Ecos do referendo ainda soam por esses recantos dos Lusos lares, aqui e além continuam as atoardas, sua Excelência o Senhor Presidente da Republica, abriu a boca, fiquem descansados porque não saíram migalhas de bolo-rei, saiu no entanto uma conversa insalubre, sobre poderes e sobre não prescindir dos poderes, e sobre seguir bons exemplos da Europa, a mim pareceu-me um charada típica, tão ao gosto do homem do Tabu, falou ainda da união dos Portugueses, por o referendo ser factor de divisão.
Oh homem! Em que país é que vossa Excelência anda a viver, com 2 milhões a viver com 80 cêntimos por dia, 700 mil a pagar a crise, um milhão a engordar à sombra da bananeira outros tantos a rendimentos mínimos e subsídios vários, quer o caríssimo senhor mais diferença, então não o preocupa esta diferença de misérias e preocupa-o a porcaria de um refendo em que mais de metade dos imbecis não votou, porque não quis.
Oh, Senhor Presidente, tenha vossa Excelência dó, eu sei que sou um pobre diabo inculto e intelectualmente limitado, mas essa da divisão é demais.
Entrementes os nossos excelsos Bispos, após uma aturada conferência vieram também comunicar o seu parecer, incrível que gente que se diz cristã e que seja tão plena de bons valores, dizem eles, venha depois fazer as declarações que os senhores bispos fazem, uma catadupa de cavalalidades vindas de gente que nem filhos poder ter. O medievo pensar faz destas as declarações mais obscenas que ouvi, os senhores bispos ao invés de andarem a salvar as almas, mais se preocupam em as danar.
O primeiro dos ministros, deu também a sua sentença, umas larachas, pseudo sociais e mais umas promessas, iguais aos milhares que fez e não cumpriu, tudo espremido nem uma gota deu a arenga do homem.
Entre todas estas “nobres” intenções uma coisa me preocupou, a falta de propostas sérias e credíveis, a falta de orientação, a falta de senso de toda esta gente. As dúvidas que tinha antes do referendo continuam, pois ninguém lhes deu resposta, entre a gritaria dos ratos de sacristia do”Não” e dos intelectuais de esquerda do “Sim” não vislumbro bom senso, nem vejo ninguém a dizer que vai fazer algo de válido, fico a aguardar mas com a consciência de que estes primeiros ecos nada acrescentam ao problema, antes o complicam ainda mais.
Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia