Nós cá na terra somos assim! O Einstein deve ter criado a teoria para nos satisfazer o ego, dado que nós portugueses somos uns grandes relativistas, tudo neste pardieiro é relativo, relativizamos tudo, claro está desde que não nos aconteça a nós, aí é um ai Jesus pegado, de baba ranho e choradeiras, com as carpideiras de serviço a vir ao terreiro botar faladura e vomitar impropérios atirar propostas de sevícias, do simples esquartejamento à mais requintada crucificação, somos assim uns pobres tristes relativistas.
Esta questão da violência nas escolas, é algo que não é de agora, mas que se tem agravado, e muito, com o passar da ampulheta do tempo ainda que saibamos quão remansosa é a sua passagem no que toca a assuntos que deveriam merecer atenções sérias. Este é um daqueles assuntos que mereciam mais cuidado e ponderação, no entanto os nossos sempre atentos responsáveis políticos, relativizam a coisa e centram a discussão no baixo número de queixas, o que é uma grande falácia, porque neste como noutros casos, as pessoas não se queixam em Portugal, porque têm medo, porque as autoridades não defendem ninguém, porque o estado não têm autoridade nenhuma, e a réstia que lhe sobra serve só para as cerimónias dos corta fitas de serviço e pouco mais, porque verdade verdadinha se uma pessoa honesta e diligente tiver um qualquer desacato com um dos milhares de energúmenos que andam por aí só tem duas soluções, engole e finge que nada se passou ou pega numa fusca e rebenta o coiro ao meliante, confesso já, que sou adepto da segunda.
Uma outra questão, relativa. Claro está! Como querem vocês que os fedelhos birrentos e malcriados das escolas sejam modelos de cultura e sapiência, se os exemplos que lhes são mostrados incutidos e reverenciados são na maioria dos casos da mais absoluta pobreza intelectual e degradação de costumes e moral, senão vejamos, cromos da bola putanheiros, regiamente bem pagos, politiqueiros aldrabões e ladrões que por mais que roubem nunca são presos, pais e mães engolidores de telenoveluchas rasca e revistecas cor-de-rosa sobre o bordel da alta e baixa sociedade. Televisões para mentecaptos e que só formam mentecaptos onde as horas de telelixo são o triplo de programas com interesse e conteúdos.
Transversalmente a nossa sociedade é pobre e podre, alias até a coisa anda tão mal que quando se topa com um caso de bom samaritano isso significa logo direito a televisão em horário nobre com vários ângulos de câmara e musiqueta lamechas em fundo, pois, é tão raro que a malta até desconfia, quando deveria ser o oposto.
Ora com tantos e tão fantásticos exemplos de imbecilidade conjuntural, como podemos nós almejar crianças, inteligentes, bem comportadas e fortes, quando só lhes damos exemplos tristes e miseráveis, como podemos querer formar gerações com valores edificantes quando nós preferimos a corrupção o compadrio o amiguismo, o embuste e a farsa, como podemos desejar uma coisa e fazer o seu contrário, como explicar que trinta anos de campanhas cívicas, não tenham dado resultado nenhum, trinta anos de programas de inserção não sirvam para inserir ninguém, como explicar que como sociedade somos uns falhados!
Mas claro que isto é tudo relativo, porque eu como sou um bêbado estou a ver o copo meio vazio, e os iluminados vão de certeza ver o copo meio cheio, talvez, eu seja pessimista, talvez seja isso verdade, no entanto não auguro futuro nenhum brilhante a esta terra, enquanto não for reposta a legalidade e a moralização da política e da sociedade em geral, enquanto não acabar este verdadeiro culto da impunidade que se vive neste país.
Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia