segunda-feira, junho 16, 2008

Fragilidades

Com a recente greve, paralisação ou o que lhe queiram chamar, ouvimos mais uma anedota parlamentar, o senhor primeiro-ministro diz que sentiu o país vulnerável. Quase morri a rir, foi a melhor anedota que ouvi em muitos meses. Ó senhor primeiro-ministro, o ilustre amigo anda com certeza distraído, não é loiro, mas é um pouco distraído, então o país está vulnerável, por meia dúzia de camionistas, com razão ou não, nem isso vem ao caso, dizia eu, que o país fica vulnerável por uma arruaça sem importância, descontando a infeliz morte de uma pessoa, onde meia dúzia de gatos-pingados gritam e tal e outros tantos faz tudo para furar o protesto, numa atitude típica à portuguesa.

É isto o seu vulnerável, imagino o que não diria o senhor se a paralisação fosse realmente algo sério, como fazem ali na Europa, olhe pergunte ao seu amigo Zapatero ou ao camarada Sarkozy, pergunte-lhes como são estas coisas quando levadas a sério, vossa excelência sentiu o país vulnerável, pergunto-me porquê?

Não lhe parece que por exemplo, o facto de termos uma Justiça miserável, ineficaz, despesista e mal habituada a mordomias, não traz vulnerabilidade para o país.

Não lhe parece que possuirmos umas polícias absolutamente indigentes, alvo de chacota permanente, que por vezes reagem mal, por falta de preparação e superior orientação, de possuirmos uma PJ, completamente manietada e politizada, com elementos que muitas vezes mais servem a interesses obscuros que a Justiça, não lhe parece a si que é o primeiro dos ministros que isto é algo que verdadeiramente traz vulnerabilidade ao país.

Não lhe parece que as maternidades sem segurança absolutamente nenhuma, diga-se que conheço quatro serviços de maternidade e o único que aparentemente funciona devidamente é o da Estefânia todos os outros três são uma anedota em termos de segurança, são realmente algo que é verdadeiramente vulnerável, em que os hospitais esperam fundos comunitários para poder instalar meios de segurança dignos desse nome, na costumeira atitude de pedinchice que já nos caracterizou perante a Europa.

Não lhe parece que possuirmos um sistema de socorros a náufragos e busca e salvamento completamente anedótico e terceiro mundista, em que um navio em apuros a 30 metros da costa vê os seus tripulantes perecerem por uma absoluta falta de coordenação e meios, não lhe parece que isto é que é estar vulnerável.

Não lhe parece que possuirmos um sistema de combate a incêndios que roça o imbecil. Onde corporações que vivem do voluntariado, ai se não fossem eles, combatem incêndios com carros com 30 e 40 anos, com falta de tudo, num país onde se gastam milhões em cretinices como submarinos.

Não lhe parece que possuirmos, o mais absurdo e despropositado sistema de comunicação entre as várias instituições, um país onde é mais fácil falar com uma esquadra de Ugadugu do que com o carro patrulha do bairro, não será isto um sintoma de um estado vulnerável.

Não lhe parece que possuirmos, algo a que chamamos economia, e digo algo, porque na realidade não temos economia, disso se certificaram os vários governos que desde 1986 nos têm tentado enviar para o mais profundo dos infernos, fazendo de nós o país da Europa comunitária que mais atreito está a sofrer com qualquer meia crise que surja, não lhe parece senhor primeiro-ministro que isto sim é que é vulnerável.

Não lhe parece que possuirmos um sistema de educação absolutamente miserável, onde há muito que ninguém aprende nada, em que tudo no sistema de ensino aponta para meras preocupações estatísticas, com evidente prejuízo do país e das futuras gerações. Não lhe parece que isto é mesmo vulnerável.

Continuaria quase que indefinidamente a falar de vulnerabilidades sérias, que este pardieiro a que chamamos país tem, vulnerabilidades que ninguém parece querer resolver, dizer pois que sentiu o país vulnerável por uma situação ridícula como esta grevezinha dos camionistas, é na minha humilde opinião, senhor primeiro-ministro revelador de uma muito grande distracção em relação ao país real do que vosso senhoria é governante.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, junho 09, 2008

Queixinhas

Queixava-se recentemente o Chefe de Estado das Forças Armadas que há uma crise nas fileiras, não há praças suficientes, para manter os níveis de operacionalidade, contrapôs o ministro que tutela a área com a necessidade de um estudo e da implementação de critérios e por aí adiante numa usual verborreia politiqueira que quer dizer coisa nenhuma, ou antes quer dizer exactamente quão incapazes são lá por aquelas bandas.

Uns dias antes também ouvíamos queixas oriundas das polícias, concursos para 5 mil efectivos ficaram-se pelos 2 mil concorrentes, uma vez mais desta feita o Ministro da Administração Interna lá tirou do capote mais umas nulidades verbais e uns dichotes inconsequentes, que nada adiantam ao problema, que tem uma única causa, os salários absolutamente miseráveis que ganham as praças ou equiparados, quer num lado quer noutro.

Nas Forças Armadas e nas polícias os salários mensais andam entre os 600 e os mil e poucos euros, um ordenado porreiro para quem é solteiro e bom rapaz, mas para alguém que tenha família, casa para pagar e por aí adiante não chega. Senhor Ministro o estudo está feito proceda conforme, ah e os 50 ou 100 mil euros que vai pagar aos estudiosos do assunto pode já enviar para aqui que eu agradeço-lhe, mas como sou um gajo porreiro e sei que o país está em crise aceito metade da verba.

No caso das polícias a coisa ainda é pior, porque, para além de ganharem miseravelmente mal, os homens e mulheres que enveredam, sabe Deus porquê, por essa carreira, estão sujeitos a uma inacreditável sucessão de atropelos ao seu bom desempenho profissional, atropelos de toda a ordem sendo o mais comum aquele que decorre a completa e absoluto falta da autoridade do Estado que não manda nada, como verificamos todos os dias.

Se queres ser maltratado e insultado, se queres pagar a farda do teu bolso e a gasolina para os carros andarem, se queres ser agredido e baleado sem puderes sequer esboçar uma reacção de defesa, se queres passar horas a fio par deter um energúmeno que é libertado em segundos, então não procures mais vem para a PSP ou para GNR, sentir-te-ás em casa.

As nossas Forças Armadas estão sobre dimensionadas e com pirâmides organizacionais invertidas, os oficiais existentes chegam para comandar o triplo dos efectivos e dos meios, as instalações dos estados-maiores dos três ramos estão cheios de militocratas, vulgo funcionários públicos fardados que só arrastam os orçamentos para o despesismo, há gente a mais no sítio errado e há gente e meios a menos onde fazem falta, o facto da GNR continuar com o seu estatuto de condição militar, é uma aberração pura, só se justificando como é sabido porque a sua cadeia de comando serve para absorver o desperdício e fim de carreira de toda a besuntaria acima de coronel que vem do Exercito.

Cheguei a pensar que este ministro entenderia o problema, mas não, é mais um, que não vê um boi do problema, que esgota as finanças a engordar armários de medalhas e cerimónias de dias de unidade, enquanto isso, continuamos no mais absoluto terceiro mundismo.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, junho 04, 2008

“Mileuristas”

Outro dia li um artigo sobre os “mileuristas” rapaziada nascida entre 1968 e 1980, com qualificações académicas e que vegeta com ordenados à volta dos mil Euros mensais, fiquei cheio de pena, diz o artigo que muitos vivem em casa dos pais e pasme-se tem computador, ipod, mp3 e todas as tralhas das elites urbanas.

Lembrei-me que existe uma sub-classe dentro desta dos “mileuristas” uma classe também muito importante, a dos “quinhentoeuristas”, rapaziada igualmente qualificada mas que vive com metade do ordenado dos outros e nem a propósito recebi este mail:

Caro Barão deixe que lhe envie este pequeno desabafo, vale o que vale, quantos não seremos como eu, assim quase inumanos.

Diário de um “QuinhentoEurista”

São sete da manhã o despertador acabou de tocar, ensonado e cambaleante, caminho para a casa de banho pelo meio desperto a minha “Maria”, ensonada por mais uma noitada a trabalhar em papeladas inúteis concebidas por energúmenos do ministério da falta de educação, mas isso a senhora ministra não vê. O pequeno acordou às três da matina e veio para o meio de nós, dorme que nem um anjo o pequeno mafarrico, lá fora trinam os melros e os primeiros pardais, caem as primeiras gotas de água.

São sete e trinta, já dei a obrada da praxe, tomei duche, desfiz a barba, vesti-me e a mesa está posta para o pequeno-almoço estando também o biberão já pronto só falta aquecer, a “Maria” resmunga qualquer coisa e finalmente lá se arrasta para o banho, o meia leca continua a dormir daqui a 5 minutos aparece-me na cozinha, a balbuciar “carrinha mágica” desenhos animados preferidos do momento.

São oito horas saímos de casa, levar o pequeno à avó, santa instituição essa das avós, - Porra já estou atrasada! – Pois esperam-na ainda 40 quilómetros de estradas das boas, são 25 Euros de gasóleo por semana a preços de hoje, amanhã logo se vê, transportes públicos só se for um dia antes para chegar a tempo, dormindo claro está à porta da escola. - Invectivo a “Maria. – A que horas te deitaste?

- Duas e pouco tu tá lá calado já deito projectos e relatórios e avaliações pelos olhos, que vida de merda!

- Como eu a percebo!

São nove horas estou a entrar no local de trabalho, um serviço público que só abre às 10 e em que a minha hora de entrada é às nove e meia, ou seja quando abre já tenho uma hora de trabalho, que claro ninguém contabiliza, também quem me manda ser parvo, mas pelo menos o trabalho está sempre pronto a horas e a consciência tranquila.

São agora meio-dia e meia, voo até casa, fumo um cigarrito rápido pelo caminho, almoço qualquer coisa, apanho a roupa que ficou a secar, meto mais na máquina para lavar, arrumo a loiça e volta a colocar mais loiça para lavar, hoje felizmente não é dia de aspirar, sim porque só tenho dinheiro para pagar a uma mulher-a-dias quatro horas de quinze em quinze dias, no entremeio à vez eu ou a “Maria” fazemos as vezes dela, afinal somos nós que sujamos, por isso não te queixes.

São catorze horas estou aqui há quinze minutos, lá vêm os primeiros clientes, segue-se um dia normal, avarias, aulas, e uns dedos de conversa, ajuda gostar daquilo que faço, ainda fujo uma ou duas vezes para um cafezito e um cigarrito. Dezoito horas fecho a tasca, volto para casa, vou buscar a criança, sento-me um pouco com a “Maria” trocamos uns dedos de conversa e ala que se faz tarde.

Acabaram de apitar as dezanove horas, estou a pé há doze horas, vou fazer o jantar, enquanto a “Maria” dá banho ao minorca, ponho a mesa, arrumo qualquer coisa, tenho tempo ainda de emborcar uma Sbock, vou arrumar a casa de banho que fica num pranto cada vez que aquele menino toma banho, vinte uma horas, depois do fadário do costume para fazer o pequeno moinante comer, fumo um cigarro à varanda, de seguida vou arrumar a cozinha, deixar comida meio preparada para manhã, rapidamente chego ao quarto da pequena melga, vou brincar com ele, corremos, saltamos, rimos muito e depois uma história, que ele adora.

Hoje tenho trabalho, uma tradução, porreiro vou ganhar mais uns trocos, acabo à uma e pouco, estou a pé há 18 horas, levanto-me da cadeira, lavo a dentuça e vou dormir, amanhã espera-me outro dia e depois outro, tenho 40 anos, sou licenciado, tenho uma pós graduação e um mestrado a meio, falo 6 línguas escrevo fluentemente 4 delas, tenho competências informáticas e excelentes referências profissionais, ganho 400 e tal Euros nos meses bons 500, pago impostos muitos, tento ser bom pai e marido e excelente profissional, sou honesto e respeitador, altruísta e participativo e esta é a minha vida nesta merda de país onde tive a infelicidade de nascer, quantos como eu andam por aí, tristes desiludidos fartos disto tudo...

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, junho 02, 2008

Virar a página

A ti Manela, lá abichou a vitória, parca de discursos, claro, quem pouco ou nada tem para dizer, o melhor que faz é mesmo ficar calada não vá sair asneirada da grossa, ainda assim daquela esfinge saiu uma tirada que acho genial,... Virou-se uma página...

Querendo a senhora talvez dizer que se avançou para algum local, erro crasso, virou-se a página isso sim para trás, a ti Manela é mais do mesmo, é mais cavaquismo, é mais guterrismo é mais socratismo, ou seja a mudança a existir é só na forma porque o conteúdo esse é o mesmo, ou já se esqueceram da ti Manela ministra da Educação, a nódoa que foi, pior mesmo e porque não lhe deram tempo só a ti Maria actual, já esqueceram também a ti Manela ministra da Economia, muito daquilo que o Zézinho Filósofo hoje atira para as estrelas vem do tempo da Manelinha e do Bago Grandão, por isso não esperem melhoras com a ti Manela.

Os votantes do PPD, enganaram-me afinal não são assim tão asnos como eu pensava, escolheram, mal é claro, mas escolheram talvez até inconscientemente a melhor solução para ordenar a casa. Nenhum dos outros dois o conseguiria fazer, porque teriam sempre os arrasta canelos a morder nas abas da casaca.

Duvido que a ti Manela ganhe eleições, creio que os tansos dos portugas não vão trocar um troca-tintas por uma encomenda estragada, assim como assim a malta até acha piada ao filósofo, também não acho que a ti Manela tenha dimensão para um cargo de primeira-ministra, como também não vejo atrás dela ninguém que se aproveite, alias o PPD anda pela hora da morte, aquilo parece um estaleiro de obras é só entulho.

A ver vamos o que daqui sai, sendo certo que por enquanto nos vimos livres do Santanolas, o que nem é mau de todo, menos um engulho a emperrar a engrenagem, mas em contrapartida, entre os incondicionais da ti Manela está esse abrupto do Pacheco, essa sumidade da labregada, só lá falta para compor o ramalhete o outro fala-barato militante o sabão mor do reino o Sousa sabe-tudo, a propósito deste gajo, ontem durante mais um enjoo de selecção, a dada altura aterrei no canal onde o camarada estava a cagar lampanas, precisamente no momento em que o avião ia a levantar voo, dizia o sabichão,... o avião está a demorar muito a levantar e porque torna e porque deixa, blá blá blá, já devia ter levantado... entretanto após ter feito o retardo cerimonial o piloto largou o air brake, flapes em cima e a máquina levantou. Então o Sousa agora é piloto, já tem brevet, realmente presunção e água benta, é à discrição, e depois ainda à gentinha que gosta de ouvir as bojardas deste tipo de coca-bichinhos.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

terça-feira, maio 27, 2008

A Náusea*

Não bastas as vezes tenho dado com a cachaporra de pau de marmeleiro, curtida à fogueira para endireitar e ficar rija, do melhor que há para resolver quid pro quos com escumalha da mais variada, dizia eu que já tenho em outras ocasiões zurzido na lombeira da nossa comunicaçãozinha social. Estamos mais uma vez a viver um desses momentos de imbecilidade conjuntural e estrutural.

As televisões abrem com furos fantásticos, “Ronaldo entalou a gaita na fechadura do guarda-fatos”, “Deco engasga-se ao deglutir um pastel de nata falsificado” ou ainda “Scolari encontrou uma caganita de rato no balneário”. Sempre que os energúmenos que de voz esganiçada, quase em êxtase orgásmico, alias o microfone tem o seu quê de fálico, e ao vê-los a empunhar o dito zingarelho com aquela sofreguidão atabalhoada com que falam, não consigo deixar de pensar que aquilo ali tem história, talvez alguém com conhecimentos em psicologia consiga explicar.

A cada parvoíce que entope os canais de televisão nos vários noticiários, é ver a maralha torpe e babosa em puro deleite, um destes dias, tomava um café e fumava um cigarrito num dos raros sítios onde tal prazer ainda se permite aqui na terra, na televisão, depois de uma hora de notícias sobre Fátima e depois sobre a Selecção que de premeio com o Fado continuam a ser as coisas mais importantes do panorama luso-labrego, dizia eu, que após essa estúrdia hora, rematou aquele canal com mais meia hora a falar de um desses cromos da bola, da sua casa de sonho, do carrão, das taças e dos brinquinhos e demais parafernália, que faz parte do arsenal desse tipo de nearderthal, curioso nas várias imagens da barraca de luxo da criatura, nem um livro, nem uma revista, nada que indique um poucochinho de algo, pois antes um vazio materialista enorme.

E a cada tirada do imbecil jornalista, correspondia o símio futeboleiro com uns grunhidos que pareciam português, a audiência labrega extasiada, dava vivas, ria como se fossem os gajos mais felizes do mundo, por ver que o outro a dar pontapés na bola tem o que eles só em sonhos conseguirão e mesmo assim por demais efémero, risos incontrolados, baba espalhada por todo o lado, num dos mais tristes espectáculos que alguém pode assistir.

Mas o mais triste é saber que aquela mesma hora em milhares de lares e de tabernas como aquela, outros tantos milhares de analfabrutos, mal pagos, endividados até aos ditos, cansados e infelizes se deleitavam num quase êxtase místico com o mais absoluto sub-produto do lixo jornalístico, numa orgia de estupidez e boçalidade completa, triste até à náusea.

E é até à náusea que me levam estas televisões, os pseudo jornalistas, a seriedade imbecil para coisas que não tem absolutamente interesse nenhum a não ser aquele interesse relativo que qualquer actividade nos deve merecer, mais uma vez estamos a embandeirar em arco, a ver vamos se o arco não se parte e rasga as bandeiras. Mais uma vez as televisões revelam a sua faceta de lixo, lixo nauseante, que entope os ecrãs com imbecilidades e cretinices, servindo ao povaréu, o jantar de garoupa do senhor, enquanto o pobre povareu rói o rabito de sardinha sarnento e a batata velha cheia de grelo.

Televisão em altura de Selecção, que náusea, que enjoo...

* Obra de Jean-Paul Sartre

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

terça-feira, maio 20, 2008

A Farsa

O nosso Parlamento é useiro e vezeiro em discussões estéreis, em questiúnculas ridículas e displicentes que bem mostram a indigência franciscana que navega aqueles corredores, se é ali que vegetam as nossas elites, valha-nos São Ambrósio Pancrácio, bem se percebe porque vivemos num país tão miseravelmente estulto.

No entanto os nossos ilustríssimos deputados, não contentes com a quase nula produtividade paga a oiro, volta e meia, lá desencantam um trunfo da manga para fazer rir o pagode e qual herdeiros contemporâneos do velho Vicente, esse venerando pai da arte teatral de antanho, lá nos surpreendem como uma encenação de prodigalidade parlamentar, umas vezes uma comédia, as mais das vezes diga-se de passagem, outras vezes uma tragédia e de quando em vez, por demasiadas vezes, uma farsa!

E farsa é o que poderemos chamar ao voto de pesar, que a bancada do partido do táxi resolveu promover, diligentemente acolitado pelos tragalhadanças do PPD, com uma sempre honrosa quase tanto como vergonhosa abstenção do PS, e claro o voto contra dos comunas e dos trauliteiros de Esquerda.

Espanta-me que a uns crucifiquem e a outros glorifiquem, as FP-25 são o demo, mas curiosamente do MDLP, ninguém fala, ninguém fala dos fachos sacristas e bombistas que fizeram parte desse arroubo, pseudo anti comunista, que mais que isso era uma tentativa de refascizar a plebe e a Nação.

Espanta-me que gente aparentemente dotada de inteligência, facto que cada vez mais coloco em causa, perca tempo com imbecilidades como levar à Assembleia da República, votos de pesar de gente que em vida mais não foram do que tropeços a tudo o que essa assembleia parece ainda representar em termos de democracia e pluralidade, mais, enoja-me que gente dessa seja de alguma forma homenageada e enoja-me que exista gente que o queira fazer.

Um dia quando falecerem figuras como Otelo, e outros de género, sempre quero ver se os mesmos, também propõem votos de pesar, não que ache que se deva fazer, mas na minha simples opinião de campónio, entre um bombista fascista e um bombista democrata, do mal, o menos.

Uma última nota, um ilustre deputado do partideco do táxi, ilustrou a sua demanda recordando que o Cónego Melo «nunca foi condenado por nenhum tribunal». Eu estava em crer que o senhor deputado até fosse como a amêndoa e tivesse miolo, mas quer parecer-me que não, olhe meu amigo, Hitler, Estaline, Mao e Salazar, também nunca foram condenados em nenhum tribunal, isso na sua perspectiva deve fazer deles uns anjos.

Enquanto na Assembleia da República se sentar gente desta, estamos tramados, dificilmente se conseguirá levantar esta pobre Nação.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia


segunda-feira, maio 12, 2008

Caso Pontual

Frase da moda, proferida por senhores governantes, quando querem, como sempre, desvalorizar, algo importante. No entanto subjacente ao significado que nos querem fazer engolir, existe o verdadeiro significado de “caso pontual”, que quer simpesmente dizer, “desculpem mas somos demasiado incompetentes para resolver isto”

É claramente o que sucede sempre que um político se desculpa com o “caso pontual”, é nem mais nem menos que justificar a sua incompetência, o laxismo dos governantes e a mais completa e absurda falta de profissionalismo dos que compõem os elencos governativos.

Um exemplo, de caso pontual é, alguém entalar o apendice peniano no fecho das calças, isso é que é um verdadeiro caso pontual, a invasão de uma esquadra por meliantes, a agressão a profissionais da polícia dentro das esquadras e todos os outros casos recentes, não são casos pontuais, são reflexos da mais pura incompetência outorgada pelo laxismo e falta de conhecimentos e qualidades governativas que pontuam quem manda.

Irrita-me sobremaneira que nos tratem as todos como mentecaptos, ainda que pareça que muita gente adora isso, irrita-me que canhestros labregos, usem gravatas que custam o mesmo que eu ganho por mês venham aos espelhos televisivos declarar abertamente a sua completa ineficácia e nada lhes aconteça, que venham desculpar a sua falta de profissionalismo e nada lhes aconteça.

Se um profissional das polícias, se descuidar e errar, é cruxificado de imediato, pela populaça imbecil, prontamente acolitada pelos média analfabetos que temos, televisões, jornais e quejandos, no entanto quando algum gato pingado, politiqueiro falha redondamente e sacode a água do capote, nada lhe acontece, todos encolhem os ombros.

Nem a proposito, nomearam um polícia para dirigir a Judiciária, sinceramente não esperava algo decente, mas houve coragem para isso, talvez para queimar o pobre homem, mas ainda assim foi um acto de coragem, no entanto e demonstrando a pequenez mesquinha das hostes, houve aqueles que discordaram, que se demitiram, que sentindo-se ofendidos, quiseram gritar o seu descontentamento, que o façam acho bem, até ver somos uma democraciazinha, porém creio que foi mais uma demonstração de estupidez colectiva e falta de sentido de honra, bem temperada com a pequenez da síndrome da capelinha que impera por cá, foi mais um caso pontual, este de pura estupidez.


Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, maio 05, 2008

Abençoados Sejam os Ignorantes

Sua Excelência o senhor Presidente da República não cessa de me causar surpresas, as mais das vezes desagradáveis, mas esta devo confessar que me fez bem. O que eu me ri com o discurso de sua Excelência o senhor Presidente da República, ri a bandeiras despregadas, como soe dizer.

O tema até foi interessante, mas a declaração de choque, porque os choques estão na moda, choque disto e daquilo, sendo que o maior dos choques é a maltinha ver o fim do mês com trocados para o papo-seco e para a malguita da sopa.

Sua Excelência o senhor Presidente da República, lembrou-se de arengar às hostes sobre a Educação e a inclusão social, assunto da moda, e sobre o estado pouco mais que mísero a que chegou a Educação e a tal inclusão, nesta terra de puros imbecilocratas, quisera talvez sua excelência lembrar que é preciso fazer mais e melhor, mas como noutros discursos já proferidos pela mesma personagem a coisa soou a desculpa de mais um da corja.

Disse, sua Excelência o senhor Presidente da República, que estava chocado com a ignorância dos jovens, em relação a factos históricos. Caro senhor Presidente. Mais uma vez, chocado fiquei eu, com a sua ignorância! Chocado fico, sempre que oiço políticos, com grandes responsabilidades passadas e presentes, propalarem a sua ignorância aos quatro ventos, passando aos que os elegeram um incontestado atestado de asno.

Chocado fico, porque recordo os seus dez anos à frente dos destinos do país, recordo os dogmas de baixos salários e pouca educação, com que prestidigitaria qual Cooperfield de terceira apanha, um aparente Oásis, que só o foi na medida que por cá existem imensos camelos que votam em gente como Vossa Excelência.

Sua Excelência senhor Presidente da República, o senhor choca-me, devo confessar que já não é da agora, desde o dia um, do seu consulado que sempre me afirmei como um seu opositor, sendo que é Vossa Excelência um dois mais culposos elementos da desregra e desnorte actuais desta terra, como ousa ora, Vexa. afirmar-se chocado, acaso não sabe aquilo que fez ou que deu liberdade para fazer, se não sabe o que fez, irá com certeza desculpar-me mas Vossa Excelência labora no pecado da mais ignominiosa ignorância, já não saber o que deu azo e liberdade a terceiros para fazer , isso já se lhe perdoa, um pouco, porque estou em crer que a miopia de alcance de Vossa Excelência, desculpará isso, até porque em Portugal para ver bem temos de ir a Cuba para ser operados, porque o nosso sistema de saúde para o qual descontamos e pagamos rios de dinheiro não dá solução.

Agradeço a Vossa Excelência Senhor Presidente da Republica a fantástica sucessão de gargalhadas que me ofereceu com o seu, pouco mais que coxo e desenxabido discursozeco mal amanhado e lazarento, agradeço também o levantar assuntos que são pertinentes até ao tutano, fica-lhe bem a preocupação, mas tenha dó, de mim, um simplório labrego provinciano, não atente contra o meu parco intelecto.

Se culpados existirem, por este estado de miséria, Vossa Excelência Senhor Presidente da Republica, é um dos primeiros e dos mais insignes, tal foram os disparates e políticas insanas que durante os seus tempos de regência foram atirados às leiras desta terra, acabaria agora este já longo rosário de penas, com um tenha vergonha Senhor Presidente, mas sei que isso não o preocupa, tivera Vossa Excelência vergonha na cara e hoje não seria Presidente de coisa nenhuma, nem proferiria os discursos ocos e vergonhosos que profere esquecendo o seu mui próximo passado. Sorte a sua que os jovens sejam tão ignorantes, porque a não o serem nunca Vossa Excelência teria sido eleito!

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, abril 28, 2008

Falso como Judas

E não é que aconteceu mesmo! Aquilo que eu já previra que iria acontecer, desencadeou-se, o Sr. Menezes demitiu-se. Cansado e desgastado pela crítica interna o seu líder, deu às de-vila-Diogo, cansado e agastado com os franco-atiradores do partido.

Esclareço já que não milito no PSD, mas como cidadão atento e democrata, acredito que a pluralidade e a saúde dos partidos ajuda a reforçar a democracia, se bem que também acredite que os políticos portugueses são, espelho da nação, de uma casta, muitos furos abaixo de fraquinho.

O Sr. Menezes, coitado, eleito que foi como produto dispensável da maquinaria partidária laranja, cometeu um erro crasso, não ter afastado o Sr. Lopes, logo de início, talvez seguindo o ditado que diz que os inimigos devem estar próximos para melhor os controlarmos, Menezes deu um tiro no pé ao dar ao Sr. Lopes o cargo de líder parlamentar.

Com os movimentos livres e crédito reposto o Sr. Lopes tratou de juntar espingardas, minar com consistência a actuação do chefe sempre a coberto de terceiros até que num momento certo deu sinal a um seu acólito para desafiar a liderança, a partir daí a coisa descambou e o líder deixou de o ser.

O PSD, vegeta num limbo de inconsistência e inépcia, deve isso aos caciques do partido que fizeram eleger o Sr. Meneses, esvaziado de conteúdo ideológico, porque, diga-se, de passagem, o PSD nunca teve uma grande base ideológica, alias dos partidos com maior expressão em Portugal é o único que não tem nunca teve e provavelmente nunca terá bases ideológicas profundas, centrando os seus discursos, mais na personalidade dos seus líderes, daí o Sr. Lopes estar constantemente a fazer alarde à sua suposta aura de herdeiro putativo do falecido Sr. Carneiro, herói sebastianino, que nem o mito com pés de barro do Sr. Silva consegue destronar.

Perfilam-se agora um sem número de candidaturas, confesso que se fora militante a minha preferência seria o Sr. Coelho, porque é um miúdo e precisamente porque nunca esteve em elencos governativos, sei que talvez seja uma causa perdida, pois seguramente, conhecendo bem a psicologia do portuga militante, eles farão a pior das escolhas, ganhará o mais incapaz e intelectualmente mais indigente, é uma coisa muito nossa, muito portuguesa.

A Sra. Leite é o terceiro vértice de uma santa trindade, ou talvez experiência científica, que separou três gémeos à nascença, a Sra. Leite, o Sr. Silva e o Sr. Sousa, se fossem gémeos verdadeiros não seriam mais parecidos. Portanto ao eleger a Sra. Leite, os militantes do PSD, elegem alguém que não ganhará eleições legislativas, porque duvido que os eleitores de Portugal se arrisquem a trocar um engenheiro por uma economista, naquilo a que poderemos chamar de uma sessão de mais do mesmo, ou na pior das hipóteses como um mudam-se as moscas...

Com o Sr. Lopes, o PSD, continuará a não ganhar eleições, espero, mas podem ter a certeza de ganhar um líder, populista até ao ridículo, farto em lugares comuns e expressões feitas, próprias de um politiqueirote terceiro mundista, será a pior das escolhas.

O Sr. Branco e o Sr. Antão, representam nada, são candidaturas descartáveis, que pretendem tão-somente fazer perceber aos verdadeiros candidatos onde e com quem estão os pesos pesados da máquina do partido, na primeira oportunidade desistem em favor de alguém, ou seja do mesmo que lhes deu indicações para avançar.

A última solução, a que considero mais ridícula e despropositada é a adiada candidatura do Sr. Jardim, valha-nos São Jericó! Imaginem o Sr. Jardim, como líder deste partido, imaginem o camarada a concorrer a umas legislativas, imaginem a completa alegoria circense em que esse acto se iria transformar, espero para bem do país que os militante do PSD tenham o bom senso de calar o Sr. Jardim e deixa-lo lá com a sua autonomia, que para mim há muito que já teria sido independência total e unilateral.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, abril 21, 2008

"Um Pequeno Gesto por Si…"

Chamo-me Fátima Potró, e sou docente do quadro de escola do grupo 520 (Biologia e Geologia), na Escola Secundária Dr. João Lopes de Morais- Mortágua.
Os meus alunos do 12º B, no âmbito da Área de Projecto, área curricular não disciplinar, desenvolveram os seguintes projectos:
"Energias Renováveis",
"Uma Escolha Saudável",
"Saúde e Socorro" e
"Ajude-nos a Ajudar"
os quais foram englobados num só, intitulado
"Um Pequeno Gesto por Si…"
A apresentação pública do projecto, prevista para dia 4 de Maio, envolve várias actividades entre as quais uma caminhada, aberta a toda a Comunidade, que culminará no recinto onde decorrerá uma "Feira das Sopas e do Pão".
A Raríssimas é nossa parceira neste evento e a Dra Paula Costa já confirmou a sua presença. Os restaurantes e as padarias locais irão oferecer a sopa e o pão, respectivamente. Os fundos angariados reverterão a favor da Raríssimas, esperando assim, podermos dar mais um contributo para que a Casa dos Marcos seja uma realidade.
Dada a importância que atribuímos à apresentação pública das actividades deste projecto e uma vez que o programa do XVII Governo Constitucional, no Capítulo V, Saúde, elege a escola como a grande promotora de Saúde junto das crianças e das suas famílias, reforçando a necessidade de efectuar um trabalho regular na Rede Nacional de Escolas Promotoras de Saúde, gostaríamos de poder contar com a presença de TODOS VOS, o que muito honraria o nosso projecto. Espero, desta forma, contribuir para o desenvolvimento de atitudes de responsabilização pessoal e social na constituição dos itinerários e projectos de vida dos meus alunos sob uma perspectiva de formação para a cidadania participada, para a aprendizagem ao longo da vida e para a promoção de um espírito empreendedor já que, enquanto cidadãos plenos, devemos desde cedo olhar a realidade circundante e… actuar.
Mesmo que seja com… "Um Pequeno Gesto por Si…"!
Atenciosamente,
Fátima Potró

segunda-feira, abril 14, 2008

O País Real

Diz o manual de aspirante a governante no seu ponto .32, alínea a) subsecção 12b, parágrafo 4º, que, “Todo o potencial aspirante ao cargo cimeiro da governação, ou todo o politico que queira mostrar serviço, deverá pelo menos uma vez deambular pelo país, mostrando ao público, potencial votante, que anda a conhecer a realidade e que está interessado no povinho, ressalvasse os incómodos de tal atitude, beijos de peixeiras escamosas e fedendo a peixonga, velhos rançosos a cheirar a urina, agricultores falidos rasos de estrume, bairros sociais atulhados de minorias piolhosas, operariado e sopeiras com mãos sujas e perfumes rascas culminando com os inevitáveis ósculos a fedelhos ranhosos e cheios de baba, no entanto e apesar de tal atitude não estar provado que traga algo de positivo é aconselhável que o político o faça.

E, lá vão eles, fazem-se à estrada, a equipa escolhe cuidadosamente os locais, assegurando-se que os momos da comunicação social lá estão, para fazer aquelas perguntas imbecis do costume, naquilo a que bem poderemos atribuir o epíteto de circo mediático, onde os malabaristas políticos tentam com maior ou menos grau equilibrar-se em terrenos que desconhecem completamente.

Esta coisa das viagens ao país real, é mais do mesmo das célebres conversas em família do tempo da outra senhora, começou pelas famosas presidências abertas de Soares e continuou por aí afora, porque a coisa caiu no goto do politiqueirote comum, além disso a populaça fica sempre admirada que os senhores todos poderosos, se dêem ao trabalho de descer da torre de marfim e venham chafurdar no pântano onde todos nós, os pobres peixes sapos vivemos, e é vê-los arregimentados aos magotes, empurrando-se a eito para apertar a mão ou beijar o galfarro de quem, não ainda há cinco minutos diziam cobras e lagartos, cuspindo no chão só de lhe ouvirem alumiar a graça.

Curioso que vejo estas coisas como um safari em África, os senhores brancos, lá vão nos seus carros potentes, caçar e visitar as palhotas dos pobres pretos, ficam muito impressionados, miram e remiram tudo, tiram fotografias, dão chocolates às crianças e fazem-se retratar juntos aos troféus abatidos, ou junto a um soba, de olhos minados pela malária e pelo álcool, no dia a seguir acordam, ala que se faz tarde e voltam para a civilização, tempos depois dizem a todos os amigos que estiveram lá, mostram as trezentas e setenta e cinco mil fotografias e pondo um ar grave e sapiente contam a experiência e as maleitas civilizacionais dos locais que visitaram, numa semana, tornaram-se em peritos sobre o local, e sobre todas as áreas desse mesmo local, pois as visitas ao país real, fazem-me lembrar isso.

Com algumas diferenças, aqui o processo é idêntico, porém aqui a caça é ao voto ou à popularidade, os pretos somos nós todos, as condições serão menos miseráveis, acho eu! No entanto o resultado é idêntico, passada uma semana os camaradas vão encher o bicho do ouvido à malta com tudo o que aprenderam sobre a terreola, tornando-se de súbito e sem mais aquela especialista, conseguindo citar nos seus discursos os exemplo e localidades que visitaram, fazendo parecer que tudo aquilo é real e é sentido.

Para além de todo o arraial e espalhafato, uma coisa é indesmentível, estes senhores ao declarem a intenção de visitar o país real, passam a si mesmos um atestado de ignorância, declarando à tripa forra, que não conhecem o país onde vivem, ora se não nos conhecem como podem querer ser os nossos governantes, se não sabem quem nós somos, como podem anunciar medidas para um país que desconhecem, fico perplexo com toda esta hipocrisia, que já não é de agora, mas que se tem acentuado.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

terça-feira, abril 08, 2008

Três por Um

Aproveito este nome, de uma sopa camponesa aqui da terra, sim porque há por cá mais coisas de rilhar que a sopeca da pedra, a sopa três por um é uma sopa enfarta brutos que cai como gingas como título para esta croniqueta desenxabida.

Ainda a propósito, e como está na moda falar da China, por lá existem umas coisas a que se chamaram as Tríades, uma espécie de Máfia chinesa, quando se falou que a imigração chinesa poderia trazer no seu regaço os embriões de semelhantes ocorrências aqui para o paraíso terrenal, que todos dizem ser Portugal, não faltou quem não deitasse as mãos à cabeça clamando contra a invasão dos malvados chins.

No entanto os pobres chineses quando cá chegaram perceberam, que por cá já existe uma tríade, que domina o povaréu labrego e atabafa as veleidades que alguém possa ter em acabar com a vigarice e a falcatrua, existe já uma tríade que tem feito as maiores malfeitorias mas que sai sempre indemne e airosa, tudo muito sério e muito honrado.

Uma trilogia de galfarros, composta pelo políticos, construtores civis e dirigentes desportivos, algumas vezes a coisa é tão bem conseguida que o mesmo camarada consegue ser as três coisas ao mesmo tempo, claro evita os intermediários, ora, esta tropa fandanga domina o panorama luso sem mais aquela palha, dispõe a seu bel-prazer de tudo e de todos, demasiadamente ocupados a esburgar o erário público com as suas vigarices e falcatruas, andam por aí em belos carros a fumar charuto, sim porque qualquer pelintra que de súbito tenha milreis, precisa de fumar charuto, porque dá estatuto, alias é ver os exemplos vários de labregos com cargos importantes, que por aí ciranda em poses de galo de terreiro.

A mistura é tão grande entre políticos, construtores e futeboleiros que chega por vezes a ser vergonhosa a impunidade com que se fazem as negociatas neste país, as mais das vezes perfeitamente às claras e sem receio algum, claro receio de quê, as policias parecem ser uns completos canhestros que nunca conseguem fazer nada que se aproveite e em condições, os códigos de leis protegem os vigaristas, alias, como são eles que fazem as leis, claro está que as fazem a pensar nas escapatórias para os colegas de profissão.

Existe uma outra coisa que me molesta, reparem, esta rapaziada é sempre toda muito séria, muito honrada muito acima de qualquer suspeita, muito bem, então expliquem-me como é que as coisas acontecem, como acontecem todo o tipo de falcatruas e galfarrices, sendo que raramente alguém é culpado de coisa alguma.

Um dia daqui a muitos anos, espero eu que alguém analise com seriedade esta questão, Portugal foi sempre um país de vigaristas poderosos, quando não, as mais das vezes no poder, mas os últimos 30 anos marcam de facto um absoluto recorde de impostores, vigaristas, aldrabões, chulos e trafulhas o maior recorde que esta pobre nação já viu, esta espécie de santa trindade que foi construindo pela sorrelfa as suas teias de compadrios, que hoje, chegam a todo o lado, tem feito das mais graves e aleivosas sangraduras à pobre terra lusa.

Mas impávidos e serenos, nós a camada lorpa, da sociedade, aplaudimos estes energúmenos, até votamos neles, sempre que eles pedem poleiro, nós anuímos, adoramos ter fotografias com eles, e se um deles entra lá na nossa tasca até lhe oferecemos o café e o bolinho, se for um pobre diabo com fome é escorraçado, mas um destes aldrabões traposos, um destes vermes nojentos, ah, isso não, eu insisto o senhor dotor aqui não paga nada! – Que infeliz corja de carneirada capada que vive neste país, sempre de cócoras, sempre dispostos a dobrar a espinhela ao poder dos poderosos de merda, dos corruptos e vigaristas, que enterram esta terra, na vala comum do esterco, para onde vão os desperdícios de uma Europa que cada vez mais cresce e floresce enquanto nós ficamos nisto.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, março 31, 2008

E=mc²

Nós cá na terra somos assim! O Einstein deve ter criado a teoria para nos satisfazer o ego, dado que nós portugueses somos uns grandes relativistas, tudo neste pardieiro é relativo, relativizamos tudo, claro está desde que não nos aconteça a nós, aí é um ai Jesus pegado, de baba ranho e choradeiras, com as carpideiras de serviço a vir ao terreiro botar faladura e vomitar impropérios atirar propostas de sevícias, do simples esquartejamento à mais requintada crucificação, somos assim uns pobres tristes relativistas.

Esta questão da violência nas escolas, é algo que não é de agora, mas que se tem agravado, e muito, com o passar da ampulheta do tempo ainda que saibamos quão remansosa é a sua passagem no que toca a assuntos que deveriam merecer atenções sérias. Este é um daqueles assuntos que mereciam mais cuidado e ponderação, no entanto os nossos sempre atentos responsáveis políticos, relativizam a coisa e centram a discussão no baixo número de queixas, o que é uma grande falácia, porque neste como noutros casos, as pessoas não se queixam em Portugal, porque têm medo, porque as autoridades não defendem ninguém, porque o estado não têm autoridade nenhuma, e a réstia que lhe sobra serve só para as cerimónias dos corta fitas de serviço e pouco mais, porque verdade verdadinha se uma pessoa honesta e diligente tiver um qualquer desacato com um dos milhares de energúmenos que andam por aí só tem duas soluções, engole e finge que nada se passou ou pega numa fusca e rebenta o coiro ao meliante, confesso já, que sou adepto da segunda.

Uma outra questão, relativa. Claro está! Como querem vocês que os fedelhos birrentos e malcriados das escolas sejam modelos de cultura e sapiência, se os exemplos que lhes são mostrados incutidos e reverenciados são na maioria dos casos da mais absoluta pobreza intelectual e degradação de costumes e moral, senão vejamos, cromos da bola putanheiros, regiamente bem pagos, politiqueiros aldrabões e ladrões que por mais que roubem nunca são presos, pais e mães engolidores de telenoveluchas rasca e revistecas cor-de-rosa sobre o bordel da alta e baixa sociedade. Televisões para mentecaptos e que só formam mentecaptos onde as horas de telelixo são o triplo de programas com interesse e conteúdos.

Transversalmente a nossa sociedade é pobre e podre, alias até a coisa anda tão mal que quando se topa com um caso de bom samaritano isso significa logo direito a televisão em horário nobre com vários ângulos de câmara e musiqueta lamechas em fundo, pois, é tão raro que a malta até desconfia, quando deveria ser o oposto.

Ora com tantos e tão fantásticos exemplos de imbecilidade conjuntural, como podemos nós almejar crianças, inteligentes, bem comportadas e fortes, quando só lhes damos exemplos tristes e miseráveis, como podemos querer formar gerações com valores edificantes quando nós preferimos a corrupção o compadrio o amiguismo, o embuste e a farsa, como podemos desejar uma coisa e fazer o seu contrário, como explicar que trinta anos de campanhas cívicas, não tenham dado resultado nenhum, trinta anos de programas de inserção não sirvam para inserir ninguém, como explicar que como sociedade somos uns falhados!

Mas claro que isto é tudo relativo, porque eu como sou um bêbado estou a ver o copo meio vazio, e os iluminados vão de certeza ver o copo meio cheio, talvez, eu seja pessimista, talvez seja isso verdade, no entanto não auguro futuro nenhum brilhante a esta terra, enquanto não for reposta a legalidade e a moralização da política e da sociedade em geral, enquanto não acabar este verdadeiro culto da impunidade que se vive neste país.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, março 24, 2008

Dá cá o telemóvel!

Quando vi as imagens da professora a tentar impor algum tipo de disciplina dentro de uma sala de aulas, recordei-me da minha primeira, única e felizmente breve passagem pelo sistema de ensino, onde me sucedeu um caso, quase em tudo semelhante excepto no desfecho, primeiro porque o meu metro e noventa dá muito jeito e depois porque os homens ainda impõem um poucochinho de respeito, bem alguns, porque havia colegas que coitados.

Porque é que algo assim acontece, e reparem, não numa escola de escumalha subsídio dependente de um qualquer bairro social, pejado de inúteis, não isto acontece numa escola de classe média com aspirações a benzecoca onde já existem muitos paizinhos a tratar os fedelhos por você, agora voltemos a perguntar porque é que isto acontece?

Os meandros da resposta são complexos, porque há que atender a muitas parcelas da equação, no entanto a resposta é simples e resume-se a uma palavra, estupidez. A estupidez tem feito maravilhas pelo sistema de ensino português, mas começemos pelos vários actores da tragédia, sim porque o ensino em Portugal assume já a grandeza de uma clássica tragédia.

O espaço físico escola, divide-se em duas classes as velharias, do tempo da outra senhora, mil vezes atamancadas para se prestarem aos tempos de hoje e as mais recentes, que adoptam na maioria dos casos que conheço os modelos nórdicos, a nossa mania quase obsessão nacional, ora umas e outras cumprem mal a função, as coisas parecem nunca ser feitas com regra e bom senso, resultando quase sempre num disparate grosso e ruinoso para o erário público.

Os alunos, os alunos, são crianças e adolescentes, que como quaisquer outros de todos os tempos, fazem asneiras e tropelias, hoje mais exarcebadas por causa do tipo de sociedade sem regras que temos.

Os pais e as suas inefáveis associações, sempre ansiosas de meterem o bedelho em tudo e mais alguma coisa, as mais das vezes sem perceberem sequer de educar os seus fedelhos, daí chegarem essas criatures às escolas enxertados em completos imbecis, birrentos, mal educados e burros que nem um alqueire de figueiras do inferno. Aos paizinhos solicita-se que eduquem, que ensinem os fedelhos a comportar-se como gente, qual quê. A maioria, como aliás ficou demonstrado nas imagens mostradas nas televisões nacionais, é uma corja de analfabrutos canhestros, que pouco mais consegue que grunhir e cuja capacidade intelectual roça a da ameba, o que dadas as circunstâncias é fantástico.

Os professores, são os hérois/vilões desta história, se é verdade que assistiram impávidos e serenos à ruína do sistema de ensino, só se manifestando finalmente quando lhes começaram a meter o dedo no esfíngter e ainda assim divididos, porque na escola ao contrário do que pareceu na manifestação, não existe união, começa logo com as lutas de capelinhas, entre os vários graus de ensino, onde cada um se julga melhor que o outro, não existindo sequer uma réstia de coordenação de entrosamento e fio condutor, o que me quer parecer também explica muito do actual estado do ensino, para além disso dentro da classe existem os intocáveis, os que têm grandes padrinhos, depois uma diferença entre os mais velhos, e os mais novos, agora a inda mais exacerbada com a divisão entre titulares e não sei o quê. Depois ainda há a ter em conta a quantidade de inúteis que vegeta pelo sistema de ensino, que tiraram o lugar a gente que ensina por gosto.

Os auxiliares de acção educativa, são outro problema desta equação, que formação tem esta gente? Que formação é obrigada a fazer? São obrigados a fazer portefolios e a cumprir milhentos programas e directivas, não? Não! Porquê? Não são essas pessoas porventura, actores indispensáveis do acto de ensinar? O dianho disto é que para auxiliar vão as senhoras enviadas pelo Centro de Emprego, há e tal como não há mais para fazer vão tomar conta dos miúdos, ora para saber tomar conta dos miúdos existem pessoas que estudaram anos a fio, então como é, estas caramelas aterram ali só porque têm amigos nos sítios certos? E esperem até as escolas passarem em definitivo para as câmaras municipais, para o disparate ainda ser maior.

Os programas escolares são coisas inenarráveis, para além de mudarem todos os anos, para além de serem o repositório de uma cretinice a toda a prova, raramente servem para alguma coisa, tenham como exemplo as actuais orientações curriculares, programas, portefólios e demais imbecilidades que se chegarem a ensinar a alguém a contar até cinco já terão realizado um grande feito, muitas vezes me pus a pensar quem seriam as doutas e iluminadas mentes que produzem tais prodígios de imbecilidade, só podem ser mentes retorcidas e completamente avessas ao que significa ensinar.

Corolário desta já longa lista, temos os senhores governantes, ministros da educação, que recordo agora não existir um nos últimos 30 anos com qualidade, os grandes destruidores do sistema de ensino foram os políticos, os senhores que tendo a responsabilidade de zelar para que a educação fosse a preocupação primeira deste país de analfabetos, fizeram precisamente o contrário, mesmo como agora, quando parece que querem fazer algo, a preocupação é meramente estatística, a ruína do sistema de ensino parece advir de gente com funções políticas e governativas, que das duas três, ou é completamente estúpida ou então é terrívelmente falha em competência, porque só assim se explica o estado miserável a que isto tudo chegou, olhem o programa “Novas Oportunidades” é disso um excelente exemplo.

Tudo isto junto no caldeiro e temos uma bela alhada, da qual nunca sairemos enquanto não existirem governantes com qualidade e gente com coragem para assumir que de uma vez por todas as pessoas não podem se reduzidas a números, pela insofismável certeza de que os números também se enganam.


Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, março 17, 2008

O "jornalista"

Há uns dias, um senhor que se diz jornalista, escreveu aquela que é a sua, infelizmente de muitos, opinião sobre os professores e sobre a manifestação dos “cem mil”. O senhor Rangel, tece uma série de considerações próprias de quem vive num outro país, o senhor Rangel, como alias a grande maioria dos farsantes desta comédia trágica chamada Portugal não faz a mínima ideia do que é ser professor, permita-me pois caro senhor que eduque vossa senhoria, naquilo a que muitos chamariam de ignorância pura e eu vou chamar de distracção.

O caro “jornalista” tem uma colunelha de opinião, onde descarrega a sua frustração, acho muito bem, também faço o mesmo aqui neste meu pobre bloguelho, no entanto até esse exercício obedece a um certo tipo de deontologia, de critério e sobretudo de em antes de botar tudo à pena, pensar maduramente sobre o assunto e conhecer aquilo sobre o que se fala, ouvindo os campos opostos, revisitando a história e por aí adiante, num exercício que cultiva as meninges.

Intróito adiante vamos ao que interessa, o meu caro “jornalista”, escreveu umas bojardas insidiosas com o título, “Hooligans em Lisboa” começa logo com o título a sua pecha, pois quer-me bem parecer que vossa excelência ignora por completo o que são os “Hooligans”, não só ignora o que e como são esses arruaceiros futeboleiros, como ignora a diferença entre uma manifestação digna e série e a actividade circense que se chama futebol.

Volta de novo ao de cima o seu desconhecimento quando mais uma vez de forma leviana e desconhecendo os factos faz uma comparação pouco séria, fruto talvez da falta de tempo que vossa excelência tem para estudar estas matérias, entre esta manifestação e a dos operários da Lisnave. Duas coisas completamente dispares, só talvez relacionadas porque ambos eram esmagados e oprimidos, uns e outros atingindo o limite, caso queira terei todo o prazer de colocar vossa excelência em contacto com um familiar meu que em 75 esteve nessa manifestação que terá todo o prazer em explicar a vossa excelência, o que foi essa manifestação, quanto ganhava um operário da Lisnave, e quantas horas trabalhava, tenha atenção senhor doutor Rangel, o meu tio é uma pessoa simples só tem a 4ª classe, mas no tempo dele deu lições a muito burro em capa de doutor, estou certo que não será esse o caso, pois afigura-se-me que vossa excelência é dos mais dotados intelectos da margem direita do mar oceano Atlântico.

O senhor lembra-se dos seus professores, tão bem que até usou os seus métodos para ensinar, aí concordo consigo, vossa senhoria teve o dom de perscrutar um dos cancros ruinosos do nosso sistema de ensino, os milhares de curiosos a quem foi permitido exercer a profissão, sem terem a mais pequena formação pedagógica e conhecimentos, convidados a dar aulas em universidades e outros locais pelo simples facto de que eram pessoas conhecidas, advogados, juízes, jornalistas, engenheiros, enfim toda uma tropa fandanga que contribuiu em muito para arruinar a credibilidade da classe e o sistema de ensino, estou certo de que vossa excelência senhor Rangel conhecerá muitos casos destes, senhoras e senhores, que se foram deixando ficar pelo ensino, porque dava jeito o salário, que faltavam quando queriam, que efectivaram em belas escolas perto de casa, que nunca tiveram de ficar num quarto de uma pensão manhosa a 600 quilómetros de casa, a fazer uma substituição de dois meses, o senhor deve conhecer alguns deles talvez até sejam seus amigos.

Diz vossa excelência que: Portugal não pode continuar a pôr cá fora jovens analfabetos, incultos e impreparados, como acontecia até aqui.” Pois é o que os professores andam a dizer há muito tempo, parece que nem esta sábia e dialogante ministra nem os anteriores parecem ouvir, e até lhe digo mais se os jovens não saem mais abrutalhados e ignaros é porque ainda há professores corajosos que se empenham e deixam de lado os programas escolares que são do mais absoluto grau de imbecilidade, junte-se a isso a tendência geral da sociedade, a influência do caixote de lixo que são as televisões, curioso vossa excelência foi até director de programas de um desses canais de tele-lixo, ai, ai vossa excelência também é um poucochinho culpado da imbecilidade dos jovens, ó meu amigo!

O senhor ignora tudo sobre o ensino, as barbaridades que profere, levam a acreditar que ou vossa excelência está enfermo de doença neurológica grave, aconselho a ida a um especialista e a que repouse mais, ou então é o desconhecimento boçal que tolda o seu arrazoado, porque o senhor Rangel, ignora que os professores não estejam contra a avaliação, mas contra esta avaliação, uma coisa torpe e canhestra que não vai levar a nada. O senhor ignora a falta de meios e condições, o senhor ignora em absoluto tudo acerca do ensino, está como a senhora ministra, que apesar de professora, me quer parecer que ou nunca deu aulas ou faz parte, dos tais “pseudo professores” a que o senhor, muito bem, faz referência

A mim também me envergonham os pseudo professores e creia-me que existem muitos, mas envergonha-me muito mais que um governo feche escolas, com alunos, que um governo obrigue crianças fazer 30, 40 ou mais quilómetros para irem à escola, envergonha-me que se trate a escola como um aviário, envergonha-me que com tretas como o inglês e por aí adiante se perca tempo e gaste dinheiro com imbecilidades quando o fundo da questão do ensino fica por resolver, envergonha-me que existam escolas onde são os professores que pagam as fotocópias dos testes dos alunos, os extintores de incêndio, escolas onde os professores tenham de ser pais, professores, psicólogos e muito mais porque os governantes ineptos e incapazes e seus cães de fila se digladiam com a carne deixando aos outros as míseras migalhas, deixando o ensino à míngua. Envergonha-me muito mais ler artigos como o seu, acaso fosse eu Jornalista, teria vergonha de ter uma carteira profissional, igual à sua, pois o senhor “jornalista” Rangel, de Jornalista não tem lá grande coisa.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

terça-feira, março 11, 2008

Para onde vais Portugal?

Sempre eterno, o problema da segurança agudiza-se, para tranquilizar o povaréu, o governo faz sair os números que desmentem a realidade num costumeiro exercício de artificialidade que creio eu já não exista ninguém que engula a patranha, por outro lado o mediatismo televisivo aumenta a febre, faz a coisa subir até roçar a paranóia colectiva, Portugal é um país seguro? Eu acho que sim, mais pela nossa maneira de ser do que por intervenção dos vários governos.

Senão vejamos a cada crise da segurança, anunciam os governos com mais polícias, o que resulta completamente redundante pois com os que se reformam, com os que ficam inaptos para o serviço de patrulhamento e com os que por qualquer outro motivo saiam a coisa fica de novo em saldo negativo, mas ainda que ao invés de dois mil, segundo o anúncio da nova leva, entrassem vinte mil, o mal seria o mesmo, porque o problema não é de efectivos é de autoridade é de meios e é de legislação.

De autoridade, porque neste momento o estado não manda nada, as polícias infelizmente ainda menos, porque completamente politizadas e manietadas nas suas acções pelo facilitismo e displicência que lhes foi imposto pelos sucessivos governos ineptos, meios porque carros, armas, helicópteros, comunicações, meios de vigilância, informática e instalações, roçam o terceiro mundista, compreende-se lá que uma polícia moderna não tenha uma unidade aérea que ajude na vigilância e detecção dos elementos perniciosos da sociedade, compreende-se lá, que as câmaras de vídeo vigilância não sejam há muito utilizadas e parte integrante do sistema judicial, compreende-se lá que as escutas as fotografias e os vídeos estejam ainda arredados do meio de prova, por pura estupidez legislativa, compreende-se lá que um polícia que rasga as calças a perseguir um bandalho tenha de comprar do seu bolso umas novas e que tenha de pensar duas vezes antes de dar um tiro a um inútil que já disparou três ao quatro. Compreende-se lá que a segurança privada não seja bem treinada e não ande armada.

Os meios, são aquilo que sabemos, velharias obsoletas, quando há gasolina não há carros e vice-versa, esquadras e quartéis a cair de podre, armas velhas e que para além disso não se podem usar, os meios de comunicação que deveriam ser de topo, bem nalguns casos são, só porque os policias e guardas usam os seus telemóveis pessoais e gastam dinheiro dos seus saldos para as comunicações, nas esquadras e quartéis quando à computadores não há tinteiros para as impressoras, o material que se compra é da mais reles qualidade, ou seja os homens trabalham na mais absoluta miséria de meios, falta tudo, camaratas decentes, viaturas, fardamento grátis, falta a GNR deixar de ser militarizada, que essa é outra pecha muito grave deste particular sistema à lusitana.

Por fim o legislador, que estou em crer, adormeceu no século XIX, a nova criminalidade, a redescoberta e criminalização da pedofilia, o tráfico internacional, o terrorismo, o crime cada vez mais organizado, parecem ser realidades a que o nosso legislador não está atento, alias não só não está atento como parece existir uma vergonhosa conivência entre o legislador e as elites do poder, o novo código é bem um exemplo disso, a mais completa e absurda desresponsabilização de actos criminosas ao colarinho branco, leva a que, por a lei ser de aplicação geral, o ladrão pé de chinelo saia também airoso de toda a galfarrice.

Se acredito que vamos mudar? Não! Acredito sim que vamos piorar, cada vez mais até atingirmos um nível de criminalidade igual a qualquer país do terceiro mundo, se bem que já existam locais onde se viva assim, sempre no medo, porque o tal Estado, que tem o dever de proteger os seus cidadãos, a mais das vezes só protege bem os canalhas e a escumalha subsidio dependente, porque a nós os pobres que alimentamos a cloaca, ninguém nos protege, só podemos confiar na sorte e invocar um qualquer deus para que consigamos evitar as ocorrências.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

terça-feira, março 04, 2008

Ó pá...

Isto das instituições públicas têm que se lhe diga, há sempre barafundas e questiúnculas, há sempre gente com brio e gente sem brio nenhum. São várias as vezes que tenho “disparatado” com gente menos correcta, alias até eu já fui alvo de uma queixa aqui no serviço por, ao que parece ter sido pouco educado, eu deveria ter partido os cornos à cavalgadura mas enfim andando. Com ou sem razão lá vamos protestando, o que é bom, pois faz com comecemos a ser todos um nadinha mais civilizados, espero!

Num destes dias foi aos correios aqui da terreola, levantar uma encomenda da minha mulher, porque essa é outra questão senhora Ministra da Educação, quem dá aulas não tem tempo para mais nada, mas andemos, ás nove em ponto lá estava eu pespegado à fria porta de metal vermelho e vidro cheio de cagadelas de mosca da estação dos correios, tinha chegado à dez minutos, tivera já tempo de fumar um cigarrito, enquanto olhava os rostos dos passantes, os olhos mortiços e cabisbaixos, recostado numa daquelas máquinas de venda automática de selos que estão à porta das estações dos correios, esta graciosamente adornada no topo com uma fantástica camada de merdum de pombo que alegremente usam a maquineta como sanitário, e que nenhum dos diligentes funcionários se dedica a limpar, é um repasto para os olhos, tirar o selozito da maquineta enquanto podemos observar toda a paleta de cores merdal da insuspeita caganita do pombo, um belo exemplo deste nosso país.

Ora abre-se a portinhola e eu, como era o primeiro da já longa bicha, avanço, decidido para a maquineta das senhas, afinco-lhe uma dedada e lá cai o papelete de cor deslavada com um número, por entre o clac clac de gralhas da audiência alguém dá um sonoro berro e diz ...ó pá, não tirem as senhas!...

- Ó pá? Ó pá o quê? A senhora conhece-me de algum lado? Ora esta agora, ó pá! Isso são maneiras de falar com as pessoas?

- Disse eu. De dentro do balcão de atendimento, uma criatura de ar baço e pele macilenta e esbranquiçada olhava para mim por sobre os óculos, fitei na cara e disse-lhe, «não esteja a olhar assim para mim, acha que me assusta com esse ar de morto vivo, não olhe assim para mim! – Acto continuo a criatura baixou os olhos e continuou o que estava a fazer, a colega que havia proferido o tal “ ó pá”desculpava-se dizendo que tinha dito aquilo para a colega e não para os clientes, ao que eu lhe disse que não punha em causa a justeza desse pleito, mas que a senhora haveria de concordar que estando numa instituição pública aqueles trejeitos não eram apropriados para atender o público além disso podiam causar mal entendidos como este.

Diligente avança o chefe, presumo que o fosse pois estava de gravata e neste país gravata é sinal de chefia de doutor ou pior. Claro que desculpasse porque a maquina das senhas e tal não estava preparada e porque torna e porque deixa, olhe caro amigo, experimente vossa excelência fazer uma coisa, tornei eu, experimente uma coisa que eu faço lá no meu emprego, experimente entrar cinco ou mesmo dez minutos mais cedo, verá que quando os clientes entrarem estará tudo pronto para trabalhar, sem haver necessidade de esperas e desesperas, de mal entendidos e de olhares cretinos.

Mais uma vez, é curioso que fui o único que estrilhei, esta minha mania parva, os outros carneiros capados que estavam lá dentro, ou sentiram-se muito bem a ser tratados por ó pá, por alguém que não conhecem ou então estão tão habituados a serem tratados como gado que já nem notam, pois eu não. Não me tratem como gado, já pouco me resta, mas a minha dignidade é minha e eu exijo respeito, ademais num local que é público, que eu contribuo para pagar os ordenados, respeitem-me como eu, os respeito.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Por um Ensino mesmo Especial!

Para quem não sabe, o ensino especial cá na terra foi sempre mau. Foi sempre uma boa desculpa para andar a laurear a pevide sem fazer ponta de corno, fingindo que se trabalhava muito, depois verdade seja dita houve a coragem de acabar com essa mordomia, mas logo de seguida assassina-se o ensino especial, caramba, diabos me carreguem se percebo esta gentinha.

Até há uns anos ia para o ensino especial dois tipos de pessoas, o primeiro tipo era o dos samaritanos, gente que adorava aquilo que fazia, que se empenhava com seriedade no ensino dos miúdos portadores das mais variadas deficiências, infelizmente este primeiro tipo era muito escasso, o mais que abundava no ensino especial era o segundo tipo, o dos oportunistas, esta rapaziada ia para o ensino especial somente porque tinham sempre colocação e ficavam praticamente em casa, mandavam às malvas os miúdos e arranjavam todas as desculpas e mais algumas para andarem no laréu.

Quando falamos de ensino especial, não falamos só de cegos, surdos-mudos, das trissomias, dos amputados, das paralisias, não; falamos também do grande espectro das dislexias, dos comportamentos de risco, dos défices de atenção, da hiperactividade, dos atrasos mentais e da multi-deficiência profunda. Quando falamos de ensino especial, lá vem à baila a questão da inclusão, coisa que deve confessar abomino, mas enfim é uma palhaçada dos tempos modernos, que nos enfiam pela goela com a confiada justificação de que assim é que é bonito, e tadinhos dos deficientezinhos já estão na sala de aulas com os outros, uma parvoíce pura e simples.

Mas falemos do novo ensino especial, proposto pelo actual ministério. Imaginem, que numa sala com 24 miúdos normais, existe um multi-deficiente, imaginem que essa sala só tem um professor e um auxiliar, isto na pré, porque em graus mais avançados desta coisa que vão chamando ensino só têm o professor, imaginem-se dentro dessa sala, a tentar dar umas aula, percebem pelo cheiro que o miúdo com deficiência fez chichi ou pior, como é que fazem?

Chamam a auxiliar, saem da sala, instala-se o caos, para a aula, o pico de concentração já se perdeu, retomam depois uma e outra vez, sempre até ao vosso esgotamento, imaginem que na vossa sala existe um deficiente com um atraso mental, não muito profundo, mas o suficiente, para necessitar de um maior acompanhamento, como reagem os outros miúdos? E se esse miúdo for alvo de abuso, se lhe despirem as calças na casa de banho e lhe baterem nos genitais, se lhe cortarem o cabelo com um x-acto, se enfim o miúdo for alvo deste tipo de coisas como é, quem lhe dá apoio, você não é psicóloga é só professora, e terapia da fala quem dá? O professor, como, este é um tipo de trabalho moroso e muito exigente, quem ensina os restantes miúdos?

Poderia continuar e falar de milhentas outras situações, que só tornariam ainda pior o que aí vem, a alteração do ensino especial, para uma coisa completamente híbrida e sem lógica absolutamente nenhuma, é tão atroz que faz pensar, que raio de gente manda neste ministério, a cegueira economicista é tão grande, que se vão destruir de uma penada coisas que funcionam muito bem e deveriam ser o exemplo do ensino público.

Nem a propósito, há tempo esteve aqui um amigo que é professor do ensino especial na Suécia, pois lá vai ele buscar exemplos desses, ó Barão devia era mostrar exemplos mais edificantes como os do Burundi ou do Gana, esses sim, bem mais próximos de nós! – Pois, mas resolvi ilustrar este da Suécia, então leiam e chorem, as turmas são pequenas, até 18 alunos, se existe um aluno ou dois com necessidade educativas especiais, cada um deles tem um professor atribuído, que na sala vais trabalhando com o miúdo, dentro das suas possibilidades cognitivas. Cá um pobre miúdo que tenha problemas na fala, tem terapia uma vez por semana, aí uma horita e já vai com sorte. Qual é a diferença, simples, na Suécia preocupam-se com as pessoas, cá fingem que se preocupam, cá esta cáfila de indigentes cerebrais que ocupa os cargos do poder tratar em primeiro lugar de encharcar a pança em comezainas e borracheiras, depois em forrar a nota de conto os alforges e por em salvo a família e os amigos, só depois e após ter engordado também alguns parasitas que por aí vegetam sempre agarrados ao canelo das elites é que os senhores importantes se lembram dos desgraçados que lhes pagam os impostos. Que vergonha sinto desta gentalha, a quem estas maiorias de igual gentalha dá as rédeas do poder, num embuste a que curiosamente insistimos em chamar democracia!

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

A primeira viagem do Titanic

Eu realmente sou um lírico, ainda acredito na qualidade dos nossos políticos, apesar de estar mais que provado que não valem um chavo, pelo menos estes que vamos sendo obrigados a engolir, mas adiante, ontem ao ligar o aparelhamento televisivo, tendo primeiro de remover as teias de aranha, tal é o excesso de não uso do zingarelho, deparo-me com a seguinte cena macaca, palanque com um microfone, grande bandeira da partidarite laranja, ao centro bem ao centro com aquele ar de criança abandonada, estava o actual líder do maior partido da oposição, num dos seus já costumeiros arroubos de obstipação verbal.

Questiona-se o cavalheiro, sobre esta sucessão de escândalos, trafulhices, broncas e barracadas que envolvem sempre membros do seu partido e do partido dos seus acólitozecos popularuchos, está espantado diz o cavalheiro, que surjam estas coisas, que ataquem estes senhores, todos muito honrados, que é uma campanha, que ainda bem que nenhum foi ainda presente a tribunal.

Caríssimo senhor, a mim o que me espanta é a sua falta de bom senso, a sua falta de vergonha, ficaria eu feliz se visse que vossa excelência, pugnasse para que realmente fossem apurados os meandros destas falcatruas, que se esmiuçassem até ao mais ínfimo pormenor os cantos dilatórios e escusos destas trapalhadas, e que os culpados fossem, indiciados, julgados, sentenciados, punidos e encarcerados, a bem da moralização da classe política desta terra, ficaria eu encantado se vossa excelência, propusesse não como uma criança birrenta a ameaça que deixa cair o pacto da Justiça, mas antes que reafirmasse a firme intenção de combater este flagelo e caucionar com a sua perseverança e pundonor um mais firme combate aos galfarros que habitam nas capelas do poder.

Gostaria de o ter visto questionar sim a actuação, dessa gentinha, sim porque os casos estão aí e por muita fé que nos mova ninguém poderá atribuir ao divino espírito santo a feitura dos disparates, que mais uma vez lesam o estado, ou seja o cidadão pagante, em milhões, para além de lesar o património, sim porque os sobreiros da herdade de Benavente foram mesmo abatidos, o casino transitou mesmo para a posse da empresa que o explora, os submarinos foram mesmo adquiridos, os dinheiritos apareceram mesmo nas contas do seu partido etcoetera e tal, mas eu percebo, é a velha síndrome lusa da malvada solteirona a Culpa, e os seus filhos os culpados, pobres órfãos sem pai.

Mas ao invés de reclamar contra a galfarrice e disparate, vossa excelência revelou a sua titubeante condição de liderzeco enjeitado, um líder de transição que prevejo irá ser apunhalado mais tarde ou mais cedo pelo seu actual líder parlamentar, que anda já afoito a mostrar-se às hostes. Não adiantou nada, afundou-se ainda mais, as suas declarações soam a qualquer pessoa minimamente inteligente como uma grande calinada, igual aliás a outras que já nos habituou, deixo em guisa de conselho um último reparo, quando vossa excelência se propuser a falar em sinal aberto, em antes de falar lembre-se daquele adágio que diz …ou entra mosca ou sai asneira…

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Efeito marinho ou a brisa do mar!

Chame-se o que se queira ao homem, populista, demagogo, candidato putativo da esquerda ao assalto à presidência, louco, inconveniente, desbragado, enfim desse-lhe o epíteto que se queira, um facto é indesmentível, o homem mexeu no edifício, fez a coisa abanar, chamou os bois pelos nomes e despertou a classe politiqueira e os seus acólitos e cães de fila para a realidade.

Marinho Pinto, disse, e muito bem, com todas as letras aquilo que todos nós os Zés Pagantes sabemos que é verdade, falou da vergonhosa, decadência moral, da torpeza e sacanice dos nossos eleitos, das falcatruas e negociatas, dos embustes e vigarices que diariamente e ao longo destes anos temos assistido impávidos,

São tantas as vigarices, que dificilmente encontraremos um governante, um deputado, um autarca, que por decisão ou por omissão, nelas não haja tido algum tipo de participação, quando não muitas das vezes, as mais das vezes até, disso não haja tirado dividendos, acredito porém que alguns, por simples inépcia, por laxismo, por excesso de confiança em terceiros ou por pura estupidez são enredados nas teias da burla, tal e qual vai o anho ao sacrifício.

Mas, caríssimas e caríssimos concidadãos dolentes e pasmacentos, muitos há, que sendo, que são, dos mais, mais rematados e maiores galfarros de colarinho branco desta terra, o fazem a prejuízo de todos nós e com o único fito de encher as suas já gordas algibeiras.

Senão como explicam que damas e cavalheiros, com tenra idade possuam já pecúlios dignos de um qualquer Midas, como explicam que crianças com pouco mais de quarenta anos de idade, tenham três ou quatro casas, mais outros tantos carros, como explicam que tantos titulares de cargos públicos tenham pedido escusa de publicitação das suas declarações de impostos e património, pois claro não explicam, ou antes explicam, com anedotas risíveis, como as heranças, de todo plausível mas facilmente provável e mandatóriamente carente de declaração em sede fiscal ou ainda com escusos sobrinhos taxistas a laborar em conhecidos paraísos fiscais.

A mor moléstia desta estância de impedidos intelectuais, não é como tropegamente se propala, a nossa pobreza endémica, a falta de recursos e demais fadários, a mais das maleitas é sermos uma corja de sacanas, de vigaristas e de aldrabões que envergonhamos a espécie humana, esse é o nosso maior mal.

Honestidade, cá pela terra é palavreca vã, dichote ridículo nos tempos que correm coisa arcaica, coisa de avoengo de antanho de barba crescida e colarinho apertado até acima, espanta-me até que com a imbecilidade do novo acordo ortográfico não tenha sido obliterada, hoje não se olha a meios, quando toca a encher a barrigana com os óbolos, soldos e dobrões do erário público, alias a tal da Fazenda Pública, é o que há de mais semelhante ao maná bíblico, com só uma diferença, apesar de andarmos todos a errar pelas areias cálidas, só alguns camelos, enchem a pança, o resto de nós, tristonhos camelídeos, continua a blaterar sem vistas de sorte, vivendo de migalhas.

Chamar louco ao homem por ter dito a verdade, a sua verdade, que é também a minha, colocou a nu a vergonhosa conspiração que vai pelos corredores de poder, onde a esquerda tapa a direita e a tapa a esquerda, com o centro sempre placidamente a viver a sombra dos papões, papando também. Senão atentem, eles nomeiam-se uns aos outros e aos seus filhos e filhas, sobrinhos e sobrinhas e demais famelga, para os lugares dos tachos, depois é rapar, quando a coisa aperta como agora, viram-se para a maralha e tocar a carregar o povaréu de sisas e dízimos porque temos de manter os iates e as quintas com cavalos, nós os pategos tristes e imbecilizados pelos confrontos mediáticos das televisões, jornais, rádios e revista de que eles são donos, aqui andamos a discutir a selecção nacional, a táctica do treinador do Travanquense e se alguma gata pelosa das revistas cor-de-rosa encornou ou não o último parceiro que é só mais um na já extensa lista de cornudos.

Enquanto isso os alarves, as sanguessugas engordam com as falcatruas, e, quando alguém levanta a voz e clama, logo se fazem ouvir os cães de fila a ladrar aqui d’el rey.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Semana Europeia da Mobilidade

Neste nosso mundo insalubre que estagna lentamente com a estupidez e laxismos de uns e de outros, é sempre ver que se vão fazendo coisas boas, ou coisas com boa intenção, ainda que todos saibamos que de boas intenções está o inferno cheio.

Uma delas é esta semana europeia da mobilidade, onde os cidadãos são aconselhados a deixar o carro na garagem, isto é aqueles que ainda não a transformaram num anexo, deixando a carripana na rua a entulhar ainda mais a dita, pede-se ao cidadão que anda a pé, de bicicleta de patins, enfim que largue a maldita dependência do petróleo, larga a porcaria do carro e anda a pé ou de transportes públicos, é uma excelente iniciativa, aqui os labregos da minha terra bem faziam por aderir em massa, mas andando.

Num grupo de 2000 mil cidades de vários países que concorrem ao prémio instituído pela União Europeia que visa premiar a cidade que melhor faz por cumprir os desígnios deste evento, que conta com várias dezenas de cidades de Portugal é com um orgulho desmedido que vejo o nome de Almeirim, nos dez primeiros, ou seja esta pequena terreola, está a ombrear com cidades com Franqueforte, Budapeste, Sheffield, entre outras, estamos a disputar o primeiro prémio com aqueles gigantes, isso meus caros enche de orgulho quem como eu gosta da sua terra, dia 13 de Fevereiro em Bruxelas, será anunciado a cidade vencedora, ainda que Almeirim não ganhe, o facto de estar entre os melhores é por si só uma nota de excelência neste mar de sensaboria.

Estão de parabéns todos aqueles que pugnaram para o sucesso desta candidatura, a autarquia, os funcionários e responsáveis políticos que levaram este feito avante, é destas coisas, claro que para o matarruano normal são incipientes, dizia eu é destas coisas que se faz o edifício da participação cívica deste país, óbvio que a participação de todos terá de ser mais e melhor, mas e desculpem a soberba, estou impante de orgulho com esta notícia, é coisa pequenina, cá calhando sem alcance mas é bonito ver, que quando se quer e se trabalha com seriedade e dignidade as coisas boas acontecem e os exemplos edificantes aparecem.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Tenham vergonha!

Ele há dias assim, em que parece que a nossa boca é uma cloaca de onde só sai caquinha da grossa, dias em que mais valia não sairmos de casa! Todos nós passamos por esta contingência, um dia por outro de quando em vez, zás, trás catrapás, vem um dia desses, no entanto alguns de entre nós parecem estar talhados para o inverso, ou seja, de quando em vez é que não sai asneirada da bocarra, porque as mais das vezes os cérebros estão entupidos de tal maneira que não há hipótese, abrem a boca e lá vem um enxurrada de troçulhos.

Vem esta divagação a propósito das bojardas, recentemente proferidas por duas personagens desta opereta bufa a que chamamos país, acerca da ASAE. Um preferiu a graçola, convenhamos que é melhor o camarada ficar-se como político, porque como comediante, é uma nulidade, como político não será melhor, como gestor, já o conhecemos, ou antes conhecemos o seu jeito para abrir buracos, na câmara que geria consta um buraquito de 225 milhões, coisa pouca para quem almeja ser primeiro-ministro, sim porque se não for evacuado antes este incómodo, vai ser primeiro-ministro! Esta laminária politica, douto cérebro iluminado, comparou a ASAE ao FBI americano por ir às feiras com os agentes encapuzados.

Outra personagem, curiosamente do mesmo partidelho, do anterior, será que por aquelas bandas é a semana de bater na ASAE, comparou a ASAE à PIDE, numa arroubo da mais pura demagogia, para ser simpático, porque o que apetece dizer é pura estupidez, mas como sou um tipo educado e respeitador não o direi.

Concorde-se ou não com a actuação da ASAE, creia-se que vão ou não longe demais, aqui o importante a reter é que a ASAE, presta um serviço inestimável ao país, ou seja, tenta por ordem no caos anárquico que até então vivíamos. A maioria da legislação que faz aplicar, foi transposta para a nossa legislação por imposição das directivas europeias, e em boa hora, para acabar com o regabofe que por aí reina, continua a reinar é um facto, mas pelo menos agora vai-se fazendo alguma coisa.

Comparar a ASAE à PIDE, é ser completamente desprovido de bom senso, é a mais absurda e sem nexo declaração dos últimos tempos, é uma afirmação infeliz, de alguém a quem o decoro e sentido de Estado deveria fazer pensar em antes de proferir tais atentados ao uso da inteligência, uso esse que nos distingue do resto das bestas.

Comparar a ASAE ao FBI, relativizando o trabalho importante que fazem nas feiras, combatendo, o tráfico e as sanguessugas gulosas que laboram nessas áreas, é completamente infeliz, mostra o desconhecimento completo da realidade, do perigo real que os profissionais da ASAE e das Polícias correm quando vão a esses locais pejados de facínoras subsídio dependentes, em suma, o senhor líder do maior partido da oposição perdeu o decoro e também a responsabilidade que tem enquanto responsável político do partido que irá ser governo.

Resumindo, duas pessoas, com responsabilidades que agem como se fossem meros, transeuntes, meros protestantes de taberna, revelando a sua pouca qualidade política, pois se quiserem ser sérios, dirão que a ASAE, só faz o que lhe mandam, e que os governos, políticos, deputados da Nação e Euro deputados, nunca levantaram um dedo sequer para fazer respeitar a nossa cultura e tradições, pura e simplesmente venderam-se a troco dos milhões que foram engordar as contas de vários sobrinhos taxistas, estucadores e trolhas a trabalhar noutros países, de preferência países que não façam parte da União Europeia e que sejam paraísos fiscais.

Tenham vergonha!

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia