pobreza e miséria rodeadas de opulência e desperdício por todos os lados.
O ditadorzeco de pacotilha, financiava concursos de jograis carnavalescos, bem como todos os clubes da terreola, o dinheiro jorrava a rodos, os que rodeavam o Ogre enriqueciam, a olhos vistos, o povo coitado embasbacado analfabeto e pobre delirava com as festarolas em que o esperto Ogre, gastava rios de dinheiro em álcool e comida, cantava e folgava, dizia todos os disparates que lhe vinham à cabeça e a maltinha torpe e boçal, ria e votava no Ogre, “pane et circus” como diziam os Romanos.
A bem da verdade a ilhota estava, agora graças ao dinheiro da Comunidade dos Reinos, cheia de alcatrão e de cimento, inenarráveis mamarrachos, pespontavam a costa da ilha, no entanto nos índices, que importavam como a mortalidade infantil e o analfabetismo a ilha estava pouco melhor do que há 30 anos, mas o Ogre exultava, arrotava e soltava traques de puro gozo, aparecia nos pasquins do continente, em alegres comezainas, em cuecas, bêbado que nem um cacho e proferindo as maiores alarvidades, todos temiam o Ogre Papão. Era um ogre experiente, tinha vilipendiado muita gente, nem o valente Sir Galho, estava fora das suas bestiais tiradas, um dia o Ogre chamara-lhe Sr. Silva, uma ofensa grave e apoucadora de alguém que além de Sir era Professor e Doutor e todas aquelas coisas que neste Reino parecem chancelar a incompetência, mas nada acontecera e até Sir Galho fora lamber as botas ao Ogre.
Todos se rebaixavam perante o Ogre Papão, que continuava a fazer gato sapato das leis do Reino, nem o Grão Vizir um nobre amante das novas tecnologias, fora ele que inventara a lança de ponta de aço em forma de rato, um verdadeiro choque tecnológico para a época, nem esse fazia farinha com o Ogre Papão.
Ao reino entretanto, chegou a crise, a falta de dinheiro, 20 anos de desperdício e disparate, começavam a cobrar um preço, o reino não tinha dinheiro. Subitamente a Ilha Lenhosa corria o risco de ficar com as contas a descoberto, o Ogre Papão, que adorava dizer que era independente, que era chefe de um povo superior, que o Reino tinha pra com ele e pra com a sua Ilha uma atitude colonialista, o Ogre viu-se obrigado a enviar uma carta ao Grão vizir a pedir a solidariedade do Continente, estendendo a mão à caridade.
Triste é saber que o Reino lhe fez a vontade, triste é saber que o Reino não lhe deu a tão almejada independência, triste é saber que o Reino continuou a ter de ouvir os disparates do Ogre, a financiar as suas comezainas e restantes cretinices.
Fim

Caros amigos, tudo aquilo que aqui segue descrito, é ficção, nunca aconteceu nem acontecerá num local perto de si, pode até ser que algo remotamente parecido possa estar a acontecer algures, mas isso é pura coincidência. Todos os personagens desta história são fictícios e não desejam retratar nem conseguem qualquer situação real que Vexa., caro leitor conheça.

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

32 comentários:

sandes-de-coirato disse...

Eu gostava de ver esse Papão continuar a engordar sem a paparoca que o continente lhe envia. Mas com um Sir Galho e um Grão Vizir de calças na mão e de costas voltadas com o olho à espreita para a ilha Lenhosa... a história promete continuar.
Com um Ogre destes só lá vamos de duas maneiras. Independência já... ou um enfarte do miocárdio.

Caracolinha disse...

Olha que quando cheguei ao último parágrafo me custou um bocadinho a acreditar ... ;)

Ficção ???? Huuuummmm ... tá bem, ok ... mas eu ia jurar que já tinha visto ogres desses por aí já ...

Beijoca encaracolada e encalorada :)

Nevrótica Aluada disse...

Cuidado que ao largo da costa já se avista um cargueiro cheio da bananinhas da Madeira e canas-de-açúcar, prontas a serem disparadas em direcção à AR. :P

an ordinary girl disse...

Pois, só sendo mesmo ficção. Nem eu, que sou uma crédula, acho possivel um ogre assim existir.
Seria mau demais....

;-)

um beijo

Carlos Carreira Afonso disse...

Ke engraçado...se eu fosse uma pessoa inteligente diria ke essa rábula assenta ke nem uma luva no "Adalberto" Joâo, mas como sou burro ke nem um sacho, num vejo ninhum personage ke aí se encaxe e além du mais num cunheço gente assim de lado nenhue!! Antes ke o "Bimbo" me processe no Contenente, e o Alberto na Madeira, vou fechar a bokita... He He...Excelente Post Barão!! Abraço...Carlos.

Bel disse...

há ogres por ai, todos os dias se veem alguns

francis disse...

Eu tenho-lhes chamado ditaduras camufladas, no entanto, micro-ditaduras tem muito mais pinta! Quanto ao Ogre, propunha-lhe um referendo e acabava com a palhaçada de uma vez por todas.

Pitucha disse...

Que história gira! E como tiveste imaginação para inventar uma coisa destas!? Sim senhor...
:-)
Beijos

Cherry Blossom Girl disse...

Inacreditável...Mundo ao contrario?
Completamente!

Beijinho
***

polittikus disse...

Há um ditado popular que encaixa na perfeição neste teu post. Mudam as moscas, mas a merda é a mesma...

125_azul disse...

Como escreves bem ficção! E sem teres nenhum traço de realidade em que te apoiar, como consegues? É que se ao menos o Papão fosse passar férias, sei lá, em Beirute, por exemplo...
Beijinhos

js disse...

..E NÃO HÁ MEIO DE SE ARRANJAR UM VENENO PARA PARA DIZIMAR OS CARUCHO...
forç'aí!
JS DE HTTP://POLITICATSF.BLOGS.SAPO.PT

Visi disse...

Meu caro barão: simplesmente fantabulástico!!!!ahahahahahaha

musqueteira disse...

Viva Barão... e não anda o povo contente com ele?!...Coisas da sociologia...quanticohumana;)

Professorinha disse...

Oh Barão... que mau...

E eu que lá estive tanto tempo e gostei tanto daquilo... e ele que até defendeu os professores... Barão Mauzão... ;-)

Mas cada um tem direito à sua opinião (até rimei)... e, ao fim e ao cabo, isto é tudo fantasia.

Tribunal_Beatas disse...

Dê-se a independência ao Ogre sem contrapartidas.Queria vê-lo depois chamar colonialistas aos cidadãos e governantes do Reinado.
Beijinhos

Daniela Mann disse...

Espectacular! Um excelente texto!
Beijinhos da Dani

Talk Talk disse...

Ainda bem que é apenas ficção!!!
Um gajo desses se existisse já tinha sido caçado... ninguém o continuaria a eleger!!
Um abraço.

deep disse...

Por vezes, a ficção é bem mais elucidativa do que os relatos pretensamente reais.
Bom resto de semana.

Casemiro dos Plásticos disse...

ganda maluco que tu me saiste...

SA disse...

Que refrescante humor e que prosa tão bem escrita :)
Podias acrescentar o facto de o ogre agora não autorizar sandálias, chinelos e ténis na sua assembleia. :)

¦☆¦Jøhη¦☆¦ disse...

Eu creio que já vi algo semelhante... e não muito longe de nós... aliás, tenho até 99.9% de certeza (fica sempre o 0,1% da praxe) que este "ogre" até de vez em quando marca a sua presença num certo aparelho que temos em casa...

É caso para dizer que há outros nomes para lenha...

Um abraço, João

Professorinha disse...

Vocês.... se eles estivesse por cá no continente tenho a certeza que já tinha posto isto tudo direitinho... Pelo menos, esta é a minha fantasia ;-)

Isabel-F. disse...

Soberbo o teu texto.
Parabéns.

Bom fim de semana.
Bjs

Savonarola disse...

Parabéns pela "ficção". Faz-me lembrar o Orwell, com o seu Triunfo dos Porcos! Muito bem escrito. E bastante explícito para quem souber, ou quiser, extrapolar para a realidade. Serei muito estúpido, ou a Ilha Lenhosa é a Madeira?....... De qualquer forma, cuidado com todos os Ogres Papão que rondam por aí. Porque, pura e simplesmente, desconhecem o significado da palavra Democracia. Um abraço

Andreia do Flautim disse...

Não parece assim tão ficção!...

** sean paul** disse...

Obrigado pelo comentário!!! Acredita que serão smp lembrados!!!!

Mariazinha disse...

Faz-me lembrar uma tal ilha, que é um jardim, mas se apanhares o autocarro e fores da capital da ilha para um lugar chamado Caniçal
descobres que aquela ilha tambem pertence a um ogre e o povo que lá vive não tem nada do que é suposto um jardim ter.Eu acho que deve ser o mesmo Ogre...

≈♥ Nadir ♥≈ disse...

olá
beijo e bom domingo

polittikus disse...

Não aconteceu, mas podia ter acontecido...

SentadaAoLuar disse...

Onde é q eu já "vi" isto??

Lusotaggus disse...

Porreiro ver as ruas da Troia em pleno desemvolvCalcas,vou continuar por aqui mais uns tempos para evoluir.Continuem a fila-los qeu tou atente.