segunda-feira, setembro 29, 2014

A má moeda



Uma vez a propósito de políticos competentes e incompetentes, Sua Excelência o senhor Presidente da República, num raro acesso de humor, escreveu um texto sobre a famosa Lei de Gresham, em que aoque parece a moeda boa expulsa a moeda má, perguntamo-nos como é que o senhor Silva ainda convive com o político Silva e ainda não o expulsou, pensando bem existem dez mil razões para que a Lei de Gresham não seja lá muito apreciada em Boliqueime.
E a propósito de moedas, que dizer desse tostão que vegetava cabisbaixo como secretário de Estado adjunto e a quem Coelho mandava fazer o trabalho sujo de papagaio de serviço, uma história de sucesso que prova que a subserviência dá sempre frutos e a moedinha lá passou de tostão a cêntimo na Europa civilizada.
Inchados de orgulho os pavões parolos alaranjados, vieram tecer loas à grande conquista, iríamos ter um comissário europeu, alguém que estaria no olho do furacão, afinal Juncker teria de pagar o apoio recebido de Coelho, e como o pobre tostão estava um nadita desacreditado e desgastado, mal-amado além de que ao que parece não ter lá muito boa relação com a Teresinha económica, dor de cotovelo ao que parece, Coelho tira-o da cartola e manda-o à Europa, para longe e para não chatear.
Porém Juncker que é um grande passarão rodeou-se de amigos de confiança, e a grande esperança nacional, foi atirada para um pelouro da treta apelidado «Inovação e a Investigação», o homem vai ser o responsável por um orçamento de 80 milhões de Euros, mas é só isso, fica fora da área política. Essa área fica reservada para aqueles que realmente interessam, os comissários indicados pela França, Alemanha e Grã-Bretanha ficam com as principais pastas de competência económica. O francês Pierre Moscovici, antigo ministro das Finanças, será o responsável pelos assuntos económicos e financeiros. O britânico Jonathan Hill, antigo líder dos conservadores na Câmara dos Lordes, assegura a estabilidade financeira, serviços financeiros e mercados de capitais. O democrata-cristão alemão Gunther Oettinger, que na Comissão liderada por Durão Barroso teve a energia, passa para a economia digital, ou seja quem realmente interessa fica com o poder, os outros vão fingir que mandam.
Diz um dito de antanho que «Quem nasceu para dez réis nunca chega a tostão», esse será o caso da pobre moeda, que mercê da sua superlativa subserviência, foi premiado com um cargo dourado, onde se limitará grosso modo ao seu trabalhinho de manga-de-alpaca militante. Ora digam lá que não é tão bom, termos um comissário europeu, melhor que isso só se for um cherne a presidente.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

Uma rápida trapalhada



Citius, Altius, Fortius, em Latim significa "Mais rápido, mais alto, mais forte". O lema foi proposto pelo Barão Pierre de Coubertin aquando da criação do Comité Olímpico Internacional em 1894. Citius foi também o nome pomposo escolhido para mais uma trapalhada inenarrável desta espécie de governo.
Há cerca de uma semana, aquela senhora que se diz ministra de algo que em Portugal se manifesta por não existir e a que se chama genericamente Justiça, achou por bem aparecer num canal de televisão, aonde se deslocou no carrito de Estado, pago por todos nós, rodeada de motorista e seguranças igualmente pagos pelos tolos dos pagantes de impostos, para arengar sobre a mais grandiosa e megalómana transformação dos últimos duzentos anos no sistema da Justiça nacional.
Ora sabendo nós de ciência antiga e avisada que “Depressa e bem não há quem”, algo chamado Citius, que quer dizer rápido, feito como foi à pressa e em cima do joelho, só poderia dar asneirada, como aliás quase sempre acontece quando as politiqueirices se sobrepõem a um planeamento maturado e estruturado elementos essenciais para levar a cabo tarefas hercúleas deste género.
Pior, a senhora ministra há muito que fora avisada do desfecho deste completo disparate, uma auditoria efectuada à plataforma maravilha havia detectado uma enormidade de problemas, técnicos e de falta de recursos humanos qualificados, que per si significariam que o projecto estaria condenado ao insucesso temporário, por não ter sido antecipadamente planeado, testado e alocados meios e recursos humanos necessários, aliás é preciso ser mesmo muito intelectualmente indigente para não saber o que significa a implementação de uma rede deste tipo.
Sugeríamos portanto à senhora que alegadamente é ministra da Justiça que mude o nome da plataforma para «Tardus» pois conforme demonstrou a tartaruga da fábula, ser lento não é sinal de ser pior, e para a próxima tenha tino, pondere com sapiência o que há a fazer, se não souber pergunte a quem sabe e não enche a boca com asneiradas, falando sobre algo de que não percebe peva, o que nos leva a pensar como é que alguém assim chega a ministro.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

Mentecrato



Ao ler este artigo o diligente leitor pensará provavelmente, que algo nos move contra o actual detentor da pasta da Educação. Ora nada mais longe da realidade, confessamos que Crato ministro, nos enternece, aliás, Crato é directamente responsável por muitas, das nossas, horas de gargalhadas e boa disposição, qual commedia dell'art, qual carapuça, Crato é o grande, o enorme o máximo comediante de Portugal, e se enquanto ministro é uma nódoa, enquanto comediante, Crato é um estrondo.
Políticos existem, cuja carantonha nos provoca vómitos e o mor dos desconfortos, já com Crato é o oposto, a sua pobre figura lembra-nos um pobre Quixote, a lutar contra os moinhos e acossado pelas prodigiosas manigâncias de Frestón, ao contrário de muitos dos outros politiqueirotes de quinta escolha, Crato faz-nos rir.
Para não variar o ano escolar começou na maior das rebaldarias, a juntar às costumeiras trapalhadas, faltas de pessoal auxiliar, escolas a cair de podres, fecho de escolas, turmas excessivamente grandes, Crato ainda juntou a tal bolsa de contratação de professores que conjuntamente com o concurso extraordinário lançou o caos nas colocações, com atropelos e injustiças inenarráveis.
Crato ainda teve o desplante de um destes dias num jornal diário declarar: “É hoje perceptível o resultado da nossa política de reforço dos conhecimentos essenciais dos alunos”. Nada como alguém completamente alienado e com alguns laivos de megalomania para olhar para a miserável Educação deste país e dizer tal abstrusidade, perguntamo-nos o que serão os tais «… conhecimentos essenciais…», infelizmente e a julgar pela qualidade média dos governantes, os conhecimentos essenciais dos pobres alunos apenas engendrarão imbecis, idiotas chapados e energúmenos.
Um dia pensámos que depois de Maria de Lurdes Rodrigues, nada pior poderia acontecer à pobre Educação e às pobres crianças sujeitas a tais disparates e cretinices, mas eis que Crato aparece e refunda toda a nossa percepção sobre o que é ser vulgarmente mau, Crato conseguirá em quatro anos destruir toda a escola pública de que nos deveríamos orgulhar. Infelizmente, a maioria da populaça quer lá saber, o que lhes interessa é que os filhos fiquem longe deles durante a maior parte do dia, pobres das nossas crianças!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

domingo, agosto 31, 2014

Portugal ou Labregal



Os gostos não se discutem, verdade tornada insofismável pela betitude carneiro do povinho quando quer defender a sua analfabeta prestação, no entanto e como dizia um excelente professor de quem tive a honra de ser aluno, “…mas o mau gosto discute-se”e nada como conhecer as realidades culturais, cada vez menos diferenciadas, que existem de Norte a Sul deste paraíso de sevandijas, para conseguirmos perceber que culturalmente este país é de uma labreguice extrema, vivemos aliás como dizia o outro num país rasca, mesmo muito rasca.
Uma destas cálidas noites, estávamos nas festas de uma terreola, que apesar de ser uma pequena terreola, dista, grosso modo, a apenas uns meros 40 minutos de boas estradas da capital do país, não estamos pois a falar de uma qualquer terreola insalubre perdida lá nas berças entre serranias e montes.
A banda que tocava uma espécie de metal gótico, suave, mas com bons arranques, onde mesmo os menos entendidos conseguem perceber qualidade, aí se cruzam, sonoridades tão díspares como Nirvana ou Vivaldi, a vocalista tem uma boa voz que complementa muito bem o “ensemble”, como é evidente não serão a melhor banda do mundo, mas fazem um muito bom trabalho, trazendo outros sons ao marasmo cultural do panorama das festarolas de aldeola, além disso gostam daquilo que fazem e isso consegue perceber-se no empenho que colocam nos temas que vão desfilando no alinhamento. Mas para sua grande tristeza os labregos daquela terreola, naquela noite, estavam sintonizados noutra onda.
É extremamente triste, perceber “in loco” aquilo a que as duas últimas décadas de Educação reduziram, uma população que nunca tendo primado pela elevação, cultural e cívica, em apenas vinte anos mercê de patéticas experiencias educacionais, da falta de investimento na criação de um povo educado e civilizado, os reduziram a esta massa amorfa de labregos, de analfabetos abrutalhados, que por aí andam.
E não se deixem enganar pelos festivais nem pela grande amplitude de sonoridades que se podem ver nesse tipo de eventos, esse público é quase sempre o mesmo, é tal e qual os frequentadores das bibliotecas, se o leitor começar a frequentar uma biblioteca, ao fim de um mês conhecerá todos os utilizadores da dita instituição, conseguindo inclusive conhecer todas as suas pequenas manias e tiques, tal é o ínfimo número daqueles que frequentam as bibliotecas, exceptuando os que lá vão apenas para utilizar as instalações sanitárias.
A banda fez o seu melhor para cativar a maralha, que a pouco e pouco foi debandando, entre os ocasionais gritos “vai-te embora”, e a indiferença patética dos pobres de espírito. Acabaram de tocar, sendo substituídos por uma daquelas aberrações musicais que por aí existem aos molhos, com meninas aos pulos em trajes menores e letras de musicas de qualidade fantástica roçando o grau zero de intelecto, a maralha tinha regressado e as escadarias do largo da igreja estavam de novo repletas de basbaques de todas as idades que deliravam com as musiquetas labregas, “é disto que o meu povo gosto”, e é muito triste que assim seja.
Não precisamos todos de gostar de Mozart ou de Chopin, mas era muito mais interessante que os gostos musicais, que a cultura do povo e que a sua educação, fosse eclética para absorver e apreciar as muitas coisas de qualidade que felizmente existem, produto da carolice e do empenho dos muitos bons músicos que temos neste país, facto notável, dada a linearidade do espectro musical que faz os gostos da maralha labrega, infelizmente a qualidade não é coisa que preocupe a labregada, isso explica que um qualquer Anselmo de quinta categoria, some e siga a cantar pimbalhices rasca e encha terreiros com milhares de alimárias primárias que se dedicam a andar à bulha, pouco mais que símios, autênticos primatas inferiores desenraizados aculturados a modas cretinas, transportando para o seu dia-a-dia realidades de outras culturas.
É em verdadeiro êxtase que escutam as lamechices sem cérebro debitadas pelas poderosas colunas de som, desse grande exército de promotores da labreguice nacional. Viva Portugal, vivam os labregos que por cá habitam, vivam os políticos, as suas politicas educativas, viva a extraordinária capacidade de adaptação da labreguice e da pobreza de espírito que torna Portugal este fenómeno de imbecilização colectiva.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

Um país completamente partido



Uma das esperanças, vãs e pueris, que tínhamos com a vinda da troika, seria que essas “credíveis”, “isentas” e “honestíssimas” instituições fossem de algum préstimo, no debelar de um problema nacional que faz exaurir constantemente o erário público e à conta do qual, muito do miserabilismo em que nos encontramos hoje, talvez fosse menos incisivo.
Vãs porém foram essas esperanças. No que à corrupção concerne, as ilustres instituições, estão-se literalmente nas tintas, o que a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), pretendem é apenas assegurar que os milhões que lhes devemos por cada vez que cá põem os pés e debitam barbaridades, lhes sejam pagos, esse é o seu verdadeiro e único interesse, é assim que se alimenta a máquina de consultores que faz estudos e folhas de Excel para ditar políticas que apenas arruínam os países, mas não é disso que aqui queremos falar hoje.
A corrupção é o verdadeiro móbil deste pequeno artigo. Porque a corrupção que mina este país é um dos seus maiores problemas. Basta alias ver os serviços noticiosos dos vários canais televisivos ou folhear os diários para verificarmos que rara é a semana em que algum caso envolvendo, políticos e a corrupção não apareça em grandes parangonas, para grande gáudio da populaça que logo aponta o dedo a mais um galfarro que se abotoou com os dinheiros do erário público.
No original latino “corrupto” significava literalmente completamente destruído. O termo terá sido primeiramente utilizado por Aristóteles e mais tarde pelo grande orador Cícero, que desse modo expunha a dissolução, ética, moral e cívica dos homens públicos de Roma, sabe-se que César o grande “general” e conquistador romano era useiro e vezeiro em utilizar o suborno como forma de servir os seus fins, infelizmente parece que a romanização deixou em terras lusitanas os mais feéricos dos emuladores desse Imperador Romano, «estes lusitanos são doidos» diria o devorador de javalis mais famoso de toda a Gália, e de facto não andaria longe da razão.
Os nossos políticos são corruptos, porque nós enquanto sociedade somos corruptos, vivemos de pequenas manhosices, de esquemas e do inefável Chico-espertismo nacional, essa verdadeira escola de corruptos, sempre a tentar perceber como damos a volta ao assunto, como contornamos a situação, em suma somos um país corrupto, miseravelmente corrupto e sem escrúpulos, senão vejamos, o merceeiro rouba no peso, o lojista foge ao fisco, o polícia aceita um bacalhau e perdoa a multa, quem é multado procura logo o tal amigo para o livrar da coima, no centro de saúde ou no hospital convém sempre ter “conhecimentos” e claro está o político finca as unhacas aos milhões e abifa-se à tripa forra aos dinheiros públicos que depois distribui pelos amigos, criando desse modo uma rede tentacular que se espalha pela administração, onde os pequenos mangas-de-alpaca, são verdadeiros reis, assenhoreando-se de todas as possíveis negociatas e distribuindo sempre uma parte do saque para que o jogo sujo possa prosseguir, Portugal poderia até mudar o nome para Piratal, tal é a quantidade de flibusteiros, corsários, bucaneiros e piratas que infesta o seu território, ocultos pelas várias ilhas, enseadas e penínsulas. 
E somos de tal maneira um povo corrupto, que a própria legislação, consagra absurdos legais e especificidades técnicas arranjadas quase a pedido para que os mega corruptos e as suas redes de compadrios fiquem sempre a salvo, ainda que a coberto da fábula que se conta sobre Portugal ser um Estado de Direito, por vezes até se gastem milhões para construir casos, que um qualquer causídico estagiário desmonta, a prova-lo estão os vários espaventosos e onerosos “mega-processos”, novelas jurídicas quixotescas que vão enchendo páginas de jornais e de onde raramente alguém sai condenado, sendo porém certo que o dinheiro desaparece, Portugal é alias um caso daquilo que podemos chamar “corrupção-fantasma”, dado que ficam sempre provados os actos de corrupção, fica sempre provado o desaparecimento de milhões, mas curiosamente nunca esses factos são atribuídos a alguém, somos portanto um país curioso e digno de uma cuidada investigação, porque por cá, as actividades ditas de paranormais, não perdem tempo com vulgaridades demoníacas, como vomitar matérias viscosas de cor esverdeada ou rodar a cabeça a 380, nada disso, o ectoplasma lusitano é muito mais precavido, não vá a vida do Além entrar em crise, e deita as garras aos incautos milhões do erário público e a todas as negociatas e falcatruas que se podem fazer, daí concluirmos que Portugal não necessita de tribunais nem de Juízes, Portugal necessita isso sim de caça-Fantasmas.
Da corrupção dos pequenos nadas, à corrupção das elites politiqueiras, é um nunca mais acabar de esquemas de bandalhice dos quais pouca gente sai incólume, e onde muito pouca gente pode apontar o dedo. Quando ouvimos falar “deles” dos políticos como sendo os grandes sacripantas malévolos, devemos pensar que “eles” somos todos nós, é toda uma sociedade que se perfila na senda da corrupção endémica, culturalmente aceite e enraizada, nos caciquismos, nos amiguismos e nas redes informais de uma mão lava a outra e enquanto assim forma continuaremos a ter um país corrupto, um país imprestável um país verdadeiramente todo partido aos bocados e do qual muito pouco se aproveita.

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia