quarta-feira, julho 05, 2006

O Ensino. (Humildes subsídios para a compreensão da estupidez endémica da Lusa gente. Parte 6ª de várias)

Componente mais que óbvia, da equação que traduz o descalabro educacional que alegremente vai conduzindo este país à ruína, o espaço Escola é em Portugal o resultado mais extraordinário da imbecilidade que domina as esferas do poder. Nestes últimos 20 anos, os modelos arquitectónicos escolhidos para as nossas escolas bradam aos céus, passamos do modelo sóbrio dos tempos da outra senhora, que com as devidas adaptações serviria muito bem o seu propósito, para o modelo nórdico do envidraçado cretino.
Os doutos cérebros pensantes desta terra, até dão dó. As escolas novas, são lindas vistas de fora cheias de vidro por todo o lado, quem lá está dentro desespera, no Verão com o calor, no Inverno com o frio. Conheço uma que foi tão bem copiada, que nem faltou construir os espaços para guardar os esquis e os trenós, claro que lá da terra onde foi copiada, isso faz sentido, aqui no meio do Ribatejo onde neva imenso, faz tanto sentido como um selim numa vaca.
À maioria das escolas falta tudo, espaços de convívio, salas de estudo, bibliotecas, laboratórios dignos do nome, enfim uma rebaldaria. Casos de escolas em que são os pais e os professores a comprarem o material necessário, giz, papel higiénico, detergentes, extintores de incêndios, fotocópias e muito mais, dizia eu que casos destes são às centenas, com é possível trabalhar decentemente em escolas destas, pois mas é assim que se trabalha.
Instalações precárias e podres a caírem aos poucos, infantários sem espaços cobertos para que no Inverno as crianças possam brincar sem apanharem chuva.
Escolas, com instalações sanitárias, que fazem lembrar a entrada do inferno. Muito há ainda a fazer, não estou a falar só do ensino público no privado também existem casos de bradar aos céus. Juntemos a isto o facilitismo, propiciado pelo desejo de apresentar estatísticas que fiquem bem ao lado das de outros países, realmente interessados na Educação e temos o descalabro que é este modelo de Educação.
O facilitismo instalou-se em todos os níveis do ensino, os meninos não chumbam, excepto talvez se sodomizarem o professor e deitarem fogo à escola, aí talvez se considere em Concelho Pedagógico uma eventual proposta de sanção a enviar ao Ministério. Resulta deste facilitismo, que o menino vá progredindo dentro dos vários graus de educação, progredindo no seu analfabetismo, na sua falta de conhecimento, na sua falta de cultura e boçalidade. Os meninos hoje vão à escola para passarem de ano e não para aprenderem, os cretinos papás, ficam encantados porque o menino passou e já é doutor, tirou uma licenciaturazeca de merda,, demorou 7 ou 8 anos a fazer uma licenciatura de 5 anos, é um Doutor, veste fato e gravata, põe gel no cabelo, mas escreve “aprendis”, “paçeio”, “acessor” e da sua boca saem pérolas do linguajar Luso como “pograma”, “foi de encontro a…” e demais alarvidades que se ouvem todos os dias destes Doutores de pacotilha.
A ânsia de ficar bem no boneco, levou os nossos governantes a optarem pelo mais absurdo e despropositado facilitismo, ensina-se mal, aprende-se ainda pior. Resultando daí aquilo que alguém apelidou de geração rasca, na altura não concordei, hoje já dou a mão à palmatória, que falta que ela faz, isto não é uma geração rasca, isto é uma sociedade rasca, um país rasca de gente rasca, até o iluminado que proferiu essa sentença é culpado da rasquice a que chegamos.
Caso os senhores governantes ainda não tenham percebido, nem mesmo o seu facilitismo, ajuda, os alunos, coitados assoberbados pelo peso do ensino, abandonam a escola às récuas. Mal têm idade saem da escola, as suas manadas pululam pelos Colombos e demais ícones da cretinice urbana, uma nova geração de polidores esquinas, incultos, analfabetos e ignorantes. Quer o outro competir com a Europa, eu atrevia-me a fazer uma sugestão, abandonemos a EU e tentarmos aderir à União Africana, sempre ficávamos mais dentro dos parâmetros.

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

10 comentários:

moonshinne disse...

Que mais dizer... Temos a educação que temos! Não é mais nem menos do que o produto do facilitarmos aliado a mediocridade e pelo deixa andar que depois logo se vê...

Andreia do Flautim disse...

E de quem é a culpa?...

A culpa é do sistema, o sistema somos nós todos...

E o governo lixa-nos todos os dias...

A Sonhadora disse...

Olá Francisco boa tarde...gostas da minha florinha? é uma bela orquidea, que está mesmo mto linda....
pertence ao meu jardim...suspenso...eheheh
beijinhoa da sonhadora

sem-comentarios disse...

E os ultimos governantes são tão medíocres, que cada vez mais, afundam o nosso país tão pequeno e tão dificil de gerir.

SA disse...

mais um retrato negro e decadente mas completamente acertado esse ponto de vista. todos pensamos e sentimos isso. não vale a pena tapar o sol com a peneira

francis disse...

Com tantas carências apontadas nas escolas e seguindo o exemplo do Zé, o melhor mesmo, será fecha-las todas e concentra-las numa unica mega-escola em Lisboa.

Savonarola disse...

Belo retrato do ensino em Portugal. A dita "geração rasca" sobrevive há, talvez, dez anos, desde que assim foi apelidada, por estar a manifestar-se frente à Assembleia (dita, da República) com ditos muito grosseiros e gestos ainda piores. Uma geração construída por uma Educação que já se tinha demitido de cumprir o seu papel: educar. Esta situação perdura e deixa os jovens à sua mercê, tomando opções de vida muito duvidosas...

Será que, para mal da minha perspectiva anarquista, a ausência de Estado, de poder, possa ter tantas consequências nefastas? Um abraço

Daniela Mann disse...

Beijinhos amigo!

Nunovsky disse...

Grande Chico ;)

bluerussian disse...

A da União Africana está demais,....
e sabes porquê? porque os rebentos de muitos cromos que aprovam estas coisas não poem os pés em escolas destas. andam em colegios privados tipo morangos com acúcar, ou têm profs particulares. por isso, estão-se nas tintas. dizem que as escolas sao para o povo, e o povo para eles são labregos dos guetos e das províncias, por isso, as escolas não tem que ser boas. basta que sejam giras por fora, para virem cá as abéculas da europa ver.
Excelente, como sempre, Barão.