O Barão gripou. Logo, ficou a demolhar durante uns dias, combatendo o enfado e o tédio com recurso às maravilhosas invenções da tecnologia. O estado febril e delirante ajudava à quietude da modorra, instalado no seu sofá o Barão tomando pulso à coisa debelava as bactérias, micróbios e estafilococos da malvada gripalhada.
De comando na mão recorria à extraordinária técnica do “zapping”, para entrever de olhos semicerrados as pérolas televisivas que a matinal emissão produz. Porque de parcos recursos, alias como a maioria da malta, o Barão não tem televisão por cabo, logo contenta-se com os 4 canaizitos da ordem e vai daí foi “zapingando”, a manhã começou a bonecada, como convém cheia de cores e bicharada, apesar de gostar de alguns, tenho saudades das animações do meu tempo de fedelho, mas regra geral gostei, foi uma boa preparação para as bichezas que se seguiriam.
Atacam depois, os alinhamentos dos canais, com a informação, os três canais generalistas, entopem a malta de notícias, repetidas até à exaustão são o prelúdio para os blocos noticiosos da hora de almoço.
Ligações em directo aos vários helicópteros e câmaras de vídeo, fornecendo informações sobre o trânsito na capital e no Porto, chegando nós sempre à mesma a constatação, aquilo das CREL, CRIL, VCI e afins é sempre o mesmo inferno, ainda bem que vivo aqui na província, pensou o Barão.
Os pivôs que apresentam estas maravilhas da informação, cumprem, com honestidade o papel entediante de papagaios, que debitam insistentemente as mesmas novidades que de tão repetidas, passados os primeiros 15 minutos são já velhas, sóbrio q.b. os da RTP, diligentes e seguindo a linha os da SIC. Ressalva para a malta da TVI, o moço enfim lá cumpre, mas a mocinha é um tratado de cretinice, dos três serviços informativos este da TVI é de gritos, umas atrás das outras, enfim tanta burrice num espaço tão pequeno é obra.
Entretanto acaba o serviço noticioso, atacam com um quarto de hora de anúncios, depois surgem as “piéce de resistance” das manhãs televisivas. “Você na TV” da TVI, “Fátima” da SIC e o “Praça da Alegria” da RTP. Entre todos não há matéria para fazer um só programa sofrível, mas enfim lá iremos, começo pelo menos péssimo, “Praça da Alegria” tem uma coisa excelente uma banda ao vivo composta de profissionais excelentes que dá um toque de bom gosto ao programa e que está subaproveitada, pois ao invés de levarem ao programa imbecis a fazer playback de música da treta, podiam bem deixar-nos ouvir gente a tocar a o vivo e bem, os apresentadores cumprem bem o papel melhor ele que ela, que tirando o bom aspecto se fica por isso mesmo uma bonequinha para decorar, um nadinha oca mas enfim é o que temos. Dispensáveis completamente as presenças de um tal “colunista social” figurinha execrável e de todo dispensável, mas a RTP lá entendeu que ficava bem copiar os métodos da concorrência que colocam em destaque bichezas de igual semelha. Dispensável também o Cura do “show biz” que faz daquilo uma borga, não acrescenta nada ao programa, as suas intervenções à laia de “Diácono Remédios” pouco de útil trazem ao programa, enfim seria preferível trazerem também um Rabino, um Pastor Protestante e um Imã e durante 10 ou 15 minutos encetarem um diálogo ecuménico ao vivo, seria bem mais interessante.
Os da SIC, compõem um programeco bem ao seu estilo, uma coisa insípida e por vezes disparatada, que com a capa da seriedade, lá se arrasta por umas boas três horas de entediante sonolência, um aparte, devem pagar muito bem ao pessoal que lá está a fazer figuração, como nos seus congéneres também por lá aparecem umas criaturas a obrar “postas de pescada”, sobre a vida de terceiros e sobre as revistas cor-de-rosa.
A tal tertúlia é a parte do programa mais interessante, isto do ponto de vista sociológico e psicológico, a avi- fauna presente vai desde a cartomante/atriz em fim de carreira, a um tal de Ramos que ainda não percebi o que faz, é de rebentar a rir, o ar de seriedade que as criaturas colocam, os absurdos e disparates que dizem, senhores realizadores de cinema português, aquilo é tão irreal que dava um excelente argumento para um dos vossos filmes de cinema de autor.
“Você na TV” é a coisa mais absurdo e rasca da manhã televisiva nacional, entre um ex-cozinheireco, pedante e arrogante e uma galinha histérica, o programa transcorre entre gritos, porque gritar significa alegria, num ambiente do mais absoluto grau zero de inteligência, este programa é um insulto permanente ao intelecto de qualquer pessoa por muito néscia que seja.
Assim vai a manhã do Barão, felizmente porque precavido o Barão adquiriu um leitor de DVD, onde se tem deliciado a ver todo o género de barbaridades cinematográficas, valha-nos São DVD!
Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia