quinta-feira, março 01, 2007

Valha-nos São DVD!

O Barão gripou. Logo, ficou a demolhar durante uns dias, combatendo o enfado e o tédio com recurso às maravilhosas invenções da tecnologia. O estado febril e delirante ajudava à quietude da modorra, instalado no seu sofá o Barão tomando pulso à coisa debelava as bactérias, micróbios e estafilococos da malvada gripalhada.

De comando na mão recorria à extraordinária técnica do “zapping”, para entrever de olhos semicerrados as pérolas televisivas que a matinal emissão produz. Porque de parcos recursos, alias como a maioria da malta, o Barão não tem televisão por cabo, logo contenta-se com os 4 canaizitos da ordem e vai daí foi “zapingando”, a manhã começou a bonecada, como convém cheia de cores e bicharada, apesar de gostar de alguns, tenho saudades das animações do meu tempo de fedelho, mas regra geral gostei, foi uma boa preparação para as bichezas que se seguiriam.

Atacam depois, os alinhamentos dos canais, com a informação, os três canais generalistas, entopem a malta de notícias, repetidas até à exaustão são o prelúdio para os blocos noticiosos da hora de almoço.

Ligações em directo aos vários helicópteros e câmaras de vídeo, fornecendo informações sobre o trânsito na capital e no Porto, chegando nós sempre à mesma a constatação, aquilo das CREL, CRIL, VCI e afins é sempre o mesmo inferno, ainda bem que vivo aqui na província, pensou o Barão.

Os pivôs que apresentam estas maravilhas da informação, cumprem, com honestidade o papel entediante de papagaios, que debitam insistentemente as mesmas novidades que de tão repetidas, passados os primeiros 15 minutos são já velhas, sóbrio q.b. os da RTP, diligentes e seguindo a linha os da SIC. Ressalva para a malta da TVI, o moço enfim lá cumpre, mas a mocinha é um tratado de cretinice, dos três serviços informativos este da TVI é de gritos, umas atrás das outras, enfim tanta burrice num espaço tão pequeno é obra.

Entretanto acaba o serviço noticioso, atacam com um quarto de hora de anúncios, depois surgem as “piéce de resistance” das manhãs televisivas. “Você na TV” da TVI, “Fátima” da SIC e o “Praça da Alegria” da RTP. Entre todos não há matéria para fazer um só programa sofrível, mas enfim lá iremos, começo pelo menos péssimo, “Praça da Alegria” tem uma coisa excelente uma banda ao vivo composta de profissionais excelentes que dá um toque de bom gosto ao programa e que está subaproveitada, pois ao invés de levarem ao programa imbecis a fazer playback de música da treta, podiam bem deixar-nos ouvir gente a tocar a o vivo e bem, os apresentadores cumprem bem o papel melhor ele que ela, que tirando o bom aspecto se fica por isso mesmo uma bonequinha para decorar, um nadinha oca mas enfim é o que temos. Dispensáveis completamente as presenças de um tal “colunista social” figurinha execrável e de todo dispensável, mas a RTP lá entendeu que ficava bem copiar os métodos da concorrência que colocam em destaque bichezas de igual semelha. Dispensável também o Cura do “show biz” que faz daquilo uma borga, não acrescenta nada ao programa, as suas intervenções à laia de “Diácono Remédios” pouco de útil trazem ao programa, enfim seria preferível trazerem também um Rabino, um Pastor Protestante e um Imã e durante 10 ou 15 minutos encetarem um diálogo ecuménico ao vivo, seria bem mais interessante.

Os da SIC, compõem um programeco bem ao seu estilo, uma coisa insípida e por vezes disparatada, que com a capa da seriedade, lá se arrasta por umas boas três horas de entediante sonolência, um aparte, devem pagar muito bem ao pessoal que lá está a fazer figuração, como nos seus congéneres também por lá aparecem umas criaturas a obrar “postas de pescada”, sobre a vida de terceiros e sobre as revistas cor-de-rosa.

A tal tertúlia é a parte do programa mais interessante, isto do ponto de vista sociológico e psicológico, a avi- fauna presente vai desde a cartomante/atriz em fim de carreira, a um tal de Ramos que ainda não percebi o que faz, é de rebentar a rir, o ar de seriedade que as criaturas colocam, os absurdos e disparates que dizem, senhores realizadores de cinema português, aquilo é tão irreal que dava um excelente argumento para um dos vossos filmes de cinema de autor.

“Você na TV” é a coisa mais absurdo e rasca da manhã televisiva nacional, entre um ex-cozinheireco, pedante e arrogante e uma galinha histérica, o programa transcorre entre gritos, porque gritar significa alegria, num ambiente do mais absoluto grau zero de inteligência, este programa é um insulto permanente ao intelecto de qualquer pessoa por muito néscia que seja.

Assim vai a manhã do Barão, felizmente porque precavido o Barão adquiriu um leitor de DVD, onde se tem deliciado a ver todo o género de barbaridades cinematográficas, valha-nos São DVD!

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

sábado, fevereiro 24, 2007

Canta Alberto!

Não canto. Gritava Alberto a plenos pulmões, que diabo afinal quem mandava ali era ele, cantava quando queria bailava o bailinho lá pelo chão de uma qualquer lagoa sem dar cavaco a quem fosse, afinal o Alberto, era ele.

Canta Alberto! Teimavam da outra margem. Não canto, insistia Alberto, e para mais vou-me embora, mas volto logo de seguida porque adoro estes carnavais, adoro o petisco, os folguedos mais estes marítimos nacionais. Adoro o ar do mar que sopra aqui na vigia, por isso nem gregos nem cubanos me farão cantar quando o que quero é bailar.

Enquanto assim pensava, Alberto olhava a sua obra. Uma pérola era isso que era a sua obra, uma pérola semeada no fero Atlântico, bem próxima de África, alias tão próxima que os ares quentes de lá tinham muita influência nos pensares dos habitantes da pérola, a começar por ele próprio, Alberto de cognome “O Pulverizador”.

Hás-de cantar. Prometiam os da outra margem. Não canto! Vociferava, Alberto, já irado com tamanha insistência. – Roubaram-me os instrumentos, malvados colonialistas continentais, por isso não canto! E mais vamos às urnas, porque sempre são mais uns grossos cabedais que pulverizo ao Reino, daí o seu cognome, Alberto era exímio a pulverizar, a desfazer em pó ou dizem as más-línguas, a malbaratar, as tenças do Reino.

Escavava túneis, investia em arraiais e Carnavais, sustentava outros tantos disparates reais, como futeboladas e jornais, com os cabedais, que do reino davam à costa da pérola, o seu reinado não tinha fim e a malta gostava, adorava aquele saco de ar quente insuflado pela pinga e comezainas dos lautos repastos nas festarolas privadas do apaniguados do funil e outras aves de arribação que são comuns em ilhotas perdidas.

A chatice era que o reino estava farto de embotar a cartola e arrotar com as prestações para a malandragem, Alberto era o príncipe dos madraços, o rei dos pulverizadores, qual Midas ao reverso, pilim em que deitasse a garra esfumava-se em segundos, a vida no campo do funcho era uma eterna paródia, enquanto no interior a miséria, o alcoolismo, o analfabetismo a mortalidade infantil eram o dobro dos valores da outra margem.

Que interessava isso, se Alberto continuava a cantar, deliciado com o apoio das massas ignorantes das hordas dos servos da gleba que aravam as jeiras, para encher o bandulho a ramos e outros que tais da flora local. Canta Alberto!

- Não canto.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Ecos d'além!

Ecos do referendo ainda soam por esses recantos dos Lusos lares, aqui e além continuam as atoardas, sua Excelência o Senhor Presidente da Republica, abriu a boca, fiquem descansados porque não saíram migalhas de bolo-rei, saiu no entanto uma conversa insalubre, sobre poderes e sobre não prescindir dos poderes, e sobre seguir bons exemplos da Europa, a mim pareceu-me um charada típica, tão ao gosto do homem do Tabu, falou ainda da união dos Portugueses, por o referendo ser factor de divisão.

Oh homem! Em que país é que vossa Excelência anda a viver, com 2 milhões a viver com 80 cêntimos por dia, 700 mil a pagar a crise, um milhão a engordar à sombra da bananeira outros tantos a rendimentos mínimos e subsídios vários, quer o caríssimo senhor mais diferença, então não o preocupa esta diferença de misérias e preocupa-o a porcaria de um refendo em que mais de metade dos imbecis não votou, porque não quis.

Oh, Senhor Presidente, tenha vossa Excelência dó, eu sei que sou um pobre diabo inculto e intelectualmente limitado, mas essa da divisão é demais.

Entrementes os nossos excelsos Bispos, após uma aturada conferência vieram também comunicar o seu parecer, incrível que gente que se diz cristã e que seja tão plena de bons valores, dizem eles, venha depois fazer as declarações que os senhores bispos fazem, uma catadupa de cavalalidades vindas de gente que nem filhos poder ter. O medievo pensar faz destas as declarações mais obscenas que ouvi, os senhores bispos ao invés de andarem a salvar as almas, mais se preocupam em as danar.

O primeiro dos ministros, deu também a sua sentença, umas larachas, pseudo sociais e mais umas promessas, iguais aos milhares que fez e não cumpriu, tudo espremido nem uma gota deu a arenga do homem.

Entre todas estas “nobres” intenções uma coisa me preocupou, a falta de propostas sérias e credíveis, a falta de orientação, a falta de senso de toda esta gente. As dúvidas que tinha antes do referendo continuam, pois ninguém lhes deu resposta, entre a gritaria dos ratos de sacristia do”Não” e dos intelectuais de esquerda do “Sim” não vislumbro bom senso, nem vejo ninguém a dizer que vai fazer algo de válido, fico a aguardar mas com a consciência de que estes primeiros ecos nada acrescentam ao problema, antes o complicam ainda mais.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Quid Juris

Elevado a passatempo nacional, o dizer mal da Justiça, passou a figurar em qualquer órgão de informação, por força do barulho a malta lá despertou para esta verdadeira praga dos tempos modernos. Isto porque enquanto a coisa só tocava ao “Zé Povinho” era o deixar andar, ledos e folgando, lá seguiam sem mais aquela, no entanto e depois de alguns, muitos, casos de bradar aos céus, é do lado de dentro que algumas vozes começam a questionar esta Justiça que temos.

Que a Justiça cá no cantinho à beira mar é tudo menos cega, qualquer otário já tinha percebido, excepto os senhores Juízes e os senhores Governantes. Para estas elites, trôpegas a Justiça funciona, até porque na sua maioria, estes cavalheiros parecem ter visão curta, pouco vendo para além do horizonte do seu umbigo, verdade seja dita que a Justiça em Portugal está à laia do resto do país, ou vocês queriam ter um país rafeireco como este com uma excelente Justiça?

Do ponto de vista de um leigo ignorante, que é aquilo que sou, a Justiça em Portugal parece-me, lenta, bafienta e muito pouco justa, pretende-se que seja isenta, não o é porém, quem insistir em ver na nossa Justiça a marca da isenção, mente sem pudor, a nossa justiçazinha é parcial, subjugada que está a grupos de interesses vários, fazendo de conta que é cega, faz-me lembrar a brincadeira da “cabra-cega”, em que nos tapavam os olhos com um lenço e nós arranjávamos sempre maneira de por uma nesga de pano entrever por onde andavam os comparsas de folguedos.

Continuo a insistir em que as penas são desadequadas, a ilícitos criminais menores são impostas penas excessivas enquanto a crimes gravíssimos cometidos por seres, que de humano pouco devem ter, se aplicam penas ridículas, aqui é um problema de doutrina, por cá aplica-se a doutrina da reabilitação, que não funciona diga-se “en passant”, até porque quem vai preso não vai para reabilitar vai antes para fazer um espécie de “up grade” entra “carteirista” sai “rato de automóveis”, quando se devia aplicar a da expiação do crime cometido e a da segurança de quem não comete crimes, segurança essa que ao que me quer parecer ninguém liga peva.

Por outro lado ficamos com a sensação que tudo isto é um jogo que se destina somente a fazer-nos andar entretidos e enredados em ilusões, é o tal jogo do faz de conta, tão ao gosto do nosso Portugal. Num mundo em que a tecnologia serve o homem, com cada vez mais acuidade, a nossa Justiça insiste em fazer tábua rasa da utilização desses métodos, as fotografias e os vídeos não fazem meio de prova e as escutas são sempre ou quase sempre ilegais, não percebo, sinceramente não percebo, isto num tempo em qualquer bandalho de quinta categoria já usa um telemóvel de ultima geração, não percebo, sinceramente gostava que me explicassem.

Acontece que agora, são Juízes que começam a questionar esta “Justiça”, são Advogados, que levantam questões, a uns e a outros as respostas tardam em aparecer, como a nós. Os legisladores tardam em perceber, que este é um tempo novo, que mal ou bem, uma cada vez maior franja da população, questiona o que era até aqui inquestionável, esta nossa Justiça e os seus principais actores parecem não perceber o que se lhes exige.

O tal advento da modernidade tarda em chegar aos ermos esconsos desta Justiça bolorenta que se arrasta como uma dama antiga, cuja vestimenta lhe tolhe o movimento, daí que seja lenta, anacrónica e muito pouco justa. No meio deste oceano de broncas, burrices e barracadas, vários náufragos vogam ao sabor da brisa do momento, Polícias, Procuradores, Juízes, Advogados, Governantes, Vítimas, Criminosos e Sociedade em geral, cada um colocando o ónus da preguiça e do laxismo no outro, uns fazendo outros desfazendo, uns informando outros desinformando, todos irmanados e apostados em transformar a Justiça num ainda maior caos.

Enquanto isso o pobre cidadão, pode e deve questionar a Justiça, tendo o direito de a por em causa, visto que como está, ela serve a poucos e aos poucos que serve, mais se servem dela do que aos outros presta serviço.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Sem Rei Nem Roque

As nossas cidades aldeias, vilas e lugares, poderiam ser locais aprazíveis, no entanto e por causa de uma série de factores, não o são, na sua grande maioria são pardieiros infectos, réplicas subdesenvolvidas de um terceiro mundismo comezinho e pobre de espírito.

O jornal aqui da minha terra, no qual tive a honra de debutar para a escrita de croniquetas insalubres e maledicentes, foi lá que nasceu o “Barão da Tróia”, publica na sua última edição uma excelente peça sobre a incivilidade boçal dos habitantes cá do burgo, deixo aqui o link para a versão online, http://www.almeirinense.com/almeirinense/index_noticia.asp?id=1504.

É este o tipo de excelente trabalho jornalístico que deveria estar mais presente na imprensa regional, o Almeirinense, presta com esta peça um excelente serviço público, um serviço que informa, que expõe as fragilidades de uma população inculta, incivilizada e sem regras de civismo e respeito pelo próximo, está pois de parabéns o Almeirinense por este excelente trabalho.

Denunciar assim publicamente as características boçais de alguns, tendo ao mesmo tempo uma atitude pedagógica e de sensibilização é também uma das responsabilidades da imprensa regional. Porque mais próxima das populações que serve poderia servir às mil maravilhas para mostrar a verdadeira realidade de um país podre, no entanto por causas mais que muitas, regra geral a imprensa regional é um reflexo do país, pobre de espírito e mais preocupada com a roupa interior do sacristão do que com o ribeiro que corre cheio de lixo, enfim prioridades.

No entanto nesta peça o Almeirinense revela que é capaz de voos maiores, de conteúdos de excelência, pois que venham eles, aguardaremos por mais coisas de igual semelhança, com qualidade e que ponham a nu as barbaridades e atropelos civilizacionais que por cá se cometem.

Em relação à peça que motivou este pequeno escrevinhadeiro, deixem que vos conte, para quem não conhece aqui a terreola, que Almeirim é plana, completamente plana, minto, existe um pequeno desnível, mas tão ligeiro que nem nos apercebemos dele, além disso é pequena terra, que se atravessa a pé em passo normal em 20 minutos, parando aqui e acolá para cumprimentar algum conhecido, no entanto a maioria dos seus habitantes não sabe aproveitar estas benesses e entulha de carripanas as ruas, praças e pracetas, vias vielas e passeios, fazendo do percurso de um peão um autêntico jogo de computador.

Não há muito tempo a maltinha aqui do burgo andava de monco no nariz, de carroça e a pé com a bota de cardas de sola rota e porém era feliz, uma felicidade que se via no sorriso franco dos cumprimentos matinais, na limpeza e asseio das ruas, no brioso comportamento, eram pobres mas felizes.

Hoje são ricos, tem carro, gastam horas e fortunas em combustíveis, mas estão tristes e amargurados, as ruas estão sujas e as hordas selvagens de veículos que entopem as nossas ruas fazem lembrar os subúrbios manhosos da capital, definitivamente o habitante Almeirinense, abastardado pela gula e ganância deixou de ser o povo franco e pranzenteiro do Ribatejo e passou a ser um desenraizado suburbano sem civismo, sem respeito pelos outros e sem amor pela sua terra.

Esta excelente reportagem de “O Almeirinense” traz a terreiro uma situação onde a torpe boçalidade e falta de civismo das pessoas, esconde o que de bom ainda existe nelas, era importante que mais coisas desta igualha viessem a público, para educar, para despertar as consciências e para vergonha dos néscios e asnos que por aqui habitam. Parabéns ao Almeirinense por uma excelente peça de trabalho jornalístico.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

domingo, fevereiro 04, 2007

Maldito Lagarto

Naqueles tempos, o Profeta precisava de mudar de ares, a coisa andava preta, os filisteus não paravam de o desancar, os milagres prometidos tardavam, aproveitando a deixa de um cartaz de manifestantes que o aconselhava a desopilar para a China, o Profeta se o pensou melhor o fez, ala que se faz tarde, arrumou as maletas, arregimentou uns apóstolos e zarpou.

Dias mais tarde aportou ao Império do Meio, ao Celeste Império, vinha para negociar para dar uma corridinha na cidade proibida, enfim para conviver com a malta e desanuviar a cabeça. Naqueles dias os chineses que tinham mais que fazer do que aturar o Profeta, lá o autorizaram a dar a tal corridita, organizaram uns lancheszecos, lá com uns quaisquer patos e estava o caso arrumado, alias a visita do Profeta era tão importante que o Presidente dos Chineses até tinha, convenientemente partido para uma viagem de negócios a África.

O profeta não desarmava, a sua conhecida fleuma, fazia-o falar e falar, arengava aos chins, como Santo António às fanecas e aos carapaus, como os via rir e coçar na cabeça achou que os chineses gostavam de o ouvir, vai daí, zás, redobrou os esforços e os argumentos a favor do reino Luso, que isto era lindo e tal, que a malta estava em África como em casa e porque torna e porque deixa, os outros riam e acenavam com a cabeça, a proverbial paciência chinesa dava provas de uma indómita capacidade de sacrifício, ouvir um gajo que não se percebe, ainda por cima a dizer bojardas umas atrás das outras era dose.

- Eh…eh…eh, estão no papo estes chins! Declarou o Profeta para o apóstolo Amado, o que tratava das passagens aéreas, ria a bom rir estava satisfeito consigo. – Olha o Amado, aposto contigo que no mês que vem, os mercadores chins vão meter os pés ao caminho, as suas récuas e cáfilas carregadinhas de pechisbeques e fancaria e vão chegar ao nosso reino e fazer negócios da China. Olha, já agora,sabes onde anda o Pinho? – Não esse desde que aterramos aqui que foi abençoar e converter os pecadores!

- Oxalá não meta a pata na poça, como daquela vez da crise. Caramba o que eu tive de pregar para desfazer, aquela bojarda! – Sim eu lembro-me, foi pior que eu não saber dos voos da CIA.

Aquele hora, num templo escuro numa rua escura, numa noite escura o apóstolo Pinho, declarava à tripa forra para quem o queria ouvir.

- Os senhores chins venham para Portugal que a malta de lá, tem os salários mais baixos da Europa, isto sim é uma mais valia.

Entrementes o Profeta dormia o sono dos justos, descansava para bem cedo na fria manhã de Pequim e esticar as pernas e dar uma corridita. Tliiiiiiiiiinnnnnnnnnng, soou o despertador. – Que raio de barulho que esta geringonça faz, tling,! – Claro! – Disse o apóstolo Amado. – Então tu não sabes que os Chineses não sabem dizer os “R” e os despertadores como são “made in China” também não dizem os “R”.

-Olha ó Amado liga aí a televisão no canal do Reino, a ver se dão notícias da nossa grande gesta. Amado ligou a televisão por satélite e alto e bom som ouviram a voz do Pinho a dizer … Os senhores chins venham para Portugal que a malta de lá, tem os salários mais baixos da Europa…

- O profeta saltou da cama e arrepelou os cabelos. – Que grande asno, que camelo, lá deu barraca outra vez, pai porque me abandonas! Num gesto teatral o Profeta arremessava os braços para o céu.

- Desta vez estou arrumado, o meu pai crucifica-me, o Pinho aquele grandessíssimo asno, meteu outra vez a pata na poça, desta vez não há remédio, vai já acordar essa grandessíssima cavalidade e trá-lo aqui.

- Meio ensonado, Pinho lá apareceu aos trambolhões, de barrete de mandarim no cocuruto, visivelmente, incomodado pelo matinal da ora. – Oh minha grande besta, resmungou em tom feérico o Profeta, então vossa excelência sua burridade, não tem vergonha de dizer aquela bojarda?

- Desculpa Zé, mil perdões, ribombavam trovões e coriscos o céu cobria-se de breu, é que, eu fui com o Ming Lin Po, a um restaurante chin e nem queiras saber, tinham lá uma beberagem, de se tirar o chapéu tinha era um lagarto dentro, mas aquilo é bom e depois os copos são tão pequeninos que uma pessoa nem dá conta, maldito lagarto!

Um abraço deste vosso amigo


Barão da Tróia

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Bombordo e Estibordo II

Ainda a propósito do referendo, foram recentemente disponibilizados os orçamentos dos vários intervenientes na campanha. Ficamos a saber que serão gastos em, cartazes, panfletos, pasquins, anúncios, tempos de antena, autocolantes e outro tipo de traparias do género que em nada contribui para o cabal esclarecimento desta situação, 2,5 milhões de Euros, que acredito facilmente chegarão aos 3 milhões, sim porque a contabilidade desta rapaziada nunca é de fiar.

Ora, com estes 3 milhões, as coisas bonitas que não se fariam, por exemplo, pelo menos 10 casas de acolhimento para crianças em risco, 20 casas de acolhimento para protecção de crianças e mães vítimas de violência doméstica, 1000 bolsas de estudo para órfãos, que forneceriam o sustento a toda a sua vida académica.

Ora quão bonito seria, quão civilizado que todas estas almas caridosas e de bom coração tão preocupadas com a vida se juntassem aos fins-de-semana e ajudassem a educar todas aquelas crianças que andam ao Deus dará. Que exemplo edificante de solidariedade de civilidade, mas não; o ser humano tem destas coisas, as ideologias, as religiões e outras questões toldam-lhes os fígados, intumescem-lhes a bílis e os humores maléficos perturbam-lhes os espíritos, ficam cegos, relevam o óbvio, apaixonam-se antes pelo comezinho, pelo efémero.

Aliviam a consciência de boas almas, de espíritos pios, tal como a empregada marota, que na distracção da dona da casa varre o cotão para baixo do tapete, é a velha máxima que diz, “ o que os olhos não vêem, o coração não sente”. Recordo porém a outra máxima que diz, “ o pior dos cegos é aquele que não quer ver,”e neste ocaso de civilidade que transcorre estes nossos dias é essa cegueira de quem vê que me perturba e deixa triste.

Eu ficaria verdadeiramente espantado se existisse um movimento cívico de construção de casas para quem não têm, um movimento cívico para adoptar os miúdos dos orfanatos e retira-los das garras e agruras da delinquência, um movimento cívico para promover e apoiar através do ensino das visitas ao domicilio e apoio financeiro dos pobres, ensinando a gerir uma casa a poupar dinheiro a tomar banho, a ler e escrever, isto sim seriam movimentos de cidadania de elevação cultural.

Já sei sou um imbecil, um sonhador, um lírico, mas desculpem que vos diga, perder tempo com movimentos do “Sim” ou do “Não”, faz lembrar os chás da caridade do tempo da outra senhora onde se gastava 500 mil réis para angariar 50.

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Bombordo e Estibordo I

Um destes dias ouvi a propósito da luta “aborteira” que por aí anda que existem mais blogues de “Direita” do que de “Esquerda”, logo na blogosfera lusa o “Não” vai à frente, está mais organizado e são mais a botar faladura, a arengar e a apregoar à salvação elevando a alma ao paraíso ou à condenação nas eternas fogueiras do demo, para uma vida triste a arear as braseiras do mafarrico, sim porque lá por aquilo ser o Inferno não quer dizer que seja desleixado, afinal até o Diabo gosta de limpeza.

No meio disto tudo, as crianças são o que menos importa, o que parece ser ponto de luta são as ideologias dos esquerdeirotes ou as beatices dos reaças da direita, digladiam-se ideias, poucas, soluções menos ainda, argumentos torpes e parvos, aqui a rapaziada da direita bate os da esquerda aos pontos, malta com, imaginação esta da nossa Direiteca sacrista!

Dos movimentos “cívicos” pelo “Não” à sacrossanta Madre Igreja é um desfiar do rosário de diatribes, alguns dos argumentos vindos deste lado até dão vómitos de tão imbecis que são, é ver a rapaziada da sotaina e as tias a correr de crucifixo ao ombro prontos para queimar na fogueira os “Ches” e os vermelhuscos, que arvorando as foices e os martelos se lhes opõem, com argumentos libertários que por vezes, devo confessar que andam roçando o anárquico.

Neste entrementes, uma pergunta se impõe, então e as crianças? Ninguém parece importar-se com elas, ninguém parece querer saber, alias anda tudo tão ocupado que nem tempo tem para elas, por isso querem as escolas abertas mais tempo, qual aviário onde se depositam os rebentos.

Os Governos também nada fazem para incentivar a natalidade, a Lei da Natalidade é uma anedota digna de um qualquer pardieiro terceiro mundista, os subsídios à natalidade só funcionam para alguns, todos os outros, aqueles que trabalham e sustentam esta trampa toda tem de arcar com todas as despesas e mais algumas, pagar infantários que escasseiam, escolas miseráveis, manuais que trocam todos os anos e demais maneiras de sugar uns trocados.

Pomposamente apelidada existe ainda uma Comissão de Protecção de Menores, que não protege coisa nenhuma, resultando daí que as crianças deste país estejam a mercê de todo o tipo de malfeitorias sem que ninguém que as proteja, num não mais acabar de imbecilidades e jogos políticos da treta, que não conduzem a lado nenhum.

No meio desta palhaçada toda, Portugal poderia, facilmente resolver toda esta questão e ombrear com os melhores, seguir o exemplo de paragens mais civilizadas desta nossa Europa onde os prazos legais, para o aborto são maiores e mais abrangentes, mais uma vez a rataria que elegemos encolhe os ombros e atira para cima dos eleitos a batata quente, numa atitude de desprezo vergonhoso.

Mais uma vez, perdemos o comboio da maioridade civilizacional, enredados em lutas imbecis que não nos levam a lado nenhum, pessoalmente voto SIM, não que o meu voto sirva para alguma coisa, pois ganhe quem ganhar o aborto irá continuar. Se ganhar o Não, ganham a hipocrisia e os ratos de sacristia, se ganhar o sim ganham os esquerdistas e os “Ches” ganzados dos blocos. Ganhe quem ganhar irá sempre haver aborto ilegal, porque não se eleva o nível de educação, porque não se eleva o nível de prosperidade, porque não se apoiam as pessoas, porque verdadeiramente não se cuidam das crianças.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Volta Kafka que tás Perdoado!

Era uma vez uma senhora que precisou de ir a uma loja e estacionou num local próprio, a tarde ia no fim o sol começava a mostrar a sua sonolência sinal de que se iria retira e dar lugar à sua eterna amante a Lua, a senhora desligou o carro, olhou para o passeio e a uma certa distância um garboso e diligente, representante da Autoridade, olhava para ela com olhos de carneiro mal morto. – Mau! - Pensou a senhora. - Que é que aquele quer!

Saiu da viatura encarou o preclaro agente da Autoridade, este, ao sentir-se ameaçado, a senhora tem um metro e cinquenta e dois e pesa 50 quilos, compôs a fardeta e lançou em tom de verdade científica, - Um pouco melhor estacionado e cabiam ali dois carros!

A senhora, volta a entrar no carro, coloca o cinto e avança com a viatura um metro ou dois, desliga a carripana, tira o cinto, sai, fecha a desdita máquina e encara o inteligente e composto zelador das leis, - Olhe está bem assim!

O senhor das forças policiais, sentindo-se como que desafiado na sua autoridade, achou por bem atirar com a seguinte pérola. – Um metro ou dois para a frente não faz diferença, podia ter andado um pouco mais e estacionado em cima do passeio que ninguém lhe diz nada!

A senhora olha para o cavalheiro fardado, sorriu e voltou-lhe as costas, o outro quedara-se no mesmo sítio, cheio de certezas e a pensar que ele é que estava certo, dois ou três passos mais à frente a senhora, desata às gargalhadas, caramba quem passava haveria de julgar que era maluca, pensou, mas não, ria a bandeiras despregadas de uma coisa que podia ser anedota mas não era, aconteceu ontem ao fim da tarde numa terreola do nosso Portugal.

Eu sou um tipo que acredito nas nossas polícias, que acho que devam ser protegidos e acarinhados, que defendo as polícias sempre que acho ser necessário faze-lo, quem me conhece sabe que sou um acérrimo defensor destas instituições, mas desculpem-me com criaturas destas, não à quem resista.

Que raio de formação recebeu aquele senhor para usar uma farda, então estacionar em cima do passeio está bem porque, “…ninguém lhe diz nada!”

Este história parece uma anedota, de tão rocambolesca que é, dá vontade de rir para não chorar, com a tristeza que tudo isto demonstra, a tristeza de espírito de alguém que é pago para zelar pela segurança dos outros, logo, deve ter formação e demonstrar que é alguém que pode dar um bom exemplo, no pela atitude, passa a ser simplesmente mais um triste exemplo da Lusitana cretinice.

Caramba, é por estas e por outras bem mais graves que nós, teimamos em não evoluir como sociedade, teimamos em não ter regras de civismo e comportamentos de cidadania, então aquilo lá é coisa que um polícia diga!

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Tic…Tac… São Horas Senhor Doutor!

Eles não querem picar o ponto! Porquê? São especiais! Sem dúvida, são especiais, mas na sua grande maioria, portam-se como os outros, sem respeito pelas pessoas, com arrogância e displicência, ao tal juramento que fazem, perdoem-me os bons profissionais, deveriam mudar o nome para Juramento de Hipócrita, porque é assim que se portam estes nossos senhores doutores.

São por demais os exemplos de desmando nesta classe profissional, arrogantes, cheios de si mesmos, embevecidos qual Narciso pela sua própria imagem, como muito bem sabe quem vive no interior, os senhores doutores não querem ir para lá, um centro de saúde no interior, que serve 60 mil pessoas tem uma dotação para 13 médicos e só lá estão 9, porquê?

Porque os senhores Doutores, continuam a tratar de todos nós como se fôramos uns asnos, quando nos salvam, coisa que alias são pagos e muito bem pagos para fazer, atingimos os píncaros, exigem-se todas as alcavalas e honrarias, mas quando a coisa dá para o torto e o paciente ata as cardas, então é o sacudir o capote para que caia a água, porque a culpa nesta terra morre sempre sem casório.

Não me insurjo contra os médicos, insurjo-me contra privilégios de classe, contra a incompetência, contra a podridão que chegou a esta classe de mercenários encapotados, mais uma vez que me desculpem os bons profissionais que ainda os há, insurjo-me contra uma Ordem, que tal qual uma Máfia, manda e desmanda, chantageia e esburga, a pobre da plebe, há uns tempos li num blogue de um senhor que é médico, que ninguém dá valor às agruras por que passam esses profissionais, porque o paciente cheira mal dos pés ou porque não toma banho.

Então senhor doutor, o senhor tão inteligente não sabia que era assim, já se questionou se a pessoa em causa tem água em casa, ou se tem dinheiro para a pagar, terá o senhor aproveitado, visto ser intelectualmente superior, para aconselhar a pessoa sobre as vantagens da banhoca e do uso do sabonete, ou limita-se o senhor a defecar larachas, a torcer o nariz e a ser mal-educado. Problemas laborais todos têm, falta de meios e recursos, ter de inventar, caramba todos passamos pelo mesmo, os médicos não deviam passar por isso, é verdade, mas este é o país que temos, se a juntar a isso as atitudes dos senhores doutores são as que são, a coisa só pode descambar.

Os senhores como agentes da nossa saúde deveriam ter uma atitude mais interventora, mas infelizmente não o fazem, infelizmente na maioria dos casos são mais um exemplo triste desta sociedade de mentecaptos e galfarros, o caso que vou relatar passou-se comigo e é um triste exemplo; há uns tempos fui a um centro de saúde, tinha passado mal a noite, febre, dores de cabeça e má disposição, tanto que nem consegui ir apanhar o comboio para Lisboa onde morava na altura, telefonei à minha mulher e contei-lhe como estava, disse-lhe que ficava em casa da minha mãe, suspeitei de virose, mas não sendo médico quis ir confirmar, lá fui.

Após 4 horas de espera fui atendido, confirmada a suspeita e passada a receita, perguntei ao senhor doutor se me passava um dia ou dois para me recompor. O homem olhou para mim, torceu o nariz e declarou que isso dos dias é complicado, porque torna e porque deixa.

- Então o que é que você faz?

- Sou engenheiro informático, declarei. O efeito da palavra “engenheiro”, foi surpreendente, o homem passou do tom distante ao tom de igual para igual, afinal eu era um “engenheiro”.

– Bem senhor engenheiro, vou passar-lhe aqui uns dias! Afinal tudo se resolvia, o peso do engenheiro dera frutos, um homem risonho, despontava onde antes estivera uma criatura distante e bisonha. O atestado marcava 6 dias, que porreiro. Fiquei em casa um dia para recuperar e voltei ao trabalho, ainda não tive coragem de dizer ao senhor que não sou engenheiro.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Pequeno Tratado da Cavalgadura Lusitana

A Cavalgadura, “Iumentum Lusitanum” é um animal que bem longe de estar extinto, conhece em terras Lusas um franco progresso demográfico, existem vários tipos, cores e feitios de Cavalgadura, sendo que existem também vários graus de Cavalgadurice, um facto porém é insofismável, a Cavalgadura em Portugal, prospera.
A Cavalgadura, conduz a sua carripana, a toda a velocidade, ultrapassa pela esquerda ou pela direita, nem as procelas ou as névoas a fazem abrandar a marcha, a Cavalgadura não se detém por nada, insulta quem anda mais devagar, buzina, acende as luzes, solta impropérios e acelera, de quando em vez a Cavalgadura, marra de encontro a uma árvore e morre, outras vezes, infelizmente, ceifa a vida de inocentes na sua louca corrida.
A Cavalgadura estaciona em cima dos passeios, à frente de garagens ou portas das casas, estaciona em lugares para deficientes e em todo e qualquer sítio, a Cavalgadura tem uma máxima, pela qual rege toda a sua vida, “Primeiro Eu, depois Eu outra vez.” A esta máxima junta o bom senso de um gnu da savana, o gnu como todos sabem é dos animais mais inteligentes do universo.
A Cavalgadura, abre a janela da carripana para deitar lixo para a estrada, cuspir escarros verdes e soltar ranhocas, quando apeada a Cavalgadura exibe o mesmo comportamento porcino, quando dá o aperto na bexiga, a Cavalgadura micta onde calha, mesmo quando existe um urinol próximo, ombreiras das casas, entradas de prédios, caixas de electricidade, caixas Multibanco, árvores, atrás dos contentores do lixo e dos ecopontos, enfim qualquer sítio serve, para alívio da Cavalgadura.
A Cavalgadura, fala aos berros, entra num comboio, num autocarro ou numa repartição pública e toda a gente sabe que ela entrou tal é o berreiro que faz, e se por infeliz acaso recebe uma chamada no telemóvel, aí sim a Cavalgadura faz ouvir alto e bom som a sua edificante voz de Cavalgadura, incomodando toda a gente. A Cavalgadura não sabe ler, finge que sabe, pois nunca lê as informações que estão nos locais de acesso público, depois com o ar mais inocente do mundo diz – Ah desculpe não sabia!
A Cavalgadura, chega sempre atrasada, ao teatro, ao cinema, à escola, bem a todo o lado, assim tem mais hipótese de chatear quem chega a horas, além disso deixa o telefone ligado para que lhe possam ligar, e o agradável som polifónico, pois claro, de uma qualquer músiqueta irritante e estapafúrdia, invada os tímpanos de quem só quer estar em silêncio. A Cavalgadura fala sempre aos berros a qualquer hora do dia ou da noite, o sossego e paz de espírito alheios nada dizem à Cavalgadura, a música lá em casa é sempre em altos brados e os berbequins podem ser ligados à uma ou duas da manhã, sem problema, quem não quiser ouvir tape as orelhas.
A Cavalgadura, tem-se por ser esperta, para ela as bichas para o que quer que seja servem para exercitar a sua esperteza, tentando papar uns lugares, ser atendido primeiro, alias a Cavalgadura é a única que tem pressa, que trabalha e que tem obrigações a cumprir.
A Cavalgadura adora animais, em especial cães, e é ver o desvelo com que a Cavalgadura trata o rafeiro, passeando alegremente pelos jardins, passeios e ruas de Portugal, conspurcando com grossas poias todos esses locais, enchendo de mijadelas as jantes dos carros dos vizinhos e as entradas das casas, é uma alegria.
A Cavalgadura é de todas as cores, sendo porém de notar que, existem Cavalgaduras que por serem de uma ou de outra suposta etnia ou classe profissional, fazem da arte de ser Cavalgadura uma arte superior, são uma espécie de versão de luxo da Cavalgadurice, selvagens, incivilizados, ladrões, sanguessugas, boçais e estúpidos, mas como são Cavalgaduras minoritárias, são o supra sumo da Cavalgadura, vivem acima da Lei da Nação, regem-se por leis próprias, são uma espécie de pequenos estados dentro do estado.
Em resumo a Cavalgadura vai de vento em popa, sosseguem todas as vozes da brigada do reumático de Belém, que se cale Baco e Zeus do trovão ardente, e vós oh musas dos antigos, preclaras anunciadoras das artes e virtudes, lavrem novas loas às Tágides do Tejo, coitadas com as carradas de merdum que o rio tem devem estar lindas, porque no horizonte desponta a Cavalgadura Lusitana, que dará brados ao mundo, tão latos que nem o fero Boreas a fará fracassar.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

domingo, janeiro 14, 2007

Oh Que Surpresa!

Volto ao caso do naufrágio na Nazaré. O Sr. Ministro veio à televisão declarar que, aquilo que qualquer criatura com 2 palmos de testa, já sabia, ou seja os célebres relatórios que encheram páginas de jornais, dizem aquilo que toda a gente sabe, que a Força Aérea e a Armada fizeram aquilo que puderam com a porcaria dos meios que têm.
A montanha pariu um rato, ao jeito dos politiqueiros andrajosos dos últimos tempos o senhor Ministro da Defesa, veio à televisão gastar o dinheiro dos contribuintes para dizer uma série de baboseiras e lugares comuns que não ajudam em nada a melhorar a actual situação miserável.
Diz o senhor Ministro que se vão rever os métodos, para quê, pergunto eu. O problema está na falta de meios, na falta de planeamento, na falta de organização, mas essencialmente nos meios de salvamento que não existem, mais uma vez se anda a discutir o sexo dos anjos, sem que se vislumbre a menor vontade de resolver o problema.
O Sr. Ministro veio à televisão dizer umas larachas, com aquele ar sério de professor de universidade, à espera que os imbecis engulam as patranhas sem mais aquela, pois desengane-se senhor ministro, o ar triunfante com que anunciou que 3 lanchas irão entrar ao serviço, é por si só um exemplo mais que suficiente da realidade patética em que vivemos, bem como dos patetas que julgam governar, alguém diga ao senhor ministro que com 943 quilómetros de costa em Portugal continental, com 667 nos Açores e com 250 na Madeira, essas 3 lanchas são literalmente uma gota de água no oceano, nem sequer são um bom começo.
Senhor Ministro Teixeira, não venha à televisão gastar, dinheiro dos contribuintes para dizer, patetices e lugares comuns, não venha mentir, venha dizer que de uma vez por todas se resolvem os problemas inerentes a este problema, que se transforma a Polícia Marítima em Guarda Costeira, que as equipas de socorro passam a estar 24 horas ao serviço, que os sistemas de radar e recepção de socorro são instalados e ficam a funcionar, que cada capitania disporá de equipas de socorro com material terrestre, naval e aéreo em permanência, sendo que os meios aéreos não devem estar a mais de 10 minutos da costa.
Que os Nadadores Salvadores passam a ser verdadeiros representantes da Autoridade, que passam a ser uma profissão, com elevado grau de exigência, que passam a estar enquadrados na dependência da Guarda Costeira, com legislação e quadro de pessoa próprio.
Senhor Ministro, faça alguma coisa, se precisar de ajuda, eu vou para seu assessor, de borla, sim porque ineptos chupistas que não percebem patavina disso parece que o senhor já tem de sobra.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Conto de Fim de Ano Passado

Era Sábado, o ano acabaria dali a 24 horas, faltava-me pão, diacho, havia que reagir! - Olha vamos os três, aproveitamos e bebemos um café e sempre se passeia um pouco! - Propôs a minha mulher. Olhei para o relógio, 19.30h. Ok. Anui, peguei no piqueno, enfiei-lhe o casacão e o barrete e ala que se faz tarde, rua afora, palmilhamos os cerca de 50 ou 60 metros que distam da minha barraca até uma padaria pastelaria cá da terra.
Estava frio como o raio, as pedras húmidas com a névoa, pouca gente na rua, o cheiro das madeiras a crepitar nas lareiras enchia o ar, apesar do ar festivo das decorações natalícias, adivinhava-se já o fecho da quadra, o espírito natalício estava já arrumado na gaveta, aguardando até ser retirado no próximo Natal.
Entrei na pastelaria, duas funcionárias vegetavam, uma idosa debicava um queque e bebericava um daqueles chás intragáveis que servem nestes sítios, a Elsa pediu o pão e os cafés a empregada gracejou com o meu fedelho que é um grande sem vergonha, porque se mete com todas a gente. Entrou um camarada com ar meio esgazeado, um trolha, como denunciavam as botas atascadas em cimento, o ar esgazeado devia-se seguramente às “bejecas” sorvidas à socapa durante o trabalho, depois admiram-se de cair dos andaimes.
O carro do trolha estava estacionado em cima do passeio, claro, lá dentro quatro pessoas incluindo duas crianças, qual cinto qual cadeirinhas qual nada, o exemplo acabado do “tuga”, boçal, imbecil e incivilizado, entretanto pagamos a despesa, entra uma senhora, muito atarefada pelo ar afogueado, devia ir apanhar o comboio.
O passeio junto à dita padaria tem cerca de um metro e meio, o que aqui para o burgo é excelente, a dita senhora tinha estacionado a carripana junto a porta de entrada do estabelecimento, deixando à vontade 40 ou 50 centímetros para nós os imbecis dos peões andarmos, eu segui com o puto ao colo, de repente dei por ter dado uma cachaporrada no espelho, mas o tloc…tloc, habitual não me fez virar para trás, os espelhos batem e voltam ao sítio, por isso segui.
-Olhe desculpe, o senhor partiu o espelho do meu carro!
- Disse a encomenda, virei-me para trás e vi o espelho dependurado pelos fios, retorqui que pedia desculpa mas não tinha visto e segui.
– Olhe mas aquela senhora viu! Voltou a criatura à carga, nessa altura perdi a cabeça, atirei o miúdo para o colo da mãe dei meia volta e perguntei à criatura. Oiça lá e que quer que eu faça, acha que é minha obrigação andar a desviar-me dos carros que as bestas estacionam em cima dos passeios, ainda por cima com o meu filho ao colo?
- O senhor tem razão mas o espelho está partido, não me dá o seu nome e o seu telefone?
- Olhei para a tipa, se fosse um homem tinha-lhe partido o focinho, assim ri para a alimária virei-lhe as costas disse-lhe Não, não lhe dou coisa nenhuma e se tem algum problema chame a polícia!
A beldroega retorqui que não precisava de chamar a polícia e lá ficou. O meu estômago ardia, como gostava de ser um gajo rico, porque se o fosse, ao carro daquela avantesma, tinha-o deixado em cacos, haveria de ir para casa a pé, com um cheque para comprar outro carro mas aquele ficaria ali feito em trampa para a besta aprender a não estacionar em cima do passeio.
Resta dizer que do outro lado da rua existiam lugares de sobra para estacionar. Porque será que as pessoas são tão estúpidas?


Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Os Velhos Soldados!

Completam-se este mês 40 anos do regresso do meu pai a casa, em Janeiro de 1967 passava à disponibilidade depois de 27 meses 4 dias e 3 horas de Angola, sítio para onde foi atirado de junto com outros milhares, sem saber bem o que lá andava a fazer, mas é como ele diz, “…os homens mandavam e nós íamos…”.
Vem este comentário a propósito de se lembrarem, todos aqueles que deram a sua juventude, sangue e lágrimas em prol da Pátria, os antigos combatentes, os veteranos, os velhos lobos das guerras, de todas as nossas guerras, a quem devemos respeito e carinho, mas que como sociedade nunca soubemos apoiar.
Noutras paragens, os veteranos, são acarinhados louvados e apoiados, por cá como de costume, nada, uma fria sensação de esquecimento, uma vergonha não sei de quê, como sociedade rejeitamos durante muito tempo os combatentes, os seus estropiados e mortos, colocados numa prateleira fechada e remetidos para o passado, o seu passado, cheio de fantasmas, de noites sem dormir de mil lágrimas e imagens de terror.
Neste país de trampa, anda tudo ao contrário, os heróis são esquecidos e vilipendiados, as ratazanas, chupistas condecoradas e engordadas. Pouco ou nada se tem feito para apoiar estes homens, o stress de guerra, as feridas que não saram, as maleitas físicas, quase tudo fica por apoiar, ainda que num arroubo de demagogia barata um pedante Ministreco da Defesa tenha enchido a boca dos jornais e televisões com uma mirabolante compensação da reforma, para os antigos combatentes, uma falácia como muito bem sabem os homens que deixaram a sua juventude, nas bolanhas, chanas e picadas da terra vermelha de África.
Noutras terras até existem vejam lá o disparate, casas de acolhimento específicas para velhos combatentes, onde são tratados com todo o carinho e atenção, existem departamentos de ministérios, próprios para solucionar os problemas de quem lutou em nome do país, por cá é o absurdo do esquecimento, a tristeza do abandono, a vergonha de assumir a responsabilidade.
Vão calando as vozes porque essa geração está a desaparecer, como aconteceu aos veteranos da Primeira Grande Guerra, é cada um por si, nem mesmos as associações como a Liga dos Combatentes ou a Associação dos Deficientes das Forças Armadas, parece conseguir que os governos acertem agulhas e de uma vez por todas rectifiquem a sua conduta e façam justiça a estes homens.
Na cabeça de muita gente ainda andam muitos macaquinhos, pede-se tudo para toda a gente, todo o gato sapato traposo que aqui cai vindo de qualquer pardieiro, vem logo reclamar, casa, escola, subsídio e demais mordomias sem nada dar em troca, ao invés a estes homens que deram o melhor do que tinham, nada lhes é dado a não ser desprezo, mentiras e promessas vãs.
Deixo aqui a homenagem sentida a estes homens que deram muito e receberam quase nada, homenageio os homens, não as politicas e as guerras ou as doutrinas, nada disso me interessa, é aos homens que devemos respeito e dedicação, pela entrega e pelo sacrifício, porque lutaram em nome de uma Pátria que lhe virou as costas, é para todos esses soldados anónimos que vai o meu obrigado.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Pura Incompetência!

“Luz do Sameiro” era uma embarcação de pesca costeira que naufragou à vista de terra na zona de rebentação na praia da Légua junta à Nazaré, daí resultou a morte de 6 homens que foram abandonados à sua sorte, apesar de existir uma coisa pomposa que se chama Centro Distrital de Operações de Socorro, que parece ter a mesma função que a Comissão de Protecção de Menores, ou seja serve para muito pouco e o pouco que faz não serve a ninguém.
Cobrindo o Sol com a peneira o Ministro Severiano Teixeira anunciou um inquérito à actuação da Marinha e da Força Aérea, a quem erradamente os sucessivos governos ineptos imputam as missões SAR*, digo erradamente porque não é de todo missão das Forças Armadas faze-lo, não quero com isto dizer que não o possam e devam fazer. No entanto não no formato actual.
Estes homens morreram a 50 metros do areal por culpa destes governos de incapazes que nos têm governado nos últimos 30 anos. E porquê? Simples, reparem que não vou inventar nada, basta ver o funcionamento deste tipo de instituições, noutros países. Cada capitania deveria ter em permanência uma equipa de busca e salvamento, com equipamento moderno e capaz, não com as relíquias museológicas que equipam as parcas equipas de busca e salvamento actuais, todos os portos deveriam estar também servidos de meios aéreos em permanência.
Tudo isto seria possível se existisse uma Polícia Marítima em condições, num qualquer país civilizado o que é que acontece? Existe uma Autoridade Marítima cuja orgânica de funcionamento se divide em três missões prioritárias, Fiscalização, Vigilância Balnear e Busca e Salvamento. Por cá é a rebaldaria, as capitanias são atribuição da Armada, pelo meio existe uma coisa tímida que é a Polícia Marítima, que anda sem meios, há uns anos nem casacos de Inverno tinham, depois o Instituto de Socorros a Náufragos e por último a Armada e Força Aérea com os parcos meios que possuem, junte-se o Ministério da Defesa, da Administração Interna, mais o gato e o cão e daqui resulta a actual barafunda, resultam também vidas desperdiçadas que poderiam ser salvas, culpa de quem, dos do costume que se fecham nos gabinetes a ganhar bolas de sebo no traseiro ao invés de fazer aquilo para que regiamente são pagos.
O senhor ministro Teixeira demonstrou ser também um distraído, com esta palhaçada de investigação, vai investigar o quê? Vai chegar a que conclusão? Vai investigar algo que já deveria saber, se não sabe é porque não presta para a pasta que ocupa, o que acredito ser verdade, concluindo que a Marinha faz o que pode e a Força Aérea também, brilhante, sem dúvida.
Em resumo aqueles homens só morreram porque os nossos governantes são uns incapazes, ineptos e incompetentes, que não percebem ponta de chavelho do que andam a fazer, desbaratam recursos em porcarias cretinas, não investindo onde deviam, para segurança de quem vota neles. Uma ressalva porém não são só os governantes, é toda aquela súcia politiqueira, que inclui também as oposições, que não têm a mínima pista do que é um país como este, esgotando o seu tempo em questiúnculas ridículas e minudências imbecis, ficando por resolver as necessidades do país real.
*Search & Rescue – Busca e Salvamento”
Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

terça-feira, janeiro 02, 2007

Os Velhos Contos de um Ano Novo

Eis que desponta o novo ano, o 2007 da graça do Senhor, um ano que gostaria que muitas coisas mudassem para sempre, idealista, que a paz e concórdia existissem de verdade, utópico, senão não valerá a pena embandeirar em arco sempre que se passa mais um ano, para que tudo fique igual.
Neste novo ano gostava, que alguém finalmente, fizesse algo em prol das crianças em risco, que alguém finalmente tivesse a coragem de dizer que a Comissão de Protecção de Menores é uma anedota, que nada faz, se calhar por falta de meios. Ficaria encantado se alguém, pensasse em colocar a questão da segurança destas crianças acima de qualquer interesse, seria realmente algo a comemorar.
Gostava de finalmente assistir a julgamento em que um médico fosse efectivamente condenado por negligência médica, gostava de ver a grosseira farsa que se vive neste país, onde as classes vivem acima das leis, gostava de ver essa farsa terminar, gostava de ver os farsantes enjaulados, gostava de ver o senhor doutor perder a arrogância e a licença, assim à laia daquilo que se faz noutras paragens onde as coisas são sérias.
Gostava de ver um ministro, verdadeiramente sapiente e dominando as matérias do seu ministério, que ao invés de perder tempo e gastar dinheiro em estúrdias comissões de investigação para apurar se ouve falhas por parte de deste ou daquele, fizesse algo para finalmente criar uma polícia marítima em condições com meios adequados e que não demore 5 horas a não salvar uns pobres desgraçados que morreram só por viverem num país de trampa como este.
Gostaria de ver um Natal e um fim de ano onde não se morresse de forma estúpida, nas estradas desta terra, gostaria de estar num país onde a estupidez o desrespeito e a boçalidade não sejam a marca dos seus habitantes, onde se morre mais a conduzir do que em sítios onde existe guerra.
Gostaria de ver um corrupto condenado, um qualquer desses milhares de borra-botas, patos bravos que por aí circulam, com os bolsos cheios do dinheiro sujo das negociatas e falcatruas, da construção do futebol das câmaras e de todos esses antros de intrujões que este país acoita sob a capa de pessoas de bem, gostaria de ver pelo menos um condenado.
Gostaria de chegar ao fim do ano e não ter nada para dizer, não ter assunto, não ter absoluta e rigorosamente nada para dizer, deste país, sei que é utópico, sei que é sonho, mas caramba, não é o sonho que comanda a vida! Que sempre que o homem pensa a obra nasce, então, com mil raios, que estais à espera?

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sexta-feira, dezembro 29, 2006

FELIZ ANO DE 2007 PARA TODOS


Para todas as amigas e amigos da blogosfera e famílias o Barão deseja um excelente e Feliz ano de 2007, cheio de esperança e força para enfrentar a maré. Volto para o ano.
Um grande abraço deste mui vosso amigo
Francisco Pereira

terça-feira, dezembro 26, 2006

Num Jardim do Subúrbio

Ainda com a última fatia de bolo-rei a dançar no gorgomilo desci, a fria escadaria daquele prédio até à rua, recostei-me na ombreira da entrada e fiquei ali a fumar um cigarro enquanto via a fauna que aquela hora enxameava o pequeno jardim que é o centro da terreola.
Encostados a uma das entradas do jardim, dois marmanjos mal encarados, vestidos com fatos de treino de corres berrantes, confabulavam entre si, de tempos a tempos aproximava-se um jovem transeunte, trocavam-se umas palavras e uns apertos de mão, eles ficavam e o outro seguia, depois outro e outro ainda. São ambos oriundos de Leste, trabalham nas obras e traficam haxixe.
Não muito longe dali, quatro cidadãos de origem africana deleitavam-se a beber cervejas de litro, atirando de seguida as vazias para detrás das sebes do jardim, num esplendoroso exemplo da alegria africana, evidente que os tipos nunca estiveram em África, não possuem a dignidade e a bonomia dos verdadeiros africanos, são isso sim, uns bandalhos nascidos cá, que se divertem a ser imbecis.
Um pouco mais ao centro sentados num banco sob a radiosa copa de um enorme e bonito abeto das florestas do norte, que cresceu aqui, longe da família, três rapazelhos, dignos exemplos da sua geração, os representantes do futuro, enrolam charros uns atrás dos outros tipo linha de montagem.
Um pouco mais longe duas crianças, brincam no exíguo parque, vigiadas pelas mães, que se entretém a ler revistas cor-de-rosa, de tão preocupadas estão com a cor das cuecas da marquesa, ou em saberem que a filha do milionário sicacrano, comeu um trolha, que nem reparam que os dois fedelhos se engalfinham e tentam arrancar os olhos um ao outro.
Protegidos por uma área coberta e recebendo o sol de frente, uma vintena de idosos, agita-se em alegre algazarra, entre um jogo de cartas, um escarro para o chão, uma fugaz olhadela para a pernas da piquena que está sentada com o namorado num banco do outro lado.
Pelo meio da jardim passa um rapazola, barrete estúpido à americana, calcinha de camuflado, um bardamerda que nem à tropa foi, cão pitbull sem açaimo nem trela, orelhas com argolas de ouro, ali vai ele, o tipo acha-se o máximo, e tem razão. É o expoente máximo da geração “E”de Escumalha, esta geração que irá, não sei como, trabalhar para pagar o desenvolvimento deste país.
Naqueles 30 ou 40 metros quadrados estava resumido todo o meu país, todas as suas aspirações, e projectos, as suas gerações hipotecadas neste marasmo, que porra de futuro, um arrepio percorreu-me as costas e não era do frio.

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Feliz Natal Rapaziada!

Vou Natalar uns dias, Terça estou de volta, até lá desejo-vos a todos um excelente Natal.

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Monstros e Mostrengos, Diabos e Diabretes, Tiranos e Tiranetes.

O Século XX foi fértil em monstros, que levaram multidões ao êxtase e ao extermínio, uns melhores outros piores outros nem por isso, existe porém uma barreira cronológica que permite classificar estas aberrações, essa barreira é a Segunda Guerra.
Até 1945, aparecem os grandes monstros, Estaline e Hitler. Os mostrengos, Franco e Mussolini e o tiranete Salazar, fizeram e ainda fazem a delícia dos historiadores e de quem gosta de história, para além da paranóia e das personalidades atormentadas, alguns destes homens eram verdadeiros doentes mentais, curioso que de todos só Salazar desponta como alguém intelectualmente capaz, sendo que os outros eram todos um pouco limitados.
A seguir à guerra, a libertação traz a Guerra-fria, surge a mais longa e distinta lista de tiranos e tiranetes regionais, verdadeiros mostrengos homicidas, capazes das mais torpes vilezas. Os europeus assistiram ao aparecer, sob o patrocínio do antigo papão vermelho, tiranetes vários do quilate de um Ion Ceausescu na Roménia, de um Enver Hoxa na Albânia ou de Erich Honecker, na antiga RDA, rapaziada que levou os países que tiveram a infelicidade de os aturar, à beira da ruína. Á Polónia tocou em sorte, Wojciech Jaruselzski, todos se recordarão ainda de Lech Walesa e dos Estaleiros de Gdansk, bem como do Solidariedade, menos conhecidos serão Dimitrios Ioannides da Grécia ou o Arcebispo Macários do Chipre. Em comum o facto de todos terem cometido todo o tipo de atropelos à dignidade do Homem.
África viu também nascer no seu seio dos mais cruentos e sanguinários monstros da segunda metade do Século XX, recordemos Idi Amim e Milton Obote do Uganda, Jean-Bédel Bokassa da antiga Republica Centro Africana, Haile Mariam Menghistu da Etiópia, Hissène Habré do Chade, Ibrahim Babangida da Nigéria, Felix Houphouet-Boigny da Costa do Marfim e o talvez mais famoso Muhamar Kadaffi da Líbia, entre uma longa lista de homicidas cleptomaníacos e desvairados.
Relembre-se os monstros asiáticos, Mao Tsé Tung da China, um assassino lunático, Pol Pot do Cambodja, um monstro sedento de sangue, Thojib Suharto da Indonésia mais um cleptomaníaco, Nursultan Nazarbayev Khazakhstan o amigo do Borat, Ruhollah Khomeini do Irão, a tal criatura desprezível e macilenta que sob aquele ar de ancião frágil escondia toda a demência de uma besta sanguinária, Ferdinand Marcos, outro excelente exemplo da pirataria de Estado e porque não para terminar a secção asiática, Saddam Hussein por demais conhecido.
As Américas também não ficaram indemnes, de Pinochet no Chile a Somaza na Nicarágua, passando por Alfredo Strossner do Paraguai, Papa Doc e Baby Doc e os seus Tonton Macoute do Haiti, misturando feitiçarias e política. De Humberto Branco do Brasil, a Fulgêncio Batista e Fidel Castro de Cuba ou Jorge Videla da Argentina.
A esta longa lista de loucos assassinos que em maior ou menor grau cabem aqui ainda muitos mais que por exiguidade de espaço não serão referidos, existe porém um denominador comum todos eles foram criados alimentados, treinados, financiados, armados e posteriormente abandonados por uma das grandes potências da altura, os Estados Unidos ou a antiga União Soviética.
Neste capítulo os Estados Unidos levam a melhor sobre os seus antigos inimigos, actuais amigos assim, assim. A “Pax Americana” produziu os mais insignes monstros do Século XX, quem armou e alimentou e treinou, Saddam, Amin, Papa Doc, Batista, Videla, Pinochet, Somoza, Marcos, Boukassa, Suharto, Strossner, entre outros, quem foi? Adivinharam! Foram os Estados Unidos, a rapaziada de Langley, andou numa roda-viva nos últimos 50 anos, promovendo tiranos, branqueando as monstruosidades dos seus protegidos e vendendo-lhes armas. Isso ou minando os governos que por um outro motivo não interessavam, treinando e financiando guerrilhas, fornecendo apoio logístico e armamento, durante a nossa guerra colonial os Estados Unidos vendiam armamento secretamente a Portugal, à Unita, à UPA ao MPLA e à Renamo.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Particularidades

Todas as localidades têm particularidades, que atestam o seu grau de civilidade e desenvolvimento, determinados traços culturais que marcam as suas gentes e que maculam mais tarde ou mais cedo, todos aqueles que não sendo indígenas, ficam por muito tempo expostos a estes comportamentos, a minha terra não foge à regra, possuidora que é de umas particularidades, particularmente particulares que transformam a vida nesta terra num nunca mais acabar de risota, o meu amigo Mário chama a isto a “mentalidade do agricultor”, o bom observador entrará em delírio com a singeleza das características locais.
Uma das características da maltinha cá do burgo é a inveja. A rapaziada desunha-se para que a dele seja maior do que a do vizinho, preocupa-se até ao tutano, como é que fulano ou sicrano conseguiu o tal carro ou a tal casa, as jantes especiais ou o telemóvel com o hino da selecção, as piquenas copiam umas das outras ou das revistecas cor de rosa os modelitos, arreadas nas lojecas da moda suburbana da Lusa cidade capital, um fim de semana de eleição é ir entupir um qualquer centro comercial de Lisboa, visitar todas as lojas de trapos, trazer uma blusa igual à da Micas, umas calças tão giras como as da Manuela ou uma echarpe igual à da Pipinha e comer hambúrgueres, é só rir.
Outra característica extraordinária é a seguinte, imaginem que contratam alguém para vos fazer uma qualquer tarefa, arranjar o telhado, o carro enfim qualquer coisa. O trabalho é pago e fica mal feito, vocês reclamam e surpreendentemente o que acontece é o tipo que contrataram, ficar de mal convosco, deixa de vos falar, simplesmente porque vocês, reclamaram, digam lá que não é divertido.
Outra que é típica cá da terra é a seguinte, imaginem que um qualquer mentecapto estaciona o carro em cima do passeio e em contra mão, a rua fica congestionada, vem o carro do lixo, sejam 2 ou 3 ou 4 da manhã e larga de buzinar, a malta acorda, irrita-se e diz ao prevaricador, que da próxima chama a polícia, o tal mentecapto ainda responde torto, toda família do dito energúmeno numa atitude de companheirismo familiar deixa de cumprimentar e de falar à pessoa que reclamou. Esta é uma situação corrente, criticar alguém abertamente aqui na terra dá direito a que quem comete cretinices deixe de falar com quem aponta a falta, se eu disser a alguém, cujo rafeiro pulgento, pespega de trampa o passeio, porque é que não apanha a trampa a resposta é imediata, - Oiça lá que é que você tem que ver com isso! – Exclama irritada a torpe criatura. Brilhante não é. Ou seja ao invés de reconhecerem o erro, pedirem desculpa e serem cordiais, as pessoas são mal-educadas e boçais, comportando-se como autênticos babuínos, numa orgia de estupidez colectiva. Um pagode é o que é.
Outra característica são as amorosas velhinhas, cuidado, é só o que vos aconselho, pois enquanto desfiam o rol das trezentas e setenta e oito maleitas que as afligem, mostrando um ar absolutamente infeliz, aproveitam a vossa distracção e sincera preocupação, com a ligeireza de um Flash Gordon ou de um Relâmpago, surripiam o vosso lugar na bicha do supermercado da farmácia ou de outro qualquer sitio sem que vocês dêem conta, quando finalmente percebem que foram levados no bico pela frágil, aparentemente, anciã, já é tarde. É de morrer a rir.
Outra característica que enerva é o estacionar em lugares para deficientes, cá na terra existe um Modelo, bem um Modelinho viso ser pequenino, onde existe um parque de estacionamento com alguns lugares, para deficientes, que curiosamente estão muitas vezes ocupados, por gente que a única deficiência que possui é intelectual, porque o seu modo pouco cívico e falta de respeito é preocupante, pois indicia um grave problema cerebral. Existe também a sui generis mania de colocar grades de madeira ou outro tipo de traquitanas a guardar lugares de estacionamento, de preferência frente à porta, local que no conceito de posse aqui da malta é dos próprios, como se a via não fosse de todos, que hilariante, não é.
Por último, uma característica que me irrita, aqui na terra não fazem absolutamente nenhuma ideia do que é guardar distâncias, do que é o respeito pela privacidade e pelo espaço dos outros, é vulgar estar numa bicha no supermercado e a criatura que está atrás, estar colada a vós, tão próxima que se lhe sente o hálito a alho, ou no Multibanco, enquanto digitam o código lá está algum emplastro coladinho, tão coladinho que visto de longe até podem pensar que vocês são gémeos siameses. Ou então num balcão de um café, que tem montanhas de espaço livre, vem pespegar-se ao vosso lado, passando à vossa frente sem sequer pedir licença, caramba é irritante.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Comendas e Encomendas

Nas minhas deambulações Blogueiras, li um post um destes dias, onde o seu autor discorria sobre as medalhas, as comendas e todo as essas traquitanas que a rapaziada adora. Ora sendo aqui este cantinho, um local atento e insuspeito o Barão lança a proposta para a criação de várias ordens, para a atribuição de comendas e medalhas, se for aceite, esta proposta, dará um colorido novo à cerimónia que Sua Excelência o Senhor Presidente da Republica promove, agraciando assim personalidades em novas áreas de excelência, que até agora permaneceram num injusto e injustificado olvido.
O Barão propõe assim a criação das seguintes Ordens e respectivas condecorações:

Grande Ordem do Engraxador de Esquinas
Destina-se a premiar todo o cidadão que de forma abnegada passe os dias a limpar as esquinas dos prédios, moradias e demais edifícios, privados ou públicos, vivendo à conta dos vários subsídios atribuídos pelo Estado.
Esta Ordem deverá ter os seguintes Graus:
Medalha de Prata
Medalha de Ouro com Palma
Grande Colar

Grão Colar da Sabujice
Destina-se a atribuir a todo o cidadão que revele a capacidade extraordinária de dizer bem do Governo, dos Deputados e ou dos Partidos Políticos.
Grande Ordem da Barraca Étnica
A atribuir a cidadãos de minorias étnicas que se distingam na obtenção gratuita de várias habitações e subsídios, em diferentes concelhos do país, utilizando moradas, bilhetes de identidade e demais documentação falsos, conseguindo assim ludibriar um país inteiro.
Esta Ordem deverá ter os seguintes Graus:
Medalha com chave de t2
Colar com Palma e chave de t3
Comenda com chave de moradia com garagem

Grande Ordem do Xico Esperto
Destina-se a premiar todo o cidadão que, faz da estupidez e da boçalidade a sua arma contra a sociedade, pretende esta ordem premiar todos os que rodeiam, subestimam, obviam e não cumprem as leis, todos os que passam às frente nas bichas, que estacionam em locais para deficientes e em cima dos passeios.
Esta Ordem deverá ter os seguintes Graus:
Medalha
Colar com Palma
Comenda

Comenda da Cabala
A atribuir a todos os políticos vítimas de cabalas ao longo da sua vida e que a seguir escrevam livros.

Ordem de Cavalaria do Mérito Anti Desportivo
Destina-se a premiar todo o cidadão que, compra árbitros, falseia resultados desportivos, vigariza e ludibria o Estado, arranja todo o tipo de manigâncias, falcatruas e galfarrices, de preferência que envolvam futebol.
Esta Ordem deverá ter os seguintes Graus:
Cavaleiro
Mestre
Comendador

Grande Ordem da Saponária
Destina-se a premiar todo o cidadão que, demonstrando um elevado grau de respeito pelo ambiente, mostre estar ciente de quão importante é poupar água, evitando gastos supérfluos como sejam os banhos.
Esta Ordem deverá ter os seguintes Graus:
Sabonete com folha de carvalho
Sabão com Palma
Comenda do Gel de Banho

Ordem de Mérito Anatídeo
Destina-se a premiar todo o cidadão que, promova a sã convivência entre todo o tipo de anatídeos, patos, gansos, cisnes e marrecos bravos, construindo, fazendo trocas e baldrocas de terrenos, facturas falsas, negócios escuros envolvendo câmaras, clubes de futebol e construção civil.
Esta Ordem deverá ter os seguintes Graus:
Medalha do Cisne
Colar do Marreco com Palma
Grande Comenda do Pato Bravo

Estou seguro, que Sua Excelência o Senhor Presidente da República, dará ouvidos a estas excelentes propostas que contribuirão seguramente para o aumento da produtividade, para a auto estima e espírito empreendedor dos portugueses.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Um Pequeno Gesto

À minha frente caminhava uma menina, não teria mais de 8 ou 9 anos, aquela hora, ia para a escola de certeza, era uma manhã fria, meio lusco fusco, enevoado o firmamento e prestes a verter, caminhava decidida, degustando o famigerado Bolicoiso recheado daquele chocolate de sabor nojento e bebendo um Aisseti de pêssego, alguns passos atrás eu seguia distraído a olhar as cegonhas que incansáveis volejavam nos altos, e o que me fez reparar na miúda? Um gesto, um pequeno gesto! Parou, baixou-se e deixou a lata vazia em cima de um canteiro de relva, daqueles que ornamentam por vezes os passeios, e que estão cheios de bosta dos rafeiros da vizinhança, escarros e beatas de cigarro.
Três coisas assaltaram de imediato a minha triste e delirante cabeça, de pardal telhado avoado, em primeiro aquilo que a miúda ia a comer, certamente o pequeno-almoço. Um refrigerante cheio de açúcar, corantes conservantes e demais balhanas, que pode ser a coisa melhor do mundo mas nada próprio para uma criança daquela idade ingerir logo pela manhã, junte-se a isso o tal Bolicoiso, que mais não é, do que uma mistela infecta, afogada em açúcar, com pretensões a passar por pão recheado com chocolate. Temos pois uma brilhante associação, um cocktail explosivo propiciador de maleitas várias, da obesidade à diabetes, pobre criança.
O pensamento seguinte foi pensar, no tipo de gente que educa assim uma criança, não gostam seguramente dos filhos, pois se gostassem não deixariam que se alimentassem desta forma verdadeiramente suicida, depois não os sabem educar como vereis na terça coisa que me veio à cansada cabeça, gente desta deveria ser punida por Lei, ou fazer um curso para aprender a ser responsável e a cuidar de forma decente desse bem precioso que é um filho, fiquei irritado, apetecia-me gritar, perguntar à miúda quem eram os seus pais, ir lá bater à porta e chamar-lhes todos os nomes.
Por fim comecei a pensar, ali estava aquela criança, fartinha de ser bombardeada com mensagens para cuidar do ambiente, para não sujar o chão e demais projectos da tanga ambientalista, para ser amiga do ambiente e porque torna e porque deixa, mas nada disso surtira efeito, à primeira oportunidade a pequena comporta-se como uma digna bacorinha filha de suínos encartados.
Aquele pequeno gesto traduzia de forma simples a ruína absoluta de todos os projectos educacionais dos últimos 30 anos, sim porque os pais da criança não teriam mais de 40 anos, logo já tinham, eles também, sido bombardeados com muita informação sobre a necessidade da protecção do ambiente, da limpeza e da educação, do civismo e respeito pelos outros, parecia pois que como há 30 anos, esses mesmos projectos falhavam de novo.
Com os primeiros raios de do Sol que entretanto me ofuscaram, pensei, sem família sem educação, com os pais a demitirem-se de educar os filhos, nunca conseguiremos ser uma sociedade em equilíbrio, estamos condenados a ser uma sociedade a 2 velocidades, a da minoria, respeitadora e preocupada, participativa e empenhada e a velocidade da maioria lorpa, da carneirada boçal e cretina. Seguia a remoer estes pensamentos quando ouvi, – Sai da estrada oh palhaço!
- Pedi desculpa e saí do meio da estrada tão distraído que ia, aquele pequeno gesto deixara-me de rastos, que futuro caramba, que futuro, começava bem o meu dia!

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Por Medo!

A actual sociedade portuguesa enferma de variados males, um desses males que eu pensava ter desaparecido, é o Medo. È um facto! Nós andamos com medo, com muito medo. Essa cagufa, advém de várias origens, mas redunda sempre no mesmo sentimento, e sintomas, dores de barriga, uma espécie de borboletar na boca do estômago, enfim Medo!
Temos medo do futuro já que o presente está de certa forma nesta impávida estagnação diletante, onde uma meia dúzia de parolos põe e dispõe a grande massa colectiva obedece sem escolha, nós andamos à laia de rebanho, balindo pelo monte até a faca do degolador nos surpreender.
Este Medo, que nos oprime, faz-nos recear pelo emprego, porque não há estabilidade nem vislumbre de tal coisa, ah e não julguem que a tal “Flexinãoseiquemais” vai piorar as coisas, nem por isso, quem trabalha no sector privado sabe que isso já por cá é aplicado há muito tempo.
Receamos falar demais, porque não podemos, falar, quem nos governa nos vários níveis de governação ou o simples superior hierárquico, usam a máxima, “ se não está por mim, está contra mim”, parece que já ninguém, sabe receber críticas e muito menos aceita-las, resulta daí que não se fala por medo, não se age por medo, essa medo tolda toda e qualquer tentativa de reacção, os professores têm medo, os policias têm medo, os militares têm medo, os trabalhadores têm medo, os cidadãos têm medo. E de quem têm eles medo? Dos ministérios, dos Governos, dos patrões, dos colegas, das câmaras, de todos aqueles que sabemos que nos podem de alguma forma prejudicar.
Vivemos prisioneiros do Medo, que nos obriga a colocar grades nas janelas, que nos impede de sair à noite, que nos obsta a entrada em certos locais, temos medo, medo de um determinado tipo de pessoas, porque sabemos que ficam impunes, porque cobardemente se acoitam sob leis que não são as mesmas que a todos nós, nos obrigam a cumprir, temos medo de andar na estrada, por causa dos assassinos sobre rodas que todos os dias fazem mais vitimas. Temos medo de voar por causa dos parvos do terrorismo, medo de respirar por causa do fumo do cigarro do tipo que caminha à nossa frente, vivemos apavorados, não dando sequer conta disso, o Medo é o culpado daquela angústia que não sabemos explicar, que nos faz suar em dias frios e ter a boca seca.
Temos medo do que possa acontecer aos nossos filhos, em locais como as escolas que deveriam ser sítios acima de tudo seguros e não são, vivemos em pânico, uma sociedade que vive assim vive em desequilíbrio, ninguém pode falar, por medo de represálias, ninguém pode discordar por medo de coacções e repreensões, muitos calam até o medo que sentem fugindo à realidade.
O facto meus amigos é que vivemos no Medo, numa sociedade medrosa, que tarda em tomar o pulso ao seu rumo, amedrontada, pelas minorias, pelos bairros, pelas etnias, pelos poderes ocultos e visíveis, pelas etnias e faltas de cidadania, vivemos cobardemente e não admira que possamos morrer de forma cobarde, afinal se vivemos assim tão cobardemente, merecemos morrer de forma cobarde.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quinta-feira, novembro 30, 2006

Regime de Excepção ou Talvez Não!

“…este Governo não pode pactuar com regimes de excepção no sistema fiscal…” esta frase, foi ontem proferida pelo senhor Ministro das Finanças, por ocasião, do debate sobre o Orçamento de Estado e a propósito da excelente, soberba e inteligente medida de malhar na malta deficiente e faze-los pagar impostos.
Ora se eu fosse um gajo mal-educado e imbecil, eu diria Sr. Ministro vá bardamerda! Acontece porém, que não sou, mal-educado, sou um honesto trabalhador, pagador de impostos, que por acaso é deficiente, não tenho nenhuma isenção, alias nunca tive nem quero, alias do Estado Português, quero distâncias largas e comprimentos grandes, mas fico preocupado com amigos, deficientes, com várias tipos de deficiência, aos olhos do Sr. Ministro, uns malandros privilegiados.
Fico preocupado quando se diz não haver dinheiro e se atiram com estes números”… as pensões entre 354,11 euros e 596,79 euros aumentam 3,1%, as pensões de entre 596,80 euros e 2387,16 euros sobem 2,6%. As pensões de entre 2387,17 euros e 4774,35 euros aumentam 2,4%...”*. Então os Senhores Ministros ajuízam como lógico que quem ganha quase 5000 Euros de reforma, necessite de um aumento de 2,4%, se fizerem as contas quem ganha 354 Euros fica com mais uns tostões para sobreviver mais um dia, comendo uma sandocha uma peça de fruta e água da torneira, quem ganha 4774 Euros arrecada mais uns trocos para papar um camarãozito e beber umas bejecas. Isto é a tal justiça que os senhores apregoam? Não isto é um regime de excepção com o qual os senhores já compactuam, e porquê, é simples basta ir ver ao Diário da Republica a lista dos aposentados logo se percebe.
Ora se eu fosse um gajo mal-educado e imbecil, eu diria Sr. Ministro vá bardamerda! Como não sou, pergunto antes, porque é que toda a parafernália de Leis que supostamente protegem os deficientes, não se aplica à realidade desta terra, porque felizmente o Sr. Ministro não é deficiente, porque senão saberia do que estava a falar. Ora o Sr. Ministro não faz a mínima ideia do que estava a falar, porque senão o Sr. Ministro teria feito uma alusão à vergonhosa situação fiscal da Banca, que só paga o que quer e mesmo o pouco que paga é chorado, lamentado e sacado a ferros. Falaria também daquela rapaziada que anda por aí, com casa à borla em bairros sociais, com belas carrinhas, com pistolas e caçadeiras de 12 tiros, com anéis de ouro a vender nas feiras e que não pagam um corno, ainda ganham todo o tipo de subsídios e estão isentos de tudo. Falaria também de Advogados, Clubes de Futebol, Futebolistas, Médicos, Arquitectos, Engenheiros e Empresários e Políticos que declaram ordenados mínimos, que pagam o mínimo dos mínimos e ganham colossais somas.
Ora se eu fosse um gajo mal-educado e imbecil, eu diria Sr. Ministro vá bardamerda! Mas como não sou mal-educado, prefiro educadamente sugerir ao Sr. Ministro, que extinga a bandalheira da Lei de Financiamento dos Partidos, que faça os seus amiguinhos, politiqueiros abdicar das reformas milionárias que auferem, quais sanguessugas que sugam até ao tutano a Caixa de Previdência, comece onde está a prevaricação, comece por quem realmente é injustamente privilegiado, não cometa os mesmos erros, dos outros que criticou, não carregue mais o burro, porque um dia pode acontecer que o animal se recuse a andare lhe dê uma bela parelha de coices. Recorde-se que o senhor é Socialista, ou supostamente é Socialista, o que quer que isso signifique, provavelmente sou eu que laboro num erro e não saiba o que é o Socialismo.
Ora se eu fosse um gajo mal-educado e imbecil, eu diria Sr. Ministro vá bardamerda! Diria mais, vá o senhor bardamerda mais a corja de incapazes do seu Governo! Isto diria eu se fosse mal-educado, mas como não sou, antes pelo contrário, sou respeitador das instituições, peço ao Sr. Ministro que tome uma atitude digna, demita-se, engula uma ou duas granadas e rebente, era um excelente presente que daria a todos os deficientes e se puder faça-o numa reunião do Conselho de Ministros, assim sempre ia acompanhado até `a barca de Caronte, e as portas do Hades são logo ali na outra margem do Estige, eu mesmo lhe darei o óbolo para a pagar a portagem ao infernal barqueiro.

* in, Jornal " O Público" edição de 30 de Novembro de 2006

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, novembro 27, 2006

O Tony Blair Portuga e outras aves de arribação!

Este post era para ser sobre a gripe aviária, mas como a ameaça parece ter caído no esquecimento depois de nos terem massacrado até às meninges com alertas e prevenções, cientistas e opiniões, notícias da treta em todas as televisões, resolvi atacar por outro lado.
O nosso PM cultiva as parecenças, com o seu homónimo Inglês, tal como ele pretende ser o menino bonito do Socialismo Português, as atitudes são quase as mesmas, o culto do teddy boy do século XXI, o ar descontraído, longe da posse sorumbática e cinzentona da politicada do antigamente, o nosso PM esforça-se por parecer renascido todos os dias, faz da inflexibilidade um bordão para se segurar ao poder.
No entanto há diferenças que aqui fazem toda a diferença, Portugal não é o Reino Unido, a capacidade económica nem de perto nem de longe se assemelha, o que lixa o nosso Toni Blaire, 20 anos de governos ineptos, colocaram Portugal numa situação de desespero, eu acho graça quando oiço alguém dizer a propósito de qualquer coisa… ah e tal, a economia portuguesa…
Desculpe como disse, a economia portuguesa! Qual economia portuguesa? Nós temos economia? Com a estrutura produtiva a andar ao Deus dará, as PME’s que são o que vai sustentando esta treta toda, estão até as orelhas de dívidas várias, a agricultura é uma miragem, nunca se investiu numa verdadeira politica agrícola, alias nem económica, apesar de terem existido PM’s grandes e sábios economistas, uns verdadeiros génios, a realidade é que nos limitamos a andar ao sabor dos subsídios da Europa, o que borra a escrita toda do nosso Toni Blaire.
Por outro lado, Sua Excelência o Presidente da Republica, anda afeito aos ditames, ainda ontem o ouvi, aconselhar aos empresários das zonas do interior esquecido, que justamente ajudou a desertificar quando era PM, naquele tom de professor de seminário que o caracteriza, que a política dos baixos salários e da pouca formação não resulta, fiquei pasmo!
Enquanto foi PM, Sua Excelência sempre fez o contrário, é a velha política do faz o que eu digo não o que eu faço, no espectro oposto o camarada Jerónimo, no fim de semana esteve a ler o excelente livro “Estaline”de Jean-Jacques Marie, editado por cá pela Verbo e vai daí truca, resolveu fazer uma purga nas bancadas do seu grupo parlamentar, ok não será bem uma mudança, é assim como trocar os dinossáurios do Triássico pelos do Cretácio, mais novos, mais pequenos, mas com os mesmos hábitos do passado, contínua a treta.
Mendes o famoso “Ganda Nóia” do Contra Informação, contínua a sua senda de disparates, espantou o mundo lusitano, com a fuga para o Brasil, como por cá ninguém o ouve, nem mesmo os apaniguados da cor, foi fazer birra e queixinhas, aos imigras nas terras de Vera Cruz, ao que apurou aqui o Barão, nem mesmo aqueles lhe deram muita importância, no entanto, conseguiu num volte face espectacular, atrair a atenção dos dirigentes da NBA, a famosa liga de basquetebol Americana, foi revelado em conferência de imprensa que o concurso de afundanços do próximo ano vai contar com a presença do Sr. Mendes, dizem os senhores da NBA, que Mendes afunda melhor que ninguém apesar da sua estatura abaixo da média, exemplo disso é a sua excelente prestação a afundar o PSD.
Soube-se também que reina a confusão nos sindicatos dos taxistas, a ANTRAL, pondera seriamente processar o Sr. Presidente do PP, a associação que representa os taxistas acusa o presidente do PP de concorrência desleal e de falta de ética, isto após vários taxistas se deslocarem ao Largo do Caldas, para se inscreverem no novo sindicato dos taxistas, instado pelo enviado do Barão, um dos taxistas, declarou e citamos; - Pá, eu não era do sindicato, como ouviu falar no partido do táxi, pensei que fosse para defender a malta, por isso vim inscrever-me.
Instado a responder a esta acusação, o Sr. Presidente do PP, escusou-se a prestar esclarecimentos, mas lá foi dizendo, que as inscrições, estão conforme e que brevemente com o crescimento dos militantes passarão a ser o partido do autocarro, a partir daí o céu é o limite, declarou. No seguimento destas declarações, o presidente da TAP, já fez saber que caso o CDS tente ser o partido do avião, este partido será processado pois a TAP detém o exclusivo da exploração aérea nacional.
E assim por cá andamos, ledos e ufanos, cantando e bailando, esqueci o Bloco e os Verdes, mas nesses, para ser sincero, não há matéria nem para um comentário, quanto mais para um post inteiro.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quarta-feira, novembro 22, 2006

Ali versus Acolá

Senhoras e Senhores, Mein Damen und Herren, Ladies and Gentlemen, Signora ed Signore, Dames et Messieurs, Damas e Caballeros, respeitável público a Arena do Ecrã tem o prazer de vos apresentar o combate do século, no canto esquerdo de calções de cor laranja choque, o representante do PPD/PSD herdeiro das mais nobres tradições da social democracia, Ali Lopes “O Menino Guerreiro”.
- Tcharannnnnnnnnnnnnnnnnnnnn…gritos aplausos, senhoras com achaques e desmaios, estão a imaginar a cena!
- No canto direito de calções laranja e risca cor-de-rosa, reprentando-se a si mesmo e a mais ninguém, num brilhante assomo de isenção, o filho dilecto de Boliqueime, Acolá Cavaco “O Migalhas”.
- Tcharannnnnnnnnnnnnnnnnnnnn…tossidelas, umas palmas contidas e uma senhora agintando a bandeira da Junta da Freguesia de Boliqueime, fomos informados que é a feliz progenitora do homem que está no ringue.
Respeitável público este combate decorrerá, em 5 assaltos, de 3 minutos, o som do gongo marcará o fim do round, joguem limpo, lutem bem o povo agradece, porque este é o desporto dos deuses.
Tlim…tlim…tlim… começa o combate, o comentador, sentado na primeira fila limpa o suor com um lenço, e de boca colada no microfone vai entretendo a maralha que ouve o combate pela rádio. A multidão agita-se, as claques estão bem definidas, à exuberância espampanante das Lopetes, respondem os Cavaquetes com uma discreta mas eficaz energia apoiando o seu predilecto.
A luz raia de forma incrível aquele espaço, cornucópias de raios multicolores atravessam a meia penumbra do recinto, entre uppercuts e directos, os dois contendores vão enchendo a cara do adversário de equimoses. À punhada certeira de um, responde o outro com uma certeira murraça, arquejando, as grossas gotas do suor escorrem pelas faces exauridas dos dois adversários, a multidão ulula em êxtase, circulam as pipocas as colas light, o bolo rei e os coiratos.
Marmanjos de bojudas barriganas arreados de grossas leivas de ouro espalhadas estrategicamente pelo pescoço e dedos das mãos fumam charutos puros cubanos, estes patos bravos fazem parelha com loiras platinadas com decotes bíblicos, adejadas de apêndices mamários de dar água na boca a qualquer lactente, enfeitadas com jóias de fancaria compradas na feira de Carcavelos.
Papalvos de fato completo e gravata com o colarinho em desalinho trocam grossas somas, apostando no vencedor, isto sobre o complacente olhar das polícias, que embasbacados seguem o combate, cheira a suor a urina a perfume barato, cheiro a sexo barato de vão de escada e a casa de alterne, cheira a ouro e a dinheiro muito dinheiro.
Tlim…tlim…tlim…soa o gongo o assalto termina, de um lado e outro nódoas negras olhos inchados, vem a boazona do costume, com o placar anunciar o assalto seguinte, assobios e vivas, a loucura domina a turba que quer sangue e quer ver a derrota e o medo nos olhos de quem cair e o combate segue…
Caros amigos e amigas este delírio é produto de uma mente alucinada, que é a minha, mas é muito mais engraçado que aquela infelicidade televisiva da entrevista de Santana Lopes e ao mesmo tempo de Sua Excelência o senhor Presidente da República Cavaco Silva, a aparição televisiva destes dois cavalheiros foi aquilo a que se chama entulho televisivo, uma pepineira colossal, boa para adormecer pessoal com insónias, será que não há limites para a falta de vergonha em Portugal, será que não há noção do ridículo?

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, novembro 20, 2006

O Reino do Faz de Conta

Uma vez, era um reino, que ficava à beira do mar oceano, semeado de criaturas estranhas e muito, muito complicadas. Neste reino existiam muitos tipos de criaturas, umas menos boas outras assim e outras do piorio, neste reino reinava em real reinação um rei que não era rei excepto quando tinha o bolo, o tal das migalhas do bolo-rei.
Este reino tinha várias ilhas, numa delas habitava um Ogre-papão, que dominava toda a ilha e desatava a desancar e a enxovalhar toda agente por dá cá aquela palha, ninguém o conseguia ou queria meter na ordem, por várias e ridículas vezes o Ogre-papão havia dito cobras e lagartos deste ou daquele fulano, vilipendiado sicrano e arrasado as instituições do reino, no entanto, por artes de poderes encantatórios o Ogre-papão sempre conseguira que os papalvos de quem ele dizia as maiores barbaridades, lhe fossem comer à mão, aparecendo nos ecrãs da Televisão do reino como se fossem os maiores amigos do mundo, entrementes anteriormente, havia arrasado o elfo chamando-lhe tudo quanto era mau.
O último tinha sido o Elfomendes, uma criatura pequenina e irritadiça, uma espécie de grilo da consciência do partido a que pertencia o Ogre-papão, este elfo subira ao poder, e sentira-se o maior, no entanto quando o Ogre-papão, a propósito do anunciado corte nos dinheiros do erário público que alimentam as suas ruinosas prestações, se inflamou, soltando chispas de fogos pelas narinas, o Elfomendes ao invés de o colocar no sitio, preferiu ir-lhe beijar a mão, abanando o rabinho e curvando-se perante o Ogre-papão, que uma vez mais não perdeu a ocasião para achincalhar tudo e todos excepto o elfo, do qual revelou ser o seu mais insigne e dilecto amigo.
Mais uma vez alguém se vendera a interesses comezinhos e medíocres, mais uma vez o líder do partido do Ogre-papão, se rebaixara e engolira em seco, o Ogre devia estar a rir a bandeiras despregadas, como era possível que ele um simples Ogre de uma ilha perdida no meio do mar oceano, conseguisse por em sentido todos os líderes do seu partido, que cambada de vermes sem espinha, fazia deles o que queria, nem o actual chefe do reino quando outrora ainda líder do partido do Ogre-papão conseguira fazer nada, o Ogre ria muito, na sua voz cavernosa, queimado pelos charutos cubanos, apesar de detestar cubanos, e pelo bagaço, que ao que dizem o Ogre tem uma queda para o copo, coisas da vida, não há bela sem senão e ao que consta este Ogre é um belo dum beberrão.
O Elfomendes, ao ir, miseravelmente prestar vassalagem e fazer o beija-mão ao Ogre-papão, dera mais um exemplo de tibieza e fraca qualidade que os líderes destes partidos demonstravam, prestava um péssimo serviço ao reino e ao seu partido, mas confiado em que a memória é curta lá seguia a fazer de conta que mandava alguma coisa, realmente excelente exemplo de futuro líder de um reino que nem um pelintra beberrão de uma ilhota miserável consegue por na ordem.
Quando fossem as eleições para chefe dos elfos, Elfomendes ganharia, seria eleito o Elfo-mandão, sendo mais um excelente exemplo do tipo de nulidades que fazem de conta que governam neste Reino do Faz de Conta.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia