No dealbar do ano ancião, já com as esperanças postas no seguinte, uma enfastiada olhadela por um diário dos nossos, e lá estava ele, resplandecente em toda a proverbial cátedra de historiador, comentador, escritor, político e entendido em tudo o que exista, naquilo a que cá na terra chamamos um “caga sentenças”.
Pacheco, discorria num artigo de dilecta prosa intelectual, sim que esse mérito ninguém lho tira, da justeza das suas ideias, considerando que o panorama blogueiro nacional, só demonstra ainda mais a nossa pobreza, quer o cavalheiro então dizer, que à laia de todo o resto os blogues cá da nação, donos e senhores da mais absoluta pobreza intelectual, os blogues lusos são para o Pacheco uma coisa insulsa e vulgar, que mais não são que manifestações de um egocentrismo desmesurado dos seus possuidores.
Ah, meu pobre Pacheco, eu até percebo, tudo era tão mais fácil quando só os Pachecos, os Albuquerques ou os Braganças, dominavam o povaréu, tudo era tão mais fácil quando, as elites, habituadas a admirarem-se uns aos outros, mantinham com rédea curta os latidos da canzoada rafeira, que se arrastava pela lama dos subúrbios infectos e das fabriquetas artesanais ou dos campos infestados de mosquitos, ah que belos eram esses tempos.
Pois, mas ó Pacheco, isto evolui pá! Porreira pá! Dirás tu, meu bom Pacheco, quem te lê e te adora, cruzes canhoto, alias aja pachorra para te ler ó Pacheco, para consumir as tuas bojardas, para acreditar nas tuas balelas, muitas vezes se percebendo nelas que tu ó Pacheco, não vives neste mundo não sabes quanto custa um litro de leite ou um pão, nem quantos vivem no terror de não conseguirem no dia a dia esse magro sustento, pois é Pacheco, no fundo eu e tu somos iguais, ainda que motivados por interesses diversos, somos ambos uns caga-sentenças, só que a ti pagam-te e bem e tens milhares de leitores, vá lá perceber-se porquê, a mim não me pagam e poucos lêem as insignificâncias que escrevo.
Dizes tu também ó ilustre Pacheco, que os blogues não gostam de críticas, são como os outros meios de comunicação, dizes tu. Claro, é típico é nacional, é talvez cultural, só gostamos dos gajos que concordam connosco, dos outros não gostamos, olha o exemplo vem das elites intelectuais que tu meu caga sentenças representas, ademais, num país de miseráveis, com políticos medíocres, jornais nojentos, televisões imbecilizantes, intelectuais de esgoto se calhar querias blogues de eleição, não! Pacheco, Pacheco meu rapaz! Tu tens um blogue, uma coisita arrogante e farsola, que encapota todo o teu fel, porque como político foste sempre uma nulidade, não te dás bem com os senhores, pá tudo bem, parte para outra, mas essa de quereres blogues de excelência, essa faz-me rir, pois porque com os exemplos que tu e outros da tua laia dão, como é que querem ter coisas boas.
Mas erras meu excelso Pacheco, erras porque temos blogues bons, mesmo muito bons, blogues de gente anónima, de gente com alma e com garra, mas mesmo que não existissem blogues bons, o facto de os haver, é só por si uma excelente conquista, devias ficar contente ó Pacheco, contente com o facto de que há gente que desperta, há gente que faz coisas que se empenha, mas não tu Pacheco és demasiado inteligente para desceres ao simples nível do dia a dia de um ser normal, porque ó Pacheco há uma coisita que se chama o livre arbítrio, claro que isso para ti é uma chatice, mas por si só esse livre arbítrio faz com que sejamos um poucochinho livres e que façamos o que nos der na gana, concordo contigo porém numa coisa, há blogues de merda, verdadeiros atentados ao intelecto, mas isso faz parte do mistério insondável do que é ser humano.
Pacheco, aceita os cumprimentos sentidos deste homónimo caga sentenças anónimo, que se me permites te envia um conselho, para a próxima quando tiveres uma ideia para escreves algo na linha do artigo que te publicaram no jornal, finge que te dói a barriga, vai à sanita e arreia o calhau, liberta esses eflúvios que te verrumam as entranhas deixa sair toda essa bílis e vai ao supermercado, fazer compras, finge que só ganhas o salário mínimo e tenta alimentar uma família com esse dinheiro, estou mais que certo que terás mais e melhores assuntos para libertar toda a tua reconhecida inteligência.
Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia