Quando vi as imagens da professora a tentar impor algum tipo de disciplina dentro de uma sala de aulas, recordei-me da minha primeira, única e felizmente breve passagem pelo sistema de ensino, onde me sucedeu um caso, quase em tudo semelhante excepto no desfecho, primeiro porque o meu metro e noventa dá muito jeito e depois porque os homens ainda impõem um poucochinho de respeito, bem alguns, porque havia colegas que coitados.
Porque é que algo assim acontece, e reparem, não numa escola de escumalha subsídio dependente de um qualquer bairro social, pejado de inúteis, não isto acontece numa escola de classe média com aspirações a benzecoca onde já existem muitos paizinhos a tratar os fedelhos por você, agora voltemos a perguntar porque é que isto acontece?
Os meandros da resposta são complexos, porque há que atender a muitas parcelas da equação, no entanto a resposta é simples e resume-se a uma palavra, estupidez. A estupidez tem feito maravilhas pelo sistema de ensino português, mas começemos pelos vários actores da tragédia, sim porque o ensino em Portugal assume já a grandeza de uma clássica tragédia.
O espaço físico escola, divide-se em duas classes as velharias, do tempo da outra senhora, mil vezes atamancadas para se prestarem aos tempos de hoje e as mais recentes, que adoptam na maioria dos casos que conheço os modelos nórdicos, a nossa mania quase obsessão nacional, ora umas e outras cumprem mal a função, as coisas parecem nunca ser feitas com regra e bom senso, resultando quase sempre num disparate grosso e ruinoso para o erário público.
Os alunos, os alunos, são crianças e adolescentes, que como quaisquer outros de todos os tempos, fazem asneiras e tropelias, hoje mais exarcebadas por causa do tipo de sociedade sem regras que temos.
Os pais e as suas inefáveis associações, sempre ansiosas de meterem o bedelho em tudo e mais alguma coisa, as mais das vezes sem perceberem sequer de educar os seus fedelhos, daí chegarem essas criatures às escolas enxertados em completos imbecis, birrentos, mal educados e burros que nem um alqueire de figueiras do inferno. Aos paizinhos solicita-se que eduquem, que ensinem os fedelhos a comportar-se como gente, qual quê. A maioria, como aliás ficou demonstrado nas imagens mostradas nas televisões nacionais, é uma corja de analfabrutos canhestros, que pouco mais consegue que grunhir e cuja capacidade intelectual roça a da ameba, o que dadas as circunstâncias é fantástico.
Os professores, são os hérois/vilões desta história, se é verdade que assistiram impávidos e serenos à ruína do sistema de ensino, só se manifestando finalmente quando lhes começaram a meter o dedo no esfíngter e ainda assim divididos, porque na escola ao contrário do que pareceu na manifestação, não existe união, começa logo com as lutas de capelinhas, entre os vários graus de ensino, onde cada um se julga melhor que o outro, não existindo sequer uma réstia de coordenação de entrosamento e fio condutor, o que me quer parecer também explica muito do actual estado do ensino, para além disso dentro da classe existem os intocáveis, os que têm grandes padrinhos, depois uma diferença entre os mais velhos, e os mais novos, agora a inda mais exacerbada com a divisão entre titulares e não sei o quê. Depois ainda há a ter em conta a quantidade de inúteis que vegeta pelo sistema de ensino, que tiraram o lugar a gente que ensina por gosto.
Os auxiliares de acção educativa, são outro problema desta equação, que formação tem esta gente? Que formação é obrigada a fazer? São obrigados a fazer portefolios e a cumprir milhentos programas e directivas, não? Não! Porquê? Não são essas pessoas porventura, actores indispensáveis do acto de ensinar? O dianho disto é que para auxiliar vão as senhoras enviadas pelo Centro de Emprego, há e tal como não há mais para fazer vão tomar conta dos miúdos, ora para saber tomar conta dos miúdos existem pessoas que estudaram anos a fio, então como é, estas caramelas aterram ali só porque têm amigos nos sítios certos? E esperem até as escolas passarem em definitivo para as câmaras municipais, para o disparate ainda ser maior.
Os programas escolares são coisas inenarráveis, para além de mudarem todos os anos, para além de serem o repositório de uma cretinice a toda a prova, raramente servem para alguma coisa, tenham como exemplo as actuais orientações curriculares, programas, portefólios e demais imbecilidades que se chegarem a ensinar a alguém a contar até cinco já terão realizado um grande feito, muitas vezes me pus a pensar quem seriam as doutas e iluminadas mentes que produzem tais prodígios de imbecilidade, só podem ser mentes retorcidas e completamente avessas ao que significa ensinar.
Corolário desta já longa lista, temos os senhores governantes, ministros da educação, que recordo agora não existir um nos últimos 30 anos com qualidade, os grandes destruidores do sistema de ensino foram os políticos, os senhores que tendo a responsabilidade de zelar para que a educação fosse a preocupação primeira deste país de analfabetos, fizeram precisamente o contrário, mesmo como agora, quando parece que querem fazer algo, a preocupação é meramente estatística, a ruína do sistema de ensino parece advir de gente com funções políticas e governativas, que das duas três, ou é completamente estúpida ou então é terrívelmente falha em competência, porque só assim se explica o estado miserável a que isto tudo chegou, olhem o programa “Novas Oportunidades” é disso um excelente exemplo.
Tudo isto junto no caldeiro e temos uma bela alhada, da qual nunca sairemos enquanto não existirem governantes com qualidade e gente com coragem para assumir que de uma vez por todas as pessoas não podem se reduzidas a números, pela insofismável certeza de que os números também se enganam.
Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia