segunda-feira, março 17, 2008

O "jornalista"

Há uns dias, um senhor que se diz jornalista, escreveu aquela que é a sua, infelizmente de muitos, opinião sobre os professores e sobre a manifestação dos “cem mil”. O senhor Rangel, tece uma série de considerações próprias de quem vive num outro país, o senhor Rangel, como alias a grande maioria dos farsantes desta comédia trágica chamada Portugal não faz a mínima ideia do que é ser professor, permita-me pois caro senhor que eduque vossa senhoria, naquilo a que muitos chamariam de ignorância pura e eu vou chamar de distracção.

O caro “jornalista” tem uma colunelha de opinião, onde descarrega a sua frustração, acho muito bem, também faço o mesmo aqui neste meu pobre bloguelho, no entanto até esse exercício obedece a um certo tipo de deontologia, de critério e sobretudo de em antes de botar tudo à pena, pensar maduramente sobre o assunto e conhecer aquilo sobre o que se fala, ouvindo os campos opostos, revisitando a história e por aí adiante, num exercício que cultiva as meninges.

Intróito adiante vamos ao que interessa, o meu caro “jornalista”, escreveu umas bojardas insidiosas com o título, “Hooligans em Lisboa” começa logo com o título a sua pecha, pois quer-me bem parecer que vossa excelência ignora por completo o que são os “Hooligans”, não só ignora o que e como são esses arruaceiros futeboleiros, como ignora a diferença entre uma manifestação digna e série e a actividade circense que se chama futebol.

Volta de novo ao de cima o seu desconhecimento quando mais uma vez de forma leviana e desconhecendo os factos faz uma comparação pouco séria, fruto talvez da falta de tempo que vossa excelência tem para estudar estas matérias, entre esta manifestação e a dos operários da Lisnave. Duas coisas completamente dispares, só talvez relacionadas porque ambos eram esmagados e oprimidos, uns e outros atingindo o limite, caso queira terei todo o prazer de colocar vossa excelência em contacto com um familiar meu que em 75 esteve nessa manifestação que terá todo o prazer em explicar a vossa excelência, o que foi essa manifestação, quanto ganhava um operário da Lisnave, e quantas horas trabalhava, tenha atenção senhor doutor Rangel, o meu tio é uma pessoa simples só tem a 4ª classe, mas no tempo dele deu lições a muito burro em capa de doutor, estou certo que não será esse o caso, pois afigura-se-me que vossa excelência é dos mais dotados intelectos da margem direita do mar oceano Atlântico.

O senhor lembra-se dos seus professores, tão bem que até usou os seus métodos para ensinar, aí concordo consigo, vossa senhoria teve o dom de perscrutar um dos cancros ruinosos do nosso sistema de ensino, os milhares de curiosos a quem foi permitido exercer a profissão, sem terem a mais pequena formação pedagógica e conhecimentos, convidados a dar aulas em universidades e outros locais pelo simples facto de que eram pessoas conhecidas, advogados, juízes, jornalistas, engenheiros, enfim toda uma tropa fandanga que contribuiu em muito para arruinar a credibilidade da classe e o sistema de ensino, estou certo de que vossa excelência senhor Rangel conhecerá muitos casos destes, senhoras e senhores, que se foram deixando ficar pelo ensino, porque dava jeito o salário, que faltavam quando queriam, que efectivaram em belas escolas perto de casa, que nunca tiveram de ficar num quarto de uma pensão manhosa a 600 quilómetros de casa, a fazer uma substituição de dois meses, o senhor deve conhecer alguns deles talvez até sejam seus amigos.

Diz vossa excelência que: Portugal não pode continuar a pôr cá fora jovens analfabetos, incultos e impreparados, como acontecia até aqui.” Pois é o que os professores andam a dizer há muito tempo, parece que nem esta sábia e dialogante ministra nem os anteriores parecem ouvir, e até lhe digo mais se os jovens não saem mais abrutalhados e ignaros é porque ainda há professores corajosos que se empenham e deixam de lado os programas escolares que são do mais absoluto grau de imbecilidade, junte-se a isso a tendência geral da sociedade, a influência do caixote de lixo que são as televisões, curioso vossa excelência foi até director de programas de um desses canais de tele-lixo, ai, ai vossa excelência também é um poucochinho culpado da imbecilidade dos jovens, ó meu amigo!

O senhor ignora tudo sobre o ensino, as barbaridades que profere, levam a acreditar que ou vossa excelência está enfermo de doença neurológica grave, aconselho a ida a um especialista e a que repouse mais, ou então é o desconhecimento boçal que tolda o seu arrazoado, porque o senhor Rangel, ignora que os professores não estejam contra a avaliação, mas contra esta avaliação, uma coisa torpe e canhestra que não vai levar a nada. O senhor ignora a falta de meios e condições, o senhor ignora em absoluto tudo acerca do ensino, está como a senhora ministra, que apesar de professora, me quer parecer que ou nunca deu aulas ou faz parte, dos tais “pseudo professores” a que o senhor, muito bem, faz referência

A mim também me envergonham os pseudo professores e creia-me que existem muitos, mas envergonha-me muito mais que um governo feche escolas, com alunos, que um governo obrigue crianças fazer 30, 40 ou mais quilómetros para irem à escola, envergonha-me que se trate a escola como um aviário, envergonha-me que com tretas como o inglês e por aí adiante se perca tempo e gaste dinheiro com imbecilidades quando o fundo da questão do ensino fica por resolver, envergonha-me que existam escolas onde são os professores que pagam as fotocópias dos testes dos alunos, os extintores de incêndio, escolas onde os professores tenham de ser pais, professores, psicólogos e muito mais porque os governantes ineptos e incapazes e seus cães de fila se digladiam com a carne deixando aos outros as míseras migalhas, deixando o ensino à míngua. Envergonha-me muito mais ler artigos como o seu, acaso fosse eu Jornalista, teria vergonha de ter uma carteira profissional, igual à sua, pois o senhor “jornalista” Rangel, de Jornalista não tem lá grande coisa.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

terça-feira, março 11, 2008

Para onde vais Portugal?

Sempre eterno, o problema da segurança agudiza-se, para tranquilizar o povaréu, o governo faz sair os números que desmentem a realidade num costumeiro exercício de artificialidade que creio eu já não exista ninguém que engula a patranha, por outro lado o mediatismo televisivo aumenta a febre, faz a coisa subir até roçar a paranóia colectiva, Portugal é um país seguro? Eu acho que sim, mais pela nossa maneira de ser do que por intervenção dos vários governos.

Senão vejamos a cada crise da segurança, anunciam os governos com mais polícias, o que resulta completamente redundante pois com os que se reformam, com os que ficam inaptos para o serviço de patrulhamento e com os que por qualquer outro motivo saiam a coisa fica de novo em saldo negativo, mas ainda que ao invés de dois mil, segundo o anúncio da nova leva, entrassem vinte mil, o mal seria o mesmo, porque o problema não é de efectivos é de autoridade é de meios e é de legislação.

De autoridade, porque neste momento o estado não manda nada, as polícias infelizmente ainda menos, porque completamente politizadas e manietadas nas suas acções pelo facilitismo e displicência que lhes foi imposto pelos sucessivos governos ineptos, meios porque carros, armas, helicópteros, comunicações, meios de vigilância, informática e instalações, roçam o terceiro mundista, compreende-se lá que uma polícia moderna não tenha uma unidade aérea que ajude na vigilância e detecção dos elementos perniciosos da sociedade, compreende-se lá, que as câmaras de vídeo vigilância não sejam há muito utilizadas e parte integrante do sistema judicial, compreende-se lá que as escutas as fotografias e os vídeos estejam ainda arredados do meio de prova, por pura estupidez legislativa, compreende-se lá que um polícia que rasga as calças a perseguir um bandalho tenha de comprar do seu bolso umas novas e que tenha de pensar duas vezes antes de dar um tiro a um inútil que já disparou três ao quatro. Compreende-se lá que a segurança privada não seja bem treinada e não ande armada.

Os meios, são aquilo que sabemos, velharias obsoletas, quando há gasolina não há carros e vice-versa, esquadras e quartéis a cair de podre, armas velhas e que para além disso não se podem usar, os meios de comunicação que deveriam ser de topo, bem nalguns casos são, só porque os policias e guardas usam os seus telemóveis pessoais e gastam dinheiro dos seus saldos para as comunicações, nas esquadras e quartéis quando à computadores não há tinteiros para as impressoras, o material que se compra é da mais reles qualidade, ou seja os homens trabalham na mais absoluta miséria de meios, falta tudo, camaratas decentes, viaturas, fardamento grátis, falta a GNR deixar de ser militarizada, que essa é outra pecha muito grave deste particular sistema à lusitana.

Por fim o legislador, que estou em crer, adormeceu no século XIX, a nova criminalidade, a redescoberta e criminalização da pedofilia, o tráfico internacional, o terrorismo, o crime cada vez mais organizado, parecem ser realidades a que o nosso legislador não está atento, alias não só não está atento como parece existir uma vergonhosa conivência entre o legislador e as elites do poder, o novo código é bem um exemplo disso, a mais completa e absurda desresponsabilização de actos criminosas ao colarinho branco, leva a que, por a lei ser de aplicação geral, o ladrão pé de chinelo saia também airoso de toda a galfarrice.

Se acredito que vamos mudar? Não! Acredito sim que vamos piorar, cada vez mais até atingirmos um nível de criminalidade igual a qualquer país do terceiro mundo, se bem que já existam locais onde se viva assim, sempre no medo, porque o tal Estado, que tem o dever de proteger os seus cidadãos, a mais das vezes só protege bem os canalhas e a escumalha subsidio dependente, porque a nós os pobres que alimentamos a cloaca, ninguém nos protege, só podemos confiar na sorte e invocar um qualquer deus para que consigamos evitar as ocorrências.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

terça-feira, março 04, 2008

Ó pá...

Isto das instituições públicas têm que se lhe diga, há sempre barafundas e questiúnculas, há sempre gente com brio e gente sem brio nenhum. São várias as vezes que tenho “disparatado” com gente menos correcta, alias até eu já fui alvo de uma queixa aqui no serviço por, ao que parece ter sido pouco educado, eu deveria ter partido os cornos à cavalgadura mas enfim andando. Com ou sem razão lá vamos protestando, o que é bom, pois faz com comecemos a ser todos um nadinha mais civilizados, espero!

Num destes dias foi aos correios aqui da terreola, levantar uma encomenda da minha mulher, porque essa é outra questão senhora Ministra da Educação, quem dá aulas não tem tempo para mais nada, mas andemos, ás nove em ponto lá estava eu pespegado à fria porta de metal vermelho e vidro cheio de cagadelas de mosca da estação dos correios, tinha chegado à dez minutos, tivera já tempo de fumar um cigarrito, enquanto olhava os rostos dos passantes, os olhos mortiços e cabisbaixos, recostado numa daquelas máquinas de venda automática de selos que estão à porta das estações dos correios, esta graciosamente adornada no topo com uma fantástica camada de merdum de pombo que alegremente usam a maquineta como sanitário, e que nenhum dos diligentes funcionários se dedica a limpar, é um repasto para os olhos, tirar o selozito da maquineta enquanto podemos observar toda a paleta de cores merdal da insuspeita caganita do pombo, um belo exemplo deste nosso país.

Ora abre-se a portinhola e eu, como era o primeiro da já longa bicha, avanço, decidido para a maquineta das senhas, afinco-lhe uma dedada e lá cai o papelete de cor deslavada com um número, por entre o clac clac de gralhas da audiência alguém dá um sonoro berro e diz ...ó pá, não tirem as senhas!...

- Ó pá? Ó pá o quê? A senhora conhece-me de algum lado? Ora esta agora, ó pá! Isso são maneiras de falar com as pessoas?

- Disse eu. De dentro do balcão de atendimento, uma criatura de ar baço e pele macilenta e esbranquiçada olhava para mim por sobre os óculos, fitei na cara e disse-lhe, «não esteja a olhar assim para mim, acha que me assusta com esse ar de morto vivo, não olhe assim para mim! – Acto continuo a criatura baixou os olhos e continuou o que estava a fazer, a colega que havia proferido o tal “ ó pá”desculpava-se dizendo que tinha dito aquilo para a colega e não para os clientes, ao que eu lhe disse que não punha em causa a justeza desse pleito, mas que a senhora haveria de concordar que estando numa instituição pública aqueles trejeitos não eram apropriados para atender o público além disso podiam causar mal entendidos como este.

Diligente avança o chefe, presumo que o fosse pois estava de gravata e neste país gravata é sinal de chefia de doutor ou pior. Claro que desculpasse porque a maquina das senhas e tal não estava preparada e porque torna e porque deixa, olhe caro amigo, experimente vossa excelência fazer uma coisa, tornei eu, experimente uma coisa que eu faço lá no meu emprego, experimente entrar cinco ou mesmo dez minutos mais cedo, verá que quando os clientes entrarem estará tudo pronto para trabalhar, sem haver necessidade de esperas e desesperas, de mal entendidos e de olhares cretinos.

Mais uma vez, é curioso que fui o único que estrilhei, esta minha mania parva, os outros carneiros capados que estavam lá dentro, ou sentiram-se muito bem a ser tratados por ó pá, por alguém que não conhecem ou então estão tão habituados a serem tratados como gado que já nem notam, pois eu não. Não me tratem como gado, já pouco me resta, mas a minha dignidade é minha e eu exijo respeito, ademais num local que é público, que eu contribuo para pagar os ordenados, respeitem-me como eu, os respeito.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Por um Ensino mesmo Especial!

Para quem não sabe, o ensino especial cá na terra foi sempre mau. Foi sempre uma boa desculpa para andar a laurear a pevide sem fazer ponta de corno, fingindo que se trabalhava muito, depois verdade seja dita houve a coragem de acabar com essa mordomia, mas logo de seguida assassina-se o ensino especial, caramba, diabos me carreguem se percebo esta gentinha.

Até há uns anos ia para o ensino especial dois tipos de pessoas, o primeiro tipo era o dos samaritanos, gente que adorava aquilo que fazia, que se empenhava com seriedade no ensino dos miúdos portadores das mais variadas deficiências, infelizmente este primeiro tipo era muito escasso, o mais que abundava no ensino especial era o segundo tipo, o dos oportunistas, esta rapaziada ia para o ensino especial somente porque tinham sempre colocação e ficavam praticamente em casa, mandavam às malvas os miúdos e arranjavam todas as desculpas e mais algumas para andarem no laréu.

Quando falamos de ensino especial, não falamos só de cegos, surdos-mudos, das trissomias, dos amputados, das paralisias, não; falamos também do grande espectro das dislexias, dos comportamentos de risco, dos défices de atenção, da hiperactividade, dos atrasos mentais e da multi-deficiência profunda. Quando falamos de ensino especial, lá vem à baila a questão da inclusão, coisa que deve confessar abomino, mas enfim é uma palhaçada dos tempos modernos, que nos enfiam pela goela com a confiada justificação de que assim é que é bonito, e tadinhos dos deficientezinhos já estão na sala de aulas com os outros, uma parvoíce pura e simples.

Mas falemos do novo ensino especial, proposto pelo actual ministério. Imaginem, que numa sala com 24 miúdos normais, existe um multi-deficiente, imaginem que essa sala só tem um professor e um auxiliar, isto na pré, porque em graus mais avançados desta coisa que vão chamando ensino só têm o professor, imaginem-se dentro dessa sala, a tentar dar umas aula, percebem pelo cheiro que o miúdo com deficiência fez chichi ou pior, como é que fazem?

Chamam a auxiliar, saem da sala, instala-se o caos, para a aula, o pico de concentração já se perdeu, retomam depois uma e outra vez, sempre até ao vosso esgotamento, imaginem que na vossa sala existe um deficiente com um atraso mental, não muito profundo, mas o suficiente, para necessitar de um maior acompanhamento, como reagem os outros miúdos? E se esse miúdo for alvo de abuso, se lhe despirem as calças na casa de banho e lhe baterem nos genitais, se lhe cortarem o cabelo com um x-acto, se enfim o miúdo for alvo deste tipo de coisas como é, quem lhe dá apoio, você não é psicóloga é só professora, e terapia da fala quem dá? O professor, como, este é um tipo de trabalho moroso e muito exigente, quem ensina os restantes miúdos?

Poderia continuar e falar de milhentas outras situações, que só tornariam ainda pior o que aí vem, a alteração do ensino especial, para uma coisa completamente híbrida e sem lógica absolutamente nenhuma, é tão atroz que faz pensar, que raio de gente manda neste ministério, a cegueira economicista é tão grande, que se vão destruir de uma penada coisas que funcionam muito bem e deveriam ser o exemplo do ensino público.

Nem a propósito, há tempo esteve aqui um amigo que é professor do ensino especial na Suécia, pois lá vai ele buscar exemplos desses, ó Barão devia era mostrar exemplos mais edificantes como os do Burundi ou do Gana, esses sim, bem mais próximos de nós! – Pois, mas resolvi ilustrar este da Suécia, então leiam e chorem, as turmas são pequenas, até 18 alunos, se existe um aluno ou dois com necessidade educativas especiais, cada um deles tem um professor atribuído, que na sala vais trabalhando com o miúdo, dentro das suas possibilidades cognitivas. Cá um pobre miúdo que tenha problemas na fala, tem terapia uma vez por semana, aí uma horita e já vai com sorte. Qual é a diferença, simples, na Suécia preocupam-se com as pessoas, cá fingem que se preocupam, cá esta cáfila de indigentes cerebrais que ocupa os cargos do poder tratar em primeiro lugar de encharcar a pança em comezainas e borracheiras, depois em forrar a nota de conto os alforges e por em salvo a família e os amigos, só depois e após ter engordado também alguns parasitas que por aí vegetam sempre agarrados ao canelo das elites é que os senhores importantes se lembram dos desgraçados que lhes pagam os impostos. Que vergonha sinto desta gentalha, a quem estas maiorias de igual gentalha dá as rédeas do poder, num embuste a que curiosamente insistimos em chamar democracia!

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

A primeira viagem do Titanic

Eu realmente sou um lírico, ainda acredito na qualidade dos nossos políticos, apesar de estar mais que provado que não valem um chavo, pelo menos estes que vamos sendo obrigados a engolir, mas adiante, ontem ao ligar o aparelhamento televisivo, tendo primeiro de remover as teias de aranha, tal é o excesso de não uso do zingarelho, deparo-me com a seguinte cena macaca, palanque com um microfone, grande bandeira da partidarite laranja, ao centro bem ao centro com aquele ar de criança abandonada, estava o actual líder do maior partido da oposição, num dos seus já costumeiros arroubos de obstipação verbal.

Questiona-se o cavalheiro, sobre esta sucessão de escândalos, trafulhices, broncas e barracadas que envolvem sempre membros do seu partido e do partido dos seus acólitozecos popularuchos, está espantado diz o cavalheiro, que surjam estas coisas, que ataquem estes senhores, todos muito honrados, que é uma campanha, que ainda bem que nenhum foi ainda presente a tribunal.

Caríssimo senhor, a mim o que me espanta é a sua falta de bom senso, a sua falta de vergonha, ficaria eu feliz se visse que vossa excelência, pugnasse para que realmente fossem apurados os meandros destas falcatruas, que se esmiuçassem até ao mais ínfimo pormenor os cantos dilatórios e escusos destas trapalhadas, e que os culpados fossem, indiciados, julgados, sentenciados, punidos e encarcerados, a bem da moralização da classe política desta terra, ficaria eu encantado se vossa excelência, propusesse não como uma criança birrenta a ameaça que deixa cair o pacto da Justiça, mas antes que reafirmasse a firme intenção de combater este flagelo e caucionar com a sua perseverança e pundonor um mais firme combate aos galfarros que habitam nas capelas do poder.

Gostaria de o ter visto questionar sim a actuação, dessa gentinha, sim porque os casos estão aí e por muita fé que nos mova ninguém poderá atribuir ao divino espírito santo a feitura dos disparates, que mais uma vez lesam o estado, ou seja o cidadão pagante, em milhões, para além de lesar o património, sim porque os sobreiros da herdade de Benavente foram mesmo abatidos, o casino transitou mesmo para a posse da empresa que o explora, os submarinos foram mesmo adquiridos, os dinheiritos apareceram mesmo nas contas do seu partido etcoetera e tal, mas eu percebo, é a velha síndrome lusa da malvada solteirona a Culpa, e os seus filhos os culpados, pobres órfãos sem pai.

Mas ao invés de reclamar contra a galfarrice e disparate, vossa excelência revelou a sua titubeante condição de liderzeco enjeitado, um líder de transição que prevejo irá ser apunhalado mais tarde ou mais cedo pelo seu actual líder parlamentar, que anda já afoito a mostrar-se às hostes. Não adiantou nada, afundou-se ainda mais, as suas declarações soam a qualquer pessoa minimamente inteligente como uma grande calinada, igual aliás a outras que já nos habituou, deixo em guisa de conselho um último reparo, quando vossa excelência se propuser a falar em sinal aberto, em antes de falar lembre-se daquele adágio que diz …ou entra mosca ou sai asneira…

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Efeito marinho ou a brisa do mar!

Chame-se o que se queira ao homem, populista, demagogo, candidato putativo da esquerda ao assalto à presidência, louco, inconveniente, desbragado, enfim desse-lhe o epíteto que se queira, um facto é indesmentível, o homem mexeu no edifício, fez a coisa abanar, chamou os bois pelos nomes e despertou a classe politiqueira e os seus acólitos e cães de fila para a realidade.

Marinho Pinto, disse, e muito bem, com todas as letras aquilo que todos nós os Zés Pagantes sabemos que é verdade, falou da vergonhosa, decadência moral, da torpeza e sacanice dos nossos eleitos, das falcatruas e negociatas, dos embustes e vigarices que diariamente e ao longo destes anos temos assistido impávidos,

São tantas as vigarices, que dificilmente encontraremos um governante, um deputado, um autarca, que por decisão ou por omissão, nelas não haja tido algum tipo de participação, quando não muitas das vezes, as mais das vezes até, disso não haja tirado dividendos, acredito porém que alguns, por simples inépcia, por laxismo, por excesso de confiança em terceiros ou por pura estupidez são enredados nas teias da burla, tal e qual vai o anho ao sacrifício.

Mas, caríssimas e caríssimos concidadãos dolentes e pasmacentos, muitos há, que sendo, que são, dos mais, mais rematados e maiores galfarros de colarinho branco desta terra, o fazem a prejuízo de todos nós e com o único fito de encher as suas já gordas algibeiras.

Senão como explicam que damas e cavalheiros, com tenra idade possuam já pecúlios dignos de um qualquer Midas, como explicam que crianças com pouco mais de quarenta anos de idade, tenham três ou quatro casas, mais outros tantos carros, como explicam que tantos titulares de cargos públicos tenham pedido escusa de publicitação das suas declarações de impostos e património, pois claro não explicam, ou antes explicam, com anedotas risíveis, como as heranças, de todo plausível mas facilmente provável e mandatóriamente carente de declaração em sede fiscal ou ainda com escusos sobrinhos taxistas a laborar em conhecidos paraísos fiscais.

A mor moléstia desta estância de impedidos intelectuais, não é como tropegamente se propala, a nossa pobreza endémica, a falta de recursos e demais fadários, a mais das maleitas é sermos uma corja de sacanas, de vigaristas e de aldrabões que envergonhamos a espécie humana, esse é o nosso maior mal.

Honestidade, cá pela terra é palavreca vã, dichote ridículo nos tempos que correm coisa arcaica, coisa de avoengo de antanho de barba crescida e colarinho apertado até acima, espanta-me até que com a imbecilidade do novo acordo ortográfico não tenha sido obliterada, hoje não se olha a meios, quando toca a encher a barrigana com os óbolos, soldos e dobrões do erário público, alias a tal da Fazenda Pública, é o que há de mais semelhante ao maná bíblico, com só uma diferença, apesar de andarmos todos a errar pelas areias cálidas, só alguns camelos, enchem a pança, o resto de nós, tristonhos camelídeos, continua a blaterar sem vistas de sorte, vivendo de migalhas.

Chamar louco ao homem por ter dito a verdade, a sua verdade, que é também a minha, colocou a nu a vergonhosa conspiração que vai pelos corredores de poder, onde a esquerda tapa a direita e a tapa a esquerda, com o centro sempre placidamente a viver a sombra dos papões, papando também. Senão atentem, eles nomeiam-se uns aos outros e aos seus filhos e filhas, sobrinhos e sobrinhas e demais famelga, para os lugares dos tachos, depois é rapar, quando a coisa aperta como agora, viram-se para a maralha e tocar a carregar o povaréu de sisas e dízimos porque temos de manter os iates e as quintas com cavalos, nós os pategos tristes e imbecilizados pelos confrontos mediáticos das televisões, jornais, rádios e revista de que eles são donos, aqui andamos a discutir a selecção nacional, a táctica do treinador do Travanquense e se alguma gata pelosa das revistas cor-de-rosa encornou ou não o último parceiro que é só mais um na já extensa lista de cornudos.

Enquanto isso os alarves, as sanguessugas engordam com as falcatruas, e, quando alguém levanta a voz e clama, logo se fazem ouvir os cães de fila a ladrar aqui d’el rey.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Semana Europeia da Mobilidade

Neste nosso mundo insalubre que estagna lentamente com a estupidez e laxismos de uns e de outros, é sempre ver que se vão fazendo coisas boas, ou coisas com boa intenção, ainda que todos saibamos que de boas intenções está o inferno cheio.

Uma delas é esta semana europeia da mobilidade, onde os cidadãos são aconselhados a deixar o carro na garagem, isto é aqueles que ainda não a transformaram num anexo, deixando a carripana na rua a entulhar ainda mais a dita, pede-se ao cidadão que anda a pé, de bicicleta de patins, enfim que largue a maldita dependência do petróleo, larga a porcaria do carro e anda a pé ou de transportes públicos, é uma excelente iniciativa, aqui os labregos da minha terra bem faziam por aderir em massa, mas andando.

Num grupo de 2000 mil cidades de vários países que concorrem ao prémio instituído pela União Europeia que visa premiar a cidade que melhor faz por cumprir os desígnios deste evento, que conta com várias dezenas de cidades de Portugal é com um orgulho desmedido que vejo o nome de Almeirim, nos dez primeiros, ou seja esta pequena terreola, está a ombrear com cidades com Franqueforte, Budapeste, Sheffield, entre outras, estamos a disputar o primeiro prémio com aqueles gigantes, isso meus caros enche de orgulho quem como eu gosta da sua terra, dia 13 de Fevereiro em Bruxelas, será anunciado a cidade vencedora, ainda que Almeirim não ganhe, o facto de estar entre os melhores é por si só uma nota de excelência neste mar de sensaboria.

Estão de parabéns todos aqueles que pugnaram para o sucesso desta candidatura, a autarquia, os funcionários e responsáveis políticos que levaram este feito avante, é destas coisas, claro que para o matarruano normal são incipientes, dizia eu é destas coisas que se faz o edifício da participação cívica deste país, óbvio que a participação de todos terá de ser mais e melhor, mas e desculpem a soberba, estou impante de orgulho com esta notícia, é coisa pequenina, cá calhando sem alcance mas é bonito ver, que quando se quer e se trabalha com seriedade e dignidade as coisas boas acontecem e os exemplos edificantes aparecem.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Tenham vergonha!

Ele há dias assim, em que parece que a nossa boca é uma cloaca de onde só sai caquinha da grossa, dias em que mais valia não sairmos de casa! Todos nós passamos por esta contingência, um dia por outro de quando em vez, zás, trás catrapás, vem um dia desses, no entanto alguns de entre nós parecem estar talhados para o inverso, ou seja, de quando em vez é que não sai asneirada da bocarra, porque as mais das vezes os cérebros estão entupidos de tal maneira que não há hipótese, abrem a boca e lá vem um enxurrada de troçulhos.

Vem esta divagação a propósito das bojardas, recentemente proferidas por duas personagens desta opereta bufa a que chamamos país, acerca da ASAE. Um preferiu a graçola, convenhamos que é melhor o camarada ficar-se como político, porque como comediante, é uma nulidade, como político não será melhor, como gestor, já o conhecemos, ou antes conhecemos o seu jeito para abrir buracos, na câmara que geria consta um buraquito de 225 milhões, coisa pouca para quem almeja ser primeiro-ministro, sim porque se não for evacuado antes este incómodo, vai ser primeiro-ministro! Esta laminária politica, douto cérebro iluminado, comparou a ASAE ao FBI americano por ir às feiras com os agentes encapuzados.

Outra personagem, curiosamente do mesmo partidelho, do anterior, será que por aquelas bandas é a semana de bater na ASAE, comparou a ASAE à PIDE, numa arroubo da mais pura demagogia, para ser simpático, porque o que apetece dizer é pura estupidez, mas como sou um tipo educado e respeitador não o direi.

Concorde-se ou não com a actuação da ASAE, creia-se que vão ou não longe demais, aqui o importante a reter é que a ASAE, presta um serviço inestimável ao país, ou seja, tenta por ordem no caos anárquico que até então vivíamos. A maioria da legislação que faz aplicar, foi transposta para a nossa legislação por imposição das directivas europeias, e em boa hora, para acabar com o regabofe que por aí reina, continua a reinar é um facto, mas pelo menos agora vai-se fazendo alguma coisa.

Comparar a ASAE à PIDE, é ser completamente desprovido de bom senso, é a mais absurda e sem nexo declaração dos últimos tempos, é uma afirmação infeliz, de alguém a quem o decoro e sentido de Estado deveria fazer pensar em antes de proferir tais atentados ao uso da inteligência, uso esse que nos distingue do resto das bestas.

Comparar a ASAE ao FBI, relativizando o trabalho importante que fazem nas feiras, combatendo, o tráfico e as sanguessugas gulosas que laboram nessas áreas, é completamente infeliz, mostra o desconhecimento completo da realidade, do perigo real que os profissionais da ASAE e das Polícias correm quando vão a esses locais pejados de facínoras subsídio dependentes, em suma, o senhor líder do maior partido da oposição perdeu o decoro e também a responsabilidade que tem enquanto responsável político do partido que irá ser governo.

Resumindo, duas pessoas, com responsabilidades que agem como se fossem meros, transeuntes, meros protestantes de taberna, revelando a sua pouca qualidade política, pois se quiserem ser sérios, dirão que a ASAE, só faz o que lhe mandam, e que os governos, políticos, deputados da Nação e Euro deputados, nunca levantaram um dedo sequer para fazer respeitar a nossa cultura e tradições, pura e simplesmente venderam-se a troco dos milhões que foram engordar as contas de vários sobrinhos taxistas, estucadores e trolhas a trabalhar noutros países, de preferência países que não façam parte da União Europeia e que sejam paraísos fiscais.

Tenham vergonha!

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Descobriram a Pólvora

De quando em vez ainda me espantam, os nossos politiqueirotes. No outro dia ia morrendo engasgado de tanto rir, com a farsolice que via na televisão, ora vamos por partes, almoçava aqui o vosso amigo um excelente repasto, regado com um tinto daqueles que já não há, pelo menos desde que os ianques e as suas revistecas e blogues pardelhas sobre vinhos lançaram a moda das água-pézecas deslavadas, de que eles gostam, o meu tinto não, é do antigamente, carregado, cheio de mosto, perfumado de fruta, enfim não nos desviemos.
Ora, estava eu a degustar uma bela posta do fiel amigo alhado e azeitado a preceito, com um magusto de couve nova, quando oiço na televisão, num encontro qualquer de um desses partidos de indigentes intelectuais que temos por cá, uma senhora, de ar sério, pose de quem tem algo de muito importante e nunca dito, entalado na goela, pronto a saltar para fora, tudo denunciava que daquela bocarra iria sair algo de importante, um portento da sapiência politiqueira, de ar grave e tom de voz bagaceiro a madame lá atirou com esta:
“ O nosso grande problema é a competitividade, se não formos competitivos, bem podemos fazer investimentos que Portugal não cresce”
Claro andei para cair da cadeira abaixo de tanto rir, a senhora em causa já foi ministra e por várias ocasiões, arengava agora na qualidade de convidada para as jornadas parlamentares de um dos dois partidos da alternância, um dos tais que nos tem enterrado, desde o seu grande timoneiro, até ao menino guerreiro passando pelo Furão Fujão, minhas e meus caros, eu não aguentei, juro-vos que quase morria de tanto rir, engasgado com o diabo da lasca do “gadus morhua” entalado no gorgomilo.
Ao dianho aquela assombração com voz de quem entorna umas branquinhas da queima, porra, que não há pai para tanta cretinice por junto, então agora deixou-se a produtividade e passou-se para a competitividade, realmente, vale bem a pena fazer doutoramentos e mestrados e pós graduações para chegar a conclusões brilhantes dessas, génio puro aquela senhora.
Nos idos tempos do “Oásis”, vozes existiram que declaram, que era necessário aproveitar os dinheiros comunitários, que era necessário, promover a qualidade e os mercados externos com produtos de qualidade, quase contrário esta nave soçobraria, poucas bem poucas eram essas vozes, eu aqui onde me tem era uma delas, num poucas as vezes que à laia de premonição declarei “…ainda vamos pagar isto bem caro…”, muitas e vivas felizmente são as testemunhas disso, alguns até engoliram as palavras de então, cegos que estavam pelo alcatrão e cimento e então personificava o nosso “progresso”.
Tristes estão hoje de eu ter razão, triste fico de ouvir semelhantes avantesmas, ademais televisionadas a proferir tão grandes e gravosos disparates, apetece perguntar, então e quando fostes governantes que fizesteis vós senhora, vós e vossa cáfila de apaniguados partidários, sim que acções vos defendem, que ditas e boas atitudes fizeram em bem da tal competitividade, pois, eu até sei, alias a julgar pelo estado actual, nada um grande e redondo nada.
Será que esta gente não tem vergonha na cara, será que esta gente julga que somos todos uns imbecis que agarrados à novelucha e à jogatana futeboleira, não olhamos o resto, não sentimos todos os dias as imbecilidades de desgovernos diferentes mas todos iguais, será…

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

terça-feira, janeiro 15, 2008

Nada de Novo

Estive a dar uma olhadela à nova lei do Ensino Especial, leia-se cretinice, mais uma vez, mais um Governo, outro, perde a oportunidade de fazer a diferença, de realmente, pelo menos no papel, fazer de conta que dá atenção aos seus cidadãos que necessitam de um acompanhamento pedagógico especial.

Disse e volto a repetir que a par de outro tipo de legislação que contempla os cidadãos portadores de deficiência, o Ensino Especial em Portugal é uma mentira, é uma absoluta imbecilidade, que funciona bem num ou noutro local, funcionando de forma atroz e imbecil na maioria do país, quem tem uma criança com este tipo de necessidades sabe muito bem daquilo que falo.

Infelizmente esta nova Lei, é mais uma grande imbecilidade, promove-se a inclusão, essa farsolice imbecil dos tempos modernos, não que não acredite na inclusão, acredito, mas até agora essa tal coisa foi unicamente direccionado para o mais óbvio, os pretinhos e os ciganinhos e tal, os deficientes ficam como é óbvio a milhas de distância de todas essas actividades cretinas.

As necessidades especiais abarcam um sem número de coisas, défice de atenção, surdez, hiperactividade, deficiência mental, paralisia entre outros problemas, muitas destas situações exigem um professor a tempo inteiro, caso a criança esteja integrada numa turma normal e se este fosse um país normal, para além do professor e ou educador existiria a tempo inteiro um professor do ensino especial que trabalharia com a criança, pois erro crasso, cá no burgo a infeliz criança é largada na escola, onde o professor tem de prover às suas necessidades mais à das outras 20 e tal crianças, uma turma normal num país normal teria não mais de 15.

Daqui resulta, a mais absurda e inenarrável confusão, o docente não consegue prover às necessidades da turma, o aluno com necessidades especiais absorve o tempo todo, a auxiliar a existir, desempenha o resto das tarefas, imaginem a confusão que não deve ser, para além disso, existem ainda os milhares de papéis que o docente tem de preencher, entre projectos e programas e demais imbecilidades, ou seja na realidade esta turma está condenada ao insucesso.

Com a nova lei, tudo fica ainda pior, deslocações de dezenas de quilómetros, chegando mesmo à centena, para um apoio miserável, coisas do tipo; uma hora de terapia da fala por semana. É vergonhoso, é triste, é uma grade trampa, bem ao nível dos galos do poleiro, que gastam horas a discutir minudências imbecis e a presumir de grandes importâncias com ares de putéfia rafeira. Que cambada meu Deus!

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

terça-feira, janeiro 08, 2008

Entra Pacheco

No dealbar do ano ancião, já com as esperanças postas no seguinte, uma enfastiada olhadela por um diário dos nossos, e lá estava ele, resplandecente em toda a proverbial cátedra de historiador, comentador, escritor, político e entendido em tudo o que exista, naquilo a que cá na terra chamamos um “caga sentenças”.

Pacheco, discorria num artigo de dilecta prosa intelectual, sim que esse mérito ninguém lho tira, da justeza das suas ideias, considerando que o panorama blogueiro nacional, só demonstra ainda mais a nossa pobreza, quer o cavalheiro então dizer, que à laia de todo o resto os blogues cá da nação, donos e senhores da mais absoluta pobreza intelectual, os blogues lusos são para o Pacheco uma coisa insulsa e vulgar, que mais não são que manifestações de um egocentrismo desmesurado dos seus possuidores.

Ah, meu pobre Pacheco, eu até percebo, tudo era tão mais fácil quando só os Pachecos, os Albuquerques ou os Braganças, dominavam o povaréu, tudo era tão mais fácil quando, as elites, habituadas a admirarem-se uns aos outros, mantinham com rédea curta os latidos da canzoada rafeira, que se arrastava pela lama dos subúrbios infectos e das fabriquetas artesanais ou dos campos infestados de mosquitos, ah que belos eram esses tempos.

Pois, mas ó Pacheco, isto evolui pá! Porreira pá! Dirás tu, meu bom Pacheco, quem te lê e te adora, cruzes canhoto, alias aja pachorra para te ler ó Pacheco, para consumir as tuas bojardas, para acreditar nas tuas balelas, muitas vezes se percebendo nelas que tu ó Pacheco, não vives neste mundo não sabes quanto custa um litro de leite ou um pão, nem quantos vivem no terror de não conseguirem no dia a dia esse magro sustento, pois é Pacheco, no fundo eu e tu somos iguais, ainda que motivados por interesses diversos, somos ambos uns caga-sentenças, só que a ti pagam-te e bem e tens milhares de leitores, vá lá perceber-se porquê, a mim não me pagam e poucos lêem as insignificâncias que escrevo.

Dizes tu também ó ilustre Pacheco, que os blogues não gostam de críticas, são como os outros meios de comunicação, dizes tu. Claro, é típico é nacional, é talvez cultural, só gostamos dos gajos que concordam connosco, dos outros não gostamos, olha o exemplo vem das elites intelectuais que tu meu caga sentenças representas, ademais, num país de miseráveis, com políticos medíocres, jornais nojentos, televisões imbecilizantes, intelectuais de esgoto se calhar querias blogues de eleição, não! Pacheco, Pacheco meu rapaz! Tu tens um blogue, uma coisita arrogante e farsola, que encapota todo o teu fel, porque como político foste sempre uma nulidade, não te dás bem com os senhores, pá tudo bem, parte para outra, mas essa de quereres blogues de excelência, essa faz-me rir, pois porque com os exemplos que tu e outros da tua laia dão, como é que querem ter coisas boas.

Mas erras meu excelso Pacheco, erras porque temos blogues bons, mesmo muito bons, blogues de gente anónima, de gente com alma e com garra, mas mesmo que não existissem blogues bons, o facto de os haver, é só por si uma excelente conquista, devias ficar contente ó Pacheco, contente com o facto de que há gente que desperta, há gente que faz coisas que se empenha, mas não tu Pacheco és demasiado inteligente para desceres ao simples nível do dia a dia de um ser normal, porque ó Pacheco há uma coisita que se chama o livre arbítrio, claro que isso para ti é uma chatice, mas por si só esse livre arbítrio faz com que sejamos um poucochinho livres e que façamos o que nos der na gana, concordo contigo porém numa coisa, há blogues de merda, verdadeiros atentados ao intelecto, mas isso faz parte do mistério insondável do que é ser humano.

Pacheco, aceita os cumprimentos sentidos deste homónimo caga sentenças anónimo, que se me permites te envia um conselho, para a próxima quando tiveres uma ideia para escreves algo na linha do artigo que te publicaram no jornal, finge que te dói a barriga, vai à sanita e arreia o calhau, liberta esses eflúvios que te verrumam as entranhas deixa sair toda essa bílis e vai ao supermercado, fazer compras, finge que só ganhas o salário mínimo e tenta alimentar uma família com esse dinheiro, estou mais que certo que terás mais e melhores assuntos para libertar toda a tua reconhecida inteligência.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Ano novo, burradas velhas

Desponta o novo ano entre as nuvens da tormenta, os tímidos raios de Sol, trespassam de forma ténue o negrume, augúrios de novas vidas de esperanças renovadas, a rapaziada está afoita, para dar uns bafos é preciso ter cuidado, que os talibãs anti fumo, vigiam com olho de águia, ai do pobre criminoso fumante que lhe cair nas garras.

A natureza renova-se, tal como a estupidez, ouvi hoje que as escolas públicas com nomes de Santos e Santas do panteão católico vão ser rebaptizadas, a bem do estado laico e democrático, pois realmente a estupidez dos homens, ano após ano ao invés de diminuir, vai-se renovando e engrandecendo.

Sou um ateu convicto, não militante mas convicto, acho as beatices uma sensaboria de cretinos e lorpas, acho as religiões todas estúpidas, mas não me importa em absoluto que fulano seja Católico, beltrano Judeu ou sicrano Evangélico, aliás estou-me nas tintas, claro está que a sua ratice de sacristia não interfira na minha vida, que o meu vizinho seja muçulmano e queira ter barbas até aos pés e que a matrona dele ande envolta em tapeçaria só com os olhos de fora, não tenho nada que ver com isso, acho estúpido, mas não tenho nada o objectar, tenho quando o meu vizinho tenta impingir-me as farsolices em que acredita, aí alto e pára o baile.

Por causa desta sã convivência democrática, é que acho completamente abjecto, estapafúrdio e estúpido, que se retirem os nomes das escolas, que têm nomes de santos ou santas, em nome de que sacrossanta imbecilidade é que se vai fazer semelhante aberração, contente ficaria se o Governo e o seu Ministério da Educação, estivessem preocupados com a violência na escola, com a falta de disciplina, com a falta de qualidade, com a falta de condições que roça, por vezes o miserabilismo.

Contente ficaria eu se o Governo, resolvesse incluir a Pré-primária no sistema de ensino, acabando de uma vez por todas com a aberração desta Educação terceiro mundista que se faz por cá, que os senhores governantes estivessem preocupados com a falta de meios na escola, não foi uma nem duas nem três as vezes que quem comprou, papel higiénico, produtos de limpeza e material didáctico, para a escola foi a minha mulher, porque o dinheiro não chega, não foi a primeira nem a centésima vez que faço horas extraordinárias a ajudar a minha mulher a fazer material, em casa para cumprir com as imbecilidades dos ministérios da educação que inventam planos e projectos cretinos para encher tempo e torrar a paciência aos docentes.

Mudar o nome de uma escola, só porque tem um nome de santo deveria ser para aí a tricentésima milionésima preocupação de um ministério da Educação que tem escolas miseráveis e com desempenhos tão medíocres como aquelas que temos por cá, mas como quem não tem nada para fazer inventa, os senhores do governo lembraram-se desta, que realmente é de bradar aos céus.

Um abraço de Bom Ano Novo deste vosso amigo

Barão da Tróia

sexta-feira, dezembro 21, 2007

FELIZ NATAL

Feliz Natal! Os votos de um Natal que servia para reflectir, para descobrir a alma e o respeito pelo próximo, que sirva de alento para nunca baixar os braços. Feliz Natal a todos os meus amigos bloggers, e a todos os que visitam este bloguelho cretino, que o Menino Jesus vos traga sabedoria, civismo, honestidade e honra e que vos ensine a transmitir esses valores de decência, que cada vez mais, estão em falta nas prateleiras deste Mundo .

Um grande abraço deste vosso mui amigo
Barão da Tróia

terça-feira, dezembro 18, 2007

De novo, há noite!

Parece que todos descobriram de súbito a noite, o seu submundo e as suas sub-culturas, parece que andaram todos distraídos durante muito tempo, durante uma enormidade de tempo, ao ouvi-los a falar, farto-me de rir, os únicos poucos que falam, acertadamente, sobre os meandros da noite são os cavalheiros da PJ, os dois que ouvi, um sindicalista e outro ex-PJ, revelam muito conhecimento do que é a noite, não dizem tudo, claro, deformação profissional, os outros que ouvi, advogados, juízes e politiqueiros de quinta categoria, mostram bem o estado miserável a que isto chegou, pois nenhum deles tem a mínima noção daquilo que fala.

Ouviu um juiz, debitar barbaridades umas atrás das outras, num chorrilho de estultices que prova bem que os nossos magistrados, andam a leste do paraíso, claro, com casa e carro à borla, mais despesas pra isto e para aquilo, é normal que os camaradas não percebam o paiszeco em que vivam.

Ontem mesmo uma senhora advogada dos galfarros catados na noite do Porto, dava-se ao desplante de chamar “show off” à operação levada a cabo, pela PJ, que levou à detenção de uma série de metralhas da noite, a senhora advogada deveria ter o bom senso de não proferir bojardas daquelas, alias os senhores advogados em geral deveriam ser mais comedidos no seu palavreado, deveriam coibir-se de fazer juízos de valor por vezes a roçar o imbecilóide, deveriam não fazer aquilo que tanto apregoam, que é não julgar na praça pública, ainda que aquilo tudo tenha sido realmente um “show off” porque a Directoria da PJ do Porto se sentiu magoada com a cretinice, porque é uma completa cretinice, a nomeação de uma equipa especial de procuradores e mais não sei o quê, para fazer sabe-se lá o quê, sim porque os procuradores não vão investigar, quem investiga e recolhe prova são as equipas no terreno, às quais faltam, meios, dinheiro, tecnologia e sobre tudo vontade politica para realmente resolver muito do crime que por cá começa a existir, ora mesmo que isso tudo seja verdade a senhora advogada deveria tê-lo guardado para si e fechar a bocarra, decidiu falar, e quando o macaco do jornalista lhe fez uma pergunta daquelas lixadas, pois aí a dôtora, engasgou-se e ficou com cara de asno para todo o Portugal ver.

Os politiqueiros de serviço, enfim tomaram as medidas costumeiras, discursos de circunstância, poses graves de quem parece preocupado, mas não está, porque se estivessem à muito que a legislação estaria feita e colocada em prática, há muito que as polícias teriam meios para fazer face à nova criminalidade, mas como existe muito bom menino do poleiro com o rabo entalado, a coisa fica assim como está.

O que aconteceu na noite do Porto, era uma tragédia anunciada, poderá voltar a acontecer, em Lisboa já aconteceu, mais controlado é verdade, e tem que ver com as mudanças que se operaram na turma da segurança, a meio dos anos 90 a “velha Guarda” rendia a parada aos lobos jovens, esfaimados, os armários entupidos até às meninges de esteróides, burros que nem portões de quinta, a escola velha de segurança ainda sobrevive, mas não chega para a novelle vague, uma vaga nova muito bem organizada, enquadrada e treinada, com armamento novo e letal com novos métodos de financiamento, a droga essencialmente, e fenómeno curioso associados a elites poderosas do mundo do futebol, das empresas e da politica, onde prestam serviços de cão de fila, como alias se tem visto várias vezes na televisão, quem esteja atento, consegue vê-los sempre por perto.

Os bairros sociais são viveiros de excelência para esta rapaziada, que transferem para a realidade a alienação em que vivem, como tudo parece de súbito ligado, caramba, miséria, gera revolta que gera violência, que atinge os próprios ou os inocentes, os culpados, aqueles que pagam que gerem que mandam ficam sempre incólumes.

Por tabela apanha sempre a arraia-miúda, nós, os tristes pagantes de impostos, os tais que pagam os rendimentos mínimos a muita desta escumalha e os ordenados aos outros aos senhores do colarinho branco, que gordos e anafados tem o poder de fazer, por artes mágicas, desaparecer escutas, corromper meio mundo e sair sempre airosos da situação, conheço bem demais este mundo, convivi com ele muito tempo, demais.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Nem Santo António lhes vale!

Brilhantes, mentes brilhantes, luminosas luminárias do sensaborão panorama luso, os nossos alunos de 15 anos ficam abaixo da média europeia, nos seus brilhantes estudos. É triste que assim seja, é triste que afinal o afã dos governos pela educação, vá assim pelo cano, alto lá que isso das estatísticas da OCDE mais da UE são um bocadinho falaciosas, dirão alguns arautos do eterno sentimento “Calimero”, que assola as hostes da Lusitânia, oh sim, que injustiça, sempre nós, sempre nós.

Pois bem verdade, vejam por exemplo o que os últimos governos têm feito, baixar cada vez mais a fasquia, facilitar cada vez mais, qualquer dia a licenciatura é atribuída automaticamente, o mestrado a quem souber somar um mais um, o doutoramento a quem possuir cheques com o DR a anteceder o nome que a mãezinha lhe quis dar.

Nesta verdadeira aridez intelectual, em que estia e soçobra alegremente esta terra, basta ver as leituras da maralha, basta ver os pasquins impressos com aura de grandes jornais, basta ver a qualidade dos nossos políticos, basta ver a nossa qualidade enquanto cidadãos, dizia eu, que, neste panorama de esterilidade de pensamento, a cultura o saber cada vez mais se fecha sobre si próprio, as massas quadrúpedes da carneirada capada, lá andam de bandeirinha na mão a enfileirar com as elites do poleiro que os calcam e amesquinham, mas as pobres alimárias nem disso dão conta.

Em arroubos de diarreia mental, lá se inventam uns projectos e umas cretinices bacocas, umas barbaridades cujo mero fito é que a coisa pareça bem nas estatísticas, os alunos não chumbam nem sequer se deitarem fogo à escola, dá-se dinheiro do bolso de gente honesta e trabalhadora, para a escumalha nómada e outros que tais mandarem os seus fedelhos ronhosos à escola para que estes apurem as qualidades de latrocínio e bandalheira em que são campeões, inventa-se um programeco cheio de oportunidades, que esclareço já que aceito mas não na actual forma apalhaçada, que só serve para a estatística, fazem exames de 12º ano que um aluno de 6 anos do Gana faria sem dificuldade e aplaude-se muito a medida, porreiro pá!

Pois o tramado é quando nos põe ao nível dos outros, aí a coisa descamba e vem ao de cima a miséria da Educação em Portugal, vem acima a imbecilidade pura e dura que grassa neste país, um país que deveria apostar seriamente na educação mas que prefere aumentar os partidos e os deputados, é triste, demasiado triste.

Resultado, nem a cega obstinação pelas estatísticas os salva, nem as cimeiras imbecis que só dão despesa e transtornos, nada resulta porque este estado se demite de Educar, porque este estado prefere engordar aos abutres do poder, assistindo de camarote ao estertor de um povaréu, que assim como assim só tem aquilo que merece.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Eu deficiente me confesso!

Hoje é dia mundial do cidadão portador de deficiência. Como noutras áreas a política portuguesa para a deficiência, manifesta-se por não se manifestar, ou seja a política dos governos portugueses anteriores e actual para os deficientes é, UMA GRANDESSÍSSIMA MERDA!

É todo um rol de incapazes, inúteis, ineptos e imbecis que se tem ocupado desta área, a legislação é uma vergonha, a aplicação da mesma é outra vergonha, ser deficiente neste país DE MERDA, é desesperar por uma míngua de nada e sorrir agradecido sempre que algum rafeiro da matilha superior nos deixa um osso já apodrecido e descarnado.

Como gostava de poder dizer que este país, é um exemplo a seguir, no que toca aos deficientes, tais como a outros estes desgovernantes DE MERDA, maltratam a deficiência, os albergues de inúteis que são aos vários corredores do poder, passeiam as suas feiras de vaidades e mesquinhas torpezas sem água vai, sem sombra de pudor ou lembrança de quem muitas vezes quer muito e não consegue, porque os entupidos minúsculos cerebelos dessas cavalgaduras do poleiro, pouco mais alcançam que o cagar e mijar trivial.

Ser deficiente nesta terra é ter de se confrontar todos os dias com um país traiçoeiro, atroz e atrasado, que nos trata como gente de terceira, muito abaixo da escumalha perniciosa que por aí anda, ser deficiente neste país é conviver com a exclusão, com a miséria, com a mágoa e com a falta de tudo, falta de meios, falta de legislação correcta, falta de apoios, falta de civismo, falta de amor e de compreensão, só não parece existir é falta de pena, porque todos têm sempre muita peninha do ceguinho, coitadinho do maneta ou do coxo, do entrevado ou do maluco, cambada de hipócritas metam a vossa pena no OLHO DO CÚ.

Num país onde os orçamentos são fatiados consoante os interesses dos amigalhaços que tem de encher o bolso, aos deficientes toca sempre o osso, somos consequentemente arremessados para os projectos e estudos e projectos de inclusão e de mais não sei o quê, que mais não são que sorvedouros de dinheiro, pasquinices ridículas que servem para encher o bolso às “doutoras” e aos “doutores” da mula ruça, para aparecer na televisão naqueles programas lamechas até à náusea, onde apresentadores farçolas e néscios apontam para os grandes e sorridentes exemplos do paraplégico que é engenheiro ou do cego que é economista, pois atrás desses casos de sucesso está normalmente uma família com muito, muito, muito dinheiro, por detrás desses felizmente casos de sucesso, escondem-se milhares de casos de miséria e degradação, de desespero e tristeza.

Existem felizmente, projectos muito bons, projectos que com as suas exíguas capacidades vão ajudando a tornar a vida dos deficientes portugueses algo melhor, não esta realidade de miserabilismo, mas são infelizmente poucos esses projectos, demasiado poucos para os milhares de portugueses que são vítimas de uma qualquer deficiência, desde uma porcariazeca como seja a amputação de uma mão, a coisas mais graves como cegeiras, tetraplagias ou doenças mentais e ou raras.

É preciso ser muito, muito bom para viver neste país DE MERDA, mas é preciso ser ainda melhor para ser deficiente e viver neste pardieiro.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, novembro 26, 2007

As 61.893 páginas submarinas

No actual estado de indigência intelectual desta pobre Nação já nada nos deveria espantar, mas os nossos caros dirigentes politiqueiros não cessam de nos espantar, deste vez, tocou-nos em sorte, essa antiga maravilha da defesa nacional, o campeão dos desvalidos o Sebastião dos submarinos, também conhecido entre os seus detractores como papa feiras, o cavalheiro em causa que de quando em vez faz aquele ar grave e parcimonioso de quem parece ter algo de muito importante para dizer, desta vez rebentou com a escala da cretinice, ao que consta, ele até já confirmou, mandou fotocopiar documentos do ministério, nada mais, nada menos de 61893 páginas de papelada inútil ou talvez não que o dito cujo, afirma e jura a pés juntos ter pago do seu bolso, fiquem com o valor de referência de 0,05 cêntimos por impressão, valor que se pratica aqui na minha barraquinha laboral inclusive para os funcionários, terão o fantástico valor de 3094,65, sim leram bem TRÊS MIL EUROS* e mais uns trocos.

Ah, querem que eu acredite que o camarada pagou do seu bolso essa massa toda, por papéis sem relevância, por papéis dos seus discursos, têm-se em muita conta o senhor, por papéis irrelevantes, por ninharias, ao que consta outros ainda do mesmo táxi fizeram o mesmo, Luís Nobre Guedes, Telmo Correia, ex-ministro e Nuno Morais Sarmento.

O Guedes ainda percebo, pois ó se percebo, estou tão certo disso como certeza tenho de que os porcos comem bolota, isto se não arrancarem os sobreiros, o Sarmento, também percebo, o Telminho é que não me entre, então um ministro de um ministério quase fantasma, que ainda não tinha assente a poeira e já era corrido, em boa hora, que papeis é que a criatura tinha de copiar, isto é tudo uma grande macacada, mais uma, esta rapaziada deve achar que somos todos imbecis, infelizmente não, é só a maioria que é imbecil, a maioria que os elege, nós todos os outros que não somos parvos temos de os engolir.

Ao copiar os papeis o senhor ex-ministro, o senhor presidente do partido do táxi, incorre em dois erros graves, que queira copiar a porcaria dos papeluchos dos anos que foi presidente dos centreiros, tudo bem se eles deixam está no seu direito, fazer cópias de documentos oficiais de um Estado de um governo, no meu tempo era crime, está errado deontologicamente falando, claro que para isso é preciso ser dotado de escrúpulos de decência e de moral, coisa que me parece haver falta por esses lados, porque a existirem não fariam com que alguém gaste tanto dinheiro, em papeladas inúteis e sem importância segundo o próprio, num país onde existem DOIS MILHÕES DE SERES HUMANOS, viver com 0,80 cêntimos por dia, essa é que é a grande verdade.

É uma grande vergonha, uma miserável e sem pudor vergonha, que gente desta igualha ainda ande por aí a alardear facécias, nem sem razão devo confessar, que o homem até tem razão, mas queima-se mais uma vez, até porque há um ano ele era Estado, era ministro, que fez na altura para acelerar os pagamentos do Estado aos particulares seus fornecedores, que miséria de gente.

*Mesmo a 0,01 cêntimos a coisa seria cara

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, novembro 19, 2007

Estou à Escuta!

“Quem não deve não teme.” Diz o adágio popular. Então que temem os senhores do Poder, que temem então? Portugal continua a esforçar-se por ser um exemplo anedótico, entre as nações do Mundo, nesta como noutras questões continuamos a fingir. Ao contrário do senhor Procurador, eu penso que existem escutas a menos, que existe um tremendo défice de segurança, podemos ponderar também a questão, estaremos nós obcecados pela segurança? Claro que estamos! Claro que temos milhentas razões para estar, são por demais os exemplos de iniquidades perpetradas, pelos galos do poleiro, que nunca são encapoeirados.

As escutas no enquadramento actual, como se têm visto, para pouco servem, quando chegam a julgamento, nunca servem para nada, são quase sempre ilegais ou pecam por defeitos técnicos, também com as policias a comprar equipamentos de escuta nas lojas dos 300, outra coisa não seria de esperar.

Pessoalmente acho que, todos os meios de comunicação de serviços públicos deveriam ficar sob vigilância, computadores, telefones fixos, faxes e telemóveis, os conteúdos deveriam ficar registados, bem como toda a informação gerada pela comunicação, origem, destino, hora etc. E é possível fazer isto? Sim, exista para tanto vontade política, para transcrever isso em pé de lei. Acredito também que fotografias, vídeos e imagens deveriam ser usadas como meios de prova, se existe essa capacidade como é que neste estado miserável de coisas a Justiça não se faz capaz de utilizar o que existe de bom nas novas tecnologias.

Depois à que acabar com o trauma da geração 25 de Abril, a Pide morreu, a existir novamente, o que não acredito, será outra coisa diferente, por isso mesmo, todo o tipo de escutas deveria ser feita por uma única entidade e sancionada por uma única entidade, qualquer deslize que existisse seria identificado pois só poderia ter saído daquela porta, claro que isto faz confusão a muita gentinha que anda com o rabinho entalado de uma ou de outra maneira daí a que a lei continue neste absoluto estado de inclemência intelectual.

Em relação ao combate ao crime as escutas telefónicas e informáticas deveriam fazer parte do manual de primeiras práticas, mas não, compreende-se porquê, seriam apanhados muitos galos do poleiro e isso não pode ser, assim e tal como o tal novo código que vai servir para os tais galos escaparem da capoeira, continuamos a ver navios.

Ao que parece nem os serviços de informação podem comprar equipamento de escuta, se o fazem é de forma não legal, esta é de morrer a rir, já alguém pensou para que serve um serviço deste tipo que não escuta, serve para quê, pois para nada, não sei se já perceberam que hoje já ninguém comunica com pombos correio, sinais de fumo ou sinalética, hoje usam-se emails, Voips, sms, mms e sei lá que mais, que raio de serviço de informação é este, já estou a ver um encontro internacional de malta desta, CIA, Mossad e tal, entretanto chega o SIS, bem os outros devem morrer a rir.

Senhores do poleiro, ganhem vergonha, assumam de uma vez que as tecnologias vos incomodam, só porque vos podem apanhar também, mas não nos tomem por parvos, por imbecis, assumam de uma vez por todas que não querem nada com escutas, para que nós, os pobres diabos pagantes de impostos nunca venhamos a saber dos lucros que embolsam com o esburgo, que fazem dos cabedais do erário público.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, novembro 12, 2007

Mais um Visionário

«Melhores indicadores com menos dinheiro…, …o sistema de ensino em Portugal está a dar «resultados» …, a seguir à ideia mirabolante do cheque/ensino, as duas primeiras frases são as maiores barbaridades que ouvi sobre o actual estado miserável da paupérrima Educação deste país. Piores ainda do que a pérola seguinte, «há menos professores, mais alunos e menos desperdício de dinheiro». Donde se depreende que os professores são um desperdício de dinheiro.

Caro e excelentíssimo senhor Primeiro-ministro, as suas infelizes, incorrectas e anedóticas afirmações, não passam de vento dentro de um saco. Vejamos, melhores indicadores, a que melhores indicadores é que o senhor se refere, à ligeira descida do abandono escolar, realmente esse é um bom indicador, mas e então a qualidade desses alunos, as suas apetências linguísticas e científicas, a julgar pelos resultados dos vários exames nacionais, valha-nos São Sinfrósio, ou o senhor primeiro dos ministros não deu pela absoluta desgraça que foram esses resultados, ou esse seu impagável sentido de humor, fez que esteja de novo a reinar com a malta. Pois claro com menos dinheiro, porque os pais andam a pagar tudo, os professores a meter dinheiro do bolso, as câmara e juntas de freguesia à socapa a meter dinheiro nas escolas para tapar os buracos que a política inteligentíssima do governo de vossa excelência para a área da Educação tem levado a cabo, pois assim percebo.

O sistema está a dar que resultados, não percebo, então ainda agora começou e já é um sucesso significa que os alunos provavelmente já estão até doutorados, percebo é uma coisa parecida como o famoso Processo de Bolonha, é o processo Residência Oficial do Primeiro-ministro, começando hoje amanhã fazem o inglês técnico e já está. Porreiro, pá!

Ó, Senhor Primeiro-ministro, a catástrofe só se verá daqui a uns anos, como hoje se nota como começou a catástrofe anterior, cujos exemplos são sobejamente conhecidos, pessoas importantes que não sabem fazer contas, que não sabem os cantos dos Lusíadas e por aí adiante.

Vossa excelência é um visionário, os danos que a sua política educativa está a causar a este país ainda serão visíveis daqui a 50 anos, o desleixo e desinteresse por aquela que deveria ser das áreas mais sensíveis do país, onde deveria imperar a excelência o mérito e a qualidade, onde infelizmente campeia o desinteresse, o laxismo, a mediocridade e a falácia, factos esses para aos quais muito o seu excelso governo tem contribuído de forma tão ufana.

Não é a fechar escolas, a despedir professores, a fazer turmas de 30 alunos, a cortar até no papel higiénico que vossa excelência conseguirá educar este país, pode também ser o caso de a intenção ser a oposta, quanto mais ignorantes melhor e mais depressa os conseguiremos enrolar, pois parece ser esta apolítica dos senhores do poder em relação à Educação, sendo que os actuais, não são piores nem melhores que os anteriores, são a mesma coisa, mudam só as moscas.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, novembro 05, 2007

Et Tu Marcelus

Marcelo esse comediante residente da RTP, onde faz concorrência aos Gatos, tal é a qualidade e quantidade de anedotas que conta em tão pouco tempo, lembrou-se de mais uma, o Cheque Ensino. Oh maravilhosa mente que, tão grandiloquentes obstipações intelectuais produz! Oh esclarecido e iluminado, douto e sapiente criatura, com o qual, os deuses abençoaram este ignaro e miserável país, o que seria do nosso pobre mundo sem este verdadeiro Einstein do verbo fácil, este grilo da consciência nacional.

Não bastas as vezes que me tenho sentido apopléctico com algumas das bojardas, proferidas pelos fazedores de opinião nacionais, esta é mais uma, que raio de ideia mais desenxabida, mais sem sentido, até o faria noutros moldes que mais à frente explicarei. Diz o camarada que; «…O cheque-ensino consiste em dar aos pais um cheque no valor que custa actualmente o ensino numa escola estatal. As escolas estatais deixariam, assim, de ser "gratuitas", passando o seu financiamento a ser assegurado através das propinas pagas pelos alunos, como acontece com as escolas particulares.»

Meu caro amigo, o senhor e os seus acólitos não bastas vezes machadaram o ensino público, muitas vezes a coberto de preceitos legais aprovadas por camarilhas parlamentares e governativos, o que conduziu o ensino público a este estado de miséria em que actualmente se encontra, seria o primeiro a ergue-lo aos ombros caso o ouvisse pedir, não, exigir mais meios, mais investimentos e mais seriedade nas políticas educativas, mais empenho e qualidade nas escolas, mão de ferro na disciplina mais e melhores programas de verdadeiras políticas de integração dos mais desfavorecidos. Aplaudiria vossa excelência de pé caso o ouvisse declarar semelhantes coisas, caso ou sentisse indignado.

Curiosamente não, curiosamente veio mais uma grossa bojarda, claro que prontamente os tais acólitos se apressaram a glorificar a sua pretensiosa pretensão, uma tal de Associação de famílias numerosas veio logo gritar hossanas, ao seu santo salvador, claro que têm de o fazer, a intenção de vossa excelência é por demais fácil de atingir ao pouco e limitado entendimento de um labrego campónio como eu, resume-se a isto, quer vossa excelência que o meu filho vá estudar para a escolinha pública, enquanto o dinheiro dos meus impostos sirva para pagar os colégios de elite para onde vossa excelência e outros milhares de representantes das elites ociosas e pagas em demasia, enviam os seus fedelhos.

Brilhante caro senhor, é com certeza um génio vossa excelência, representa em toda a grandeza a clarividente, classe poderosa que fez do nosso povaréu o miserável, ignorante e empobrecido, rebotalho de sociedade que somos, recorda-me até uma história da minha mãe, oriunda de uma família numerosa, naquele tempo eram quase todas e rapavam fome que doía o canelo, sucedeu um dia que uma menina das finas, de uma respeitável família partiu o aparo, logo a senhora professora cheia de denodo olhou para a minha mãe, instando-a para desse o seu aparo à menina fina, a minha mãe, por feliz coincidência tinha um aparo reluzente, dado pela senhora para quem a minha avó trabalhava, que era uma rica proprietária rural, a minha mãe com o orgulho de uma pequena pobretanas tinha o maior desvelo com aquele insignificante objecto igual a tantos outros objectos insignificantes com que naquele tempo os poderosos compravam a lealdade dos humildes, aos quais o ofertório de uma côdea seca de pão escuro valia uma lealdade canina.

A minha mãe disse que não dava, que o aparo era dela, recebeu uma saraivada de chapadas, da senhora professora, acto contínuo a pequena cheia de fomita, cravou o aparo na carteira de madeira com tanta força que o entortou, ficou sem ele mas a outra também ficou sem escrever, ria-se ainda hoje a minha mãe, a bom rir, nos serões de família enquanto conta a história.

História que ilustra bem o tempo dos senhores e dos pobres do antigamente, hoje ao que parece, estes senhores parecem de novo querer rever as mordomias de antanho. Caro Marcelo, permita-me que assim o trate, assim de forma informal à europeia, reformule o cheque ensino, ao invés de o atribuir às dondocas, atribua cheques ensino para o ciganito do Bairro do Cerco ir frequentar o Colégio D. Duarte, ou para pretito da Cova da Moura ir frequentar o São João de Brito ou os Maristas, assim seria bem aplicado o cheque ensino, providenciando modelos de excelência a gente que carece de modelos de comportamento civilizado e de oportunidades, promovendo assim uma real politik de integração.

Claro que tapar o sol com a peneira, destruir o que resta do ensino público e engordar os colegas é muito mais proveitoso, sabe senhor Marcelo ao cheque ensino faço um grande:

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia