segunda-feira, setembro 24, 2007

Geração Neanderthal

Anos atrás, um artigo já não sei de quem, fazia correr mares de tintas, o homem apodava os miúdos de então de “Geração” rasca, essa rapaziada tem hoje trinta e picos quarenta anos e está a produzir outro fenómeno interessante a que resolvi dar o nome de, “Geração Neanderthal”.

Na altura o artigo do dito camarada irritou-me, escrevinhei na altura, sim já então tinha a mania de que sabia escrever, um panfletozeco de título “Geração à Rasca”, onde discorria sobre a iniquidade do epíteto do cavalheiro, “Vanitas Omnia Vanitas”. Hoje, tenho de pedir desculpa ao homem, ele tinha razão, esse visionário, tinha carradas de razão.

A tal rasca Geração, produz alegremente ainda que de forma insuficiente para as necessidades do país uma coisa ainda mais degradante, a Geração Neanderthal, naquilo que é uma evolução em negativa, o crianço/adolescente até aos 30 anos, médio actual é um ou uma, fedelho birrento e semi analfabeto, mal-educado e completamente estupidificado pela globalização cultural, uma coisa pavorosa, claro que, ainda bem, existem ainda muito bons exemplos, cada vez menos, de miúdos atilados e diligentes, que está claro formarão as futuras elites, que tratarão de viver a explorar a vasta massa de asnos que estamos a produzir, e, não sou eu que o digo são as estatísticas, o abandono escolar, as notas vergonhosas, os comportamentos imbecilóides, as modas estúpidas, tudo isso concorre para esta massificação da estupidez, o que é de todo um contra-senso, pois em tempo nenhum da história do homem existiu tanto conhecimento e de acesso tão fácil.

No entanto numa coisa perfeitamente insana, esta geração pretere a sapiência em favor da asneirada, pretere a excelência em favor da imbecilidade pura, abraça o facilitismo e consumismo anárquico dos indigentes intelectuais, porquê, senhores, porquê?

Elementar meus caros! Como diria o homem de Baker Street. Já repararam por ventura nos exemplos, que lhes chegam todos os dias, já repararam nas atitudes dos mais velhos, já repararam nos edificantes modelos que os putos têm para seguir, para glorificar e imitar.

Políticos miseráveis e aldrabões, chutadores de bola analfabetos e excessivamente pagos, pais ausentes e imbecis, médicos impostores e mercenários, professores sem conhecimentos e trapalhões, juízes de quinta apanha, séries de televisão néscias e pelintras, patrões farroupilhas e falcatos, trabalhadores ineptos e absentistas, enfim todo um modelo de sociedade que se comunga para produzir a mais rematada corja de incapazes que já alguma vez existiu.

Senão reparem, as anteriores gerações, destacaram-se sempre por alguma grandiloquente conquista, a Geração da independência e da Conquista, a Geração de Aljubarrota, a Geração das Descobertas, A Geração da Restauração da independência, a Geração de Pombal, todos em maior ou menor grau e claro que com muito de mau a apontar, conseguiram dar exemplos edificantes de labor, conquista entrega e sacrifício, ao contrário as Gerações destes últimos duzentos anos, conseguiram o quê? Em primeiro, perder tudo pelo qual, nos seiscentos anos anteriores, tanta gente lutou, hipotecar e desbaratar, em traficâncias, compadrios e desvios os cabedais da fazenda pública, corromper completamente as anteparas de um país, que era pobre, pequeno mas honrado, valha-nos porém que deram ao Mundo excelentes e soberbos escribas, Antero, Eça, Camilo, Pessoa, Junqueiro, Saramago, Agustina, Lídia, Sofia enfim uma enormidade de gente que infelizmente tanto os Rasca como os Neandertais não lêem.

Desembocamos na Geração da estupidez pura, neste mar oceano de bobos da corte, toleirões e enfatuados, analfabetos e asnos, que volteja ao redor das modas como mariposas tontas à roda do castiçal, sem sequer tomarem tino do rumo, pois isto vai acabar mal, quase é certo, que vai.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, setembro 19, 2007

Desafio Aceite


[Mas isso é porque aprendemos a separar a necessidade de segurança da confiança numa intervenção divina instantânea nos assuntos terrenos]
in, Uma História da Guerra, Keegan, John, Editora Tinta da China, Lisboa, 1º Edição Outubro de 2006

Aceitando o desafio de dois caros amigos da blogoesfera, a Trequita e o Bom Gigante, resolvi responder, o desafio é simples, consta de:

1º Pegar no livro mais próximo
2º Abri-lo na página 161
3º Procurar a 5º frase completa
4º Colocar a frase no blog
5º Não escolher a melhor frase nem o melhor livro (usar o mais próximo)
6º Passar o desafio a cinco pessoas

O livro que estou a ler neste momento: "Uma História da Guerra" de John Keegan, um conceituadíssimo estudioso do fenômeno militar, é uma excelente resenha, histórica, política, social e cultural do fenômeno da Guerra no seio da Humanidade.

Passo o desafio a.... sei lá, vou tirar à sorte:
125Azul
Capitão Merda
Heresias Consentidas
As the World Turns
Ruby Sackville Baggins

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, setembro 17, 2007

Diário de Férias I

Ao princípio impressionaram-me os olhos, grandes, expressivos, negros, com a profundidade de uma alma generosa e alegre, depois foi a história de uma mulher igual a tantas outras, uma história de amores e desamores, onde as tristezas mais são que as alegrias, ainda assim não tiram o brilho a estas gentes fantásticas, depois de conhecer a sua história ainda me impressionou mais.

Mas adianto-me, comecemos pelo principio, estava de férias num poiso habitual com a malta habitual, entre todos, existem cinco fedelhotes piquenos, cinco diabretes, sentado no barzinho que serve de apoio à praia discuto com o Carlos a trabalheira que vai ser, estar atento aquela malta toda, sim porque apesar de sermos uns labregos da província, um ou outro detentor de uma licenciatureca verdadeira, mais prós graduação e mestrados incompletos, não somos pessoas de deixar os putos a dormir para ir para os copos e muito menos deixa-los sós, prezamo-nos por sermos pais galinha, mas lá estou de novo a fugir à história, isto foi só um aparte.

Discorria-mos então entre uma fresquinha e outra sobre como atalhar a coisa e manter os porta cueiros debaixo de olho, quando a senhora do barzinho a Almerinda nos diz: - Olhe se quiser a minha Raquel pode tomar conta dos meninos, ela tem muito jeito, para as crianças!

- Olhamos um para o outro, pagamos a cervejola e fomos conferenciar com o resto da maralha, trato feito, combinado o preço a Raquel nos sete dias seguintes foi a nossa melhor arma, para garantir que nada acontecia à pequenada.

Mas também não é da Raquel que vos quero falar, alias não é só dela. Quero, falar-vos é da mãe, que é a dona do barzinho, é eufemismo chamar barzinho aquela barraquinha mas enfim. A Almerinda, é uma mulher de armas, há dois anos o marido, pescador, seguindo a tradição do pai, morreu de ataque cardíaco, ficou só com os cinco filhos, o Marco de 3 anos, a Joana de 7, o Ruben de 12, a Raquel de 17 e o Miguel de 19, vivem todos num T2 num bairro social.

A Almerinda esfalfa-se a trabalhar, vê-se que foi uma mulher bonita, ainda o é, apesar de envelhecida precocemente, guarda ainda traços dessa rara beleza mediterrânica, onde o tisnado do sol se alia a lábios grossos e olhos amendoados, ancas fortes e seios fartos de mulher de trabalho, uma verdadeira força da natureza. Trabalha a dias, limpa escadas, passa a ferro, apanha fruta, nos meses de Verão explora este pequeno apoio de praia a meias com o irmão que faz de banheiro junto com o sobrinho Miguel que para além disso, frequenta a Universidade num curso de engenharia onde é bolseiro de excelência, nunca tendo perdido um ano, a Raquel segue-lhe no rasto entrou este ano também com uma bolsa para enfermagem, mas ela gostava era de ser educadora, adora crianças.

Candidatou-se a Almerinda a subsídios vários, daqueles que são dados ao desbarato, entregues de mão beijada à ralé que nada produz, mas não foi aceite, por ter o bar é considerada uma empresária de sucesso, creiam-me que não o é, vivem com dificuldades, sempre com o dinheiro contado, no prédio ao lado do da Almerinda vive uma dessas excelentes famílias de nómadas trapaceiros, vivem com muitos euros de apoios, subsídio para os 3 putos irem à escola, que vão quando lhes apetece mas o dinheirinho é sempre a cair, pagam cinquenta euros de renda a Almerinda paga 120, o papá para equilibrar as contas vende umas 6.35mm adaptadas, mais umas gramas de pó e lá vai andando, umas vezes de BMW, outras na carrinha Vito, um verdadeiro magnata.

Agora perguntou eu. Que merda de país é este? Que merda de país discrimina assim os seus cidadãos? Que merda de terra é esta que, trata assim mal as pessoas honestas e trabalhadoras e premeia a escumalha? Senti pena da Almerinda e dos seus meninos, olhava para os nossos e pensava nos dela, tantas Almerindas, tanta tristeza, tanto sofrimento, tanta gente que se perde, tudo perfeitamente evitável, se acaso, entre as várias encomendas estragadas que se entretêm a fazer de conta, por entre os corredores do poder, existisse algum, com alguma qualidade.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, setembro 12, 2007

Ir para o Maneta

Expressão fantástica do quotidiano Luso, nascida ao tempo das invasões francesas, querendo significar, dar cabo de alguém ou de algo, faz justiça ao General Henri-Louis Loison, que tendo perdido um braço, era ao que consta mau como as cobras, tendo feito algumas da suas muitas galfarrices, aqui em território nacional nos idos de 1807-1808, leiam o livro “Razões do Coração” de Álvaro Guerra, um delicioso romance sobre o Portugal das invasões francesas ou a obra “Aqui não Passaram” do General Carlos Azeredo, que numa obra de excelência analisa com o seu brilhante olho de estratega e militar, o panorama, social, politico e militar das invasões.

Mas não é de história que vos quero falar, é de civismo e de uma minha mania parva, talvez porque tudo esteja ligado, e o episódio das invasões também explique alguma coisa do carácter nacional. Da minha casa ao meu local de trabalho, distam cerca de 500 ou 600 metros, percurso que faço diariamente a pé, cumprindo assim a minha parte na ajuda ao ambiente.

Nesse percurso passo por 3 ou 4 contentores do lixo, que invariavelmente estão abertos, para maior prazer de cães, gatos, mosquedo e outra bicharada, pleno de zelo comunitário lá me aproximo do mastronço e lhe cerro a bocarra. Distância igual percorro do meu local de trabalho até casa dos meus pais onde normalmente almoço, percorro igualmente a pé, até porque Almeirim é uma terra porreira para andar a pé, é toda plana, é pequenina e não fora as carripanas, de algumas alimárias, estacionadas em cima dos passeios e a velocidade estrepitosa de muitos imbecis automotorizados, o percurso ainda seria mais agradável.

Neste percurso o cenário é idêntico, passo por mais 2 ou 3 contentores do lixo, que sem surpresa volta e meia estão de tampa aberta, por vezes a deitar por fora as mais belas surpresas, galinhas, gatos e outras bichezas mortas, tripas, estrume, caquinha de tudo quanto é bicharada, enfim um pitéu para bactérias e germes e um regalo para a vista. De novo aqui o papalvo, se aproxima sorrateiro e truca, encerra a cloaca, que alguém mais distraído deixou aberta.

Agora pergunto eu, que raio de gentalha é esta que nem a porcaria dos contentores tem a preocupação de encerrar? Ora são os meus dilectos e porcinos conterrâneos, que fazem até certo gáudio em demonstrar a sua boçalidade e veia suína, não poucas as vezes, que fecho uma tampa, quando vou no percurso para o almoço e 40 minutos depois no regresso já o mesmo contentor está de boca ao léu.

Não se pense, que isto é produto de gente de baixo calibre, de ralé, não, já assisti a muita boa senhora doutora e senhorico de pose galante, deixar o troçulho à vista, mostrando a quem passa que o grau académico não invalida que sejam na mesma uns porquinhos sebentos iguais aos que só têm a quarta classe tirada à noite.

Pois com tanta gente capaz e fina, com duas mãozinhas a funcionar, toca sempre aqui ao parvo do maneta andar a fechar a porra das tampas, “…fizessem todos um pouco do que eu faço, muito me poupariam em tempo e cansaço…”

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, setembro 10, 2007

Strangers in the night!

A noite, com os seus mistérios e silêncios, onde os pios dos mochos e as festas das bruxas, nas encruzilhadas, fazem acordar todos os ancestrais medos do humano, foi sempre um campo fértil para encenações, ilusões e sonhos, a noite exerce sobre o homem um efeito de atracção, misto de medo e desejo, a noite cativa, todos os que por ela passam.

Conheci o mundo da noite relativamente bem, com todas as misérias e qualidades da natureza humana, trabalhei uma década quase duas na noite, nas profissões pouco recomendáveis de segurança de bar e discoteca, nas cobranças musculadas, não faço disso um orgulho, foi uma fase da vida, aprendi bastante.

Quando comecei, aos 16 anos tinha já um corpanzil razoável, fazia matinés, era o ajudante do porteiro, como as matínés eram essencialmente frequentadas por maralha da minha idade eu actuava como uma espécie de mediador, com 18, levado por um sargento da minha guerra fui para Lisboa, naquela altura, os seguranças eram gente de classe, eram bons bandidos, ex-militares ou militares no activo, duros mas com dois dedos de testa, ou então malta da velha guarda, durões, calejados pelas guerras de navalhada do Intendente e do Cais do Sodré, das noitadas do aprazível Bairro Alto, privilegiava-se o diálogo, tentava-se levar o cliente à certa, acrescento que em 14 anos de noite dei porrada em três imbecis, que mereceram toda a sopaparia que lhes enfiei pelo focinho.

Mas a principio dos anos 90 a coisa muda, começam a aparecer os armários de ginásio, aqueles gajos muito grandes com braços muito grossos, cheios de hormonas, com um cérebro do tamanho de um amendoim, começam a aparecer, muitos polícias, já existiam alguns, mas agora eram mais, até existia quem fizesse segurança a um bar ou discoteca, armado com a arma de serviço.

A noite começava a perder o encanto, os bisontes sem cérebro, não sabiam ser seguranças, a doutrina de um segurança diz que ele deve servir para impedir e mediar conflitos, não para os promover, pois mas esses depósitos de hormonas não conseguiam, de tão grunhos e labregos que são, à mínima desculpa eivavam a cara do incauto cliente com uma saraivada de murros, aquele mundo que nunca fora muito saudável era agora um mundo completamente podre, onde se traficavam drogas e armas com muito dinheiro pelo meio, esse dinheiro era um chamariz, polícias corruptos, seguranças traficantes, empresários bandidos, taxistas proxenetas, juntavam-se todos em alegres noitadas, chega a existir um modos operandi curioso que se trata de prostituição encapotada, onde grupos de 4 ou 5 prostitutas atacam em discotecas da moda, chegam como se fossem clientes normais e como numa discoteca anda quase sempre metade a tentar engatar a outra metade a coisa dá lucro.

Quando comecei a namorar a minha actual mulher, deixei o trabalho noctívago, já tinha dores nas costas e nos joelhos, já não tinha paciência, o tipo de cliente também tinha mudado, antes as pessoas eram mais educadas, hoje o adolescente bêbado e brigão sem cara para levar uma chapada era o prato do dia, por isso dá para rir quando hoje vejo os nossos políticos e governantes muito preocupados com a luta do submundo da noite, o que andaram a fazer este tempo tudo a dormir, a criar leis estúpidas, a esquecer-se de criar outras que seriam importantes.

Não me espantam todas estas mortes, há 20 anos conheci, porteiros que vendiam ouro roubado, seguranças que serviam de intermediários a negócios de armas, um tinha seis mulheres a trabalhar para ele, na vida! Outro era polícia e roubava carros, mas isso foi há muito tempo, dois até já faleceram, comparados com a malta de hoje aqueles tipos eram uns anjos.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quinta-feira, setembro 06, 2007

Onde pára o Estado

Vivemos tempos de mudança, escuso aos vossos cristalinos o fastio de um discurso sobejamente conhecido de mudanças, o facto é, que elas surgem diariamente, umas mais visíveis outras mais encapotadas, mas o mundo muda, num tropel louco, com uma velocidade que nunca antes fora conseguida. O conceito de Estado esboroa-se, gasto por anos de inépcia o Estado, soçobra, num mar revolto de novas convenções sociais, politicas e sobretudo económicas porque como dizia o outro”…money makes the world go around…”

O Estado tenta impor a sua Autoridade, mas, sucumbe aos dilemas modernos, vamos ao primordial, o que é a Autoridade do Estado, passando ao lado das definições académicas, eu diria que, se trata de um poder que exercido dentro da norma democrática e constitucional, persegue objectivos de zelar pela segurança e integridade nacional, zelar pelo cumprimento das leis, direitos e garantias consignados e proteger o cidadão, fazendo cumprir as leis e mantendo o país em funcionamento.

Ora é aqui que a porca torce o rabo, dos diversos actores da Autoridade do Estado, que actuam como seus representantes, resulta uma incomensurável confusão e dispêndio de cabedais, naquilo a que uns chamam burocracia, o Estado hesita! Os representantes da autoridade, Assembleia da República, Tribunais e Polícias, ocupam-se de garantir que o Estado seja representado em todos os actos da vida do cidadão regulando essas actividades no são cumprimento das premissas legais da Estado, quando ao seu desempenho o que dizer?

Em relação aos primeiros, qualquer dos 487 vocábulos, que me passam assim num repente pelo neurónio, para os classificar, entram seguramente na categoria da ofensa, grave, muito grave e gravíssima, o Barão que é um tipo ordeiro e respeitador, não querendo desrespeitar as mães e restante família dos senhores deputados, exime-se portanto a fazer comentários, direi somente que assim como está a AR, pouco préstimo tem e autoridade nenhuma, logo falha este representante do Estado em zelar pelos interesses desse mesmo Estado.

Nos Tribunais, é aquilo que se vê, num misto de má vontade, falta de conhecimento, limitações materiais, falta de condições, má vontade, limitações impostas pelos vários códigos legais, desactualizados face às mudanças do mundo novo, o que os tribunais produzem é farinha de pão escuro. A autoridade do Estado revela-se fraca, muito fraquinha no capítulo legal, reina a impunidade, os poderosos orquestram a Lei a seu bel-prazer e os pobretanas batem com os costados na choldra, os exemplos são bastos e demasiado conhecidos seria fastidioso voltar a enumera-los, na certeza porém de que se o ilícito envolve alguém com nome ou posição, nunca nada se prova. Pois falha novamente outro representante da autoridade do Estado, falha catastroficamente, pior, mostra à populaça, que isto é tudo uma farsa, que o que conta na realidade são os cifrões e o resto são outros quinhentos.

Por último as polícias, ora como são o último terço da recta, é sobre eles que recaem todas as recriminações e exigências, como se as polícias fossem corpos autónomos e dotados de capacidade própria, não o são! Não o são na imediata subordinação ao poder politico e judicial, não o são porque democraticamente não poderíamos ter uma espécie de pretorianos, que sem rei nem roque fizessem tudo aquilo que lhes desse na gana, um dia polícia outro ladrão.

São porém os únicos que merecem ser louvados, porque estão entre a espada e a parede, entre a espada da sociedade sempre prestes a acusa-los de tudo e mais alguma coisa e sempre pronta a gritar aqui d’el rei quando sente o traseiro apertado, sem nunca sequer se lembrarem, de que por baixo da farda estão homens e mulheres, que têm filhos e família, dívidas e prestações, doenças e problemas, alegrias e tristezas, momentos bons e maus, condições de trabalho por vezes a roçar o subdesenvolvido.

Contra a parede das instituições judiciais e políticas que condicionam e espartilham a sua actividade, que comprometem o seu desempenho que os atacam e ajudam a desrespeitar, fazendo com nos dias que correm um polícia inspire tão pouco respeito. Falha mais uma vez o representante da Autoridade do Estado, mas este contrariamente aos anteriores falha não por iniciativa própria, mas pelas condicionantes que lhe são impostas.

Ora se os representantes da Autoridade do Estado falham, onde pára a Autoridade do Estado? Pára pouco, manifesta-se pouco e mal e sempre aos mesmos, porque o mesmo estado que a uns impõe tudo a outros tudo permite, a Autoridade do Estado falha rotundamente, neste país não há porra nenhuma de Autoridade do Estado, isso é uma anedota, uma farsa, uma mentira para manter a maioria a cumprir que é isso que interessa, ainda que exista uma minoria grande, que faça gato-sapato da Autoridade do Estado, que o prejudique, que o esburgue, que pratica todas as vilezas e sai incólume, esta minoria causa a maioria dos crimes, que lesam o Estado em milhões e milhões, paulatinamente o Estado, qual pai complacente e bonacheirão assume a despesa sem reclamar, os seus representantes, inchados pela qualidade que ocupam, engordados com os cabedais do mesmo saco, olham para o lado, relativizam fingem nem reparar, como na canção.

Pois porque afinal, o Estado somos nós, os infelizes, que pagamos isto tudo, que alimentamos, o político, o tribunal, o polícia e o ladrão, damos de comer a todos e somos comidos por todos, naquilo a que se poderia chamar uma grande e feliz Homossexuaolacracia.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, setembro 03, 2007

A « Rentrée »

Hélas ! Terminado o período das impostas, libações termais, aconselhadas pelo mais desapoderado discípulo de Esculápio, de que há na Historia, memória. Regressa o Barão ao convívio da blogosfera, amigas e amigos estou, feliz por vos voltar a rever.

Andei a seguir nos últimos três dias, os discursos dos politiqueiros de serapilheira que nos tocaram em sorte, as tais das “rentrées”, com discursos mais ou menos inflamados, mais ou menos indigentes, mais ou menos do mesmo.

O único que me merece algum destaque é o CDS, não pelo conteúdo farroupilha e farçola tão ao gosto do seu excelso presidente, mas pela excelente iniciativa de atacar nas novas tecnologias, esteve bem o CDS, quanto ao discurso de Portas, foi uma, catrefa de minudências demagógicas e populistas, sem alcance prático absolutamente nenhum, raiando até nalguns pontos a simples hipocrisia, como o ataque ao governo por causa da acção da GNR, durante o ataque ao milho transgénico, mas andando, a continuar assim o CDS, será sempre o grupelho reaça que sempre foi, alicerçado num aspirante a caudilho e seus apaniguados revivalistas, sedentos de Deus, Pátria e Família, coisas que em abono da verdade nunca existiram, excepto como mitos políticos de alguns que nos querem fazer de tolos, mas há quem goste, paciência, que é uma virtude que deve ser cultivada, confesso que tenho muito pouca.

Do PS, enfim, o deserto ideológico que por ali campeia, deixa aquela rapaziada um pouco à nora, não chego a perceber o que deseja o senhor PM, se quer ter um partido de esquerda se um de direita se uma terceira via blairista, se até uma quarta via, a do naufrágio, verdade verdadinha é que entre discursos mais ou menos ocos, acções populistas, como andar a enfiar computadores de três vinténs pelo gorgomilo da maralha, este PS e o Governo anda a contra ciclo do resto do país, mas como as alternativas são de arrepelar os cabelos de tão más, acredito que nas futuras eleições o fado seja o mesmo, a ver vamos se me assiste a razão.

O PSD, igual a si próprio, cinzento, sem ideias, com um discurso vazio de conteúdo e pobre de espírito, Mendes não se manca, o partido também não se não tiver melhor alternativa que Menezes, como está, o PSD é o melhor aliado do PS. Critica-se a uns o que outros no passado fizeram, responsabiliza-se outros pela culpa de todos, ainda assim o melhor mesmo é Jardim, o mãos largas do Atlântico, continuo a disparatar a torto e a direito sem literalmente dar cavaco a ninguém.

Louça, e o seu Bloco, continua a não perceber que o seu trotskismo sectário, é a sua ruína, estão à laia do CDS, são um grupelho, esquerdeirote, caceteiro e mal amanhado, sem réstia de préstimo, cheguei a acreditar que aqui existiria alguma alternativa, mas não, instalados como já estão no poleiro, acomodaram-se depressa, os arroubos de pseudo irritação e alegada provocação intelectual, ficam-se pelas costumeiras calinadas, típicas desta rapaziada das foices e dos martelos, até chateia, porra.

O PCP, lá anda, a julgar pelos cada vez menos e mais idosos voluntários da festa do “Avante” qualquer dia, não vão mais avante, porque os que faziam algum à borla bateram a pataleta, esperado o discurso de Jerónimo, que fazendo, uso dos meus dotes sibilinos aqui reproduzo já, “ Blá, Blá, Blá os trabalhadores e tal, blá, blá, blá, o grande capital, blá, blá, blá, os interesses do imperialismo e assim por diante…” Rematando tudo com um “Avante Camaradas” e tá feito, guarda lá as folhinhas que para o ano muda-se a data e os substantivos e chega.

Resumindo, isto é tudo de uma atroz pobreza franciscana, de uma indigência intelectual fantástica, ninguém discute realmente nada daquilo que a nós cidadãos preocupados e pagantes impenitentes desta salada toda, interessa, ninguém levanta uma sequer pequena frase que intelectualmente seja desafiante, que nos ponha a pensar que nos tire deste pântano, não, a bitola é tão baixa que é degradante viver num país governado por gente desta semelha, mas que fazer, desistir? Jamais! Por isso vamos à luta.

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, agosto 08, 2007

Abala o Barão para Férias

Nação demente e endividada, o Barão vai de férias regressando lá para Setembro. Caras e mui estimadas amigas e amigos, delicadas estrofes deste grande poema da vida, este vosso amigo, creiam-me que sinceramente o sou, vai, por imposições nefastas da bílis que me verruma o intestino debilitado pelas alcagoitas e pela cervejófila paixão, a banhos e a cura para as termas.

Nesta esplêndida ocasião, os cavalheiros de bem, tal como este vosso humilde criado, não podem senão escolher a celebres, aclamadas e afamadas Termas do Cartaxo, local de eleição de todos os que, como aqui este vosso infeliz amigo, sofrem de compleição frágil e eterna secura do gorgomilo. Ao meu infeliz estado, impõe o jarreta, discípulo de Galeno, que me tocou em sorte, uma apertada e restrita dieta, da dilecta sardinha ao insigne percebe, do singelo bife de barrosã ao quasi inocente cozido, podendo aqui e além com a devida contenção debicar uma ou outra santola ou lagostita, tudo regado a branco ou tinto medicinal, sob a forma de não mais de uma garrafa por refeição, pois como vedes, dilectos e prezados visitadores, a minha existência é frágil e periclitante, terei de me submeter a estes tratos de polé, seguro porém da justeza do trato.

Rogo a vossas excelências que mantenham a dedicação com que têm brindado este insignificante pasquim electrónico, brindarei de taça erguida, não poucas vezes asseguro-vos, por claros motivos medicinais, à vossa eterna saúde, esperando reencontra-los com a mais sadia compleição e paz de espírito quando, infelizmente, acabarem as minhas impostas e necessárias libações termais.

Delicadas senhoras minhas, estimáveis e venerandos cavalheiros, eis que me saio pela esquerda baixa como convém a um humilde escrevinhador de barbaridades, célere porém na gratidão e amizade que vos dispensa, em que crê, ser por vós correspondido, levo-vos a todos nos recônditos dos ventrículos bem apertados para caberem todos e nunca serão demais.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, agosto 06, 2007

Esteve bem a Câmara de Almeirim!

Correndo o risco de enxofrar muita gente, esta não posso, deixar passar em claro. A mim sempre me fez confusão a mesquinhez, a má formação, o preconceito e a tacanhez das pessoas, azar o meu vim nascer num país onde existe disso às carradas.

Corre o ano da Graça do Senhor de 2007, quando uma ilustre Almeirinense, a Cristina Branco, vem cantar à borla, em prol do Centro de Recuperação Infantil de Almeirim, o Crial, que se ocupa da prestação de cuidados a crianças e jovens portadores de necessidades especiais, vai daí, e bem, a Assembleia Municipal propôs à votação a atribuição da medalha de oiro do Concelho, a alguém que, os mais atentos já viram inúmeras vezes nos seus concertos fazer sempre uma referência a Almeirim, alguém que habituada a ser uma cidadã do mundo precisa tanto da medalhita, como de uma dor de dentes, mas como não fica mal e estas coisas honoríficas são para ser atribuídas, lá veio a proposta.

Aqui começa a guerra, uma guerra diga-se mesquinha sem lógica e exemplificativa da pequenez das mentes politiqueirotas locais, o ano passado a Cristina dera uma entrevista a um jornal local, onde dissera; “…“Sou uma cidadã do Mundo. Estou ligada a Almeirim por questões meramente circunstanciais. Tenho lá o meu filho e tenho a felicidade de ter lá os meus pais que me ficam com ele nas minhas ausências. Gostava de dizer que Almeirim é a melhor terra do Mundo mas de facto não é. Voltaria sempre lá porque estão lá as pessoas de quem gosto, mas só por isso”, salientou na altura Cristina Branco…”

Pois compreende-se, quem conhece o mundo depressa percebe o que aqui faz falta, em termos de civismo, cultura, qualidade de vida, infra-estruturas e bem-estar social. No entanto eu levo isto mais como um desafio, do que como uma crítica sarrafeira, confesso que em parte, até partilho do ponto de vista da Cristina, ponto de vista que deveria fazer os autarcas e todos os eleitos municipais pensar e pugnar para que as coisas boas sejam feitas, ora a Câmara Municipal por intermédio da Assembleia Municipal, parece e bem, ter levado a coisa, por essa vereda do desafio, e aceitando o desafio resolveu atribuir a medalha, e bem, à Cristina Branco.

Pasmem-se agora caros leitores, que das bancadas de alguma da oposição, veio a abstenção, porquê, pergunto eu? Por causa de ter assumido e dito aquilo que pensa? Por ter dito que esta terra não é o paraíso? Meus senhores e senhoras, tenham dó, não insultem os nossos poucos neurónios. Assusta-me esta gente que é eleita e demonstra tão estreiteza de espírito, alguns deles conheço são amigos, mas esta atitude é vergonhosa, para mais são gente que conhece bem a Cristina e o que ela tem feito pelo nome de Almeirim, caramba, absterem-se por causa de uma insignificância! Rematou bem a Câmara Municipal de Almeirim, que resolveu e bem dar a dita medalha, independentemente das tais vozes.

Foi mais uma tirada brilhante, foi a demonstração cabal de que a Cristina está certa nas afirmações que faz, pior é que há gente que os elege, como? Porquê e para quê? Para fazer tristes figuras destas mais valia não estar lá ninguém, com franqueza!

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, agosto 01, 2007

Exista Para Tanto, Vontade!

É inegável a atitude relativamente corajosa do actual Governo, algumas medidas, eram realmente necessárias, outras são, pura estultice, mas andando prá frente que atrás vem gente. No entanto todas irão cair em saco roto se verdadeiramente não se reformar o Estado, este modelo de República tem os dias contados, a actual República é um semi-cadáver cujos eflúvios pestilentos assomam, narina adentro dos seus cidadãos. O Modelo Constitucional está esgotado, é um espectro definhado, raso de vermes que lhe verrumam as entranhas apodrecidas por quase cem anos de uso e abuso, oh da Guarda, aqui d’el Rey! Esta República definha, morreu já sem saber, que se tragam as purgas de antimónio e água quente, limpe-se a tripa a esta velha moribunda para que não manche mais com o seu nauseabundo fedor o ar deste país.

E aqui residirá, na modesta opinião deste vosso servo, a solução. Impõe-se uma séria revisão da constituição e do modelo constitucional, exige-se que se opte por um mais adequado modelo de funcionamento, este país não pode continuar a sustentar um Presidente, um Governo e um Parlamento Faraónico, que se mude, cum mil demónios! Que se opte! Que se extingam instituições, que se criem novas instituições, urge mudar para melhorar. Instituam-se os círculos uninominais, reduza-se o número de deputados. Terminem-se as ridículas mordomias de toda esta gente, coisas que fazem lembrar as repúblicas das bananas fantoches dos anos sessenta. Assim estará o país realmente a poupar dinheiro, a libertar fundos tão necessários para fazer deste pardieiro um país realmente desenvolvido.

Extingam-se os governos civis, que são coisas completamente ocas e despropositadas, que não servem para coisa alguma excepto para perpetuar a actual tachocracia vigente, redimensione-se com seriedade as Forças Armadas, optimize-se o funcionamento das três Academias Militares, esta medida faria poupar milhões, os tais milhões tão necessários para escolas, infantários e creches, hospitais e centros de saúde, teatros e bibliotecas públicas.

Institua-se uma reforma máxima, um tecto máximo que independentemente dos descontos, resolva de uma vez por todas a vergonhosa situação que vivem os reformados deste país, alguns, bem poucos que fingiram trabalhar, recebem a parte de leão, todos os outros vivem de pensões sociais miseráveis, indignas de um país que se vangloria da banda larga do TGV e de outras cretinices modernas.

Extermine-se a Lei de Financiamento dos Partidos, essa rameira despudorada, que faz de nós votantes vulgares prostitutas, extingam-se as mordomias e alcavalas de Directorezecos e Administradorezecos de pacotilha que afogam o erário público no despesismo, haja comedimento nas festarolas e jantaradas, poupará assim o Estado mais uns milhões que fazem falta à saúde, à justiça, às polícias, à cultura e a tantos outros sectores fundamentais.

Mude-se o sistema de subsídiocracia que está instituído, obrigue-se quem recebe, a repor o dinheiro assim que esteja a trabalhar, à laia daquilo que se pratica noutras terras bem mais avisadas, o Estado Previdência não pode assim continuar, sob pena de serem sempre os mesmos a receber e outros os mesmos sempre a pagar. Poupar-se-iam assim mais uns milhões e os cofres da segurança social estariam sempre em equilíbrio.

Nada do que aqui foi escrito é difícil de implementar, existisse para tal real vontade de reformar, de evoluir num sentido positivo, existissem governantes corajosos. Até porque todas as actuais medidas de poupança, são engolidas pelo verdadeiro monstro que é o sistema constitucional e político, que são os verdadeiros tumores desta pátria, mas disso curiosamente ninguém fala, toda a pandilha, da esquerda caceteira à direita ultramontana, está queda e muda, assobiando a modinha da época, reina a hipocrisia geral, e a pobre carneirada cada vez mais miserável, cá anda encantada com maravilhas e festarolas, abençoada pelos santinhos e cada vez mais ignorante e canhestra.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, julho 23, 2007

Carta aberta de um Pai ao senhor Primeiro-ministro

Sua excelência senhor Primeiro-ministro, quem lhe fala é um pai, um pai normal que trabalha e paga impostos um pai que se revolta com a absurdidade cada vez maior desta terra.

Vossa excelência desconhece a existência deste pobre habitante de um país infeliz que o tem a vossa excelência como o primeiro dos Ministros, sou um, entre os milhares de pobres diabos, que vivem do trabalhito, que pagam impostos, que descontam por tudo e por nada, que aceitam, mal ou bem as barbaridades que lhes são impostas e que pagam com o seu trabalho os lautos ordenaditos que entre os demais, vossa excelência aufere.

Fiquei exultante, quando o vi anunciar incentivos à natalidade, comecei a acreditar que vossa excelência, teria finalmente idealizado algo que iria beneficiar quem paga toda esta estúrdia, erro crasso, depois de ouvir o seu discurso fiquei a perceber que era mais um fogacho, mais uma medida feita à medida do paiszeco miserável que somos, mais uma inenarrável estultice.

Então propõe vossa excelência mais uns tostões pelo segundo filho, e junta mais uns tostõezitos pelo terceiro, adorei confesso foram de novo os incentivos às famílias numerosas, da Torre da Marinha aos acampamentos de barraqueiros nómadas aquilo é que foi festejar.

Sim, porque senhor ministro, com algumas raras excepções só existem famílias numerosas nas desocupadas das revistas cor-de-rosa, do bairro fino em que o marido é assessor de um qualquer ministro e ganha 5 ou 6 mil euros por mês, ou nos bairros da rataria onde os vários subsídios por cabeça fazem com que facilmente embolsem mil ou 2 mil euros por mês, quanto a todos os outros, nós os que trabalhamos, e descontamos e pagamos impostos, ainda temos de pagar creches, infantários, amas, livros, escolas, pediatras, fraldas medicamentos e tudo o resto, para esses vossa excelência não ofereceu nada, alias, ofereceu sim, com esta sua medida vamos ainda pagar mais para alimentar essa escumalha toda.

Permita-me, vossa excelência, que lhe dê umas dicas, caso algum dia vossa excelência queira realmente fazer algo para incentivar a natalidade, eis algumas coisitas insignificantes que realmente podem contribuir para a tal natalidade.

Vossa excelência pode começar por dotar o país de uma rede de creches e infantários públicos com qualidade e horários flexíveis, que permitam a nós os imbecis que lhe pagam o seu ordenado, poder trabalhar descansado sabendo que os nossos filhos estão em segurança, olhe terá visto esta prática quando visitou a Finlândia, eles por lá tem essa mania da protecção social, os tansos.

Poderá vossa excelência, criar legislação que promova uma licença de parto verdadeira, não esta coisa aberrante que temos por cá, no mínimo um ano de licença integralmente paga, não esta palhaçada de 4 meses ou 5 a 80%, poderá criar ainda mecanismos de fiscalização sérios, que façam cumprir a legislação, já que por cá a flexisegurança já chegou há muitos anos.

Em querendo de verdade incentivar a natalidade, vossa excelência poderá também, mudar a política de manuais escolares, não sei se viu lá na Finlândia os manuais escolares pertencem à escola e só mudam de 5 em 5 anos depois de estarem gastos, os mesmos livros servem de aluno para aluno sendo substituídos e pagos pelos pais se o aluno o danificar por algum motivo, os livros ficam na escola, quando acabam as aulas os alunos vão mais leves, previne-se assim as lordoses e as escolioses a que as nossas crianças estão sujeitas tal é o peso da livraria que têm de carregar às costas, como vê senhor primeiro-ministro o modelo finlandês é giro, pena que no que tem de bom o senhor não pega e traz para cá.

Em estando realmente interessado em promover a natalidade, vossa excelência poderá até cometer a loucura de voltar a abrir escolas, a dar condições para revitalizar o interior a construir um país a sério que realmente funcione, estando realmente interessado em promover a natalidade, vossa excelência promoverá condições para impedir os milhares de compatriotas que saem para a emigração à procura de dignidade para a sua vida, coisa que no país deles não conseguem.

Senhor Primeiro-ministro, com o alarde que vossa excelência propagandeou esse tal incentivo à natalidade, realmente cheguei a pensar que vossa excelência finalmente teria enveredado pelo firme desígnio de realmente governar para quem produz, para quem faz mover as engrenagens desta terra, mas não, mais uma vez, a montanha pariu um rateco, enfezado e raquítico, mais uma vez se beneficia o rebotalho e os inúteis, deixando de fora e castigando quem realmente sustenta toda esta cloaca, em que está transformado este país.

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

quinta-feira, julho 19, 2007

A Vitória da Derrota

A propósito de um dos seus Generais, em 1861 Lincoln disse “…ninguém como ele, seria capaz de arrancar uma tão grande derrota dos maxilares cerrados da vitória…”, caro Abraham, onde quer que esteja deixe que lhe diga, que ainda existem piores que esse seu General MccLeland. A prova, provada disso, foram as eleições intercalares para o poiso da Câmara de Lisboa.

Sinceramente não percebi, a loucura festivaleira dos pseudo vencedores, as bandeirinhas e os comícios, os aplausos, os abraços e sorrisos de circunstância, não percebi a loucura das hostes, nem o ar de triunfo dos candidatos agora eleitos, não percebi!

Com 62% de abstenção, estas eleições são a maior derrota de sempre para a actual classe política, um claro sinal de que o senhor PM deveria estar a reformar o sistema político a constituição e o Parlamento e não a disparar tiros nos pés como tem feito até agora.

Maior derrota se pensarmos que normalmente o eleitorado de Lisboa é empenhado e cumpridor, porque talvez mais participativo, informado e atento, ainda maior derrota se pensarmos que os partidos fizeram avançar os pesos pesados, empenharam os líderes e as suas figuras mais mediáticas, vastíssima derrota se pensarmos que nenhum dos candidatos chegou sequer a 30% dos votos e que dos que votaram quase oito mil votaram em branco ou anularam o boletim, com estes dados falar de vitória é seguramente tapar o sol com a peneira num dia de estio em pleno Verão.

Os grupelhos partidários com o inefável PP à cabeça, arregimentaram meia dúzia de gatos-pingados para votar neles, por graças divinas não foram eleitos, pouparam Lisboa à presença de figurinhas de todo execráveis, os partidotes esquerdeirotes, arrancaram mais uma grande vitória, o candidato da CDU deve estar inchado de orgulho, naquela que foi mais uma miserável prestação dessa aberração política que dá pelo nome de PCP, será que ainda não perceberam que precisam de mudar o CD e passar para DVD. O Bloco estagnou! É uma coisa sem grande préstimo, vegetam por ali, mandam uns bitaites e pronto.

Os dicotómicos PS’s um deles com D no fim, arrancaram a figurinha mais triste da sessão, milhares de Euros gastos, discursos, beijos às velhinhas e demais imbecilidades próprias dos procuradores de tacho redundaram na mais absoluta e miserável derrota, uma derrota transversal, para os seus candidatos, para os líderes e para as próprias estruturas partidárias.

Surpresa dos Independentes, achei que iriam levar uma trepa, mas aguentaram o balanço, no meio desta atroz e nefasta empresa, são, Barão dixit, os únicos a poder cantar hossanas, cumpriram, mal ou bem fizeram eleger Vereadores, o que não foi de todo em todo mau, confesso a minha maior simpatia a estas causas de independentes, quando aparentemente são sérias, a ver vamos.

Ora bem, meus caros, esta foi sem dúvida uma vergonhosa, mais uma, tirada nesta nossa insonsa democraciazeca de pacotilha, atentos ao seu umbigo, um atrás do outro, os candidatos, alinharam, pela visitinha aos velhinhos, pelo beijinho às peixeiras e pela bandeirinha de plástico “made in China”, uma vergonhosa montra de vaidades e barbaridades, como se percebeu pelo “Prós e Contras” esse expoente máximo do programa de informação à Portuguesa. Gostaria que os ideólogos dos vários partidos. Se é que isso ainda existe, se ainda lá existir alguém que pense, duvido! Gostaria, dizia eu, que esses tais doutrinadores, atentassem nesta realidade e conseguissem perceber, o que correu mal, o que corre mal e que correrá mal, se nada se fizer, esta foi uma bela lição, pena que os discentes estejam demasiado ocupados a cabular para perceberem a récita.

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, julho 16, 2007

A Desmesura

A megalomania é uma característica, Portuguesa, adoramos manifestar a nossa pequenez fazendo coisas faraónicas, a maior árvore de natal, a maior sandes de coirato, a maior rabanada, enfim não importa o quê, tem é de ser o maior, do mundo, quiçá do universo ou mais além, infelizmente o que conseguimos quase sempre é um ainda maior disparate que o anterior.

Como é que se explica esta coisa muito nossa, esta espécie de mesquinhez colectiva, que nos consome e leva a uma quasi loucura colectiva, uma alienação total, onde hordas de pategos e pategas, carnavalejam aos saltos, urros e pulos pelos espaços mediáticos onde ocorrem estes arrais de estupidificação colectiva, a nossa pequenez fica sempre espelhada na grandiosidade destes mega eventos da cretinice, aquela coisa muito nossa de olhar por cima do ombro para ver o tamanho da do vizinho, enquanto micta, este voyeurismo nacional, que surpreende sempre, sinceramente não sei explicar, talvez seja genético, pois que agora tudo é genético.

Estabelecer uma relação entre esta grandiloquência surreal e a pequenez surda do disparate é fácil, nós somos tanto mais propensos a estas manifestações como somos um falhanço completo como povo, a nossa capacidade de obliviar o importante e sacralizar a estúrdia é algo que deveria ser objecto de estudo, ninguém como nós relativiza os reais problemas desta terra e se atira com tanta gana e fervor a comemorar a vitória de um clube de empurra bolas num qualquer campeonato farroupilha, nessas alturas os apóstolos da ufana urbanidade coloquial atiram-se às massas como gato a bofe, bandeiras desfraldadas ao vento, discursos inflamados, lágrimas e abraços, cachecóis, ursinhos de peluche, miúdos e graúdos, embarcam numa espécie de “Bacannalia”, irmanados numa irracionalidade colectiva, que a mim me assusta, bramem, suam, até à exaustão, preparam-se para morrer, os excessos das libações báquicas toldam os espíritos e os corpos fedendo a suor, a vómito e a ranço acotovelam-se em borbotões, pára-se o trânsito, defeca-se na esquina, toneladas de desperdícios atulham as ruas enquanto esse cortejo fúnebre, parábola de uma sociedade já cadáver, cujos eflúvios tresandam, arrasta a turba ao êxtase da insanidade, os pobres sandeus esbulham-se para dizer, eu estive lá! Pane et Circus, diziam os outros há uns milhares de solstícios.

A desmesura deste tipo de manifestações faz pensar. Imaginem o que este povo não seria capaz, se, ao invés de ser esta massa embrutecida de canhestros, de bois mansos, esta gentalha, fosse uma grande e irada manada de toiros bravos, de toiros com grandes tomates negros impantes de raiva e orgulho, mas infelizmente não é nada disso que temos, o que por cá passeia é esta pategada insalubre e labrega.

Imaginem o que, esta multidão arrastada por ideais de humanismo, civismo, cultura e cooperação, não conseguiria fazer, ao invés de torpes manifestações de patriotismozeco de quinta categoria e arroubos de insanidade canhestra motivada por imbecilidades de grandeza, que coisas fantásticas não conseguiria esta gente, que fantástica seria esta terra, para quando perceber que o “El Dorado” está aqui, porque aqui vai havendo o que noutros lado falta em demasia, para quando perceber que a grandeza não se mede por estúrdias e recordes, mas por civismo, cultura e humanismo, para quando senhores perceber que podemos ser grandes sem sermos estes grandes parvos, para quando?

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quinta-feira, julho 12, 2007

ABC

A história da língua, os linguistas e outros estudiosos do fenómeno humano que nos deu esta maravilhosa capacidade de articular sons exprimindo as mais variadas coisas, há anos que se debatem com este problema de saber onde apareceu, quem inventou. Muitas são as propostas, teorias, hipóteses e conclusões, desde gregos a árabes, a sumérios e egípcios são muitos os povos que contribuíram para esta maravilha, no entanto recentemente o MIT, Movimento de Investigação da Tróia, um organismo completa e totalmente imparcial, revelou ao mundo que os inventores do ABC, foram, aquele povo pequinino, mesquinho e sacaninha, enfiado lá no fim da Europa entalado entre a grande Hispânia Tarraconense e o grande mar oceano Atlântico, a quem vulgarmente se dá o nome de Portugueses.

O MIT, publicou um douto e aturado estudo onde ficou plenamente demonstrado o primado das Lusas gentes na tarefa inventiva de criar o ABC, que é uma das mais importantes aquisições deste nosso mundo, que nos acompanha desde a mais tenra idade, nas suas múltiplas manifestações e utilizações diárias, quase sem dar-mos por isso, o ABC, faz parte da nossa vida, nós Portugueses somos adictos ao ABC, com ele conquistamos o mundo, o continente, o país, a cidade, o bairro, a casa, o emprego e milhares de outras coisas, é o nosso mais estimável e perene recurso, por ele calcorreamos ruelas e vielas ruas e arruamentos, estradas, caminhos e ruelas vamos não importa onde, falamos com não importa quem.

Logo de pequeninos, vamos para o infantário e quando não há vaga o que nos salva muitas vezes é o domínio do ABC, começa aí a aprendizagem, ao longo da vida vamos dando largas à nossa curiosidade, vamos aquela discoteca ou bar da moda, e lá vem o ABC, para podermos entrar à frente dos outros, na escola uns esfalfam-se para tirar grandes notas, coitados, não tem habilidade com o ABC, porque os que têm essa habilidade sabem que independentemente das notas, quando saírem da universidade, à sua espera estará aquele lugarzinho de assessor de coisa alguma, pago regiamente.

No hospital, só nos safamos com o nosso ABC, é ele que garante que somos atendidos, primeiro que os demais, que somos operados e tratados à frente dos outros, sim porque para quem domina o ABC não existem listas de espera, na Justiça é o mesmo, quem tem essa esplêndida capacidade, contorna sempre a tal Lei igualitária que por cá existe, a Lei é para todos diz-se, perdão! A Lei é para tolos! Diz quem sabe do ABC.

O ABC, faz parte de nós, em casa, no emprego, quando somos multados, na escola com os horários guardados para os amiguinhos, enfim nas milhentas actividades desta nossa sociedade o ABC é importante, é omnipresente e fomos nós que o inventamos ao ABC, Alavanca Barrote e Cunha, o método mais importante para perpetuar o chico espertismo nacional, contornando a Lei, arranjando emprego e passando à frente de todos, ludibriando, pagando e devendo favores. Viva o ABC a mais importante invenção da Lusa Pátria.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, julho 09, 2007

Valha-nos São Serafim

No Sábado Lisboa estava ao rubro, a escolha das novas maravilhas do Mundo, fez afluir ao Estádio da Luz, uns milhares de basbaques. Ao que sei a coisa foi um pouco sensaborona, com gente a cantar em playback, outros com exibições farroupilhas de qualidade duvidosa, claro queriam o quê, a malta foi lá actuar à borla, se calhar queriam empenho e dedicação.

No meio da estúrdia, lá elegeram, as maravilhas, algumas achei piada uma ou outra achei cretino, mas andando, o Ti Carreras lá fingiu que cantou para gáudio dos nabos que pagaram e bem para ir ver aquela pseudo manifestação cultural, a piquena Dulce lá esganiçou um bocado a vozita para fingir que cantava, o cavalheiro que ganha dinheiro a dar biqueiradas no chão e que as senhoras adoram, lá deu uns traques e uns olés, depois sentou-se a fazer basqueiro com a pandilha de tocadores de vão de escada que trazia para animar.

Em resumo as tais maravilhas foram um monumental barretaço, ainda por cima muito bem pago pela turba que lá caiu, foi com esta sensação que fiquei depois de falar com três otários desses milhares que lá foram.

O Barão que é um gajo que para além de teso que nem um carapau da Nazaré, não gosta muito de salsifrés mediáticos, abalou para o outro lado da cidade para o Pavilhão Atlântico e como bom Portuga, que adora borlas, encanou pelo Live Earth, em boa hora deixem que vos confesse, pois foi um bom espectáculo.

Sem playback, com entrega e dedicação, por ali passaram os eternos Xutos, Teresa Salgueiro, Blind Zero, Sérgio Godinho, entre outros, que fizeram daquela iniciativa um belo concerto, ainda para mais à borla, se bem que uma imperialzita lá dentro custasse um euro e meio, mas valeu a pena. No meio daquilo tudo até os Anjos soaram bem, um projecto que me espantou foi o “Mundo Cão” de que é vocalista o actor Pedro Laginha, gostei os putos têm alma e vão longe, a acústica do local não ajuda muito mas foi um bom espectáculo, cada grupo, artista e ou banda tocava cinco temas, seguia-se um copasso para mudar os equipamentos, pelo ecrã gigante viamos outros concertos idênticos, delirei com o Cat Stevens que tocou em Hamburgo, e dava para não enjoar.

Os apresentadeiros enfim fizeram o papel deles, o miúdo Mendes chamou Carla Salgueiro à Teresa, mas tudo bem, a moçoila que com ele apresenta o Top Mais, ainda é mais desenxabida e pele e osso ao vivo que na televisão, uma coisinha decepcionante. Faltou uma coisa, o público. E é aqui que eu quero bater, senão vejamos, num lado, as Maravilhas, com rapaziada em playback e actuações de gosto duvidoso, repleto de gente pagante, do outro boa música, ao vivo e à borla com pouquíssima gente, assim por alto o Pavilhão nunca esteve com mais de mil ou duas mil pessoas, o que foi óptimo para quem lá esteve, os piquenitos dançavam alegremente no imenso espaço vazio, corriam e faziam tropelias, a malta sentava onde queria, como é que isto se explica?

Fácil como em muitas outras coisas o Portuga adora levar na rabadilha, adora ser comido, ser otário, basta acenarem-lhe com gente famosa e disparates despesistas como o balneário redecorado só porque aquela gateca pingada exigiu, que eles vão logo a correr, por outro lado as questões ambientais, não fazem bem parte da preocupação desta malta, e reparem que estamos a falar da capital de um país onde supostamente a população deveria ser mais culta e esclarecida, pois não é, são o mesmo bando de labregos canhestros iguais ao resto do país.

Por mim fiquei satisfeito, gastei quinze euros ao todo, entre imperiais para mim e para a nina, mais uns sumos e águas e uns cachorros, curtimos a valer, no meio da malta, ouvi muito boa música, tocada por gente profissional que lá por estar ali à borla não deixou de se entregar e fazer o que sabe, para mim ali é que estiveram as tais maravilhas, claro que isto é a opinião de um idiota, mas que querem…

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

terça-feira, julho 03, 2007

UMA BOA CAUSA

Malta é por uma boa causa, se tiverem tempo vão dar uma pedalada!
Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, julho 02, 2007

O Fado do 31

Isto da Educação tem que se lhe diga, para mais andamos a fazer de conta que educamos quando na verdade aquilo que se faz é deseducação, como facilmente provam os números, pensam alguns que mais uma vez o Barão, esse “velho do Restelo” bolorento, ataca com as suas escrevinhadelas insignificantes, sem eira nem beira, a nobre política de Educação, que mais uma vez cede ao prazer de dizer mal por pura maldade, ou talvez por simples imbecilidade.

A resposta é não e basta olhar para a actual realidade do ensino para ver que não. Responda-me quem souber, quais foram os resultados da “Paixão” pela Educação? Sim quais foram os resultados práticos disso, nenhuns, ou muito poucos, pouco se melhorou, pouco de positivo ficou alias nada mesmo, já que daí para cá se mudou tudo uma e outra vez.

A actual Ministra da Educação referiu recentemente, que o problema maior da Educação, é no seu douto entender os níveis de ensino, pronto está encontrado o problema, a malta a pensar, que era a falta de investimento, a falta de segurança nas escolas, o facilitismo desmesurado, a falta de dinheiro, as condições miseráveis, a falta de pessoal auxiliar, a burocracia estupidificante, os métodos de ensino canhestros, os modelos sem propósito de colocação de professores, os métodos de avaliação incongruentes, a inenarrável falta de tacto da divisão entre professores titulares e professores não sei que mais, o modelo miserável de formação de professores onde a criatura sai da faculdade sem saber ponta de corno, os projectos, reuniões, conselhos e demais cretinices que afastam os docentes da sala de aulas e os fazem mergulhar em incontáveis horas de burocracias, a falta atroz de sensibilidade dos governantes, a hedionda preocupação economicista desses mesmos governantes, o fecho cego de escolas, a desmesurada preocupação estatística dos senhores dos governos, a inutilidade da maioria dos projectos, a cega busca do método mais barato.

Afinal de uma penada num golpe de puro génio a senhora Ministra e o seu douto séquito isolam o “maior problema da Educação em Portugal”, que, pasmem-se todos os professores, educadores, pedagogos, auxiliares, administrativos pais e alunos, é tão-somente os níveis de ensino, prevê-se já um novo projecto que arrojadamente revolucionará os níveis de ensino, numa, mais uma, mirabolante farsolice, que de certo afundará ainda mais a miserável Educação deste país.

Duas questões me ensombram a mente, uma primeira dá-se ao observar, os métodos destes senhores ministros da Educação e das políticas por eles seguidas, nos anos 90, apogeu do cavaquistão, a política de baixos salários e pouca formação fez doutrina, enquanto outros usavam os dinheiros comunitários para promover a formação e educação dos seus futuros quadros, por cá distribuía-se dinheiro a trouxe-mouxe, nos projectos mais mirabolantes, sem controlo e sem regras foi o tempo do “gastar à fartazana”. Quem se insurgia contra esses métodos era apodado de “comuna” de “traidor” de tudo e mais alguma coisa, ora como hoje se prova esses poucos estavam certos, eu sem grande orgulho fui um deles.

A “Paixão” nada trouxe de relevante, muita parra e pouca uva como sói dizer. Ora isto levanta umas dúvidas, serão os senhores ministros uns completos incapazes que andam ao sabor da maré, mesmo quando está toda a gente a ver que as suas propostas vão dar com os burros na água, isto é mau muito mau. Serão os senhores ministros maus, maus na sua essência, gente sem pudor e maléfica que faça estas imbecilidades para “castigar” os professores em primeira-mão, os pais e em última instância os alunos, será? Qualquer das duas hipóteses é aterradora, nem sei o que será pior, se ser governado por idiotas chapados ou por pequenos duendes maléficos.

A segunda questão é a dos lesados em todas estas tragalhadanciçes, sim porque cada vez que um destes senhores Ministros acorda e vai à latrina, sai obra. E os grandes prejudicados são aqueles a quem isto nunca deveria afectar, os alunos, eles são os grandes prejudicados com toda esta impressionante diarreia de cretinices, em primeiro os bons alunos, que cada vez são menos, depois todos os outros. Isto porque não se estabiliza a Educação, porque quando algum método que até funciona começa a dar frutos logo vem alguém cheio de ideias parvas e muda tudo. Gostava que a senhora Ministra, me explicasse como é que fazer uma criança de 6 anos levantar às 5 da manhã andar 40 quilómetros para ir à escola e regressar a casa às 8 da noite, ajuda a combater o insucesso escolar, que me explique como é que ao fechar 4 escolas com 8 ou 9 alunos cada uma e concentra-los numa escola com 400 ajuda a combater o insucesso escolar. Deixe senhora Ministra, eu sei a resposta, são as estatísticas, as malfadadas estatísticas, o que interessa é parecer. Não se esqueça porém, do adágio que diz, “ À mulher de César não basta parecer…

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, junho 25, 2007

Não os entendo!

Cada vez que vejo uma nova e salvadora medida governamental, propalada aos quatro ventos como a mãe de todas as medidas, como bálsamo da salvação, mais me convenço de que a minha teoria está certa. A minha teoria baseia-se numa equação simples, que envolve governantes, sanitas, e ideias latrinárias.

A reforma das forças policiais afinal não passa de mais uma dessas cretinices, as propostas que estão em discussão pouco acrescentam ao actual disparate, que rege as polícias, exemplo disso é a medida que o Governo apresenta como emblemática dessa reforma. A GNR deixara de ser comandada por um Tenente-general, (general de 3 estrelas) e passará a ser comandada por um General (4 estrelas), equivalente a um Corpo de Exercito ou a um Ramo de Forças Armadas, esta é a grande medida para a GNR, para além da extinção de mais postos da PSP e substituição dos mesmos por postos territoriais da GNR.

Então é isto a reforma? Ora vão às malvas! Na prática cria-se mais um organigrama de tacho, sim porque a manutenção da GNR sob a alçada militar é uma questão de tacho, a GNR serve para absorver os oficiais generais inúteis, oriundos do Exercito, gajos que percebem tanto de doutrina policial como eu de física quântica.

Ainda hão-de de tentar explicar o porquê da GNR continuar a ser regida pela norma militar, a ter uma doutrina de comando, de treino e de actuação militar, quando o seu trabalho é de policiamento civil, qual o porquê dessa situação, será que os governantes querem ter na GNR a sua guarda pretoriana, aquela que “morre mas não se rende”, que estará sempre à mão quando as outras forças estiverem por algum motivo indisponíveis.

E depois faz algum sentido mudar ou alegadamente reformar as polícias quando a Justiça fica no buraco em que está, mais a sacrossanta Constituição velha e bolorenta que já ninguém respeita, excepto quando se quer infernizar a vida de algum adversário político. Portanto, estou em crer que esta reforma, ao contrário do que disse o anterior ministro da pasta, actual candidato à Câmara de Lisboa, o que se pretende é mesmo, fazer alguma coisa para que tudo fique na mesma.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, junho 20, 2007

Vamos Lá Ver se Me Safo sem Processo!

Isto de fazer piadolas, sobre o PM e a sua alegada licenciatura ou falta dela, é perigoso, nunca se sabe quando alguém, um nosso superior mais zeloso e lambe botas, não nos atira com um processo disciplinar ao lombo, deixando a malta derreada, pois foi o que aconteceu, como é sobejamente conhecido. Este caso tem sido debatido até à exaustão no entanto existem umas piquenas questões, que não ouvi ninguém colocar em causa, que me despertam mais incómodo que a piada e ou o subsequente desenvolvimento anedótico.

O homem é professor de já nem sei o quê nem relevante é para o caso, dizem que é um tipo bem disposto e vai daí terá feito uma piadola acerca da curiosamente e ainda não completamente esclarecida, alegada formação académica do actual PM, o tal reparo, lembrem o Ministro Mário Lino que fez uma graçola na televisão bem mordaz, dizia eu que a propósito do reparo alguém foi deu com a língua nos dentes e repetiu o trote, vai daí, que a tal graçola, chegou aos ouvidos da Directora da Direcção Regional de Educação do Norte.

E catrapumba, num catrapiscar de olhos o desgraçado está suspenso, com um processo disciplinar e trinta por uma linha, se toda esta trapalhada não fosse triste, muito triste, ela seria seguramente anedótica, pois faz lembrar umas anedotas que se contavam do tempo da outra senhora, quando um tal Oliveira de Santa Comba, passeava as botinas pelo Terreiro do Paço, anedotas que a malta achava graça, mas que se contavam à socapa, por receio da bufaria que era mais que muita, pois parece que esses tempos de retrógrada ignorância estão a voltar. Para ajudar à festa, os abutres politiqueiros habituées, também se envolveram na contenda, que já mete blogueiros e processos e inquirições, tudo numa bela balbúrdia ao estilo Sul América anos 60.

Duas coisas bem mais sérias me assustam nisto tudo, a primeira, é que com tanta gente a fazer comentários, agora me lembro até eu, à carreira académical do senhor PM, alguém que até é de uma cor política diferente do senhor PM, alguém que já foi Deputado, seja molestado por uma questiúncula ridícula e disparatada, desta natureza, o que leva a pressupor, que a liberdade individual está mesmo em causa e que o actual executivo pactua com uma certa estalinização persecutória da função pública, onde cães de fila partidários perseguem os pobres diabos que não são da mesma cor, estou em crer que a provar-se este é um facto grave, demonstra uma ajardinação de métodos do governo do continente, talvez por contágio de algum vírus insular.

A segunda coisa que acho de facto preocupante, é que, uma Directora de uma Direcção Regional de Educação, tenha e perca tempo com ninharias, quando tem entre mãos a direcção de um Ensino a todos os títulos vergonhoso e em completo descalabro, onde os miúdos aprendem quase nada, onde tudo falta nas escolas, onde está tudo cada vez pior, onde a insegurança campeia, a falta de meios é atroz, o pessoal pouco e mal pago, as condições de salubridade das escolas são nalguns casos miseráveis, onde fecham escolas e obrigam crianças a fazer 20 e 30 quilómetros diários para ter aulas, onde uma licenciatura e onde a dedicação a uma carreira é tratada como lixo, onde o compadrio majora sobre o mérito, onde o sistema de concursos é uma inqualificável patranha digna de um filme sobre manicómios, numa terra de analfabetos e brutos de vários quilates, espanta-me pois que alguém que tenha tanto por fazer se dedique a mesquinhas perseguições politico partidárias.

Tudo isto é demasiado preocupante, triste e vergonhoso, não tem outra possível qualificação, esta gente anda de certeza a brincar aos governos, a brincar à política, a brincar com o dinheiro dos outros, sim porque um professor parado e a receber custa caro, outro para o seu lugar também, as tramitações legais de um processo estulto desta natureza também e quem paga somos nós.

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, junho 18, 2007

Nem Ota nem DesOta

Toda a gente emitiu o irá ainda emitir, a sua opinião sobre a Ota, sobre Alcochete, sobre o aeroporto e sobre toda esta grande trapalhada, caso curioso que quando foi para esbanjar a construir dez estádios de futebol para estarem às moscas, nem um terço das palavras foram ditas, mas andando que águas passadas, não movem moinhos.

Ora o Barão sente-se no dever de também participar na discussão que arrasta multidões, opiniões, clubes de fãs, movimentos cívicos, associações pró e contra, ambientalistas, especialistas, chupistas e outras aves de arribação, cujo contributo para a causa do conhecimento do problema, das consequências, dos perigos e das vantagens rasa o nulo ou é mesmo inexistente.

Em antes de participar na discussão, o Barão deseja fazer uma declaração. - Caríssimos e dilectos amigas e amigos, sobre o novo aeroporto, sobre a Ota, sobre Alcochete, ou o raio mais onde querem supostamente construir o mamarracho, o Barão como pobre e esquecido habitante da província, cada vez mais subúrbio infecto despejado de qualquer qualidade, com águas inquinadas e ar fétido prenhe da fumarada das carripanas dos imbecis que por cá vegetam, declara que está solenemente nas tintas para o novo aeroporto, perdão estou efectivamente a obrar para toda essa trapalhada, sobre a qual prevejo, um fim triste com derrapagens e custos astronómicos, com amigos e corrupção, com compadrios e especulação, que se faça onde fizer, para mim é igual ao litro, porque vou ter de a pagar na mesma, deixo só um perguntita, aquilo lá perto da Portela, o famoso AT1 de Figo Maduro é para quê, serve para quê, não se poderia utilizar para aumentar a Portela?

- Feito o desabafo, não deseja o Barão, porém ficar à parte da disputa e à laia de achega, aqui vão algumas soluções, para novas localizações, para essa obra impar do século XXI de Portugal, qual fome, qual taxa alarmante de acidentes nas estradas, qual taxa alarmante de adolescentes grávidas, qual analfabetismo, qual desemprego, o Aeroporto será o nosso grande triunfo, a nova quimera da idiossincrasia lusa, num despautério tão lato com quase mil anos de barbaridades, cretinices, besteiras, broncas, burrices e barracadas.

Como primeira, localização, proponho a Cova da Moura, matavam-se dois coelhos de uma só cajadada resolviam-se os problemas de habitação de muita família honesta e trabalhadora que ali vive, enfiava-se a eventual escumalha ilegal, felizmente uma minoria, que trafica e mata num avião e ala para terra deles, era só vantagens.

Como segunda localização, proponho as Caldas, o Aeroporto passaria a ser um aeroporto do c………, o que seria excelente para todos quantos nos quisessem visitar, poderiam logo ali comprar loiça típica, doces típicos, levariam um banho quer das termas locais quer da cultura nacional, ou seja que melhor forma de entrar no país do que esta de ser logo submerso na nossa cultura mais tradicional.

Como terceira localização proponho um projecto arrojado, daqueles para agradar a gregos troianos e cartagineses, construam um aeroporto internacional em cada localização agora proposta, Lisboa seria uma cidade impar, rodeada de aeroportos por todos os lados, esta solução, seria óptima por várias razões, todos comiam do bolo da especulação imobiliária, todos veriam as suas terras arruinadas por ainda mais alcatrão e cimento que por cá se chama desenvolvimento, todos ficariam contentes, poderia depois o Governo passar à fase seguinte, que seria a de construir um aeródromo e um heliporto em cada localidade.

A quarta e última localização que proponho é o Alqueva, pois, essa mesma barragem, esse outro esbanjar de dinheiros públicos, essa outra inenarrável imbecilidade, que assim como assim para pouco serve, apesar do carácter, messiânico da sua construção,numa atitude medíocre de sacralização da obra pública como salvadora e redentora da estupidez colectiva, apanágio da nossa cultura, não se cumpriu, o Alentejo continua pobre, desertificado de gentes, sem emprego, sem opções, claro está para os Alentejanos, porque os “nuestros hermanos” estão a safar-se muito bem, ao que parece.

Ora já que aquela extensão toda, está livre e desimpedida, pedimos ajuda ao Alberto, esse insígne construtor de aeroportos sobre o mar e constrói-se o aeroporto sobre as águas, num verdadeiro e arrojado projecto de arquitectura, podem fazer-se acessos por barco, colocar gaivotas a pedais, para os turistas irem brincar, vejam bem o manancial de potencialidades que esta solução apresenta, desde já vos digo que é a minha favorita, alias pondero seriamente a hipótese de começar a fazer campanha por esta solução. Já tenho até um mote de campanha, “Rá…Rá…Rá… Aeroporto do Alqueva Já!”

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

sexta-feira, junho 15, 2007

Coisas Belas ou Belas Coisas

Acusam-me frequentemente de sarrafeiro, de maledicente gratuito, de pouco inteligente, de derrotista, de pessimista, de inconsequente, bem de tudo aquilo que querem, porque assim como assim estamos num país, democraticozito e relativamente livrezinho e depois sempre é preferível descarregar um pouco da tensão num qualquer abrunho que escreve umas pasquinadas num blogue do que realmente confrontar alguém que realmente seja culpado do estado de bandalheira desta terra ou realmente fazer algo para mudar isto.

No entanto para provar que não falo só das coisas más hoje vou falar de uma excelente noite de televisão, aconteceu na passada segunda-feira de 11 de Junho, na RTP 1 o programa Prós e Contras, que valeu essencialmente pelo excelente trabalho do Paulo Dentinho, que se apresenta actualmente como um dos melhores jornalistas do triste panorama televisivo cá do burgo e que mais uma vez o demonstrou, na reportagem que fez na Holanda, a progressista Holanda, sobre a verdadeira escravatura a que estão submetidos alguns dos nossos conterrâneos que para lá emigram.

Para lá dos números, dados oficiais indicam que em 2006, 100 mil Portugueses saíram de Portugal para seguir os caminhos da emigração, para lá dos números fica esta triste realidade, voltamos a ser um país de emigrantes, onde a falta de trabalho as políticas imbecis, a inépcia a incúria a incapacidade e a impotência dos nossos governos levam a este êxodo que deixa exangue as nossas aldeias, vilas e cidades, brilhante sem dúvida uma situação soberba que deve encher de orgulho, Cavaco, Guterres, Durão, Santana e Sócrates só para citar os últimos e mais importantes culpados deste estado de miséria.

Entretanto no Canal 2 da RTP, repetia uma outra reportagem, esta versava o alcoolismo galopante dos nossos adolescentes, a jornalista Mafalda Gameiro, percorreu a noite de Lisboa aos fins-de-semana e mostrou o mundo semi-conhecido do alcoolismo juvenil.

Bandos de fedelhos de ambos os sexos engajados em orgias alcoólicas, até ao vómito ou ao coma e subsequente hospitalização, tudo isto abençoado pelos pais, sancionado pelos agentes económicos e sob o manso e terno beneplácito dos representantes da Autoridade, leia-se neste caso PSP e ASAE. Bares, discotecas, tabernas e tascas, restaurantes e pizarias, todos comem e enchem o bolso com a secura dos fedelhos.

Existe uma Lei, claro que sim, como em milhares de outros casos, alias em termos de legislação nós somos um caso excelente, temos leis para tudo, claro que 70 % não se cumpre ou só se cumpre numa pequena parte, neste caso confirma-se a regra, a legislação existe, mas ninguém a cumpre, mais percebe-se pela triste figura que fez o representante da ASAE, que foi entrevistado para a reportagem bem com pelo oficial de Polícia, que os próprios representantes da Autoridade pouco ou nada sabem desta realidade ou fingem desconhecer, até porque nalguns casos os donos das discotecas e bares são malta conhecida e influente.

A noite de televisão de segunda-feira mostrou um futuro atroz, um povo alcoólico e praticamente analfabeto, embrutecido e desprotegido, governado por ineptos. Eu disse que não ia falar de coisas más, foi o que fiz, falei de coisas péssimas, horríveis, que mostram a quem quiser ver a realidade triste deste pardieiro infecto em que este país está a ser transformado.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, junho 13, 2007

A Viagem – Um contitozinho do Portugal Contemporâneo (II)

(...continuação...)A conversa seguia animada, o costume, futebol, gajas e coisas do género, até que descambou para a crise para os salários e para os impostos. O Barrigana, lamentava-se de pagar montanhas de IRS de receber pouco, o orelhas de rato do Tentilhão idem, dizia-se esmagado pelos governantes e pelos patrões sanguessugas, explorado por ordenados de miséria, piscara o olho e acenara a cabeça para o lado do barbaças Ezequiel.

O outro fizera de conta que não percebera. – A si a vida corre bem. – Atirara o Tentilhão ao Ezequiel, vieram aqui traze-lo ao comboio numa carripana que não custa menos de 30 mil dele, sim que eu topei, alias eram duas iguais e novas em folha, em cima de si tem mais ouro que algumas ourivesarias que conheço, sim senhor, vender camisas sarrubecas e CD pirata é que tá a dar! – Os outros desmancharam-se a rir.

Visivelmente irritado, o Ezequiel, virou-se para o outro, e rispidamente respondeu-lhe. – Atão o senhori nã sabe que a sueca é pra jogari calade? – E riram todos mais ainda. – Pois aqui o doutor também não se safa mal, fatinho e gravata de seda, relógio de ouro, assim dá gosto. - Retorquira o Barrigana em jeito de vergastada no Fataça, este acusando o golpe, esboçara um sorriso cínico de circunstância e redarguira. – Pois é verdade, e os sacrifícios meu amigo e o trabalho, esse ninguém o vê. – É verdadi sim sinhori o dotori tem toda a razão, o trabalho ninguen no quer. – Ezequiel fazia ouvir a sua voz rouca de vendedor ambulante queimada por incontáveis cigarros e litradas de bagaço ordinário.

Ali iam aquelas quatro alminhas espelho desta nossa sociedade, ao Fataça conheço-o bem, é médico tem dois consultórios, trabalha ainda numa clínica privada e eventualmente faz serviço no hospital público lá da terra, já foi deputado, agora está também como vereador na Câmara. Tem casas no Algarve e na Serra da Estrela, um grande carrão e vive à grande, dizem à boca cheia que foge aos impostos, que por exemplo para pagarem os setenta e cinco euros que cobra por consulta, se for por cheque a pessoa que paga tem de passar 2 cheques um de cinquenta outro de vinte cinco. Os filhos enquanto andaram na escola tiveram sempre direito aos apoios sociais, nunca percebi porquê, o meu nunca, uma questão de rendimentos, disseram-me uma vez, que diacho de rendimentos, então o gajo é médico, deve ganhar dez vezes mais que eu?

Aos outros não os conheço mas é fácil perceber quem são, o barbaças, vendedor ambulante, lá se foi confessando, é o exemplo típico da sua laia, casas em três distritos carrinhas de quarenta mil Euros, rendimento mínimo e isenção de tudo e mais alguma coisa, isto só porque é de uma etnia não sei das quantas, naquilo que é um exemplo, das mais rematadas palhaçadas que se fazem por cá, como se não fossemos todos homens, pois parece que não, há uns mais homens que os outros.

O Tentilhão era um pobre desgraçado, a mulher era doente viviam todos eles, esposa e mais três filhos num T2 no subúrbio, passava, dificuldades, ele trabalhava 12 horas e ganhava pouco mais de quinhentos euros, queixava-se e com razão dos descontos, dos preços dos bens, do roubo nos medicamentos, enfim era o típico trabalhador por conta de outrem, explorado até ao tutano por um desses excelentes empresários que conduzem carros desportivos de alta cilindrada e fumam charutos de Cuba, representante dessa grande massa de trabalhadores para os quais a tal da flexisegurança não é novidade, porque é assim que vivem há muito tempo.

O Barrigana apesar do ar tresloucado e do canudo, era outro triste, este ano tinha trabalho para o ano logo se veria, entre concursos, colocações, papeladas e reuniões, novas políticas e modelos finlandeses, esta rapaziada gastava meio ano em cretinices, sem nada ensinar aos alunos, correndo o país de lés a lés, país esse que ia ficando cada vez mais pequeno, tal era o afã de fechar escolas.

Dentro deste compartimento vai espelhado o país dos parasitas e dos escravos, dos cidadãos de primeira e dos cidadãos de terceira, vergados ao peso do sistema que os esburga dos míseros cabedais, para que possam outros bem mais espertos engordar e fazer vida de estadão. Assim vai a viagem deste Portugal, que teima em separar os passageiros entre primeira e segunda classe, como se a viagem não fosse a mesma, como se o sangue de uns não fosse igual ao dos outros, como se tudo isto fizesse sentido…

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, junho 11, 2007

A Viagem – Um contitozinho do Portugal Contemporâneo (I)

A viagem estava a ser longa, uma longa série de infortúnios que metiam avarias, atrasos e acidentes enfiara no compartimento de um comboio quatro personagens que jamais se encontrariam se a tanto não ajudasse a falta de imaginação do narrador, pois permitam que me apresente Serafim Ganhão, narrador. Esta história que agora conto passou-se um outro dia, deste nosso tempo, sempre a correr num comboio que ia de uma parte algures para parte nenhuma em nenhures.

Comecei por os topar aos quatro mais eu, vigiava-os pelo canto do olho, as mãos suadas, o retorcer do bigode ali, a trinca da unha acolá, a irrequieta sensação que quem se sente deslocado, mas o solavanco mais pronunciado da ferro-traquitana e a queda abrupta de uma mala desencadeou a coisa.

A mala caiu, estatelando-se no meio da quadricula do chão do compartimento espalhando objectos, um estetoscópio aterrou aos pés de um cigano barbaças, arreado de ouro, um pesado canhenho de anatomia quase arrancava cerce o pedúnculo de um lingrinhas atarracado com cara e orelhas de rato, um espéculo fazendo ricochete no chão aterrara nos joelhos de um sujeito noveco que seguia de auscultadores nos ouvidos.

- Olhe isto caiu-lhe! - Verberou o cigano, enquanto estendia o estetoscópio a um sujeito todo engravatado, com óculos redondos de aros dourados.

- Ah mil perdões, peço desculpa a todos! - Disse o sujeito dos óculos, enquanto à vez todos os outros lhes estendiam os pertences, os outros sorriam magnânimos, gratos por poder ajudar, com aquela cumplicidade natural que se instala por vezes entre quem viaja junto e que infelizmente se desfaz quando a porta se abre e se volta ao mundo rafeiro e egoísta em que vivemos.

- Então o senhori é dotori? Calha meme bem que eu vou a veri um prime meu ao hospitali! –Atalhou o barbaças. – Sim é verdade, mais propriamente otorrino, alias apresento-me, Tobias Fataça, Doutor Tobias Fataça. – Segui-se uma bacalhauzada geral, que até a mim me calhou, apesar de ir mais distante do grupo, isto apesar de eu o conhecer de vista, moramos os dois na mesma terra.

- Ê chamomi Pascoal Ezequiel, vende na fera de Beja e faço todo a Alentejo na venda, sou o chefi lá do acampamente.

- Eu sou o Albertino Tentilhão, trabalho numa fábrica de pedras de isqueiro ali para os lados de Rilhafoles, muito prazer! – Dizia o orelhas de rato enquanto, já depois de apertar a mão aos outros se dirigia a mim.

- Pois parece que só falto eu, sou o Norberto Barrigana, sou professor e vou para Chaparro de Espingarda às Costas, fui lá colocado este ano, fica longe como um raio, algum dos senhores sabe onde fica? – Abanei a cabeça em sinal de negativa, dos outros também ninguém sabia onde ficava.

O silêncio constrangedor do início dava agora lugar à amena cavaqueira, entre os quatro claro está, porque eu estava assim com que num limbo, alias como convém a qualquer narrador isento e idóneo. – Meus senhores, vai uma partida. - Disse o Tentilhão rapando de um baralho de cartas, o instrumento lúdico de eleição do proletariado operário. – Vamos a uma suecada! – Insistia, o homem, o Ezequiel assentiu, o Norberto disse que há muito que não jogava mas fazia uma perninha, o Fataça é que obstaculizou, ah e tal a sueca, se não podria ser antes Bridge ou King, o Ezequiel revirou-lhe os olho e perguntou-lhe. – Beredgi e quingui, o senhor dotori que raio é qué isso? Vamos é jogari à sueca qué Português de Portugali, mai nada!

- O Fataça engoliu em seco e lá anuiu a medo, pudera, ele não queria confusões com ciganada. Escolheram os parceiros, o Fataça emparceirou com o Ezequiel, ficando os outros dois juntos, por insistência do Ezequiel, que ninguém quis contestar. Montaram o estamine usando duas malas de viagem com um jornal dobrado em cima o que conferia alguma estabilidade aquela improvisada mesa de jogo.

(...continua...)

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

sexta-feira, junho 08, 2007

Simplex Deles – A Novela da Vida Real - Episódio Quinto e Último

(...continuação...) - Ainda bem que nunca pedem a formação académica e bendita hora que o Sr. Professor Engenheiro Ministro, teve a brilhante ideia de colocar como condição primeira para alcançar cargos de Direcção experiência e não o saber académico. – Pensava para consigo Belmiro, pois assim como assim, nunca havia passado do 11º Ano, incompleto alias, isto porque se juntara precocemente à juventude partidária do Partido, colara cartazes, claro que tivera empregos, uns tachitos que o pai sempre lhe arranjara, na câmara, na junta dos municípios, no governo civil, depois fora nomeado adjunto do pai, depois secretário do líder da concelhia da juventude do Partido, depois adjunto do secretário-geral da juventude, depois passara para o parlamento, Resultando daí que nunca fizera um só minuto de trabalho na vida, a sua experiência resumia-se a papar almoços e jantares, beberetes e inaugurações, visitar feiras e mercados, lares e infantários, distribuir bandeirinhas aventais esacos de plástico dos chineses, assistir a reuniões onde se agitam sempre muitos papéis e se grita à vez “Muito Bem” e “Apoiado”, para além disso sabia colar cartazes e falar horas a fio sem dizer nada de relevante, tinha pois a experiência necessária para gerir uma entidade pública e os fundos do erário público.

- Olhe Doutor! – Dizia Belmiro. – Estou indeciso, ajude-me lá, por favor, não consigo decidir-me, o Administrador Presidente parece-me bem mas o Director de Saúde também, porque nunca fiz nada ligado à saúde e queria ver como é andar a visitar clínicas e tal, talvez até me ofereçam um estetoscópio, além disso a minha esposa anda com a ideia de aumentar os seios e vinha a calhar arranjar um local seguro para fazer isso e se a coisa fosse a título de doação, melhor seria. Diga-me lá o que é que isso envolve.

- Caro Doutor, o meu amigo ficará como director Regional, tem preferência pela Região? – Sim Região Norte, sempre dá para visitar o Douro, e as ajudas de custo daqui da capital para lá são maiores. – Declarou Sorna.

- Então está feito, amanhã o Ministro já assina o Despacho e segunda-feira o meu caro Doutor pode tomar posse, tem direito a gabinete, a secretária, a 6 assessores mais 12 assessores adjuntos, carro topo gama com motorista, telemóvel, cartão de crédito, ajudas de custo, caso queira remodelar o gabinete avise-me porque foi remodelado à 5 semanas pelo seu predecessor que assim transita para a administração do Grupo de Administração dos Lubrificantes e Petróleos, porque estão lá uns cadeirões, que a minha esposa quer.

- Sorrindo Belmiro Sorna estendeu a mão ao Alfarroba dizendo. – Muito obrigado caro Doutor terça-feira os cadeirões estarão em sua casa, cumprimentos à senhora sua esposa, muito obrigado. – E saiu.

Cá fora, soerguera o sobrolho, compusera as farripas empastadas em gel e regozijado consigo próprio, soltara um traque, sentia-se um novo homem, segunda-feira seria um novo Sorna que entraria na cúpula dirigente da Administração Pública.

Fim

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia