terça-feira, julho 23, 2013

Os cegos que até têm vista, mas que não pensam!



Eu até entendo a “partidarite”, as inclinações ideológicas, as simpatias e outras inclinações ou propensões para defender este ou aquele candidato deste e daqueloutro partido., o que não entendo é a falta de honestidade intelectual, o que não entendo é a falta de intelecto de objectividade de honra e de carácter.
O intróito serve para aclarar as ideias para discorrer sobre a temática dos muitos culpados por terem tornado este país numa colónia de esburgadores profissionais, lestos apenas quando se trata de aliviar as já depauperadas algibeiras do Zé Pagão.
Consoante se seja afecto ao PSD, ao PS, ao PCP ou a qualquer dos outros partidelhos, assim se ataca ou defende as insalubres criaturas que tem tido papéis de poder nesses grupos mafiosos organizados sob a capa de partidos, assim à vez é delicioso ver os comentários, quando se diz mal de Soares, ou quando se diz mal de Cavaco, para além da qualidade mais ou menos miserável dos comentários, o mais interessante é ver a partidarite que ofusca as mentes dos pobres comentadores de pacotilha.
Vamos a factos, Cavaco, esbanjou os fundos comunitários em alcatrão e obras faraónicas como o CCB, a entrega da exploração das pontes 25 Abril e Vasco da Gama aos privados num esquema ruinoso que abriria, com Durão Barroso, a porta às PPP’s, foram ainda os seus amigos políticos que criaram o BPN e a SLN, locais dos quais Cavaco também lucrou, e as gestões ruinosas das empresas públicas. Com Guterres a coisa continuou ou melhor descambou, a Guterres faltou a capacidade e a vontade de controlar as máfias e os grupelhos de pressão que os 10 anos de Cavaquismo tinha permitido, veio Barroso e voltaram os esquemas mafiosos cavaquistas, continuam-se as PPP’s que vão alcançar a glória da roubalheira com Sócrates mas descobrem-se novos métodos de trapaça os famosos contratos “Swap”.
Chegados ao consulado Sócrates, a crise externa ditou o fim do breve sonho, avolumaram-se as falcatruas e vigarices, a impunidade, típica das “repúblicas bananeras” dos idos de 60 do século anterior, anda à solta, ninguém é responsabilizado por nada. Por fim terminamos naquilo que temos agora, um governo de rebotalho, uma cambada titubeante de títeres de uma Troika, que agora exige o que antes deu de borla. Ninguém, nem mesmo os partidos de faz de conta que são oposição saem incólumes desta cloaca de imundice, sendo certo que PSD e PS são os grandes responsáveis pela tragédia nacional, no seu seio militam os grandes vampiros do erário público, os grandes porcalhões do capital, travestidos de deputados, autarcas, banqueiros e dirigentes políticos, todos irmanados na única instituição nacional que ainda prospera, a trafulhice, o roubo, a vigarice e o assalto aos dinheiros públicos!
Por isso quando vejo pessoas por quem tenho consideração, muito apressadas a partilhar e a comentar artigos que atacam antagonistas políticos, fico enojado, com essa pouca utilização dos neurónios, com essa indigência intelectual e pouquíssima honestidade intelectual que quase os faz derivar para oca subserviência dos vermes capados e obtusos a quem a canga e os entre-olhos não permitem ver a redentora luz. Na verdade da esquerda à direita, não faltam exemplos, muitos, de vampiros ladrões e vigaristas, por isso o melhor exercício de cidadania é pensar objectivamente sem ter o pensamento escravizado por doutrinas e ideologias estafadas! Numa palavra, “pensem”!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia   

domingo, julho 14, 2013

O "Efeito Tiririca" nos políticos de Portugal



O efeito “Tiririca” na política portuguesa tornou-se mais intenso nos últimos 20 anos. Mercê do desaparecimento de figuras cuja inquestionável qualidade, académica, moral e pessoal fazia toda a diferença. Hoje, se olharmos para a miseranda situação, apesar, diga-se em abono da verdade, que este não é um problema apenas português, sendo porém certo que Portugal, tendo em conta a fragilidade cultural, educacional e civilizacional está numa particularmente periclitante situação, confrontamo-nos com um terrível vazio que afecta os nossos quadros políticos, uma mais que confrangedora falta de qualidade, afecta os senhores do poder.
De que falamos quando aludimos ao “efeito Tiririca”? Recorrendo a um conhecido fenómeno da política brasileira, forjamos este conceito e falamos obviamente numa acentuada falta de qualidade dos políticos nacionais, falamos obviamente de deputados, de governantes e claro e ainda mais preocupante dos eleitos locais. Qualitativamente, é atroz e pavoroso a falta de qualidades académicas, técnicas e pior de qualidades pessoais, da moral e da cultura do mérito e do respeito pelos eleitores.
Esta falta de qualidade, prova-se concretamente pelo estado do país, pelo estado das edilidades e pela verdadeira catástrofe que se abateu sobre este país, produto de anos de desvario económico e de completa e criminosa incompetência, a vivermos num país saudável, uma grande maioria dos eleitos estaria atrás das grades, culpados que são de todo o tipo de crimes económicos e omissões, provas disso, é olhar as vilas e cidades deste pobre Portugal, sobre dimensionadas, cheias de construção de péssima qualidade, completamente descaracterizadas, com redes de esgotos desadequadas, sem tratamento de esgotos ou com deficiências graves nesse tratamento, com infra-estruturas megalómanas que endividaram o erário público e com o interior completamente desertificado.
Os políticos nacionais são efectivamente de muito má qualidade, isso reflecte-se no seu desempenho diário, reflecte-se na rede de compadrios e caciquismo, reflecte-se nas redes da pequena corrupção que vai crescendo pela administração acima até chegar aos mais altos magistrados da nação e aos esquemas da grande corrupção da sociedade, reflexo daquilo que observou Treisman (2000), a corrupção tem sido responsabilizada pelas falhas de certos países "em desenvolvimento" o desenvolvimento e pesquisa empírica recente confirma uma ligação entre corrupção percebida e maior e menor investimento e crescimento de um país. A falta de qualidade dos nossos políticos está intimamente relacionada com a falta de Educação, com uma verdadeira preocupação com a Educação, percebendo-se que há muito que os nossos políticos intuíram que a Educação é a chave de tudo, daí o tão pouco esforço que se tem feito em Portugal para educar o país, a verdadeira educação não é oferecer o 12º Ano a eito, a verdadeira educação é ensinar a questionar, ensinar a pensar e nesse campo há muito que deixamos de ter Educação.    
Parece que de um modo geral aos corredores do poder apenas chegam regra geral os mais ineptos e incapazes, Caselli & Morelli (2004) colocam essa mesma questão quando teorizam que os cidadãos de baixa qualidade tem uma "vantagem comparativa" ao perseguirem um cargo político, porque os seus salários no mercado de trabalho são inferiores aos dos cidadãos de alta qualidade (competência), e ou porque eles colhem retornos mais elevados de cargos (honestidade). Sendo nesta dicotomia de competência e honestidade que os políticos portugueses falham completamente, sendo muito difícil achar exemplos de políticos competentes e ao mesmo tempo honestos o que parece confirmar que estamos certos quando declaramos que a classe política portuguesa sofre do “efeito Tiririca”.
Com um período eleitoral à porta, de norte a sul milhares de pessoas se preparam para disputar lugares de cariz político, houvesse uma população culturalmente evoluída e educada, como identificou Eicher et al (2006), mais educação aumenta a produção aumentando também os valores monetários disponíveis para a corrupção, mas também aumenta a probabilidade do eleitorado identificar comportamentos corruptos e expulsar os políticos corruptos o que nos permite afirmar que com mais educação o índice da corrupção seria bem menor, logo a qualidade dos eleitos seria muito melhor bem como a vigilância sobre os mesmos.
No entanto a realidade nacional, não é essa, temos uma sociedade em grande parte dissociada do poder político, temos um poder político alienado aos grupos de pressão que se deixa corromper e promove a corrupção, o laxismo e a inépcia o que nos deixe à mercê das redes mafiosas e dos interesses escuros que nunca poderiam ter o sucesso que têm acaso não existisse uma extremamente bem montada rede de compadrios e conivências, e muito dessa problemática advém da miserável qualidade, pessoal, técnica e moral dos políticos portugueses e esse é o grande drama do "efeito Tiririca" na condução política de Portugal.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

Referências:
Caselli, F. & Morelli, M. (2004). BAD POLITICIANS. Journal of Public Economics. Retirado de: http://personal.lse.ac.uk/casellif/papers/bad.pdf. acedido em 13 de Julho de 2013

Eicher, T; García-Peñalosa, C. & van Ypersele, T. (2006). Education, Corruption, and the Distribution of Income. Retirado de: http://faculty.washington.edu/te/papers/ept_1.pdf. acedido em 9 de Julho de 2012  

Treisman, D. (2000). THE CAUSES OF CORRUPTION: A CROSS-NATIONAL STUDY. Journal of Public Economics. Retirado de: http://www.sscnet.ucla.edu/polisci/faculty/treisman/Papers/causes.pdf. acedido em 12 de Julho de 2013

segunda-feira, julho 08, 2013

O Golpe de estado Palaciano!



Portas é um animal político! Dado adquirido que mais uma vez se confirmou com este autentico golpe de estado, porque aquilo que realmente se passou foi um golpe de estado. O partido minoritário toma conta do governo e faz o partido maioritário refém, traduzindo por miúdos, Portas, embarretou Coelho e tomou conta do governo, numa jogada digna de uma opereta bufa, tudo patrocinado pelo padroeiro dos bobos, essa insalubre e cinzenta figura do Presidente, que para nada serve, excepto claro está para esbanjar dinheiro.
Mas não é a patética figurinha decorativa presidencial, que aqui nos trouxe hoje, mas a maquiavélica e não confiável figurinha de Portas. Dizer que Portas é um malandrete, será apoucar a capacidade de fazer intriga que o dito rapaz possui, uma verdadeira “prima donna” do intriguismo e da peixeirada, porque o que aconteceu foi uma peixeirada de varinas desavindas e de faca na liga, prontas a desferirem umas nas outras todo o tipo de golpes, pelo meio Coelho, percebeu que estava só, que os ratos abandonaram o navio, o amigo Ângelo, essa tenebrosa personagem, foi apenas o mor dos exemplos, o pobre Coelho não foi só deixado aos lobos, com depressa percebeu que o malvado Portas o fizera enfiar um monumental barrete.
A criatura Portas não sai porém incólume, a sua urdidura começou-se a perceber no início deste ano, as constantes fugas de informação, que só poderiam ser oriundas de dentro, o constante sabotar do trabalho do pobre Álvarito “Pastel de Nata”, o assumir mais recentemente de um verdadeiro ministério sombra da Economia, com Portas a assumir a despesa dessa representação com a desenvoltura de uma “prima ballerina”, tudo se conjugava para que a serpente desse o bote, que estraçalharia a presa, o trabalho foi incrivelmente bem feito, qual cobra constritora, Portas foi apertando, primeiro suavemente, depois com cada vez mais vigor, esperando o momento certo que ele saberia que aconteceria, esse momento foi quando Gaspar bateu com a porta e aparece o nome da dama Albuquerque, Portas tinha aí a oportunidade para ensaiar uma das suas maquiavélicas e estudas arrancadas destinadas a ter um impacto cénico e a esconder o verdadeiro desígnio, demitia-se irrevogavelmente, ou talvez não, esse seria o seu trunfo na manga, sabendo que a sua saída seria a queda inevitável do governo Zombie que teima em subsistir alimentado pela seiva presidencial!  
Consumado o golpe de estado, Portas exulta em triunfo, consegue voltar com poderes reforçados, consegue trazer para a governação um outro egocentrista, Pires de Lima, que à primeira oportunidade que tenha irá entalar Portas, e Lima surge como um sebastianista providencial e salvador, que fará de uma penada a redenção de uma economia que não existe, de uma indústria que destruíram, de uma agricultura que arruinaram enfim de um país que foi assassinado pelos mesmos que gritam aqui d’el Rei, pela sua salvação.
O PSD, é um mero refém do CDS, vítima do seu orgulho e soberba, perdeu espaço político de manobra, o que já era difícil, irá tornar-se incompatível, esperemos com sincera esperança, que este governo se aguente, intimamente estamos em dúvidas, dado que o CDS, canibaliza o Governo, corrói a imagem do pobre e desnorteado Coelho, que provou nunca ter sido uma verdadeira alternativa, Coelho foi um erro que o PSD cometeu e que lhe sairá caro, Portas, mostrou de novo aquilo que é, um narcisista, egocêntrico com uma vaidade desmedida, que vai destruir o que resta, mas a ver vamos no que isto dará!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

domingo, junho 16, 2013

As eleições!



Daqui a pouco mais de três meses teremos eleições autárquicas, de Norte a Sul a dança das cadeiras, a velhacaria, a falta de decência e a mentira vai andar a rodopiar pelos média e pelas redes sociais. Catadupas de informações contraditórias, golpes baixos e sem vergonhice geral, eis o retrato das eleições em Portugal, será pior noutros sítios, mas não é aí que vivo!
Portugal tem um problema endémico com as chefias, que foram sempre, ou quase sempre, com raras excepções de uma mediocridade pavorosa, que nem o miserável estado de desenvolvimento cultural do país explica. Os candidatos por norma rodeiam-se de comparsas da mesma camarilha partidária, não interessa a competência, a capacidade e ou a formação e integridade, interessa apenas que tragam votos, sempre tive esperanças que um dia isto mudasse, ingénuo clamarão alguns de vós, patego balbuciarão outros com um riso sardónico, pois talvez seja ambas as coisas, mas continuo a acreditar.
Sei porém que assim não será, mais uma vez. Portugal tem as chefias que merece, basta olhar para o governo e para a administração pública, central e local, deixem-me que me recorde de um episódio que aconteceu comigo, a propósito do processo de avaliação dos funcionários públicos, na altura desempenha funções equiparadas a tal, a pessoa que desempenhava as funções de superior hierárquico directo, chama-me ao seu gabinete, e diz-me que não sabe como me classificar porque não sabia o que eu fazia, o local onde eu desempenhava funções distava 3 ou 4 metros do gabinete desta pessoa, pois meus caros nunca tive oportunidade de ouvir um tão grande atestado de incapacidade e de atroz pobreza franciscana intelectual passado por uma pessoa a si mesma como nesta ocasião.
E se pensam que este é caso única em que uma chefia demonstra ser completamente inepta e incapaz, desde já vos digo que não, esse é um dos problemas de Portugal, quem manda não o sabe fazer, não tem competência, desconhece o que são cadeias de comando e os seus processos, inquina a cadeia hierárquica e mina completamente o trabalho, pior promove o compadrio, o clientelismo e faz com que o bom funcionário desista de o ser.
Ora este problema de más escolhas é perfeitamente visível no caso da política em que os dirigentes se fazem rodear as mais das vezes por ineptos, que apenas possuem o cartão partidário e capacidade de lambe botas, sem mais méritos que se lhe reconheçam, os políticos têm de começar a perceber que mesmo que as massas sejam de uma ignorância atroz e pavorosa, cada vez mais existe uma minoria em crescendo que mais informada e atenta, vai alertando as elites poderosas de que a continuação da incompetência, do laxismo e da miserável corrupção, deixaram de ser opções para governar.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quarta-feira, junho 12, 2013

Um discurso qualquer!



Sua Excelência o senhor Presidente da República é digno de toda a nossa piedade. Prova-o o seu discurso do passado 10 de Junho, bem, chamar discurso aquela desconexa e insonsa algaraviada agrícola, é talvez pecar por excesso, diremos antes que Sua Excelência o senhor Presidente da República, fantasiou sobre um tema que lhe é caro, ou não tivesse sido o mesmo digno personagem político que enquanto Primeiro-ministro, primou por iniciar a suicidária destruição da agricultura nacional, não admira pois que o escriba o tivesse apodado de trabalhador circense dedicado à comédia, visto que está, que Sua Excelência o senhor Presidente da República adora pôr-se a jeito de ser parodiado, tamanhas e tão grossas são as atoardas que lhe saem boca fora sem nenhum freio, sentido ou réstia de inteligibilidade que se consiga vislumbrar.
Sua Excelência o senhor Presidente da República, é digno de todo a nossa compreensão e dó. Gostamos particularmente da subserviente piscadela de olho ao militaredo, falando da bravura e tal, do brio e da honra, avisando a pobre avantesma titular da pasta da Defesa, que os cortes na família militar e nas suas muitas alcavalas, prebendas, benefícios e mordomias não podem ser alvo de corte cego, Sua Excelência o senhor Presidente da República, revelou a sua particular atenção ao momento, pondo-se ou antes armando-se em defensor dos patrícios castrenses, qual cavaleiro Quixote, mais uma vez se colocou ao jeito de que outro escriba irritado lhe dedique outro mimo circense.
Sua Excelência o senhor Presidente da República, quebrou hoje um dos seus inúmeros tiques, a saber, Sua Excelência o senhor Presidente da República é useiro e vezeiro utilizador da frase “… quando estou no estrangeiro não comento questões de Portugal…”, ouvimo-lo milhentas vezes proferir tal barbaridade a propósito de pertinentes questões nacionais, mas hoje para dar um ar da sua, quase nenhuma, graça, resolveu Sua Excelência o senhor Presidente da República, falar da greve dos professores, alinhando a sua bússola com a do Governo, de quem é aliás o santinho milagreiro e protector, foi uma declaração absolutamente falha de vergonha.
Devo dizer que hoje também ouvi de Sua Excelência o senhor Presidente da República algo com que concordo inteiramente, disse Sua Excelência o senhor Presidente da República, … Portugal tem instituições a mais… falava a insigne criatura da Troika, mas as suas palavras levadas à letra neste Portugal, soam com extraordinária pertinácia, sendo que a Presidência da República é uma dessas instituições, sobre a qual não se vislumbra a mínima das prestezas, era disso que Sua Excelência o senhor Presidente da República deveria estar a falar, aconselhando ao Governo e ao Povo que pondere a extinção de tal cargo honorífico que tanto dinheiro esbanja sem préstimo algum para a miseranda Nação.
Ouvi há pouco que um qualquer desgraçado foi multado em 1300 euros depois de ter sido detido no domingo passado em Elvas por difamar o Presidente da República, Cavaco Silva. “Vai trabalhar mas é!”, garante o homem ter dito, “… chamou-lhe chulo e malandro.” Dizem os esbirros paisanos que o detiveram, esta situação é bem reveladora da miserável qualidade dos nossos governantes!
Resumindo, Portugal necessita tanto de um Presidente da República, deste, como de furúnculos no traseiro, temos pelo cargo o respeito a que nos obrigam os nossos deveres de cidadão, por quem o exerce, temos o respeito que é devido a um ser humano, pelo político sentimos um profundo asco, sentimos um verdadeiro nojo, é vergonhoso ter gente desta em cargos desta natureza.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quarta-feira, maio 22, 2013

Ecce Conselho de Estado!



Eu vejo o Conselho de Estado assim à laia de uma mesa de estrutura em metal pintada de verde-escuro com tampo de madeira, plantada à sombra de um telheiro ou de uma bonita árvore, onde uns pândegos, velhotes, entre uma piscadela a mirar o traseiro da miúda que passa, jogam uma suecada, entrecortada de dichotes e piadolas de gosto questionável.
Claro que o Conselho de Estado, é muito mais que isso, é um órgão consultivo do Presidente da República, que serve para nada e do qual menos ainda se aproveita, é uma daquelas insondáveis irracionalidades de que este Estado está prenhe, reveja-se a constituição e com seriedade acaba-se com tão degradante imagem desta cadavérica pseudo democracia!  
Cavaco, essa esfinge seráfica presidencial, resolveu-se a mostrar ao país, perplexo com a inacção da cadeira presidencial, fazer, como dizia o outro, “…alguma coisa, para que tudo fique na mesma.” E à falta de melhor, convocou o famoso e inútil Conselho de Estado, foi um acto de desespero, a tentativa final de mostrar ao indígena que afinal a função de Presidente da República é muito importante, ao invés da realidade, que nos diz que a função de Presidente da República é uma completa inutilidade despesista, que custa ao país dinheiro demais para o que produz que é nada! Cavaco porém tem tentado dizer o contrário, basta ver a quantidade de vezes que em cada um dos seus enigmáticos discursos, Sua Excelência tece loas à sua pessoa, à sua preclara intuição de economista, num patético exercício do mais puro egocentrismo narcisista.
Retomando o tema. O Conselho de Estado, é mais um daqueles arroubos de velha prostituta deste nosso Estado, em que se insiste em manter instituições e estadões, tudo cheio de pompa e muita, muita circunstância, com grandes mesas, muita e labrega comunicação social, comunicados empolados e de duvidosa exequibilidade, eis o Conselho de Estado em Todo o seu esplendor.
Achei piada a uma das decisões desta reunião do Conselho de Estado, “…os conselheiros consideram que cabe ao programa de aprofundamento da União Económica e Monetária criar condições para que a União Europeia e os Estados-membros “enfrentem, com êxito, o flagelo do desemprego que os atinge e reconquistem a confiança dos cidadãos”. Estou mesmo a ver a EU, a tremer depois desta valiosa e sábia decisão.
O Conselho de Estado é uma maneira porreira de nada fazer parecendo que se faz alguma coisa, custa caro, não serve para nada, por isso ponham-no no OLX.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quarta-feira, abril 10, 2013

Empreendedor, bate punho!



Vivemos tempos incertos, sempre ao longo da história da Humanidade, nos tempos incertos surgiram personagens que nos fazem duvidar e as mais das vezes nos fazem rir, tal é o ridículo que espalham à sua volta. No entanto essas personagens influenciam as gerações a que pertencem, é sobre uma dessas personagens que vos quero falar hoje.
O puto apareceu num programa de televisão, tratando a apresentadora por tu, o que é revelador de que a licenciatura não lhe serviu para quase nada em termos de educação, o rapazola apareceu com um discurso milagreiro, bem a propósito, aqueles coisas motivacionais é tal, um misto de pastor evangélico com deputado. O êxito foi imediato, o sotaque bracarense, leia-se labrego, porque ele há pessoas de Braga com sotaque que não soam como aquele rapazito, as farpelas modernaças, entre o iupie de Massamá e o matarruano de Vale da Porca e a fraseologia cativante, para indigentes intelectuais, e expressões fantásticas como “bater punho”.
Este rapazelho é o protótipo da geração a que chamaremos a Geração Punheta! E o que distingue esta geração das outras “rasca”, “ à rasca” e por aí adiante, ora distingue essa expressão fantástica “bater punho”. O rapaz teve o condão de marcar decisivamente uma geração, ele é o príncipe da meia desfeita, o rei da sarapitola o único e verdadeiro Imperador da esgalha do pessegueiro o grande génio da pívia . Que arrasta com ele toda uma geração de seguidores que idolatra as alarvidades que debita com a velocidade de um tipo possuído ou em transe, o homem criou a Geração Punheta!
Generalizando, sabemos que é um exercício perigoso, mas tratando-se de traçar um perfil do elemento típico desta geração, permite-se essa veleidade. Ora o “punheta” típico tanto pode ser homem como mulher, porque como diz o guru do amolar da broca, tanto ele como a sua cara-metade batem punho. No que à faixa etária concerne o elemento típico desta geração, tem entre 23 a 35 anos, apesar de existirem por aí uns punhetas mais velhos, cresceu cheios de gadgets, iphones, ipads e iphodasses, milita em juventudes partidárias betolas, estudou nas católicas ou coisas do género, é rato de sacristia e tirou cursos de economia, gestão e merdices similares, ávido consumidor das modas e das tecnologias, nunca vergou a mola de verdade, presumido e arrogante debita verdades Keynesianas e adora estrangeirismos, como Adjustment bond ou Mainframe, mas se lhe pedirem para explorar um poema de Ducla Soares não é capaz, muito menos pensar em Pessoa ou Nobre.
Predisposto ao carneirismo e acólito da santa madre, partidário das direitas, que de verdade não o são, a geração punheta, elegeu o rei do bate punho como o seu guru, aquilo que na minha geração era Morisson, Jager ou Mercury, rebeldes também destituídos de sacralidade. A geração da pívia a eito, assenta sua mitologia no empreendedorismo, é o seu mito supremo, danados e imprestáveis, todos os que não tem ideias, não são criativos ou querem apenas ter um aborrecido emprego de manga-de-alpaca numa qualquer repartição pública, se pudessem os bravos punheteiros iluminariam as praças deste país com o fogo purificador onde em autos de fé expurgariam a sociedade de elementos nefastos, de gente melancólica, de poetas, de funcionários públicos e de todos os vermes que não vislumbram o Graal das tretas motivacionais, heil empreendedor diria um qualquer Adolfo, fora hoje renascido, curiosa a história que se reinventa repetitiva e desigual.
Eles andam por aí, claro que um dia a moda passa e os tipos acordam, e começam a perceber, que as pessoas, que a fantástica diversidade de modos de pensar, de apetências profissionais e de predisposições é que fazem a verdadeira riqueza de um país, pensem só no que seria, um país sem poetas, sem escritores, sem actores, sem filósofos, sem pintores, sem cineastas, enfim sem gente que sonhe!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia