sábado, junho 16, 2018

Temos horror à memória!

- Vocês têm tanta coisa interessante em ruínas, porquê?
Esta pergunta fê-la um amigo, que não vejo fisicamente há imensos anos, tantos quantos têm a pergunta, apesar de falar de quando em vez com ele, abençoadas as maravilhas da tecnologia que permitem galgar os milhares de quilómetros que nos separam, continuamos amigos desde esse tempo ido do século passado em que passando por um velho convento em ruínas me fez aquela pergunta.
Não tive resposta para lhe dar na altura, encolhi os ombros e sorri, «Portugal é assim» talvez lhe tenha dito. Portugal convive mal com a memória, somos para além de um povinho manso, um povinho desmemoriado, logo condenado, logo à beira da extinção como de facto estamos.
As memórias, como o sabe qualquer um, são uma parte importante da pessoa, do ser que somos, não só as memórias próprias, como as memórias visuais dos locais, como também a memória colectiva de um povo que serve para o unificar. Infelizmente neste país o que mais se faz é destruir essas memórias. Vejam-se as nossas cidades, vilas e mesmo aldeias, arrasadas pela especulação imobiliária, descaracterizadas, transformadas em sórdidos subúrbios, mercê de uma corja de autarcas mentecaptos, acoitados pelo lema do progresso.
Ainda há uns tempos alguém me dizia a proposito de um desses medíocres miseráveis que destruiu a beleza e a memória de uma terra, “…não sejas assim o homem fez obra…”, respondi-lhe à moda do velho almirante com um bem pronunciado “bardamerda a obra”, pois neste país confunde-se muito o alcatrão e cimento a esmo com progresso, e progresso não é nada disso, progresso é qualidade de vida, o progresso é preservar as memórias o progresso são espaços verdes, o progresso é gente com decência, urbanidade e civismo, ao invés disto que por cá temos.
Quem hoje olhar para as localidades de Portugal não as reconhece, do ponto de vista da arquitectura, o que se nos apresenta é um nojo completo, o que até nos faz pensar porque ao que parece possuímos excelentes arquitectos, no entanto a construção que se faz é de miserável qualidade, sendo esteticamente medíocre, descaracterizando por completo as localidades, transformando tudo em subúrbios miseráveis, olho aqui por exemplo para a minha terreola onde a preservação foi quase zero e vejo uma enxovia miserável onde o disparate parece não ter fim.
Pude noutros tempos, viajar muito, ter um pai camionista permitiu isso, vi centros históricos bem preservados, apesar de terem sido bombardeados, de terem vivido duas guerras em pouco mais de quarenta anos, com gente a viver nesses locais, com turismo, vi memórias bem preservadas, vi ruínas conservadas com desvelo, comparo com o hoje vejo em Portugal, com muita tristeza constato que por aqui temos horror à memória, não só não a cuidamos, como tratamos de destruir o pouco que há na ânsia de sabe-se lá o quê.
Recentemente li alguns artigos em jornais, escritos por pessoas que se queixam por destruírem as memórias das suas cidades, Nova Iorque, Londres e agora Lisboa e o Porto, eram o palco das queixas de quem escreveu esses artigos, acusando o turismo, a ganância bem como a parvalheira generalizada de terem ou de estarem a arruinar as memórias dos locais.
Pois é bom que se saiba que essa lavagem à memória é algo que em terreolas pequenas como por exemplo esta onde habito tem décadas, desde que se instalou aquilo que chamarei “Síndrome da Lisboetice”, traduzindo por miúdos, ao invés de preservarem a construção, a traça típica e original dos locais, adaptada claro está à modernidade e ao bem estar deste século, para assim criarem elementos modernos mas diferenciadores, para atraírem visitantes, preservando a memória, revitalizando os centros históricos, o que fizeram os inteligentes autarcas por esse Portugal fora, caixotes, e mais caixotes de cimento, hoje a hashtag seria “#somostodosLisboa”, temos todos de ser muito modernaços de fazer muitos prédios, miseráveis enxovias que cairão ao primeiro peido que a Terra der, para sermos muito desenvolvidos temos de ter muitos prédios, muito cimento e alcatrão, para claro está deixar obra, às malvas a memória, viva o progresso, assim se obra em Portugal!
Neste processo de estupidez colectiva, criaram-se monstruosidades arquitectónicas, nos mais insólitos locais, mercê da corrupção que ainda grassa nas autarquias, verdadeiras escolas da corrupção nacional, construiu-se em todo o lado e de qualquer maneira, desde que fosse alguém importante lá da terra, destruíram velhinhos bairros inteiros para construir mamarrachos.
- Vocês têm tanta coisa interessante em ruínas, porquê?
Continuo sem conseguir dar uma resposta coerente à pergunta daquele meu amigo. Somos um povo avesso às memórias, queremos é esquecer tudo. Quem esquece o passado nunca terá futuro que preste, quem esquece a sua memória desvirtua a sua condição de ser pensante, mas como pensar dá muito trabalho, que pense quem quiser.

Um abraço, deste vosso amigo 
Barão da Tróia

sábado, junho 09, 2018

O Pitrolino

O actual Ministro, faz-de-conta, do Ambiente é uma figura que me causa profundo dó. Primeiro pela clara falta de preparação técnica, depois pelas tristíssimas figuras que o pobre homem tem feito. Recorde-se o seu desempenho na questão da poluição do Tejo, que não só não desapareceu, não desaparecerá mas que continua, quando o rio estiver completamente morto, quando toda essa excelente reserva de água doce estiver completa e irremediavelmente poluída, nesse dia talvez, alguém se irá lembrar do pobre Tejo, faço aqui referência a essa questão do Tejo apenas como exemplo do tratamento que Portugal dá aos seus recursos naturais, sendo também um excelente exemplo do estado dos cursos de água doce, que como muito bem deveriam saber é o bem mais raro, essencial e escasso do planeta.
Mas voltando ao senhor quase Ministro. Uma outra polémica, mais uma, esta com uma potencialidade enorme de se tornar num caso letal de envenenamento da ainda protegida costa Vicentina, falo claro está, da autorização para a exploração petrolífera ao largo de Aljezur.
Portugal é um país verdadeiramente fantástico, governado por seres saídos da maior incubadora de génios do universo, somos um país que anda quase sempre em contra ciclo, quando o Mundo faz «Zag», nós fazemos «Zig» e vice-versa. Quando no Mundo, pelo menos no mais civilizado, o paradigma dos combustíveis fosseis é colocado em causa, ainda que timidamente, o que faz Portugal, mercê de dois governos protagonizados por gente inteligentíssima, falo do actual bem como do anterior, duas súcias de indigentes intelectuais infelizes, que permitiram aos velhacos do petróleo licenças absurdas para esburacar o mar à procura de petróleo.
Ao povinho foi dito à boca cheia que “o projecto da Eni e Galp poderia “ajudar a reduzir o défice comercial”, notem que eles não mentem totalmente, ao contrário dos que nos governam, os senhores do petróleo são inteligentes, notem que na frase está uma palavra que traduz tudo e que faz toda a diferença, a palavra “poderia”, pois é bem verdade, o projecto de exploração poderia servir para trazer os tais milhões aventados, mas não trará, como não trouxe em nenhum lugar do terceiro Mundo, como Portugal, onde essas empresas rapaces e oportunistas se dediquem à exploração do petróleo, exemplos não faltam, da miséria que essa actividade trouxe aos povos.
Mas por cá não, por cá eles farão diferente. Esperem sentados. Os governos que deveriam servir as pessoas, servem-se antes das pessoas, pior é que as pessoas, embasbacadas como andam com novelas medíocres dos futebóis, das santinhas e do telelixo nacional, ao invés de se manifestarem, nem por isso, aparentemente estamos todos bem muito obrigado, isso é lá com eles, ou a frase mais estupidamente incrível ouvida amiúde, dita até à exaustão pelo mesmo povaréu bronco, “se traz progresso para a terra”, o problema é que progresso não tem de ser alcatrão e cimento, progresso não tem de ser miséria e porcaria em barda.
Pior é que isto tudo se passa num pardieiro miserável chamado Portugal, onde as energias renováveis são uma obscena negociata para chinês ganhar dinheiro, será que o senhor Ministro mexia nisso, não creio, porque depois de venderem o país ao desbarato os miseráveis governeiros ainda têm o desplante de dizer que tomaram a melhor das opções, sabendo nós que por exemplo só em bancos falidos, enterraram o suficiente para fazer 23 pontes Vasco da Gama ou seja poderíamos fazer uma ponte continua com 283 Km.
Vivêssemos nós no tempo da monarquia falida, fosse o faz de conta que é ministro do Ambiente um rei, o seu cognome seria DOM João “ O Pitrolino”, rei de Lisboa e chega, que o resto é do chinês, do angolano, do árabe, do inglês e das petrolíferas.

*O “Pitrolino” é uma figura da minha infância, exemplo da resiliência e capacidade empreendedora deste nosso povo, o Pitrolino chegava de carroça, mais tarde de carrinha, vendia petróleo, mais tarde vendia um pouco de tudo, de mercearias finas a petróleo, sabão e cotos de vela, era uma espécie de hipermercado em ponto pequeno que chegava às aldeolas perdidas, deixou por vezes de ser o “Pitrolino” para passar a ser o “Azeiteiro” o que vendia azeite e mercearias. Peço desculpa por comparar a figura nobre e digna do velho Pitrolino, a esta infeliz criatura que dizem ser Ministro do Ambiente.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sábado, junho 02, 2018

Ponto por ponto!

Esta semana que passou fomos agraciados com interessantes e esclarecedores informações sobre o genocídio nacional, sim em Portugal pratica-se há muito um genocídio, nada tem que ver com a eutanásia, aliás, esta catástrofe causa e causará muitas mais mortes que a eutanásia, chama-se condução automóvel, parece que não suscita nenhum alarde, não há iniciativas parlamentares, súcias de ratos de sacristia em manifestações labregas, declarações medíocres de grupelhos partidários, nada, quanto a isto “tasse bem” como sói dizer-se agora na modernidade.
O primeiro núcleo de informações prende-se com alguns dados sobre o sistema de Carta por Pontos. Quando este sistema foi, pomposamente apresentado e posteriormente colocado em prática, fui um dos que atribuiu ao mesmo o epíteto correcto, “palhaçada”, os dados que esta semana foram revelados, mostram que a minha avaliação está correctíssima, até o Presidente da Autoridade para a Prevenção Rodoviária o declara por outras palavras claro está, a minha avaliação pecou apenas por defeito, pois olhando para as estatísticas o sistema de Carta por Pontos não é uma “palhaçada” é sim uma “colossal palhaçada”, que mais uma vez deveria fazer corar de vergonha, governantes e governados, mas como uns e outros são a súcia medíocre que está à vista, tudo passa com uns esgares, uns encolher de ombros e depois como amanhã joga a selecção está tudo bem.
Ora em dois anos de estúrdia, ficámos a saber que apenas 59 criminosos da condução ficaram sem carta de condução, isto em 700 mil autos levantados, outros 157 perderam a totalidade dos pontos existindo ainda a possibilidade de o automobilista recorrer judicialmente e de o processo poder ser impugnado, podendo assim recuperar os pontos.
Posto de outra forma, o grandioso sistema de Carta por Pontos, que iria revolucionar as mentes das bestas automotorizadas que por cá habitam, que serviria para proteger, que serviria para ajudar a reduzir a desgraça que são as mortes na estrada, a impunidade e a falta de civismo, serviu para quase nada, um barrete colossal, mais um, enfiado pelos lorpas que habitam o paraíso dos asnos, também chamado Portugal, ainda não há muito diziam que os burros estavam em extinção, nunca tivemos foi uma tão grande e tão pujante população de gado asinino como temos hoje.
O tal sistema de Carta por Pontos é indubitavelmente mais uma barracada nacional, mais um exemplo acabado do laxismo e da impunidade com que se vive nesta terra de imbecis, os dados agora revelados, só provam essa realidade, seria interessante fazer umas contas simples, perceber quanto custam estes processos, quanto custa este tal sistema comparando esses custos com os resultados, seria interessante.
Os segundos dados que nos foram revelados estão constantes do relatório sobre a sinistralidade em 2017, estes quando comparados com os dados anteriores, revelam assustadoras discrepâncias, mais provam que o tal sistema de Carta por Pontos é apenas uma, mais uma inenarrável palhaçada.
Consultado o relatório, constatam-se 510 vítimas mortais, grosso modo 42 mortes por mês. Para vos dar uma ideia da verdadeira hecatombe que tais números representam, dir-vos-ei, que o pior ano de baixas para as tropas americanas em guerra no Iraque foi o ano de 2007, com 904 mortes, notem que são apenas mais 394. Notem porém que em 2007 a guerra estava descontrolada, com ataques de todo o tipo que vitimavam os soldados.
Daí para cá, as baixas de soldados americanos foram sempre menores que as mortes nas estradas de Portugal. Este facto deveria fazer com as pessoas que neste país são responsáveis políticos, parar e pensar, infelizmente não, infelizmente, neste reino do faz de conta, institui-se a carta por pontos e espera-se que a coisa ande.
Onde se morre mais é nas localidades e com bom tempo. Prova de que o cidadão nacional é um imbecil mais que completo. Um impressionante número de 92 mortes pertence a peões, atropelados por veículos, um número assustador, só para vos dar um exemplo, no mesmo ano de 2017, morreram 17 militares no Afeganistão, um dos países mais perigosos do mundo, onde se juntam, talibãs, Al qaeda e DAESH, nem esses três juntos matam mais que nós, os tristes imbecis automotorizados.
Resumindo, o que estes dados revelam é mais do mesmo, impunidade, laxismo, inépcia, ineficácia, pobreza de espírito e mediocridade generalizada. Ninguém sai bem da fotografia, governantes, governados, polícias e Justiça, o desempenho de todos, cada um com as suas motivações é manifestamente medíocre, é vergonhoso e é sobretudo patético ademais num pais com tantos problemas demográficos, termino dizendo que fazendo fé no relatório, um pouco mais de uma centena das vítimas mortais tem menos de 35 anos, o que volto a dizer deveria ser facto suficiente para nos encher de vergonha, pois parece que assim não é.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sábado, maio 26, 2018

Faz de conta...

Hoje vou perder tempo para discorrer sobre gentalha medíocre. Vou discorrer sobre o recente infausto evento em que meia centena de infelizes, mentecaptos e vadios, invadiram as instalações de um conhecido clube de futebol, veneranda e digna de respeito, instituição, não sendo eu adepto dessa cor, conservo porém o respeito que é devido a instituições do quilate daquela que sofreu aquele acto miserável, perpetrado por uma inqualificável súcia de meliantes.
Mas vamos ao início. Não foi este vil acto, o primeiro do género, outras invasões, cometidas por outras manadas de energúmenos aconteceram, sob o beneplácito e, até por que não dize-lo, sob o chapéu do laxismo das autoridades, que não as polícias que parecem ser os únicos que ainda tentam lutar contra a impunidade.
Esta infeliz ocorrência nada têm que ver com o desporto, nem com o futebol, nem muito menos com o clube em que aconteceu, não, este infeliz evento, tem que ver somente com algo que temos vindo a ver crescer nesta última década, para não irmos mais atrás, que é a impunidade e o completo relaxe da autoridade de Estado que não existe sequer.
O Estado em que vivemos, sendo certo que todos dele fazemos parte, é infelizmente um antro medíocre de gente miserável e intelectualmente incapaz, coito de biltres, de pulhas, de ladrões, de vigaristas e de miseráveis, tendência essa que nesta última década se tem agudizado. A coisa começa desde a mais tenra idade nos bancos da escola, existe em Portugal uma cultura de impunidade, que começa nas escolas, singrando depois pela sociedade acima, os exemplos desse miserabilismo cultural, social e de valores, são imensos, começam logo pelas elites dirigentes, pelos políticos e governantes.
Desse modo, munidos desses excelentes exemplos, as nossas crianças desde muito cedo sabem que são impunes, desde cedo que vêem outros ficar impunes, mercê de pretensas diferenças étnicas, sociais, geográficas e ou de outras miseráveis desculpas, desde cedo que a única coisa que verdadeiramente lhes ensinamos é a impunidade, a mediocridade o pouco valor do trabalho e do conhecimento, desde cedo assistem aos polícias, aos médicos ou aos professores espancados pela ralé asquerosa que engorda mercê do parasitismo social, sem que isso lhes traga qualquer incómodo.
Daí que não me espante que às cinco da tarde de um dia de semana, dia de trabalho, meia centena de brutos, tenha tempo de andar em manada para ir bater em jogadores de futebol, porque estes perderam um jogo, esta gentalha faz o quê? Vive de quê? Não trabalham? Não terão mais e melhores objectivos com que ocupar as suas medíocres existências? Pois parece que não.
Estes seres ignorantes, são o produto deste Estado sem Autoridade, são os filhos deste paraíso da impunidade a que chamamos Portugal, este Estado quase falhado, que só o não é, verdadeiramente, ainda porque como disse, e muito bem, sua excelência o senhor presidente da república…os portugueses gostam muito de fazer de conta…, obrigado senhor presidente por também concordar com aquilo que já escrevi centenas de vezes, Portugal é o reino do faz de conta, nunca passámos disso, não passamos disso nem nunca iremos mais além, somos uma espécie de ilha da fantasia, mas real.
O ataque daquela gentalha medíocre mais as declarações de um dirigente desportivo, criatura digna da piedade de todos nós, que quer processar meio mundo, são circunstâncias reveladoras do caminho que este antro da mediocridade tomou, criámos uma geração de bebés arrogantes, de fedelhos birrentos que desconhecem o significado da palavra respeito, que não sabem tolerar a frustração, que depois de fazerem asneira escondem as caras, trampa cobarde que são, não estando portanto preparados para serem considerados pessoas, infelizmente fossem estes os únicos, estaríamos bem, infelizmente temos récuas de gentalha deste calibre, gente a quem tudo se lhes permite, pelas mais variadas e imbecis razões, porque são brancos, porque são azuis, porque tem a mania que são diferentes, a nossa sociedade está infelizmente prisioneira deste lixo, o pior é que uma grande fatia dessa sociedade é parte integrante desse rebotalho de fedelhos birrentos, inconsequentes, irresponsáveis, medíocres e miseráveis.
Mais, de novo uma declaração sua excelência o senhor presidente da república, com a qual concordo, que já por várias vezes abordei noutros escritos…Portugal não pode ser um país onde metade se rege por princípios da Democracia e a outra metade não… Concordo inteiramente, no entanto é precisamente isso que acontece, talvez até mais de metade do país, não sabe nem sonha sequer o que é Democracia, para essa infeliz maioria, a Democracia é viver sem trabalhar, impunes, viver sem pagar impostos, impunes, viver só com Direitos esquecendo os Deveres, impunes, roubar, traficar, viver de esquemas, impunes, ter casas à borla, impunes parasitas de um Estado que cultiva esta impunidade.
No entanto ao ver as declarações quer de sua excelência o senhor presidente da república, quer do senhor presidente da assembleia da república apetece-me assim num repente perguntar a ambos, onde têm andando esta última década? Têm vivido onde? Como é que se podem agora espantar com algo, que não é novo, algo que graças às vossa políticas torpes, à nossa incúria e a uma sociedade miserável, tinha anunciada a ocorrência, algo que já se tinha passado, que se passou novamente e que se irá seguramente passar, por causa da mais absoluta impunidade que grassa neste faz de conta que… é um país.
Termino com uma frase proferida por um sábio de nome Albert Einstein, que assenta aqui como uma luva; “Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

terça-feira, maio 22, 2018

O Reino esquizofrénico

Há muito que acredito que Portugal é uma gaiola de malucas, a verdadeira gaiola das malucas. Um local esquizofrénico, onde grande parte da populaça, como demonstra o elevado consumo de ansíoliticos, sofre de uma qualquer perturbação mental, em suma isto é um país de tontos.
Nas estradas de Portugal morre-se mais do que na Síria, no entanto ninguém parece querer saber, ninguém propõe campanhas solidárias nem eventos fofinhos, a começar pelos atordoados que por cá habitam, é tanto o desnorteio que basta ver as declarações que os pategos produzem quando instados a discorrer sobre a temática, “blá…blá…blá, caça à multa, blá…blá…blá, prevenção, atitude pedagógica…” Sempre o mesmo discurso pateta, o mesmo discurso indicador do tipo de rebotalho que existe por cá.
Há 40 anos que se produzem campanhas de prevenção rodoviária, com que resultados? Perguntarão os meus dilectos amigos, pois com nenhuns claro está. O condutor médio português é um imbecil.
O Estado, por incrível que isso pareça, neste campo tem desempenhado menos mal o seu papel, por isso há prevenção, com campanhas atrás de campanhas, muita pedagogia, leia-se, Código da Estrada, sinalização e demais legislação, falha somente na repressão, falha no excesso de garantias aos criminosos, por exemplo as multas deviam ser mais altas e mais vezes aplicadas, bêbados só deviam precisar de ir a tribunal, para verem confirmada a sentença, conduzir sem habilitação legal devia dar prisão, atropelamento e fuga devia passar a tentativa de homicídio, mas isso tudo seria num país, por aqui neste antro é o que se vê.
Nesta gaiola das malucas o sacrossanto futebol é Rei. São sobretudo reis das dívidas, das traficâncias mais do disparate, enquanto eles enchem a pança, as malucas andam por aí a chamarem nomes uns aos outros a agredirem-se, a maltratarem-se, verdadeiros bandos de grunhos, gente medíocre, gritando como putas histéricas quando um desses grupos de tabardilhas ganha o campeonato da podridão futeboleira, basta ver um jogo de infantis para perceber o que é ser esquizofrénico, é um mimo ver as malucas ao berros, a gastar gasolina, não se esqueçam que somos um país rico, tudo bêbado aos urros pelas ruas como se o Mundo tivesse ficado um lugar melhor, só a rir se consegue levar isto, porque depois vemos essa gentalha futeboleira bem como os clubes, a quem os bancos poupam dívidas, os jogadores nem sequer pagam o que é devido por aquilo que auferem, mas a carneirada quer lá saber disso.
Nesta gaiola de malucas, nunca existem culpados de nada, qualquer vigarista que é apanhado a meter massa ao bolso é sempre inocente, qualquer vigarista medíocre corre o risco de ser o herói da plebe, “porque fez obra” dizem uns, ou porque é “um gajo porreiro” dizem outros, nesta gaiola de malucas tudo é possível.
Um destes fins-de-semana passados, num desses eventos labregos que as malucas gostam de fazer, sobretudo para fazer sobressair as vaidades pessoais e os impostores, alguém me dizia que aquele evento só se fazia de dez em dez anos, fiquei espantado e perguntei-lhe se a solidariedade cansa, olhou para mim sem resposta, mas lá acabou por dizer que sim, aquilo cansa. Estamos pois conversados, no país esquizofrénico até a solidariedade, mesmo sendo da treta e se calhar por isso, cansa.
Haveria sem dúvida muito, mas mesmo muito mais para aqui descrever, não vos quero maçar, nem estou com vontade de ficar mais deprimido, porque este país deprime qualquer pessoa que lhe dedique pelo menos meia hora de meditação, um país habitado por uma súcia de medíocres, pejado de ladrões, de pulhas e de biltres, um povaréu mastronço que se porta como um bando de babuínos quando o assunto é futebol, santinhas, festival da canção ou outra qualquer palermice pantomineira, no entanto quando o assunto é a defesa da sua vida e ou dos seus direitos, assumem o papel daquilo que realmente são, um país de bezerros capados, tenham um bom fim-de-semana.

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, maio 14, 2018

Portugal multicultural

Portugal é sem dúvida, no saco mundial das Nações um caso “sui generis” pela positiva, no que ao multiculturalismo concerne, há 500 anos que somos multiculturais, há 500 anos que as mais variadas realidades culturais aqui assentaram arraiais, para os que advogam o multiculturalismo como panaceia para maleitas sociais e outras que tais, estudem Portugal, escalpelizem ao vivo os efeitos da orgia cultural, por cá há 500 anos que pretos, brancos, cinzentos, amarelos e outras cores se fecundam alegremente e actos criadores de cultura aculturada, verifiquem que benefícios colheram os indígenas de tal acto procriador, se é que desse multiculturalismo todo algo de bem adveio
Num campo, porém esse multiculturalismo frutificou dando provas de uma vitalidade prolífica. Possuímos em barda vigaristas nacionais, ladrões sul americanos, biltres do império celeste, intrujões africanos, parasitas étnicos de vários quilates, carteirista, assaltantes de ourivesarias de leste, temos uma enorme, muito diversificada plêiade de tralha, de rebotalho é só escolher, todas as cores, raças e feitios para que não digam que somos racistas, aqui todos têm oportunidade de vigarizar, traficar e roubar, é uma verdadeira orgia da roubalheira, poderíamos até fazer uma industria pornográfica dedicada ao contexto do roubo, do furto, do tráfico e da vigarice em geral.
No que ao racismo concerne, que o há, a melhor descrição que ouvi do racismo existente em Portugal, foi de um grande amigo meu, corria uma tarde quente de Julho, de um ano já longínquo do século passado, falava-se de descriminação de racismo e dessas coisas com um professor americano que nos dava aulas na universidade, esse meu amigo morava então num daqueles bairros difíceis dos subúrbios de Lisboa, voltas tantas olha para o professor e diz;
- Olhe professor, no resto do país não sei, mas onde moro a coisa é muito simples, os pretos não gostam dos brancos, os brancos não gostam dos pretos e os ciganos não gostam de ninguém!
O que nós rimos. Foi esta a melhor descrição, que não anda longe da realidade, que ouvi sobre racismo cá por Portugal. Isto porque o racismo nada tem que ver com a cor da pele, é irritante ver aqueles anúncios sobre racismo sempre com estereótipo do branco mauzão que inflige maus tratos ao preto bonzinho, como se o racismo fosse uma questão que só atingisse as pessoas brancas, como se só os brancos fossem racistas, o racismo tem, isso sim, que ver com a mania de ser diferente, de ser melhor que o outro.
É essa mania que faz com que pretos, brancos, castanhos, amarelos azuis, verdes e por aí adiante se julguem sempre melhores, sempre diferentes dos outros, quando todos, nascem e morrem, quando todos choram e riem, quando todos precisam de ar para respirar, o racismo é pois a mais estúpida das características humanas e está difícil de erradicar.
Voltando ao multiculturalismo, condenado pelas Direitas trauliteiras, elevado ao altar pelas Esquerdas patetas, quando olhamos para a nossa realidade actual vemos o que sempre houve com maior ou menor grau, gente diferente, sendo que quase todos parecem conviver mais ou menos em paz e em respeito pelas regras das sociedades civilizadas, todos, isto é, há um grupo que não, nem mesmo aqui consegue, não admira que em países mesmo muito racistas, xenófobos e chauvinistas, eles sejam vítimas de ostracismo, é uma questão de honra para esta gentalha ser tabardilha e medíocre, fazer o quê.
Resumindo então, temos que 500 anos de multiculturalismo, em Portugal redundaram em nada, não é por aí que a coisa melhorou, bem antes pelo contrário. Quanto ao racismo e ou à xenofobia, ambos existem, porque existe gente que se acha melhor que os demais, gente que tem a mania que é diferente, gente que a impunidade e a incúria de uma espécie de país mal amanhado, deixa cada vez mais comportarem-se como babuínos, sendo certo que existe por aí muito macaco com irrepreensível educação, seres infinitamente melhor educados do que esta gentalha que por aqui temos acoitada atrás de máscaras étnicas e culturas diferenciadas, patranhas que visam apenas promover o parasitismo social e o regabofe que vai alastrando aqui no Reino do faz de conta.
Somos todos iguais, as diferenças só existem nas cabecitas atrofiadas e mentecaptas, que infelizmente por cá proliferam qual cogumelos!

Um abraço , deste vosso amigo
Barão da Tróia

sexta-feira, abril 27, 2018

O 25 de Abril hoje!

A ditadura de antanho, de vários desconhecida, ainda que muitos outros por ela suspirem, habituou-nos aos tristemente conhecidos três “F”, (Futebol, Fátima e Fado), durante esses anos doirados da nacional carneirice, a maltinha viveu sobre esse signo, que continha intrinsecamente encerrado dentro, aquela coisa muito nacional do destino, da sina, dos pobretes mas alegretes, mais a alegria no trabalho, felizes os que ignoram, ámen.
Nesses tempos a coisa era muito mais simples, havia respeitinho, velavam os da DGS mais a bufaria, mais que muita, que sempre fomos um país de bufos reles, as massas andavam entretidas e oravam, abençoadas.
Primeiro, entretiveram-se com o evitar a guerra, (a Segunda Mundial), cheios de fome, que o de Santa Comba, fazia marchar as viandas para os teutões que pagavam em oiro judeu, passada a desgraça guerreira, hossanas ao filho do “Manholas” o providencial santo salvador, quilos de velinhas e ave-marias, vela Cerejeira pelas ovelhas mansas, é pois tempo de ir à pressa criar um Império, para o qual, nos quatrocentos anos anteriores não houvera nem cabedais nem ensejo para fazer, assim passa década e meia, o Mundo porém como diz a canção «pula e avança», nós por cá entretidos a tirar cotão do umbigo, fazendo de conta que não é nada connosco.
Entretanto os indígenas do Império, perceberam que eram no Mundo os últimos a sacudir a canga, é tempo de ir, “pra Angola e em força”, as massas estão agora entretidas na guerra salvadora do Império, pois porque quando já mais ninguém tinha impérios nós que nunca o tivemos insistíamos, pronto lá se entreteve a malta, dando-se vazão ao oiro com que os germânicos nos tinham pagos os presuntos mais as orelheiras de fumeiro.
Mansa ia a coisa, Cerejeira continuava a velar pelas mansas ovelhas, Oliveira velava pelos assuntos mais profanos, em África matava-se ou morria-se, em Portugal as elites, enchiam-se alarvemente, até dava para balets cor de rosa com meninas menores, para bertliets e unimogs mais a CUF, tudo a bem da Nação claro está, quanto ao Zé, esse andava por aí entretido a ver a bola, a ouvir o faduncho, a excelsa mocidade portuguesa cuidava da alma e do corpo dos futuros guerreiros enquanto que os pais muito de longe em longe iam numa excursão a Fátima para acender velas à santinha, se o Manel escapasse às minas e ao paludismo era certo, um fardo de velas à santinha, agradece Cerejeira.
Pelo meio vinha o aerograma, nós por cá todos bem e adeus até ao meu regresso que muitas vezes se fazia em primeira classe de porão com o corpinho acomodado num lindo sobretudo de pinho acolchoado, paga a famelga que o de Santa Comba prefere gastar o oiro dos teutónicos a comprar balas, e esses eram os sortudos, os que vinham cá parar, porque muitos ficaram para sempre com os ossos a branquear nos sertões austrais roídos por bichos estranhos ou a enfeitar cemitérios regimentais que hoje definham engolidos pela selva, pela incúria do país que os enviou para morrer e de seguida os abandonou.
Aos vivos chegados da guerra, a essas pobres campónios que para lá foram mandados, restava-lhes voltar à servitude do campo, trabalhando para os senhores donos da terra. Ora ao fim de treze longos anos de morticínio sem que se vissem melhorias, os campónios continuavam de canga, substituída por camuflado e G3 em comissões de 24 suaves meses, com direito a assistir na primeira fila às maravilhas que o continente africano tinha para oferecer, pitorescos safaris, aldeias indígenas, comidas tropicais, malária, disenteria, sede e fome, tudo pontuado com magníficos fogos de artificio, com maços de tabaco para alegrar a alma distribuídos pelas matronas gastas do MNF, isto a bem da Nação claro está, ámen.
Dizia eu que ao fim dessa quase década e meia, o oficialato subalterno, farto de ir morrer longe, de apanhar doenças venéreas e de ser encornado (casos pontuais de certo, assunto aqui referido apenas para criar ambiente de anedota de caserna), além de se ver ultrapassado por paisanos milicianos, resolve produzir o excelente evento, aqui sou sincero, continuo a acreditar que a Revolução de Abril de 1974, foi benéfica, o grandioso 25 de Abril, que libertará Portugal da guerra, da ditadura e de mais uma coisita ou outra, foi efectivamente um evento benéfico para esta tropa fandanga que por aqui habita, ainda que a maioria dos asnos assim não entenda.
Quarenta e quatro anos passaram desde essa data mítica para alguns, uma merda para outros, ainda que os que dela menos gostem tenham sido muitas vezes os que com ela mais lucraram, mas isso fica para outro dia, nestas quase quatro décadas e meia o país sem dúvida que melhorou, os três “F” da Ditadura foram quase abandonados, ou antes foram substituídos na importância pelos três “B”.
Aquilo que foram os três “F” da Ditadura, são os três “B”, para a Democracia, para esta democracia em que dizem que vivemos. Pior, não só o povaréu não abandonou os “F”, continuamos pobretes e alegretes, analfabrutos e cada vez mais mal educados, como juntamos os “B”, a saber, somos cada vez mais um país de Bandidos, Biltres e Bandalhos, disso cada vez que abrimos um jornal diário, que escutámos notícias na rádio ou que vemos um noticiário televisivo, temos as provas às centenas.
A nossa grande conquista do 25 de Abril, foi a liberdade para sermos um grande país de Bandidos, Biltres e Bandalhos, actividade que estava no tempo da Ditadura circunscrita a uma elite que enxameava à roda da candeia do poder que alumiava o caminha da amada Pátria, ámen.
Foi a democratização e a multiplicação da possibilidade de qualquer um poder aceder à ilustre e proveitosa carreira de ser um Bandido, Biltre e ou Bandalho, a grande conquista desta Democracia, em que dizem que vivemos, um qualquer farroupilha nascido nas berças, pode perfeitamente cursar engenharia, ou fazer de conta, tornando-se um grande bandido, um qualquer pelintra do barrocal, pode tornar-se num professor e vir a ser um grande Biltre, como pode um indigente das ilhas tornar-se um excelente Bandalho, outra conquista desta Democracia são as hordas de parasitas madraços que vivem na mais absoluta indulgência e subsídio-dependência, uns e outros, impunes, acima da Lei e fazendo tábua rasa de tudo quanto são regras.
Juntemos a tudo isto os três “I” da Impunidade, da Incompetência e da Inércia, que parecem nortear este país, a caldeirada está quase pronta, falta o sal da guerra civil das estradas, onde morrem como tordos os imbecis, a pimenta da violência doméstica que mata sem explicação, mais uma pitada de Justiça miserável, outra pitada de Educação medíocre finalizando com uma dose generosa de Saúde falhada, o prato está pronto, toca o hino, distribuam-se as comendas mais as medalhas, mais os afectos aos montes, cuidado que “estrala a bomba, arrebenta, fica tudo queimado”, polvilha-se tudo com muito “Zeca”, força companheiro e tal, voa gaivota, romarias e cravos, que uns usam outros não como se a liberdade não os tivesse a todos libertados aos parvos, arrumado está o arraial da Democracia e da Liberdade, uma vez por ano, viva isto mais aquilo e aqueloutro, ram…tam…ram…tam… batem as botifarras no asfalto, esboroa-se a pintura e cai a cor, por baixo é só salitre, muito bolor, muita trampa, viva, viva a Democracia e tal, para o ano logo se vê, há eleições? Então é de arromba, que fica bem.
Isto meus caros e excelentes leitores, foi sem margem para dúvida a maior conquista de Abril, esta diversificação social do acesso à bandalheira, à falta de ética, à falta de honra e de decência. Ainda assim viva o 25 de Abril, viva o povinho dos três “P”, que caminhando, felizmente, para a extinção, aqui continuam, Pelintras, Parvos e Patetas!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia