É inegável a atitude relativamente corajosa do actual Governo, algumas medidas, eram realmente necessárias, outras são, pura estultice, mas andando prá frente que atrás vem gente. No entanto todas irão cair em saco roto se verdadeiramente não se reformar o Estado, este modelo de República tem os dias contados, a actual República é um semi-cadáver cujos eflúvios pestilentos assomam, narina adentro dos seus cidadãos. O Modelo Constitucional está esgotado, é um espectro definhado, raso de vermes que lhe verrumam as entranhas apodrecidas por quase cem anos de uso e abuso, oh da Guarda, aqui d’el Rey! Esta República definha, morreu já sem saber, que se tragam as purgas de antimónio e água quente, limpe-se a tripa a esta velha moribunda para que não manche mais com o seu nauseabundo fedor o ar deste país.
E aqui residirá, na modesta opinião deste vosso servo, a solução. Impõe-se uma séria revisão da constituição e do modelo constitucional, exige-se que se opte por um mais adequado modelo de funcionamento, este país não pode continuar a sustentar um Presidente, um Governo e um Parlamento Faraónico, que se mude, cum mil demónios! Que se opte! Que se extingam instituições, que se criem novas instituições, urge mudar para melhorar. Instituam-se os círculos uninominais, reduza-se o número de deputados. Terminem-se as ridículas mordomias de toda esta gente, coisas que fazem lembrar as repúblicas das bananas fantoches dos anos sessenta. Assim estará o país realmente a poupar dinheiro, a libertar fundos tão necessários para fazer deste pardieiro um país realmente desenvolvido.
Extingam-se os governos civis, que são coisas completamente ocas e despropositadas, que não servem para coisa alguma excepto para perpetuar a actual tachocracia vigente, redimensione-se com seriedade as Forças Armadas, optimize-se o funcionamento das três Academias Militares, esta medida faria poupar milhões, os tais milhões tão necessários para escolas, infantários e creches, hospitais e centros de saúde, teatros e bibliotecas públicas.
Institua-se uma reforma máxima, um tecto máximo que independentemente dos descontos, resolva de uma vez por todas a vergonhosa situação que vivem os reformados deste país, alguns, bem poucos que fingiram trabalhar, recebem a parte de leão, todos os outros vivem de pensões sociais miseráveis, indignas de um país que se vangloria da banda larga do TGV e de outras cretinices modernas.
Extermine-se a Lei de Financiamento dos Partidos, essa rameira despudorada, que faz de nós votantes vulgares prostitutas, extingam-se as mordomias e alcavalas de Directorezecos e Administradorezecos de pacotilha que afogam o erário público no despesismo, haja comedimento nas festarolas e jantaradas, poupará assim o Estado mais uns milhões que fazem falta à saúde, à justiça, às polícias, à cultura e a tantos outros sectores fundamentais.
Mude-se o sistema de subsídiocracia que está instituído, obrigue-se quem recebe, a repor o dinheiro assim que esteja a trabalhar, à laia daquilo que se pratica noutras terras bem mais avisadas, o Estado Previdência não pode assim continuar, sob pena de serem sempre os mesmos a receber e outros os mesmos sempre a pagar. Poupar-se-iam assim mais uns milhões e os cofres da segurança social estariam sempre em equilíbrio.
Nada do que aqui foi escrito é difícil de implementar, existisse para tal real vontade de reformar, de evoluir num sentido positivo, existissem governantes corajosos. Até porque todas as actuais medidas de poupança, são engolidas pelo verdadeiro monstro que é o sistema constitucional e político, que são os verdadeiros tumores desta pátria, mas disso curiosamente ninguém fala, toda a pandilha, da esquerda caceteira à direita ultramontana, está queda e muda, assobiando a modinha da época, reina a hipocrisia geral, e a pobre carneirada cada vez mais miserável, cá anda encantada com maravilhas e festarolas, abençoada pelos santinhos e cada vez mais ignorante e canhestra.
Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia