quarta-feira, maio 20, 2015

Portugal precisa de outro Povo!

Escrevia há uns dias, o jornalista Gideon Levy, num artigo publicado no jornal israelita “Haaretz”, que Israel precisa de um povo novo, isto na sequência da vitória eleitoral de Netanyahu e na emergência de mais um governo liderado por “Bibi”, sustentado pelas alas mais radicais da direita nacionalista e religiosa de Israel, Levy, parece desiludido com o seu povo, que teima, na sua perspectiva, dele, em escolher gente de qualidade duvidosa, para governar Israel.
A sorte do senhor Levy é não ser português, porque se o fosse, teria há muito desesperado e chegado à conclusão de que este país (Portugal), precisa efectivamente de outro povo, porque no que toca a eleger rebotalho, somos um povo campeão.
Vem esta arenga a propósito da Lei da cobertura das campanhas eleitorais, que como já se viu, mais não é que um atentado às mais elementares regras da Democracia, como os nossos políticos não sabem o que é Democracia, nem que isso, fosse algo grande e grosso, que lhes entrasse pelo esfíncter e lhes revolvesse as entranhas, por aqui andamos a fazer de conta e a mandar mensagens de telemóvel e por vezes no Facebook, para os jornalistas quando não concordamos com o que dizem de nós.
A “sms” de Costa e a Lei da cobertura das campanhas eleitorais, entretanto aprovada, são exemplos do quão mal convivem os nossos políticos com a realidade da Democracia plena, em que críticas e elogios fazem parte do jogo, até porque ao contrário das pessoas normais que erram e têm dúvidas, parece existir no seio da “elite” politiqueira nacional a aspiração ao dom da infalibilidade, houve até, um desses senhores, que num assomo de desvario, declarou que raramente se enganava e nunca tinha dúvidas, vindo isto de quem veio, só podemos rir, mas não deixa de ser preocupante que estas criaturas sejam dotadas de tão grandes egos e propensos à megalomania, ao disparate quando não à mais sem vergonha das personalidades, uns pulhas, portanto.
Mas mesmo tendo políticos rasca e intelectualmente a roçar o absolutamente néscio, a coisa até se poderia compor acaso o Povo, essa grande massa insana, servisse de contra poder aos desvarios dos politiqueiros safados e biltres que temos. Erro meu, como dizia o poeta zarolho, o Povo, esse mesmo Povo que tanto se glorifica com minudências e balelas, demonstra em cada acto eleitoral que são apenas uma corja de indigentes intelectuais, miseráveis que se presta a todas as baixezas, votando e fazendo eleger não os mais capazes, mas sempre e de cada vez que o faz, os mais ineptos e mentirosos.
Somos um Povo miserável, e devemos muita dessa miséria a nós mesmos, ainda assim preferimos sempre culpar terceiros pela nossa desfaçatez, culpamos a Troika, o Sócrates, o Afonso Henriques, a queda do dólar ou mesmo a debochada da filha da porteira, ao invés de assumirmos de uma vez por todas que enquanto Povo, somos uma valente trampa, digna de dó!
Agora imagine-se que éramos um Povo activo, participativo, com altos padrões de cidadania, civismo e civilidade, ao invés disto que somos, deste bando de sevandijas, ignorantes e pulhas.
Imagine-mos a indignação que uma notícia dizendo que um político teria enviado uma sms a um jornalista a questiona-lo sobre a sua liberdade de expressão, causaria junto de um Povo esclarecido, educado e civilizado, imagine-mos o que faria esse mesmo Povo quando confrontado com uma lei pulha e miserável como a que o PSD, o CDS e o PS cozinham entre si, imagine-mos pois que nenhum desses partidos e ou políticos voltaria a receber votos, imagine-mos até que partiria dos militantes educados, civilizados e activos desses partidos a iniciativa de censurar os seus líderes por tão abjectas acções, pois isso seria num país com um Povo digno desse nome, ao invés, aqui onde vive apenas uma manada, a coisa não colhe junto dos apaniguados e dos agitadores de bandeirinhas a mínima reacção, tudo o que o líder diz e faz está certo, apenas o abanar de cauda e a mansidão ecoam, mais valia viverem na Coreia do Norte.
Dentro de cada português existe um norte coreano escondido, que precisa sempre de um querido líder protector, existe também um carneiro, manso e pateta, que esfusiante vive no sonho de um dia poder ser obsequiado com uns segundos de atenção do seu querido líder.
Portugal vive conjunturalmente na ilusão de que é uma Democracia e um Estado de Direito, coisa que objectivamente não somos. Este Estado bipolar, carrega em si, todos os vícios das ditaduras “bananeras” e infelizmente muito poucas ou quase nenhumas virtudes democráticas, somos infelizmente uma súcia miseranda que faz de conta que é um Povo!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

domingo, maio 10, 2015

Na terra dos bois mansos!



Na terra dos bois mansos, capados,
os polícias por trabalhar, vão condenados.
Os ministros tecem loas aos aldrabões,
e os lorpas ainda neles votam nas eleições.

Hoje comecei com uma quadra à guisa do bom Aleixo, perdoem, se aos calcanhares do dito não chego, mas para poeta não presto, e olhando para a poesia de hoje, melhor que seja assim, pois por aí todo o bicho careta escreve trampa sem fim.
Portugal foi sempre um país de gente desavergonhada. Gente miserável e trapaceira, assim foram às “descobertas” de coisas que já lá estavam, e na trapaça, levam no bico as gentes atrasadas, trocando missangas por oiro, com que depois enchiam a pança dos usuários do Norte da Europa, vejam lá o quanto mudámos em seis centos de anos.
Ainda assim, fiquei estarrecido com o senhor Coelho e os seus encómios a Dias Loureiro. Bem demonstrado fica que a sem vergonhice é um estado natural neste Estado de Portugal, pior é que gente pretensamente inteligente aplaude e acena com a cauda a cada ordem do dono, incapazes de utilizarem os miolos formatados, para escaparem às armadilhas da velhacaria. Enoja-me tal gente!
Sua excelência da República o Presidente, diz que o “Mar” é o seu sonho, curioso esse sonho vindo de quem o vendeu por alcatrão, de quem destruiu as pescas a troco de festas, de quem trocou a sardinha por biqueirão, curioso sonho de quem arruinou em primeiro e que deu o mote que todos os demais até agora glosaram. Enoja-me tal gente!
Já o enorme Luis Vaz escrevia “O fraco rei faz fraca a forte gente”, e com tanta razão, que nunca passaríamos além das Berlengas, acaso a trampa que hoje desgoverna, houvesse naquele tempo. O tempo hoje é de bandalhos e vigaristas, o tempo é de trapaceiros e ladrões de velhacos e canastrões, é um tempo de rebotalho, de gentalha da pior estirpe, sequer se a possuem, que não seja a da mais abjecta e miserável condição. Enoja-me tal gente!
Um país que vota nesta maralha, um país que elege indígenas desta igualha, mais não merece que soçobrar, engolido pela peçonha e pelos medos do Inferno, destruído até aos alicerces pelas infernais labaredas e coberto todo por sal do grosso, para que nada aqui floresça por muitos séculos, não vá o Demo dar de novo a esta terra mais desta trampa asquerosa que parece brotar debaixo de cada pedra. Enoja-me esta gente!
Por onde andarão os Homens deste ermo esquecido, por onde caminham os Egas, os Albuquerques e os Mouzinhos, por onde sonham os cultores da honra, da decência e da cultura. Fenecidos todos, quedaram-se as avantesmas insalubres e ratoneiras atulhadas em merda até às orelhas, enredados em trapaças com bancos, com submarinos com casas de praia, acções de bancos pulhas e empresas engolidoras de subsídios europeus, com licenciaturas tiradas ao domingo. Enoja-me esta gente!
Vil e triste sorte que um país velho de quase mil anos, se veja nisto, depois de quase cinquenta anos de uma ditadura de cretinos, afunda-se alegremente numa democracia de ladrões e bandalhos, de inqualificáveis biltres e rematados pulhas. Enoja-me esta gente!
Mas a bem da nação se diga, que não merecemos mais!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sexta-feira, abril 24, 2015

25 do quê?



Com uma rapidez impressionante passaram quatro dezenas e mais um ano sobre o memorável dia que “libertou” Portugal da tirania ignóbil do Estado Novo. Muitos dos intervenientes, são já pó, desse mesmo tempo insatisfeito que nos vai devorando, com aparente indolência, mas voraz perseverança. Entre os detractores ressabiados e outros “ados” e “istas”, e os que glorificam a data, foi-se criando uma barreira ideológica, patética, que tem crescido ao ponto de os patetas da direita mão usarem cravos na lapela e dos da esquerda alardearem isso como trunfo iniludível da sua superioridade, uns e outros pobres patéticas figuras que provam o fracasso desse que deveria ser um dia memorável por variadas razões.
O 25 de Abril, nesta quarenta de anos, parece que ao invés de unir, mais ajudou a cavar o fosso, aos anteriormente citados lados da trincheira junte-se uma actualmente gorda fatia, a dos ignorantes, daqueles a quem aquela data já não diz rigorosamente nada, desconhecem em absoluto os protagonistas, os eventos, as causas e as consequências, pior não sabem nem querem saber, produto que são de quarenta anos de uma Educação miserável e que não cuida das memórias colectivas de um povo, nem se importa em clarificar os mitos e desfazer os equívocos, mas a História próxima tem dessas coisas.
Juntemos um quarto grupo, composto por diversa escumalha que não se interessa por coisa nenhuma pois só vive por cá para se aproveitarem das casas e subsídios à borla, criando depois um Estado seu com leis próprias e cujo desrespeito pelos outros é ponto de honra. Resulta portanto desta miscelânea de desapropriação da História, de excessos libertários e de um miserabilismo intelectual atroz, que hoje, uma grande parte da população está perfeitamente nas tintas para o 25 de Abril.
Pessoalmente, acredito ter sido um dos dias mais importantes dos últimos trezentos anos, foi o quebrar das amarras do continuo ditatorial que vinha desde o tempo de Dom João VI, isto para não ir mais longe, encerrou-se o ciclo do Império pateta que nunca foi Império, e do que foi, mal aproveitado sempre. Trouxe-nos essa “revolução” para pelo menos duas décadas de “europeização” em que quase nos tornamos realmente europeus ocidentais, livres, com poder de compra, iludidos por um sistema mafioso que nos enredou e estrangulou, entramos no século XXI de novo agrilhoados, e hoje entrados que estamos uma quinzena de anos nesse novo século que nos haviam prometido ser de prosperidade, lentamente estamos a voltar ao antanho, oprimidos por várias ditaduras, a ditadura das minorias, a ditadura dos FMI e afins e a mais perniciosa de todas a ditadura de um sistema oligárquico de partidocracia medíocre e mafiosa, todas juntas estas ditaduras voltaram a atirar-nos para a doce indolência do Estado Novo, para o miserabilismo e para a miséria, para o nepotismo e compadrio, para o beneplácito paternalista dos governos de ineptos, para o desespero e para a fome, pior ainda, que nos tempos do “Zé da Beira”, porque nesse tempo mesmo mal pago, ia havendo trabalho, ia havendo emprego, não estou a defender o Estado Novo, apenas constato um facto, podem argumentar que era trabalho mal pago, quase escravo, de acordo, hoje para além de não existir, continua igualmente miseravelmente pago e ainda mais escravo. Também a qualidade dos governantes decresceu a olhos vistos, basta olhar para a qualidade dos governantes actuais e dos últimos cinco ou seis governos, para se perceber o miserabilismo e a atroz pobreza franciscana intelectual que domina este país, elege-se essencialmente o rebotalho, a ralé politica oriunda das juventudes partidárias, completamente formatados e sem a mínima noção da realidade do que é viver neste país.
Tenho para mim que o 25 de Abril, foi um bonito sonho, que se tornou num pesadelo, as situações de extremo dão sempre nisto. Hoje aquilo que deveria ser uma data de unificação de um país em torno de ideais de liberdade, de respeito e decência e de honestidade, transformou-se por mor de uma coisa tipicamente lusitana, num dia de ressentimento de uns contra outros e pior num dia completamente indiferente para muitos outros. Ainda assim, Viva o 25 de Abril!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quinta-feira, abril 09, 2015

Os “presidenciáveis”



As hostes já se movimentam para escolher o próximo ocupante do cadeirão de Bélem, o próximo jarrão decorativo presidencial, que mais valia ser em porcelana fina, sempre o poderíamos vender aos invés de esbanjar rios de dinheiro numa função e num cargo que não servem para nada, e nós país pobre e miserável que há 300 anos que anda de mão estendida na pedincha, bem poderia considerar em exterminar, mas qual quê, os “tachos” e as alcavalas decorrentes da seráfica e republicaníssima função, toldam as vistas e lá fica tudo como em antes.
À direita, perfila-se uma série absurda de nomes, uma dor de alma. Sendo Alberto João Jardim a mais risível das hipotéticas candidaturas. Santana Lopes, excelente candidato, a porteiro de salão de chá, mais que isso não. Com Barroso, o trânsfuga, corríamos o risco de assim que lhe acenassem com um qualquer lugar regiamente pago, se botasse a correr e deixa-se a presidência, é outra anedota.
Marcelo, é um desinteressante papagueador televisivo, mas presidente só se for do clube de coleccionadores de esfregões de palha-de-aço. Infelizmente à direita, o conjunto, dos “presidenciaveis” é de um miserabilismo atroz, Rui Rio, a concorrer, será um desperdício, seria um muito melhor candidato à liderança do seu partido. Se no quadrante da Direita não surgir alguém melhor temo bem que possa surgir outro graveto qualquer.
À esquerda a coisa também não conhece melhores dias, Gama, Roseira, Ferro Rodrigues, Vitorino ou mesmo Guterres, são mais do mesmo, mais dessa pandilha de profissionais da politiqueirice, e disso francamente estou farto. Desconhecem-se por enquanto candidaturas do PCP, sendo uma hipótese Carvalho da Silva, apesar de o mesmo negar o apoio dos seus chefes de sempre.
Neste quadrante esquerdo também não apareceu até ao momento ninguém que valha a pena sequer considerar, é tudo muito mauzinho, demasiado mau para ser verdade, infelizmente a tal Esquerda não está melhor que a Direita, ou antes cada vez são mais iguais até na qualidade absolutamente miserável dos candidatos que hipoteticamente poderão concorrer ao lugar.
Restam os independentes, Henrique Neto e Sampaio da Nóvoa, ambos conotados com a Esquerda e com o já extinto socialismo. Qualquer um dos dois apresenta pergaminhos de excelência, são duas candidaturas quase idênticas que disputam votos no mesmo universo de votantes. Henrique Neto é um velho lutador, um homem de inquestionável competência e dignidade, o único que levantou a voz contra Sócrates, cheio de razão estava. No entanto prefiro o Professor Nóvoa, nunca foi meu professor, apesar de conhecer a sua excelência enquanto pedagogo através de amigos, cuja opinião é consensual em relação às qualidades do homem, mas prefiro o Professor Nóvoa em especial porque sou do contra e porque muita gente no PS já se manifestou contra o apoio do partido a tal candidato, e sempre que os aparelhistas se manifestam contra alguém, é porque essa pessoa vai contra esse tipo de parasitismo que se instalou na sociedade nacional. Ainda que considere que o Professor Nóvoa seja um desperdício como Presidente da República.
A ver vamos o que daqui vai sair, muito depende do resultado das legislativas, e dos congressos que se seguirem e das guerrilhas internas. Depois de Cavaco, a bitola é tão baixa, que estou em crer que até uma marmota empalhada poderia desempenhar a contento o cargo, sendo que, e insisto, aquilo que deveríamos estar a discutir é se faz sentido um país pobre, miserável, falido e completamente em queda, continuar a gastar milhões para manter um cargo de opereta bufa. Era isso que deveríamos todos enquanto sociedade estar a discutir.

P.S. Achei fantásticas as declarações do senhor Pinto, do senhor Lelo e do senhor Jardim acerca do Professor Nóvoa, todos juntos não chegam à sola do sapato do Professor, mas isso é apenas uma opinião maculada pela muita consideração e estima que tenho pelo Professor Nóvoa. 

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quarta-feira, abril 08, 2015

VIP – Vigaristas Importantes



Há uns bons anos, que saudades, tive um professor na Universidade, que nos disse e cito de cor, “…a diferença entre os países de merda e os bons países, está na importância que os governos dão aos seus cidadãos…”
Esta frase ficou-me até hoje na memória, foi extraordinário ouvir dizer aquilo naquele sotaque texano carregado que só ouvimos nos filmes. Aquele homem era uma personagem extraordinária, soube que morreu entretanto. Tinha percorrido o mundo e vivido em mais de uma dezena de países por todos os continentes, tinha à altura uns 60 anos, era um apaixonado por Portugal em especial pela genuinidade da gastronomia.
Não era de esquerda nem era de direita, era essencialmente um extraordinário homem cuja visão humanista “avant garde”do mundo, a sabedoria e cultura o colocavam quase de imediato em empatia com todos os seus interlocutores sem precisar de um grande esforço.
Este intróito, leva-me ao que me trouxe aqui hoje, o desinteresse completo que neste país existe pelas pessoas. Tomemos por exemplo a trapalhada, mais uma, com a tal lista VIP, que julguem que fosse uma lista de Vigaristas Importantes, mas afinal não, é o acrónimo de Very Important People, por outras palavras, pessoas que parece que são importantes. A tal lista é um atentado à moral, de todo um povo, mas é sobretudo um lamentável episódio de completo desnorte de um governo.
Neste país as pessoas são tratadas como lixo, e quanto mais honestas, diligentes e esforçadas são, maior é o desprezo que as elites por elas sentem. Portugal é um país que privilegia os madraços, os incompetentes, os ladrões e os vigaristas.
A maneira como o cidadão nacional é tratado, remete-nos para séculos de opressão paternalista dos déspotas que foram passando por cá, uns mais iluminado outros menos, criaram mitos de pobreza e de quase santidade alguns outros de colérico temor, deixando no povinho, nesta ralé de energúmenos uma memória colectiva que os capa, que lhes retira a coragem.
Portugal tem hoje um Presidente da Republica alegadamente atulhado até às orelhas nas mafiosas escandaleiras do BPN e do BES em que dá o dito pelo não dito, enrolado com vivendas de luxo e acções da SLN e em que a sua triste figura saí ainda mais patética, um antigo primeiro-ministro detido por alegadamente ser um vigarista e um actual primeiro-ministro que entre trapalhadas com fundos comunitários até aos “esquecimentos” sobre pagar impostos, deixa um cheiro nauseabundo a falta de qualidade e torpeza.
Pelo meio, nestes últimos 200 anos, foi o ver desfilar um cortejo impar de mafiosos, vigaristas, aldrabões, velhacos e criminosos que se passeou pelo Parlamento e pelos ministérios, uma corja de inúteis e de incapazes que concorreram para fazer deste pardieiro aquilo que ele é hoje, um buraco sem futuro!
Neste país do século XXI, podia ser o XIX que dava igual, as pessoas são tratadas como lixo, achincalhadas, esquecidas, vilipendiadas e abandonadas, por um Estado que devora cabedais em proveito próprio para encher a barriga sempre esfomeada de um aparelho partidário de bandalhos, que nada fazem. Esquecem-se os velhos, esquecem-se as crianças, esquece-se a saúde a educação, a Justiça é uma miragem.
Portanto no meio disto tudo, fazerem uma lista VIP nas Finanças, não tem absolutamente importância nenhuma, nem os nomes que lá consta causam qualquer perplexidade, ainda que numa lista de gente tão “importante” constar o nome de um triste secretário de estado, que nem sabia da lista é desconcertante, aliás a triste figurinha do secretário de estado bem ilustra como está o país, o pobre homem é um pobre diabo, cheio dele próprio, a quem ninguém liga peva. Mas atentem bem, se os nossos políticos primassem pela honestidade, a existência da lista nem se questionaria, como a realidade é bem diferente eis que um “fait diver” faz correr rios de tinta!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sexta-feira, março 27, 2015

Numa esplanada o país!



A manhã já ia adiantada, saí à rua para uma pausa, fumar um cigarro, vício detestável e pernicioso, beber um café, e estar uns dez minutos afastado de computadores, papéis, gente doida e demais imponderabilidades de um serviço de manga de alpaca.
Um Sol quentinho ajudava ao remanso daqueles pequeníssimos instantes de paz, sentado com um amigo trocava palavras ocas daquelas que se dizem por circunstância, mas que fazem falta, olhei em volta e fiquei estarrecido, comentei com o meu amigo, que abriu olhos semi cerrados por causa da intensidade dos raios solares, concordando e atirando um – tens razão pá!
Uma mesa ali ao fundo, aquela com o cinzeiro vermelho de uma marca de refrigerante, um grupo de oito ou nove criaturas, as idades entre os vinte e os trinta anos, escumalha típica nacional, os penteados foleiros e labregos, as tatuagens, os telemóveis topo gama, a falta de competências e a baixa escolaridade, aliam-se ali ao desejo de nada fazer, vivem de expedientes, de subsídios e de pedinchas aqui e ali, a filharada sem regras vai berrando por ali aos pulos, atafulhada em doces e guloseimas, enquanto os adultos às onze da manhã saboreiam várias garrafas de cerveja.
Os ingleses chamam a este tipo de pessoas “white trash”, são pobres, as mais das vezes pobres de espírito, jovens criados sem regras, vindos de famílias miseráveis e sem estrutura, hoje já tem filhos e vivem exactamente como os pais, do crime ocasional, da pedincha e do subsídio, sem matriz cultural, completamente fora dos circuitos de cidadania, é a geração casa dos segredos.
A mesa ali mais do lado esquerdo, com o chapéu-de-sol volumoso que parece um cogumelo, venenoso neste caso, alberga dois indígenas de leste, dessa seita de polidores de esquinas que por aí vegeta, vivendo igualmente de esquemas, roubo, pedincha e prostituição, tabaco caro, resma de garrafas de cerveja, os dois ali estão serenos e descontraídos, entre os dois não há uma hora honesta de trabalho no corpo. Pertencem a esse rebotalho de leste que aí chegou e se instalou a viver à conta de todos nós os parolos.
Numa mesa de canto, mais afastada, mais três parasitas, aliás este tipo de gente gosta de estar sempre afastada dos outros, é uma mania de superioridade que possuem, ,preferem o bagaço, falam aos berros e entrecruzam o final de cada frase com “ais”, pertencem a uma suposta etnia de madraços, que a coberta das diferenças culturais vive essencialmente do parasitismo social, a mesa repleta de copos e chávenas, o chão cheio de beatas e o berreiro colossal que fazem, releva a arrogância dessa gente medíocre e asquerosa, avessa ao trabalho, racista e velhaca.
Isto não são estereótipos provocados por preconceitos, isto são factos diários, estão à vista de todos. Naquela esplanada em dezasseis pessoas apenas dois, eu e o meu amigo trabalhamos, bebíamos um café, porque isto está mau e não podemos esbanjar dinheiro, enquanto catorze criaturas vivem do parasitismo social, não trabalham, não tem qualquer actividade produtiva e ali estão a esbanjar dinheiro em bebidas alcoólicas, tabaco, telemóveis e guloseimas.
- Para compor o ramalhete só falta aqui um político, para o rol da parasitagem estar completa – disse esse meu amigo a sorrir. Era verdade, só ali faltava um desses para o cenário estar completo em termos dos vampiros sugadores de recursos gerados com o trabalho dos outros.
Tenho uma imagem de Portugal como um grande pântano, daqueles que se vemos nos filmes, insalubres e cheios de maleitas, onde os pobres carregadores de fardos, nós os que ainda trabalhamos e pagamos impostos, somos obrigados a atravessar, sendo vítimas de todo o tipo de parasitas que nos sugam, e nós impávidos e serenos lá continuamos a nossa viagem como se nada fosse. 

Um abraço, deste vosso amigo 
Barão da Tróia

quarta-feira, março 25, 2015

Vem! Espera que já vou!



Apesar de serem sítios absolutamente desinteressantes e até lúgubres, eu gostava de poder assistir a uma reunião dos “pensadores” que existem neste Governo, acaso exista por lá alguém com mais de dois neurónios, facto que está por provar, para ver o despontar das ideias, as tempestades de neurónios que assolam aquelas salas bafientas. Deve ser muito educativo, claro que algumas das ideias devem surgir logo de manhã, quando um qualquer ministro e ou secretário de estado, está na muito humana tarefa de obrar, e o esforço, conjunto de expelir o incómodo troçulho e de pensar, dá ideia que por vezes a coisa se baralha e saem ideias assim um nadita aparvalhadas.
O senhor Coelho percebendo a falta de qualidade e de competência, generalizada que grassa no seu aparelho partidário, foi complementar o seu governo com “sábios” ou seja rapaziada oriunda das universidades, atafulhada em mestrados e doutoramentos, mas que depois tem um problema que é o não estar bem ciente do país onde vivem, daí veio o senhor Maduro, que trouxe outra luminária o senhor Pedro Lomba, secretário de Estado Adjunto do Ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional, entre todos produziram um programa de uma inusitada capacidade intelectual, o programa apresentado com a verve salvifíca com que quase sempre se apresentam as mais despudoradas tonteiras, como é o caso.
O senhor Lomba veio à televisão enaltecer o programa “Vem”, que supostamente a troco de quase nada quer fazer voltar todos aqueles que o governo do senhor Lomba empurrou para a emigração e que ao fim de três anos, percebeu que são necessários para que o país tenha uma réstia de viabilidade, não foi por falta de aviso, só podemos concluir que lá pelo Governo ou são mesmo muito asnos ou andam distraídos,
Logo a começar pelo nome, este programa parece-me muito pornográfico, já estou a ver clips publicitários realizados por Sá Leão, com títulos sugestivos “ Vem-te, tu também!” onde uma garota decotada até ao umbigo com carnes fartas e curvas delirantes se rebola em cima de um mapa de Portugal em látex cor-de-rosa. Ou a versão, mais para elas, em que um rapaz musculoso e dotado, aponta para o mapa de Portugal e diz “ O ponto G é aqui”, ora tá-se mesmo a ver que depois disto, os emigrantes vão ficar concentradíssimos e vão vir resmas de emigrantes, charters deles em cascata, a desembocar na Portela, tantos são esperados que o Governo já disse que vai alargar o terminal do aeroporto, para receber a verdadeira avalanche de gente que vai regressar.
A recebe-los, vão estar moças vestidas com trajes do Minho e moços de barrete de campino e o senhor Lomba vestido de Pauliteiro de Miranda, churrascos com entremeadas e chouriças, pão caseiro e pipos de tintol, do bom, daquele que até mancha as mesas, tudo ao som desse ícone da música popular Graciano Saga e o seu enorme sucesso mundial “Vem devagar emigrante”.
Este sucesso musical de enorme qualidade será a música oficial deste programa governamental, a ser gravada pela banda marcial filarmónica Capricho de Vale da Porca e cujo CD vai ser distribuído gratuitamente num kit de boas vindas oferecido a cada emigrante que decida deixar o conforto do país para onde foi para regressar para este fim do mundo, esse Kit inclui, para além do já citado CD, um queijo de Azeitão, dois pasteis de nata do Pingo Doce, uma caralhota de Almeirim, uma morcela de arroz, um prato de loiça marota das Caldas e uma posta de bacalhau já demolhado tudo embrulhado num poster do Cristiano atado com baraço de sisal com o cunho de Fátima Lopes.
O senhor Lomba, faz-me lembrar o outro puto parolo, que o senhor Relvas andou a promover, o tristemente célebre “Zé Bate Punho”, aliás esse programa destinado aos jovens e o actual “Vem” têm muitas semelhanças, a completa falta de senso, a idioteira pegada e o mais fantástico surrealismo, tanto que estou em crer que a concepção da coisa deverá ter sido algo do género;
Maduro – Ó Pedro, pá precisamos de um ideia!
Lomba – Que ideia chefe?
Maduro – Sei lá pá. Olha, pede a lambreta ao Soares e vai ali ao Casal buscar umas cenas para fazermos um brainstorming! 
Lomba – Bute nessa man, boa malha!
Secretária loira e de apêndices mamários avantajados – Olhe senhor ministro, não acho nada boa ideia, sotaque de Cascais, da última vez ficou-me a doer o rabo.
Maduro – Ó Cátia Vanessa por amor da Santa, deixe lá isso agora!
E assim nasceu o programa “Vem”, um extraordinário exemplo do que é este governo, em mais uma maneira, completamente pateta e patética, de desbaratar mais uns milhões em algo que não servirá para absolutamente nada, pois quem mentalmente saudável e sóbrio deixará um qualquer país onde ganhe relativamente bem e onde tenha condições de uma vida com dignidade, para regressar a Portugal e arriscar morrer de fome, ou esquecido num qualquer matadouro transformado em hospital. Se o ridículo matasse o Governo de Portugal teria há muito sucumbido.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, março 16, 2015

Arrotos cavacais!



Eu sinceramente já não sei o que mais dizer. Enquanto escrevo estas linhas, vou mirando as atoardas que Sua Excelência o senhor Presidente da República escreve no seu tratado de “umbigismo” egocêntrico, a que pomposamente dá o nome de «Prefácio Roteiros IX», conjunto de lugares comuns e minudências supostamente, escritas pelo próprio punho de Sua Excelência o senhor Presidente da República, com intenção de comemorar o seu nono ano de mandato presidencial, onde discorre sobre os seus passeios, pagos por nós, aos quais chama «diplomacia presidencial», inventando assim uma nova missão para um cargo que se destaca por ser absolutamente vazio.
Aos temerários que se derem ao trabalho de ler aquilo, à priori dou a informação de que o documento é a cara de quem o escreveu, aviso-vos que é um exercício penoso e lastimável, pois confrontar-se-ão apenas com um muito simples tratado de auto elogio, já que ninguém lhe liga peva e muito menos gasta saliva em encómios ao dito personagem, Sua Excelência o senhor Presidente da República, resolveu faze-lo per si, num acto gratuito de mau gosto e de delirante falta de bom senso, pois meus caros é isto que temos como mais alto magistrado da nação.
Por todas as 27, felizmente apenas 27, páginas deste «Prefácio», perpassa um mau cheiro, que pessoalmente classificaria antes como fedor, a um revisionismo apologético, o homem quer, forçosamente, ficar bem na fotografia.
Continuo a questionar seriamente a necessidade da existência de assessores na Presidência da República, ao ler o «Roteiros IX», fica a sensação que ou são tão maus como o chefe ou então não servem para nada e são um desperdício de dinheiro dos contribuintes, pessoalmente acredito que o que se passa é uma infeliz concordância das duas situações.
E é tão mau, que tresanda a politiqueirice rasca, tresanda mesmo muito a uma muito baixa política, em especial as alusões subtis que vai criando, sobre o que precisa alguém que queira ser Presidente da República, ora se isto não é tentar condicionar não sei o que será, alguém que explique a Sua Excelência o senhor Presidente da República, que vivemos efectivamente numa República, concordo que seja de e das bananas, ainda assim é uma República e que não cabe de todo a Sua Excelência o senhor Presidente da República, aconselhar sobre discutíveis e óbvias qualidades que um seu sucessor deve ter, e sim Sua Excelência senhor Presidente da República eu li com muita atenção o que o senhor escreveu e é uma subtil e um tudo nada infeliz maneira de querer como se diz cá na terra “meter o bedelho”, isso talvez seja muito comum nas monarquias hereditárias, por cá com a ilusão criada no povaréu, de um Homem um voto, as coisas não funcionam desse modo, alguém deveria ter avisado o pobre ancião que a Monarquia acabou em 1910.
Alguém que explique a Sua Excelência o senhor Presidente da República, que aquilo que se espera de um Presidente é apenas que seja isento e represente esta espécie de República, que não seja rancoroso, mal formado e ressabiado, que saiba essencialmente ouvir e que defenda o povo do país, esse povo pateta que o elegeu, é apenas isso que se espera de um Presidente.
Sendo certo que deveríamos estar seriamente a questionar a necessidade da existência de tal figura, já o disse e continuo a acreditar que este actual modelo político está ultrapassado, questiono seriamente a necessidade dessa figura decorativa que é o Presidente da República, cargo que custa demasiado caro a um país miserável como o nosso e que serve para quase nada.
Pergunto-me é possível, que raio de povo, elege estas criaturas, com tão fracas e poucas qualidades. Somos verdadeiramente uma nação de cafres, de asnos completos, como é possível que tais personagens singrem e cheguem aos mais altos cargos da nação, como é possível que este tipo de gente consiga ludibriar um povinho inteiro. Somos realmente um povinho muito reles!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quarta-feira, março 04, 2015

Este tal estado da Educação!



O Conselho Nacional da Educação, doravante simplesmente CNE, praticamente sozinho e revelando um portentosa sabedoria, para além de uma capacidade intelectual claramente acima da média, que rivaliza com os grande génios da humanidade, acaba de revelar que descobriu o problema mais grave do sistema educativo de Portugal, ora parece que afinal existem problemas no sistema educativo, facto quase sempre desvalorizado pelos vários ministros da pasta, sendo o actual o campeão da desvalorização de tudo e mais alguma coisa.
Mas voltemos ao CNE e à sua excepcional descoberta, que seguramente revolucionará o ensino a uma escala nunca antes vista, estou em crer que o Nobel da Educação, será propositadamente criado para agraciar o senhor Crato e o senhor Justino presidente do CNE, por tal descoberta, que lançará definitivamente o ensino nacional, mundial e quiçá universal, dado que se espera, já no próximo ano, que delegações de várias galáxias próximas, estejam presentes num encontro promovido pelas autoridades educativas nacionais, sobre esta grande descoberta.
Esta descoberta é de tal forma importante, que abalará para sempre as estruturas do edifício educacional, velho e degradado, tal como por exemplo está a escola de música do conservatório nacional, um edifício centenário completamente degradado onde chove dentro e que está em tal estado porque nesse local se lecciona apenas música, deus nos livre, como é possível escolas dedicadas a estas tretas de músicas e artes, podemos lá gastar dinheiro com esses calaceiros da música e do teatro e dessas artes perniciosas, dinheiro tão necessário para ter secretárias, motoristas, carros topo gama, cartões de crédito, ajudas de custo e milhões para enterrar em bancos e pagar as trafulhices dos senhores que pagam campanhas eleitorais.
Gostei particularmente do senhor Crato, que apareceu na televisão, com a sua cara de “virgem ofendida” num esgar, encenado, misto de surpresa e indignação, pelas recomendações do CNE, como se o senhor Crato não soubesse que recomendações foram propostas. Esta gente deve achar que somos todos tolos e parolos, e que qualquer idioteira que se ouve, é tida por acertada, em especial vinda de uma coisa chamada CNE, como se nós não soubéssemos quem está nesse conselho e a que conclusões chegam.
Dizia um ilustre educador do século anterior, que “… só chumbam os alunos porque não os ensinam…”, paradigma revelador do verdadeiro problema da nossa Educação. Não vou discutir e opor-me a que a retenção, nome pomposo e pateta, para o velho “chumbo”, seja de facto um problema da educação, é com toda a certeza, e deveríamos estar a trabalhar sobre o porquê da sua existência, que factores concorrem para a tal retenção, aliás sabemos muito bem alguns deles, qualidade miserável das escolas, qualidade ultra miserável dos programas dimanados por ministérios de fraca categoria, professores de qualidade duvidosa, alunos miseráveis sem regras e sem respeito por si e pelos outros, famílias incapazes, ou seja é toda uma sociedade que desvaloriza o conhecimento e a vida académica, que coadjuva as taxas de retenção, um destes dias numa reportagem que passou sobre o ensino Pré-escolar, que curiosamente continua sem fazer parte do ensino oficial, dizia-se a certa altura esta maravilhosa frase; "Tipicamente há uma educadora e duas auxiliares em cada sala", sempre gostava de perguntar ao senhor jornalista da RTP onde foi buscar esta informação, tipicamente e quando existe, cada sala tem apenas uma auxiliar e as mais das vezes de qualidade assaz questionável.
Mas sobre estes factos o CNE e o senhor ministro, nada dizem, ao invés disso, um e outro lançam a ideia destrambelhada da “recuperação de alunos”, ora se forem tão bons na recuperação de alunos como são a recuperar escolas, sendo a escola do conservatório de música um excelente soberbo exemplo, estamos conversados.
O problema é que as retenções, aparentemente, custam dinheiro, palavra maldita para o actual governo liberaleiro, que só tem dinheiro para os colégios privados dos amigos, “vade retro” a escola pública gastadora. Junte-se a isso as famigeradas estatísticas, onde os nossos números, tão desalinhados com os números europeus e mais próximos do norte de África, mostram a realidade do que realmente somos e estragam assim a imagem edílica e seráfica que o senhor Crato quer mostrar aos seus homónimos europeus.
Que estes senhores venham à televisão papaguear estas abstrusidades como se fossem um qualquer “ovo de Colombo”, até não é muito problemático. Assustador é se estes senhores acreditam mesmo naquelas bojardas, pois temo bem que se acreditam naquilo, temos o nosso ensino entregue a alienados, com a capacidade intelectual de uma ameba, o que é deveras preocupante, mas que também explica muito daquilo que se passa.
Sendo um problema da nossa Educação, a retenção não passa de um “fait diver” quando comparada com problemas graves como seja a indisciplina, a qualidade medíocre dos curricula, a falta de investimento, a desmotivação do pessoal docente e não docente, a pouca participação, no que verdadeiramente interessa, dos pais e das suas associações, órgãos meramente decorativos, sendo que o grande e maior problema da Educação nacional seja a quantidade incrível de personagens de qualidade mais que duvidosa que têm perpassado pelo ministério, gente sem migalha de qualidade. O sistema educativo se está no miserabilismo que está, pode agradecer a toda uma trupe de políticos medíocres e esse tem sido e continua a ser o grande problema da Educação nacional.                  

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia                      

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

Municipalizar para arruinar



Ouvi com muita atenção o senhor Maduro, ministro de qualquer coisa que não retive, mas que também não tem importância. Arengava a criatura sobre os méritos de mais uma luminosa ideia, que sobreveio às meninges do actual executivo, com toda a certeza numa ida matinal à latrina, ora propõem-se o actual governo, após verificar em sede de “projecto piloto”, levado a cabo nos municípios sabujos que se prestaram a tal facécia, grosso modo municipalizar a Educação.
O senhor Maduro que conhece muito bem o país, palavras dele, parece no entanto desconhecer a realidade, e muito menos conhece a Educação, aliás depois de o ouvir fiquei ainda mais consciente de que o senhor Maduro, não enxerga um bovídeo no que à Educação concerne. E a única justificação verdadeira para decidir à pressa esta questão, se centra apenas no horror ideológico que o neo liberalismo labrego tem a tudo o que seja “público”, enquadrando-se na política do “chuta para canto” tão cara ao actual governo, que paulatinamente se tem vindo a desresponsabilizar de tudo o que é “Estado”, fazendo o comum cidadão questionar-se, com toda a razão, para que precisamos nós destes tipos.
Actualmente Portugal é gerido, como uma mercearia antiga, em que o merceeiro, rouba nos pesos e nas medidas, troca de regras a meio da venda e o troco é sempre em rebuçados, fizeram-se boas fortunas deste modo, no tempo da outra senhora, hoje também, mas na administração de um país, e para corroborar esta conclusão basta olhar para o servilismo e untuosa subserviência com que o primeiro-ministro e a ministra das Finanças se ajoelham perante Merkel.
Mas voltando ao bom do Maduro, essa luminária do saber, esse verdadeiro farol da administração e da sapiência geográfica, e da sua ideia, pouco inteligente, de “municipalizar” a Educação. Modelo já testado noutros países e já abandonado, porque provou ser ineficaz e ter concorrido para uma degradação acentuada da qualidade da Educação, a Suécia é disso um exemplo. Mas por cá adoramos ir rebuscar idiotices de outrem e aplica-las ao burgo sem sequer atender às especificidades locais, concorrendo quase sempre para as mais hilariantes e despropositadas burrices e barracas, esta que o senhor Maduro propõem, acolitado por esse verdadeiro “buraco negro” da Educação, que é o senhor Crato, será seguramente mais uma.
A realidade, dos municípios. Que o senhor Maduro diz conhecer, é tão dispare, que qualquer, “regionalização” municipal da Educação redundará num disparate tão grande, e tão gravoso, do qual dificilmente recuperaremos na próxima centúria.
E a disparidade, resulta da pouca ou nenhuma apetência, que os municípios têm para a educação, e para o modelo de gestão dos municípios, centrado essencialmente em capitalizar votações ao invés de estar centrado no bem-estar dos munícipes. Se não duvido que Lisboa e Porto disponham de bons gabinetes de Educação, com gente competente, desconfio que a restante procissão de municípios, seja o repositório da mais triste pobreza intelectual e falta de competência, e a julgar por alguns que conheço fico assustado com a miserável qualidade e interesse na Educação que os municípios revelam, muitas vezes até existindo boa vontade, se bem que algo tão importante como seja a Educação não se compadeça com tais deficiências.
No passado, os municípios foram responsáveis pelas escolas, pelo menos até ao processo centralizador do Estado Novo, mas comparar a realidade de então com actual, não é de todo um exercício intelectualmente honesto. Daí decorrendo que, aquilo que agora se propõem, pela voz do senhor Maduro, neste capítulo, seja uma das mais absurdas propostas desta espécie de elenco governativo, e digo espécie porque o actual governo parece a casa dos segredos, dada a aridez intelectual que perpassa pelas decisões que esta gente toma.
Uma última palavra, para as associações de pais, que ao invés de se preocuparem com festas e festarolas, com meninos a debitar o abecedário aos 5 anos, e com outras labreguices dignas de ineptos intelectuais, deveriam estar verdadeiramente preocupados com a Educação e principalmente com a FELICIDADE dos seus filhos, porque como diz um ilustre pedopsiquiatra nacional, é inconcebível e inaceitável que se vejam tantas crianças tão pequenas vitimas de depressão. Porque será?

Um abraço, deste vosso amigo
Baraão da Tróia

O Precário



Não consigo deixar de me rir a bandeiras despregadas com as declarações alucinadas de algumas personagens politiquieiras. Gostaria de saber em que país vive o senhor Portas e o senhor Coelho, não é seguramente em Portugal.
Em Portugal, as pessoas que vivem na precariedade, o que nos leva a os tema de hoje, o fado do Precário. Pessoalmente sou versado nessa temática, desde 1988, que sou precário e nunca ganhei mil Euros, há uns tempos fartei-me de rir com um jovem a queixar-se deste país, porque é a geração dos “mil euristas”, jovens muito formados e tal, que não ganham mais de mil Euros. Pobre miúdo, é triste chegar aos trinta anos e ainda andar iludido com este país de anedota.
Actualmente é ainda pior, porque o Precário, vive de favores, vive sem direitos, excepto pagar tudo e mais alguma coisa, e se forem verificar, a administração pública, central e local, vivem do esforço dos precários, dos recibos verdes, dessa grande massa de deserdados do sistema, que vai desempenhando todas as funções e mais algumas, por ordenados de miséria, e miserável é o país que deserda os seus melhores, um país que coloca gente formada, cheia de competências a ser chefiada por mentecaptos, desempenhando tarefas miseráveis em vãos de escada e marquises por esse país fora, um país miserável que a uns obrigou a emigrar e a outros, os coloca em condições de semi escravatura, ainda há tempos o ministro da economia, essa luminária da finança, esse portento da gestão, se regozijava da abertura de um Call-center não sei onde, no qual iriam trabalhar várias centenas, destes escravos modernos os Precários. Um país que tem tais ministros é um país miserável, um país que se resigna é um país miserável!
O Precário vive sempre sobre a chantagem, vive angustiado sem saber se terá emprego no mês seguinte, vive em sobressalto e não consegue ter verdadeiro descanso, o Precário é o pobre diabo, que faz tudo, vítima da inveja alheia, porque tem trabalho, este país chegou a um ponto onde até um trabalho miserável e mal pago é motivo de inveja.
Por isso quando oiço o senhor Portas, o senhor Coelho ou a senhora Albuquerque a ditar encómios à saudável economia da nação, apetece vomitar-lhes em cima.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

terça-feira, fevereiro 17, 2015

O segredo da Acrópole



A recente vitória do Syriza, na Grécia, veio despertar a Europa para a triste realidade de uma União que cada vez menos existe. E é tanto mais triste, que ultimamente cada vez que a Europa fala da Grécia as notícias começam invariavelmente por “…a Alemanha declara que…”, “… a chanceler alemã não concorda…” ou ainda “…o ministro da economia da Alemanha…”, mas esperem lá, a Europa é a Alemanha? Onde andam os líderes da dita União Europeia?
Um destes dias, um amigo, apontava-me, e muito bem, que a Alemanha é o motor da Europa. Pois claro que é, alias desde 1990 que a Alemanha, acolitada pelos franceses e pelos ingleses, fez da Europa o seu couto privado, pagando aos países periféricos para não produzir, estagnando as suas estruturas industriais e concentrando tudo isso na Alemanha, e depressa a Alemanha se tornou hegemónica, primeiro porque Cameron cada vez mais enredado em problemas, voltou à velha reserva insular dos conservadores “tories”, a velha desconfiança que isola a velha Albion do continente, em segundo porque a França depois de um Sarkozy inepto veio a confrontar-se com um Hollande ainda pior, os gauleses tentam não afundar, mas não está a ser fácil, e se porventura existisse algum grama de honestidade nesta Europa, a situação francesa seria exposta tal como verdadeiramente está, um caos.
Ora assim desembaraçada dos seus dois directos contendores, a Alemanha ficou com o caminho livre para fazer o que quer, a Comissão Europeia, que com Barroso era um espécie de extensão das políticas decididas em Berlim, com Juncker, passou a ser efectivamente uma embaixada alemã, e o pior é da Europa, da tal Europa que deveria ser uma união.
Não isentos de culpa, os gregos, uma consumada latrocinocracia, onde todos roubavam quanto e como podiam, vêem-se agora a braços com uma grande tarefa, e na minha modesta opinião o grande problema do Syriza não é pagar dívidas, nem arranjar quem financie o país, o grande problema do Syriza é moralizar um país completamente imoral, não riam os que nos acham diferentes, não somos, nunca fomos diferentes da Grécia, somos igualmente um país de moral e ética duvidosas, com elites políticas de rebotalho, com vigaristas, trafulhas e aldrabões que se esforçam apenas, diariamente, por malbaratar o erário público, a única diferença está que por cá a ladroagem e o parasitismo está instalado apenas nas elites políticas e na súcia dos profissionais da pedincha, de resto sofremos dos mesmos problemas dos gregos, falta de moral, falta de ética, falta de liderança, falta de chefias de qualidade e falta de honestidade.
A Alemanha quis o melhor de dois mundos, produzir muito e ter quem compre, e não se importou em utilizar a União Europeia para manipular essa pretensão, que conseguiu de forma brilhante e impavidamente consentida. Aos países periféricos iam-se dando uns subsídios para manter os indígenas pacificados, bem ao estilo colonialista do século XIX, enquanto se produzia e incentivava o consumo de bens, alguns supérfluos, que a Alemanha produz e precisa de vender para que o seu “statu quo” se mantenha, e ainda foi mais brilhante ao assegurar o seu poder negocial, através do investimento estratégico em países de mão de obra barata, por exemplo em Portugal, onde existem mais de 300 empresas de capital alemão, todas em sectores chave, só as 10 maiores representam cerca de15 mil postos de trabalho, número bastante apreciável que não pode ser negligenciado por nenhum governo.
O que não estava nos planos era um governo que se dispusesse a questionar a União (alemã) Europeia, o que não estava nos planos era que mal dos seus pecados esse governo surgisse num país sufocado por uma dívida impagável e assassina, e sim os primeiros culpados são os próprios gregos, mas convém não esquecer que por exemplo 26% do que a Grécia gastou em armamento nos últimos 5 anos, foi pago à Alemanha, que lhe vendeu submarinos, de que tal como nós a Grécia não precisa, aviões e blindados. E o pior de tudo é que esse governo seja ideologicamente de esquerda, uma esquerda trauliteira e extremista, veremos se o é, estando eu em crer que não.
Ora o aparecimento de tal governo veio estragar o arranjinho alemão, claro que a Grécia está à partida condenada, terá poucos ou nenhuns apoios dos governos de países igualmente sufocados por dívidas colossais e juros mercenários, cobrados pelos “amigos” da Troika, esse verdadeiro bando de meliantes.
Será pois de esperar que o grupelho de países lacaios subservientes onde claro está, Portugal e o seu actual governo abjecto pontuam, não apoiem a Grécia, sinceramente discordo, não concordando com tudo o que o actual governo grego está a tentar fazer, acredito que esta Europa precisa de se reinventar, deixar de ser a Europa da Alemanha para passar a ser um Europa verdadeiramente unida e solidária, que ocupe o seu papel no mundo, deixando de ser uma espécie de apêndice dos Estados Unidos. A Europa necessita de reavaliar os seus tratados, precisa de voltar a ser uma Europa humanista e centrada nos europeus, ao invés de ser isto que é agora, uma dependência bancária alemã.
Faz este mês anos que a divida alemã foi perdoada em 60%, os alemães têm memória curta, ou então não lhes interessa recordar, até porque a sua dívida resultou não de comprar mais do que podiam, mas de assassinar barbaramente milhares de seres humanos!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia