quinta-feira, maio 24, 2007

A Incomensurável Estupidez Humana!

Chegado à página 8, comecei a ler, devagar, cada palavra calando o barulho da sua queda desamparada no fundo da minha alma e chorei, chorei porque a estupidez humana é algo que me afecta muito, demais, e neste século de maravilhas e informação, a estupidez medieval desta gente deixa-me de rastos, desalentado e descrente.

Será que a espécie humana será sempre assim estúpida, inventando sempre desculpas para cobrir a estuidez própria com a dos outros, falharemos empreem não assumir estes actos cobardes e degenerados, que adultos serão, esta gente que faz este tipo de coisas, que tipo de pais engendra estes monstros, que tipo de pais não percebe o terror e a violência destes filhos, que adultos no futuro serão estes...

"DREN propõe mandar professores a casa de criança de Rio Tinto vítima de bullying

24.05.2007, Ana Cristina Pereira

Trabalho de sensibilização dos alunos deverá agora começar para que
a mudança de turma ocorra no início do próximo
ano lectivo

A mãe alegra-se com a hipótese de sensibilização da comunidade escolar, o pai
do Miguel diz que só acredita vendo
a As aulas poderão em breve voltar a preencher os dias de Miguel, uma criança com doença oncológica que deixou de ir à escola para escapar ao bullying. A Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), em concertação com o conselho executivo da escola, propõe enviar professores a casa até ao final do ano lectivo e, desde já, sensibilizar o estabelecimento de ensino a recebê-lo bem em Setembro.
O caso foi divulgado pelo PÚBLICO no passado sábado. Miguel descobriu que tinha um cancro no sistema nervoso central no final do 1.º ano. Submeteu-se a diversos internamentos, a quimio e radioterapia. Regressou à mesma turma no 4.º. A turma foi quase toda transplantada no 5.º para a Escola Básica 2,3 n.º 2 de Rio Tinto. "Não falavam comigo, não brincavam", conta a criança. No último período do 6.º, ouviu os primeiros insultos. Nos corredores, no recreio. Quando "ninguém estava a ouvir". Só ele. Tudo piorou no 7.º. Desde o início do ano lectivo, os pais insistem numa mudança de turma. Em Março, a pedopsiquiatra remeteu uma carta para o conselho executivo, a denunciar um "processo depressivo", a recomendar mudança de turma e urgente "intervenção clínica do Gabinete de Psicologia". A mudança não ocorreu.
Como a pedopsiquiatra referia "risco de agravamento do quadro clínico, com eventuais passagens ao acto em termos de auto-agressividade", nas férias da Páscoa, os Cardosos decidiram não mandar Miguel às aulas enquanto ele tivesse de lidar com os mesmos colegas. Correram tudo, até a Inspecção-Geral da Educação (IGE). E a 23 de Abril, a IGE escreveu ao conselho executivo a salientar que "interessa, sobretudo, atender aos direitos pessoais e educativos" do menor. A recomendar, de forma explícita, uma solução, "ainda que para tal seja necessária a tomada de decisões com carácter de excepcionalidade". A presidente do conselho executivo que até ali gerira o processo reformou-se e o interino acha que esta não é a melhor altura para mudar, que uma nova turma deve ser sensibilizada para bem receber Miguel no início do próximo ano lectivo.
Terça-feira, Lizete Cardoso e o marido foram chamados à escola para se reunirem com dois elementos da DREN. "Propuseram convocar professores para irem a casa dar explicações ao Miguel até ao final do ano", narra João Cardoso. E revelaram querer iniciar, desde já, um trabalho de sensibilização na escola. Entusiasmada, Lizete aconselhou-os a pedir ajuda técnica do Instituto de Apoio à Criança. João é que não esconde o cepticismo: "Só acredito vendo."
Esta semana, os media rodearam o estabelecimento de ensino, questionaram pais, conselho executivo, DREN, IGE. A família Cardoso admite a hipótese de a publicidade ampliar a hostilidade. Já a sente. Há quem não os ilibe. Frente a "pequenos problemas, a mãe dirigia-se à escola a repreender os colegas" e isso, dizem, terá "contribuído" para muitos se afastarem ou até desprezarem Miguel.
Lizete não nega as suas sucessivas idas à escola para proteger um filho sofrido, com grande fragilidade física e emocional. Nem a zanga com a mãe de uma das miúdas que acusa de bullying. “


in, Jornal o Público edição de 24 de Maio de 2007, pág. 8

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

10 comentários:

Anónimo disse...

Que tristeza de VIDA desses PAIS.
Sera preciso uma PUBLICIDADE BARÁTA para que as AUTORIDADES COMPETENTES se mexam na questão de resolução de uma questão de uma POBRE CRIANÇA (POBRE SALVO SEJA).
Mas afinal não existe OLHOS para ver a questão de um PROBLEMA.
OU será que o DREN só tem olhos para casos dos distos piádas sobre a DITO PM.
Mas que porra de VIDA desta SOCIEDADE.
Hoje ter uma criança é ter uma SORTE GRANDE já que se diz que crianças vão pagar TAXAS MODERADORAS.
Olha MERDA........ para não dizer mais GRAVE ainda.
É que a minha idade não me permite que como avô diga algo que atinja as crianças num bom exemplo desta maneira de tratar a SAUDE.
Vão dar SANGUE.....
touaqui42

Rosario Andrade disse...

Bom dia!
Vergonhoso mesmo! que so se faça alguma coisa pelas crianças que sao estrangeiras, ou quando a denuncia nos media envergonha as autoridades.

Bjicos

brit com disse...

Este blog foi nomeado para o prémio "Blog com Tomates". Para mais informações visite http://blogcomtomates.blogspot.com

SA disse...

esta sociedade e hipócrita demais... ora mobilizam-se em torno de uma criança desaparecida ora desvalorizam o sofrimento de uma criança vítima de uma doença tão violenta. no fundo são todos uns farsantes

Casemiro dos Plásticos disse...

nem vale a pena comentar isto, é uma vergonha de todo o tamanho enfim...
boa semana!

RCataluna disse...

As crianças quando querem são mázinhas... e de certo modo, o reflexo dos pais...

Abraço!!

Sininho disse...

Estão a colher-se os frutos que semearam.
Infelizmente, são sempre os indefesos a pagar a factura.

abril disse...

Sem palavras

Jade disse...

Confesso que é a primeira vez que estou a ouvir falar do caso e como tal não posso comentar com rigor. Ainda bem que passei por aqui; já tenho o que investigar.
Um abraço!

Isabel-F. disse...

...é inacreditável ...

é triste o mundo em que vivemos ...
é mesmo um mundo cão ...
até onde pode chegar a maldade ...


beijinhos e bom fim de semana