sexta-feira, maio 29, 2026

66 anos e 11 meses...

 

Fonte da imagem:https://jtm.com.mo/lazer/ze-povinho-cumpre-150-anos-representar-povo-portugues/

 

  

A idade da reforma subiu, novamente, não há emigração que nos salve, estranho, porque nos têm dito que os emigrantes são excelentes, descontam muito e salvam a Segurança Social, portanto das duas uma, ou essas afirmações são uma grande patranha, que é o que acredito, ou os emigrantes, os muitos milhares que cá estão não descontam porra nenhuma em montante que sirva para salvar o que quer que seja, ah e não me venham com a patranha da expectativa de vida, sim porque a despesa que o Estado tem com os velhos, é absolutamente miserável, como se pode ver pela falta de lares, de instituições de cuidados continuados e paliativos, sendo que os vários governos ineptos das várias cores partidárias que desfilaram pelos corredores do Poder, nos últimos 40 anos, nada fizeram para alterar uma realidade que há 40 anos já se previa, o envelhecimento da população, ainda que eu acredite que devido à muito fraca qualidade dos políticos que passaram pelos governos dos últimos 40 anos, pouco havia a fazer.

Aqui chegados, temos então a excelente notícia dos 66 anos e 11 meses, - trabalhar até morrer – disse-me um amigo hoje, certamente não errou, é mesmo isso, porque a rapaziada da minha idade, já não vai chegar aos 80 ou 90, não, vai morrer muito antes, atacados pelas doenças modernas desta sociedade neo esclavagista, o esgotamento, os cancros, as doenças mentais e o mais que se queira vão seguramente limpar a maioria de nós muito antes de termos tempo para desfrutar os prazeres, se existir algum, da reforma.

Isto se neste pardieiro a que chamam, por enquanto, Portugal, esta choldra efectivamente muito mal frequentada, as instituições conseguirem funcionar por muito mais tempo, tendo em conta que a maioria está à beira do caos, a Saúde é uma desgraça, só se vai segurando mercê de quem lá trabalha e faz milagres, isto com tudo o que de menos bom se possa dizer sobre o SNS, a Justiça é uma anedota, uma completa anedota, a autoridade do Estado é outra anedota, no terço do país encostado à fronteira essa autoridade à muito que deixou de existir, nos aglomerados urbanos, quer em condomínios de luxo quer em bairros sociais, várias minorias de essencialmente elementos parasitas, fazem o que querem, estão acima da Lei, no meio de toda esta surreal trapalhada, estamos nós os pobres diabos que terão de se arrastar até aos 66 anos e 11 meses para pagar esta porcaria toda.

Entretanto enche-se a boca com a palavra Democracia, coisa que cada vez menos se pratica, tristes com esta existência vil e apagada, lá vamos carneiramente seguindo o rebanho, a trupe de mortos vivos que somos, já não reage, encolhe-se, já não protesta, tolhe-se, assim descrentes buscamos salvação, duvido que a haja, em santinhos e santinhas, sebastiões e outros aldrabões, para continuarmos a trabalhar até morrermos, ou até ficarmos tão doentes que precisemos de cuidados, que não existem, porque este Estado falhado preocupa-se com essencialmente duas coisas, encher os bolsos à escumalha, apetece dizer bardamerda este Portugal, passar bem!

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

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