sexta-feira, outubro 19, 2018

O Bando


São 4 da manhã, estou sem dormir, malvada insónia, na rua alguém berra como se fosse pleno dia, nada de novo, nesta terra o respeito pelos outros está quase sempre ao nível da sarjeta, ou talvez ainda mais baixo, espreito pelos buracos dos estores tentando perceber quem faz aquela barulheira. Como vejo muito mal e a luz é pouca, demoro a perceber quem são, finalmente topo-os, são cinco miúdos, todos abaixo dos 14 anos de idade, conheço-os da escola onde anda o meu filho, de quando em vez andam por lá.

O que andam cachopos com esta idade a fazer aquela hora pela rua? Como é possível que crianças de tão tenra idade andem assim ao abandono? Que raio de pais são estes, que gente é esta? Que raio de país é este? Como é possível que um país permita este tipo de coisas?

Actualmente por aqui vegetam dois ou três destes bandos, pelo menos, iguais a este, quem quiser pode comprova-lo basta dar uma volta pela terreola para perceber, composto por crianças com 10, 12 ou 13 anos, que percorrem a cidade de lés a lés, são avessos à escola e ao trabalho, conforme aos exemplos que colhem em casa, começam desde cedo a tentar roubar os miúdos que vão a caminho das escolas, recorrem à coação e às ameaças, daqui a cinco ou seis anos, teremos quinze ou vinte tipos com 17 ou 18 anos que vão começar a precisar de dinheiro, que querem comprar coisas, a quem vão dar o RSI, que não vai chegar, claro está. São avessos ao esforço, excepto o necessário para roubar, trabalhar estará fora de causa, pouco respeito têm pela Lei nem pela observância das regras de civismo e respeito pelos outros, daqui a cinco ou seis anos, teremos um problema grave de segurança, porque ao invés de fazermos aplicar a Lei, fazemos de conta e deixamos esta gente andar ao Deus dará.

Provoca-me imensa confusão por exemplo que um tribunal dê razão para que seja permitido que crianças abandonem a escola por causa de uma alegada “tradição”. Portugal tem ou não leis bem definidas? Somos ou não todos iguais perante a Lei? Pois como no caso do triunfo dos porcos, em Portugal também parece que somos todos iguais mas uns são mais iguais que os outros.

Provoca-me imensa confusão que um tribunal liberte criminosos que torturam velhos para os roubar, que tipo de país querem construir ao permitir semelhante coisa? Provoca-me imensa confusão que um Estado que a mim me obriga e força a tudo, a outros só dê benesses, a outros permita tudo, um Estado que atira dinheiro para cima dos problemas e não exige cumprimento das regras que o próprio Estado concebe.

Portugal é um país absolutamente medíocre governado por inconsequentes intelectuais, disso não tenho nenhuma dúvida. Infelizmente a população na sua grande maioria são um miserável bando de degenerados, uma pobre súcia de patetas insalubres que voga ao sabor das ondas, vivem de festarolas, onde vão empanzinar-se e beber até cair de quatro aproximando-se assim das bestas que realmente são, prova-o por exemplo os números assustadores das mortes na estrada.

Prova-o também o desleixo com se tratam as crianças ou o desprezo que votam aos velhos, prova-o o abandono em que anda este bando, e pergunto-me quantos mais bandos iguais a este não existirão por esse triste país fora. Onde andam essas comissões todas, onde andam os tribunais as polícias e toda essa panóplia de instituições pagas com o nosso dinheiro? Pois andam no faz de conta, esse grande jogo nacional onde todos se afadigam a fazer de conta que realmente fazem alguma coisa sem nada fazer.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sábado, outubro 13, 2018

Justiça - anedota ou mais uma miséria nacional!


A Justiça em Portugal é um conceito difícil de concretizar de um modo que se torne perceptível para o cidadão comum, honesto e muito martirizado pagador de impostos, temos dificuldades em perceber o que é isso da Justiça, que pouco tem que ver com a Verdade, menos ainda com o Direito e nada mesmo com aquilo que é Justo, pelo meio fica ainda, a punição dos criminosos a sua eventual reabilitação, piedosa mentira que tanto adoramos, bem como todo o resto da encenação do edifício judicial.
Digo isto por variadas razões, colocando-me no lugar dessa figura tão cara à jurisprudência nacional que é a figura do “Bonus Pater Famílias”, (Bom Pai de Família), o que quer que seja isso de ser bom pai de família, mas que segundo me esclareceram doutos amigos versados na coisa jurídica, o termo quererá significar que me coloco no lugar do homem médio nacional, que sigo os padrões sociais, cívicos e familiares da sociedade em que estou inserido, que segundo me disseram é isso que os senhores Juízes fazem quando exercem a sua douta profissão, colocam-se na posição do tal “Bonus Pater Famílias” para cogitarem sobre a prova e proferirem as suas decisões, ora não sendo eu Juiz, nem tendo a pretensão de almejar a tão distinta categoria do corporativismo nacional, posso no entanto de igual modo colocar-me nas peúgas do tal bom pai de família para tentar perceber esta coisa a que chamamos Justiça, que anda infelizmente pelas ruas da amargura.
Então vejamos um pequeno apanhado de factos relevantes que nos deixam, como dizer isto em termos simpáticos, factos que nos deixam boquiabertos, incrédulos e completamente descrentes, factos que poderiam fazer parte de um episódio de uma qualquer série humorística, factos que mais do que qualquer ficção são uma anedótica realidade sobre o estado miserável a que tudo isto chegou, atentai então;

·         A senhora provedora de Justiça, Lúcia Amaral, quer que a Assembleia da República altere a lei que criou a lista de abusadores de menores condenados pela Justiça (1). A dita senhora quer impedir que esses excelentes exemplares da espécie humana constem deste registo anos a fio, mesmo que o último crime deste género que tenham cometido date de há 20 anos. Não sei se alguém avisou a senhora sobre o facto de que um pedófilo não se cura, nem se arrepende, sendo portanto essencial que a listagem permaneça para sempre com todos os registos que seja possível sobre cada indivíduo com tal propensão;
·          O senhor Ricardo Cardoso que tem a profissão de Juiz, declarou recentemente que, passo a citar, “…Não há juízes maus, há apenas alguns com menos experiência e sabedoria.” (2) Assim na visão deste meritíssimo, quem não sabe ou quem não saber fazer, não é intrinsecamente mau profissional, está só à espera de ser melhor, por isso vai criando experiência e sabedoria com as cobaias, que somos nós, que nos aguentemos com as decisões, até que os senhores juízes pouco experientes e sábios se tornem melhores, isto num país onde há Juízes com 30 anos, em 2017 existia até um com 29, idades que são muito compatíveis com experiência e sabedoria, ainda assim 89% dos Juízes obtém classificação «Bom» e «Muito Bom». Ele há maus profissionais em todas as profissões do Mundo (3) com excepção dos Juízes de Portugal(4), recordemos o velho adágio “Presunção e água benta…”

No entanto quando nos meios de comunicação aparecem alguns acórdãos proferidos por esta malta verdadeiramente genial (5), há algo que não bate certo, sabendo nós que Justiça é uma coisa, Direito é outra e a Verdade parece não interessar a ninguém, estamos em crer que os senhores Juízes estão a baralhar todas aquelas premissas brindando-nos com ondas de sapiência e de jurisprudência, como nunca antes se viu.
Fazendo com que a Justiça nacional vogue assim por dizer num mar revolto situado entre o oceano da patetice e o mar da anedota onde claramente quem sai a perder somos nós todos os que pagamos os salários aos senhores Juízes e já agora aos outros também, vejo a coisa como talvez um finca-pé com os políticos, sabendo nós que essa classe, a dos políticos, desde sempre acalentou um desejo secreto de enviesar a Justiça, porque essa tal senhora que dizem ser cega, atrapalha, mas isto é apenas alegadamente claro está, porque ao contrário dos fortes, a mim não terão pejo nenhum em me punir, que sou um pobre diabo.

P.S. - Adorei a entrevista da senhora exProcuradora, pessoa que aliás muito estimo, mas dizer que ficou surpreendida com o nível corrupção existente em Portugal deixou-me perplexo, em que Portugal vive esta rapaziada?

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia



FONTES:
(1)https://portal.oa.pt/comunicacao/imprensa/2018/08/09/pedofilos-estao-tempo-de-mais-na-lista-negra-diz-provedora/
(2)https://sol.sapo.pt/artigo/621552/ricardo-cardoso-nao-sou-um-juiz-pressionavel-nem-impressionavel
(3) 2018 - Juiz condenado a um ano e meio de prisão por violência doméstica
https://sicnoticias.sapo.pt/pais/2018-09-17-Juiz-condenado-a-um-ano-e-meio-de-prisao-por-violencia-domestica
(4) 2017 - Juiz condenado por "mau trato psíquico" ao recusar relações com a mulher
https://www.jn.pt/justica/interior/relacao-de-guimaraes-condena-antigo-juiz-por-violencia-domestica-8617564.html
(5) Dois homens, o porteiro e o barman da discoteca Vice Versa, em Gaia, foram condenados a penas suspensas por terem violado uma mulher de 26 anos que encontraram inconsciente – por exagerado consumo de álcool - na casa de banho de uma discoteca de Gaia - Juízes dizem que "ilicitude não é elevada" em caso de mulher inconsciente violada por dois homens
https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/juizes-dizem-que-ilicitude-nao-e-elevada-em-caso-de-mulher-inconsciente-violada-por-dois-homens

sábado, outubro 06, 2018

Viagens por esta minha terra


Na minha terra, existem particularidades que fazem dos seus habitantes autóctones, pérolas verdadeiras do nacional “Chico-espertismo”, da patetice e da mais pura estupidez colectiva, muitos são os exemplos, trago apenas uns poucochinhos que servem para ilustrar esta cultura muito próprio do indígena local.

Por exemplo ao apontamos uma falha a alguém, não falo sequer de coisas muito graves, como fuga aos impostos, corrupção, nepotismo, compadrio, não, falo de coisas graves mais corriqueiras, estacionar em cima dos passeios, não ter respeito pelos outros, ser porco e ou porca, coisas mais comuns, invariavelmente obtemos sempre as mesmas respostas;

-Deves ter muito que ver com isso;

-Deves ser santo;

-Se calhar nunca fez o mesmo.

São sempre respostas curtas, construções frásicas simples porque a maralha indígena não possui lá grande elaboração de oratória. No entanto a aparente simplicidade, revela-nos uma outra realidade mais preocupante e triste que tem que ver com a saúde da psique colectiva.

Quase sempre quando confrontados com a prevaricação, que fazem os indígenas locais, reagem de imediato como um animal selvagem acossado, – estou a trabalhar – ouve-se muito como resposta, como se o facto de estar a trabalhar fosse sinónimo de poder incomodar os outros e ou atropelar as leis do país, só porque dá jeito.

O indígena local tem sempre uma desculpa para a sua falta de civismo, para a sua boçalidade, ao invés de civilizadamente como primata evoluído que é, assumir a culpa pedindo posteriormente desculpa, nada disso, como bom sociopata, a resposta dada ou revela agressividade associal, ou tenta transferir a culpa ou melhor ainda resume tudo ao plano metafísico da santidade.

Isto caro leitor é deveras preocupante porque revela uma sociedade mentalmente instável, psicologicamente doente, por outras palavras, isto é uma terrinha de tontos, um país de doidos.

Falei até agora do indígena autóctone, porque existe uma outra categoria ainda mais refinada que é o indígena que se diz “étnico” que por aqui também habita em números cada vez maiores, separo-os porque eles querem por força ser diferentes, não querem ser como todos os outros, querem estar à parte, regem-se ao que parece por culturas e leis próprias, o que é deveras interessante, pois é como se dentro de um país existisse outro que faz gato sapato das leis do país onde está e onde enche a barriga.

No caso desse tipo de indígena a coisa ainda se complica mais, tentem por exemplo dizer a um desses indígenas para fazer menos barulho, quando às 3 da manhã cantam e berram como animais, peçam-lhes para serem educados ou para respeitarem o sossego dos outros, daqueles que trabalham e lhes pagam os subsídios e todas as outras borlas, teremos logo acessos da mais profunda sociopatia homicida, ameaças de agressão e até de morte, que acaso fosse eu a proferir contra esse tipo de individuo logo seria apodado de racista, de xenófobo e por aí adiante, mas como é um indígena minoritário pode tudo, a coisa mal comparada será algo perto da figura triste da mana Williams mas em proporções maiores com mais berraria e sempre com manadas desses indígenas por perto, pois são um tipo de animal que só age em manada, são mais um excelente indicador comportamental bem revelador da muito pouca saúde mental dos habitantes deste país, que não sabem de todo conviver em sociedade, respeitando civilizadamente os outros.

Ora a solução para todos estes males creio eu ser simples. Ao invés de tribunais, leis, polícias e toda essa parafernália deste alegado Estado de Direito Democrático, que não funciona, construam-se antes Zoológicos, Igrejas, Conventos além de reservas de vida animal, passo a explicar.

Como parece que o primata indígena só aprende por mimetismo, talvez fechados num Zoo, observando os outros a fazer bem, a coisa possa surtir efeito e se libertados no habitat natural possam passar a comportar-se de forma civilizada.

Construam-se Igrejas e conventos, para que possam então elevar os espíritos para a muito necessária beatificação e santificação, desse modo santo, passaram a ser efectivamente educados, civilizados e respeitadores por mor da santidade colectiva, ámen.

Por último reservas de vida animal, onde em grandes áreas circunscritas por vedações possam prosperar os indígenas ditos “étnicos”, para que assim possam viver como querem a seu bel-prazer, berrando dia e noite se for esse o seu desejo.

Estou em crer que com tais soluções teríamos o problema desta terra resolvido, este paraíso das mais singulares mentes, verdadeira gaiola de doidas.

Um abraço, deste voss oamigo
Barão da Tróia

segunda-feira, outubro 01, 2018

Aliança, velha...!

Esta história começa com uma árvore abatida para fazer resmas de folhas papel de 75gr, aproveitando posteriormente 3,5 quilos desse papel, ou seja uma resma e meia sensivelmente, cerca de 700 folhas de papel para recolher as assinaturas necessárias para entregar no tribunal Constitucional e assim fundar mais um partidelho político, mais valia que fosse papel higiénico, sempre se lhe daria um melhor uso.
Depois é arranjar um qualquer pateta de ego desmedido, amuado por não lhe passarem cavaco nem tão pouco o levarem a sério, dizem que é um menino guerreiro, que bata com o portão da quinta da laranja, saindo para não mais voltar, disse ele, muitos suspiram de alívio com a já há muito almejada retirada de cena do pobre pateta, que ainda não percebeu que está morto, politicamente diga-se, que mal nenhum desejo ao homem, já lhe basta ser como é, um tragalhadanças de primeira água.
Vai daí que despeitado, o tal menino guerreiro, a quem davam pontapés na incubadora, foi-se aos canhenhos e procurou nas agendas os números de telefone das suas muitas “santanetes” e pimba, ei-lo de volta, envolto em bruma intemporal, despido de quarenta anos de roçar o cu pelas esquinas da politiqueirice rafeira nacional, ei-lo renascido, renovado em mente e corpo, sebastianicamente veio para remir o pecado original, o homem é um Cristo da politiqueirice, ou se calhar é apenas um Calímero, uma figurinha caricatural que mete dó, mais faz chorar que rir, tantas e tão medíocres são as suas atoardas, o homem porém porfia, tem-se em grande conta, desmesurado o ego, intrépido avança como líder de uma nova agremiação partidária, uma brigada geriática atacada por achaques e reumatismo nas articulações, uma nova aliança descoberta numa qualquer arca carunchosa, velha, que cheira a bagaceira martelada e a sacristia bafienta, sim porque como convém a um novo ungido o homem redescobriu-se recentemente como católico, nunca é tarde para ver a luz, dirão as mais beatas, pois não, basta passar ali pela segunda circular, mas como o homem é dos verdes, não sei se ver a Luz lhe fará bem.
Sentado na sua poltrona de cetim cor de vinho tinto, um pouco coçada no descanso dos braços, degustando o seu copito de cognac, sim, porque isso da bagaceira é para dar ar de povo e agremiar uns quantos, imbecis, até porque se a coisa correr bem com os votos, vem massa para gerir, o menino guerreiro, agora já de rala farripa branca, melómano de eleição, ouve os violinos de Chopin, uma obra emblemática, que só ele possuiu, cogita, sobre a aliança, sobre possíveis aliados, sobre esse rio poluído do qual se quer afastar.
Cogita, no seu lar de reformado solteirão, reformou-se antes dos cinquenta anos, ah Portugal, esse belo país, mas sente-se inquieto, o homem ainda tem aspirações ainda que todos saibamos que dali não virá nada de novo, aquela aliança, tresanda a mofo, tresanda a parasitas como o próprio, que mercê de uma brilhantemente conseguida constante visibilidade mediática, honra lhe seja feita, conseguiu ser ministro, presidente de câmara, presidente de clube de futebol, entre outras prestações sempre medíocres, miseráveis e despesistas, porque seria diferente agora, que novidades trará essa aliança patética, aliança do quê ou de quem, já agora indagamos.
Para mim é óbvio, é a aliança entre um madraço diletante e pateta com uma súcia de tristes medíocres que apenas pretendem arranjar uns milhares para forrar as algibeiras, a coberto claro está de um projecto político inovador, uma espécie de, como se diz agora e está na moda, “startup” política, que promete inovar.
Portugal continua em larga medida a enfermar com estes quistos sociais, estes aleijões políticos, esta nova aliança é um cadáver que exumaram, para exibir e cobrar bilhetes na ridícula feira das vaidades do mediatismo nacional, o seu protagonista é um pobre diabo digno de dó, um pobre pateta, que tinha feito melhor se tivesse continuado lá pela distribuição de misericórdia, ouvindo nós dele só de tempos a tempos, infelizmente o homem não percebendo que está morto, voltou às entrevistas, impressionante como as televisões perdem tempo com maralha desta, até já é comentador, para repetir o mesmo que sempre disse, para fazer declarações bafientas sobre temas dos quais não sabe peva, olha seria preferível que fosse para casa enfiasse uns valentes copázios de aliança e se esquecesse que nós existimos.

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

sexta-feira, setembro 14, 2018

Entre o claro e o escuro – Uma história real da estupidez nacional

Portugal está cada vez mais surreal, mais anedótico, mais patético, não seremos porém caso único, o Mundo parece estar à deriva, digo-o sem querer de todo parecer um alarmista, fatalista ou outro qualquer desses “istas” com que costumam rotular a malta que diz ou pensa alguma coisa contra ou diferente da corrente estabelecida como própria e oficial para a navegação da carneirada.
No entanto, os pequenos casos sucedem-se, coisas verdadeiramente anedóticas, “fait divers” dirá a turba esclarecida, concedo que sim, respondo com outro chavão “o Diabo são os pormenores”, quem gosta de Poirot, Sherlock ou Marple sabre que são sempre os detalhes mais mesquinhos, insignificantes na sua aparência que tramam os bandidos, dito isto passo a descrever a cena, que se passou comigo.
Uma pessoa minha amiga, sem que se lhe conheçam ancestrais raízes africanas próximas, tem o cabelo crespo e o tom de pele muito moreno, que nesta altura de férias fica mais acentuado por causa dos dias de praia, até aí tudo normal, nós somos um povo de miscigenação, ao contrário do que pensa essa gentalha racista, foi toda essa continuada mistura, que fez de nós aquilo que somos, um povo extraordinário do ponto de vista genético com várias origens.
Sucede que estando eu a sair de um supermercado, topo com essa pessoa amiga, paramos claro está a conversar, tínhamo-nos encontrado numa esplanada de praia estando eu na altura assim por dizer “descapitalizado”, essa pessoa amiga fez o favor de me emprestar dez Euros, com a minha solene promessa de que assim que nos encontrássemos, lhe retornaria os capitais, pagando inclusive um modesto juro sob a forma de um café, assim foi.
Ali à porta daquele supermercado, estávamos pois à conversa, cavaqueando sobre aqueles temas corriqueiros de quem regressa de férias, quando me recordei dos dez paus em dívida, peguei na carteira, arrumada que estava no bolso de trás do calçonito, de lá rebusquei uma nota de tal valor e estava a entregar a nota a essa pessoa amiga que tinha feito esse salvador favor de me emprestar os cabedais necessários para o momento de aflição, quando passaram por nós das mulheres, uma delas, olhou para o lado e atirou alto e bom som;

- Vai para a tua terra ó preta de merda!

Olhei de imediato, eram duas mulheres, vestidas de saia comprida, cabelos compridos em trança, duas senhoras pertencentes a uma pretensa etnia bem conhecida, gente que se reclama diferente, mas que afinal são mais do mesmo, iguais a muitos outros.
 O meu espanto foi tal que demorei a reagir, mas passado o espanto inicial interpelei a pessoa, porque raio estava a falar assim, respondeu-me aos berros, como fazem muitas vezes, que os pretos eram isto e mais aquilo, que lhes davam tudo, porque torna e porque deixa, tudo acompanhado por muitas poses e gestos, como fazem os perus para parecerem maiores e mais ferozes do que na realidade são, enfim uma espectáculo digno de dó.
 Virei-lhe as costas, vim embora, deixei a senhora a falar sozinha, tenho por princípio de vida que não se discute com gentalha racista, estúpida e mal-educada, a esse tipo de gente o melhor é ignorá-los, não valem o esforço, nem sequer a tentativa de pretender ter uma conversa civilizada.


Deixo-vos este episódio, caricato, anedótico deste Mundo completamente em perda, pensem o que quiserem, por mim, como já disse várias vezes, este episódio de novo o prova, a estupidez é a característica humana mais democrática que existe, porque não escolhe raça, cor ou credo, os estúpidos, os racistas boçais existem em todas as cores, para se poder ser considerado humano e respeitado enquanto tal, não basta nascer humano, temos de nos comportar como humanos, de que vale gritarmos que somos humanos quando nos comportamos pior do que qualquer besta selvagem, para se poder invocar essa qualidade, temos de começar a sê-lo, temos de agir com humanidade, temperança, com respeito pelo próximo, mas isso é o que muita gente parece não perceber, não se nasce humano, aprendemos a ser humanos, ou antes alguns aprendem, outros nunca lá chegam.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quinta-feira, setembro 13, 2018

Desculpa lá ó Tóino!

Caro Tóino,

Escrevo-te esperando que estejas bem, que mal não te quero, apesar das trapalhadas que andas fazendo. Li aqui num pasquim, uma parangona gorda, onde está escrito que tu queres abaixar o IRS aos muitos desgraçados que foram obrigados pelo governo do refugiado de Massamá a emigrar, digo-te já que tu e esse Coelho, são farinha do memo saco, podiam ser até gémeos, não é a escolher como parceiros ora a rata de sacristia patética ora a pateta da esganiçada que vocês, um e outro se safam, nem muito menos a convidar o trauliteiro da foice e do martelo.
Mas que raio de ideia de merda é essa, pergunto eu, ó Tóino, tu na terás aí perto de ti, no meio dessa rapaziada toda que supostamente está aí para te aconselhar, ninguém com mais capacidade intelectual que uma ameba, na terás aí perto de ti, ninguém que tenha ao menos dois neurónios a funcionar, na terás por aí ninguém que tenha os três alqueires bem medidos, ou isso é tudo rapaziada sem tento nem tino, que está aí só para encher a algibeira e dizer que é assessor.
Ó meu pateta, atão tu acreditas que reduzindo o IRS em 50% o pessoal que está lá fora, vem logo a correr aqui para este pardieiro? Tu acreditas que gente que ganha, 3, 4, 5 e mais mil Euros por mês, vai deixar isso, para vir para aqui fazer mais com menos, como vocês tanto gostam, trabalhar que nem um escravo, por mil Euros e as mais das vezes por bem menos. Se acreditas nisso, ó pá, desculpa lá ó Tóino, mas tens essa cabecita toda arrebentada pá, vai ao médico que estás pior do que aquilo que eu pensei!
Dizes no jornal “Claro que o essencial é termos boas ofertas de trabalho e trabalho de qualidade”, mas isso já existe pá, onde andas tu a viver, existem boas ofertas e trabalho de qualidade, o problema é que é tudo pago ao preço da uva mijona, o problema é que as casas, o electricidade, a Educação, a Saúde, o lazer, os combustíveis é tudo cobrado como se fossemos da Europa rica e civilizada, infelizmente os ordenados, a saúde, a educação ou a justiça parecem ser mais parecidos com o Norte de África.
Queres incentivar o pessoal a regressar, muito bem, vou deixar-te a receita é muito simples, resume-se a três palavras que depois podemos decompor em termos práticos; honestidade, decência e profissionalismo.
Decompondo então a coisa, para conseguires atrair essa rapaziada, tens de ter salários decentes e não esta miséria franciscana, precisas principalmente de ter uma Educação decente, com um sistema de ensino oficial com oferta desde a creche até ao superior, mas que cubra efectivamente todo o país, para poderes revitalizar o interior.
Precisas de ter transportes públicos decentes, com politicas de transporte com nexo, um sistema integrado que chegue a todo o país, precisas de comboios principalmente, ao invés de desinvestir, deixar estragar, deviam acarinhar a rede de caminhos-de-ferro, é assim que se faz na Europa de que vocês tanto falam.
Vais precisar de um sistema de Saúde capaz, regulado mais eficazmente que esteja por todo o país ao dispor das pessoas, vais precisar de por esta maralha toda na linha. Vais precisar de ter uma Justiça eficaz, gratuita e o mais célere possível, vais precisar de tanta coisa que eu a credito que quando olhares bem para a tarefa até cais de cu.
Será essencial ter ao nível político, gente honesta e capaz, ao invés disto que temos hoje, sem essa mudança, os que estão lá foram dirão que é mais do mesmo, será essencial que os decisores sejam gente profissional, com ética, que sejam responsabilizados com seriedade por todas as eventuais más utilizações dos dinheiro públicos.
Resumindo para que os nossos voltem, precisas de refazer ou antes precisas de fazer um país, coisa que nos 40 anos anteriores, nenhum desses vários ineptos, incapazes e inúteis que passaram pelos, governos, pelo parlamento e pelas câmaras municipais pensou em fazer, precisas de planear a 30 a 50 ou a 100 anos, precisas de políticas consequentes, precisas de moralizar a sociedade, reduzir ao mínimo possível a corrupção, o amiguismo e compadrio, precisas de tanta coisa que temo bem ó Tóino, que 3 vidas não se te chegam.
Por isso caro Tóino, é pá deixa-te de ideias de merda, até te ficam mal, se na tens nada coerente e capaz para propor, o melhor é calares o bico, de boca fechada não entra mosca nem sai asneira.

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

domingo, setembro 02, 2018

A Miragem

Li numa destas semanas passadas, uma notícia sobre um acto deveras reprovável mas que quadra bem com a caterva de javardos que compõem a sociedade deste país. Dizia a notícia que um indivíduo, sentindo as urgências da natureza, não foi de modas, pespegando uma valente mijadela no interior de um autocarro, pertença de uma Junta de Freguesia que o havia cedido para transportar já não me recordo quem para fazer qualquer coisa. Dizia ainda a notícia que estava a rapaziada lá da tal Junta de Freguesia muito indignada com o mijão, e muito bem, porque aquilo não é coisa que se faça.
Não querendo desculpar o homem*, não estando na posse de todas as informações, podemos aduzir no entanto em sua defesa a existência de alguma patologia que conduza a tal acto, filho de pouca reflexão. A não existir tal condicionante ou outra qualquer maleita que o justifique, o senhor mijão é só mais um javardo, dos muitos que fazem desta grande sociedade de suínos que somos.
Basta observar o parque de estacionamento próximo da rua onde resido, entre velhas porcas e velhos porcos com cães a mijar e a cagar por todo o lado, senhores e senhoras de estirpe superior que se aliviam atrás dos carros, senhoras e senhores, dilectos filhos de Ceausescu, para não lhes chamar outra coisa, que se empanzinam com cerveja e deixam as garrafas e as latas no chão quando a dois ou três metros tem contentores, o que mais haverá para dizer, somos um antro de javardos imundos.
A “Reciclagem” é uma patranha, aqui à volta temo bem que apenas uma em cada dez famílias tentem reciclar os lixos domésticos, porque uma inspecção rápida aos contentores revela que de novo estamos perante um povaréu de javardos, uma curta observação dos hábitos aqui dos indígenas revela que a “Reciclagem” é uma miragem, os contentores estão sempre cheios de tudo e mais alguma coisa, raros são os cidadãos conscientes que reciclam, sendo que o mais são javardos, de raças, cores e proveniências variadas, todos com a mania que são diferentes uns dos outros, todos clamando diferenças culturais e culturas próprias, sendo porém certo que os irmana um mesmo ponto comum, a porcalhice congénita que lhes vai no sangue, podem ate ser de cores e proveniências diferentes, mas são todos uns grandes, uns grandessíssimos javardos.
E é este género de bestas quadrúpedes, que todos os dias encaramos, que todos os dias toleramos, a quem pagamos subsídios, reformas, salários, gente javarda, rebotalho, escória das sociedades, esta ralé medíocre, que é o grosso da sociedade portuguesa actual. Longe vai o tempo em que se cuidavam das ruas, onde era raro encontrar papeis espalhados, existia então um brio, um gosto por cuidar do asseio e da limpeza que desapareceu, perdeu-se esse gosto pelo asseio, tempos antigos dirão uns, é o progresso dirão outros, ora se isto é o progresso, bardamerda o progresso e a modernidade.
Bem pode o faz de conta que é Ministro do Ambiente vir para aí arrotar postas de pescada, porque na verdade isto da “Reciclagem” é uma miragem, com gente desta, nunca passemos da cepa torta, seremos sempre um país medíocre um antro de javardos.

* Posteriormente fiquei a saber que o homem sofria de problemas da próstata, como o motorista do autocarro se recuou a parar o homem aliviou-se onde teve de ser, pessoalmente tinha-o feito em cima do motorista, que grande besta.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia