terça-feira, janeiro 29, 2019

Bostologia – Tratado universal da bosta nacional!

Portugal lugarejo mal frequentado segundo uns, reino velho com quase mil anos, orgulhoso da sua diáspora de quinhentos anos, recebeu no seu seio, um afamado bostólogo senegalês que nos veio revelar a verdade sobre a nossa existência, nós pobres patetas ignorantes que há quinhentos anos contactamos com gente de todas as raças, credos e cores, nós que somos de todas as cores e credos, ficámos a saber, que somos um país muito racista e que somos bosta.
Agradecemos ao luminoso arauto da bostologia mundial a excelsa informação, resgatando-nos das garras da ignorância e colocando-nos no patarmar em que devemos estar o de paíszeco racista e bosteiro, um pardieiro de escaravelhos bosteiros nazis, hossanas ao glorioso e intrépido senhor que vindo do longínquo Senegal, veio espalhar a sua preclara visão sobre esta bosta de terra, perguntando-me eu, porque e que tão inteligente, capaz e dotada pessoa se dá ao sacrifício de residir nesta bosta de terra, neste antro de nazis, de expor os seus filhos a esta gentalha miserável e de se rebaixar, degradando a sua pessoa ao receber o dinheiro sujo dos impostos dos nazis que pagam o seu, estou em crer, muito exigente cargo de assessor, cargo esse que a fazer fé nos números publicados numa plataforma governamental totalizaram 200 mil euros em meros 3 anos, eu simples escaravelho bosteiro nazi, vou precisar de 20 anos para ganhar esses mesmo 200 mil Euros, mas claro eu sou apenas um nazi racista, um bosta.
Não fora o senhor especialista em bostologia nazi, vindo do país que ao mundo deu por exemplo a personalidade singular de um senhor chamado Leopold Senghor que se aconselha vivamente a leitura por ser um excelente poeta e um humanista de eleição, dizia eu que se não fosse a inteligentíssima visão do doutor bostólogo, nós os escaravelhos bosteiros nazis que habitamos este pais continuaríamos cegos na nossa cruzada contra as cores do Mundo.
Obrigado ao senhor bostólogo por revelar ao Mundo que Portugal é um antro de escaravelhos bosteiros nazis, sem as sensatas, inteligentes e sábias declarações do senhor doutor bostólogo, jamais as pessoas incautas que poderiam considerar vir para Portugal, cairão em semelhante erro, ninguém no Mundo poderá dizer que não foi avisado, Portugal é um antro de nazis, nem a Alemanha em 1940 teve tantos nazis como Portugal possuiu neste momento, obrigado inteligente senhor, a sua inestimável ajuda foi determinante para desmascarar esta gentalha medíocre, este bando de nazis bosteiros que se acoita neste paizeco de quinta categoria.
Pena tenho das vastas comunidades de cidadãos brasileiros, ucranianos, russos, indianos, nepalases, paquistaneses e chineses que escolheram este antro de nazis para viver e trabalhar, estão a ser enganados pelos nazis manhosos e velhacos que querem viver do trabalho destas pessoas.
Não fora este excelente e lúcido cidadão senegalês o racismo em Portugal seria um tabu, obrigado a este senhor doutorado em bostologia e em nazismo racista por ter trazido este assunto à superfície deste conspurcado antro de nazis, de bostas que é Portugal, é de gente assim que Portugal necessita, gente que aponte a dedo a corja nazista que aqui vive, que se alimenta à conta do trabalho das pobres pessoas que tal como este excelente senhor vindo do Senegal em missão, sim porque só um missionário imbuído de um espírito altruísta e dotado de um quase miraculoso poder de sacrifício se disporia a vir viver para este antro de nazis, só alguém muito acima da média se disporia a aceitar ser pago por dinheiro sujo dos impostos destes bostas nazis de Portugal para desempenhar tão nobre missão, muito obrigado caro senhor, é vossa excelência um farol de luminosa decência neste porco mar de racistas, de nazis bosteiros. 
Já se sabia que éramos um pardieiro de corruptos, de analfabetos e de atrasados, a isso junte-se agora o excelente epíteto de racistas, deixo porém uma pergunta, se isto é tão mau, tão degradante e se as pessoas de cá são tão más, tão xenófobas e tão racistas, que vindes fazer para cá, sois masoquistas? Tendes senhores e senhoras que demandam Portugal algum fetiche sexual que vos faz serem glutões da punição? Se assim não é porque vindes, sois porventura apenas estúpidos ou vindes como o doutor entendido em bostas, com espírito missionário para remir as almas dos bostas nazis de Portugal?

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

terça-feira, janeiro 22, 2019

O Império dos esquecidos

“Em Abril sentado no meu alpendre vejo a parada passar,
Vejo os meus velhos camaradas orgulhosamente a marchar.
Recordando antigas glórias, todos dobrados e doridos,
Heróis de guerras esquecidas, heróis esquecidos.
E os mais jovens perguntam “Porque estão eles a marchar?”
Pergunto-me o mesmo enquanto a banda está a tocar,
Enquanto eles passam a marchar,
Ano após ano menos aparecem para desfilar,
Temo que um destes dias, ninguém mais irá marchar.”

Tradução livre de um excerto da canção "And The Band Played Waltzing Matilda" dos Pogues ”

Há duas semanas faleceu um amigo, um velho combatente, também ele marchava orgulhosamente no 10 de Junho, agora que felizmente resolveram dar algum relevo e mostrar respeito pelos antigos combatentes, apesar de eu acreditar que o relevo deveria ser dado a todos os veteranos, ou seja a todos os que cumpriram serviço militar em prol desta coisa Pátria, sem prejuízo de mostrarmos o nosso respeito pelos que foram combater, muitas vezes por quimeras patéticas.
Esse meu amigo, foi um dos meus instrutores há trinta anos quando “assentei praça” como se dizia antigamente. Trazia no seu curriculum várias comissões na Guerra Colonial, nos ombros as divisas de sargento. Partiu esse bom amigo, com ele parte mais uma parte de mim, parte uma migalha do fim do Império.
Eu sou um desses filhos dos restos do Império, cresci com histórias de guerra, na escola o meu núcleo duro de amigos tinha um angolano branco, um moçambicano preto e um indiano, nunca ninguém se lhes referia pela cor, mas pelo nome, não eram afro não sei quê ou luso coiso e tal, eram portugueses, eram o João, o Carlos e o Henrique, também eles filhos dos restos desse Império que desapareceria definitivamente em 1999 com a entrega do território do Leal Senado à China.
O Império velho de 500 anos, teve apenas uma década de fulgor, a década de 50 do século XX, no fim dessa década, poucos perceberam que o kurikutela da História galgava barrancos inexorável no seu percurso anunciando que o ouro negro traria novas de um acordo final que acabasse em paz e assim foi, mas foi preciso muita guerra, muita morte, muito sangue, muitas lágrimas e muita dor e o Império findava sem glória.
Muitos gostam de ver os antigos combatentes como exemplos do brio perdido desse sonho imperial, não digo que não haja no meio desses milhares de homens e de mulheres, gente que assim pense, tenho porém que a grande maioria sente-se orgulhoso apenas por ter sobrevivido e por ter feito aquilo que deles se exigia, apesar de depois de 1974 terem sido completamente esquecidos pelo mesmo Estado que os mandou para uma guerra estúpida.
Este meu excelente amigo, já octogenário, dizia sempre que fez o que tinha que fazer pois era militar, não odiava nada nem ninguém, tinha saudades dos camaradas, tinha saudade de ser jovem, de resto não tinha saudades de mais nada, faleceu paz à sua alma, honre-se a sua memória e a todos os que combateram, respeitem-se essas mulheres e homens pela coragem, são os restos do Império que mais uma ou duas décadas serão apenas memórias inscritas em monumentos e manuais de História, fica aqui expressa a minha homenagem.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, janeiro 14, 2019

Portugal precisa de inimigos?


O ano de 2018, terminou com mais um triste e bem negro balanço nas estradas de Portugal. Muito se preocupam as pessoas com hipotéticos inimigos externos, terroristas, quimeras patetas, porém os verdadeiros inimigos dos portugueses são os próprios.

Para quem anda distraído, Portugal deixou há muito de existir, deu lugar a uma coisa a que vou chamar “Grunholândia”, um pardieiro terceiro mundista habitado essencialmente por grunhos, gentalha medíocre desprovida de qualquer educação, sem respeito pelos outros e sem possuir sequer um mínimo de regras de convivência civilizada, em suma “grunhos”.

Eu arriscaria dizer que o território que anteriormente apelidávamos de Portugal, é actualmente o paraíso terrenal dos “grunhos” o Shangri-la da grunharia mundial, tem aliás atraído muito disso, gentalha, rebotalho e mais rebotalho que se junta ao muito que por cá existia já em abundância, falo de um “país” onde por exemplo, entre os dez programas de televisão mais vistos no ano de 2018, nove foram jogos de futebol e um é daqueles programas aberrantes para seres acéfalos produto charneira do telelixo nacional.

Os números falam por si entre dia 21 de Dezembro e dia 2 de Janeiro, cerca e 2500 acidentes rodoviários, provocaram 23 mortes, para além de mais de um milhar de feridos entre graves e ligeiros, uma verdadeira hecatombe provocada pela estupidez colectiva de um povaréu cretino.

As causas desta estatística vergonhosa radicam fundo nesta sociedade medíocre, vamos falar sobre algumas dessas causas. Começamos por concluir que uma dessas causas reside no facto de que somos um poveco de grunhos labregos, que jamais deixaremos de o ser, ainda que nos encham de gadgets e penteados à moda, a grunhice sobrepõe-se sempre a tudo, uma grunhice pegajosa que sai pelos poros de cada “tuga” que exala quase permanentemente esse odor fétido de grunhice, não julguem no entanto que a grunhice escolhe classes, porque não escolhe, em Portugal tão grunho é o doutor como o cavador.

Em Portugal a grunhice é uma condição democrática, igualitária e nada discriminatória, o grunho de Portugal é branco, preto, azul e até verde, é mulher, é homem é de todas as cores raças e credos, e essa é a característica mais marcante do grunho nacional, essa irmandade que se coloca acima de qualquer característica hipoteticamente diferenciadora, o grunho existe exibindo e fazendo gáudio dos mesmos comportamentos grunhos independentemente da sua origem étnica e ou social, independentemente do seu sexo ou credo, o grunho nacional prospera.

Como outra causa que podemos aduzir à sinistralidade, está a péssima qualidade das estradas nacionais, a falta de condições e por aí adiante, será que podemos dizer que acontecem acidentes por causa das condições das estradas? Podemos sim, mas por si só esse facto explicará uma ínfima percentagem dos acidentes, podemos igualmente aduzir as condições climatéricas, sim podemos, mas de novo estamos perante uma ínfima percentagem dos acidentes, sendo que num e noutro caso se pode sempre adequar por exemplo a velocidade ao estado do piso e às condições atmosféricas tentando mitigar as dificuldades, essa é sempre uma opção do elemento humano da equação.
Apesar das duas situações anteriormente descritas serem relevantes, as causas mais directas desta terrível «guerra civil» que há muito grassa neste pardieiro feito país, têm que ver essencialmente com duas coisas, impunidade e estupidez.

No que concerne à segunda, pouco se pode fazer, contamos com 30 anos talvez mais, de campanhas de prevenção rodoviária, cujos resultados tendo em conta o muito investimento feito têm sido próximo do miserável, prevenção existe bem feita e com qualidade, não é por aí. Quanto à pedagogia, temos um Código da Estrada o primeiro data de 1928, bem como outra legislação conexa, sendo que as primeiras regras e sinalização do trânsito datam do já longínquo ano de, pasmem-se, 1686. No que toca à pedagogia, ela existe, mais que muita é preciso ser muito estúpido para a não perceber.

Então porque raio; continuamos a assistir a este morticínio? Vamos ao início do disparate, a obtenção da habilitação legal para conduzir veículos. É aqui que tudo começa e começa logo mal, porque em Portugal qualquer anormal obtêm uma “carta de condução» sem mais aquela que frequentar uma palhaçada a que pomposamente chamam Escolas de Condução e uns exames patéticos, nada disto infelizmente forma condutores, é preciso ser muito estúpido para não perceber isso.

Teria aqui de acontecer uma mudança radical para formar condutores, a avaliação psicológica auditada e fiscalizada teria de ser normal padrão para sancionar a obtenção dessa licença, e para a poder manter, uma licença que é uma espécie de «uso e porte de arma» porque um veículo pode ser uma arma e como está à vista de todos, os veículos matam e matam demais, ao invés disso inventaram-se uns atestados médicos para certificar que se está em condições, atestados esses que se arranjam por quantias variáveis em todos os cantos deste pardieiro onde médicos corruptos os passam sempre que se queira, é preciso ser muito estúpido para  não perceber que isso acontece.

No que concerne à impunidade, essa parece ser mesmo a condição crucial que determina este miserável estado de coisas, quando há pouco referi as primeiras regras de trânsito de 1686, diga-se que a queixa mais frequente que lhes fizeram foi que, e cito, “A lei foi desprezada e houve negligência daqueles a quem competia fazê-la cumprir.” Aí está a resposta, mais triste é perceber que nada mudou em 400 anos, continuamos tal como estávamos em 1686, as leis são desprezadas por todos e muitas vezes completamente negligenciadas por aqueles a quem compete fazê-las cumprir.

Há pouco ouvi o senhor Ministro da Administração Interna, proferir uma daquelas frases que esta gentinha politiqueira tanto gosta, “tolerância zero” para com a sinistralidade rodoviária. Ora essa tal tolerância implica que neste governo ou noutro que venha a existir, haja pelo menos uma pessoa com testículos, pode até ser uma mulher, ele há senhoras com mais testículos que muitos homens, ora como testículos é coisa que pouco existe nos governos, estamos conversados.

Não é preciso nenhuma “tolerância zero” a coisa é bem mais simples e para além de poupar dinheiro ainda seria uma boa fonte de receita, não é preciso inventar nada, basta fazer o mesmo que outros países fizeram para domar os seus grunhos.

Por exemplo coimas com valores sérios, a começar em 500 Euros, bêbados que acusem a taxa crime, que deveria ser ZERO, não precisam de ir a tribunal, ficam imediatamente sem carta, pagam coima e se o valor da taxa de alcoolemia for demasiado vão dentro e são obrigados a ter de tirar novamente a carta. Atropelamentos e fuga, julgados com homicídios premeditados com penas mínimas de 20 anos e cassação da carta, estes são apenas alguns exemplos. Acima de tudo impunha-se uma alteração legislativa, mais ainda uma alteração comportamental dos agentes da Autoridade, que deixassem a permissividade e passassem efectivamente a fiscalizar a aplicação das leis.

Isto tudo aconteceria claro está acaso vivêssemos num país de gente normal, de políticos decentes, de instituições saudáveis e de pessoas minimamente civilizadas, como infelizmente estamos a falar de Portugal, no fim deste ano, voltaremos a lamentar mais um milhar ou dois de acidentes, mais uma vintenas de vidas ceifadas e assim continuará tudo numa completa tolerância Zero a tudo aquilo que é civilizado, decente e bom para todos, viva pois o grunhismo nacional!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, janeiro 07, 2019

A terra do aviso prévio


Começo por desejar um excelente novo ano a todos os leitores do Notícias, mantenham a esperança de dias melhores pois isso é a única coisa que vos resta. Feito o intróito da praxe, sucinto e sem abusar da lamechice pateta da quadra vamos ao que interessa, Portugal o país do “Aviso Prévio”.

A grande maioria das desgraças, das roubalheiras e da patifaria geral associada ao sector Estado seria bastante mitigada acaso existisse algo que se assemelhasse a uma inspecção que fiscalizasse a aplicação da muita legislação que as senhoras e senhores de cu alapado nos estofos parlamentares acham por bem parir em desmesuradas leivas, levantando autos e instruindo processos contra prevaricadores, seria uma inspecção que para cúmulo do bom senso, efectivamente protegeria o cidadão, a coisa pública e a segurança do Estado, infelizmente não possuímos nada que remotamente se assemelhe a isso.

Aquilo que possuímos enquadra-se na regra geral deste país que é o faz de conta. Fazemos de conta que existe uma inspecção, fazemos de conta que existem organismos dotados de meios humanos e materiais, que com isenção, correcção e determinação zelam pelo cumprimento de Leis, regras e normas que servem para o bem do Estado, erro crasso, Portugal não possuiu nada disso.

Começamos logo com algo que é per si revelador do cariz “faz-de-conta” disto tudo que é a figura do «Aviso Prévio», que obriga a que não sei quantos dias antes a entidade fiscalizadora avise a entidade fiscalizada que vai lá fiscalizar, meus caros amigos se isto não é uma anedota perfeita, não sei o que será humor.

Quando passei pelas Forças Armadas recordo as visitas “inopinadas” dos senhores Ministros ou dos Chefes de Estado Maior, sempre anunciadas com pelo menos 15 dias de antemão para que houvesse tempo para varrer o lixo para debaixo do tapete, era lindo de se ver, o senhor Ministro a deambular entre messes, nesses dias sempre com rancho melhorado como se por mero acaso se comesse arroz de marisco na messe de praças todas as semanas, pelas camaratas reluzentes e ainda a cheirar a tinta fresca, com ar agradado seguido da habitual matilha de sabujos lambe botas e pronto estava a visita feita mais umas gaitadas da fanfarra, apresentar armas descansar à vontade, adeus e até para o ano ou se calhar até nunca.

Ao que me consta está tudo igual, veja-se por exemplo a inspecção escolar, a que se deveria chamar turma da burocracia, pois a sua inspecção limita-se aos papeis, papelinhos e demais burocracias parolas, porque a existir uma inspecção digna desse nome bem mais de metade das escolas públicas estava fechada, isto é para termos uma ideia da realidade mentirosa e trapaceira destas inspecções, a que posso juntar as outras todas pois é tudo farinha do mesmo saco, ainda que, e bem, em legislação recentemente saída, o aviso prévio, para inspecções de cariz ambiental deixou de ser obrigatório, saúde-se o excelente exemplo que deveria ser extensivo a todo o resto eliminando essa coisa esquizofrénica do aviso prévio.

Resumindo, num país onde existisse uma fiscalização digna desse nome, muita corrupção, muito disparate e muita desgraça se evitaria, Seria necessário investir, claro que sim, mas muito mais gastos se evitariam e estou em crer que muita receita se arrecadaria, isto se fossemos sequer um país, infelizmente não somos, infelizmente somos uma agremiação de palhaços que se diverte a brincar aos Estados, não passamos disso, de uma tropa fandanga de seres apatetados e medíocres que adoram o faz de conta, infelizmente não passamos de pardieiro com aviso prévio.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quarta-feira, dezembro 26, 2018

A comédia das tragédias nacionais!

Pedrogão, Monchique, Borba, Mação, Entre-os-Rios e Valongo, são nomes de localidades que nos remetem imediatamente para ocorrências trágicas, para perdas quer de vidas quer de modos de vida quer de perdas materiais, são nomes que de imediato nos remetem para tragédias. Tragédia anunciadas algumas, outras inopinadas em quase toda porém um denominador comum, o desleixo nacional.
A grande tragédia deste país é pois o desleixo que o varre de lés a lés, junte-se o abandono do interior, assassinado que foi por sucessivas levas de politiqueiros medíocres e pelo abandono a que foi votado por essa miserável súcia politiqueira que há quarenta anos desgoverna o país, se a isto se pode chamar um país.
Quando estas tragédias acontecem ouve-se quase sempre falar de procedimentos e protocolos, quase sempre falamos de coisas rocambolescas burocráticas que envolvem que A telefone a B, que depois telefone a C que envia um mail a D para finalmente E enviar F para o terreno que tem ainda de avisar G e H para estarem presentes, como no caso ocorrido há uns anos onde uma traineira encalha e os homens morrem a 20 metros da costa, porque A não avisou B, porque C fecha às 5 e vai para casa e D não voa sem ordens de B.
Continuamos um país de capelas e capelinhas enredados em “procedimentos e protocolos” que quando acontecem desgraças nunca ninguém cumpriu nem cumpre, porque no fundo isto é tudo um grande faz-de-conta, porque não é possível socorrer nada nem ninguém com o mínimo de qualidade quando se envolvem 200 pessoas de 19 entidades diferentes segundo se lê no relatório preliminar sobre a queda do helicóptero do INEM em Valongo, claro que haverá de seguida uma catadupa de relatórios todos contraditórios a justificar toda esta incomensurável trapalhada.
Relatórios que servem apenas para gastar papel, posteriormente será também sugerida por um qualquer partido de energúmenos politiqueiros uma comissão parlamentar para dar ar à boca e concluir nada, onde os do costume aparecerão nas televisões a arrotar postas de pescada sobre assuntos de que percebem menos que nada, muitos tentando de forma vergonhosa capitalizar votos como se viu recentemente, numa declaração patética, intelectualmente indigente e asquerosa de uma senhora que ainda há uns tempos era ministra, que pouco ou nada fez excepto permitir que se plantassem mais eucaliptos a esmo, esta gente politiqueira é de uma sem vergonhice inaudita, gente asquerosa, gente demagógica medíocre.
Pedrógão, Monchique, Borba, Mação, Entre-os-Rios e Valongo, são nomes de localidades que nos remetem imediatamente para ocorrências trágicas. Remetem-nos estes nomes para um país medíocre e patético, onde tudo parece funcionar em cima do joelho e por decreto, onde não existe fiscalização sobre nada e quando existe tem pasme-se “aviso prévio” para que o lixo possa ser varrido para debaixo do tapete, escondendo desse modo a realidade, um país de faz de conta onde verdadeiramente não podemos confiar em nenhuma instituição nacional.
Os meus sentidos pêsames à família do senhor Manuel que faleceu aos 82 anos sem ver sequer um tostão da ajuda, com que tantos enchem a boca, lhe chegar para recuperar aquilo que o fogo lhe levou, esta história é a prova acabada do miserabilismo da indigência intelectual e da vergonha que são estes politiqueiros nacionais.


P.S. – Já depois deste texto concluído fiquei a saber que o Primeiro-ministro, resolveu solicitar que um magistrado elabore um relatório único sobre o que aconteceu, saúdo essa diligência do Primeiro-ministro, talvez que, uma vez lido esse relatório único, o próprio se possa questionar sobre o funcionamento esquizofrénico deste país, resolvendo-se fazer algo, duvido, mas tenho essa esperança.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, dezembro 17, 2018

CPCJ

Um destes fins-de-semana, fui a Lisboa, andava eu a passarinhar na estação do Oriente, que costuma ter feiras do livro interessantes, os preços nem tanto mas o que por lá de quando em vez se encontra vale a pena, quando topo uma cara conhecida.

Não via a Raquel há uns 20 anos ou coisa que o valha, foi minha colega na Universidade, não era do meu curso mas fez connosco umas cadeiras já não me lembro quais, rapariga algarvia de verbo fácil, está igual, o tempo parece que não passou por ela.

Sentámo-nos à conversa, estivemos bem umas três horas a dar à taramela, e é dessa conversa que vos quero falar. A Raquel, trabalha numa CPCJ, quando me confidenciou a medo essa informação, franzi logo o sobrolho – também tu – atirou-me ela logo de chofre.

Respondi-lhe que sim, também eu, a CPCJ é algo que goza de uma fama pouco edificante junto da populaça onde claro está, me incluo, coisas que vou vendo ainda me fazem ficar com pior imagem disse-lhe.

A Raquel olhou para mim, recostou-se na cadeira, dizendo-me calmamente – tu nem sabes da missa a metade meu amigo! – acredito que sim retorqui-lhe, olha aproveita que estamos aqui e elucida-me. A Raquel respirou fundo e as três horas seguintes de conversa foram para mim uma epifania, também eu seguia pela estrada cego e depois vi a luz, “mea culpa, mea máxima culpa”.

Depois daquela conversa, fiquei convicto de uma coisa, a CPCJ, por muito má que seja a sua actuação, em muitos casos é-o de facto, ainda assim é melhor do que não possuir nada.

As várias CPCJ espalhadas por este país, não são uma entidade homogénea, existem realidades diversas, quer quanto a meios, escassos em todas, quer quanto a recursos humanos, quer quanto à qualidade desses mesmos recursos humanos, pois como em qualquer outra instituição, existe gente excelente, mas também existe gente que não devia estar ali, porque não tem perfil para desempenhar tais funções.

A maioria das pessoas das CPCJ, tenta pois desempenhar o melhor que sabe e consegue as suas funções, no entanto confrontam-se com a já costumeira ineficácia da máquina do Estado, começando numa Justiça lenta, desadequada, muitas vezes com gente pouco competente que entrava processos, que arquiva processos, em mais um exemplo de uma sub-cultura de impunidade que grassa por toda a sociedade.

Se as CPCJ não desenvolvem mais e melhor serviço, a culpa é tão somente do Estado, leia-se dos políticos e da sociedade em geral que tão mal tratam as crianças, Portugal é um país que trata mal as suas crianças, disso não tenho absolutamente dúvida nenhuma, ao falar com a Raquel ainda fiquei mais convicto disso.

Quem trabalha nas CPCJ assiste quase diariamente ao miserabilismo social que infesta este país, assiste à violência gratuita, ao tráfico e sobretudo a essa cultura de impunidade que conduziu uma parte da sociedade a viver de subsídios sem ter responsabilidades. Quem trabalha nas CPCJ é espectador privilegiado e por vezes actor da degradação moral de uma sociedade à beira de implodir, de mudar de paradigma, esqueçam os tais ”brandos costumes” coisa que aliás nunca existiu. Por outro lado também percebi que como em qualquer outra actividade humana há o excelente, o bom e o atrozmente medíocre, sendo a nossa tendência avaliar pela rama, critique-se sempre que se deva, enalteça-se quando for o caso, a cidadania faz-se de intervenção e de questionarmos os “poderosos” sobre aquilo que fazem ou não usando o nosso nome.


A conversa com a Raquel serviu para me “abrir os olhos” para uma realidade da qual só conhecia o superficial, mudando radicalmente a minha percepção sobre as pessoas e a instituição, endereço pois um grande «Bem Hajam» às pessoas que fazem das tripas coração e se levantam todos os dias para ir trabalhar numa qualquer CPCJ.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, dezembro 10, 2018

Educação nada inclusiva!

No passado dia 3 comemorou-se o dia internacional da pessoa com deficiência, um dia de discursos muito fofinhos a roçar o melodramático, ouvidos com música de piano em fundo são uma maravilha de fazer chorar as pedras da calçada, discursos esses em que quase toda a gente enche a boca com os deficientes. Os mesmos deficientes que, durante os outros 364 dias do ano, quase ninguém quer saber, sim porque os deficientes são as verdadeiras vítimas da exclusão, os verdadeiros esquecidos, negligenciados, quantas vezes maltratados, abandonados e relegados para uma qualquer instituição, muitas verdadeiras enxovias a funcionar em vãos de escada onde estão depositados para fazer número para os subsídios poderem chegar, mas disto nem a tão diligente Amnistia Internacional quer saber, mais preocupada consigo própria, quem é que quer saber dos deficientes para o que quer que seja.

Recentemente os doutos e sapientes senhores que regem a Educação nacional, resolveram, em mais um passe mágico, revolucionar o ensino especial, abandonaram o Decreto 3/2008 que era a legislação orientadora do ensino especial e criaram uma nova legislação o Decreto 54/2018, para no seu desígnio revolucionar o ensino das crianças portadoras de deficiência integradas no ensino regular, mais não fizeram porém do que transformar casuisticamente aquilo que para simplificar chamarei Educação dos Deficientes, sem medo da palavra, porque neste caso não são as palavras que ofendem são os actos, ou antes a falta deles, como neste caso, porque a transformação legislativa é apenas isso uma transformação legislativa cosmética que veio emperrar ainda mais o que já funcionava mal e porcamente, falando depressa e bem o Decreto 54 é mais uma farsa produzida por indigentes intelectuais que deveriam estar abrangidos pela legislação que criaram.

Se me perguntarem se concordo com a integração de crianças com deficiência em turmas ditas “normais”, respondo desde logo que isso depende. Depende antes de tudo dos recursos humanos disponíveis para atender às necessidades dessas crianças, aqui cabem todos os terapeutas necessários, porque uma criança pode necessitar de mais de um tipo de terapia especializada, bem como de auxiliares que promovam o bem estar e necessidades da criança, alimentação necessidades fisiológicas e vigilância. Depende de turmas reduzidas, não este actual modelo miserável. Sendo porém certo que no actual estado em que as coisas funcionam sou terminantemente contra crianças com deficiências cognitivas complexas e ou com pouca autonomia em salas de aulas do ensino regular, porque essas crianças criam condições objectivas para a exclusão do resto da turma e consequentes problemas de aprendizagem de todos os outros alunos e essa é uma verdade indesmentível.

A integração de crianças com deficiência no ensino regular foi sempre uma profunda e rotunda mentira, porque os vários governos de anões intelectuais que temos desde há quarenta anos não se preocupam minimamente com a questão, antes de tempos a tempos vomitam legislação, fingindo que está tudo bem o mesmo fazem as direcções das escolas, outra caterva de gentalha conivente com todas estas trapaças, mais interessados em salvaguardar os seus lugares do que em lutar por uma Educação próximo do decente.


Aqui chegados o que concluímos acerca da novas legislação sobre deficientes em escolas do ensino regular, pois concluímos que é mais do mesmo, que aquilo foi redigido para retirar do amplexo da necessidade de apoio muitas das ocorrências mais comuns para poupar ainda mais dinheiro, que tudo é ainda mais mentiroso e aldrabado, e que no fim de contas as crianças infelizmente parece que são o que menos interessa, mas com nós vivemos num país de gentinha que gosta de ser iludida e ludibriada, está tudo bem quando acaba bem.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sábado, dezembro 01, 2018

Eles é que sabem!


Portugal, gaiola «sui generis» de particularidades que desafiam a lógica rege-se há muito por expressões idiomáticas que encerram em si a chave para entendermos a visão, deturpada, que o indígena nacional tem sobre o país onde vive, a chave para compreendermos, se disso formos capazes, a cosmovisão muito particular desta rapaziada.
Portugal para quem não sabe é o país do “Eles é que sabem”, quando perguntamos a alguém porque é que não luta pelos seus direitos, porque é que não reclama ou porque é que permite e vota em políticos tão medíocres como os que temos, a resposta invariavelmente é um “Eles é que sabem”, coisa que confesso me irrita tremendamente, mas que quadra com a maneira de ser do português que deixa serem os outros a tratarem daquilo que devia ser ele a fazer, há quase mil anos que somos povo, mas ainda não se percebeu que “eles não sabem, nem querem saber” logo deveríamos ser nós a querer saber, infelizmente assim não é e meter-lhes isso na cabeça é feito para heróis!
Portugal para quem não sabe é também o país das “Tradições”. Neste querido Portugal, não há gato-pingado que não tenha ou não invoque as tais”Tradições” como justificação para o que quer que seja, Portugal para quem não sabe é o país em que as tais “Tradições” justificam tudo, desde a pedofilia, ao abandono escolar, à morte de animais até ao parasitismo social, em Portugal as “Tradições” sobrepõem-se à Lei e às regras da civilidade, servem para fazer gato sapato de um alegado Estado de Direito, que é mais um Estado da impunidade onde cada um se tenta safar como pode, havendo uns que insistem num embuste que se chama Justiça.
Portugal para quem não sabe é cumulativamente o país do “Não me dá jeito” e do “É só um minutinho”, mais duas extraordinárias expressões que regem o dia a dia do pacóvio lusitano. Servem ambas as expressões para lesar o próximo, infringir a Lei e como é costume por cá provocar incómodo aos outros que nisso somos peritos.
Portugal para quem não sabe é o país onde se conduz com o carro engrenado em “Marcha-atrás” pelo sentido proibido, porque se vier a polícia basta meter a primeira e arrancar, o país onde se pára em cima do passeio e se ligam os quatro piscas e está tudo bem, esta mentalidade labrega e desprezível não só não desaparece como tem cada vez mais adeptos entre o povaréu pateta.
Portugal para quem não sabe é o país onde a frase “estou a trabalhar” parece justificar tudo, o barulho, o incómodo, o atropelo de todas as mais elementares regras de civismo enfim o que se queira, ora num país que dizem ser tão avesso ao trabalho ter uma frase destas que serve de justificativa para tanta malfeitoria é para ser simpático um pouco esquizofrénico, mas por outro lado Portugal é um país esquizofrénico, um país de tontos, o outro cantava os “loucos de Lisboa” devia cantar era os loucos de Portugal, porque se nos debruçamos verdadeiramente sobre as particularidades desta terra depressa percebemos que isto é um reino de doidos.
Portugal para quem não sabe é o país onde quando a coisa corre mal, nunca ninguém sabe de nada, aqueles senhores muito importantes de fato e gravata, o doutor fulano mais o doutor sicrano juntos com a doutora beltrano, quando a porca torce o rabo apresentam-se às televisões como os mais ignorantes dos seres, que na realidade são, como muito bem se viu recentemente com a queda da estrada em Borba em mais uma das muitas tragédias anunciadas deste país. No entanto quando o caso é oposto e a coisa corre bem até se atropelam a recolher os louros, esses mesmos seres ignorantes, são aqueles que nós elegemos e a quem pagamos para administrar em nosso nome a coisa pública, mas que fazem pouco caso da coisa, mais se aproveitando dela que administrando. Mas como estou no país do “eles é que sabem”, andando e siga o baile até o tocador parar!

Um grande e sapientíssimo senhor, dono de uma vastíssima cultura, infelizmente com a saúde periclitante a quem aqui presto homenagem devida, pelo muito que fez por esta terra de ignorantes, dizia com muita razão que por cá “Quem nunca comeu nada, come merda e pensa que é marmelada”, reparo metafórico que se aplica soberbamente a Portugal no seu conjunto e muito em particular aqui à terrinha em particular.

um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia