Para quem não sabe, o ensino especial cá na terra foi sempre mau. Foi sempre uma boa desculpa para andar a laurear a pevide sem fazer ponta de corno, fingindo que se trabalhava muito, depois verdade seja dita houve a coragem de acabar com essa mordomia, mas logo de seguida assassina-se o ensino especial, caramba, diabos me carreguem se percebo esta gentinha.
Até há uns anos ia para o ensino especial dois tipos de pessoas, o primeiro tipo era o dos samaritanos, gente que adorava aquilo que fazia, que se empenhava com seriedade no ensino dos miúdos portadores das mais variadas deficiências, infelizmente este primeiro tipo era muito escasso, o mais que abundava no ensino especial era o segundo tipo, o dos oportunistas, esta rapaziada ia para o ensino especial somente porque tinham sempre colocação e ficavam praticamente em casa, mandavam às malvas os miúdos e arranjavam todas as desculpas e mais algumas para andarem no laréu.
Quando falamos de ensino especial, não falamos só de cegos, surdos-mudos, das trissomias, dos amputados, das paralisias, não; falamos também do grande espectro das dislexias, dos comportamentos de risco, dos défices de atenção, da hiperactividade, dos atrasos mentais e da multi-deficiência profunda. Quando falamos de ensino especial, lá vem à baila a questão da inclusão, coisa que deve confessar abomino, mas enfim é uma palhaçada dos tempos modernos, que nos enfiam pela goela com a confiada justificação de que assim é que é bonito, e tadinhos dos deficientezinhos já estão na sala de aulas com os outros, uma parvoíce pura e simples.
Mas falemos do novo ensino especial, proposto pelo actual ministério. Imaginem, que numa sala com 24 miúdos normais, existe um multi-deficiente, imaginem que essa sala só tem um professor e um auxiliar, isto na pré, porque em graus mais avançados desta coisa que vão chamando ensino só têm o professor, imaginem-se dentro dessa sala, a tentar dar umas aula, percebem pelo cheiro que o miúdo com deficiência fez chichi ou pior, como é que fazem?
Chamam a auxiliar, saem da sala, instala-se o caos, para a aula, o pico de concentração já se perdeu, retomam depois uma e outra vez, sempre até ao vosso esgotamento, imaginem que na vossa sala existe um deficiente com um atraso mental, não muito profundo, mas o suficiente, para necessitar de um maior acompanhamento, como reagem os outros miúdos? E se esse miúdo for alvo de abuso, se lhe despirem as calças na casa de banho e lhe baterem nos genitais, se lhe cortarem o cabelo com um x-acto, se enfim o miúdo for alvo deste tipo de coisas como é, quem lhe dá apoio, você não é psicóloga é só professora, e terapia da fala quem dá? O professor, como, este é um tipo de trabalho moroso e muito exigente, quem ensina os restantes miúdos?
Poderia continuar e falar de milhentas outras situações, que só tornariam ainda pior o que aí vem, a alteração do ensino especial, para uma coisa completamente híbrida e sem lógica absolutamente nenhuma, é tão atroz que faz pensar, que raio de gente manda neste ministério, a cegueira economicista é tão grande, que se vão destruir de uma penada coisas que funcionam muito bem e deveriam ser o exemplo do ensino público.
Nem a propósito, há tempo esteve aqui um amigo que é professor do ensino especial na Suécia, pois lá vai ele buscar exemplos desses, ó Barão devia era mostrar exemplos mais edificantes como os do Burundi ou do Gana, esses sim, bem mais próximos de nós! – Pois, mas resolvi ilustrar este da Suécia, então leiam e chorem, as turmas são pequenas, até 18 alunos, se existe um aluno ou dois com necessidade educativas especiais, cada um deles tem um professor atribuído, que na sala vais trabalhando com o miúdo, dentro das suas possibilidades cognitivas. Cá um pobre miúdo que tenha problemas na fala, tem terapia uma vez por semana, aí uma horita e já vai com sorte. Qual é a diferença, simples, na Suécia preocupam-se com as pessoas, cá fingem que se preocupam, cá esta cáfila de indigentes cerebrais que ocupa os cargos do poder tratar em primeiro lugar de encharcar a pança em comezainas e borracheiras, depois em forrar a nota de conto os alforges e por em salvo a família e os amigos, só depois e após ter engordado também alguns parasitas que por aí vegetam sempre agarrados ao canelo das elites é que os senhores importantes se lembram dos desgraçados que lhes pagam os impostos. Que vergonha sinto desta gentalha, a quem estas maiorias de igual gentalha dá as rédeas do poder, num embuste a que curiosamente insistimos em chamar democracia!
Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia