segunda-feira, janeiro 28, 2008

Tenham vergonha!

Ele há dias assim, em que parece que a nossa boca é uma cloaca de onde só sai caquinha da grossa, dias em que mais valia não sairmos de casa! Todos nós passamos por esta contingência, um dia por outro de quando em vez, zás, trás catrapás, vem um dia desses, no entanto alguns de entre nós parecem estar talhados para o inverso, ou seja, de quando em vez é que não sai asneirada da bocarra, porque as mais das vezes os cérebros estão entupidos de tal maneira que não há hipótese, abrem a boca e lá vem um enxurrada de troçulhos.

Vem esta divagação a propósito das bojardas, recentemente proferidas por duas personagens desta opereta bufa a que chamamos país, acerca da ASAE. Um preferiu a graçola, convenhamos que é melhor o camarada ficar-se como político, porque como comediante, é uma nulidade, como político não será melhor, como gestor, já o conhecemos, ou antes conhecemos o seu jeito para abrir buracos, na câmara que geria consta um buraquito de 225 milhões, coisa pouca para quem almeja ser primeiro-ministro, sim porque se não for evacuado antes este incómodo, vai ser primeiro-ministro! Esta laminária politica, douto cérebro iluminado, comparou a ASAE ao FBI americano por ir às feiras com os agentes encapuzados.

Outra personagem, curiosamente do mesmo partidelho, do anterior, será que por aquelas bandas é a semana de bater na ASAE, comparou a ASAE à PIDE, numa arroubo da mais pura demagogia, para ser simpático, porque o que apetece dizer é pura estupidez, mas como sou um tipo educado e respeitador não o direi.

Concorde-se ou não com a actuação da ASAE, creia-se que vão ou não longe demais, aqui o importante a reter é que a ASAE, presta um serviço inestimável ao país, ou seja, tenta por ordem no caos anárquico que até então vivíamos. A maioria da legislação que faz aplicar, foi transposta para a nossa legislação por imposição das directivas europeias, e em boa hora, para acabar com o regabofe que por aí reina, continua a reinar é um facto, mas pelo menos agora vai-se fazendo alguma coisa.

Comparar a ASAE à PIDE, é ser completamente desprovido de bom senso, é a mais absurda e sem nexo declaração dos últimos tempos, é uma afirmação infeliz, de alguém a quem o decoro e sentido de Estado deveria fazer pensar em antes de proferir tais atentados ao uso da inteligência, uso esse que nos distingue do resto das bestas.

Comparar a ASAE ao FBI, relativizando o trabalho importante que fazem nas feiras, combatendo, o tráfico e as sanguessugas gulosas que laboram nessas áreas, é completamente infeliz, mostra o desconhecimento completo da realidade, do perigo real que os profissionais da ASAE e das Polícias correm quando vão a esses locais pejados de facínoras subsídio dependentes, em suma, o senhor líder do maior partido da oposição perdeu o decoro e também a responsabilidade que tem enquanto responsável político do partido que irá ser governo.

Resumindo, duas pessoas, com responsabilidades que agem como se fossem meros, transeuntes, meros protestantes de taberna, revelando a sua pouca qualidade política, pois se quiserem ser sérios, dirão que a ASAE, só faz o que lhe mandam, e que os governos, políticos, deputados da Nação e Euro deputados, nunca levantaram um dedo sequer para fazer respeitar a nossa cultura e tradições, pura e simplesmente venderam-se a troco dos milhões que foram engordar as contas de vários sobrinhos taxistas, estucadores e trolhas a trabalhar noutros países, de preferência países que não façam parte da União Europeia e que sejam paraísos fiscais.

Tenham vergonha!

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Descobriram a Pólvora

De quando em vez ainda me espantam, os nossos politiqueirotes. No outro dia ia morrendo engasgado de tanto rir, com a farsolice que via na televisão, ora vamos por partes, almoçava aqui o vosso amigo um excelente repasto, regado com um tinto daqueles que já não há, pelo menos desde que os ianques e as suas revistecas e blogues pardelhas sobre vinhos lançaram a moda das água-pézecas deslavadas, de que eles gostam, o meu tinto não, é do antigamente, carregado, cheio de mosto, perfumado de fruta, enfim não nos desviemos.
Ora, estava eu a degustar uma bela posta do fiel amigo alhado e azeitado a preceito, com um magusto de couve nova, quando oiço na televisão, num encontro qualquer de um desses partidos de indigentes intelectuais que temos por cá, uma senhora, de ar sério, pose de quem tem algo de muito importante e nunca dito, entalado na goela, pronto a saltar para fora, tudo denunciava que daquela bocarra iria sair algo de importante, um portento da sapiência politiqueira, de ar grave e tom de voz bagaceiro a madame lá atirou com esta:
“ O nosso grande problema é a competitividade, se não formos competitivos, bem podemos fazer investimentos que Portugal não cresce”
Claro andei para cair da cadeira abaixo de tanto rir, a senhora em causa já foi ministra e por várias ocasiões, arengava agora na qualidade de convidada para as jornadas parlamentares de um dos dois partidos da alternância, um dos tais que nos tem enterrado, desde o seu grande timoneiro, até ao menino guerreiro passando pelo Furão Fujão, minhas e meus caros, eu não aguentei, juro-vos que quase morria de tanto rir, engasgado com o diabo da lasca do “gadus morhua” entalado no gorgomilo.
Ao dianho aquela assombração com voz de quem entorna umas branquinhas da queima, porra, que não há pai para tanta cretinice por junto, então agora deixou-se a produtividade e passou-se para a competitividade, realmente, vale bem a pena fazer doutoramentos e mestrados e pós graduações para chegar a conclusões brilhantes dessas, génio puro aquela senhora.
Nos idos tempos do “Oásis”, vozes existiram que declaram, que era necessário aproveitar os dinheiros comunitários, que era necessário, promover a qualidade e os mercados externos com produtos de qualidade, quase contrário esta nave soçobraria, poucas bem poucas eram essas vozes, eu aqui onde me tem era uma delas, num poucas as vezes que à laia de premonição declarei “…ainda vamos pagar isto bem caro…”, muitas e vivas felizmente são as testemunhas disso, alguns até engoliram as palavras de então, cegos que estavam pelo alcatrão e cimento e então personificava o nosso “progresso”.
Tristes estão hoje de eu ter razão, triste fico de ouvir semelhantes avantesmas, ademais televisionadas a proferir tão grandes e gravosos disparates, apetece perguntar, então e quando fostes governantes que fizesteis vós senhora, vós e vossa cáfila de apaniguados partidários, sim que acções vos defendem, que ditas e boas atitudes fizeram em bem da tal competitividade, pois, eu até sei, alias a julgar pelo estado actual, nada um grande e redondo nada.
Será que esta gente não tem vergonha na cara, será que esta gente julga que somos todos uns imbecis que agarrados à novelucha e à jogatana futeboleira, não olhamos o resto, não sentimos todos os dias as imbecilidades de desgovernos diferentes mas todos iguais, será…

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

terça-feira, janeiro 15, 2008

Nada de Novo

Estive a dar uma olhadela à nova lei do Ensino Especial, leia-se cretinice, mais uma vez, mais um Governo, outro, perde a oportunidade de fazer a diferença, de realmente, pelo menos no papel, fazer de conta que dá atenção aos seus cidadãos que necessitam de um acompanhamento pedagógico especial.

Disse e volto a repetir que a par de outro tipo de legislação que contempla os cidadãos portadores de deficiência, o Ensino Especial em Portugal é uma mentira, é uma absoluta imbecilidade, que funciona bem num ou noutro local, funcionando de forma atroz e imbecil na maioria do país, quem tem uma criança com este tipo de necessidades sabe muito bem daquilo que falo.

Infelizmente esta nova Lei, é mais uma grande imbecilidade, promove-se a inclusão, essa farsolice imbecil dos tempos modernos, não que não acredite na inclusão, acredito, mas até agora essa tal coisa foi unicamente direccionado para o mais óbvio, os pretinhos e os ciganinhos e tal, os deficientes ficam como é óbvio a milhas de distância de todas essas actividades cretinas.

As necessidades especiais abarcam um sem número de coisas, défice de atenção, surdez, hiperactividade, deficiência mental, paralisia entre outros problemas, muitas destas situações exigem um professor a tempo inteiro, caso a criança esteja integrada numa turma normal e se este fosse um país normal, para além do professor e ou educador existiria a tempo inteiro um professor do ensino especial que trabalharia com a criança, pois erro crasso, cá no burgo a infeliz criança é largada na escola, onde o professor tem de prover às suas necessidades mais à das outras 20 e tal crianças, uma turma normal num país normal teria não mais de 15.

Daqui resulta, a mais absurda e inenarrável confusão, o docente não consegue prover às necessidades da turma, o aluno com necessidades especiais absorve o tempo todo, a auxiliar a existir, desempenha o resto das tarefas, imaginem a confusão que não deve ser, para além disso, existem ainda os milhares de papéis que o docente tem de preencher, entre projectos e programas e demais imbecilidades, ou seja na realidade esta turma está condenada ao insucesso.

Com a nova lei, tudo fica ainda pior, deslocações de dezenas de quilómetros, chegando mesmo à centena, para um apoio miserável, coisas do tipo; uma hora de terapia da fala por semana. É vergonhoso, é triste, é uma grade trampa, bem ao nível dos galos do poleiro, que gastam horas a discutir minudências imbecis e a presumir de grandes importâncias com ares de putéfia rafeira. Que cambada meu Deus!

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

terça-feira, janeiro 08, 2008

Entra Pacheco

No dealbar do ano ancião, já com as esperanças postas no seguinte, uma enfastiada olhadela por um diário dos nossos, e lá estava ele, resplandecente em toda a proverbial cátedra de historiador, comentador, escritor, político e entendido em tudo o que exista, naquilo a que cá na terra chamamos um “caga sentenças”.

Pacheco, discorria num artigo de dilecta prosa intelectual, sim que esse mérito ninguém lho tira, da justeza das suas ideias, considerando que o panorama blogueiro nacional, só demonstra ainda mais a nossa pobreza, quer o cavalheiro então dizer, que à laia de todo o resto os blogues cá da nação, donos e senhores da mais absoluta pobreza intelectual, os blogues lusos são para o Pacheco uma coisa insulsa e vulgar, que mais não são que manifestações de um egocentrismo desmesurado dos seus possuidores.

Ah, meu pobre Pacheco, eu até percebo, tudo era tão mais fácil quando só os Pachecos, os Albuquerques ou os Braganças, dominavam o povaréu, tudo era tão mais fácil quando, as elites, habituadas a admirarem-se uns aos outros, mantinham com rédea curta os latidos da canzoada rafeira, que se arrastava pela lama dos subúrbios infectos e das fabriquetas artesanais ou dos campos infestados de mosquitos, ah que belos eram esses tempos.

Pois, mas ó Pacheco, isto evolui pá! Porreira pá! Dirás tu, meu bom Pacheco, quem te lê e te adora, cruzes canhoto, alias aja pachorra para te ler ó Pacheco, para consumir as tuas bojardas, para acreditar nas tuas balelas, muitas vezes se percebendo nelas que tu ó Pacheco, não vives neste mundo não sabes quanto custa um litro de leite ou um pão, nem quantos vivem no terror de não conseguirem no dia a dia esse magro sustento, pois é Pacheco, no fundo eu e tu somos iguais, ainda que motivados por interesses diversos, somos ambos uns caga-sentenças, só que a ti pagam-te e bem e tens milhares de leitores, vá lá perceber-se porquê, a mim não me pagam e poucos lêem as insignificâncias que escrevo.

Dizes tu também ó ilustre Pacheco, que os blogues não gostam de críticas, são como os outros meios de comunicação, dizes tu. Claro, é típico é nacional, é talvez cultural, só gostamos dos gajos que concordam connosco, dos outros não gostamos, olha o exemplo vem das elites intelectuais que tu meu caga sentenças representas, ademais, num país de miseráveis, com políticos medíocres, jornais nojentos, televisões imbecilizantes, intelectuais de esgoto se calhar querias blogues de eleição, não! Pacheco, Pacheco meu rapaz! Tu tens um blogue, uma coisita arrogante e farsola, que encapota todo o teu fel, porque como político foste sempre uma nulidade, não te dás bem com os senhores, pá tudo bem, parte para outra, mas essa de quereres blogues de excelência, essa faz-me rir, pois porque com os exemplos que tu e outros da tua laia dão, como é que querem ter coisas boas.

Mas erras meu excelso Pacheco, erras porque temos blogues bons, mesmo muito bons, blogues de gente anónima, de gente com alma e com garra, mas mesmo que não existissem blogues bons, o facto de os haver, é só por si uma excelente conquista, devias ficar contente ó Pacheco, contente com o facto de que há gente que desperta, há gente que faz coisas que se empenha, mas não tu Pacheco és demasiado inteligente para desceres ao simples nível do dia a dia de um ser normal, porque ó Pacheco há uma coisita que se chama o livre arbítrio, claro que isso para ti é uma chatice, mas por si só esse livre arbítrio faz com que sejamos um poucochinho livres e que façamos o que nos der na gana, concordo contigo porém numa coisa, há blogues de merda, verdadeiros atentados ao intelecto, mas isso faz parte do mistério insondável do que é ser humano.

Pacheco, aceita os cumprimentos sentidos deste homónimo caga sentenças anónimo, que se me permites te envia um conselho, para a próxima quando tiveres uma ideia para escreves algo na linha do artigo que te publicaram no jornal, finge que te dói a barriga, vai à sanita e arreia o calhau, liberta esses eflúvios que te verrumam as entranhas deixa sair toda essa bílis e vai ao supermercado, fazer compras, finge que só ganhas o salário mínimo e tenta alimentar uma família com esse dinheiro, estou mais que certo que terás mais e melhores assuntos para libertar toda a tua reconhecida inteligência.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Ano novo, burradas velhas

Desponta o novo ano entre as nuvens da tormenta, os tímidos raios de Sol, trespassam de forma ténue o negrume, augúrios de novas vidas de esperanças renovadas, a rapaziada está afoita, para dar uns bafos é preciso ter cuidado, que os talibãs anti fumo, vigiam com olho de águia, ai do pobre criminoso fumante que lhe cair nas garras.

A natureza renova-se, tal como a estupidez, ouvi hoje que as escolas públicas com nomes de Santos e Santas do panteão católico vão ser rebaptizadas, a bem do estado laico e democrático, pois realmente a estupidez dos homens, ano após ano ao invés de diminuir, vai-se renovando e engrandecendo.

Sou um ateu convicto, não militante mas convicto, acho as beatices uma sensaboria de cretinos e lorpas, acho as religiões todas estúpidas, mas não me importa em absoluto que fulano seja Católico, beltrano Judeu ou sicrano Evangélico, aliás estou-me nas tintas, claro está que a sua ratice de sacristia não interfira na minha vida, que o meu vizinho seja muçulmano e queira ter barbas até aos pés e que a matrona dele ande envolta em tapeçaria só com os olhos de fora, não tenho nada que ver com isso, acho estúpido, mas não tenho nada o objectar, tenho quando o meu vizinho tenta impingir-me as farsolices em que acredita, aí alto e pára o baile.

Por causa desta sã convivência democrática, é que acho completamente abjecto, estapafúrdio e estúpido, que se retirem os nomes das escolas, que têm nomes de santos ou santas, em nome de que sacrossanta imbecilidade é que se vai fazer semelhante aberração, contente ficaria se o Governo e o seu Ministério da Educação, estivessem preocupados com a violência na escola, com a falta de disciplina, com a falta de qualidade, com a falta de condições que roça, por vezes o miserabilismo.

Contente ficaria eu se o Governo, resolvesse incluir a Pré-primária no sistema de ensino, acabando de uma vez por todas com a aberração desta Educação terceiro mundista que se faz por cá, que os senhores governantes estivessem preocupados com a falta de meios na escola, não foi uma nem duas nem três as vezes que quem comprou, papel higiénico, produtos de limpeza e material didáctico, para a escola foi a minha mulher, porque o dinheiro não chega, não foi a primeira nem a centésima vez que faço horas extraordinárias a ajudar a minha mulher a fazer material, em casa para cumprir com as imbecilidades dos ministérios da educação que inventam planos e projectos cretinos para encher tempo e torrar a paciência aos docentes.

Mudar o nome de uma escola, só porque tem um nome de santo deveria ser para aí a tricentésima milionésima preocupação de um ministério da Educação que tem escolas miseráveis e com desempenhos tão medíocres como aquelas que temos por cá, mas como quem não tem nada para fazer inventa, os senhores do governo lembraram-se desta, que realmente é de bradar aos céus.

Um abraço de Bom Ano Novo deste vosso amigo

Barão da Tróia

sexta-feira, dezembro 21, 2007

FELIZ NATAL

Feliz Natal! Os votos de um Natal que servia para reflectir, para descobrir a alma e o respeito pelo próximo, que sirva de alento para nunca baixar os braços. Feliz Natal a todos os meus amigos bloggers, e a todos os que visitam este bloguelho cretino, que o Menino Jesus vos traga sabedoria, civismo, honestidade e honra e que vos ensine a transmitir esses valores de decência, que cada vez mais, estão em falta nas prateleiras deste Mundo .

Um grande abraço deste vosso mui amigo
Barão da Tróia

terça-feira, dezembro 18, 2007

De novo, há noite!

Parece que todos descobriram de súbito a noite, o seu submundo e as suas sub-culturas, parece que andaram todos distraídos durante muito tempo, durante uma enormidade de tempo, ao ouvi-los a falar, farto-me de rir, os únicos poucos que falam, acertadamente, sobre os meandros da noite são os cavalheiros da PJ, os dois que ouvi, um sindicalista e outro ex-PJ, revelam muito conhecimento do que é a noite, não dizem tudo, claro, deformação profissional, os outros que ouvi, advogados, juízes e politiqueiros de quinta categoria, mostram bem o estado miserável a que isto chegou, pois nenhum deles tem a mínima noção daquilo que fala.

Ouviu um juiz, debitar barbaridades umas atrás das outras, num chorrilho de estultices que prova bem que os nossos magistrados, andam a leste do paraíso, claro, com casa e carro à borla, mais despesas pra isto e para aquilo, é normal que os camaradas não percebam o paiszeco em que vivam.

Ontem mesmo uma senhora advogada dos galfarros catados na noite do Porto, dava-se ao desplante de chamar “show off” à operação levada a cabo, pela PJ, que levou à detenção de uma série de metralhas da noite, a senhora advogada deveria ter o bom senso de não proferir bojardas daquelas, alias os senhores advogados em geral deveriam ser mais comedidos no seu palavreado, deveriam coibir-se de fazer juízos de valor por vezes a roçar o imbecilóide, deveriam não fazer aquilo que tanto apregoam, que é não julgar na praça pública, ainda que aquilo tudo tenha sido realmente um “show off” porque a Directoria da PJ do Porto se sentiu magoada com a cretinice, porque é uma completa cretinice, a nomeação de uma equipa especial de procuradores e mais não sei o quê, para fazer sabe-se lá o quê, sim porque os procuradores não vão investigar, quem investiga e recolhe prova são as equipas no terreno, às quais faltam, meios, dinheiro, tecnologia e sobre tudo vontade politica para realmente resolver muito do crime que por cá começa a existir, ora mesmo que isso tudo seja verdade a senhora advogada deveria tê-lo guardado para si e fechar a bocarra, decidiu falar, e quando o macaco do jornalista lhe fez uma pergunta daquelas lixadas, pois aí a dôtora, engasgou-se e ficou com cara de asno para todo o Portugal ver.

Os politiqueiros de serviço, enfim tomaram as medidas costumeiras, discursos de circunstância, poses graves de quem parece preocupado, mas não está, porque se estivessem à muito que a legislação estaria feita e colocada em prática, há muito que as polícias teriam meios para fazer face à nova criminalidade, mas como existe muito bom menino do poleiro com o rabo entalado, a coisa fica assim como está.

O que aconteceu na noite do Porto, era uma tragédia anunciada, poderá voltar a acontecer, em Lisboa já aconteceu, mais controlado é verdade, e tem que ver com as mudanças que se operaram na turma da segurança, a meio dos anos 90 a “velha Guarda” rendia a parada aos lobos jovens, esfaimados, os armários entupidos até às meninges de esteróides, burros que nem portões de quinta, a escola velha de segurança ainda sobrevive, mas não chega para a novelle vague, uma vaga nova muito bem organizada, enquadrada e treinada, com armamento novo e letal com novos métodos de financiamento, a droga essencialmente, e fenómeno curioso associados a elites poderosas do mundo do futebol, das empresas e da politica, onde prestam serviços de cão de fila, como alias se tem visto várias vezes na televisão, quem esteja atento, consegue vê-los sempre por perto.

Os bairros sociais são viveiros de excelência para esta rapaziada, que transferem para a realidade a alienação em que vivem, como tudo parece de súbito ligado, caramba, miséria, gera revolta que gera violência, que atinge os próprios ou os inocentes, os culpados, aqueles que pagam que gerem que mandam ficam sempre incólumes.

Por tabela apanha sempre a arraia-miúda, nós, os tristes pagantes de impostos, os tais que pagam os rendimentos mínimos a muita desta escumalha e os ordenados aos outros aos senhores do colarinho branco, que gordos e anafados tem o poder de fazer, por artes mágicas, desaparecer escutas, corromper meio mundo e sair sempre airosos da situação, conheço bem demais este mundo, convivi com ele muito tempo, demais.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Nem Santo António lhes vale!

Brilhantes, mentes brilhantes, luminosas luminárias do sensaborão panorama luso, os nossos alunos de 15 anos ficam abaixo da média europeia, nos seus brilhantes estudos. É triste que assim seja, é triste que afinal o afã dos governos pela educação, vá assim pelo cano, alto lá que isso das estatísticas da OCDE mais da UE são um bocadinho falaciosas, dirão alguns arautos do eterno sentimento “Calimero”, que assola as hostes da Lusitânia, oh sim, que injustiça, sempre nós, sempre nós.

Pois bem verdade, vejam por exemplo o que os últimos governos têm feito, baixar cada vez mais a fasquia, facilitar cada vez mais, qualquer dia a licenciatura é atribuída automaticamente, o mestrado a quem souber somar um mais um, o doutoramento a quem possuir cheques com o DR a anteceder o nome que a mãezinha lhe quis dar.

Nesta verdadeira aridez intelectual, em que estia e soçobra alegremente esta terra, basta ver as leituras da maralha, basta ver os pasquins impressos com aura de grandes jornais, basta ver a qualidade dos nossos políticos, basta ver a nossa qualidade enquanto cidadãos, dizia eu, que, neste panorama de esterilidade de pensamento, a cultura o saber cada vez mais se fecha sobre si próprio, as massas quadrúpedes da carneirada capada, lá andam de bandeirinha na mão a enfileirar com as elites do poleiro que os calcam e amesquinham, mas as pobres alimárias nem disso dão conta.

Em arroubos de diarreia mental, lá se inventam uns projectos e umas cretinices bacocas, umas barbaridades cujo mero fito é que a coisa pareça bem nas estatísticas, os alunos não chumbam nem sequer se deitarem fogo à escola, dá-se dinheiro do bolso de gente honesta e trabalhadora, para a escumalha nómada e outros que tais mandarem os seus fedelhos ronhosos à escola para que estes apurem as qualidades de latrocínio e bandalheira em que são campeões, inventa-se um programeco cheio de oportunidades, que esclareço já que aceito mas não na actual forma apalhaçada, que só serve para a estatística, fazem exames de 12º ano que um aluno de 6 anos do Gana faria sem dificuldade e aplaude-se muito a medida, porreiro pá!

Pois o tramado é quando nos põe ao nível dos outros, aí a coisa descamba e vem ao de cima a miséria da Educação em Portugal, vem acima a imbecilidade pura e dura que grassa neste país, um país que deveria apostar seriamente na educação mas que prefere aumentar os partidos e os deputados, é triste, demasiado triste.

Resultado, nem a cega obstinação pelas estatísticas os salva, nem as cimeiras imbecis que só dão despesa e transtornos, nada resulta porque este estado se demite de Educar, porque este estado prefere engordar aos abutres do poder, assistindo de camarote ao estertor de um povaréu, que assim como assim só tem aquilo que merece.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Eu deficiente me confesso!

Hoje é dia mundial do cidadão portador de deficiência. Como noutras áreas a política portuguesa para a deficiência, manifesta-se por não se manifestar, ou seja a política dos governos portugueses anteriores e actual para os deficientes é, UMA GRANDESSÍSSIMA MERDA!

É todo um rol de incapazes, inúteis, ineptos e imbecis que se tem ocupado desta área, a legislação é uma vergonha, a aplicação da mesma é outra vergonha, ser deficiente neste país DE MERDA, é desesperar por uma míngua de nada e sorrir agradecido sempre que algum rafeiro da matilha superior nos deixa um osso já apodrecido e descarnado.

Como gostava de poder dizer que este país, é um exemplo a seguir, no que toca aos deficientes, tais como a outros estes desgovernantes DE MERDA, maltratam a deficiência, os albergues de inúteis que são aos vários corredores do poder, passeiam as suas feiras de vaidades e mesquinhas torpezas sem água vai, sem sombra de pudor ou lembrança de quem muitas vezes quer muito e não consegue, porque os entupidos minúsculos cerebelos dessas cavalgaduras do poleiro, pouco mais alcançam que o cagar e mijar trivial.

Ser deficiente nesta terra é ter de se confrontar todos os dias com um país traiçoeiro, atroz e atrasado, que nos trata como gente de terceira, muito abaixo da escumalha perniciosa que por aí anda, ser deficiente neste país é conviver com a exclusão, com a miséria, com a mágoa e com a falta de tudo, falta de meios, falta de legislação correcta, falta de apoios, falta de civismo, falta de amor e de compreensão, só não parece existir é falta de pena, porque todos têm sempre muita peninha do ceguinho, coitadinho do maneta ou do coxo, do entrevado ou do maluco, cambada de hipócritas metam a vossa pena no OLHO DO CÚ.

Num país onde os orçamentos são fatiados consoante os interesses dos amigalhaços que tem de encher o bolso, aos deficientes toca sempre o osso, somos consequentemente arremessados para os projectos e estudos e projectos de inclusão e de mais não sei o quê, que mais não são que sorvedouros de dinheiro, pasquinices ridículas que servem para encher o bolso às “doutoras” e aos “doutores” da mula ruça, para aparecer na televisão naqueles programas lamechas até à náusea, onde apresentadores farçolas e néscios apontam para os grandes e sorridentes exemplos do paraplégico que é engenheiro ou do cego que é economista, pois atrás desses casos de sucesso está normalmente uma família com muito, muito, muito dinheiro, por detrás desses felizmente casos de sucesso, escondem-se milhares de casos de miséria e degradação, de desespero e tristeza.

Existem felizmente, projectos muito bons, projectos que com as suas exíguas capacidades vão ajudando a tornar a vida dos deficientes portugueses algo melhor, não esta realidade de miserabilismo, mas são infelizmente poucos esses projectos, demasiado poucos para os milhares de portugueses que são vítimas de uma qualquer deficiência, desde uma porcariazeca como seja a amputação de uma mão, a coisas mais graves como cegeiras, tetraplagias ou doenças mentais e ou raras.

É preciso ser muito, muito bom para viver neste país DE MERDA, mas é preciso ser ainda melhor para ser deficiente e viver neste pardieiro.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, novembro 26, 2007

As 61.893 páginas submarinas

No actual estado de indigência intelectual desta pobre Nação já nada nos deveria espantar, mas os nossos caros dirigentes politiqueiros não cessam de nos espantar, deste vez, tocou-nos em sorte, essa antiga maravilha da defesa nacional, o campeão dos desvalidos o Sebastião dos submarinos, também conhecido entre os seus detractores como papa feiras, o cavalheiro em causa que de quando em vez faz aquele ar grave e parcimonioso de quem parece ter algo de muito importante para dizer, desta vez rebentou com a escala da cretinice, ao que consta, ele até já confirmou, mandou fotocopiar documentos do ministério, nada mais, nada menos de 61893 páginas de papelada inútil ou talvez não que o dito cujo, afirma e jura a pés juntos ter pago do seu bolso, fiquem com o valor de referência de 0,05 cêntimos por impressão, valor que se pratica aqui na minha barraquinha laboral inclusive para os funcionários, terão o fantástico valor de 3094,65, sim leram bem TRÊS MIL EUROS* e mais uns trocos.

Ah, querem que eu acredite que o camarada pagou do seu bolso essa massa toda, por papéis sem relevância, por papéis dos seus discursos, têm-se em muita conta o senhor, por papéis irrelevantes, por ninharias, ao que consta outros ainda do mesmo táxi fizeram o mesmo, Luís Nobre Guedes, Telmo Correia, ex-ministro e Nuno Morais Sarmento.

O Guedes ainda percebo, pois ó se percebo, estou tão certo disso como certeza tenho de que os porcos comem bolota, isto se não arrancarem os sobreiros, o Sarmento, também percebo, o Telminho é que não me entre, então um ministro de um ministério quase fantasma, que ainda não tinha assente a poeira e já era corrido, em boa hora, que papeis é que a criatura tinha de copiar, isto é tudo uma grande macacada, mais uma, esta rapaziada deve achar que somos todos imbecis, infelizmente não, é só a maioria que é imbecil, a maioria que os elege, nós todos os outros que não somos parvos temos de os engolir.

Ao copiar os papeis o senhor ex-ministro, o senhor presidente do partido do táxi, incorre em dois erros graves, que queira copiar a porcaria dos papeluchos dos anos que foi presidente dos centreiros, tudo bem se eles deixam está no seu direito, fazer cópias de documentos oficiais de um Estado de um governo, no meu tempo era crime, está errado deontologicamente falando, claro que para isso é preciso ser dotado de escrúpulos de decência e de moral, coisa que me parece haver falta por esses lados, porque a existirem não fariam com que alguém gaste tanto dinheiro, em papeladas inúteis e sem importância segundo o próprio, num país onde existem DOIS MILHÕES DE SERES HUMANOS, viver com 0,80 cêntimos por dia, essa é que é a grande verdade.

É uma grande vergonha, uma miserável e sem pudor vergonha, que gente desta igualha ainda ande por aí a alardear facécias, nem sem razão devo confessar, que o homem até tem razão, mas queima-se mais uma vez, até porque há um ano ele era Estado, era ministro, que fez na altura para acelerar os pagamentos do Estado aos particulares seus fornecedores, que miséria de gente.

*Mesmo a 0,01 cêntimos a coisa seria cara

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, novembro 19, 2007

Estou à Escuta!

“Quem não deve não teme.” Diz o adágio popular. Então que temem os senhores do Poder, que temem então? Portugal continua a esforçar-se por ser um exemplo anedótico, entre as nações do Mundo, nesta como noutras questões continuamos a fingir. Ao contrário do senhor Procurador, eu penso que existem escutas a menos, que existe um tremendo défice de segurança, podemos ponderar também a questão, estaremos nós obcecados pela segurança? Claro que estamos! Claro que temos milhentas razões para estar, são por demais os exemplos de iniquidades perpetradas, pelos galos do poleiro, que nunca são encapoeirados.

As escutas no enquadramento actual, como se têm visto, para pouco servem, quando chegam a julgamento, nunca servem para nada, são quase sempre ilegais ou pecam por defeitos técnicos, também com as policias a comprar equipamentos de escuta nas lojas dos 300, outra coisa não seria de esperar.

Pessoalmente acho que, todos os meios de comunicação de serviços públicos deveriam ficar sob vigilância, computadores, telefones fixos, faxes e telemóveis, os conteúdos deveriam ficar registados, bem como toda a informação gerada pela comunicação, origem, destino, hora etc. E é possível fazer isto? Sim, exista para tanto vontade política, para transcrever isso em pé de lei. Acredito também que fotografias, vídeos e imagens deveriam ser usadas como meios de prova, se existe essa capacidade como é que neste estado miserável de coisas a Justiça não se faz capaz de utilizar o que existe de bom nas novas tecnologias.

Depois à que acabar com o trauma da geração 25 de Abril, a Pide morreu, a existir novamente, o que não acredito, será outra coisa diferente, por isso mesmo, todo o tipo de escutas deveria ser feita por uma única entidade e sancionada por uma única entidade, qualquer deslize que existisse seria identificado pois só poderia ter saído daquela porta, claro que isto faz confusão a muita gentinha que anda com o rabinho entalado de uma ou de outra maneira daí a que a lei continue neste absoluto estado de inclemência intelectual.

Em relação ao combate ao crime as escutas telefónicas e informáticas deveriam fazer parte do manual de primeiras práticas, mas não, compreende-se porquê, seriam apanhados muitos galos do poleiro e isso não pode ser, assim e tal como o tal novo código que vai servir para os tais galos escaparem da capoeira, continuamos a ver navios.

Ao que parece nem os serviços de informação podem comprar equipamento de escuta, se o fazem é de forma não legal, esta é de morrer a rir, já alguém pensou para que serve um serviço deste tipo que não escuta, serve para quê, pois para nada, não sei se já perceberam que hoje já ninguém comunica com pombos correio, sinais de fumo ou sinalética, hoje usam-se emails, Voips, sms, mms e sei lá que mais, que raio de serviço de informação é este, já estou a ver um encontro internacional de malta desta, CIA, Mossad e tal, entretanto chega o SIS, bem os outros devem morrer a rir.

Senhores do poleiro, ganhem vergonha, assumam de uma vez que as tecnologias vos incomodam, só porque vos podem apanhar também, mas não nos tomem por parvos, por imbecis, assumam de uma vez por todas que não querem nada com escutas, para que nós, os pobres diabos pagantes de impostos nunca venhamos a saber dos lucros que embolsam com o esburgo, que fazem dos cabedais do erário público.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, novembro 12, 2007

Mais um Visionário

«Melhores indicadores com menos dinheiro…, …o sistema de ensino em Portugal está a dar «resultados» …, a seguir à ideia mirabolante do cheque/ensino, as duas primeiras frases são as maiores barbaridades que ouvi sobre o actual estado miserável da paupérrima Educação deste país. Piores ainda do que a pérola seguinte, «há menos professores, mais alunos e menos desperdício de dinheiro». Donde se depreende que os professores são um desperdício de dinheiro.

Caro e excelentíssimo senhor Primeiro-ministro, as suas infelizes, incorrectas e anedóticas afirmações, não passam de vento dentro de um saco. Vejamos, melhores indicadores, a que melhores indicadores é que o senhor se refere, à ligeira descida do abandono escolar, realmente esse é um bom indicador, mas e então a qualidade desses alunos, as suas apetências linguísticas e científicas, a julgar pelos resultados dos vários exames nacionais, valha-nos São Sinfrósio, ou o senhor primeiro dos ministros não deu pela absoluta desgraça que foram esses resultados, ou esse seu impagável sentido de humor, fez que esteja de novo a reinar com a malta. Pois claro com menos dinheiro, porque os pais andam a pagar tudo, os professores a meter dinheiro do bolso, as câmara e juntas de freguesia à socapa a meter dinheiro nas escolas para tapar os buracos que a política inteligentíssima do governo de vossa excelência para a área da Educação tem levado a cabo, pois assim percebo.

O sistema está a dar que resultados, não percebo, então ainda agora começou e já é um sucesso significa que os alunos provavelmente já estão até doutorados, percebo é uma coisa parecida como o famoso Processo de Bolonha, é o processo Residência Oficial do Primeiro-ministro, começando hoje amanhã fazem o inglês técnico e já está. Porreiro, pá!

Ó, Senhor Primeiro-ministro, a catástrofe só se verá daqui a uns anos, como hoje se nota como começou a catástrofe anterior, cujos exemplos são sobejamente conhecidos, pessoas importantes que não sabem fazer contas, que não sabem os cantos dos Lusíadas e por aí adiante.

Vossa excelência é um visionário, os danos que a sua política educativa está a causar a este país ainda serão visíveis daqui a 50 anos, o desleixo e desinteresse por aquela que deveria ser das áreas mais sensíveis do país, onde deveria imperar a excelência o mérito e a qualidade, onde infelizmente campeia o desinteresse, o laxismo, a mediocridade e a falácia, factos esses para aos quais muito o seu excelso governo tem contribuído de forma tão ufana.

Não é a fechar escolas, a despedir professores, a fazer turmas de 30 alunos, a cortar até no papel higiénico que vossa excelência conseguirá educar este país, pode também ser o caso de a intenção ser a oposta, quanto mais ignorantes melhor e mais depressa os conseguiremos enrolar, pois parece ser esta apolítica dos senhores do poder em relação à Educação, sendo que os actuais, não são piores nem melhores que os anteriores, são a mesma coisa, mudam só as moscas.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, novembro 05, 2007

Et Tu Marcelus

Marcelo esse comediante residente da RTP, onde faz concorrência aos Gatos, tal é a qualidade e quantidade de anedotas que conta em tão pouco tempo, lembrou-se de mais uma, o Cheque Ensino. Oh maravilhosa mente que, tão grandiloquentes obstipações intelectuais produz! Oh esclarecido e iluminado, douto e sapiente criatura, com o qual, os deuses abençoaram este ignaro e miserável país, o que seria do nosso pobre mundo sem este verdadeiro Einstein do verbo fácil, este grilo da consciência nacional.

Não bastas as vezes que me tenho sentido apopléctico com algumas das bojardas, proferidas pelos fazedores de opinião nacionais, esta é mais uma, que raio de ideia mais desenxabida, mais sem sentido, até o faria noutros moldes que mais à frente explicarei. Diz o camarada que; «…O cheque-ensino consiste em dar aos pais um cheque no valor que custa actualmente o ensino numa escola estatal. As escolas estatais deixariam, assim, de ser "gratuitas", passando o seu financiamento a ser assegurado através das propinas pagas pelos alunos, como acontece com as escolas particulares.»

Meu caro amigo, o senhor e os seus acólitos não bastas vezes machadaram o ensino público, muitas vezes a coberto de preceitos legais aprovadas por camarilhas parlamentares e governativos, o que conduziu o ensino público a este estado de miséria em que actualmente se encontra, seria o primeiro a ergue-lo aos ombros caso o ouvisse pedir, não, exigir mais meios, mais investimentos e mais seriedade nas políticas educativas, mais empenho e qualidade nas escolas, mão de ferro na disciplina mais e melhores programas de verdadeiras políticas de integração dos mais desfavorecidos. Aplaudiria vossa excelência de pé caso o ouvisse declarar semelhantes coisas, caso ou sentisse indignado.

Curiosamente não, curiosamente veio mais uma grossa bojarda, claro que prontamente os tais acólitos se apressaram a glorificar a sua pretensiosa pretensão, uma tal de Associação de famílias numerosas veio logo gritar hossanas, ao seu santo salvador, claro que têm de o fazer, a intenção de vossa excelência é por demais fácil de atingir ao pouco e limitado entendimento de um labrego campónio como eu, resume-se a isto, quer vossa excelência que o meu filho vá estudar para a escolinha pública, enquanto o dinheiro dos meus impostos sirva para pagar os colégios de elite para onde vossa excelência e outros milhares de representantes das elites ociosas e pagas em demasia, enviam os seus fedelhos.

Brilhante caro senhor, é com certeza um génio vossa excelência, representa em toda a grandeza a clarividente, classe poderosa que fez do nosso povaréu o miserável, ignorante e empobrecido, rebotalho de sociedade que somos, recorda-me até uma história da minha mãe, oriunda de uma família numerosa, naquele tempo eram quase todas e rapavam fome que doía o canelo, sucedeu um dia que uma menina das finas, de uma respeitável família partiu o aparo, logo a senhora professora cheia de denodo olhou para a minha mãe, instando-a para desse o seu aparo à menina fina, a minha mãe, por feliz coincidência tinha um aparo reluzente, dado pela senhora para quem a minha avó trabalhava, que era uma rica proprietária rural, a minha mãe com o orgulho de uma pequena pobretanas tinha o maior desvelo com aquele insignificante objecto igual a tantos outros objectos insignificantes com que naquele tempo os poderosos compravam a lealdade dos humildes, aos quais o ofertório de uma côdea seca de pão escuro valia uma lealdade canina.

A minha mãe disse que não dava, que o aparo era dela, recebeu uma saraivada de chapadas, da senhora professora, acto contínuo a pequena cheia de fomita, cravou o aparo na carteira de madeira com tanta força que o entortou, ficou sem ele mas a outra também ficou sem escrever, ria-se ainda hoje a minha mãe, a bom rir, nos serões de família enquanto conta a história.

História que ilustra bem o tempo dos senhores e dos pobres do antigamente, hoje ao que parece, estes senhores parecem de novo querer rever as mordomias de antanho. Caro Marcelo, permita-me que assim o trate, assim de forma informal à europeia, reformule o cheque ensino, ao invés de o atribuir às dondocas, atribua cheques ensino para o ciganito do Bairro do Cerco ir frequentar o Colégio D. Duarte, ou para pretito da Cova da Moura ir frequentar o São João de Brito ou os Maristas, assim seria bem aplicado o cheque ensino, providenciando modelos de excelência a gente que carece de modelos de comportamento civilizado e de oportunidades, promovendo assim uma real politik de integração.

Claro que tapar o sol com a peneira, destruir o que resta do ensino público e engordar os colegas é muito mais proveitoso, sabe senhor Marcelo ao cheque ensino faço um grande:

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, outubro 29, 2007

Diário de Férias II Os Labregos

Chegaram em estilo, monovolume da moda, cheio de extras, ele sai do carro, calção de praia comprado a peso de ouro, sapatinho de vela, farripa empastada de gel arrepiada para trás, óculos escuros fashion, bronze a condizer, rapa do paivante atiça-lhe a mecha, amarfanha o maço e não vai de modas, chão. Isto quando a menos de 35cm se via uma papeleira, daquelas amarelas amarrada a um poste de iluminação.

Ela, de loiro platinado, arcaboiço de dondoca, loiríssima excepto as sobrancelhas e a raiz do cabelo, saco de praia, fatiota completa, toalha enrolada à anca volumosa, fios brincos e anéis, tipo montra de ourives ambulante de outros tempos, lulu rafeirolas ao colo, generosa de busto e repintada com camadas sucessivas de reboco, arreia o rafeiro que ali mesmo posta uma supimpa, cagadela, apanhaste tu? Pois nem a madame, a bosta do rafeireco lá ficou para que algum otário, possa lá atascar o pedúnculo.

De trás saem três fedelhos, o mais velho para aí com 14 anos, loiríssimos, vestidinhos com os chanatos de plástico da moda, pranchas de vários modelos, a piquena debicava enfastiada um bolicoiso, cujo invólucro ficou a enfeitar a ruela, entre os três faziam mais barulho que uma vara dos seus homónimos de quatro patas, daqueles que ainda se vêem mansamente boletando nos montados do Alentejo. A carripana como estava ficou, que interessa se fica mal estacionada, se fica a ocupar um espaço onde cabiam dois carros de igual tamanho, que se lixe, temos de ir que se faz tarde, são 09.35h da matina e a praia espera-nos, poderemos ainda torrar mais ao Sol, os colegas lá do trabalho ficaram ruídos de inveja, em cima do tablier, meio de esguelha mas ainda assim relativamente visível um cartão de autorização de estacionamento de uma unidade hospitalar da capital cá da parvónia, com o nome de Dr. Qualquercoisa, que o nome não vem ora ao caso.

Um quarto de hora depois, já tomei o café da ordem, dei uma debicada no jornal, acendo uma pirisca e boto-me a olhar o infindável mar, gaivotas que esvoaçam errantes, guinchando aqui e acolá, reafirmando a posse do seu território, lá em baixo já se topa a algazarra, dos veraneantes, a saudável gritaria da infância por junto com o trautear melodioso das conversas das comadres, das raquetes de bolinhas, coisa irritante e do marulhar das ondas.

Frente ao tasco onde estou, acompanhado com o amigo Zé, pára um carripano da moda, todo cheio de asas e saias e cromados, lá de dentro brota um infernal barulho, parece uma tempestade de alto mar, ao volante um rapazola de cerca de 30 anos, com o barrete oficial dos indígenas desta laia, o inefável brinquinho de brilhante à Ronaldo, e aquele ar de grunho que estas criaturas todas apresentam, do outro lado salta uma moçoila, calça justíssima, fio dental, a eterna tatuagem do golfinho azul, um penduricalho atacado na penca, também com o ar típico da fêmea desta raça, do banco de trás saltam dois fedelhos, mais uma matrona gigantesca e um pintas, de barrete igual ao do condutor, soquete branco, camisa aberta e fio de ouro da grossura de um cabo de amarração, acto instintivo, larga uma valente escarradela, compõe a calça e acomoda a tomatada, das traseiras fazem sair os inevitáveis cestos e cestas, geleiras e chapéus-de-sol, bolas e baldes de praia.

Entretanto o condutor, que até ali, tinha estado parado em cima de uma passadeira em plena via, impedindo assim os outros de passar, arranca, num verdadeiro arranque de campeão de estrada, sobe o passeio, encosta bem para a malta que vem a pé não poder passar e ter de ir para a estrada e lá vai ele, todo pimpão, orgulhoso da calçola largueirona, o barrete de ar parolo e as tatuagens étnicas, que se lhe perguntarem o significado ele nem sabe. Procurei rasto de cadeirinhas para transporte de crianças, mas nem cheiro delas, o papá fumava dentro da carripana, os putos apanham com certeza com a fumarola, que diabo só lhes faz é bem para criar resistência.

Olhei para o amigo Zé e rimos os dois a bandeiras despregadas, uma das coisas com piada durante este tempo de praia é estar assim, numa esplanada a ver as marés de Labregos que desembocam nestas praias abençoadas, quando se está atento a esta avifauna, é que se percebe a quantidade de labregos que habitam neste país, uns mais doutorados outros menos mas todos irmanados na labregada, todos labregos todos iguais.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, outubro 22, 2007

Prioridades

Este país, sempre teve prioridades que deixam qualquer um mais avisado a coçar o cocuruto sem perceber patavina da lógica da coisa, desmandos e idiotices sucedem-se em cascata, os nossos políticos são com certeza as mais prodigiosas máquinas de diarreia legislativa de que na história existe memória, tantas e tão céleres medidas, leis e projectos mirabolantes, fantasistas e completamente estúrdias, entre as mais recentes, o famoso “kit do Agarrado”, está entre as eleitas.

A ideia é evitar o contágio, com doenças como o HIV/Sida, Hepatites e outras maleitas perniciosas, aos excelsos cavalheiros que se encontram privados de liberdade por tempo certo, cumprindo, na maioria dos casos injustas penas, coitados. Então vá de enfiar par dentro das prisões caixinhas com agulhas e tal, tudo para ajudar os agarrados coitadinhos. Se a ideia não fosse parva, eu até pensaria que mais uma vez andam a gozar comigo, mas não é mesmo verdade, lá vão rios de dinheiro para o esgoto, porque os tipos vão acabar por se infectar, mais tarde ou mais cedo, mas ficamos todos mais descansados, esta é uma das medidas mais inteligentes dos últimos milénios.

Entretanto o Barão teve acesso a informações confidenciais, de que o governo prepara o lançamento de mais destes kit’s, direccionados a outro tipo de vícios e comportamentos compulsivos, pode o Barão em primeira-mão publicitar os novos kit’s a lançar futuramente em campanhas igualmente cretinas como aquelas dos agarrados.

Kit Bêbado

(Este kit consta de uma caixa de papelão contendo um copo de vidro, um maço de guardanapos, 2 caixas de Gurosan, 2 caixas de Compensan e 2 caixas de sais de fruta e um garrafão de pinga. Este kit vem em 4 versões, Bêbado Rasca, tinto carrascão ou branco, Bêbado Fingido, ginga e abafado, Bêbado Sujo, bagaço e macieira e versão elite onde o garrafão é substituído por uma garrafa maxi de champanhola e uma de vodca.)

Kit Fumador

(Este kit consta de uma caixa, tipo caixa de sapatos, contendo, um volume de maços de cigarros de marca variada, 2 caixas de fósforos e um isqueiro, traz também um lenço para os escarros matinais.)

Kit Depravado

(Este kit consta de uma caixa de papelão de tamanho médio, contendo 10 revistas pornográficas, uma boneca insuflável, 2 caixas de toalhetes, 50 fichas para o peep-show, uns binóculos para espreitar casais de namorados e um massajador facial para os casos mais complicados.)

Kit Jogador

(Este kit consta de uma caixa de papelão, com dois baralhos de cartas, um par de dados viciados, 20 cheques pré-datados sem cobertura, 10 raspadinhas, 20 boletins de totoloto e euromilhões por preencher, 10 notas de dívida, um contrato promessa de venda da sogra.)

Kit Beato

(Este kit consta de uma caixa de papelão, contendo uma bíblia em papel couché, dois rosários, uma miniatura em escala 1/72 do novo santuário de Fátima, um crucifixo de ponta e mola, duas imagens benzidas pela santa da ladeira do papa Leão III e dois Euros em moedas de um cêntimo para as esmolas.)

Kit Glutão

(Este kit consta de uma caixa de papelão, contendo, duas doses de Rojões à Minhota, duas sopas da Pedra, um ensopado de borrego e quatro pães caseiros, um frango de cabidela e duas doses de Tripas à moda do Porto, mais uma malga de litro de Papas de Serrabulho.)

Kit Malta Fashion

(Este kit consta de uma caixa de papelão, contendo, um cérebro em conserva, 4 jerricans de botox, dezoito revistas de sociedade, bijutaria barata a passar por jóias finas, convites para milhentas festarolas idiotas, roupa de marca fabricada em Shishuan e no Vale do Ave.)

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, outubro 15, 2007

Mágoas

Creio que nunca escrevi nada sobre este tema, uma infeliz, sórdida e exemplar história deste nosso Portugal dos tais brandos costumes. Nunca me lembrei de dar a minha ferroada, quando tanta gente inteligente e capaz o fez, de uma forma esplêndida ou não, mas hoje lembrei-me do Caso “Casa Pia”, por causa de uma parangona que vi a propósito da entrevista da antiga Provedora dessa instituição.

- Mas que dirás tu que não tenha sido já dito ó Barão? – Perguntam e bem os meus dilectos amigos e outros que visitam esta minha barraca de atoardas, pois com certeza que não trarei nada de novo, já vou em seis linhas e ainda não disse porra nenhuma, este é mais um desabafo, uma declaração pessoal, uma espécie de reflexão à minha moda.

O processo Casa Pia arrasta-se até à exaustão, numa espécie de jogo do gato e do rato onde como nos desenhos animados do antigamente o rato finta sempre o rato, acredito que já ninguém sequer, se lembre qual era o objectivo de toda esta palhaçada, sim porque entretanto os objectivos foram mudando uma e outra vez, par culminar no actual objectivo, a completa absolvição de todos os arguidos com talvez excepção do trolha do cão de fila dos senhores ricos.

Às vitimas resta pensarem que, fica para a próxima, que talvez de hoje a muitos anos se repita algo do género, que as televisões se encham de professores doutores e mais não sei o quem, alias qualquer gato-sapato, incluindo cavalheiros de blogues da treta, este incluído, e, todos por junto caguem lampanas sobre um assunto, sobre o qual não têm a mais pequena noção, dos contornos escusos e sórdidos da sua realidade, talvez um dia as televisões, jornais, rádios e blogues se voltem a encher de acusações e contra argumentos na ânsia dos 15 minutos de glória, talvez um dia nessa outra realidade as coisas sejam diferentes ou talvez não.

Este pseudo processo sério, sim, porque tem juízes de altíssimo gabarito, advogados pagos a peso de ouro, arguidos que supostamente são da nata da sociedade, especialistas e técnicos conceituadíssimos, numa encenação destinada a ofuscar as mentes e a botar faladura no mundo, dizia eu que este tal julgamento que infelizmente acabará como eu penso, ou seja em nada, esta encenação toda dá-me o mais absoluto e genuíno asco, nojo, vómitos e diarreias, de cada vez que oiço falar nos seus intervenientes, sejam inocentes ou não, enoja-me esta farsolice beata desta sociedade traposa de energúmenos, quando finalmente esta porcaria toda acabar, infelizmente como eu preconizo que acabará, assim também acabará o meu respeito pelas instituições desta terra, aqui solenemente vos digo que o pouco respeito que ainda guardo por este país se irá esvair, amo o meu país, mas é só isso amo a terra, as árvores e os bichos mais uma mão cheia de gentes, ao resto, estimo que impludam.

Fico magoado com esta imbecilidade, magoa-me saber que ninguém valerá aquelas crianças nem a outras que aí chegarem, que não basta a infelicidade de não terem um lar verdadeiro, ainda terão de servir para as sórdidas e porcas manifestações de comportamentos desviantes de porcos da alta, cujo dinheiro e estatuto protege, magoa-me viver neste país podre e sebento, com a megalomania própria de uma puta fina, que de dia vive na barraca e à noite vai comer caviar ao bar do hotel, magoa-me a tristeza de cada uma daquelas crianças, magoa-me não as poder abraçar todas e proteger, magoa-me profundamente que mais uma vez aquelas e outras crianças sejam criminosamente esquecidas, magoa-me esta impotência de gritar em surdina sem que me oiçam.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, outubro 08, 2007

(In)Justiça

Sua Excelência o Sr. Presidente da República a propósito do novo Código Penal, disse, cito de memória, …não percebo as críticas, devemos esperar para ver o efeito que produz…

Concordo em parte com Sua Excelência o Sr. Presidente da República, tenho de deixar de fumar, o Ventil anda a provocar-me efeitos secundários terríveis, onde já se viu, eu a concordar com Sua Excelência o Sr. Presidente da República, estou mesmo a ficar marreta, mas andando.

Então vamos esperar pelos resultados! A julgar pelos resultados iniciais, a coisa promete. Não discuto o código, não sou jurista não percebo porra nenhuma daquilo, assim como assim parece que eles também não. Mas questiono-me de uma perspectiva que deveria preocupar os senhores do poder, os juristas e toda a maralha que enche o bolso à volta dessa coisa chamada Justiça. Questiono-me da perspectiva do cidadão de bom senso, que vê os predadores de crianças a sair airosos sem mais aquela, onde os direitos dos pobres infelizes que foram vítimas desse tipo de lixo humano, ficam completamente a mercê do acaso, questiono-me na perspectiva do pagante de impostos, a quem a Constituição e os demais códigos garantem tudo e mais alguma coisa e pouco fazem cumprir e que vê dinheiro dos seus impostos esbanjado por esta caterva de indigentes intelectuais que assoberba o poder, questiono-me na perspectiva da pessoa a quem roubam vinte euros e o tribunal arquiva o processo, ninguém pergunta é se tenho mais dinheiro, se aqueles não seriam os meus únicos proventos, questiono-me na perspectiva de quem é esburgado, de quem vê o seu lar devassado, a sua intimidade violada, a quem o tribunal dá razão mas não condena ninguém, questiono-me na perspectiva de quem é agredido por escumalha intocável a quem nada acontece, questiono-me na perspectiva de quem vive em medo permanente.

Começando pelo princípio, em Portugal não há Justiça! Em Portugal a Justiça é uma mentira! Creio que esse facto é inegável. - Olha lá o Barão, as prisões estão cheias! – Sim, mas nem sequer albergam metade dos que deviam lá estar, nem os que lá estão ficam lá metade do tempo que deveriam lá ficar, deixo já claro que isso do princípio regenerador da pena e toda essa lenga-lenga lamechas de recuperação e reinserção, a mim não me convence, não digo porém que não se deva tentar, mas não nestes moldes, deverá ser feito de modo sério.

A pena deve servir para punir, pois também não acredito no modelo do exemplo, a pena como método de impedir novos crimes através do medo de ir preso, isso é treta, conheço demasiado bem o género humano e isso é mentira, ainda assim, acredito que numa ínfima percentagem isso seja verdadeiro, para além de punir a pena deve servir para manter afastados os elementos podres da sociedade, é preciso gente nos governos que tenha a decência, a coragem e a sensatez de declarar que pura e simplesmente existem pessoas que não prestam, independentemente de todos os subsídios, rendimentos, ajudas, campanhas solidárias, projectos imbecis e demais cretinices que nos últimos 30, repito trinta anos foram, são e serão levados a cabo, e ponto final, porque isso é uma verdade que constatamos todos os dias, esqueçam lá as amnistias e essas tangas e punam de verdade esses bandalhos.

No meu simples modo de labrego campesino, habituado há gerações a ser rapinado por todos, acho extraordinário que a ênfase de todos os códigos legais deste país esteja na protecção da escumalha, não da vítima, alias pelos discursos dá a sensação de que a vitima é malvada porque estava ali em casa aquela hora ou porque passou naquela rua depois das cinco da tarde, eu até percebo, os códigos legais estão feitos para salvar os amigos e os compadres, o dianho é que como as leis ao que me parece são de aplicação geral, a escumalha acaba por beneficiar e para não variar quem é que apanha por tabela, pois claro todos aqueles cidadãos cumpridores que alimentam e engordam a escumalha dirigente e a escumalha da ladroagem.

Solução para isto, politicas sociais com pés e cabeça, reforma dos sistema político e do modelo desta república de bananas, agravamento de penas, mudar completamente os códigos, defender quem merece defesa e combater a escumalha, em último caso emigrar fugir daqui a sete pés, poderia dizer para cada um de nós pegarmos na canhota e rebentar a tiro todos esses ninhos de ratos, mas isso seria incitar à violência o que é crime e ainda me vinham prender, pois sou um cidadão extremamente perigoso, tão-somente porque penso e não licito em leiloeiras de carneirada, a violência só gera mais violência, ainda que por vezes fico tentado, garanto-vos que fico!

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, outubro 01, 2007

Vira do Milho

Perorava a pobre maçaroca, ainda em incipiente estado, sobre a sua condição, não é fácil manter unidos todos aqueles grãos, cada um com a sua personalidade, mas a pobre maçaroca velava, agarrada ao caule, estiolava lentamente, mais uma ou duas irmãs, num caule, qual oleoduto que, transportando a seiva da mãe Terra, lhes traz o sustento, a par com o pai Sol, cujos raios benéficos muito ajudam, tempo virá que, a máquina portentosa e barulhenta a separará do seu amado caule e num supetão a engole, debatendo-se sem gloria nem esperança nas entranhas do monstro de aço, a maçaroca rodopia num bailado de morte, separada finalmente dos seus grãos, que saudades sente já daqueles rezingões, já não ouve a suas vozes, calaram-se para sempre, assim segue, quase nua, violada, sobram-lhe dois, não, cinco dos mais pequenos, que escaparam.

Ali vai ela, com outras milhentas, irmãs, por sobre o barulho do monstro troam as vozes dos milhões de filhos que agora órfãos gritam em vão pela mãe maçaroca, que é já cuspida pelo monstro e fica ali por junto com outras com os pequenos que lhe restaram, tolhidos, sem quase vida, que triste é vida de uma maçaroca, bichos e maleitas, ventos e tempestades, granizo e gelo, chuva em demasia e tórrido calor, javalis e aranhiço, tantas ameaças tão grandes e poderosas, que triste é a vida de uma maçaroca, amanhece lentamente, quando por entre lancinantes gritos de dor, a maçaroca sente, a desconfiada rola, a astuta perdiz ou o ladino pardal, debica-la arrancando-lhe os seus últimos e pobres grãos, em desfilada por entre o restolho orvalhado da manhã, bandos de inimigos alados banqueteiam-se alarvemente, com os restos da sua criação, triste é a vida de uma maçaroca.

Ainda assim fugiu ao destino dos seus amados grãos, que transportados no bojo do monstro, são já descarregados para outro ainda maior e mais possante monstro, que os leva, estrada fora param um mundo que nunca viram, sempre em frente para o desconhecido, atroz a viagem, comprimidos uns sobre os outros milhões de grãos de milho dos milhares de maçarocas, choram e gritam em desespero, que injustiça ainda ontem, estavam ao delicioso sol matinal, fortalecidos pelos nutrientes da terra, hoje ali estão completamente prostrados e indefesos, sob um mostro de aço que ronrona e bufa, ai de nós gritam, ai de nós, choram e soluçam, ai de nós, que nos pisam, e moem, pavoroso o som que anuncia a uns a morte dos outros, num sofrimento atroz enquanto poderosas mandíbulas de aço os atiram para tulhas que os canalizam para mós infernais que os desfazem, pobres grão de milho que cruel desfecho para uma vida delicada e bela, triste vida, a das maçarocas de milho, triste vida a do grão de milho, arrancando, calcado e esmagado.

Se eu fosse uma maçaroca era assim que descrevia minha vida, e agora digam lá, se é preciso uns eco-parvos, trangénico ou não, virem arrancar-me, com tanta, tanta coisa para irem boicotar, explodir e atazanar, digam lá!

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quinta-feira, setembro 27, 2007

Lançamennto do livro «Histórias Raríssimas»

É RARO mas acontece.
É RARO conseguir juntar 14 personalidades do mundo cultural numa obra literária única.
Mas aconteceu.
É RARO que todas aceitem escrever sobre o mesmo tema: o raro. Mas aconteceu.
É RARO o momento em que tantas personalidades se dispõem a apoiar prontamente uma causa
que precisa. Mas aconteceu.
É RARO quando o tema e o objectivo do livro são o mesmo. Mas aconteceu.

O livro é sobre «Histórias Raríssimas», conta com o alto patrocinio da Dr.ª Maria Cavaco
Silva e com o apoio exclusivo exclusivo da Novartis Oncology.
Todas as suas receitas revertem a favor da Raríssimas, Associação Nacional de
Deficiencias Mentais e Raras.

Leia-o e faça algo de bom acontecer.

O lançamento acontece no dia 2 de OUtubro na FNAC Chiado, pelas 18h30.

Um abraço Solidário deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, setembro 24, 2007

Geração Neanderthal

Anos atrás, um artigo já não sei de quem, fazia correr mares de tintas, o homem apodava os miúdos de então de “Geração” rasca, essa rapaziada tem hoje trinta e picos quarenta anos e está a produzir outro fenómeno interessante a que resolvi dar o nome de, “Geração Neanderthal”.

Na altura o artigo do dito camarada irritou-me, escrevinhei na altura, sim já então tinha a mania de que sabia escrever, um panfletozeco de título “Geração à Rasca”, onde discorria sobre a iniquidade do epíteto do cavalheiro, “Vanitas Omnia Vanitas”. Hoje, tenho de pedir desculpa ao homem, ele tinha razão, esse visionário, tinha carradas de razão.

A tal rasca Geração, produz alegremente ainda que de forma insuficiente para as necessidades do país uma coisa ainda mais degradante, a Geração Neanderthal, naquilo que é uma evolução em negativa, o crianço/adolescente até aos 30 anos, médio actual é um ou uma, fedelho birrento e semi analfabeto, mal-educado e completamente estupidificado pela globalização cultural, uma coisa pavorosa, claro que, ainda bem, existem ainda muito bons exemplos, cada vez menos, de miúdos atilados e diligentes, que está claro formarão as futuras elites, que tratarão de viver a explorar a vasta massa de asnos que estamos a produzir, e, não sou eu que o digo são as estatísticas, o abandono escolar, as notas vergonhosas, os comportamentos imbecilóides, as modas estúpidas, tudo isso concorre para esta massificação da estupidez, o que é de todo um contra-senso, pois em tempo nenhum da história do homem existiu tanto conhecimento e de acesso tão fácil.

No entanto numa coisa perfeitamente insana, esta geração pretere a sapiência em favor da asneirada, pretere a excelência em favor da imbecilidade pura, abraça o facilitismo e consumismo anárquico dos indigentes intelectuais, porquê, senhores, porquê?

Elementar meus caros! Como diria o homem de Baker Street. Já repararam por ventura nos exemplos, que lhes chegam todos os dias, já repararam nas atitudes dos mais velhos, já repararam nos edificantes modelos que os putos têm para seguir, para glorificar e imitar.

Políticos miseráveis e aldrabões, chutadores de bola analfabetos e excessivamente pagos, pais ausentes e imbecis, médicos impostores e mercenários, professores sem conhecimentos e trapalhões, juízes de quinta apanha, séries de televisão néscias e pelintras, patrões farroupilhas e falcatos, trabalhadores ineptos e absentistas, enfim todo um modelo de sociedade que se comunga para produzir a mais rematada corja de incapazes que já alguma vez existiu.

Senão reparem, as anteriores gerações, destacaram-se sempre por alguma grandiloquente conquista, a Geração da independência e da Conquista, a Geração de Aljubarrota, a Geração das Descobertas, A Geração da Restauração da independência, a Geração de Pombal, todos em maior ou menor grau e claro que com muito de mau a apontar, conseguiram dar exemplos edificantes de labor, conquista entrega e sacrifício, ao contrário as Gerações destes últimos duzentos anos, conseguiram o quê? Em primeiro, perder tudo pelo qual, nos seiscentos anos anteriores, tanta gente lutou, hipotecar e desbaratar, em traficâncias, compadrios e desvios os cabedais da fazenda pública, corromper completamente as anteparas de um país, que era pobre, pequeno mas honrado, valha-nos porém que deram ao Mundo excelentes e soberbos escribas, Antero, Eça, Camilo, Pessoa, Junqueiro, Saramago, Agustina, Lídia, Sofia enfim uma enormidade de gente que infelizmente tanto os Rasca como os Neandertais não lêem.

Desembocamos na Geração da estupidez pura, neste mar oceano de bobos da corte, toleirões e enfatuados, analfabetos e asnos, que volteja ao redor das modas como mariposas tontas à roda do castiçal, sem sequer tomarem tino do rumo, pois isto vai acabar mal, quase é certo, que vai.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia