Fonte da imagem:https://www.mapsofindia.com/world-map/portugal/
Foi, Sua Excelência o senhor Presidente da República, que proferiu a frase que faz o título do artiguelho que hoje vos trago. Curiosa avaliação e atempada também, o caro Presidente demorou apenas uns 40 anos a chegar a esta conclusão, que é o tempo mais ou menos que Sua Excelência o senhor Presidente da República, anda embrenhado com maior e ou menor empenho e notoriedade nos meandros da politiquice, conheci-o pessoalmente, ainda que vagamente, quando Sua Excelência o senhor Presidente da República era ainda apenas Presidente da Juventude Socialista.
Tudo neste país parece ser feito de improviso, “percepções” dizem os habituais sacudidores da água do capote, os mor desresponsabilizadores de todo um povo, que há décadas plantam impunidade, o menino partiu a janela, tadinho é novo e aquele vidro estava mesmo a pedi-las. O “jovem”, agrediu o velho, tadinho, aquele velho trôpego estava mesmo a pedi-las, o “jovem” precisa de uma segunda oportunidade, até porque convenha-mos como somos um país de velhos o “jovem” terá não só uma segunda, mas também uma terceira, quarta ou quinta oportunidades de massacrar mais uns quantos velhos e velhas, dado que essa peste grisalha, como um qualquer imbecil se lhes referiu, não aproveitam a ninguém, ora essa, tadinho do “jovem”.
Vamos improvisando, somos bons nisso, é verdade, o pior é que depois não há coerência, não há ligação de umas coisas com as outras e quando calha a coisa dar mesmo para o torto, é vê-los a rabear, o edifício aparentemente inexpugnável e seguro caí como um castelo de cartas soprado por ligeira brisa, é o infortúnio, clamam uns, outros da sina se queixam ou do fado, mas passada a tempestade, lá volta a “improvisança”, vimos isso acontecer umas vezes nestes últimos anos, na queda da Ponte de Entre os Rios, nos incêndios de Pedrogão e nos outros seguintes, no apagão, nas tempestades mais recentes mais no que se queira, quando a porca torce o rabo, parecemos baratas tontas, a coisa no papel, parece sumpimpa, ele são chefes e doutores, polvilhado com coronéis e majores, mais autoridades disto daquilo e daqueloutro, muitos carros a gastar combustível, muita rapaziada com boinas enfiadas na caximónia, alguns, muitos, parece que tem um rato morto em cima da cabeça, muitos coletes de cores berrantes, mas tudo espremido, é só improviso, é a carolice que vai compondo o ramalhete, mas infelizmente isso só por si não chega.
Pior, os governos procedem igual, improvisam, vão reagindo, a uma medida pateta sucede-se outra ainda pior, a uma legislação cretina vem outra ainda pior, improvisam na saúde, na faz de conta da justiça e na comédia da educação, somos de facto muitos bons a improvisar, e tão bons somos que improvisámos um país, Portugal até pode parecer que é um país, mas não é, somos um improviso, um arremedo atamancado daquilo que poderia ser um país, ah e quando dá para o torto, nada como enfiar um ar compungido aparecer nos ecrãs, numa daquelas conferências que passam nos canais todos, declarando que assumimos os erros e já pedimos a demissão, pronto tá feito, passamos ao tacho seguinte para improvisar sobre outro assunto e siga o baile. Vá desmintam-me!
Quase tudo em Portugal, quando exposto a situações extremas padece de um atroz amadorismo, lá está, improvisamos. Já a impunidade, a desresponsabilização e a perpetuação de hábitos de parasitismo social e mediocridade são levados com muita seriedade e superior planeamento, somos bons a improvisar e somos óptimos a perpetuar a estupidez, o laxismo e a bandalheira, nesses campos estamos ao nível do melhor que se faz lá fora, isso claro está sem colocar em causa tudo o que temos de bom, o pastel de nata, a sardinha assada, a sopa da pedra, as migas e assim só por exemplo e não enfadar a audiência.
E é isto meus caros, Portugal é um faz-de-conta, uma ilha da fantasia, algures entre o improviso e o provisório, quase sempre mais para o definitivo, é a terra do regabofe e da bandalheira, da impunidade e do desculpar dos prevaricadores mais dos bandalhos, Portugal é um Estado falhado, uma cloaca de mediocridade, haverá sítios piores? Claro que sim, mas este poderia ser muito, mas mesmo muito melhor, não fora esta sina, de sermos tão bons a improvisar, e tão bons somos que até improvisámos um país.
Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia
1https://www.publico.pt/2026/04/07/politica/noticia/pais-bom-improviso-seguro-quer-planeamento-organizacao-2170436#

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