Há uns dias, um senhor que se diz jornalista, escreveu aquela que é a sua, infelizmente de muitos, opinião sobre os professores e sobre a manifestação dos “cem mil”. O senhor Rangel, tece uma série de considerações próprias de quem vive num outro país, o senhor Rangel, como alias a grande maioria dos farsantes desta comédia trágica chamada Portugal não faz a mínima ideia do que é ser professor, permita-me pois caro senhor que eduque vossa senhoria, naquilo a que muitos chamariam de ignorância pura e eu vou chamar de distracção.
O caro “jornalista” tem uma colunelha de opinião, onde descarrega a sua frustração, acho muito bem, também faço o mesmo aqui neste meu pobre bloguelho, no entanto até esse exercício obedece a um certo tipo de deontologia, de critério e sobretudo de em antes de botar tudo à pena, pensar maduramente sobre o assunto e conhecer aquilo sobre o que se fala, ouvindo os campos opostos, revisitando a história e por aí adiante, num exercício que cultiva as meninges.
Intróito adiante vamos ao que interessa, o meu caro “jornalista”, escreveu umas bojardas insidiosas com o título, “Hooligans em Lisboa” começa logo com o título a sua pecha, pois quer-me bem parecer que vossa excelência ignora por completo o que são os “Hooligans”, não só ignora o que e como são esses arruaceiros futeboleiros, como ignora a diferença entre uma manifestação digna e série e a actividade circense que se chama futebol.
Volta de novo ao de cima o seu desconhecimento quando mais uma vez de forma leviana e desconhecendo os factos faz uma comparação pouco séria, fruto talvez da falta de tempo que vossa excelência tem para estudar estas matérias, entre esta manifestação e a dos operários da Lisnave. Duas coisas completamente dispares, só talvez relacionadas porque ambos eram esmagados e oprimidos, uns e outros atingindo o limite, caso queira terei todo o prazer de colocar vossa excelência em contacto com um familiar meu que em 75 esteve nessa manifestação que terá todo o prazer em explicar a vossa excelência, o que foi essa manifestação, quanto ganhava um operário da Lisnave, e quantas horas trabalhava, tenha atenção senhor doutor Rangel, o meu tio é uma pessoa simples só tem a 4ª classe, mas no tempo dele deu lições a muito burro em capa de doutor, estou certo que não será esse o caso, pois afigura-se-me que vossa excelência é dos mais dotados intelectos da margem direita do mar oceano Atlântico.
O senhor lembra-se dos seus professores, tão bem que até usou os seus métodos para ensinar, aí concordo consigo, vossa senhoria teve o dom de perscrutar um dos cancros ruinosos do nosso sistema de ensino, os milhares de curiosos a quem foi permitido exercer a profissão, sem terem a mais pequena formação pedagógica e conhecimentos, convidados a dar aulas em universidades e outros locais pelo simples facto de que eram pessoas conhecidas, advogados, juízes, jornalistas, engenheiros, enfim toda uma tropa fandanga que contribuiu em muito para arruinar a credibilidade da classe e o sistema de ensino, estou certo de que vossa excelência senhor Rangel conhecerá muitos casos destes, senhoras e senhores, que se foram deixando ficar pelo ensino, porque dava jeito o salário, que faltavam quando queriam, que efectivaram em belas escolas perto de casa, que nunca tiveram de ficar num quarto de uma pensão manhosa a 600 quilómetros de casa, a fazer uma substituição de dois meses, o senhor deve conhecer alguns deles talvez até sejam seus amigos.
Diz vossa excelência que: “Portugal não pode continuar a pôr cá fora jovens analfabetos, incultos e impreparados, como acontecia até aqui.” Pois é o que os professores andam a dizer há muito tempo, parece que nem esta sábia e dialogante ministra nem os anteriores parecem ouvir, e até lhe digo mais se os jovens não saem mais abrutalhados e ignaros é porque ainda há professores corajosos que se empenham e deixam de lado os programas escolares que são do mais absoluto grau de imbecilidade, junte-se a isso a tendência geral da sociedade, a influência do caixote de lixo que são as televisões, curioso vossa excelência foi até director de programas de um desses canais de tele-lixo, ai, ai vossa excelência também é um poucochinho culpado da imbecilidade dos jovens, ó meu amigo!
O senhor ignora tudo sobre o ensino, as barbaridades que profere, levam a acreditar que ou vossa excelência está enfermo de doença neurológica grave, aconselho a ida a um especialista e a que repouse mais, ou então é o desconhecimento boçal que tolda o seu arrazoado, porque o senhor Rangel, ignora que os professores não estejam contra a avaliação, mas contra esta avaliação, uma coisa torpe e canhestra que não vai levar a nada. O senhor ignora a falta de meios e condições, o senhor ignora em absoluto tudo acerca do ensino, está como a senhora ministra, que apesar de professora, me quer parecer que ou nunca deu aulas ou faz parte, dos tais “pseudo professores” a que o senhor, muito bem, faz referência
A mim também me envergonham os pseudo professores e creia-me que existem muitos, mas envergonha-me muito mais que um governo feche escolas, com alunos, que um governo obrigue crianças fazer 30, 40 ou mais quilómetros para irem à escola, envergonha-me que se trate a escola como um aviário, envergonha-me que com tretas como o inglês e por aí adiante se perca tempo e gaste dinheiro com imbecilidades quando o fundo da questão do ensino fica por resolver, envergonha-me que existam escolas onde são os professores que pagam as fotocópias dos testes dos alunos, os extintores de incêndio, escolas onde os professores tenham de ser pais, professores, psicólogos e muito mais porque os governantes ineptos e incapazes e seus cães de fila se digladiam com a carne deixando aos outros as míseras migalhas, deixando o ensino à míngua. Envergonha-me muito mais ler artigos como o seu, acaso fosse eu Jornalista, teria vergonha de ter uma carteira profissional, igual à sua, pois o senhor “jornalista” Rangel, de Jornalista não tem lá grande coisa.
Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia