Segunda-feira, Junho 30, 2008

Novas do Achamento das Terras da Labregónia

Escorreito leitor o Barão descobriu na Torre do Tombo esta carta de achamento, caso a achem parecida com algo que conheçam, relevem que é tudo coincidência. A Labregónia não existe! Ou será que existe e tem outro nome? Será que com aquelas naus vieram Labregos?

“Ano da Graça do Senhor de 1506, Dom Epaminondas Landislau, por mercê de Sua Majestade, capitão-mor da Armada de Rilhafolhes, comunica a Vossa mui estimada Majestade que hemos arribado hem uã terra, da mesma já tendo capturado um indígena e sabendo já da sua linguagem os muito grão rudimentos.

Lançamos ferro em uã ínsua, mui tamanina que em guisa de porto de abrigo nos faz muita mercê e folga, o Capitão-mor manda arrear seis bateis aonde se leva além do Capitão, Frei Gaspar Sublime, Jeremias Mastaréu e mais vulgares gentes de armas e este seu criado em guisa de cronista e prestador de relatos deste achamento.

A praia é larga de para mais de quatro léguas, logo topamos os indígenas, assim e por chegar à fala com eles houvemos de saber o nome da terra que é a Labregónia, sendo os habitantes os Labregos, estes são enfezados, bisonhos e mui dados a escarrar ao chão, coçando as partes pudibundas em tal desleixo que envergonham até o Mestre d’Armas, homem rijo e afeito a contras.

O capitão manda arrear e botar chumbo ao padrão de Sua Majestade, pronto que fica e prestes um Labrego, arreado em uã vestimenta estranha com hum barrete de pala e calçonitos largueirões, com o mais perfeito ar de parolo, lhe assoma e arrefinfa uã pintura, que por cá lhe chamam arte do grafito, eu chamo de pura estupidez arruaceira, estando pespegada em todo o lado, casas, muros, carroças, comboios, monumentos e todo o local onde este tipo de Labrego daninho entende largar a pintura, conspurcando tudo.

Perante tal desmando manda o capitão assestar uã ronda de arcabuz, protegidos de duas alas de piqueiros, fugiram os Labregos em desordem, seguiram os nossos para adentro de muralhas, onde vimos mui esquisitas ruas, é moda dos Labregos estacionarem carros, carretas e carroças em cima dos passeios, indo os que vão a pé pela estrada, em uã das mais completas estultices que já vimos, estes Labregos vivem em condições absolutamente miseráveis e no entanto dedicam tempo e recursos não ao trabalho mas aos campeonatos de empurra bolas às três tabelas muito populares em estas terras. Ainda as ruas estão cheias de lixo, papeis e dejectos de cão, porque mesmo morando num qualquer quinto andar de duas divisões Labrego que se preze tem de possuir hum perro que faça sas cagaduras em o chão das ruas.

Os Labregos são ociosos e pouco dados à labuta, sendo mais destros nos esburgos e folganças, para os quais o seu governo contribui com rendimentos mínimos e demais prebendas, que os escusam de canseiras, podendo dedicar-se a tráficos vários vendas ambulantes e costumeiros morticínios a tiro sem mais escusas, mas dizem que é cultural, que dentro da raça dos Labregos estes são de raça étnica diversa e protegida, bem por mim são tão Labregos como os outros usam é da escusa cultura para embarretar os outros e nunca vergar o canelo para ter casa, carro e demais mordomias, tais são estes Labregos que só visto. Os próprios governos são eira de doutores em Leis e outros que mais esburgam e se governam do que fazem por governar, nunca achando demais as lautas tenças que auferem de bem ou por malas-artes.

É opinião do Capitão-mor que Sua preciosa Majestade deva atirar fora o mapa para esta terra, pois os males e vícios destas gentes depressa contaminam os outros, e nem a sua santa devoção, com muitos santinhos, velinhas e milagres, bruxas, bruxos e benzilhões os safam de rabiar que nem almas danadas nas antecâmaras do purgatório, o que faz pensar que o próprio Altíssimo não queira nada com esta gente, que ao que consta e nos números deles em assentos próprios, são os melhores no todo que é péssimo e os piores em tudo o que é de bem, estranha gente esta da Labregónia, donde o Capitão-mor mandou recolher o padrão e levantar ferro para não mais regressar, com permissão de Vossa Majestade, faremos uma cruz na porta para ninguém mais voltar. Vamos levar uns casais de Labregos para por em cobrição e ver que gente dá em ficando em meio de civilizados, tão prestes cheguemos a Lisboa e estes Labregos cheguem em bem.

E por ser verdade e por o ter visto, manda o Capitão-mor que o escreva e envie a Vossa Senhoria, aos 28 dias do mês de Outubro de 1506 neste dia de São Sinfrósio Anacleto.”

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

Sexta-feira, Junho 27, 2008


O blogue do Barão sempre na vanguarda do conhecimento, obteve em primeira-mão uma cópia dos exames nacionais do próximo ano, que demoraram à equipa que os elaborou sem interferência do Ministério e ou da nossa Sublime Ministra, 3 anos a elaborar, tão sapientes e doutas são as mentes iluminadas escolhidas pelo nosso glorioso Ministério da Educação símbolo máximo da excelência que o nosso amado Líder impõe à nossa gloriosa Nação rumo ao glorioso futuro semeado de pétalas de rosa e rios de mel.

Prova de Português

Nome: ...................... (Escrever correctamente o nome sem erros, respeitando toda a eventual acentuação existente, 10 Valores

I

Analise o seguinte poema e responda às perguntas:

Branco e preto,

Preto e branco,

Branco e preto,

Preto e branco.

In, Manuel Azul, obra Poética, 2001, Marosca Editores

1 – Este poema tem duas cores! Quais?

Azul e verde

Branco e preto

Amarelo e roxo

Vermelho e violeta

(3 Valores)


1 – Beca? ió, tásse bem, bué, iá, da, time, espera, uma. Com estas palavras construa duas frases. (2 Valores)

III

1 – Escreve um ensaio de não mais de 5 frases descrevendo como ata os sapatos. (5 Valores)


Prova de Matemática

Nome: ...................... (Escrever correctamente o nome sem erros, respeitando toda a eventual acentuação existente, 5 Valores)



I

1 – Desenhe a figura seguinte:




(10 Valores)

II

1 – Resolve as seguintes operações:

a) Zé Rosca tem 3 mortalhas e dois cigarros, precisa de fazer 4 ganzas. Responda justificando com a operação.

b) Chico Arrepiado, tem uma soqueira, uma amiga, uma naifa de mola, uma borboleta e duas 9mm, quantos colegas consegue roubar em meia hora? Responda justificando com a operação.

c) Serafim Estulto tem 4 latas de spray, um muro de 5 metros e um telemóvel, quanto tempo leva a borrar o muro e a enviar 574 sms? Responda justificando com a operação.

(5 Valores)



um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

Segunda-feira, Junho 23, 2008

Maravilhosa Criatura

Segui com relativa atenção a arenga da senhora Ministra da “Educação”, numa entrevista que deu no outro dia a um canal de televisão, depois dos primeiros cinco minutos de “fait divers”, fiquei completamente perplexo, assaltou-me a dúvida; Quem será esta senhora? De que está ela a falar? Refeito do choque, após quinze minutos fui de novo assaltado por várias dúvidas:

Hum, estará esta senhora ébria? Será esta senhora mentalmente sã ou não percebe mesmo nada disto? Estas dúvidas assaltavam-me à medida que a senhora Ministra de “Educação”, ia soltando as mais clamorosas abstrusidades, quem a ouvisse falar e não conhecesse um pouco a realidade, tristíssima, da educação portuguesa.

Quanto mais a senhora falava, mais, ficava eu atónito, assim só ouvindo a senhora falar, parecia que vivíamos num paraíso da educação, parece que atingíramos o nirvana educacional, mostrando ao mundo que somos realmente capazes de fazer algo com préstimo, quanto mais a senhora falava, pior ficava eu, completamente desconcertado com tão grandes e tantas bojardas.

A sorte é que os números todos os dias desmentem a senhora Ministra da “Educação”, não os seus números, mas os números independentes, os dados da OCDE e da Europa, para além das mais empíricas constatações pessoais, ao ouvir a senhora ministra parece-nos viver um terrenal éden, quando na verdade, o que aqui vigora é um Hades terreno, com tudo o que de mau aí possa existir.

Instada a pronunciar-se sobre a falta de segurança nas escolas, a senhora Ministra da “Educação”, como boa politiqueirota de trazer por casa, desvalorizou por completo a questão, o que é curioso, porque se por um lado o Procurador alertou, no parlamento, para uma situação cada vez mais crítica, por outro a senhora Ministra da “Educação” desvalorizou, daí se depreendendo que um dos dois mente ou não tem a mínima noção da realidade.

Esta maravilhosa criatura, demonstrou a quem a quis ouvir que o estado da educação é bem pior do que aquilo que julgamos, entre a barracada imbecil da TLEBS, a estuporada cretinice do Acordo Ortográfico e o absoluto desnorte das escolas, dos agrupamentos e dos professores e alunos, seguimos nós qual inafundável Titanic, direitinhos ao fundo. As políticas educativas, tem sido razoavelmente péssimas nos últimos trinta anos, mas a actual bate claramente aos pontos qualquer outra, mesmo as iniciativas, que aparentemente trazem algo de novo se esgotam em pequenos detalhes operacionais, nos quais ninguém parece pensar quando são concebidas as grandes estratégias pelas luminosas mentes do poder, voltarei a este tema para falar da desresponsabilização estatal sobre a educação e do empurrar das escolas paras os municípios, quando isso se concretizar será a machada final no ensino que sofrerá uma degradação sem limites, porque câmaras a gerir o ensino só pode ser anedota.

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

Segunda-feira, Junho 16, 2008

Fragilidades

Com a recente greve, paralisação ou o que lhe queiram chamar, ouvimos mais uma anedota parlamentar, o senhor primeiro-ministro diz que sentiu o país vulnerável. Quase morri a rir, foi a melhor anedota que ouvi em muitos meses. Ó senhor primeiro-ministro, o ilustre amigo anda com certeza distraído, não é loiro, mas é um pouco distraído, então o país está vulnerável, por meia dúzia de camionistas, com razão ou não, nem isso vem ao caso, dizia eu, que o país fica vulnerável por uma arruaça sem importância, descontando a infeliz morte de uma pessoa, onde meia dúzia de gatos-pingados gritam e tal e outros tantos faz tudo para furar o protesto, numa atitude típica à portuguesa.

É isto o seu vulnerável, imagino o que não diria o senhor se a paralisação fosse realmente algo sério, como fazem ali na Europa, olhe pergunte ao seu amigo Zapatero ou ao camarada Sarkozy, pergunte-lhes como são estas coisas quando levadas a sério, vossa excelência sentiu o país vulnerável, pergunto-me porquê?

Não lhe parece que por exemplo, o facto de termos uma Justiça miserável, ineficaz, despesista e mal habituada a mordomias, não traz vulnerabilidade para o país.

Não lhe parece que possuirmos umas polícias absolutamente indigentes, alvo de chacota permanente, que por vezes reagem mal, por falta de preparação e superior orientação, de possuirmos uma PJ, completamente manietada e politizada, com elementos que muitas vezes mais servem a interesses obscuros que a Justiça, não lhe parece a si que é o primeiro dos ministros que isto é algo que verdadeiramente traz vulnerabilidade ao país.

Não lhe parece que as maternidades sem segurança absolutamente nenhuma, diga-se que conheço quatro serviços de maternidade e o único que aparentemente funciona devidamente é o da Estefânia todos os outros três são uma anedota em termos de segurança, são realmente algo que é verdadeiramente vulnerável, em que os hospitais esperam fundos comunitários para poder instalar meios de segurança dignos desse nome, na costumeira atitude de pedinchice que já nos caracterizou perante a Europa.

Não lhe parece que possuirmos um sistema de socorros a náufragos e busca e salvamento completamente anedótico e terceiro mundista, em que um navio em apuros a 30 metros da costa vê os seus tripulantes perecerem por uma absoluta falta de coordenação e meios, não lhe parece que isto é que é estar vulnerável.

Não lhe parece que possuirmos um sistema de combate a incêndios que roça o imbecil. Onde corporações que vivem do voluntariado, ai se não fossem eles, combatem incêndios com carros com 30 e 40 anos, com falta de tudo, num país onde se gastam milhões em cretinices como submarinos.

Não lhe parece que possuirmos, o mais absurdo e despropositado sistema de comunicação entre as várias instituições, um país onde é mais fácil falar com uma esquadra de Ugadugu do que com o carro patrulha do bairro, não será isto um sintoma de um estado vulnerável.

Não lhe parece que possuirmos, algo a que chamamos economia, e digo algo, porque na realidade não temos economia, disso se certificaram os vários governos que desde 1986 nos têm tentado enviar para o mais profundo dos infernos, fazendo de nós o país da Europa comunitária que mais atreito está a sofrer com qualquer meia crise que surja, não lhe parece senhor primeiro-ministro que isto sim é que é vulnerável.

Não lhe parece que possuirmos um sistema de educação absolutamente miserável, onde há muito que ninguém aprende nada, em que tudo no sistema de ensino aponta para meras preocupações estatísticas, com evidente prejuízo do país e das futuras gerações. Não lhe parece que isto é mesmo vulnerável.

Continuaria quase que indefinidamente a falar de vulnerabilidades sérias, que este pardieiro a que chamamos país tem, vulnerabilidades que ninguém parece querer resolver, dizer pois que sentiu o país vulnerável por uma situação ridícula como esta grevezinha dos camionistas, é na minha humilde opinião, senhor primeiro-ministro revelador de uma muito grande distracção em relação ao país real do que vosso senhoria é governante.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

Segunda-feira, Junho 09, 2008

Queixinhas

Queixava-se recentemente o Chefe de Estado das Forças Armadas que há uma crise nas fileiras, não há praças suficientes, para manter os níveis de operacionalidade, contrapôs o ministro que tutela a área com a necessidade de um estudo e da implementação de critérios e por aí adiante numa usual verborreia politiqueira que quer dizer coisa nenhuma, ou antes quer dizer exactamente quão incapazes são lá por aquelas bandas.

Uns dias antes também ouvíamos queixas oriundas das polícias, concursos para 5 mil efectivos ficaram-se pelos 2 mil concorrentes, uma vez mais desta feita o Ministro da Administração Interna lá tirou do capote mais umas nulidades verbais e uns dichotes inconsequentes, que nada adiantam ao problema, que tem uma única causa, os salários absolutamente miseráveis que ganham as praças ou equiparados, quer num lado quer noutro.

Nas Forças Armadas e nas polícias os salários mensais andam entre os 600 e os mil e poucos euros, um ordenado porreiro para quem é solteiro e bom rapaz, mas para alguém que tenha família, casa para pagar e por aí adiante não chega. Senhor Ministro o estudo está feito proceda conforme, ah e os 50 ou 100 mil euros que vai pagar aos estudiosos do assunto pode já enviar para aqui que eu agradeço-lhe, mas como sou um gajo porreiro e sei que o país está em crise aceito metade da verba.

No caso das polícias a coisa ainda é pior, porque, para além de ganharem miseravelmente mal, os homens e mulheres que enveredam, sabe Deus porquê, por essa carreira, estão sujeitos a uma inacreditável sucessão de atropelos ao seu bom desempenho profissional, atropelos de toda a ordem sendo o mais comum aquele que decorre a completa e absoluto falta da autoridade do Estado que não manda nada, como verificamos todos os dias.

Se queres ser maltratado e insultado, se queres pagar a farda do teu bolso e a gasolina para os carros andarem, se queres ser agredido e baleado sem puderes sequer esboçar uma reacção de defesa, se queres passar horas a fio par deter um energúmeno que é libertado em segundos, então não procures mais vem para a PSP ou para GNR, sentir-te-ás em casa.

As nossas Forças Armadas estão sobre dimensionadas e com pirâmides organizacionais invertidas, os oficiais existentes chegam para comandar o triplo dos efectivos e dos meios, as instalações dos estados-maiores dos três ramos estão cheios de militocratas, vulgo funcionários públicos fardados que só arrastam os orçamentos para o despesismo, há gente a mais no sítio errado e há gente e meios a menos onde fazem falta, o facto da GNR continuar com o seu estatuto de condição militar, é uma aberração pura, só se justificando como é sabido porque a sua cadeia de comando serve para absorver o desperdício e fim de carreira de toda a besuntaria acima de coronel que vem do Exercito.

Cheguei a pensar que este ministro entenderia o problema, mas não, é mais um, que não vê um boi do problema, que esgota as finanças a engordar armários de medalhas e cerimónias de dias de unidade, enquanto isso, continuamos no mais absoluto terceiro mundismo.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

Quarta-feira, Junho 04, 2008

“Mileuristas”

Outro dia li um artigo sobre os “mileuristas” rapaziada nascida entre 1968 e 1980, com qualificações académicas e que vegeta com ordenados à volta dos mil Euros mensais, fiquei cheio de pena, diz o artigo que muitos vivem em casa dos pais e pasme-se tem computador, ipod, mp3 e todas as tralhas das elites urbanas.

Lembrei-me que existe uma sub-classe dentro desta dos “mileuristas” uma classe também muito importante, a dos “quinhentoeuristas”, rapaziada igualmente qualificada mas que vive com metade do ordenado dos outros e nem a propósito recebi este mail:

Caro Barão deixe que lhe envie este pequeno desabafo, vale o que vale, quantos não seremos como eu, assim quase inumanos.

Diário de um “QuinhentoEurista”

São sete da manhã o despertador acabou de tocar, ensonado e cambaleante, caminho para a casa de banho pelo meio desperto a minha “Maria”, ensonada por mais uma noitada a trabalhar em papeladas inúteis concebidas por energúmenos do ministério da falta de educação, mas isso a senhora ministra não vê. O pequeno acordou às três da matina e veio para o meio de nós, dorme que nem um anjo o pequeno mafarrico, lá fora trinam os melros e os primeiros pardais, caem as primeiras gotas de água.

São sete e trinta, já dei a obrada da praxe, tomei duche, desfiz a barba, vesti-me e a mesa está posta para o pequeno-almoço estando também o biberão já pronto só falta aquecer, a “Maria” resmunga qualquer coisa e finalmente lá se arrasta para o banho, o meia leca continua a dormir daqui a 5 minutos aparece-me na cozinha, a balbuciar “carrinha mágica” desenhos animados preferidos do momento.

São oito horas saímos de casa, levar o pequeno à avó, santa instituição essa das avós, - Porra já estou atrasada! – Pois esperam-na ainda 40 quilómetros de estradas das boas, são 25 Euros de gasóleo por semana a preços de hoje, amanhã logo se vê, transportes públicos só se for um dia antes para chegar a tempo, dormindo claro está à porta da escola. - Invectivo a “Maria. – A que horas te deitaste?

- Duas e pouco tu tá lá calado já deito projectos e relatórios e avaliações pelos olhos, que vida de merda!

- Como eu a percebo!

São nove horas estou a entrar no local de trabalho, um serviço público que só abre às 10 e em que a minha hora de entrada é às nove e meia, ou seja quando abre já tenho uma hora de trabalho, que claro ninguém contabiliza, também quem me manda ser parvo, mas pelo menos o trabalho está sempre pronto a horas e a consciência tranquila.

São agora meio-dia e meia, voo até casa, fumo um cigarrito rápido pelo caminho, almoço qualquer coisa, apanho a roupa que ficou a secar, meto mais na máquina para lavar, arrumo a loiça e volta a colocar mais loiça para lavar, hoje felizmente não é dia de aspirar, sim porque só tenho dinheiro para pagar a uma mulher-a-dias quatro horas de quinze em quinze dias, no entremeio à vez eu ou a “Maria” fazemos as vezes dela, afinal somos nós que sujamos, por isso não te queixes.

São catorze horas estou aqui há quinze minutos, lá vêm os primeiros clientes, segue-se um dia normal, avarias, aulas, e uns dedos de conversa, ajuda gostar daquilo que faço, ainda fujo uma ou duas vezes para um cafezito e um cigarrito. Dezoito horas fecho a tasca, volto para casa, vou buscar a criança, sento-me um pouco com a “Maria” trocamos uns dedos de conversa e ala que se faz tarde.

Acabaram de apitar as dezanove horas, estou a pé há doze horas, vou fazer o jantar, enquanto a “Maria” dá banho ao minorca, ponho a mesa, arrumo qualquer coisa, tenho tempo ainda de emborcar uma Sbock, vou arrumar a casa de banho que fica num pranto cada vez que aquele menino toma banho, vinte uma horas, depois do fadário do costume para fazer o pequeno moinante comer, fumo um cigarro à varanda, de seguida vou arrumar a cozinha, deixar comida meio preparada para manhã, rapidamente chego ao quarto da pequena melga, vou brincar com ele, corremos, saltamos, rimos muito e depois uma história, que ele adora.

Hoje tenho trabalho, uma tradução, porreiro vou ganhar mais uns trocos, acabo à uma e pouco, estou a pé há 18 horas, levanto-me da cadeira, lavo a dentuça e vou dormir, amanhã espera-me outro dia e depois outro, tenho 40 anos, sou licenciado, tenho uma pós graduação e um mestrado a meio, falo 6 línguas escrevo fluentemente 4 delas, tenho competências informáticas e excelentes referências profissionais, ganho 400 e tal Euros nos meses bons 500, pago impostos muitos, tento ser bom pai e marido e excelente profissional, sou honesto e respeitador, altruísta e participativo e esta é a minha vida nesta merda de país onde tive a infelicidade de nascer, quantos como eu andam por aí, tristes desiludidos fartos disto tudo...

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

Segunda-feira, Junho 02, 2008

Virar a página

A ti Manela, lá abichou a vitória, parca de discursos, claro, quem pouco ou nada tem para dizer, o melhor que faz é mesmo ficar calada não vá sair asneirada da grossa, ainda assim daquela esfinge saiu uma tirada que acho genial,... Virou-se uma página...

Querendo a senhora talvez dizer que se avançou para algum local, erro crasso, virou-se a página isso sim para trás, a ti Manela é mais do mesmo, é mais cavaquismo, é mais guterrismo é mais socratismo, ou seja a mudança a existir é só na forma porque o conteúdo esse é o mesmo, ou já se esqueceram da ti Manela ministra da Educação, a nódoa que foi, pior mesmo e porque não lhe deram tempo só a ti Maria actual, já esqueceram também a ti Manela ministra da Economia, muito daquilo que o Zézinho Filósofo hoje atira para as estrelas vem do tempo da Manelinha e do Bago Grandão, por isso não esperem melhoras com a ti Manela.

Os votantes do PPD, enganaram-me afinal não são assim tão asnos como eu pensava, escolheram, mal é claro, mas escolheram talvez até inconscientemente a melhor solução para ordenar a casa. Nenhum dos outros dois o conseguiria fazer, porque teriam sempre os arrasta canelos a morder nas abas da casaca.

Duvido que a ti Manela ganhe eleições, creio que os tansos dos portugas não vão trocar um troca-tintas por uma encomenda estragada, assim como assim a malta até acha piada ao filósofo, também não acho que a ti Manela tenha dimensão para um cargo de primeira-ministra, como também não vejo atrás dela ninguém que se aproveite, alias o PPD anda pela hora da morte, aquilo parece um estaleiro de obras é só entulho.

A ver vamos o que daqui sai, sendo certo que por enquanto nos vimos livres do Santanolas, o que nem é mau de todo, menos um engulho a emperrar a engrenagem, mas em contrapartida, entre os incondicionais da ti Manela está esse abrupto do Pacheco, essa sumidade da labregada, só lá falta para compor o ramalhete o outro fala-barato militante o sabão mor do reino o Sousa sabe-tudo, a propósito deste gajo, ontem durante mais um enjoo de selecção, a dada altura aterrei no canal onde o camarada estava a cagar lampanas, precisamente no momento em que o avião ia a levantar voo, dizia o sabichão,... o avião está a demorar muito a levantar e porque torna e porque deixa, blá blá blá, já devia ter levantado... entretanto após ter feito o retardo cerimonial o piloto largou o air brake, flapes em cima e a máquina levantou. Então o Sousa agora é piloto, já tem brevet, realmente presunção e água benta, é à discrição, e depois ainda à gentinha que gosta de ouvir as bojardas deste tipo de coca-bichinhos.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

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Reposição dos Benefícios Fiscais – Movimento dos Trabalhadores Portadores de Deficiência