domingo, dezembro 04, 2016

Filho da Guerra

Pertenço a uma geração de filhos da guerra. Somos filhos daqueles que foram fazer a Guerra, para defender sabe-se lá o quê, nem isso agora interessa porque as neblinas do tempo se irão encarregar de fazer esquecer os pequenos e grandes “quês” e os “porquês” e tudo será reduzido a uma estéril e anónima contabilidade dos manuais da história, até que tudo com o lento volejar das asas do tempo, não passar de uma reminiscência, um velho álbum de fotografias bolorentas e ratadas pela traça, com um distante bisavô ou trisavô.
Sou filho dessa guerra africana, de calores e temores, feita no capim alto de noites quentes com pretas embriagadas revolvendo-se em estertores de orgasmos propagando a senda do mulato que o português ao que soa criou, no seu deambular pelos cinco mares aportando a terras estranhas com elevados anseios espirituais, mas com desejos bem terrenais.
Sou filho da guerra, falo só do que vi, do que vivi, cresci a ouvir histórias de combates e de atrocidades de anedotas e velhacarias. Dos meus, pai incluído mais tios, cinco foram lá, felizmente nenhum lá ficou, fisicamente, escondido na terra que dizem vermelha, ainda mais vermelha com o sangue desses que deixaram lá os ossos, os meus vieram todos, mas muito deles ficou lá, nas chanas, nas picadas, nos musseques e nas sanzalas, de Piche a Gadamael, em Mueda ou na Pedra Verde, nos Dembos ou nas memórias dos primeiros cheiros do Grafanil.
Sou filho dessa guerra que só ouvi contar, a uns mais que outros, com o tempo comecei a perceber que era a forma de exorcizar os fantasmas, os desvarios e a tristeza amargurada de uma juventude que perderam como se da vida se tratasse, falo só do que vi, do que vivi, dos gritos a meio da noite que me acordavam, – mas a guerra já acabou há tanto tempo e tua ainda andas com isso – diziam-lhe.
Do consumo excessivo do álcool na tentativa de adormecer os espectros, as emboscadas, os camaradas que se finaram e que a cada ano que passa, são menos, falo só do que vi, do que vivi, das discussões e dos choros em surdina, na raiva que se via nos olhos, no suor que lhe vi correr na testa e no olhar de terror apesar de estar em casa, de ser Inverno frio e de terem passado décadas.
Sou filho dessa guerra, falo só do que vi, do que vivi, vi-o voltar à sua terra, para trabalhar duro, vi os pais dos outros como ele esbracejarem no campo e nas fábricas, calados com a sua dor, vi os país dos que retornaram, muitos sem nunca combater, perderam tudo ao que se diz, deram-lhes empregos nos bancos, nas escolas, nos transportes públicos, a ele, porém nada lhe deram, apenas mais trabalho, já na reforma lá se lembraram dessa grande massa de homens anónimos agraciando-os com umas migalhas na reforma.
Sou filho dessa Guerra, falo só do que vi, do que vivi, só o comecei a perceber, a perceber as suas hesitações, medos, às vezes quase loucura, à luz daquilo que guarda dentro dele, aquilo que o rói, aquele verme negro chamado Guerra, comecei a perceber o que faz a privação de sono, o acordar aos berros a fugir do inimigo, a gritar como uma vez ouvi a meio da noite – faz fogo caralho, faz fogo… pela manhã os seus olhos eram vermelhos de chorar e de não conseguir dormir.
Sou filho dessa guerra, falo só do que vi, do que vivi, conheço e conheci casos piores, homens aparentemente pacíficos que por dá cá aquela palha armavam banzé, batiam nos filhos e nas mulheres, bebiam até cair, mas o que descrevi está mesmo próximo, falo só do que vi, do que vivi, afinal sou filho de uma guerra que já acabou há mais de quarenta anos, mas que continua viva na mente de muitos dos que por lá passaram. E eles continuam lá, a sofrer, a morrer e a combater e por incrível que pareça a ter saudades daquele tempo!

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

Um caso paradigmático da estupidez nacional

O caso conta-se rápido, um militar da Guarda Republicana, no exercício das suas funções, dispara contra um veículo conduzido por um criminoso fugitivo à Justiça e acidentalmente mata um menor, filho do criminoso que o mesmo teria levado para um assalto, o guarda desconhecia por completo que o menor estaria na viatura.
Num qualquer país com alguma civilidade e tino, o homem da GNR, seria retirado do serviço, a situação seria esclarecida, o homem teria apoio psicológico, depois de um período de repouso, retomaria o seu serviço. Isso é o que sucede em países normais, neste antro de imbecis a que chamamos Portugal, acontece o contrário.
O guarda é detido, levado a tribunal, julgado e condenado, por ter feito o seu trabalho, naquilo que ficará para a história nacional como um dos mais dementes e deturpados processos desta miserável Justiça que temos.
Aberto o precedente, que esperam as alimárias politiqueiras que as forças policiais façam perante ameaças? Sinceramente gostaria de perceber este país e as bestas quadrúpedes que o têm governado, gostaria de entender os processos mentais daquela caterva de energúmenos, reparem que estou a ser ofensivo propositadamente, porque esta gentalha medíocre não merece outra coisa!
Aberto o precedente, que espera o rebotalho politiqueiro, que um agente da Autoridade faça, quando for atingido a tiro, quando for esmurrado, quando atirarem a matar sem dó nem piedade, que quer esta corja de lixo politiqueiro, que esta gente, muitas vezes abnegadamente, mal pagos, mal chefiados, mal equipados e muitas vezes mal vistos pelas franjas marginais desta sociedade de medíocres, faça?
Que dizer de forças policiais que quase não possuem nenhum dos métodos modernos nem equipamentos de combate ao crime. Que dizer de forças policiais em que muitos dos seus efectivos ao invés de tarefas policiais estão ao serviço dos caprichos da hierarquia. Neste país está tudo ou quase tudo errado!
E mal vai isto tudo quando um agente da Autoridade do Estado, coisa que não existe, este Estado miserável não possui autoridade nenhuma, é sancionado por desempenhar as funções que o Estado lhe atribuiu. Ridículo, patético, espelho do miserabilismo a que esta pútrida e mafiosa classe política reduziu este país.
Pior é que a sociedade de carneiros capados, de bois mansos que existe em Portugal permite isto tudo, e quando vierem as próximas eleições lá os teremos de bandeirinha em punho prontos para eleger a mesma escumalha asquerosa, prontinhos a levarem o ânus oleado para mais uma vez serem cavalarmente fecundados, miserável corja de eunucos. Realmente este país é mesmo uma cloaca nojenta!
P.S. O Guarda Hugo Ernano, merece todo o meu respeito e admiração!

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

sábado, julho 25, 2015

Ó pai o que são as Termópilas?



A batalha das Termópilas deu-se nos já longínquos meses de Agosto ou Setembro, não se sabe precisamente, durante a invasão Persa dos territórios gregos nos também mui longínquos anos de 480 – 479 AC. A coisa é simples de contar, os Gregos assustados com o grande exército do Rei Xerxes da Pérsia, estimativas actuais colocam os efectivos Persas à volta dos 150 mil homens enquanto as forças combinadas das várias cidades estado Gregas totalizariam cerca de 20 mil homens, que retiraram em boa ordem, deixando uma retaguarda para atrasar o inimigo.
Essa retaguarda era composta por 300 cidadãos de Esparta, conhecidos pela ferocidade e por cerca de 5 ou 6 mil cidadãos de outras cidades e Hilotas que eram escravos dos Espartanos e combatiam pelos seus amos. Durante 3 dias fizeram frente aos 150 mil Persas, acabando por ser derrotados, mas ganhando tempo precioso que permitiu aos Gregos ripostar com valentia e derrotar novamente os Persas.
Os Gregos deram assim, com o seu sacrifício, hipóteses para que a Europa, chegasse aquilo que é hoje, tiveram ainda tempo para “inventar” o alicerce das sociedades europeias actuais, a Democracia, lançando as bases para muitos dos conceitos que hoje são pedras angulares da nossa sociedade ocidental.
Mas que interessa tudo isso, se hoje o centro de decisão é Berlim, essa Berlim onde ao tempo em que Atenas já discutia direitos e justiça democrática, os selvagens ainda se passeavam de clava na mau, mal saídos ainda da idade da pedra, e é essa Berlim, que hoje encara os Gregos como madraços, não com alguma razão. A Democracia é uma invenção extraordinária, é o menos maus dos sistemas políticos como sói dizer-se nos chavões que sempre utilizamos, para mim, socorrendo-me de Clausewitz, que me perdoará a insolência a Democracia como hoje a conhecemos é apenas a continuação da Ditadura por outros meios.
A Grécia soçobra afogada em dívidas e roubalheiras, culpa de quem? Dos Gregos dizem os neo liberais tecnocratas da treta. Culpa de todos, digo eu, culpa da Europa, desta Europa que é cada vez mais Alemanha e menos Europa, ainda ontem a propósito das intensas negociações com os Gregos, o que se ouviu desde logo é que o ministro alemão estava descontente, mas afinal a Europa existe ou é apenas uma invenção?
Infelizmente a Europa há muito que não existe, deste que as garras da Alemanha se apoderaram do poder que não existe Europa, o que existe é a Europa que Alemanha quer que exista, uma Europa que esqueceu a solidariedade, devíamos estar todos a tentar salvar os Gregos ao invés de os estarmos a afundar, uma Europa que esqueceu a Democracia, na prática todos hoje vivemos sob o jugo disfarçado de ditaduras opressoras, chamem-lhe divida soberana, chamem-lhe FMI, chamem-lhe a ditadura das minorias que tudo podem nesta Europa bastarda, chamem-lhe até Alemanha, um facto indesmentível se alça acima de tudo, esta Europa tem muito pouco de democrática.
O que está em causa neste momento, não é tanto o dinheiro que a Grécia deve, o que está em causa, e sempre esteve desde o início, é apenas ajoelhar e submeter os Gregos, submeter e achincalhar o Syriza, que com razão ou não, é o partido que governa um país para o qual foi devidamente eleito. E convém que se diga que é disso que se trata, apenas do desejo da Alemanha submeter os recalcitrantes Gregos à sua hegemonia padronizada, onde a Europa e Alemanha sejam as faces da moeda única.
E muito mal vai uma União, que ancora os seus desígnios nas agendas secretas de um só país e que utiliza aquilo que podemos chamar de terrorismo económico e financeiro para vergar um país. Não esqueçamos porém que os Gregos são também culpados da sua desgraça, tal como nós que nos demitimos de ser cidadãos e deixamos o país nas mãos da imundice politiqueira do PSD, do PS e do CDS, e a súcia não se fez rogada, durante 30 anos, roubou, vigarizou e esbanjou a seu bel prazer, agora chegados ao tempo da miséria, vemo-los a acusarem-se uns aos outros, quando todos sem excepção são culpados.
Voltando à Grécia, o seu povo deu muitas provas de ser um povo consciente, muito mais que nós portugueses, que perto deles somos uns carneiros eunucos desprezíveis, capaz de terríveis sacrifícios e lutador. No entanto este terrível ordálio tem um inimigo feroz, um inimigo que só se saciará com a submissão e rendição incondicional, alguém dizia há tempos que a Europa é a Alemanha, por ser o motor da economia e por ser o maior contribuinte líquido da União Europeia, não disse é que a Alemanha é quem mais lucra com a União Europeia, o seu grande mercado, muito têm lucrado os bancos alemães com a especulação financeira promovida com a crise, onde participam activamente.
Aliás esta crise financeira fictícia, criada artificialmente pelo infeliz e mafioso compadrio entre os Estados e a Banca, resultando em rios de dinheiro, em enxurradas de milhões para os bolsos dos especuladores, e a crise foi tão somente isso, a oportunidade de criar riqueza extra, até porque se ligarem ao timming das coisas a guerra do Iraque estava quase no fim, Obama já tinha decidido retirar do Iraque e do Afeganistão, os contratos de biliões iriam cessar e era preciso continuar a ganhar dinheiro, e como num passe de magia, cai a Fanny May e o Freddy Mac e o subprime americano, de seguida Madoff e depois todo o resto, qual dominó instável, até aos países que com economias miseráveis como Portugal, não conseguiram resistir à especulação e à trafulhice banqueira.
Será alcançado um acordo, disso estou certo, até porque a Alemanha sabe perfeitamente que as consequências da saída da Grécia da zona Euro, podem fazer perigar toda a estrutura da União e abalar o próprio statu quo germânico, por isso será quase certo que os Gregos vão conseguir um qualquer acordo com o Eurogrupo e com os credores internacionais, o triste é que se tenha chegado a isto numa suposta União Europeia, que de União tem muito pouco, mas este texto não é sobre acordos é sobre resistência, é sobre dignidade e decência, coisas que na Europa parecem ter desaparecido.

Um abraço, deste voss oamigo
Barão da Tróia

terça-feira, julho 07, 2015

O Mito Urbano

Quero agradecer ao senhor Primeiro-ministro o facto de ter confirmado tudo aquilo que escrevi no artigo da semana passada, sobre os políticos nacionais, se tivesse sido combinado, não teria saído melhor.
Escrevi no artigo anterior, publicado na passada sexta-feira, aqui no Notícias, que na sua grande maioria os políticos portugueses são gentalha sem qualidade, sem ética, sem moral, sem as mais elementares qualidades de decência, um mero exercício de opinião, eis senão quando, o excelso exemplar de politiqueirote de improviso que temos, a fazer de conta que é Primeiro-ministro, vem à televisão desmentir-se, sobre declarações que todos nós ouvimos, numa figurinha absolutamente patética, demonstrando que tudo aquilo que escrevi está inteiramente certo, por isso quero aqui abertamente expressar o meu sentido muito obrigado ao senhor Coelho, por ajudar a provar que tenho razão.
Logo na altura em 2011, as declarações do senhor Coelho foram polémicas, a alusão subtil à emigração caiu mal, claro que os cães de fila da partidocracia pútrida, se apressaram logo na altura a tentar desfazer o tiro no pé do pobre Coelho. E é este mito urbano, sim o senhor Coelho não passa de um mito urbano, passo a explicar, circula por aí que o senhor Coelho é Primeiro-ministro de Portugal, de facto não é assim, o senhor Coelho é apenas um títere ao serviço de interesses escabrosos, que o controlam e manobram, ainda que por aí ande a cirandar de bandeira portuguesa na lapela, devia ter vergonha desse facto mas enfim, fingindo que governa e que manda em alguma coisa.
Mas vamos aos factos, o senhor Coelho efectivamente sugeriu aos jovens que emigrassem, o seu acólito Relvas fez o mesmo, um dos seus secretários de estado o senhor Mestre seguiu-lhes o exemplo.
Até percebo o senhor Coelho, ao incentivar a maralha a dar à soleta, viu-se livre de uns milhares valentes de tipos incómodos que lhe estavam a estragar as estatísticas do desemprego, por outro lado demonstrando a completa falta de inteligência deste Governo, de indigentes intelectuais, percebeu tarde demais que sem jovens, que sem força de trabalho activa, não tem país, não tem segurança social e afunda isto tudo, como de facto está a fazer.
Já nem a ajuda do gasolinas de Boliqueime, se é que as bojardas que a alimária diz, servem de ajuda para alguma coisa, chegam para criar um ponto de sustentação para esta miserabilista tropa governativa, uma súcia de atados intelectuais e míopes que pouco mais enxerga para além do seu umbigo.
O senhor Coelho é um produto da sua geração e das suas origens, ressentido com Portugal, há muito que a geração de Coelho tentava conquistar o poder e retalhar tudo o que para eles era a personificação do mal, o Estado, o mesmo Estado que na sua visão, os abandonou, que deixou os locais onde viviam tempos dourados, mas que depois os repatriou, com mais ou menos dificuldades lhes deu casas e bons empregos, esse amargo neo colonialista ficou-lhes sempre na boca, e daí que há 40 anos que procuravam a hegemonia do poder numa única cor, mal ou bem tiveram de engolir sempre os seus aliados do CDS, mas esses são uns pobres diabos inócuos, um dia porém cumpriu-se o desígnio tinham uma maioria e tinham um presidente da mesma cor que os não impedia, ajudou até, de destruir esse mesmo Estado, que na sua cosmogonia fora o destruidor do seu statu quo.
O senhor Coelho é também um produto da sua geração de patetas originados nas juventudes partidárias, que nunca trabalharam uma hora nas suas vidas, excepto os trabalhos sabujos da politiqueirice rafeira, sempre colados aos interesses partidários e às teias da maralha partidária que vai alimentando essa súcia esse viveiro de pategos desprovidos de espinha dorsal e de vontade própria, que se vai enchendo à custa do erário público, como tal o senhor Coelho é um mito urbano.
O senhor Coelho é um mito, porque não é verdadeiramente um Primeiro-ministro, é na verdade um pobre marçano de subúrbio que distribuiu por conta do empório germânico e dos interesses da máfia bancária. O senhor Coelho é um mito, porque, mentiu com todos os dentes, aqueles que esperançados nele votaram. O senhor Coelho é um embuste, uma farsa, porque não manda em nada nem em ninguém, excepto claro está nos pobres e desprotegidos como eu, manda naqueles que lhe garantem o ordenado e pouco mais.
O senhor Coelho é um mito, não existe é apenas mais um produto, mau, deste Estado surreal em que vivemos, nem sequer é original, é uma cópia manhosa e barata, já vimos outros iguais e estou seguro que veremos mais futuramente! 

Um abraço, deste vosso amigo
Barao da Tróia

quarta-feira, maio 20, 2015

Portugal precisa de outro Povo!

Escrevia há uns dias, o jornalista Gideon Levy, num artigo publicado no jornal israelita “Haaretz”, que Israel precisa de um povo novo, isto na sequência da vitória eleitoral de Netanyahu e na emergência de mais um governo liderado por “Bibi”, sustentado pelas alas mais radicais da direita nacionalista e religiosa de Israel, Levy, parece desiludido com o seu povo, que teima, na sua perspectiva, dele, em escolher gente de qualidade duvidosa, para governar Israel.
A sorte do senhor Levy é não ser português, porque se o fosse, teria há muito desesperado e chegado à conclusão de que este país (Portugal), precisa efectivamente de outro povo, porque no que toca a eleger rebotalho, somos um povo campeão.
Vem esta arenga a propósito da Lei da cobertura das campanhas eleitorais, que como já se viu, mais não é que um atentado às mais elementares regras da Democracia, como os nossos políticos não sabem o que é Democracia, nem que isso, fosse algo grande e grosso, que lhes entrasse pelo esfíncter e lhes revolvesse as entranhas, por aqui andamos a fazer de conta e a mandar mensagens de telemóvel e por vezes no Facebook, para os jornalistas quando não concordamos com o que dizem de nós.
A “sms” de Costa e a Lei da cobertura das campanhas eleitorais, entretanto aprovada, são exemplos do quão mal convivem os nossos políticos com a realidade da Democracia plena, em que críticas e elogios fazem parte do jogo, até porque ao contrário das pessoas normais que erram e têm dúvidas, parece existir no seio da “elite” politiqueira nacional a aspiração ao dom da infalibilidade, houve até, um desses senhores, que num assomo de desvario, declarou que raramente se enganava e nunca tinha dúvidas, vindo isto de quem veio, só podemos rir, mas não deixa de ser preocupante que estas criaturas sejam dotadas de tão grandes egos e propensos à megalomania, ao disparate quando não à mais sem vergonha das personalidades, uns pulhas, portanto.
Mas mesmo tendo políticos rasca e intelectualmente a roçar o absolutamente néscio, a coisa até se poderia compor acaso o Povo, essa grande massa insana, servisse de contra poder aos desvarios dos politiqueiros safados e biltres que temos. Erro meu, como dizia o poeta zarolho, o Povo, esse mesmo Povo que tanto se glorifica com minudências e balelas, demonstra em cada acto eleitoral que são apenas uma corja de indigentes intelectuais, miseráveis que se presta a todas as baixezas, votando e fazendo eleger não os mais capazes, mas sempre e de cada vez que o faz, os mais ineptos e mentirosos.
Somos um Povo miserável, e devemos muita dessa miséria a nós mesmos, ainda assim preferimos sempre culpar terceiros pela nossa desfaçatez, culpamos a Troika, o Sócrates, o Afonso Henriques, a queda do dólar ou mesmo a debochada da filha da porteira, ao invés de assumirmos de uma vez por todas que enquanto Povo, somos uma valente trampa, digna de dó!
Agora imagine-se que éramos um Povo activo, participativo, com altos padrões de cidadania, civismo e civilidade, ao invés disto que somos, deste bando de sevandijas, ignorantes e pulhas.
Imagine-mos a indignação que uma notícia dizendo que um político teria enviado uma sms a um jornalista a questiona-lo sobre a sua liberdade de expressão, causaria junto de um Povo esclarecido, educado e civilizado, imagine-mos o que faria esse mesmo Povo quando confrontado com uma lei pulha e miserável como a que o PSD, o CDS e o PS cozinham entre si, imagine-mos pois que nenhum desses partidos e ou políticos voltaria a receber votos, imagine-mos até que partiria dos militantes educados, civilizados e activos desses partidos a iniciativa de censurar os seus líderes por tão abjectas acções, pois isso seria num país com um Povo digno desse nome, ao invés, aqui onde vive apenas uma manada, a coisa não colhe junto dos apaniguados e dos agitadores de bandeirinhas a mínima reacção, tudo o que o líder diz e faz está certo, apenas o abanar de cauda e a mansidão ecoam, mais valia viverem na Coreia do Norte.
Dentro de cada português existe um norte coreano escondido, que precisa sempre de um querido líder protector, existe também um carneiro, manso e pateta, que esfusiante vive no sonho de um dia poder ser obsequiado com uns segundos de atenção do seu querido líder.
Portugal vive conjunturalmente na ilusão de que é uma Democracia e um Estado de Direito, coisa que objectivamente não somos. Este Estado bipolar, carrega em si, todos os vícios das ditaduras “bananeras” e infelizmente muito poucas ou quase nenhumas virtudes democráticas, somos infelizmente uma súcia miseranda que faz de conta que é um Povo!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

domingo, maio 10, 2015

Na terra dos bois mansos!



Na terra dos bois mansos, capados,
os polícias por trabalhar, vão condenados.
Os ministros tecem loas aos aldrabões,
e os lorpas ainda neles votam nas eleições.

Hoje comecei com uma quadra à guisa do bom Aleixo, perdoem, se aos calcanhares do dito não chego, mas para poeta não presto, e olhando para a poesia de hoje, melhor que seja assim, pois por aí todo o bicho careta escreve trampa sem fim.
Portugal foi sempre um país de gente desavergonhada. Gente miserável e trapaceira, assim foram às “descobertas” de coisas que já lá estavam, e na trapaça, levam no bico as gentes atrasadas, trocando missangas por oiro, com que depois enchiam a pança dos usuários do Norte da Europa, vejam lá o quanto mudámos em seis centos de anos.
Ainda assim, fiquei estarrecido com o senhor Coelho e os seus encómios a Dias Loureiro. Bem demonstrado fica que a sem vergonhice é um estado natural neste Estado de Portugal, pior é que gente pretensamente inteligente aplaude e acena com a cauda a cada ordem do dono, incapazes de utilizarem os miolos formatados, para escaparem às armadilhas da velhacaria. Enoja-me tal gente!
Sua excelência da República o Presidente, diz que o “Mar” é o seu sonho, curioso esse sonho vindo de quem o vendeu por alcatrão, de quem destruiu as pescas a troco de festas, de quem trocou a sardinha por biqueirão, curioso sonho de quem arruinou em primeiro e que deu o mote que todos os demais até agora glosaram. Enoja-me tal gente!
Já o enorme Luis Vaz escrevia “O fraco rei faz fraca a forte gente”, e com tanta razão, que nunca passaríamos além das Berlengas, acaso a trampa que hoje desgoverna, houvesse naquele tempo. O tempo hoje é de bandalhos e vigaristas, o tempo é de trapaceiros e ladrões de velhacos e canastrões, é um tempo de rebotalho, de gentalha da pior estirpe, sequer se a possuem, que não seja a da mais abjecta e miserável condição. Enoja-me tal gente!
Um país que vota nesta maralha, um país que elege indígenas desta igualha, mais não merece que soçobrar, engolido pela peçonha e pelos medos do Inferno, destruído até aos alicerces pelas infernais labaredas e coberto todo por sal do grosso, para que nada aqui floresça por muitos séculos, não vá o Demo dar de novo a esta terra mais desta trampa asquerosa que parece brotar debaixo de cada pedra. Enoja-me esta gente!
Por onde andarão os Homens deste ermo esquecido, por onde caminham os Egas, os Albuquerques e os Mouzinhos, por onde sonham os cultores da honra, da decência e da cultura. Fenecidos todos, quedaram-se as avantesmas insalubres e ratoneiras atulhadas em merda até às orelhas, enredados em trapaças com bancos, com submarinos com casas de praia, acções de bancos pulhas e empresas engolidoras de subsídios europeus, com licenciaturas tiradas ao domingo. Enoja-me esta gente!
Vil e triste sorte que um país velho de quase mil anos, se veja nisto, depois de quase cinquenta anos de uma ditadura de cretinos, afunda-se alegremente numa democracia de ladrões e bandalhos, de inqualificáveis biltres e rematados pulhas. Enoja-me esta gente!
Mas a bem da nação se diga, que não merecemos mais!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sexta-feira, abril 24, 2015

25 do quê?



Com uma rapidez impressionante passaram quatro dezenas e mais um ano sobre o memorável dia que “libertou” Portugal da tirania ignóbil do Estado Novo. Muitos dos intervenientes, são já pó, desse mesmo tempo insatisfeito que nos vai devorando, com aparente indolência, mas voraz perseverança. Entre os detractores ressabiados e outros “ados” e “istas”, e os que glorificam a data, foi-se criando uma barreira ideológica, patética, que tem crescido ao ponto de os patetas da direita mão usarem cravos na lapela e dos da esquerda alardearem isso como trunfo iniludível da sua superioridade, uns e outros pobres patéticas figuras que provam o fracasso desse que deveria ser um dia memorável por variadas razões.
O 25 de Abril, nesta quarenta de anos, parece que ao invés de unir, mais ajudou a cavar o fosso, aos anteriormente citados lados da trincheira junte-se uma actualmente gorda fatia, a dos ignorantes, daqueles a quem aquela data já não diz rigorosamente nada, desconhecem em absoluto os protagonistas, os eventos, as causas e as consequências, pior não sabem nem querem saber, produto que são de quarenta anos de uma Educação miserável e que não cuida das memórias colectivas de um povo, nem se importa em clarificar os mitos e desfazer os equívocos, mas a História próxima tem dessas coisas.
Juntemos um quarto grupo, composto por diversa escumalha que não se interessa por coisa nenhuma pois só vive por cá para se aproveitarem das casas e subsídios à borla, criando depois um Estado seu com leis próprias e cujo desrespeito pelos outros é ponto de honra. Resulta portanto desta miscelânea de desapropriação da História, de excessos libertários e de um miserabilismo intelectual atroz, que hoje, uma grande parte da população está perfeitamente nas tintas para o 25 de Abril.
Pessoalmente, acredito ter sido um dos dias mais importantes dos últimos trezentos anos, foi o quebrar das amarras do continuo ditatorial que vinha desde o tempo de Dom João VI, isto para não ir mais longe, encerrou-se o ciclo do Império pateta que nunca foi Império, e do que foi, mal aproveitado sempre. Trouxe-nos essa “revolução” para pelo menos duas décadas de “europeização” em que quase nos tornamos realmente europeus ocidentais, livres, com poder de compra, iludidos por um sistema mafioso que nos enredou e estrangulou, entramos no século XXI de novo agrilhoados, e hoje entrados que estamos uma quinzena de anos nesse novo século que nos haviam prometido ser de prosperidade, lentamente estamos a voltar ao antanho, oprimidos por várias ditaduras, a ditadura das minorias, a ditadura dos FMI e afins e a mais perniciosa de todas a ditadura de um sistema oligárquico de partidocracia medíocre e mafiosa, todas juntas estas ditaduras voltaram a atirar-nos para a doce indolência do Estado Novo, para o miserabilismo e para a miséria, para o nepotismo e compadrio, para o beneplácito paternalista dos governos de ineptos, para o desespero e para a fome, pior ainda, que nos tempos do “Zé da Beira”, porque nesse tempo mesmo mal pago, ia havendo trabalho, ia havendo emprego, não estou a defender o Estado Novo, apenas constato um facto, podem argumentar que era trabalho mal pago, quase escravo, de acordo, hoje para além de não existir, continua igualmente miseravelmente pago e ainda mais escravo. Também a qualidade dos governantes decresceu a olhos vistos, basta olhar para a qualidade dos governantes actuais e dos últimos cinco ou seis governos, para se perceber o miserabilismo e a atroz pobreza franciscana intelectual que domina este país, elege-se essencialmente o rebotalho, a ralé politica oriunda das juventudes partidárias, completamente formatados e sem a mínima noção da realidade do que é viver neste país.
Tenho para mim que o 25 de Abril, foi um bonito sonho, que se tornou num pesadelo, as situações de extremo dão sempre nisto. Hoje aquilo que deveria ser uma data de unificação de um país em torno de ideais de liberdade, de respeito e decência e de honestidade, transformou-se por mor de uma coisa tipicamente lusitana, num dia de ressentimento de uns contra outros e pior num dia completamente indiferente para muitos outros. Ainda assim, Viva o 25 de Abril!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quinta-feira, abril 09, 2015

Os “presidenciáveis”



As hostes já se movimentam para escolher o próximo ocupante do cadeirão de Bélem, o próximo jarrão decorativo presidencial, que mais valia ser em porcelana fina, sempre o poderíamos vender aos invés de esbanjar rios de dinheiro numa função e num cargo que não servem para nada, e nós país pobre e miserável que há 300 anos que anda de mão estendida na pedincha, bem poderia considerar em exterminar, mas qual quê, os “tachos” e as alcavalas decorrentes da seráfica e republicaníssima função, toldam as vistas e lá fica tudo como em antes.
À direita, perfila-se uma série absurda de nomes, uma dor de alma. Sendo Alberto João Jardim a mais risível das hipotéticas candidaturas. Santana Lopes, excelente candidato, a porteiro de salão de chá, mais que isso não. Com Barroso, o trânsfuga, corríamos o risco de assim que lhe acenassem com um qualquer lugar regiamente pago, se botasse a correr e deixa-se a presidência, é outra anedota.
Marcelo, é um desinteressante papagueador televisivo, mas presidente só se for do clube de coleccionadores de esfregões de palha-de-aço. Infelizmente à direita, o conjunto, dos “presidenciaveis” é de um miserabilismo atroz, Rui Rio, a concorrer, será um desperdício, seria um muito melhor candidato à liderança do seu partido. Se no quadrante da Direita não surgir alguém melhor temo bem que possa surgir outro graveto qualquer.
À esquerda a coisa também não conhece melhores dias, Gama, Roseira, Ferro Rodrigues, Vitorino ou mesmo Guterres, são mais do mesmo, mais dessa pandilha de profissionais da politiqueirice, e disso francamente estou farto. Desconhecem-se por enquanto candidaturas do PCP, sendo uma hipótese Carvalho da Silva, apesar de o mesmo negar o apoio dos seus chefes de sempre.
Neste quadrante esquerdo também não apareceu até ao momento ninguém que valha a pena sequer considerar, é tudo muito mauzinho, demasiado mau para ser verdade, infelizmente a tal Esquerda não está melhor que a Direita, ou antes cada vez são mais iguais até na qualidade absolutamente miserável dos candidatos que hipoteticamente poderão concorrer ao lugar.
Restam os independentes, Henrique Neto e Sampaio da Nóvoa, ambos conotados com a Esquerda e com o já extinto socialismo. Qualquer um dos dois apresenta pergaminhos de excelência, são duas candidaturas quase idênticas que disputam votos no mesmo universo de votantes. Henrique Neto é um velho lutador, um homem de inquestionável competência e dignidade, o único que levantou a voz contra Sócrates, cheio de razão estava. No entanto prefiro o Professor Nóvoa, nunca foi meu professor, apesar de conhecer a sua excelência enquanto pedagogo através de amigos, cuja opinião é consensual em relação às qualidades do homem, mas prefiro o Professor Nóvoa em especial porque sou do contra e porque muita gente no PS já se manifestou contra o apoio do partido a tal candidato, e sempre que os aparelhistas se manifestam contra alguém, é porque essa pessoa vai contra esse tipo de parasitismo que se instalou na sociedade nacional. Ainda que considere que o Professor Nóvoa seja um desperdício como Presidente da República.
A ver vamos o que daqui vai sair, muito depende do resultado das legislativas, e dos congressos que se seguirem e das guerrilhas internas. Depois de Cavaco, a bitola é tão baixa, que estou em crer que até uma marmota empalhada poderia desempenhar a contento o cargo, sendo que, e insisto, aquilo que deveríamos estar a discutir é se faz sentido um país pobre, miserável, falido e completamente em queda, continuar a gastar milhões para manter um cargo de opereta bufa. Era isso que deveríamos todos enquanto sociedade estar a discutir.

P.S. Achei fantásticas as declarações do senhor Pinto, do senhor Lelo e do senhor Jardim acerca do Professor Nóvoa, todos juntos não chegam à sola do sapato do Professor, mas isso é apenas uma opinião maculada pela muita consideração e estima que tenho pelo Professor Nóvoa. 

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia