quarta-feira, junho 16, 2010

Sacanice e pulhice. A história de um certo Portugal!


Há coisa de um mês e tal, escutava uma discussão interessante sobre a descolonização, o grupo era pequeno. Ao todo cinco, todos portugueses, um preto nascido em Angola, um branco nascido em Moçambique e um mulato também Angolano, mais dois rafeiros nascidos cá, um deles, este vosso humilde escrevinhador, e digo rafeiros porque carregamos o sangue de todas as raças que por aqui passaram, não somos brancos nem pretos, nem mulatos, somos antes uma salada, que deu origem a esta coisa chamada ser português, e à fantástica capacidade de adaptação e resistência que temos, como prova o facto de estarmos vivos ainda, após estes últimos trinta anos a ser governados por gente que nem classificação merece.
A discussão girava pois à volta da descolonização, do mal e do bem, eterna dicotomia, que esquece sempre o menos-mal, o menos bem e o assim-assim. Entretanto um dos rapazes sugeriu-me a leitura de um livro “Ficheiros Secretos da Descolonização de Angola” da jornalista Leonor Figueiredo e publicado pela Alêtheia.
Este livro bem poderia ter outro título “ Manual das Pulhices, Sacanices e Velhaquices”, este outro título assentar-lhe-ia também como uma luva. Devo confessar que fiquei espantado com o grau de incúria e laxismo demonstrado pelas autoridades no pós-25 de Abril, em especial esse anacronismo chamado PCP, mais uma vez o PCP, tem uma participação brilhante. O livro é revelador de uma teia de maquinações maquiavélicas, de erros de palmatória, de estupidez politiqueira e de pura imbecilidade, que são confrangedoras, é certo que os anos a seguir à Revolução de Abril, são anos muito complicados em que quase se cai na anarquia pura e simples, mas ao ler os “Ficheiros Secretos da Descolonização de Angola” fica a perceber-se, que por detrás de muita dessa arruaça pura, estiveram directivas claras, negociatas escuras e uma certa visão do mundo, que na altura ainda era feito de blocos antagonistas.
Da sua leitura ressaltam, três conclusões importantes, a tibieza da autoridade portuguesa que pura e simplesmente abandonou a ex-colónia, a torpe participação dos esbirros do PCP e a não menos triste participação de alguns governantes ainda vivos e que muitas contas terão a prestar à história, quando a voragem do tempo permitir finalmente que se escreva com seriedade sobre a descolonização. Devo confessar que sempre acreditei na “descolonização possível”, afirmação que justificava a catadupa de cretinices atabalhoadas que ocorreram naqueles anos, depois de ler este livro, começo a ter dúvidas e muito haverá ainda por escrever e investigar. Entretanto topei com outro título, também sugerido pelo meu amigo Piupiu “HOLOCAUSTO EM ANGOLA – Memórias de entre o cárcere e o cemitério” da autoria de Américo Cardoso Botelho editado pela editora Nova Vega, quero ver se o leio.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

1 comentário:

astroquack disse...

As verdades começam a vir ao cimo!