segunda-feira, outubro 01, 2018

Aliança, velha...!

Esta história começa com uma árvore abatida para fazer resmas de folhas papel de 75gr, aproveitando posteriormente 3,5 quilos desse papel, ou seja uma resma e meia sensivelmente, cerca de 700 folhas de papel para recolher as assinaturas necessárias para entregar no tribunal Constitucional e assim fundar mais um partidelho político, mais valia que fosse papel higiénico, sempre se lhe daria um melhor uso.
Depois é arranjar um qualquer pateta de ego desmedido, amuado por não lhe passarem cavaco nem tão pouco o levarem a sério, dizem que é um menino guerreiro, que bata com o portão da quinta da laranja, saindo para não mais voltar, disse ele, muitos suspiram de alívio com a já há muito almejada retirada de cena do pobre pateta, que ainda não percebeu que está morto, politicamente diga-se, que mal nenhum desejo ao homem, já lhe basta ser como é, um tragalhadanças de primeira água.
Vai daí que despeitado, o tal menino guerreiro, a quem davam pontapés na incubadora, foi-se aos canhenhos e procurou nas agendas os números de telefone das suas muitas “santanetes” e pimba, ei-lo de volta, envolto em bruma intemporal, despido de quarenta anos de roçar o cu pelas esquinas da politiqueirice rafeira nacional, ei-lo renascido, renovado em mente e corpo, sebastianicamente veio para remir o pecado original, o homem é um Cristo da politiqueirice, ou se calhar é apenas um Calímero, uma figurinha caricatural que mete dó, mais faz chorar que rir, tantas e tão medíocres são as suas atoardas, o homem porém porfia, tem-se em grande conta, desmesurado o ego, intrépido avança como líder de uma nova agremiação partidária, uma brigada geriática atacada por achaques e reumatismo nas articulações, uma nova aliança descoberta numa qualquer arca carunchosa, velha, que cheira a bagaceira martelada e a sacristia bafienta, sim porque como convém a um novo ungido o homem redescobriu-se recentemente como católico, nunca é tarde para ver a luz, dirão as mais beatas, pois não, basta passar ali pela segunda circular, mas como o homem é dos verdes, não sei se ver a Luz lhe fará bem.
Sentado na sua poltrona de cetim cor de vinho tinto, um pouco coçada no descanso dos braços, degustando o seu copito de cognac, sim, porque isso da bagaceira é para dar ar de povo e agremiar uns quantos, imbecis, até porque se a coisa correr bem com os votos, vem massa para gerir, o menino guerreiro, agora já de rala farripa branca, melómano de eleição, ouve os violinos de Chopin, uma obra emblemática, que só ele possuiu, cogita, sobre a aliança, sobre possíveis aliados, sobre esse rio poluído do qual se quer afastar.
Cogita, no seu lar de reformado solteirão, reformou-se antes dos cinquenta anos, ah Portugal, esse belo país, mas sente-se inquieto, o homem ainda tem aspirações ainda que todos saibamos que dali não virá nada de novo, aquela aliança, tresanda a mofo, tresanda a parasitas como o próprio, que mercê de uma brilhantemente conseguida constante visibilidade mediática, honra lhe seja feita, conseguiu ser ministro, presidente de câmara, presidente de clube de futebol, entre outras prestações sempre medíocres, miseráveis e despesistas, porque seria diferente agora, que novidades trará essa aliança patética, aliança do quê ou de quem, já agora indagamos.
Para mim é óbvio, é a aliança entre um madraço diletante e pateta com uma súcia de tristes medíocres que apenas pretendem arranjar uns milhares para forrar as algibeiras, a coberto claro está de um projecto político inovador, uma espécie de, como se diz agora e está na moda, “startup” política, que promete inovar.
Portugal continua em larga medida a enfermar com estes quistos sociais, estes aleijões políticos, esta nova aliança é um cadáver que exumaram, para exibir e cobrar bilhetes na ridícula feira das vaidades do mediatismo nacional, o seu protagonista é um pobre diabo digno de dó, um pobre pateta, que tinha feito melhor se tivesse continuado lá pela distribuição de misericórdia, ouvindo nós dele só de tempos a tempos, infelizmente o homem não percebendo que está morto, voltou às entrevistas, impressionante como as televisões perdem tempo com maralha desta, até já é comentador, para repetir o mesmo que sempre disse, para fazer declarações bafientas sobre temas dos quais não sabe peva, olha seria preferível que fosse para casa enfiasse uns valentes copázios de aliança e se esquecesse que nós existimos.

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

sexta-feira, setembro 14, 2018

Entre o claro e o escuro – Uma história real da estupidez nacional

Portugal está cada vez mais surreal, mais anedótico, mais patético, não seremos porém caso único, o Mundo parece estar à deriva, digo-o sem querer de todo parecer um alarmista, fatalista ou outro qualquer desses “istas” com que costumam rotular a malta que diz ou pensa alguma coisa contra ou diferente da corrente estabelecida como própria e oficial para a navegação da carneirada.
No entanto, os pequenos casos sucedem-se, coisas verdadeiramente anedóticas, “fait divers” dirá a turba esclarecida, concedo que sim, respondo com outro chavão “o Diabo são os pormenores”, quem gosta de Poirot, Sherlock ou Marple sabre que são sempre os detalhes mais mesquinhos, insignificantes na sua aparência que tramam os bandidos, dito isto passo a descrever a cena, que se passou comigo.
Uma pessoa minha amiga, sem que se lhe conheçam ancestrais raízes africanas próximas, tem o cabelo crespo e o tom de pele muito moreno, que nesta altura de férias fica mais acentuado por causa dos dias de praia, até aí tudo normal, nós somos um povo de miscigenação, ao contrário do que pensa essa gentalha racista, foi toda essa continuada mistura, que fez de nós aquilo que somos, um povo extraordinário do ponto de vista genético com várias origens.
Sucede que estando eu a sair de um supermercado, topo com essa pessoa amiga, paramos claro está a conversar, tínhamo-nos encontrado numa esplanada de praia estando eu na altura assim por dizer “descapitalizado”, essa pessoa amiga fez o favor de me emprestar dez Euros, com a minha solene promessa de que assim que nos encontrássemos, lhe retornaria os capitais, pagando inclusive um modesto juro sob a forma de um café, assim foi.
Ali à porta daquele supermercado, estávamos pois à conversa, cavaqueando sobre aqueles temas corriqueiros de quem regressa de férias, quando me recordei dos dez paus em dívida, peguei na carteira, arrumada que estava no bolso de trás do calçonito, de lá rebusquei uma nota de tal valor e estava a entregar a nota a essa pessoa amiga que tinha feito esse salvador favor de me emprestar os cabedais necessários para o momento de aflição, quando passaram por nós das mulheres, uma delas, olhou para o lado e atirou alto e bom som;

- Vai para a tua terra ó preta de merda!

Olhei de imediato, eram duas mulheres, vestidas de saia comprida, cabelos compridos em trança, duas senhoras pertencentes a uma pretensa etnia bem conhecida, gente que se reclama diferente, mas que afinal são mais do mesmo, iguais a muitos outros.
 O meu espanto foi tal que demorei a reagir, mas passado o espanto inicial interpelei a pessoa, porque raio estava a falar assim, respondeu-me aos berros, como fazem muitas vezes, que os pretos eram isto e mais aquilo, que lhes davam tudo, porque torna e porque deixa, tudo acompanhado por muitas poses e gestos, como fazem os perus para parecerem maiores e mais ferozes do que na realidade são, enfim uma espectáculo digno de dó.
 Virei-lhe as costas, vim embora, deixei a senhora a falar sozinha, tenho por princípio de vida que não se discute com gentalha racista, estúpida e mal-educada, a esse tipo de gente o melhor é ignorá-los, não valem o esforço, nem sequer a tentativa de pretender ter uma conversa civilizada.


Deixo-vos este episódio, caricato, anedótico deste Mundo completamente em perda, pensem o que quiserem, por mim, como já disse várias vezes, este episódio de novo o prova, a estupidez é a característica humana mais democrática que existe, porque não escolhe raça, cor ou credo, os estúpidos, os racistas boçais existem em todas as cores, para se poder ser considerado humano e respeitado enquanto tal, não basta nascer humano, temos de nos comportar como humanos, de que vale gritarmos que somos humanos quando nos comportamos pior do que qualquer besta selvagem, para se poder invocar essa qualidade, temos de começar a sê-lo, temos de agir com humanidade, temperança, com respeito pelo próximo, mas isso é o que muita gente parece não perceber, não se nasce humano, aprendemos a ser humanos, ou antes alguns aprendem, outros nunca lá chegam.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quinta-feira, setembro 13, 2018

Desculpa lá ó Tóino!

Caro Tóino,

Escrevo-te esperando que estejas bem, que mal não te quero, apesar das trapalhadas que andas fazendo. Li aqui num pasquim, uma parangona gorda, onde está escrito que tu queres abaixar o IRS aos muitos desgraçados que foram obrigados pelo governo do refugiado de Massamá a emigrar, digo-te já que tu e esse Coelho, são farinha do memo saco, podiam ser até gémeos, não é a escolher como parceiros ora a rata de sacristia patética ora a pateta da esganiçada que vocês, um e outro se safam, nem muito menos a convidar o trauliteiro da foice e do martelo.
Mas que raio de ideia de merda é essa, pergunto eu, ó Tóino, tu na terás aí perto de ti, no meio dessa rapaziada toda que supostamente está aí para te aconselhar, ninguém com mais capacidade intelectual que uma ameba, na terás aí perto de ti, ninguém que tenha ao menos dois neurónios a funcionar, na terás por aí ninguém que tenha os três alqueires bem medidos, ou isso é tudo rapaziada sem tento nem tino, que está aí só para encher a algibeira e dizer que é assessor.
Ó meu pateta, atão tu acreditas que reduzindo o IRS em 50% o pessoal que está lá fora, vem logo a correr aqui para este pardieiro? Tu acreditas que gente que ganha, 3, 4, 5 e mais mil Euros por mês, vai deixar isso, para vir para aqui fazer mais com menos, como vocês tanto gostam, trabalhar que nem um escravo, por mil Euros e as mais das vezes por bem menos. Se acreditas nisso, ó pá, desculpa lá ó Tóino, mas tens essa cabecita toda arrebentada pá, vai ao médico que estás pior do que aquilo que eu pensei!
Dizes no jornal “Claro que o essencial é termos boas ofertas de trabalho e trabalho de qualidade”, mas isso já existe pá, onde andas tu a viver, existem boas ofertas e trabalho de qualidade, o problema é que é tudo pago ao preço da uva mijona, o problema é que as casas, o electricidade, a Educação, a Saúde, o lazer, os combustíveis é tudo cobrado como se fossemos da Europa rica e civilizada, infelizmente os ordenados, a saúde, a educação ou a justiça parecem ser mais parecidos com o Norte de África.
Queres incentivar o pessoal a regressar, muito bem, vou deixar-te a receita é muito simples, resume-se a três palavras que depois podemos decompor em termos práticos; honestidade, decência e profissionalismo.
Decompondo então a coisa, para conseguires atrair essa rapaziada, tens de ter salários decentes e não esta miséria franciscana, precisas principalmente de ter uma Educação decente, com um sistema de ensino oficial com oferta desde a creche até ao superior, mas que cubra efectivamente todo o país, para poderes revitalizar o interior.
Precisas de ter transportes públicos decentes, com politicas de transporte com nexo, um sistema integrado que chegue a todo o país, precisas de comboios principalmente, ao invés de desinvestir, deixar estragar, deviam acarinhar a rede de caminhos-de-ferro, é assim que se faz na Europa de que vocês tanto falam.
Vais precisar de um sistema de Saúde capaz, regulado mais eficazmente que esteja por todo o país ao dispor das pessoas, vais precisar de por esta maralha toda na linha. Vais precisar de ter uma Justiça eficaz, gratuita e o mais célere possível, vais precisar de tanta coisa que eu a credito que quando olhares bem para a tarefa até cais de cu.
Será essencial ter ao nível político, gente honesta e capaz, ao invés disto que temos hoje, sem essa mudança, os que estão lá foram dirão que é mais do mesmo, será essencial que os decisores sejam gente profissional, com ética, que sejam responsabilizados com seriedade por todas as eventuais más utilizações dos dinheiro públicos.
Resumindo para que os nossos voltem, precisas de refazer ou antes precisas de fazer um país, coisa que nos 40 anos anteriores, nenhum desses vários ineptos, incapazes e inúteis que passaram pelos, governos, pelo parlamento e pelas câmaras municipais pensou em fazer, precisas de planear a 30 a 50 ou a 100 anos, precisas de políticas consequentes, precisas de moralizar a sociedade, reduzir ao mínimo possível a corrupção, o amiguismo e compadrio, precisas de tanta coisa que temo bem ó Tóino, que 3 vidas não se te chegam.
Por isso caro Tóino, é pá deixa-te de ideias de merda, até te ficam mal, se na tens nada coerente e capaz para propor, o melhor é calares o bico, de boca fechada não entra mosca nem sai asneira.

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

domingo, setembro 02, 2018

A Miragem

Li numa destas semanas passadas, uma notícia sobre um acto deveras reprovável mas que quadra bem com a caterva de javardos que compõem a sociedade deste país. Dizia a notícia que um indivíduo, sentindo as urgências da natureza, não foi de modas, pespegando uma valente mijadela no interior de um autocarro, pertença de uma Junta de Freguesia que o havia cedido para transportar já não me recordo quem para fazer qualquer coisa. Dizia ainda a notícia que estava a rapaziada lá da tal Junta de Freguesia muito indignada com o mijão, e muito bem, porque aquilo não é coisa que se faça.
Não querendo desculpar o homem*, não estando na posse de todas as informações, podemos aduzir no entanto em sua defesa a existência de alguma patologia que conduza a tal acto, filho de pouca reflexão. A não existir tal condicionante ou outra qualquer maleita que o justifique, o senhor mijão é só mais um javardo, dos muitos que fazem desta grande sociedade de suínos que somos.
Basta observar o parque de estacionamento próximo da rua onde resido, entre velhas porcas e velhos porcos com cães a mijar e a cagar por todo o lado, senhores e senhoras de estirpe superior que se aliviam atrás dos carros, senhoras e senhores, dilectos filhos de Ceausescu, para não lhes chamar outra coisa, que se empanzinam com cerveja e deixam as garrafas e as latas no chão quando a dois ou três metros tem contentores, o que mais haverá para dizer, somos um antro de javardos imundos.
A “Reciclagem” é uma patranha, aqui à volta temo bem que apenas uma em cada dez famílias tentem reciclar os lixos domésticos, porque uma inspecção rápida aos contentores revela que de novo estamos perante um povaréu de javardos, uma curta observação dos hábitos aqui dos indígenas revela que a “Reciclagem” é uma miragem, os contentores estão sempre cheios de tudo e mais alguma coisa, raros são os cidadãos conscientes que reciclam, sendo que o mais são javardos, de raças, cores e proveniências variadas, todos com a mania que são diferentes uns dos outros, todos clamando diferenças culturais e culturas próprias, sendo porém certo que os irmana um mesmo ponto comum, a porcalhice congénita que lhes vai no sangue, podem ate ser de cores e proveniências diferentes, mas são todos uns grandes, uns grandessíssimos javardos.
E é este género de bestas quadrúpedes, que todos os dias encaramos, que todos os dias toleramos, a quem pagamos subsídios, reformas, salários, gente javarda, rebotalho, escória das sociedades, esta ralé medíocre, que é o grosso da sociedade portuguesa actual. Longe vai o tempo em que se cuidavam das ruas, onde era raro encontrar papeis espalhados, existia então um brio, um gosto por cuidar do asseio e da limpeza que desapareceu, perdeu-se esse gosto pelo asseio, tempos antigos dirão uns, é o progresso dirão outros, ora se isto é o progresso, bardamerda o progresso e a modernidade.
Bem pode o faz de conta que é Ministro do Ambiente vir para aí arrotar postas de pescada, porque na verdade isto da “Reciclagem” é uma miragem, com gente desta, nunca passemos da cepa torta, seremos sempre um país medíocre um antro de javardos.

* Posteriormente fiquei a saber que o homem sofria de problemas da próstata, como o motorista do autocarro se recuou a parar o homem aliviou-se onde teve de ser, pessoalmente tinha-o feito em cima do motorista, que grande besta.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sexta-feira, agosto 24, 2018

Uma chinela presa no alcatrão!

Começo por dizer que sou um tipo relativamente endurecido, mercê de quase meio século de existência, quero com isso dizer que já não me comovo com facilidade, que me surpreendo ainda com menos facilidade, ainda que a capacidade humana de se superar em termos de estupidez seja algo que ainda me consegue surpreender, por isso aqui onde vivo todos os dias me surpreendo.

Há uns tempos, dirigindo-me para o meu local de trabalho, parei, como faço sempre numa passadeira, olhei para a direita e para a esquerda avançando de seguida, ao longe do lado direito, progredia um veículo acabado de dar a curva começava a engrenar para criar velocidade, sendo comum, atingirem aqui dentro da localidade mais de cinquenta quilómetros por hora, mas como o condutor acabara de fazer a curva e estava a começar a desenfreada aceleração, eu tinha tempo de passar incólume.

De frente para mim, igualmente avançando, uma miúda de uns doze ou treze anos, trajava uma saia de cor clara, não usava nem auscultadores nem trazia o telemóvel na mão, tinha parado à passadeira e feito o mesmo que eu, olhado para um e para outro lado, antes de atravessar.

Nos pés calçava umas chinelas, é Verão, quer-se calçado fino e arejado. Pus o último pé na relativíssima segurança do passeio quando oiço a chiadeira de uma travagem, olho, vejo o carro passar na sua corrida louca, nunca parando.

No meio da passadeira a miúda, descalça de um pé ficara transida em pânico, corri para ela, perguntei-lhe se estava bem, disse-me que sim, que só se tinha assustado, voltou a calçar a chinela, seguindo o seu caminho.

Quanto a mim passei o resto do dia com o estômago embrulhado, quase tinha presenciado a morte de uma criança, foi por pouco, foi por muito pouco que um pai e uma mãe não ficaram destroçados, podia ser o meu filho.

O que se passou conta-se rápido e configura alguns dos problemas de que enferma esta nossa sociedade de energúmenos. A miúda quando atravessa a passadeira, pisa com a chinela uma pastilha elástica que um qualquer suíno ou suína javardos deitaram ali para o chão e que com o calor do Sol se torna uma armadilha pegajosa, ao perder a chinela, pára tentando voltar atrás para se calçar.

Quem conduzia o carro, como é hábito aqui na terra, conduzia com excesso de velocidade além disso não tem a menor ideia de como se deve proceder na abordagem a uma passadeira, para além do pouco respeito pelos peões, pois aqui nesta terra de gente medíocre é raro ver pessoas que saibam como abordar uma passadeira enquanto condutores, diga-se em abono de verdade que no que toca aos peões a coisa não é melhor, mas geralmente os condutores aqui do burgo nunca param, quando muito abrandam ligeiramente, e lá um em dez pára efectivamente, de resto seguem sempre em frente, casos há em que se desviam dos peões, saindo da sua mão para continuarem o caminho sem pararem, esquecendo-se de todo o tipo de coisas que podem suceder, ocorrências essas que podem fazer com que uma pessoa se detenha em cima da passadeira, ou até que inverta a marcha a meio do atravessamento, podem por exemplo cair as chaves ao chão, pode romper-se a tira do saco que carregam, pode a criança que vai pela mão do adulto soltar-se dessa amarra protectora e fugir, enfim podem suceder um infindável número de ocorrências que mercê da forma como se conduz um carro, podem ter um desfecho infeliz, como potencialmente poderia ter sido o caso desta criança, tudo por culpa de um simples chinela presa no alcatrão.


Vivo infelizmente numa cidade, que é um paraíso de grunhos, de imbecis e de cretinos, de gente medíocre, impressionantemente estúpida, nas vossas terras não sei como é, por aqui é uma tristeza, para lá do brilhos das fotografias das redes sociais mais dos comentários imbecis que lá pespegam, para lá da maquiagem e dos modelitos, dos gadgets tecnológicos e até da formação académica que para alguns serviu para nada, para lá disso tudo, debaixo dessa capa de aparências a realidade é apenas uma, esta é infelizmente uma cidadezeca com muito grunho labrego, eles e elas refira-se!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, julho 23, 2018

Abel Salazar

Comemorou-se na passada Quinta-feira 19 de Julho o aniversário natalício de um dos grandes de Portugal, passaram 129 anos desde o nascimento, de um dos maiores génios da cultura e da ciência nacional, de seu nome Abel de Lima Salazar, o Salazar Bom, como a ele se referia um dos seus amigos, por oposição ao medíocre tiranete de Santa Comba.
Popularizou-se, mas pouco e só após o 25 de Abril de 1974, simplesmente como Abel Salazar, médico, cientista, investigador, pedagogo, conferencista, artista plástico e escritor, muitas foram as áreas por onde esta personagem singularíssima da vida portuguesa do primeiro quartel do século XX espalhou a sua genialidade, Abel Salazar é injustamente um dos nossos grandes heróis esquecidos, infeliz filho deste pardieiro de inúteis chamado Portugal que com tanto afinco esquece os homens bons e grandes para de igual modo recordar e enaltecer os trogloditas e medíocres, como se a nossa grande bitola fosse a singular mediocridade dos pobres de espírito.
É na Escola Médico-Cirúrgica do Porto em 1915, aos 26 anos de idade, que conclui o curso de Medicina acabando classificado com 20 valores, prova cabal da sua genialidade, pois naqueles tempos os 20 valores só estavam ao alcance dos génios verdadeiros, hoje ao inverso, neste tempo dos Mestrados integrados e das licenciaturas de aviário, há por aí notas de 17, 18 e 19 que até dão dó, mas isso são contas de outro rosário.
Em 1918 é nomeado Professor Catedrático de Histologia e Embriologia na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, fundando e dirigindo o Instituto de Histologia e Embriologia dessa mesma universidade, publico artigos científicos de extrema relevância, enquanto investigador cria o método de coloração tano-férrico de Salazar, um processo de análise microscópica, que ainda hoje se utiliza em investigação, invenção que mais uma vez prova a sua genialidade.
Na sua “alma matter” académica fará ainda cursos versando sobre Filosofia da Arte, fará posteriormente conferências sobre Filosofia, desenvolvendo um sistema de Filosofia próximo ao da Escola de Viena. Foi o desenvolvimento e apresentação pública deste sistema filosófico que desagradou ao patético tiranete de Santa Comba e aos esbirros da Santa Madre Igreja, tendo sido a causa principal da sua destituição do lugar de professor universitário e de investigador.
A ditadura fez com Abel Salazar o que fazia de melhor, mentir descaradamente, assim através da imprensa que controlava totalmente, orquestrou uma campanha de difamação que leva à demissão de Abel Salazar em 1936, só voltando ao seu lugar de professor em 1941.
Antes porém Abel Salazar foi impedido de trabalhar, foi também impedido de viajar para o estrangeiro onde era bastante solicitado como conferencista, sendo inclusivamente um dos consultores da academia Nobel, no entanto o infeliz tiranete de Santa Comba vai isolar este homem genial, intrinsecamente apolítico, que como o próprio escreve; “…Esclareço que nunca fui político, toda a minha vida me ocupei unicamente da actividade intelectual.”
O grande crime de Abel Salazar contra o miserável Estado Novo e contra o tiranete de Santa Comba foi o de ser alguém que pensava, todos sabemos como tal capacidade horrorizava o tal tiranete, essa capacidade a que sempre se opuseram os tiranetes, os de ontem tal como estes de agora, foi pois a propiciadora da queda de Abel Salazar.
Abel Salazar foi um homem grande, no domínio das suas preocupações humanas e intelectuais, figuraram os problemas de ordem social e filosófica, de ordem política mas apartidária de ordem estética e literária. Foi um dos grandes de Portugal, felizmente em 1975 vários académicos ligados à Universidade do Porto criam o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, adoptando Abel Salazar como patrono desse instituto, vocacionado para a investigação científica.
A obra deste grande português está disponível para visita na Casa-Museu Abel Salazar situada em São Mamede de Infesta, pertença da Universidade do Porto. Saudemos pois a memória de um Grande de Portugal a quem muito devemos.

Um abraço deste vosso amigo


Barão da Tróia

sábado, julho 07, 2018

Em busca da UVA MIJONA

Diz-nos o excelente «Dicionário de Expressões Correntes», do injustamente esquecido Orlando Neves, que o dito «Ao preço da uva mijona» quer dizer «barato ou sem valor». Sendo que «Mijona» é uma variedade de uva que apresenta bagos de polpa aguada, moles e com sabor desagradável pouco prestável à cultura do vinho.
Estará por esta altura o dilecto leitor a cogitar, agitando as suas sinapses sobre o secreto intuito deste alucinado e medíocre escriba, ao trazer a terreiro tão pouco significante produto. Pois fique sabendo que a pobre, mal amada e rejeitada «Uva Mijona» é dos mais importantes e mais procurados produtos da economia nacional.
Parto de imediato para o esclarecimento de vossas senhorias, porque já detecto cenhos franzidos, sobrancelhas levantadas, os caros leitores estão roídos pela dúvida, cogitando quiçá, em pertinente dúvida, sobre a saúde mental deste vosso amigo escrevinhador, relevem, relevem o pobre discípulo das Musas, porque parco em qualidade, tenta por estes artificiosos meios, criar em vós alguma, creio pouca, curiosidade sobre o que ora aqui se escreve.
Então vamos lá ver, ao início abre-se a coisa, liga-se à parede e é uma torneira a deitar notícias, por vezes como as bobines ainda estão frias porque a onda bate na lâmpada e recua*, a coisa turva, mas depois lá aparecem as carantonhas macilentas de umas criaturas muito importantes que adoram falar sobre aquilo do que não sabem rigorosamente nada, neste caso de ”Trabalho”.
Em Portugal toda a gente ou quase toda, enche a boca com a palavra ”Trabalho”, há uns por aí que no entanto fogem dele, do Trabalho, como o Diabo da cruz, preferem o subsídiozinho mensal, no entanto da Esquerda trauliteira à Direita sacrista, ele é um não mais acabar de discursos, perorações, ditos mais dichotes, constatações, indagações até sugestões, que nos surgem em verdadeiras torrentes, em cascatas que quase nos submergem, versando o tema do ”Trabalho”, existe até uma coisa chamada Concertação Social, onde os interessados, Governo, sindicatos e representantes dos patrões, cozinham a receita para o ”Trabalho” ou antes para o valor a atribuir aquilo de que todos vivem, no caso, ao trabalho dos outros, pois nesta dita concertação, os concertados vivem em exclusivo do trabalho dos outros, sobre essa fonte de rendimento opinam e ditam regras, é de morrer a rir este país.
Ora nesse coito de concertados o produto mais procurado para ser o condimento essencial de um melhor e mais produtivo ”Trabalho” é a singela e aparentemente pouco atractiva Uva Mijona.
Senão vejamos, os Governos desunham-se para terem funcionários ao preço da Uva Mijona, aquela conversa da “geração mais qualificada”, da necessidade de mais doutorados, da necessidade de mais formação e de conhecimento, pois é tudo conversa é apenas um dar ar à boca mediático para encher jornais e telejornais, na verdade os Governos procuram, professores, polícias, enfermeiros entre outros ao preço da Uva Mijona, felizes ficam quando conseguem fazer um licenciado altamente qualificado trabalhar 35 ou 40 horas por mil Euros ou pouco mais.
As Câmaras Municipais e restantes órgãos autárquicos, despeitados pela atitude dos governos centrais, alinham pela mesma bitola, querem é funcionários a trabalhar ao preço da Uva Mijona, alguns, gente com muita formação a ganhar menos que uma senhora das limpezas, gente com qualificações que trabalha quase de borla em municípios e juntas de freguesia mercê daqueles programas muito úteis instituídos pelo serviço de emprego, a realidade é essa, eles andam todos a lutar pela Uva Mijona.
Os patrões, os empresários e restante súcia, também alinha pela mesma musica, na agricultura então o desespero é tanto que até já importam Uva Mijona do Paquistão, do Bangladeseh ou da Índia, choram cada cêntimo de que despendem para pagar salários, para eles tudo se resume a uma indexação do salário à produtividade sabendo nós, que, segundo nos dizem ela é baixíssima, dizem eles, sendo que muitos desses senhores, desses patrões e empresários viveriam no Mundo ideal se fossem os trabalhadores a pagar para trabalhar, “ó tempo volta para trás” suspiram muitos, aos tempos de antanho onde com grilhões e chicotes se apanhava de borla toda a Uva Mijona que se quisesse, ó belos tempos.
Por último os sindicatos, esses vivem num delicado equilíbrio, por um lado necessitam que haja cada vez mais Uva Mijona, é disso que vivem é disso que também se alimentam, no entanto têm de fazer parecer que querem acabar com a dita, por isso as encenações, mistificações, greves, plenários e manifestações, “panem et circenses” como disse há mais de dois mil anos o malandreco do Juvenal. Por outro lado os sindicatos não podem morder aos donos, que são os partidos políticos, nem querem estar de mal com os patrões, pois nunca se sabe o amanhã, é portanto deste delicado equilíbrio que vivem os artistas sindicais.
Em suma meus mui estimados leitores, a Uva Mijona, que a olhos menos esclarecidos passa por coisa reles, baixa e própria da ralé, na verdade é dos mais procurados e importantes produtos desta nossa economiazinha, o desdém com que a tratam é fictício, qual prestimoso e diligente prestidigitador todo aquele que fita a Uva Mijona com erótico desejo, desvia daí a atenção dos demais para que ele e apenas ele possa colher esse fruto.
Fiquem os meus caros leitores com a fundada certeza de que a importância da Uva Mijona, é hoje ainda maior do que noutros tempos, em que se trabalhava por meio tostão, desconfiem dos embelezados discursos que tecem loas ao saber, e sobretudo ao “Trabalho” , porque o que todos querem e procuram com afinco são coisas ao preço da Uva Mijona. 

*Roubado de forma vil e sem pudor da fabulosa rábula do saudoso António Silva no filme “Amenina da Rádio” de 1944.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, julho 02, 2018

E porque não, Museu do pífaro?

A estupidez humana, não tem mesmo fim tal como sugeriu um dia o velho Alberto. Quando julgamos que não é possível atingir um grau superlativo da mesma, lá aparece uma, ou várias, alimárias a provar quão errados estávamos, então quando o tema gira em torno do politicamente correcto e dos guardiães da novel cultura e da correcção histórica dos males do Mundo, podeis esquecer, é certo que virá por aí mais uma alarvidade.
A discussão fútil do momento, prenhe de académicos, sábios, sabões e sabonetes, deu já azo a inflamados artigos em jornais, com listas anexas de subscritores, pretos, brancos, verdes ou lilases, grupos de gente muito indignada, centrando-se a questão numa ideia, pateta diga-se em abono da verdade, de criar em Lisboa o “Museu das Descobertas" criação proposta no programa eleitoral de Fernando Medina, actual presidente da câmara de Lisboa, num daqueles arroubos da politiquice medíocre de que tanto gostamos.
Pessoalmente acredito que não precisamos de mais um museu para estar às moscas e fechado ao Domingo.
Pessoalmente acredito que o grosso do Mundo estará perfeitamente nas tintas se chamam a essa projectada intenção, “Museu das Descobertas", “Museu do Pífaro" ou “Museu dos gajos que foram de bote comprar caril,"quem eventualmente visitar esse museu, que nem sequer ainda existe, estar-se-á positivamente marimbando para o nome que lhe colocarem, porque isso é uma minudência pateta e patética, que não alterará nada neste Mundo.
Para dar um exemplo prático, fundamentando aquilo que afirmo, pego numa das informações que um dos grupos desses indignados apresenta para validar a sua pretensão, a saber, existe no Brasil um museu a que chamaram “o Museu Afro Brasil”, só o nome já dá para rir, mas pronto, poder-lhe-iam ter chamado simplesmente Museu do fliscorne, Museu da Mandioca ou ainda Museu do renhau e da cena, por exemplo, no entanto preferiram chamar-lhe “Museu Afro Brasil” o que nem acho bem nem mal, é um nome, pretenderam o quê com essa escolha? Chamar a atenção para a influência de populações de origem africana no Brasil, sim talvez seja isso, mostrar como as populações de origem africana são bem ou mal aceites no Brasil? Mostrar como é que essas populações vivem?
Certo é que essa grande comunidade de gente, apesar das suas origens africanas de africanos não têm nada, hoje são brasileiros, duvido sequer que aguentassem sequer um dia a viver em África, mas enfim, pergunto-me então, qual foi o efeito do nome desse museu na condição dos brasileiros de origem africana? Estão mais letrados, mais ricos, mas protegidos da segregação? Estão mais felizes, mais protegidos da pobreza, são mais valorizados e respeitados? Se as respostas forem afirmativas, projectem então um museu polaco do Brasil, um museu italiano, libanês ou alemão, já para não falar que um museu português Brasil também quadraria bem para ajudar ao reconhecimento e respeito por essas comunidades tão importantes para o Brasil.
Os académicos são extremamente necessários, os académicos são o tecido pensante das sociedades, no entanto acredito que ele há coisas com as quais os académicos deviam deixar de perder tempo, questões umbiguistas, perdidamente patetas que não nos conduzem a lado nenhum, antes criam abismos, perdas de tempo, cultivam a jactância arrogante dos auto propostos iluminados que se julgam mais iluminados que os demais, lançam raízes nefastas, modas da destruição da História, do revisionismo e do politicamente cretino.
Como eu gostava de ver cartas abertas de académicos com cem, com mil, com um milhão da assinaturas a condenar a fome, as reforma de miséria, os velhos abandonados, a podridão politica ou a corrupção, como eu gostava de ver cartas de académicos fulos, irados de raiva espumando da boca com paixão verdadeira, porque sentir também faz parte do ser humano me parece, se bem que isso não seja politicamente correcto, como eu os gostava de ver preocupados com a realidade de um Mundo podre, cheio de lixo, quase sem água, que por vezes me parece que lhes escapa.
Pá, quanto ao Museu, em projecto, chamem-lhe museu da cachupa com sardinha assada, museu da caneca das caldas de Bombaim sei lá, quem é quer saber disso para coisa alguma, o passado não mudará por causa de um nome, de uma perspectiva, de um conceito que certo ou errado queiram forçar, nem tão pouco servirá para mudar o futuro, por isso parem de perder tempo com idiotices patetas, como se o nosso tempo neste Mundo fosse eterno, tenham santa paciência, pá!

Um abraço, deste vosso amigo 
Barão da Tróia

segunda-feira, junho 25, 2018

SOMOS TODOS CAPAZES!

A semana passada ficámos a saber que há para aí mais uma associação cujas contas alegadamente serão tudo menos sérias. Envolvida nesta trapalhada está mais uma cara conhecida, filha de um figurão do aparelho politiqueiro nacional.
Tudo gente seríssima, tudo gente do mais fino recorte, bandalho sou eu, aliás em todo Portugal, existem apenas meia dúzia de bandalhos vigaristas, sou eu e mais cinco, somos os únicos, os restantes dez milhões são tudo gente do mais honesto que há.
Ora, sucede que, ao que consta aí pelos circuitos da comunicação social, a gaiata filha do tal figurão, se meteu a presidenta de uma associação, daquelas que pululam por aí qual cogumelos, onde a rapaziada desocupada faz figura, para não dizerem que não fazem nada, são os “embaixadores” disto e mais daquilo, das criancinhas do Longistão ou dos gatinhos carecas da Tretonésia tanto faz, interessa é andar por lá, ir botando faladura, ter acesso à massa e ir aparecendo.
Dessas associações 90% vivem de subsídios do Estado, esta que está agora na berlinda, parece que tem as contas mal feitas, pois a tal “presidenta” alegadamente escondeu as continhas, com que fim não se sabe, seguramente com a melhor das intenções, segundo rezam então as crónicas as ditas contas vão agora ser fiscalizadas, para apurar os factos e inferir de algum procedimento criminal que seja tido por necessário para por fim à prevaricação.
Em Portugal somos todos muito capazes, somos bestialmente capazes de roubar, desviar, esburgar e sonegar os dinheiros do Erário público, por esse país fora, abundam, associações, disto, daquilo e daqueloutro, SAD’s, clubes e demais agremiações todas eivadas dos melhores princípios, que em última análise se dedicam a sugar a mama da vaca do Estado, esse mirrada e esquálida vaca, quase sempre assolada pela inanição.
Raríssimas são as vezes em que uma qualquer associação não encerra dentro de si uma qualquer vaidade falcata e medíocre que leva ao roubo descarada e à apropriação indevida de dinheiros públicos, para fins privados, nos tempos que correm raríssimas foram as vezes que fomos capazes de por termo a esta roubalheira.
A coberto das crianças, dos desportos, dos deficientes, das mulheres, dos cães, dos pastéis de nata ou até dos chinelos de praia, milhares de pessoas espalhadas por esse país, metem a mão naquilo que não é deles, não falo dos carteiristas que infestam Portugal em especial Lisboa, falo claro está desta súcia de nada raríssimas e mui capazes avantesmas vigaristas que anda no mundo associativo.
Muitas vezes nestas traficâncias, somos capazes de descortinar, os compadrios da politiquirice, as figurinhas da roubalheira estão quase sempre ligadas aos politiqueiros, esses nobres gestores da coisa pública e ainda mais capazes vigaristas.
Nem tudo porém é mau, haverá seguramente gente honesta, poucos, o mais são damas e cavalheiros capazes de num ápice fazer esfumar milhares de Euros, gente que promove associações de deficientes, que se servem dos deficientes para encher o bolso, com peditórios e subvenções, clubes de empurra bolas que devem milhões ao Estado e que o mesmo perdoa.
Não admira pois que eles e elas sejam não raríssimas vezes de serem capazes de roubar descaradamente os dinheiros públicos. Ainda pior é a participação política, pois parece que a roubalheira descarada está no ADN dos partidos do tal arco da governação, nenhum dos três pode sequer apontar o dedo aos outros, todos os três são a expressão mais miserável do clima de impunidade e vigarice corrupta que se instituiu neste país.
Ele há gente muito capaz neste país, são capazes de tudo, excepto de serem honestos!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sábado, junho 16, 2018

Temos horror à memória!

- Vocês têm tanta coisa interessante em ruínas, porquê?
Esta pergunta fê-la um amigo, que não vejo fisicamente há imensos anos, tantos quantos têm a pergunta, apesar de falar de quando em vez com ele, abençoadas as maravilhas da tecnologia que permitem galgar os milhares de quilómetros que nos separam, continuamos amigos desde esse tempo ido do século passado em que passando por um velho convento em ruínas me fez aquela pergunta.
Não tive resposta para lhe dar na altura, encolhi os ombros e sorri, «Portugal é assim» talvez lhe tenha dito. Portugal convive mal com a memória, somos para além de um povinho manso, um povinho desmemoriado, logo condenado, logo à beira da extinção como de facto estamos.
As memórias, como o sabe qualquer um, são uma parte importante da pessoa, do ser que somos, não só as memórias próprias, como as memórias visuais dos locais, como também a memória colectiva de um povo que serve para o unificar. Infelizmente neste país o que mais se faz é destruir essas memórias. Vejam-se as nossas cidades, vilas e mesmo aldeias, arrasadas pela especulação imobiliária, descaracterizadas, transformadas em sórdidos subúrbios, mercê de uma corja de autarcas mentecaptos, acoitados pelo lema do progresso.
Ainda há uns tempos alguém me dizia a proposito de um desses medíocres miseráveis que destruiu a beleza e a memória de uma terra, “…não sejas assim o homem fez obra…”, respondi-lhe à moda do velho almirante com um bem pronunciado “bardamerda a obra”, pois neste país confunde-se muito o alcatrão e cimento a esmo com progresso, e progresso não é nada disso, progresso é qualidade de vida, o progresso é preservar as memórias o progresso são espaços verdes, o progresso é gente com decência, urbanidade e civismo, ao invés disto que por cá temos.
Quem hoje olhar para as localidades de Portugal não as reconhece, do ponto de vista da arquitectura, o que se nos apresenta é um nojo completo, o que até nos faz pensar porque ao que parece possuímos excelentes arquitectos, no entanto a construção que se faz é de miserável qualidade, sendo esteticamente medíocre, descaracterizando por completo as localidades, transformando tudo em subúrbios miseráveis, olho aqui por exemplo para a minha terreola onde a preservação foi quase zero e vejo uma enxovia miserável onde o disparate parece não ter fim.
Pude noutros tempos, viajar muito, ter um pai camionista permitiu isso, vi centros históricos bem preservados, apesar de terem sido bombardeados, de terem vivido duas guerras em pouco mais de quarenta anos, com gente a viver nesses locais, com turismo, vi memórias bem preservadas, vi ruínas conservadas com desvelo, comparo com o hoje vejo em Portugal, com muita tristeza constato que por aqui temos horror à memória, não só não a cuidamos, como tratamos de destruir o pouco que há na ânsia de sabe-se lá o quê.
Recentemente li alguns artigos em jornais, escritos por pessoas que se queixam por destruírem as memórias das suas cidades, Nova Iorque, Londres e agora Lisboa e o Porto, eram o palco das queixas de quem escreveu esses artigos, acusando o turismo, a ganância bem como a parvalheira generalizada de terem ou de estarem a arruinar as memórias dos locais.
Pois é bom que se saiba que essa lavagem à memória é algo que em terreolas pequenas como por exemplo esta onde habito tem décadas, desde que se instalou aquilo que chamarei “Síndrome da Lisboetice”, traduzindo por miúdos, ao invés de preservarem a construção, a traça típica e original dos locais, adaptada claro está à modernidade e ao bem estar deste século, para assim criarem elementos modernos mas diferenciadores, para atraírem visitantes, preservando a memória, revitalizando os centros históricos, o que fizeram os inteligentes autarcas por esse Portugal fora, caixotes, e mais caixotes de cimento, hoje a hashtag seria “#somostodosLisboa”, temos todos de ser muito modernaços de fazer muitos prédios, miseráveis enxovias que cairão ao primeiro peido que a Terra der, para sermos muito desenvolvidos temos de ter muitos prédios, muito cimento e alcatrão, para claro está deixar obra, às malvas a memória, viva o progresso, assim se obra em Portugal!
Neste processo de estupidez colectiva, criaram-se monstruosidades arquitectónicas, nos mais insólitos locais, mercê da corrupção que ainda grassa nas autarquias, verdadeiras escolas da corrupção nacional, construiu-se em todo o lado e de qualquer maneira, desde que fosse alguém importante lá da terra, destruíram velhinhos bairros inteiros para construir mamarrachos.
- Vocês têm tanta coisa interessante em ruínas, porquê?
Continuo sem conseguir dar uma resposta coerente à pergunta daquele meu amigo. Somos um povo avesso às memórias, queremos é esquecer tudo. Quem esquece o passado nunca terá futuro que preste, quem esquece a sua memória desvirtua a sua condição de ser pensante, mas como pensar dá muito trabalho, que pense quem quiser.

Um abraço, deste vosso amigo 
Barão da Tróia

sábado, junho 09, 2018

O Pitrolino

O actual Ministro, faz-de-conta, do Ambiente é uma figura que me causa profundo dó. Primeiro pela clara falta de preparação técnica, depois pelas tristíssimas figuras que o pobre homem tem feito. Recorde-se o seu desempenho na questão da poluição do Tejo, que não só não desapareceu, não desaparecerá mas que continua, quando o rio estiver completamente morto, quando toda essa excelente reserva de água doce estiver completa e irremediavelmente poluída, nesse dia talvez, alguém se irá lembrar do pobre Tejo, faço aqui referência a essa questão do Tejo apenas como exemplo do tratamento que Portugal dá aos seus recursos naturais, sendo também um excelente exemplo do estado dos cursos de água doce, que como muito bem deveriam saber é o bem mais raro, essencial e escasso do planeta.
Mas voltando ao senhor quase Ministro. Uma outra polémica, mais uma, esta com uma potencialidade enorme de se tornar num caso letal de envenenamento da ainda protegida costa Vicentina, falo claro está, da autorização para a exploração petrolífera ao largo de Aljezur.
Portugal é um país verdadeiramente fantástico, governado por seres saídos da maior incubadora de génios do universo, somos um país que anda quase sempre em contra ciclo, quando o Mundo faz «Zag», nós fazemos «Zig» e vice-versa. Quando no Mundo, pelo menos no mais civilizado, o paradigma dos combustíveis fosseis é colocado em causa, ainda que timidamente, o que faz Portugal, mercê de dois governos protagonizados por gente inteligentíssima, falo do actual bem como do anterior, duas súcias de indigentes intelectuais infelizes, que permitiram aos velhacos do petróleo licenças absurdas para esburacar o mar à procura de petróleo.
Ao povinho foi dito à boca cheia que “o projecto da Eni e Galp poderia “ajudar a reduzir o défice comercial”, notem que eles não mentem totalmente, ao contrário dos que nos governam, os senhores do petróleo são inteligentes, notem que na frase está uma palavra que traduz tudo e que faz toda a diferença, a palavra “poderia”, pois é bem verdade, o projecto de exploração poderia servir para trazer os tais milhões aventados, mas não trará, como não trouxe em nenhum lugar do terceiro Mundo, como Portugal, onde essas empresas rapaces e oportunistas se dediquem à exploração do petróleo, exemplos não faltam, da miséria que essa actividade trouxe aos povos.
Mas por cá não, por cá eles farão diferente. Esperem sentados. Os governos que deveriam servir as pessoas, servem-se antes das pessoas, pior é que as pessoas, embasbacadas como andam com novelas medíocres dos futebóis, das santinhas e do telelixo nacional, ao invés de se manifestarem, nem por isso, aparentemente estamos todos bem muito obrigado, isso é lá com eles, ou a frase mais estupidamente incrível ouvida amiúde, dita até à exaustão pelo mesmo povaréu bronco, “se traz progresso para a terra”, o problema é que progresso não tem de ser alcatrão e cimento, progresso não tem de ser miséria e porcaria em barda.
Pior é que isto tudo se passa num pardieiro miserável chamado Portugal, onde as energias renováveis são uma obscena negociata para chinês ganhar dinheiro, será que o senhor Ministro mexia nisso, não creio, porque depois de venderem o país ao desbarato os miseráveis governeiros ainda têm o desplante de dizer que tomaram a melhor das opções, sabendo nós que por exemplo só em bancos falidos, enterraram o suficiente para fazer 23 pontes Vasco da Gama ou seja poderíamos fazer uma ponte continua com 283 Km.
Vivêssemos nós no tempo da monarquia falida, fosse o faz de conta que é ministro do Ambiente um rei, o seu cognome seria DOM João “ O Pitrolino”, rei de Lisboa e chega, que o resto é do chinês, do angolano, do árabe, do inglês e das petrolíferas.

*O “Pitrolino” é uma figura da minha infância, exemplo da resiliência e capacidade empreendedora deste nosso povo, o Pitrolino chegava de carroça, mais tarde de carrinha, vendia petróleo, mais tarde vendia um pouco de tudo, de mercearias finas a petróleo, sabão e cotos de vela, era uma espécie de hipermercado em ponto pequeno que chegava às aldeolas perdidas, deixou por vezes de ser o “Pitrolino” para passar a ser o “Azeiteiro” o que vendia azeite e mercearias. Peço desculpa por comparar a figura nobre e digna do velho Pitrolino, a esta infeliz criatura que dizem ser Ministro do Ambiente.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sábado, junho 02, 2018

Ponto por ponto!

Esta semana que passou fomos agraciados com interessantes e esclarecedores informações sobre o genocídio nacional, sim em Portugal pratica-se há muito um genocídio, nada tem que ver com a eutanásia, aliás, esta catástrofe causa e causará muitas mais mortes que a eutanásia, chama-se condução automóvel, parece que não suscita nenhum alarde, não há iniciativas parlamentares, súcias de ratos de sacristia em manifestações labregas, declarações medíocres de grupelhos partidários, nada, quanto a isto “tasse bem” como sói dizer-se agora na modernidade.
O primeiro núcleo de informações prende-se com alguns dados sobre o sistema de Carta por Pontos. Quando este sistema foi, pomposamente apresentado e posteriormente colocado em prática, fui um dos que atribuiu ao mesmo o epíteto correcto, “palhaçada”, os dados que esta semana foram revelados, mostram que a minha avaliação está correctíssima, até o Presidente da Autoridade para a Prevenção Rodoviária o declara por outras palavras claro está, a minha avaliação pecou apenas por defeito, pois olhando para as estatísticas o sistema de Carta por Pontos não é uma “palhaçada” é sim uma “colossal palhaçada”, que mais uma vez deveria fazer corar de vergonha, governantes e governados, mas como uns e outros são a súcia medíocre que está à vista, tudo passa com uns esgares, uns encolher de ombros e depois como amanhã joga a selecção está tudo bem.
Ora em dois anos de estúrdia, ficámos a saber que apenas 59 criminosos da condução ficaram sem carta de condução, isto em 700 mil autos levantados, outros 157 perderam a totalidade dos pontos existindo ainda a possibilidade de o automobilista recorrer judicialmente e de o processo poder ser impugnado, podendo assim recuperar os pontos.
Posto de outra forma, o grandioso sistema de Carta por Pontos, que iria revolucionar as mentes das bestas automotorizadas que por cá habitam, que serviria para proteger, que serviria para ajudar a reduzir a desgraça que são as mortes na estrada, a impunidade e a falta de civismo, serviu para quase nada, um barrete colossal, mais um, enfiado pelos lorpas que habitam o paraíso dos asnos, também chamado Portugal, ainda não há muito diziam que os burros estavam em extinção, nunca tivemos foi uma tão grande e tão pujante população de gado asinino como temos hoje.
O tal sistema de Carta por Pontos é indubitavelmente mais uma barracada nacional, mais um exemplo acabado do laxismo e da impunidade com que se vive nesta terra de imbecis, os dados agora revelados, só provam essa realidade, seria interessante fazer umas contas simples, perceber quanto custam estes processos, quanto custa este tal sistema comparando esses custos com os resultados, seria interessante.
Os segundos dados que nos foram revelados estão constantes do relatório sobre a sinistralidade em 2017, estes quando comparados com os dados anteriores, revelam assustadoras discrepâncias, mais provam que o tal sistema de Carta por Pontos é apenas uma, mais uma inenarrável palhaçada.
Consultado o relatório, constatam-se 510 vítimas mortais, grosso modo 42 mortes por mês. Para vos dar uma ideia da verdadeira hecatombe que tais números representam, dir-vos-ei, que o pior ano de baixas para as tropas americanas em guerra no Iraque foi o ano de 2007, com 904 mortes, notem que são apenas mais 394. Notem porém que em 2007 a guerra estava descontrolada, com ataques de todo o tipo que vitimavam os soldados.
Daí para cá, as baixas de soldados americanos foram sempre menores que as mortes nas estradas de Portugal. Este facto deveria fazer com as pessoas que neste país são responsáveis políticos, parar e pensar, infelizmente não, infelizmente, neste reino do faz de conta, institui-se a carta por pontos e espera-se que a coisa ande.
Onde se morre mais é nas localidades e com bom tempo. Prova de que o cidadão nacional é um imbecil mais que completo. Um impressionante número de 92 mortes pertence a peões, atropelados por veículos, um número assustador, só para vos dar um exemplo, no mesmo ano de 2017, morreram 17 militares no Afeganistão, um dos países mais perigosos do mundo, onde se juntam, talibãs, Al qaeda e DAESH, nem esses três juntos matam mais que nós, os tristes imbecis automotorizados.
Resumindo, o que estes dados revelam é mais do mesmo, impunidade, laxismo, inépcia, ineficácia, pobreza de espírito e mediocridade generalizada. Ninguém sai bem da fotografia, governantes, governados, polícias e Justiça, o desempenho de todos, cada um com as suas motivações é manifestamente medíocre, é vergonhoso e é sobretudo patético ademais num pais com tantos problemas demográficos, termino dizendo que fazendo fé no relatório, um pouco mais de uma centena das vítimas mortais tem menos de 35 anos, o que volto a dizer deveria ser facto suficiente para nos encher de vergonha, pois parece que assim não é.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sábado, maio 26, 2018

Faz de conta...

Hoje vou perder tempo para discorrer sobre gentalha medíocre. Vou discorrer sobre o recente infausto evento em que meia centena de infelizes, mentecaptos e vadios, invadiram as instalações de um conhecido clube de futebol, veneranda e digna de respeito, instituição, não sendo eu adepto dessa cor, conservo porém o respeito que é devido a instituições do quilate daquela que sofreu aquele acto miserável, perpetrado por uma inqualificável súcia de meliantes.
Mas vamos ao início. Não foi este vil acto, o primeiro do género, outras invasões, cometidas por outras manadas de energúmenos aconteceram, sob o beneplácito e, até por que não dize-lo, sob o chapéu do laxismo das autoridades, que não as polícias que parecem ser os únicos que ainda tentam lutar contra a impunidade.
Esta infeliz ocorrência nada têm que ver com o desporto, nem com o futebol, nem muito menos com o clube em que aconteceu, não, este infeliz evento, tem que ver somente com algo que temos vindo a ver crescer nesta última década, para não irmos mais atrás, que é a impunidade e o completo relaxe da autoridade de Estado que não existe sequer.
O Estado em que vivemos, sendo certo que todos dele fazemos parte, é infelizmente um antro medíocre de gente miserável e intelectualmente incapaz, coito de biltres, de pulhas, de ladrões, de vigaristas e de miseráveis, tendência essa que nesta última década se tem agudizado. A coisa começa desde a mais tenra idade nos bancos da escola, existe em Portugal uma cultura de impunidade, que começa nas escolas, singrando depois pela sociedade acima, os exemplos desse miserabilismo cultural, social e de valores, são imensos, começam logo pelas elites dirigentes, pelos políticos e governantes.
Desse modo, munidos desses excelentes exemplos, as nossas crianças desde muito cedo sabem que são impunes, desde cedo que vêem outros ficar impunes, mercê de pretensas diferenças étnicas, sociais, geográficas e ou de outras miseráveis desculpas, desde cedo que a única coisa que verdadeiramente lhes ensinamos é a impunidade, a mediocridade o pouco valor do trabalho e do conhecimento, desde cedo assistem aos polícias, aos médicos ou aos professores espancados pela ralé asquerosa que engorda mercê do parasitismo social, sem que isso lhes traga qualquer incómodo.
Daí que não me espante que às cinco da tarde de um dia de semana, dia de trabalho, meia centena de brutos, tenha tempo de andar em manada para ir bater em jogadores de futebol, porque estes perderam um jogo, esta gentalha faz o quê? Vive de quê? Não trabalham? Não terão mais e melhores objectivos com que ocupar as suas medíocres existências? Pois parece que não.
Estes seres ignorantes, são o produto deste Estado sem Autoridade, são os filhos deste paraíso da impunidade a que chamamos Portugal, este Estado quase falhado, que só o não é, verdadeiramente, ainda porque como disse, e muito bem, sua excelência o senhor presidente da república…os portugueses gostam muito de fazer de conta…, obrigado senhor presidente por também concordar com aquilo que já escrevi centenas de vezes, Portugal é o reino do faz de conta, nunca passámos disso, não passamos disso nem nunca iremos mais além, somos uma espécie de ilha da fantasia, mas real.
O ataque daquela gentalha medíocre mais as declarações de um dirigente desportivo, criatura digna da piedade de todos nós, que quer processar meio mundo, são circunstâncias reveladoras do caminho que este antro da mediocridade tomou, criámos uma geração de bebés arrogantes, de fedelhos birrentos que desconhecem o significado da palavra respeito, que não sabem tolerar a frustração, que depois de fazerem asneira escondem as caras, trampa cobarde que são, não estando portanto preparados para serem considerados pessoas, infelizmente fossem estes os únicos, estaríamos bem, infelizmente temos récuas de gentalha deste calibre, gente a quem tudo se lhes permite, pelas mais variadas e imbecis razões, porque são brancos, porque são azuis, porque tem a mania que são diferentes, a nossa sociedade está infelizmente prisioneira deste lixo, o pior é que uma grande fatia dessa sociedade é parte integrante desse rebotalho de fedelhos birrentos, inconsequentes, irresponsáveis, medíocres e miseráveis.
Mais, de novo uma declaração sua excelência o senhor presidente da república, com a qual concordo, que já por várias vezes abordei noutros escritos…Portugal não pode ser um país onde metade se rege por princípios da Democracia e a outra metade não… Concordo inteiramente, no entanto é precisamente isso que acontece, talvez até mais de metade do país, não sabe nem sonha sequer o que é Democracia, para essa infeliz maioria, a Democracia é viver sem trabalhar, impunes, viver sem pagar impostos, impunes, viver só com Direitos esquecendo os Deveres, impunes, roubar, traficar, viver de esquemas, impunes, ter casas à borla, impunes parasitas de um Estado que cultiva esta impunidade.
No entanto ao ver as declarações quer de sua excelência o senhor presidente da república, quer do senhor presidente da assembleia da república apetece-me assim num repente perguntar a ambos, onde têm andando esta última década? Têm vivido onde? Como é que se podem agora espantar com algo, que não é novo, algo que graças às vossa políticas torpes, à nossa incúria e a uma sociedade miserável, tinha anunciada a ocorrência, algo que já se tinha passado, que se passou novamente e que se irá seguramente passar, por causa da mais absoluta impunidade que grassa neste faz de conta que… é um país.
Termino com uma frase proferida por um sábio de nome Albert Einstein, que assenta aqui como uma luva; “Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

terça-feira, maio 22, 2018

O Reino esquizofrénico

Há muito que acredito que Portugal é uma gaiola de malucas, a verdadeira gaiola das malucas. Um local esquizofrénico, onde grande parte da populaça, como demonstra o elevado consumo de ansíoliticos, sofre de uma qualquer perturbação mental, em suma isto é um país de tontos.
Nas estradas de Portugal morre-se mais do que na Síria, no entanto ninguém parece querer saber, ninguém propõe campanhas solidárias nem eventos fofinhos, a começar pelos atordoados que por cá habitam, é tanto o desnorteio que basta ver as declarações que os pategos produzem quando instados a discorrer sobre a temática, “blá…blá…blá, caça à multa, blá…blá…blá, prevenção, atitude pedagógica…” Sempre o mesmo discurso pateta, o mesmo discurso indicador do tipo de rebotalho que existe por cá.
Há 40 anos que se produzem campanhas de prevenção rodoviária, com que resultados? Perguntarão os meus dilectos amigos, pois com nenhuns claro está. O condutor médio português é um imbecil.
O Estado, por incrível que isso pareça, neste campo tem desempenhado menos mal o seu papel, por isso há prevenção, com campanhas atrás de campanhas, muita pedagogia, leia-se, Código da Estrada, sinalização e demais legislação, falha somente na repressão, falha no excesso de garantias aos criminosos, por exemplo as multas deviam ser mais altas e mais vezes aplicadas, bêbados só deviam precisar de ir a tribunal, para verem confirmada a sentença, conduzir sem habilitação legal devia dar prisão, atropelamento e fuga devia passar a tentativa de homicídio, mas isso tudo seria num país, por aqui neste antro é o que se vê.
Nesta gaiola das malucas o sacrossanto futebol é Rei. São sobretudo reis das dívidas, das traficâncias mais do disparate, enquanto eles enchem a pança, as malucas andam por aí a chamarem nomes uns aos outros a agredirem-se, a maltratarem-se, verdadeiros bandos de grunhos, gente medíocre, gritando como putas histéricas quando um desses grupos de tabardilhas ganha o campeonato da podridão futeboleira, basta ver um jogo de infantis para perceber o que é ser esquizofrénico, é um mimo ver as malucas ao berros, a gastar gasolina, não se esqueçam que somos um país rico, tudo bêbado aos urros pelas ruas como se o Mundo tivesse ficado um lugar melhor, só a rir se consegue levar isto, porque depois vemos essa gentalha futeboleira bem como os clubes, a quem os bancos poupam dívidas, os jogadores nem sequer pagam o que é devido por aquilo que auferem, mas a carneirada quer lá saber disso.
Nesta gaiola de malucas, nunca existem culpados de nada, qualquer vigarista que é apanhado a meter massa ao bolso é sempre inocente, qualquer vigarista medíocre corre o risco de ser o herói da plebe, “porque fez obra” dizem uns, ou porque é “um gajo porreiro” dizem outros, nesta gaiola de malucas tudo é possível.
Um destes fins-de-semana passados, num desses eventos labregos que as malucas gostam de fazer, sobretudo para fazer sobressair as vaidades pessoais e os impostores, alguém me dizia que aquele evento só se fazia de dez em dez anos, fiquei espantado e perguntei-lhe se a solidariedade cansa, olhou para mim sem resposta, mas lá acabou por dizer que sim, aquilo cansa. Estamos pois conversados, no país esquizofrénico até a solidariedade, mesmo sendo da treta e se calhar por isso, cansa.
Haveria sem dúvida muito, mas mesmo muito mais para aqui descrever, não vos quero maçar, nem estou com vontade de ficar mais deprimido, porque este país deprime qualquer pessoa que lhe dedique pelo menos meia hora de meditação, um país habitado por uma súcia de medíocres, pejado de ladrões, de pulhas e de biltres, um povaréu mastronço que se porta como um bando de babuínos quando o assunto é futebol, santinhas, festival da canção ou outra qualquer palermice pantomineira, no entanto quando o assunto é a defesa da sua vida e ou dos seus direitos, assumem o papel daquilo que realmente são, um país de bezerros capados, tenham um bom fim-de-semana.

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, maio 14, 2018

Portugal multicultural

Portugal é sem dúvida, no saco mundial das Nações um caso “sui generis” pela positiva, no que ao multiculturalismo concerne, há 500 anos que somos multiculturais, há 500 anos que as mais variadas realidades culturais aqui assentaram arraiais, para os que advogam o multiculturalismo como panaceia para maleitas sociais e outras que tais, estudem Portugal, escalpelizem ao vivo os efeitos da orgia cultural, por cá há 500 anos que pretos, brancos, cinzentos, amarelos e outras cores se fecundam alegremente e actos criadores de cultura aculturada, verifiquem que benefícios colheram os indígenas de tal acto procriador, se é que desse multiculturalismo todo algo de bem adveio
Num campo, porém esse multiculturalismo frutificou dando provas de uma vitalidade prolífica. Possuímos em barda vigaristas nacionais, ladrões sul americanos, biltres do império celeste, intrujões africanos, parasitas étnicos de vários quilates, carteirista, assaltantes de ourivesarias de leste, temos uma enorme, muito diversificada plêiade de tralha, de rebotalho é só escolher, todas as cores, raças e feitios para que não digam que somos racistas, aqui todos têm oportunidade de vigarizar, traficar e roubar, é uma verdadeira orgia da roubalheira, poderíamos até fazer uma industria pornográfica dedicada ao contexto do roubo, do furto, do tráfico e da vigarice em geral.
No que ao racismo concerne, que o há, a melhor descrição que ouvi do racismo existente em Portugal, foi de um grande amigo meu, corria uma tarde quente de Julho, de um ano já longínquo do século passado, falava-se de descriminação de racismo e dessas coisas com um professor americano que nos dava aulas na universidade, esse meu amigo morava então num daqueles bairros difíceis dos subúrbios de Lisboa, voltas tantas olha para o professor e diz;
- Olhe professor, no resto do país não sei, mas onde moro a coisa é muito simples, os pretos não gostam dos brancos, os brancos não gostam dos pretos e os ciganos não gostam de ninguém!
O que nós rimos. Foi esta a melhor descrição, que não anda longe da realidade, que ouvi sobre racismo cá por Portugal. Isto porque o racismo nada tem que ver com a cor da pele, é irritante ver aqueles anúncios sobre racismo sempre com estereótipo do branco mauzão que inflige maus tratos ao preto bonzinho, como se o racismo fosse uma questão que só atingisse as pessoas brancas, como se só os brancos fossem racistas, o racismo tem, isso sim, que ver com a mania de ser diferente, de ser melhor que o outro.
É essa mania que faz com que pretos, brancos, castanhos, amarelos azuis, verdes e por aí adiante se julguem sempre melhores, sempre diferentes dos outros, quando todos, nascem e morrem, quando todos choram e riem, quando todos precisam de ar para respirar, o racismo é pois a mais estúpida das características humanas e está difícil de erradicar.
Voltando ao multiculturalismo, condenado pelas Direitas trauliteiras, elevado ao altar pelas Esquerdas patetas, quando olhamos para a nossa realidade actual vemos o que sempre houve com maior ou menor grau, gente diferente, sendo que quase todos parecem conviver mais ou menos em paz e em respeito pelas regras das sociedades civilizadas, todos, isto é, há um grupo que não, nem mesmo aqui consegue, não admira que em países mesmo muito racistas, xenófobos e chauvinistas, eles sejam vítimas de ostracismo, é uma questão de honra para esta gentalha ser tabardilha e medíocre, fazer o quê.
Resumindo então, temos que 500 anos de multiculturalismo, em Portugal redundaram em nada, não é por aí que a coisa melhorou, bem antes pelo contrário. Quanto ao racismo e ou à xenofobia, ambos existem, porque existe gente que se acha melhor que os demais, gente que tem a mania que é diferente, gente que a impunidade e a incúria de uma espécie de país mal amanhado, deixa cada vez mais comportarem-se como babuínos, sendo certo que existe por aí muito macaco com irrepreensível educação, seres infinitamente melhor educados do que esta gentalha que por aqui temos acoitada atrás de máscaras étnicas e culturas diferenciadas, patranhas que visam apenas promover o parasitismo social e o regabofe que vai alastrando aqui no Reino do faz de conta.
Somos todos iguais, as diferenças só existem nas cabecitas atrofiadas e mentecaptas, que infelizmente por cá proliferam qual cogumelos!

Um abraço , deste vosso amigo
Barão da Tróia

sexta-feira, abril 27, 2018

O 25 de Abril hoje!

A ditadura de antanho, de vários desconhecida, ainda que muitos outros por ela suspirem, habituou-nos aos tristemente conhecidos três “F”, (Futebol, Fátima e Fado), durante esses anos doirados da nacional carneirice, a maltinha viveu sobre esse signo, que continha intrinsecamente encerrado dentro, aquela coisa muito nacional do destino, da sina, dos pobretes mas alegretes, mais a alegria no trabalho, felizes os que ignoram, ámen.
Nesses tempos a coisa era muito mais simples, havia respeitinho, velavam os da DGS mais a bufaria, mais que muita, que sempre fomos um país de bufos reles, as massas andavam entretidas e oravam, abençoadas.
Primeiro, entretiveram-se com o evitar a guerra, (a Segunda Mundial), cheios de fome, que o de Santa Comba, fazia marchar as viandas para os teutões que pagavam em oiro judeu, passada a desgraça guerreira, hossanas ao filho do “Manholas” o providencial santo salvador, quilos de velinhas e ave-marias, vela Cerejeira pelas ovelhas mansas, é pois tempo de ir à pressa criar um Império, para o qual, nos quatrocentos anos anteriores não houvera nem cabedais nem ensejo para fazer, assim passa década e meia, o Mundo porém como diz a canção «pula e avança», nós por cá entretidos a tirar cotão do umbigo, fazendo de conta que não é nada connosco.
Entretanto os indígenas do Império, perceberam que eram no Mundo os últimos a sacudir a canga, é tempo de ir, “pra Angola e em força”, as massas estão agora entretidas na guerra salvadora do Império, pois porque quando já mais ninguém tinha impérios nós que nunca o tivemos insistíamos, pronto lá se entreteve a malta, dando-se vazão ao oiro com que os germânicos nos tinham pagos os presuntos mais as orelheiras de fumeiro.
Mansa ia a coisa, Cerejeira continuava a velar pelas mansas ovelhas, Oliveira velava pelos assuntos mais profanos, em África matava-se ou morria-se, em Portugal as elites, enchiam-se alarvemente, até dava para balets cor de rosa com meninas menores, para bertliets e unimogs mais a CUF, tudo a bem da Nação claro está, quanto ao Zé, esse andava por aí entretido a ver a bola, a ouvir o faduncho, a excelsa mocidade portuguesa cuidava da alma e do corpo dos futuros guerreiros enquanto que os pais muito de longe em longe iam numa excursão a Fátima para acender velas à santinha, se o Manel escapasse às minas e ao paludismo era certo, um fardo de velas à santinha, agradece Cerejeira.
Pelo meio vinha o aerograma, nós por cá todos bem e adeus até ao meu regresso que muitas vezes se fazia em primeira classe de porão com o corpinho acomodado num lindo sobretudo de pinho acolchoado, paga a famelga que o de Santa Comba prefere gastar o oiro dos teutónicos a comprar balas, e esses eram os sortudos, os que vinham cá parar, porque muitos ficaram para sempre com os ossos a branquear nos sertões austrais roídos por bichos estranhos ou a enfeitar cemitérios regimentais que hoje definham engolidos pela selva, pela incúria do país que os enviou para morrer e de seguida os abandonou.
Aos vivos chegados da guerra, a essas pobres campónios que para lá foram mandados, restava-lhes voltar à servitude do campo, trabalhando para os senhores donos da terra. Ora ao fim de treze longos anos de morticínio sem que se vissem melhorias, os campónios continuavam de canga, substituída por camuflado e G3 em comissões de 24 suaves meses, com direito a assistir na primeira fila às maravilhas que o continente africano tinha para oferecer, pitorescos safaris, aldeias indígenas, comidas tropicais, malária, disenteria, sede e fome, tudo pontuado com magníficos fogos de artificio, com maços de tabaco para alegrar a alma distribuídos pelas matronas gastas do MNF, isto a bem da Nação claro está, ámen.
Dizia eu que ao fim dessa quase década e meia, o oficialato subalterno, farto de ir morrer longe, de apanhar doenças venéreas e de ser encornado (casos pontuais de certo, assunto aqui referido apenas para criar ambiente de anedota de caserna), além de se ver ultrapassado por paisanos milicianos, resolve produzir o excelente evento, aqui sou sincero, continuo a acreditar que a Revolução de Abril de 1974, foi benéfica, o grandioso 25 de Abril, que libertará Portugal da guerra, da ditadura e de mais uma coisita ou outra, foi efectivamente um evento benéfico para esta tropa fandanga que por aqui habita, ainda que a maioria dos asnos assim não entenda.
Quarenta e quatro anos passaram desde essa data mítica para alguns, uma merda para outros, ainda que os que dela menos gostem tenham sido muitas vezes os que com ela mais lucraram, mas isso fica para outro dia, nestas quase quatro décadas e meia o país sem dúvida que melhorou, os três “F” da Ditadura foram quase abandonados, ou antes foram substituídos na importância pelos três “B”.
Aquilo que foram os três “F” da Ditadura, são os três “B”, para a Democracia, para esta democracia em que dizem que vivemos. Pior, não só o povaréu não abandonou os “F”, continuamos pobretes e alegretes, analfabrutos e cada vez mais mal educados, como juntamos os “B”, a saber, somos cada vez mais um país de Bandidos, Biltres e Bandalhos, disso cada vez que abrimos um jornal diário, que escutámos notícias na rádio ou que vemos um noticiário televisivo, temos as provas às centenas.
A nossa grande conquista do 25 de Abril, foi a liberdade para sermos um grande país de Bandidos, Biltres e Bandalhos, actividade que estava no tempo da Ditadura circunscrita a uma elite que enxameava à roda da candeia do poder que alumiava o caminha da amada Pátria, ámen.
Foi a democratização e a multiplicação da possibilidade de qualquer um poder aceder à ilustre e proveitosa carreira de ser um Bandido, Biltre e ou Bandalho, a grande conquista desta Democracia, em que dizem que vivemos, um qualquer farroupilha nascido nas berças, pode perfeitamente cursar engenharia, ou fazer de conta, tornando-se um grande bandido, um qualquer pelintra do barrocal, pode tornar-se num professor e vir a ser um grande Biltre, como pode um indigente das ilhas tornar-se um excelente Bandalho, outra conquista desta Democracia são as hordas de parasitas madraços que vivem na mais absoluta indulgência e subsídio-dependência, uns e outros, impunes, acima da Lei e fazendo tábua rasa de tudo quanto são regras.
Juntemos a tudo isto os três “I” da Impunidade, da Incompetência e da Inércia, que parecem nortear este país, a caldeirada está quase pronta, falta o sal da guerra civil das estradas, onde morrem como tordos os imbecis, a pimenta da violência doméstica que mata sem explicação, mais uma pitada de Justiça miserável, outra pitada de Educação medíocre finalizando com uma dose generosa de Saúde falhada, o prato está pronto, toca o hino, distribuam-se as comendas mais as medalhas, mais os afectos aos montes, cuidado que “estrala a bomba, arrebenta, fica tudo queimado”, polvilha-se tudo com muito “Zeca”, força companheiro e tal, voa gaivota, romarias e cravos, que uns usam outros não como se a liberdade não os tivesse a todos libertados aos parvos, arrumado está o arraial da Democracia e da Liberdade, uma vez por ano, viva isto mais aquilo e aqueloutro, ram…tam…ram…tam… batem as botifarras no asfalto, esboroa-se a pintura e cai a cor, por baixo é só salitre, muito bolor, muita trampa, viva, viva a Democracia e tal, para o ano logo se vê, há eleições? Então é de arromba, que fica bem.
Isto meus caros e excelentes leitores, foi sem margem para dúvida a maior conquista de Abril, esta diversificação social do acesso à bandalheira, à falta de ética, à falta de honra e de decência. Ainda assim viva o 25 de Abril, viva o povinho dos três “P”, que caminhando, felizmente, para a extinção, aqui continuam, Pelintras, Parvos e Patetas!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sexta-feira, abril 20, 2018

Uma década...

Há uma década que um serviço oncológico pediátrico de um hospital público, funciona em condições absolutamente miseráveis, dignas porém, do pardieiro de terceiro mundo que realmente somos.
Há uma década, que esse serviço funciona, sem que ninguém, a começar pelos mais interessados, (administradores, pais das crianças, médicos, enfermeiros, directores clínicos), tenha sequer dito uma palavra sobre o assunto, facto que acho estranho, isto apesar de um Primeiro-ministro ter ido a essa instituição para actuar numa das costumeiras encenações que os políticos gostam de fazer, uma infeliz e medíocre propaganda oca, depois chamam populistas aos outros.
Há uma década que o serviço de oncologia pediátrica do Hospital de São João no Porto funciona no dizer da administração do mesmo hospital, em "condições miseráveis", vários governos passaram desde 2008, nenhum deles, fez absolutamente nada, excepto actuações demagógicas, populistas e medíocres.
Num repente na semana passada o assunto salta para as parangonas dos jornais, colunistas em barda criticam, uns poucos bem, porque analisaram objectivamente a questão, a maioria porém politizou a coisa de forma sectária, desviando do cerne da questão o problema real que são as condições miseráveis em que se tratam crianças vitimas de cancro, para colocarem o fulcro nas guerrinhas partidárias entre governo e oposição.
«Em Portugal não se faz política, antes se chafurda!» O facto de que há uma década que um serviço de oncologia pediátrica funcione provisoriamente em contentores, é disso prova. Porém assim que o assunto, em boa hora mas atrasado, saltou para a comunicação social, não faltaram os do costume a aparecerem grunhindo loucamente, chafurdando muito politicamente, sobre o tema, todos opiniosos, todos detentores de soluções miraculosas.
Há uma década que um serviço de oncologia pediátrica, funciona vergonhosamente desfalcado de condições, há uma década que ninguém diz nada, há uma década que andam todos calados, agora subitamente assim do nada, lembram-se que tudo está mal, o que é que esta gente toda andou a fazer durante estes três mil e seiscentos dias?
Tiveram portanto pelo menos três mil e seiscentas oportunidades de falar sobre o assunto, de denunciar aquela vergonha, desde de 2008, tiveram tanto tempo para fazer uma denúncia porquê só agora?
Essa dúvida persegue-me, porquê só agora. Para além dessa dúvida, o resto é o miserabilismo normal deste pardieiro chamado Portugal, é ver os berrões, os bácoros, as marrãs e os varrascos de todas as cores políticas a chafurdar, as procissões dos porcos politiqueiros a entrar pelo hospital adentro, para chover no molhado, cercados pelas televisões, alguns deles saídos há bem pouco do poleiro, que nada fizeram, contribuindo antes para o maior descalabro, exibem agora o rosto da surpresa e da mentirosa indignação, cara dos biltres e pulhas que nada fizeram nos dez anos que isto já leva, são uns medíocres, uns pulhas mentirosos, que vivem disto.
Há uma década que um serviço de oncologia pediátrica, funciona como um qualquer hospital do terceiro mundo, entretidas andam as gentes a discutir futebol, a discutir energúmenos, a discutir penaltis, as mesmas gentes que diariamente arranjam tempo para discutir futebol, são as mesmas que em dez anos nunca se recordaram de publicar uma linha que fosse sobre um serviço de oncologia pediátrica, que funciona em tão nefastas condições.
Que gente é esta? Que gente somos nós? Que país é este?

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia