Chame-se o que se queira ao homem, populista, demagogo, candidato putativo da esquerda ao assalto à presidência, louco, inconveniente, desbragado, enfim desse-lhe o epíteto que se queira, um facto é indesmentível, o homem mexeu no edifício, fez a coisa abanar, chamou os bois pelos nomes e despertou a classe politiqueira e os seus acólitos e cães de fila para a realidade.
Marinho Pinto, disse, e muito bem, com todas as letras aquilo que todos nós os Zés Pagantes sabemos que é verdade, falou da vergonhosa, decadência moral, da torpeza e sacanice dos nossos eleitos, das falcatruas e negociatas, dos embustes e vigarices que diariamente e ao longo destes anos temos assistido impávidos,
São tantas as vigarices, que dificilmente encontraremos um governante, um deputado, um autarca, que por decisão ou por omissão, nelas não haja tido algum tipo de participação, quando não muitas das vezes, as mais das vezes até, disso não haja tirado dividendos, acredito porém que alguns, por simples inépcia, por laxismo, por excesso de confiança em terceiros ou por pura estupidez são enredados nas teias da burla, tal e qual vai o anho ao sacrifício.
Mas, caríssimas e caríssimos concidadãos dolentes e pasmacentos, muitos há, que sendo, que são, dos mais, mais rematados e maiores galfarros de colarinho branco desta terra, o fazem a prejuízo de todos nós e com o único fito de encher as suas já gordas algibeiras.
Senão como explicam que damas e cavalheiros, com tenra idade possuam já pecúlios dignos de um qualquer Midas, como explicam que crianças com pouco mais de quarenta anos de idade, tenham três ou quatro casas, mais outros tantos carros, como explicam que tantos titulares de cargos públicos tenham pedido escusa de publicitação das suas declarações de impostos e património, pois claro não explicam, ou antes explicam, com anedotas risíveis, como as heranças, de todo plausível mas facilmente provável e mandatóriamente carente de declaração em sede fiscal ou ainda com escusos sobrinhos taxistas a laborar em conhecidos paraísos fiscais.
A mor moléstia desta estância de impedidos intelectuais, não é como tropegamente se propala, a nossa pobreza endémica, a falta de recursos e demais fadários, a mais das maleitas é sermos uma corja de sacanas, de vigaristas e de aldrabões que envergonhamos a espécie humana, esse é o nosso maior mal.
Honestidade, cá pela terra é palavreca vã, dichote ridículo nos tempos que correm coisa arcaica, coisa de avoengo de antanho de barba crescida e colarinho apertado até acima, espanta-me até que com a imbecilidade do novo acordo ortográfico não tenha sido obliterada, hoje não se olha a meios, quando toca a encher a barrigana com os óbolos, soldos e dobrões do erário público, alias a tal da Fazenda Pública, é o que há de mais semelhante ao maná bíblico, com só uma diferença, apesar de andarmos todos a errar pelas areias cálidas, só alguns camelos, enchem a pança, o resto de nós, tristonhos camelídeos, continua a blaterar sem vistas de sorte, vivendo de migalhas.
Chamar louco ao homem por ter dito a verdade, a sua verdade, que é também a minha, colocou a nu a vergonhosa conspiração que vai pelos corredores de poder, onde a esquerda tapa a direita e a tapa a esquerda, com o centro sempre placidamente a viver a sombra dos papões, papando também. Senão atentem, eles nomeiam-se uns aos outros e aos seus filhos e filhas, sobrinhos e sobrinhas e demais famelga, para os lugares dos tachos, depois é rapar, quando a coisa aperta como agora, viram-se para a maralha e tocar a carregar o povaréu de sisas e dízimos porque temos de manter os iates e as quintas com cavalos, nós os pategos tristes e imbecilizados pelos confrontos mediáticos das televisões, jornais, rádios e revista de que eles são donos, aqui andamos a discutir a selecção nacional, a táctica do treinador do Travanquense e se alguma gata pelosa das revistas cor-de-rosa encornou ou não o último parceiro que é só mais um na já extensa lista de cornudos.
Enquanto isso os alarves, as sanguessugas engordam com as falcatruas, e, quando alguém levanta a voz e clama, logo se fazem ouvir os cães de fila a ladrar aqui d’el rey.
Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia