sexta-feira, dezembro 21, 2012

Feliz Natal!


Sei que é um chavão gasto e estafado, ao longo de somente 2012 anos, em que este mito leva de criado, acrescentado ou diminuído, como no caso do pobre burro e da pobre vaca, amputados este ano por um asno, mas ainda assim o que acho importante ressalvar é o espírito de resistência à intolerância, à infâmia e a solidariedade entre todos!

Um abraço natalício, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quarta-feira, dezembro 12, 2012

Lar doce lar!



Ontem assistimos, novamente, ao encerramento, forçado, após reportagem televisiva, de mais dois lares de idosos. A fazer fé naquilo que vimos e ouvimos, o que ali existia eram mini campos de concentração para idosos, não eram lares, iguais a milhares de outros que pululam por esse país fora.
Emblemática ilustração de uma realidade escondida, num país de velhos, ninguém os quer. Não os querem as famílias que os abandonam em qualquer local, não os quer o Estado, que nada faz por eles, não os quer uma sociedade demasiado ocupada em suicidar-se, em mutilar-se e em canibalizar-se.
Entre os discursos de Coelho, de Relvas, de Soares ou de Jerónimo, é um país que soçobra em alegre parvalheira colectiva. A situação dos nossos velhotes é disso prova e revela-nos a monstruosidade obscena que enquanto sociedade somos, por outras palavras somos uns bandalhos.
O Estado supremo representante da bandalheira, representado por esta espécie de governo, este delírio neo liberal, que atabalhoado e em completo desnorte vai reagindo ao que aparece, sem que se vislumbre ponta de objectividade no seu proceder, demitiu-se completamente de acautelar esta realidade, pior ainda com os actuais ocupantes do poder, que como sabemos detestam tudo o que seja social, espanta-me que ainda não tenham riscado a palavra “social” da sua democracia!
Ingloriamente triunfa a barbárie, a coberto da malfadada crise, tudo se permite, frouxa legislação, quase inexistente fiscalização e uma pavorosa cultura de laxismo. Somos um pais criminoso, uma sociedade criminosa, que tem como maior alarde, os maus tratos a crianças, a mulheres e a velhos, somos uns imbecis, velhacos e asquerosos, como demonstra a qualidade dos eleitos que elegemos, para os governos, para as autarquias e para outras instituições!
Esta infeliz situação, revela-nos várias coisas, primeiro o risco de degradação da qualidade inerente às privatizações selvagens sem mecanismos de intervenção e supervisão, segundo que a visão ultra liberal do actual governo e a sua demissão da protecção dos seus cidadão é um acto de cobardia vergonhoso, para isto não precisamos de alimentar um governo. Terceiro, muito há a fazer nesta sociedade, muito há que trabalhar para repor os valores correctos que se perderam, esta é uma sociedade podre, asquerosa e que ainda bem que caminha para o extermínio, porque um povo que assim trata os seus não merece continuar a existir!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

terça-feira, novembro 27, 2012

Bandalhos sem tempo – O caso do carneirinho



Ele há bandalhos, hipócritas sem tempo, que gostam de percorrer os antros poeirentos da história para revisionismos cretinos sobre inutilidades, estes bandalhos, escondem-se atrás de máscaras de bom carácter, de véus de cultura e sombras de honestidade.
Mas o odor que deixam é sempre de corrupção, de hipocrisia, de bandalheira e de corrupção que sempre permitiram e sempre promoveram, cães de fila do poder por excelência, execram a verdade, por temem os justos e não hesitam em socorrer-se das leis bacocas e tabardilhas desta república banana para perseguir os crentes, que apenas aludem à verdade.
Foi o caso do carneirinho que se viu enredado em casos de tribunal, isolado do rebanho de carneiros, uns vermes sem espinha que adoram andar em rebanho seguindo os ditames do ogre poderoso que dita as regras acolitado pela súcia de incompetentes e inúteis que o rodeia. Pobre do carneirinho, presa de um bandalho sem tempo, um desses velhacos que presume bonomia e justiça, quando por baixo dessa fina peliça se entrevê a treva da ganância da corrupção e da hipocrisia, mas o bom povo adora velhacos e se doutores forem melhor mais completa fica a farsa que nem a Vicente lembraria.
Tristonho o povaréu que se arregimenta sob bandalhos desta igualha, que não suportam as verdades, que não suportam que se lhes apontem as falhas de carácter, a vergonhosa hipocrisia e bandalheira de carácter que possuem, que não perdoam quando lhes apontam a falta de coragem e a míope prestação de vendidos de vermes sem espinha que se arrastam no lodaçal que ajudaram a firmar. São bandalhos sem tempo, porque existiram e provavelmente vão existir em todos os tempos, porque a coragem, hombridade, honra e honestidade são conceitos alheios a esse tipo de bandalho, que porem é exímio a simular essas qualidades. Coitado do carneiro, que injustamente foi confundindo com o bandalho, mas ainda bem que a justiça repôs a verdade, carneiros de um lado, bandalhos do outro, se bem que por vezes, os bandalhos sejam uns carneiros!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quarta-feira, novembro 21, 2012

Ensaio portuga!



O portuga é daquelas criaturas, produto de um apurado trabalho de selecção natural, que espanta pela capacidade de inovar na área da imbecilidade, da estupidez, da boçalidade e da cretinice. Em suma o tuga surpreende.
O português é um bicho arredio, mesquinho, invejoso, sacana, lambão, velhaco, incivilizado, um verdadeiro caso de estupidez colectiva, um ocaso para a espécie humana, uma machadada atroz no processo evolutivo darwinista. O portuga é por norma mais símio e primário que os primatas, diríamos mesmo que o tuga é o elo perdido que liga os símios à espécie humana, tendo o seu desenvolvimento ficado aquém do esperado.
O portuga sabe ser simpático e acolhedor com os estrangeiros, não com todos claro está. Mas na sua grande maioria a estrangeirada não se pode queixar do tratamento que recebe por cá, quer sejam da elite turística ou da escumalha subsídio dependente, o portuga é um gajo porreiro que arranja sempre subsídios e outras formas de engordar o traseiro a essa rapaziada.
O tuga, está mais urbano, está mais escolarizado, mas na sua essência continua o portuguesinho que sempre foi, detesta fufas e rabetas, estaciona em sempre em cima dos passeios, em segunda fila ou onde possa transtornar os outros, marimba-se para as leis, mas acusa os outros de serem corruptos, cospe no chão, faz lixo por todo o lado, reciclagem é para o tuga uma mariquice, educação dá igual, para quê perder tempo a dizer “bom dia”, “faz favor” ou “obrigado” isso são coisas de velhos, participação cívica nem falar que isso “é lá com eles”, diz o tuga com o jornal desportivo debaixo do braço, enquanto alisa as calcinhas do fato de treino domingueiro, indumentária indispensável do tuga urbano que se preze.  
O portuga, já não usa bigode e até já usa nomes estúrdios como sejam, iuri ou edgerson, a Maria portuga, foi substituída pela eslavo nadja, com acentuação no j, que no original eslavo tem valor fonético de i, mas que o analfabetismo tuga gosta de pronunciar [nadjá], para exprimir a diferença ao sensaborão nádia, uns asnos estes tugas.
O tuga julga-se o melhor condutor do mundo, mas com quinhentas mortes por ano, dificilmente essa façanha entrará nos anais da boa condução, ao volante o portuga transfigura-se, é um assassino, sendo ainda mais imbecil, incivilizado e cretino que o normal, se é multado, a primeira coisa que o tuga faz é ver como pode escapar à multa e qual o amigo polícia que o pede “safar”, claro que isto para o tuga não é corrupção, é apenas um favor entre amigos!
O portuga, refez o estilo pessoal, o portuga, abandonou a boina dos avoengos, usa agora o chapéu à palhaço dos americanos, encheu as orelhas de brincos, fala por grunhidos com estrangeirismos incompreensíveis e até canta hip-hop e rap e outras aborrecidas pasquinices pseudo musicais, mas lá no fundo está o tuga, bronco, grunho, incivilizado, burro que nem uma porta, asno até ao ridículo, aliás o portuga pode até vestir de oiro, bastará abrir a bocarra para que logo se perceba que ali há um tuga, ou uma tuga, porque o gucci ou a vuitton não disfarçam a imbecilidade congénita que no tuga é unisexo, fazendo da sociedade tuga uma das mais paritárias do mundo, eles e elas são igualmente, asnos, incivilizados e boçais.
Nem tudo foram porem mutações, velhos bastões resistem, bastiões intemporais da tuguisse, a unhaca do mindinho, o cabelo empastado, o não saber falar excepto aos berros, o bater nas mulheres e nos miúdos, agora acrescentado do maltratar os velhotes, o tuga é um valentão, tudo o que seja dar porrada em gajas, putos e jarretas é com ele, o portuga é um arraso, sereno e ciente de que é o maior lá vai ele para a tasca discutir o importante tema da última aquisição do clube de futebol, ou sobre os cavalos vapor do lamborguini, curioso é que o tuga só discute apaixonadamente sobre coisas que nunca usufrui ou conseguirá na vida, isto é um mistério da vida tuga. No que ao acasalamento concerne o tuga esfriou, murchou, é mais garganta que outra coisa, produto da modernidade ou das dificuldades económicas o tuga procria em defeito, o que augura um péssimo futuro, o tuga está a caminhar para a extinção.
Mas que se lixe, o portuga, continua, avesso a considerações intelectuais e culturais que saiam do espectro do jornal desportivo ou do teatro de revista, o tuga adora é casas com segredos e jogatanas futeboleiras o resto são unhas de gel e pechisbeque doirado, condimentadas com pais de santo e tofú, sim porque o tuga também emaranhou pela via verde alimentar. Continuamos mesquinhos, velhacos, invejosos, incivilizados e analfabrutos, continuamos tugas e dificilmente chegaremos a ser Portugueses.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, novembro 05, 2012

Constituição. Revisão, sim ou não?



Há muito que advogo uma revisão constitucional, há muito que acredito que é urgente modificar uma constituição, que instiga um modelo anacrónico e despesista de governação, um modelo político que premeia os mentecaptos, os compadrios e a corrupção, não que outros modelos não o possam também fazer, mas este, mais que está provado que não serve, que está esgotado e que foi em grande parte um dos motivos da nossa actual miserável situação.
No entanto suspeito profundamente das propostas de revisão de Coelho, antevejo as nefastas consequências de um revisionismo puramente ideológico imposto por uma agenda nebulosa que as hostes da extrema-direita tentam desde 1974 enfiar pelo gorgomilo da republica, mesmo Sá Carneiro, nunca se dispôs a destruir uma constituição que se preocupou com as pessoas, antes à sua maneira a defendeu, apesar, de a mesma claro está, ter sido gradualmente esquecida, sendo hoje apenas uma espécie de “vaca sagrada” deste país de loucos.
Este país precisa de discutir o semi-presidencialismo, ou o parlamentarismo, precisa de extinguir as figuras de estado decorativas, que nos custam milhões de Euros, sem absolutamente nenhum préstimo, este país precisa de discutir o vergonhoso modelo de Hondt, modelo que distorce completamente a participação democrática, este país precisa de discutir com seriedade os círculos uninominais, a redução de deputados e tudo isso passa pela revisão urgente da Constituição, estes sim são os grandes problemas da lei fundamental deste país, que já deveriam ter sido discutidos e depois de alvo de cuidada reflexão resolvidos, e não o “tendencialmente gratuito” que tanta urticária provoca às direitas ultramontanas e anacrónicas, que se deveriam estará bater por um mundo melhor e não por uma agenda ideológica neo liberal que nos levará ainda mais à ruína.
Se estiverem atentos, aos países que são referências de desenvolvimento humano, de liberdade, de cidadania e de qualidade de vida, verão que são países onde se cuidam realmente das pessoas, porque sem pessoas não existem países, sem pessoas, retrocederemos à barbárie, ao contrário de Vasco Lourenço, esse anacrónico produto do PREC, não acredito que venham aí guerras que reeditem os conflitos de antanho em solo europeu, mas também ao contrário de Vasco Pulido Valente, essa luminária neoliberalista, acredito que a Europa caminha para conflitos sociais graves, que mais graves serão se o projecto europeu falir, se Europa não se refundar e não for, una, solidária e realmente europeia.
Veremos o que isto vai produzir, sendo que com a actual, miseranda qualidade dos políticos que abundam pelos corredores esconsos e bafientos do poder, temo bem que estejamos condenados a soçobrar, porque não me parece, que nem Coelho nem Seguro, sejam gente o suficiente corajosa para enfrentar realmente a situação conforme ela deve ser enfrentada, libertos ambos de peias ideológicas e de impulsos reformista demagógicos, urge uma revisão constitucional que nos traga para o Século XXI, duvido é que exista gente capaz de o conseguir, infelizmente!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia  

terça-feira, outubro 30, 2012

Um tiro no pé!



O actual ministro da Defesa, é um, mais um, erro de elenco do actual governo, mal visto dentro das FA, mal visto fora delas, desde o início que digo que o senhor Aguiar Branco, não serve para ministro da Defesa! O seu último discursozeco prova-o inteiramente. Aquilo não foi um discurso foi um pedido de ajuda, onde os mais atentos podiam ouvir o grito de desespero do pobre Aguiar, gritando a plenos pulmões, – Passos tira-me daqui! – mas o Passos não o ouviu.
Não sei sinceramente o que terá passado pela cabeça de Aguiar, para produzir um discurso tão completamente alucinado, terá o homem ido a uma dessas “smartshops” onde os putos compram tudo o tipo de drogarias para alucinarem a já pobre e incapaz cabecita, terá o Aguiar cedido à tentação e recorrido ao consumo de algum cogumelo alucinocoiso ou fumado um porro? Não conseguimos apurar, no entanto o discurso proferido pelo Aguiar denota um delírio, uma qualquer alucinação, porque o homem anda a ver, a ouvir e a ler, coisas que não existem.
A malta até percebeu, fartinho de saber que a generalada o olha de soslaio e que lhe tem menos respeito que a um castanho de passeio, o Aguiar resolver enturmar-se e fazer de conta que é um deles, pobre Aguiar nunca será um deles, não falas a língua deles, pior não vês um boi disso da Defesa, pior ainda os tipos dão-te a volta com uma pinta digna de nota, és pois um pobre títere, duplamente usado, usado pelo Coelho que para te calar te enfiou num sítio em que sabia de antemão que te irias queimar, prevejo até que sejas um dos que vai ao quando o Coelho decidir varrer a casa e és o usado pela generalada que te manipula fazendo de ti gato sapato, não me lembro aliás de um ministro da Defesa ter sido tão e tantas vezes achincalhado pela elite castrense como o pobre Aguiar, de quem tenho verdadeiramente pena.
Redimensionar as forças armadas, é sem dúvida urgente e necessário, rever o conceito estratégico, rever as participações no quadro da NATO e Euroforce, rever também os acordos disparatados com os PALOP, sobre cooperação militar, cooperação essa que as mais das vezes é completamente unilateral, ou seja somos apenas nós que cooperamos. A revisão do conceito estratégico implica também uma revisão das atribuições de cada ramo das FA, só dos que advoga uma Armada com mais meios, sem submarinos, um exército mais reduzido, com menos oficiais superiores e generais, uma Força Aérea, mais pequena com menos unidades e com meios criteriosamente seleccionados para as missões que se desejam, rever para poupar e de uma vez por todas trazer as FA, para o século XXI, ao invés de se manterem no século XIX, e não é seguramente com figurinhas de opereta bufa como Aguiar Branco que lá vamos!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sábado, outubro 27, 2012

O problema da GNR!



Esta é apenas mais uma acha para a fogueira do descontentamento que reina no seio da Guarda Republicana, facto que passou muito despercebido ao grosso da maralha analfabruta, mais peocupada com as noveluchas e as futeboladas do que com aquilo que realmente lhe deveria importar.
Passou-se então que um Coronel da GNR de seu nome Albano Pereira, que a julgar pelo seu currículo é um excelente polícia e profissional, resolveu interpor uma providência cautelar em sede judicial, para impedir que o rebotalho do Exército continue a transitar para os quadros de comando da GNR relegando para posições inferiores os oficiais oriundos dos quadros próprios da Guarda.
Ora o actual comandante geral da GNR, um general oriundo do exército, vendo-se também colocado em cheque, resolve exonerar o coronel Pereira, prepotência já anteriormente exercida contra outro oficial pelas mesmas razões, no caso o Tenente-coronel António Martins. Ora e o que é que isto tem de grave? Perguntar-se-ão os mais desavisados sobre estas questões. O mais grave é que ministro após ministro, nenhum tenha a coragem de desmilitarizar a GNR, de a tornar num mais eficaz e melhor força policial, o actual detentor da pasta, Miguel Macedo, é mais outro triste exemplo de cobardia de falta de conhecimento e de inépcia no que concerne a esta questão.
Nada justifica, que no actual quadro de desenvolvimento a GNR se mantenha como uma estrutura pesada, militar e por vezes doutrinariamente desenquadrada da sua missão, a justificação prende-se unicamente com duas pequenas questões, a primeira para servir de escoadouro ao rebotalho da oficialidade oriunda do Exército que enquanto não passa à situação de reserva, vai ganhar uns milhares a manter a disciplina do Zé Guarda, que é a segunda razão, depois de andar uma vida a roçar o cu pelas paredes na cavalaria ou na artilharia, o senhor general vai para a GNR servir de cão de fila dos políticos que querem manter os guardas na linha.  
Ora o desconforto que tal situação, perfeitamente evitável, provoca na estrutura da Guarda, não pode nem deve ser descurada, um governo inteligente, faria a diferença, um governo inteligente, acabaria com esta situação, um governo capaz e decente não permitiria esta verdadeira repressão ao bom estílio pidesco, um governo inteligente seria capaz de solucionar uma cretinice desta dimensão, isto se tivéssemos um governo inteligente ao invés da porcaria que temos! 
A Guarda Nacional Republicana, enfrenta muitos problemas, como todos nós, um dos mais graves, é o facto de, de uma forma anacrónica, despropositada e incompreensível se manter como estrutura militar!

Um abraço, deste vosso amigo 
Barão da Tróia

terça-feira, outubro 16, 2012

Portugal essa miragem!



Naquela manhã acordei, a ouvir dizer que Grândola era uma vila morena e que nela o povo era quem ordenava, foi um alvoroço, agora é que era, saímos da ditadura opressora e da guerra, – o que será do meu filho – chorava a vizinha cujo filho permanecia em Angola como soldado! Era a liberdade que aí vinha, receosos, estavam todos os que não sabiam o que isso era!
Vai estudar para seres alguém, disseram-me nesses dourados anos oitenta do meu querido século XX, a Europa está aí não tarda, não podemos perder o comboio, gritavam uns quantos a plenos pulmões, até a cançoneta “Eu quero ver Portugal na CEE”, era um sucesso nas matinés, alimentadas a cervejolas e promessas de experiências com o belo sexo, que quase sempre terminavam em solitárias sarapitolas por, as medrosas cachopas, se negarem ao acto! A Europa era agora o grande sonho libertário de um Portugalete, insalubre e de pequenez de mentalidades ainda obscurecido pelo cinzentismo de 48 anos de privações democráticas.
Um dia acordei, cumpri o meu dever, pagaram-me com desprezo, agora eram os baixos salários e a pouca formação que estavam a dar, percebia-se já um azedo de tragar nessa coisa da Europa, apesar do dinheiro jorrar a rodos, de um dia para o outro era como virar uma página, quer cem leva antes mil e comece a pagar daqui a 5, foi o fartar vilanagem os dourados anos do Oásis, do gastar a esmo, da politiquice cinzenta dos imbecis de vistas curtas, foi o vendaval dos crédito fácil, do estilhaçar do país, do alcatrão e do betão, dos modelos de desenvolvimento estúpidos, de autarcas e governantes imbecis!
Quando me fui deitar ontem percebi que tenho tudo em demasia, tenho estudos a mais, qualificações a mais, idade a mais, a Europa foi uma mentira, Portugal é uma farsa, esta democracia uma miragem e este país um embuste, a menos só tenho dinheiro, logo eu que sempre trabalhei, que sempre descontei, que sempre contribui, que nunca fui onde não podia ir nem comprei o que não podia comprar!
Bardamerda para esta terra!

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

sábado, setembro 29, 2012

Panem et circenses!



Sempre que os nossos mitos caem, ficamos tristes e angustiados, durante o nosso processo de crescimento criamos a nossa mitologia, e muitas vezes erramos, erramos porque somos imperfeitos nesta nossa essência, porque obscurecidos pelo coração, não damos pleito à razão e distorcemos a realidade, para lhe conferir os laivos e cores da realidade que queremos.
Estes mitos vão-se esbatendo com o passo inevitável desse Cronos maléfico da antiguidade que nos devora, caiu um dos meus mitos em relação a algumas pessoas que conheço, a dignidade que tem por sinónimos, decência, decoro, distinção, honestidade, honra, honradez, integridade, probidade, pudicícia, pundonor, rectidão, respeitabilidade e seriedade.
Caiu para mim, esse mito, em relação a algumas pessoas que vi, uns, sabia-os de antemão, uns meros sevandijas aproveitadores, mercenários senhores de uma capacidade de velhacaria inaudita, logo perigosos, outros ainda apenas meros capachos do poder, daqueles a quem os poderosos limpam os pés e de quem esperam sempre o apoio, no entanto outros, muito poucos nos quais eu depositava muita confiança, carinho e até muita amizade, revelaram-se pessoas sem alma e sem carácter, meros títeres de barraca de feira de antanho.
Aquilo a que assisti foi a um puro acto de opereta bufa, uma farsa sobre como não exercer a cidadania, como ser um mero apêndice anódino, acéfalo e amorfo, peso morto apenas de um exercício de democracia, que não é senão uma encenação, desprovida de toda a dignidade, de acerto e de objectividade, fiquei triste e desencantado, porque a mentira foi substituída, pela ainda maior mentira, a vergonha que senti, foi profunda, vergonha em pertencer a uma sociedade que persiste em viver na mentira, ingénuo que sou!
“Panem et circenses”, diziam os nossos patrícios antepassados romanos, assisti apenas ao circo, a um circo patético, com palhaços tristonhos e embezerrados, não admira que o país esteja no estado miserando em que está, porque miserável é a prestação das suas gentes, entre carneiros capados, palhaços disfarçados e verbos de encher, está esta sociedade espartilhada por uma mediocridade atroz, uma pobreza franciscana intelectual e moral pavorosa, falta em dignidade e honra o que sobeja em velhacaria e imbecilidade!

Um abraço, desencantado deste vosso amigo
Barão da Tróia