sexta-feira, dezembro 11, 2009

Corruptos, Amiguinhos e Cunhas – Crónica de uma realidade Nacional!

Portugal é um país de corruptos, cunhas e amiguismo clientelar. Verdade insofismável, que revela bem a podridão desta sociedade. As razões são inevitavelmente a ganância, a pobreza, o vício e a falha do sistema, senão não encontraríamos gente a vender-se por garrafas de uísque e por sacos de couves e caixas de pêssegos, ora se há gente que se vende por bagatelas, que hipoteca a deontologia, a ética e o profissionalismo por tão pouco, mais óbvio se torna, que existam aqueles que por ocupação, por profissão ou por ocasião se vendam e ou se deixem comprar por milhares ou por milhões.
Diz um relatório recente que 9 em cada 10 portugueses acham que os políticos são corruptos, sendo esses mesmos políticos, o cerne de todo o mal. Esquecemo-nos porém dessa lusa instituição que é a cunha e o amiguismo, que entope, emperra e desespera a nossa sociedade, basta analisar friamente a nossa conduta e sempre descobriremos a tentação em face de alguma dificuldade, de contactar aquele amigo, que nos porá na frente da fila ou se esquecerá de nos fazer pagar a multa, é o país que não funciona e por há que encontrar estratagemas de sobrevivência, em suma é cultural!
Ainda há tempo passei por uma dessas, do meu conteúdo funcional faz parte assegurar formação básica gratuita em informática, serviço que a minha autarquia disponibiliza aos seus munícipes, numa actuação pioneira e digna de nota, desde 2001. Os interessados inscrevem-se e na sua vez são contactados para vir frequentar a Formação de 35 horas, ora sucede que uma pessoa muito importante que ocupava, já não ocupa, um cargo público, resolveu inscrever-se, claro que recebi a inscrição dessa pessoa e a coloquei no devido lugar, actualmente existe uma lista de espera com 116 inscritos, qual é o meu espanto quando sou relembrado por uma outra pessoa que ocupa um cargo de chefia, uma pessoa que é também como eu, um funcionário não é político, que a tal pessoa importante se tinha inscrito e para eu não me esquecer dela, sei que sou limitado, que sou um simplório labrego de província, mas sei ler nas entrelinhas, era um caso claro de cunha, o que essa pessoa quis dizer foi, passa a pessoa muito importante que é minha amiga para a frente dos outros que estão há meses há espera, pois foi precisamente o que não fiz.
E não o fiz, primeiro porque é contra todos os meus princípios éticos e morais, depois porque não alinho nestes esquemas de amiguismo, com os quais gente que se diz tão sofistica e tão avant guard, conspurca este país, sim porque é nesta mentalidade que tudo isto começa, por último não o fiz porque tenho felizmente muitos bons princípios ensinados por um pai motorista com a quarta classe e uma mãe empregada de limpeza com a terceira classe, mas que dão lições de honestidade, de moral, de ética e civismo a esta corja de doutores e doutoras da mula ruça.
Represálias? Não sei! Infelizmente este país vive disto, tipos como eu, não podem ter moral nem ética nem porra nenhuma, mesmo que sejam excelentes profissionais, se querem ter trabalho e ganhar para a sopa, tipos como eu têm de ser pragmáticos e engolir sapos, dizer sim e abanar a cauda. E é nestes pequenos nadas que tudo começa!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

1 comentário:

Jorge disse...

Muito bem Sr. Barão.
Comungo inteiramente dos teus princípios e preocupações. Quando formos muitos, mais do que estes corruptecos, poderemos ver este país evoluir.
Há uns tempos, eu que sou também um simploriozeco labrego da Gloriosa genisse cinzentona, fui vilipendiado e achincalhado por essa corja de cunheiros que pululam pelos corredores da Ilustre Guarda por ter tido a desfaçatez, imaginem o crime de leza pátria de ter afirmado que ia proceder ao pagamento de uma multa de estacionamento que foi passado à minha mulher. Que bastava telefonar a fulano de tal e blá blá blá tudo isso para poupar os trocos de um jantar num buteco de 3ª escolha e fugir ás responsabilidades que todos temos que assumir.
E ainda guardo uma missiva que me foi envido, quando exercia um cargo de comando numa das nossas subunidades, por um politicozeco mas com responsabilidades numa bancada parlamentar, a pedir igual favor pois o sôdtor deputado palhaço teve que estacionar a viatura em local errado pois estava com pressa e como tal não queria responsabilizar-se por este acto de falta de cidadania. Se não pagou não foi por mim, que se tivesse uma palavra a dizer, para além de triplicar a multa ainda, o mandava bardamerda.

Abraço

Auf