domingo, agosto 31, 2014

Portugal ou Labregal



Os gostos não se discutem, verdade tornada insofismável pela betitude carneiro do povinho quando quer defender a sua analfabeta prestação, no entanto e como dizia um excelente professor de quem tive a honra de ser aluno, “…mas o mau gosto discute-se”e nada como conhecer as realidades culturais, cada vez menos diferenciadas, que existem de Norte a Sul deste paraíso de sevandijas, para conseguirmos perceber que culturalmente este país é de uma labreguice extrema, vivemos aliás como dizia o outro num país rasca, mesmo muito rasca.
Uma destas cálidas noites, estávamos nas festas de uma terreola, que apesar de ser uma pequena terreola, dista, grosso modo, a apenas uns meros 40 minutos de boas estradas da capital do país, não estamos pois a falar de uma qualquer terreola insalubre perdida lá nas berças entre serranias e montes.
A banda que tocava uma espécie de metal gótico, suave, mas com bons arranques, onde mesmo os menos entendidos conseguem perceber qualidade, aí se cruzam, sonoridades tão díspares como Nirvana ou Vivaldi, a vocalista tem uma boa voz que complementa muito bem o “ensemble”, como é evidente não serão a melhor banda do mundo, mas fazem um muito bom trabalho, trazendo outros sons ao marasmo cultural do panorama das festarolas de aldeola, além disso gostam daquilo que fazem e isso consegue perceber-se no empenho que colocam nos temas que vão desfilando no alinhamento. Mas para sua grande tristeza os labregos daquela terreola, naquela noite, estavam sintonizados noutra onda.
É extremamente triste, perceber “in loco” aquilo a que as duas últimas décadas de Educação reduziram, uma população que nunca tendo primado pela elevação, cultural e cívica, em apenas vinte anos mercê de patéticas experiencias educacionais, da falta de investimento na criação de um povo educado e civilizado, os reduziram a esta massa amorfa de labregos, de analfabetos abrutalhados, que por aí andam.
E não se deixem enganar pelos festivais nem pela grande amplitude de sonoridades que se podem ver nesse tipo de eventos, esse público é quase sempre o mesmo, é tal e qual os frequentadores das bibliotecas, se o leitor começar a frequentar uma biblioteca, ao fim de um mês conhecerá todos os utilizadores da dita instituição, conseguindo inclusive conhecer todas as suas pequenas manias e tiques, tal é o ínfimo número daqueles que frequentam as bibliotecas, exceptuando os que lá vão apenas para utilizar as instalações sanitárias.
A banda fez o seu melhor para cativar a maralha, que a pouco e pouco foi debandando, entre os ocasionais gritos “vai-te embora”, e a indiferença patética dos pobres de espírito. Acabaram de tocar, sendo substituídos por uma daquelas aberrações musicais que por aí existem aos molhos, com meninas aos pulos em trajes menores e letras de musicas de qualidade fantástica roçando o grau zero de intelecto, a maralha tinha regressado e as escadarias do largo da igreja estavam de novo repletas de basbaques de todas as idades que deliravam com as musiquetas labregas, “é disto que o meu povo gosto”, e é muito triste que assim seja.
Não precisamos todos de gostar de Mozart ou de Chopin, mas era muito mais interessante que os gostos musicais, que a cultura do povo e que a sua educação, fosse eclética para absorver e apreciar as muitas coisas de qualidade que felizmente existem, produto da carolice e do empenho dos muitos bons músicos que temos neste país, facto notável, dada a linearidade do espectro musical que faz os gostos da maralha labrega, infelizmente a qualidade não é coisa que preocupe a labregada, isso explica que um qualquer Anselmo de quinta categoria, some e siga a cantar pimbalhices rasca e encha terreiros com milhares de alimárias primárias que se dedicam a andar à bulha, pouco mais que símios, autênticos primatas inferiores desenraizados aculturados a modas cretinas, transportando para o seu dia-a-dia realidades de outras culturas.
É em verdadeiro êxtase que escutam as lamechices sem cérebro debitadas pelas poderosas colunas de som, desse grande exército de promotores da labreguice nacional. Viva Portugal, vivam os labregos que por cá habitam, vivam os políticos, as suas politicas educativas, viva a extraordinária capacidade de adaptação da labreguice e da pobreza de espírito que torna Portugal este fenómeno de imbecilização colectiva.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

Um país completamente partido



Uma das esperanças, vãs e pueris, que tínhamos com a vinda da troika, seria que essas “credíveis”, “isentas” e “honestíssimas” instituições fossem de algum préstimo, no debelar de um problema nacional que faz exaurir constantemente o erário público e à conta do qual, muito do miserabilismo em que nos encontramos hoje, talvez fosse menos incisivo.
Vãs porém foram essas esperanças. No que à corrupção concerne, as ilustres instituições, estão-se literalmente nas tintas, o que a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), pretendem é apenas assegurar que os milhões que lhes devemos por cada vez que cá põem os pés e debitam barbaridades, lhes sejam pagos, esse é o seu verdadeiro e único interesse, é assim que se alimenta a máquina de consultores que faz estudos e folhas de Excel para ditar políticas que apenas arruínam os países, mas não é disso que aqui queremos falar hoje.
A corrupção é o verdadeiro móbil deste pequeno artigo. Porque a corrupção que mina este país é um dos seus maiores problemas. Basta alias ver os serviços noticiosos dos vários canais televisivos ou folhear os diários para verificarmos que rara é a semana em que algum caso envolvendo, políticos e a corrupção não apareça em grandes parangonas, para grande gáudio da populaça que logo aponta o dedo a mais um galfarro que se abotoou com os dinheiros do erário público.
No original latino “corrupto” significava literalmente completamente destruído. O termo terá sido primeiramente utilizado por Aristóteles e mais tarde pelo grande orador Cícero, que desse modo expunha a dissolução, ética, moral e cívica dos homens públicos de Roma, sabe-se que César o grande “general” e conquistador romano era useiro e vezeiro em utilizar o suborno como forma de servir os seus fins, infelizmente parece que a romanização deixou em terras lusitanas os mais feéricos dos emuladores desse Imperador Romano, «estes lusitanos são doidos» diria o devorador de javalis mais famoso de toda a Gália, e de facto não andaria longe da razão.
Os nossos políticos são corruptos, porque nós enquanto sociedade somos corruptos, vivemos de pequenas manhosices, de esquemas e do inefável Chico-espertismo nacional, essa verdadeira escola de corruptos, sempre a tentar perceber como damos a volta ao assunto, como contornamos a situação, em suma somos um país corrupto, miseravelmente corrupto e sem escrúpulos, senão vejamos, o merceeiro rouba no peso, o lojista foge ao fisco, o polícia aceita um bacalhau e perdoa a multa, quem é multado procura logo o tal amigo para o livrar da coima, no centro de saúde ou no hospital convém sempre ter “conhecimentos” e claro está o político finca as unhacas aos milhões e abifa-se à tripa forra aos dinheiros públicos que depois distribui pelos amigos, criando desse modo uma rede tentacular que se espalha pela administração, onde os pequenos mangas-de-alpaca, são verdadeiros reis, assenhoreando-se de todas as possíveis negociatas e distribuindo sempre uma parte do saque para que o jogo sujo possa prosseguir, Portugal poderia até mudar o nome para Piratal, tal é a quantidade de flibusteiros, corsários, bucaneiros e piratas que infesta o seu território, ocultos pelas várias ilhas, enseadas e penínsulas. 
E somos de tal maneira um povo corrupto, que a própria legislação, consagra absurdos legais e especificidades técnicas arranjadas quase a pedido para que os mega corruptos e as suas redes de compadrios fiquem sempre a salvo, ainda que a coberto da fábula que se conta sobre Portugal ser um Estado de Direito, por vezes até se gastem milhões para construir casos, que um qualquer causídico estagiário desmonta, a prova-lo estão os vários espaventosos e onerosos “mega-processos”, novelas jurídicas quixotescas que vão enchendo páginas de jornais e de onde raramente alguém sai condenado, sendo porém certo que o dinheiro desaparece, Portugal é alias um caso daquilo que podemos chamar “corrupção-fantasma”, dado que ficam sempre provados os actos de corrupção, fica sempre provado o desaparecimento de milhões, mas curiosamente nunca esses factos são atribuídos a alguém, somos portanto um país curioso e digno de uma cuidada investigação, porque por cá, as actividades ditas de paranormais, não perdem tempo com vulgaridades demoníacas, como vomitar matérias viscosas de cor esverdeada ou rodar a cabeça a 380, nada disso, o ectoplasma lusitano é muito mais precavido, não vá a vida do Além entrar em crise, e deita as garras aos incautos milhões do erário público e a todas as negociatas e falcatruas que se podem fazer, daí concluirmos que Portugal não necessita de tribunais nem de Juízes, Portugal necessita isso sim de caça-Fantasmas.
Da corrupção dos pequenos nadas, à corrupção das elites politiqueiras, é um nunca mais acabar de esquemas de bandalhice dos quais pouca gente sai incólume, e onde muito pouca gente pode apontar o dedo. Quando ouvimos falar “deles” dos políticos como sendo os grandes sacripantas malévolos, devemos pensar que “eles” somos todos nós, é toda uma sociedade que se perfila na senda da corrupção endémica, culturalmente aceite e enraizada, nos caciquismos, nos amiguismos e nas redes informais de uma mão lava a outra e enquanto assim forma continuaremos a ter um país corrupto, um país imprestável um país verdadeiramente todo partido aos bocados e do qual muito pouco se aproveita.

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

quarta-feira, janeiro 15, 2014

Onde guardas os teus mortos?



Teria aí uns dez ou onze anos quando me fizeram essa pergunta. Atónito e meio aparvalhado, fiquei sem resposta. Do outro lado um franco sorriso desdentado e decorado de grossas rugas demonstrativas de uma vida de pesares, mirava-me, e continuou – ah filho, a gente tem de ter as pessoas na mimoira, sanão elas desaparecem!
Trinta e tal anos passaram num repente, e depois desse dia, comecei aguardar os meus mortos, que são pedaços da minha vida e das vidas daqueles que de alguma forma me tocaram, com quem ri ou chorei, com quem partilhei alguma coisa, porque a final a vida é isso mesmo é partilha de e moções, o resto, as tricas, as invejas, os boatos e rumores a má-língua e os pequenos ódios, são apenas fumos de uma humanidade que ainda não se conseguiu libertar do supérfluo, se alguma vez o conseguir.
A eles, aos meus mortos, guardo-os a todos num pequeno caderno, com as datas do seu falecimento, são pedaços de mim, são o reflexo de mim, pois como todos nós caminho para a memória, esse é o processo natural da vida, o caminhar cada vez mais leve para a memória. Muitos dos meus mortos, já pouca gente os recorda, se exceptuarmos a família claro, mas a sua passagem pelo mundo está ali gravada a tinta, pronta para resistir à voragem dos séculos.
Não sou religioso, aliás depois de quase duas décadas de pertença a uma organização católica, aprendi a não querer nada com essas coisas, acho piada ao Corão e à Bíblia, versões “embelezadas” da Torah, acho os mantras interessantes mas não tenho pachorra para deuses, ainda que os olimpianos e os dos panteões nórdicos, celtas e mitológicos me cativem pela beleza dos relatos e por descobrir em muitos deles a origem dos dogmas das religiões actuais. Mas cultivo a memória e os meus mortos são parte importante dessa memória.
Eusébio, apesar de não figurar no meu livro, é uma dessas memórias, vi-o ainda jogar, mas não me recordo, teria cinco ou seis anos. Mas a memória que me deixa é extraordinariamente positiva, é a memória, de um país, pobre, sem auto-estradas, sem Internet, sem troika mas feliz e essa memória vou guarda-la para sempre, Eusébio foi um homem, e como homem, cometeu excessos, era um excepcional em muita coisa, sendo a maneira como jogava futebol a que mais cativou o país, que descanse em paz!

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, outubro 28, 2013

Publiquei um Livro no Kindle, venha descobri-lo!




Estamos em 1808, as garras da águia napoleónica, estão cravadas em Portugal, após o sucesso da primeira invasão e no prelúdio das subsequentes investidas, o exército de Portugal é dissolvido, a partida de Dom João, o Príncipe Regente e de toda a família real bem como da maioria da corte e oficiais do país deixara o Reino praticamente órfão, aproveitando-se disso, Napoleão, ordena que se forme uma Legião, com o melhor das tropas portuguesas, dissolvendo o restante do exército português.
Assim a 21 de Março de 1808 um número estimado entre 8 a 9 mil homens saem de Portugal, para servirem sob as ordens do Imperador dos franceses, desde cedo a deserção foi elevada, a França terão chegado apenas uns 6 mil.
Pedro um soldado português vai conhecer um novo amor em terras estranhas, divido entre o dever e a lealdade que deve à instituição e à vontade de fugir dos opressores do seu país, desse dilema nasce a trama que fará com Pedro, acompanhado de alguns companheiros, sobreviva a custo às agruras que o conflito armado traz.
De Portugal à Rússia por caminhos e veredas, Pedro vai viver a voragem da história, entre batalhas e momentos de paz, calcorreando milhares de quilómetros por um Europa dilacerada pela guerra, acompanhamos o processo de crescimento interior de Pedro, que acaba por desertar e regressar a Portugal, pelo meio surgem personagens históricas que acrescentam densidade à trama, Napoleão, Ney, Marquês de Alorna, bem como datas eventos e locais que se tratam tanto quanto possível à luz dos olhos de um jovem que na candura própria da idade, cresce como homem.
Este é um tema relativamente obscuro, da história de Portugal, a grande maioria dos homens que integraram esta Legião pereceram no estrangeiro, o Marquês de Alorna, irmão da celebrada Marquesa, comandante da Legião morre no estrangeiro, muito poucos regressam a Portugal, onde até ao perdão régio de 1820 foram considerados traidores. Esta é a sua história ficcionada!

O LIVRO AQUI!

sexta-feira, outubro 25, 2013

O que há sobre a NSA!

Têm vindo a público nestas últimas semanas notícias sobre a NSA, sigla que significa National Security Agency ou em português Agência Nacional de Segurança estacionada em Fort Meade, no Estado do Maryland, nos Estados Unidos da América, essa grande união de estados paradigma da democracia ocidental, daí o estado em que o Ocidente se encontra.

O que faz esta rapaziada? Pergunta, pertinente esta, basicamente esta rapaziada espia. E fá-lo por todos os meios que consiga, incluindo os menos lícitos, conforme o explicitado no sítio Internet da NSA. Coligindo informação, e monitorizando todos os tipos de comunicação. Diga-se que a NSA, foi elevada ao estatuto operacional em 1981, já levando pois uns anitos de bisbilhotice, nessa altura estávamos ainda na Guerra-fria, a Perestroika e a Glasnost, precisariam ainda de quatro longos anos para surgir pois só em 1985 é que o camarada Gorbatchev chegaria ao poder.
Em 1981, o antigo canastrão de Hollywood Ronald Reagan, geria os destinos da liberdade do mundo ocidental, do outro lado mantinha-se um dos dinossauros esclerosados do comunistedo pútrido o camarada Leonid Brezhnev, que morreria no ano seguinte.

Mas voltemos ao atalho para não perdermos as cabras. A NSA nasce para espiar as comunicações, libertando a CIA desse serviço para que a segunda melhor se dedicasse às suas guerras sujas, na América Latina, em África, no Médio Oriente, na Ásia, criando, treinando e armando conhecidos paranóicos como Bin Ladden ou Saddam. Por seu turno a NSA, menos exposta, zelava pelas comunicações que interceptava como e quando queria, espiando inclusivamente os seus aliados da Europa, em que aliás os EUA nunca confiaram e mantiveram desde o problema da Guerra Hispano-americana de 1898, recorde-se o Incidente do USS Maine, e consequente intervenção de tropas dos EUA em Cuba com a intenção de democratizar e libertar a ilha do opressão colonialista de Espanha, para depois fazerem da ilha uma coutada privada dos EUA até 1958 com a tomada do poder pelos barbudos de Fidel.

Entrementes o muro de Berlim desaba, uma nova era de cordialidade parece reinar, e os EUA, precisam de novos inimigos, a NSA passa por um período de adaptação, continuando porém a sua missão de meter o bedelho em tudo o que são comunicações, data de 2000 um programa de recolha e analise de informação que ganhou popularmente o nome de Projecto Echelon, que mais não era que o início da adaptação da NSA à era da informática, este projecto assentou num acordo entre os EUA, o Reino Unido, o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia, acordo esse que permitiu à rapaziada da NSA espiar do Pacífico ao Atlântico sem oposição. E falamos de um processo complexo de espionagem e monitorização de comunicações, civis, militares, electrónicas, digitais, de radares e igualmente de contra medidas que obstem à escuta das comunicações pelos potenciais “inimigos”.

A actividade da NSA, só saltou para a ribalta, porque se descobriu através não apenas dos famosos Wikileaks mas também de Snowden, que a NSA anda a espiar não apenas as pessoas insignificantes como a minha pessoa e a pessoa do dilecto leitor, mas também gente dita importante, como se não o fossemos todos, como é o caso da presidente do Brasil Dilma Roussef e mais recentemente a Kaiser Angela Merkel, e vai daí que a titi Angela parece que se irritou e vai pedir satisfações ao Obama. E não esqueçam que os americanos precisam de saber que tipo de tralha, vendem os suiços e os alemães ao Irão, ao Paquistão e a outros países de género, falamos nomeadamente do tráfico de equipamento especializado para tratar urânio e outras matérias do género.

Resumindo, concretamente não se sabe o que a NSA sabe ou não sobre cada habitante do planeta terra, mas há trinta anos que esta agência espia as comunicações das pessoas, anteriormente, eram os telefones, hoje são os emails, os telemóveis, os computadores e as redes sociais tudo a ser coligido e analisado pelo pessoal de Fort Meade, para quê, não sabemos, as desculpas são as mesmas de sempre, garantir a liberdade, combater o terrorismo e por aí adiante, no entanto estamos em crer que existe ali mais do que aquilo que realmente se vê, e também acreditamos que jamais saberemos a verdade.

Portanto da próxima vez que enviar um email com conteúdo pornográfico ou tiver uma suposta conversa sigilosa lembre-se que de dizer olá ao pessoal da NSA! E não confie muito nos Iphones, smartphones e coisas do género, um progama para espiar essas traquitanas custa 50 Euros e existem dezenas deles disponíveis!
 
Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quarta-feira, setembro 11, 2013

Vote!

Aproximam-se as eleições autárquicas, as posições encontram-se claramente definidas e extremadas, com as trapalhadas costumeiras pelo meio, o que deixa o pobre eleitor varado de dúvidas. As várias propostas que se apresentam, oscilam entre as historietas gastas dos aparelhos partidários e as romanescas diatribes dos grupelhos organizados ditos “movimentos independentes”, que de independentes pouco o nada possuem.
Encontra-se o pobre eleitor numa encruzilhada. Sabendo nós do analfabetismo político da nossa sociedade, onde continuamos a votar por todos os motivos e mais alguns, excepto por motivos objectivos. Esperemos que a balbúrdia não redunde como quase sempre, nos últimos trinta anos, numa vitória expressiva da abstenção. A abstenção que tem maculado os actos eleitorais, devia já ter feito os políticos perceber que as coisas não estão bem, infelizmente como somos dirigidos por organizações partidárias que mais se parecem com as escuras associações de crime organizado, ninguém parece colher desse dado informação útil.
Votar em consciência exige de cada pessoa uma cuidada reflexão, uma ponderada análise às propostas das várias candidaturas, para que objectivamente se escolha a que se considere mais apta e mais capaz e não porque o candidato fala bem, ou porque arranjou o passeio, ou porque é primo de fulano de sicrano, intrinsecamente uma candidatura tem de ter ideias, que ajudem a melhorar a vida das pessoas, é isso que se espera de alguém que se propõe governar em nosso nome, que nos proteja, que traga qualidade de vida às nossas terras, e qualidade de vida não são estradas e prédios!
O pior é que quando olhamos para os programas das candidaturas, a coisa é um deserto de ideias, uma aridez intelectual confrangedora, que nos faz realmente considerar que se o tal cidadão que se abstêm não terá razão, infelizmente esta é triste realidade a que assistimos, as variadas listas, são de uma pobreza franciscana atroz, que se explica pelos fracos níveis de cidadania activa de uma população que parece mais interessada em tricas e questiúnculas ridículas, que perdeu por completo a sua identidade, o seu comportamento gregário, a sua educação e civismo, bem como pela fraquíssima qualidade geral dos candidatos, frouxos, culturalmente néscios, academicamente miserandos, sem experiência de vida, apenas meros tachistas oportunistas.
Mas apesar de todos esses escolhos, é essencial que todos cumpram o dever de activamente exercer o seu direito de voto. Só assim podem reclamar com mais acuidade os seus direitos e questionar os governantes acerca das opções que escolhem, num modelo livre e democrático. Por muito que ache que o exercício do voto não serve para nada, vá votar, exerça o seu dever, vote!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia
 

terça-feira, julho 23, 2013

Os cegos que até têm vista, mas que não pensam!



Eu até entendo a “partidarite”, as inclinações ideológicas, as simpatias e outras inclinações ou propensões para defender este ou aquele candidato deste e daqueloutro partido., o que não entendo é a falta de honestidade intelectual, o que não entendo é a falta de intelecto de objectividade de honra e de carácter.
O intróito serve para aclarar as ideias para discorrer sobre a temática dos muitos culpados por terem tornado este país numa colónia de esburgadores profissionais, lestos apenas quando se trata de aliviar as já depauperadas algibeiras do Zé Pagão.
Consoante se seja afecto ao PSD, ao PS, ao PCP ou a qualquer dos outros partidelhos, assim se ataca ou defende as insalubres criaturas que tem tido papéis de poder nesses grupos mafiosos organizados sob a capa de partidos, assim à vez é delicioso ver os comentários, quando se diz mal de Soares, ou quando se diz mal de Cavaco, para além da qualidade mais ou menos miserável dos comentários, o mais interessante é ver a partidarite que ofusca as mentes dos pobres comentadores de pacotilha.
Vamos a factos, Cavaco, esbanjou os fundos comunitários em alcatrão e obras faraónicas como o CCB, a entrega da exploração das pontes 25 Abril e Vasco da Gama aos privados num esquema ruinoso que abriria, com Durão Barroso, a porta às PPP’s, foram ainda os seus amigos políticos que criaram o BPN e a SLN, locais dos quais Cavaco também lucrou, e as gestões ruinosas das empresas públicas. Com Guterres a coisa continuou ou melhor descambou, a Guterres faltou a capacidade e a vontade de controlar as máfias e os grupelhos de pressão que os 10 anos de Cavaquismo tinha permitido, veio Barroso e voltaram os esquemas mafiosos cavaquistas, continuam-se as PPP’s que vão alcançar a glória da roubalheira com Sócrates mas descobrem-se novos métodos de trapaça os famosos contratos “Swap”.
Chegados ao consulado Sócrates, a crise externa ditou o fim do breve sonho, avolumaram-se as falcatruas e vigarices, a impunidade, típica das “repúblicas bananeras” dos idos de 60 do século anterior, anda à solta, ninguém é responsabilizado por nada. Por fim terminamos naquilo que temos agora, um governo de rebotalho, uma cambada titubeante de títeres de uma Troika, que agora exige o que antes deu de borla. Ninguém, nem mesmo os partidos de faz de conta que são oposição saem incólumes desta cloaca de imundice, sendo certo que PSD e PS são os grandes responsáveis pela tragédia nacional, no seu seio militam os grandes vampiros do erário público, os grandes porcalhões do capital, travestidos de deputados, autarcas, banqueiros e dirigentes políticos, todos irmanados na única instituição nacional que ainda prospera, a trafulhice, o roubo, a vigarice e o assalto aos dinheiros públicos!
Por isso quando vejo pessoas por quem tenho consideração, muito apressadas a partilhar e a comentar artigos que atacam antagonistas políticos, fico enojado, com essa pouca utilização dos neurónios, com essa indigência intelectual e pouquíssima honestidade intelectual que quase os faz derivar para oca subserviência dos vermes capados e obtusos a quem a canga e os entre-olhos não permitem ver a redentora luz. Na verdade da esquerda à direita, não faltam exemplos, muitos, de vampiros ladrões e vigaristas, por isso o melhor exercício de cidadania é pensar objectivamente sem ter o pensamento escravizado por doutrinas e ideologias estafadas! Numa palavra, “pensem”!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia   

domingo, julho 14, 2013

O "Efeito Tiririca" nos políticos de Portugal



O efeito “Tiririca” na política portuguesa tornou-se mais intenso nos últimos 20 anos. Mercê do desaparecimento de figuras cuja inquestionável qualidade, académica, moral e pessoal fazia toda a diferença. Hoje, se olharmos para a miseranda situação, apesar, diga-se em abono da verdade, que este não é um problema apenas português, sendo porém certo que Portugal, tendo em conta a fragilidade cultural, educacional e civilizacional está numa particularmente periclitante situação, confrontamo-nos com um terrível vazio que afecta os nossos quadros políticos, uma mais que confrangedora falta de qualidade, afecta os senhores do poder.
De que falamos quando aludimos ao “efeito Tiririca”? Recorrendo a um conhecido fenómeno da política brasileira, forjamos este conceito e falamos obviamente numa acentuada falta de qualidade dos políticos nacionais, falamos obviamente de deputados, de governantes e claro e ainda mais preocupante dos eleitos locais. Qualitativamente, é atroz e pavoroso a falta de qualidades académicas, técnicas e pior de qualidades pessoais, da moral e da cultura do mérito e do respeito pelos eleitores.
Esta falta de qualidade, prova-se concretamente pelo estado do país, pelo estado das edilidades e pela verdadeira catástrofe que se abateu sobre este país, produto de anos de desvario económico e de completa e criminosa incompetência, a vivermos num país saudável, uma grande maioria dos eleitos estaria atrás das grades, culpados que são de todo o tipo de crimes económicos e omissões, provas disso, é olhar as vilas e cidades deste pobre Portugal, sobre dimensionadas, cheias de construção de péssima qualidade, completamente descaracterizadas, com redes de esgotos desadequadas, sem tratamento de esgotos ou com deficiências graves nesse tratamento, com infra-estruturas megalómanas que endividaram o erário público e com o interior completamente desertificado.
Os políticos nacionais são efectivamente de muito má qualidade, isso reflecte-se no seu desempenho diário, reflecte-se na rede de compadrios e caciquismo, reflecte-se nas redes da pequena corrupção que vai crescendo pela administração acima até chegar aos mais altos magistrados da nação e aos esquemas da grande corrupção da sociedade, reflexo daquilo que observou Treisman (2000), a corrupção tem sido responsabilizada pelas falhas de certos países "em desenvolvimento" o desenvolvimento e pesquisa empírica recente confirma uma ligação entre corrupção percebida e maior e menor investimento e crescimento de um país. A falta de qualidade dos nossos políticos está intimamente relacionada com a falta de Educação, com uma verdadeira preocupação com a Educação, percebendo-se que há muito que os nossos políticos intuíram que a Educação é a chave de tudo, daí o tão pouco esforço que se tem feito em Portugal para educar o país, a verdadeira educação não é oferecer o 12º Ano a eito, a verdadeira educação é ensinar a questionar, ensinar a pensar e nesse campo há muito que deixamos de ter Educação.    
Parece que de um modo geral aos corredores do poder apenas chegam regra geral os mais ineptos e incapazes, Caselli & Morelli (2004) colocam essa mesma questão quando teorizam que os cidadãos de baixa qualidade tem uma "vantagem comparativa" ao perseguirem um cargo político, porque os seus salários no mercado de trabalho são inferiores aos dos cidadãos de alta qualidade (competência), e ou porque eles colhem retornos mais elevados de cargos (honestidade). Sendo nesta dicotomia de competência e honestidade que os políticos portugueses falham completamente, sendo muito difícil achar exemplos de políticos competentes e ao mesmo tempo honestos o que parece confirmar que estamos certos quando declaramos que a classe política portuguesa sofre do “efeito Tiririca”.
Com um período eleitoral à porta, de norte a sul milhares de pessoas se preparam para disputar lugares de cariz político, houvesse uma população culturalmente evoluída e educada, como identificou Eicher et al (2006), mais educação aumenta a produção aumentando também os valores monetários disponíveis para a corrupção, mas também aumenta a probabilidade do eleitorado identificar comportamentos corruptos e expulsar os políticos corruptos o que nos permite afirmar que com mais educação o índice da corrupção seria bem menor, logo a qualidade dos eleitos seria muito melhor bem como a vigilância sobre os mesmos.
No entanto a realidade nacional, não é essa, temos uma sociedade em grande parte dissociada do poder político, temos um poder político alienado aos grupos de pressão que se deixa corromper e promove a corrupção, o laxismo e a inépcia o que nos deixe à mercê das redes mafiosas e dos interesses escuros que nunca poderiam ter o sucesso que têm acaso não existisse uma extremamente bem montada rede de compadrios e conivências, e muito dessa problemática advém da miserável qualidade, pessoal, técnica e moral dos políticos portugueses e esse é o grande drama do "efeito Tiririca" na condução política de Portugal.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

Referências:
Caselli, F. & Morelli, M. (2004). BAD POLITICIANS. Journal of Public Economics. Retirado de: http://personal.lse.ac.uk/casellif/papers/bad.pdf. acedido em 13 de Julho de 2013

Eicher, T; García-Peñalosa, C. & van Ypersele, T. (2006). Education, Corruption, and the Distribution of Income. Retirado de: http://faculty.washington.edu/te/papers/ept_1.pdf. acedido em 9 de Julho de 2012  

Treisman, D. (2000). THE CAUSES OF CORRUPTION: A CROSS-NATIONAL STUDY. Journal of Public Economics. Retirado de: http://www.sscnet.ucla.edu/polisci/faculty/treisman/Papers/causes.pdf. acedido em 12 de Julho de 2013

segunda-feira, julho 08, 2013

O Golpe de estado Palaciano!



Portas é um animal político! Dado adquirido que mais uma vez se confirmou com este autentico golpe de estado, porque aquilo que realmente se passou foi um golpe de estado. O partido minoritário toma conta do governo e faz o partido maioritário refém, traduzindo por miúdos, Portas, embarretou Coelho e tomou conta do governo, numa jogada digna de uma opereta bufa, tudo patrocinado pelo padroeiro dos bobos, essa insalubre e cinzenta figura do Presidente, que para nada serve, excepto claro está para esbanjar dinheiro.
Mas não é a patética figurinha decorativa presidencial, que aqui nos trouxe hoje, mas a maquiavélica e não confiável figurinha de Portas. Dizer que Portas é um malandrete, será apoucar a capacidade de fazer intriga que o dito rapaz possui, uma verdadeira “prima donna” do intriguismo e da peixeirada, porque o que aconteceu foi uma peixeirada de varinas desavindas e de faca na liga, prontas a desferirem umas nas outras todo o tipo de golpes, pelo meio Coelho, percebeu que estava só, que os ratos abandonaram o navio, o amigo Ângelo, essa tenebrosa personagem, foi apenas o mor dos exemplos, o pobre Coelho não foi só deixado aos lobos, com depressa percebeu que o malvado Portas o fizera enfiar um monumental barrete.
A criatura Portas não sai porém incólume, a sua urdidura começou-se a perceber no início deste ano, as constantes fugas de informação, que só poderiam ser oriundas de dentro, o constante sabotar do trabalho do pobre Álvarito “Pastel de Nata”, o assumir mais recentemente de um verdadeiro ministério sombra da Economia, com Portas a assumir a despesa dessa representação com a desenvoltura de uma “prima ballerina”, tudo se conjugava para que a serpente desse o bote, que estraçalharia a presa, o trabalho foi incrivelmente bem feito, qual cobra constritora, Portas foi apertando, primeiro suavemente, depois com cada vez mais vigor, esperando o momento certo que ele saberia que aconteceria, esse momento foi quando Gaspar bateu com a porta e aparece o nome da dama Albuquerque, Portas tinha aí a oportunidade para ensaiar uma das suas maquiavélicas e estudas arrancadas destinadas a ter um impacto cénico e a esconder o verdadeiro desígnio, demitia-se irrevogavelmente, ou talvez não, esse seria o seu trunfo na manga, sabendo que a sua saída seria a queda inevitável do governo Zombie que teima em subsistir alimentado pela seiva presidencial!  
Consumado o golpe de estado, Portas exulta em triunfo, consegue voltar com poderes reforçados, consegue trazer para a governação um outro egocentrista, Pires de Lima, que à primeira oportunidade que tenha irá entalar Portas, e Lima surge como um sebastianista providencial e salvador, que fará de uma penada a redenção de uma economia que não existe, de uma indústria que destruíram, de uma agricultura que arruinaram enfim de um país que foi assassinado pelos mesmos que gritam aqui d’el Rei, pela sua salvação.
O PSD, é um mero refém do CDS, vítima do seu orgulho e soberba, perdeu espaço político de manobra, o que já era difícil, irá tornar-se incompatível, esperemos com sincera esperança, que este governo se aguente, intimamente estamos em dúvidas, dado que o CDS, canibaliza o Governo, corrói a imagem do pobre e desnorteado Coelho, que provou nunca ter sido uma verdadeira alternativa, Coelho foi um erro que o PSD cometeu e que lhe sairá caro, Portas, mostrou de novo aquilo que é, um narcisista, egocêntrico com uma vaidade desmedida, que vai destruir o que resta, mas a ver vamos no que isto dará!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia