terça-feira, dezembro 18, 2007

De novo, há noite!

Parece que todos descobriram de súbito a noite, o seu submundo e as suas sub-culturas, parece que andaram todos distraídos durante muito tempo, durante uma enormidade de tempo, ao ouvi-los a falar, farto-me de rir, os únicos poucos que falam, acertadamente, sobre os meandros da noite são os cavalheiros da PJ, os dois que ouvi, um sindicalista e outro ex-PJ, revelam muito conhecimento do que é a noite, não dizem tudo, claro, deformação profissional, os outros que ouvi, advogados, juízes e politiqueiros de quinta categoria, mostram bem o estado miserável a que isto chegou, pois nenhum deles tem a mínima noção daquilo que fala.

Ouviu um juiz, debitar barbaridades umas atrás das outras, num chorrilho de estultices que prova bem que os nossos magistrados, andam a leste do paraíso, claro, com casa e carro à borla, mais despesas pra isto e para aquilo, é normal que os camaradas não percebam o paiszeco em que vivam.

Ontem mesmo uma senhora advogada dos galfarros catados na noite do Porto, dava-se ao desplante de chamar “show off” à operação levada a cabo, pela PJ, que levou à detenção de uma série de metralhas da noite, a senhora advogada deveria ter o bom senso de não proferir bojardas daquelas, alias os senhores advogados em geral deveriam ser mais comedidos no seu palavreado, deveriam coibir-se de fazer juízos de valor por vezes a roçar o imbecilóide, deveriam não fazer aquilo que tanto apregoam, que é não julgar na praça pública, ainda que aquilo tudo tenha sido realmente um “show off” porque a Directoria da PJ do Porto se sentiu magoada com a cretinice, porque é uma completa cretinice, a nomeação de uma equipa especial de procuradores e mais não sei o quê, para fazer sabe-se lá o quê, sim porque os procuradores não vão investigar, quem investiga e recolhe prova são as equipas no terreno, às quais faltam, meios, dinheiro, tecnologia e sobre tudo vontade politica para realmente resolver muito do crime que por cá começa a existir, ora mesmo que isso tudo seja verdade a senhora advogada deveria tê-lo guardado para si e fechar a bocarra, decidiu falar, e quando o macaco do jornalista lhe fez uma pergunta daquelas lixadas, pois aí a dôtora, engasgou-se e ficou com cara de asno para todo o Portugal ver.

Os politiqueiros de serviço, enfim tomaram as medidas costumeiras, discursos de circunstância, poses graves de quem parece preocupado, mas não está, porque se estivessem à muito que a legislação estaria feita e colocada em prática, há muito que as polícias teriam meios para fazer face à nova criminalidade, mas como existe muito bom menino do poleiro com o rabo entalado, a coisa fica assim como está.

O que aconteceu na noite do Porto, era uma tragédia anunciada, poderá voltar a acontecer, em Lisboa já aconteceu, mais controlado é verdade, e tem que ver com as mudanças que se operaram na turma da segurança, a meio dos anos 90 a “velha Guarda” rendia a parada aos lobos jovens, esfaimados, os armários entupidos até às meninges de esteróides, burros que nem portões de quinta, a escola velha de segurança ainda sobrevive, mas não chega para a novelle vague, uma vaga nova muito bem organizada, enquadrada e treinada, com armamento novo e letal com novos métodos de financiamento, a droga essencialmente, e fenómeno curioso associados a elites poderosas do mundo do futebol, das empresas e da politica, onde prestam serviços de cão de fila, como alias se tem visto várias vezes na televisão, quem esteja atento, consegue vê-los sempre por perto.

Os bairros sociais são viveiros de excelência para esta rapaziada, que transferem para a realidade a alienação em que vivem, como tudo parece de súbito ligado, caramba, miséria, gera revolta que gera violência, que atinge os próprios ou os inocentes, os culpados, aqueles que pagam que gerem que mandam ficam sempre incólumes.

Por tabela apanha sempre a arraia-miúda, nós, os tristes pagantes de impostos, os tais que pagam os rendimentos mínimos a muita desta escumalha e os ordenados aos outros aos senhores do colarinho branco, que gordos e anafados tem o poder de fazer, por artes mágicas, desaparecer escutas, corromper meio mundo e sair sempre airosos da situação, conheço bem demais este mundo, convivi com ele muito tempo, demais.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Nem Santo António lhes vale!

Brilhantes, mentes brilhantes, luminosas luminárias do sensaborão panorama luso, os nossos alunos de 15 anos ficam abaixo da média europeia, nos seus brilhantes estudos. É triste que assim seja, é triste que afinal o afã dos governos pela educação, vá assim pelo cano, alto lá que isso das estatísticas da OCDE mais da UE são um bocadinho falaciosas, dirão alguns arautos do eterno sentimento “Calimero”, que assola as hostes da Lusitânia, oh sim, que injustiça, sempre nós, sempre nós.

Pois bem verdade, vejam por exemplo o que os últimos governos têm feito, baixar cada vez mais a fasquia, facilitar cada vez mais, qualquer dia a licenciatura é atribuída automaticamente, o mestrado a quem souber somar um mais um, o doutoramento a quem possuir cheques com o DR a anteceder o nome que a mãezinha lhe quis dar.

Nesta verdadeira aridez intelectual, em que estia e soçobra alegremente esta terra, basta ver as leituras da maralha, basta ver os pasquins impressos com aura de grandes jornais, basta ver a qualidade dos nossos políticos, basta ver a nossa qualidade enquanto cidadãos, dizia eu, que, neste panorama de esterilidade de pensamento, a cultura o saber cada vez mais se fecha sobre si próprio, as massas quadrúpedes da carneirada capada, lá andam de bandeirinha na mão a enfileirar com as elites do poleiro que os calcam e amesquinham, mas as pobres alimárias nem disso dão conta.

Em arroubos de diarreia mental, lá se inventam uns projectos e umas cretinices bacocas, umas barbaridades cujo mero fito é que a coisa pareça bem nas estatísticas, os alunos não chumbam nem sequer se deitarem fogo à escola, dá-se dinheiro do bolso de gente honesta e trabalhadora, para a escumalha nómada e outros que tais mandarem os seus fedelhos ronhosos à escola para que estes apurem as qualidades de latrocínio e bandalheira em que são campeões, inventa-se um programeco cheio de oportunidades, que esclareço já que aceito mas não na actual forma apalhaçada, que só serve para a estatística, fazem exames de 12º ano que um aluno de 6 anos do Gana faria sem dificuldade e aplaude-se muito a medida, porreiro pá!

Pois o tramado é quando nos põe ao nível dos outros, aí a coisa descamba e vem ao de cima a miséria da Educação em Portugal, vem acima a imbecilidade pura e dura que grassa neste país, um país que deveria apostar seriamente na educação mas que prefere aumentar os partidos e os deputados, é triste, demasiado triste.

Resultado, nem a cega obstinação pelas estatísticas os salva, nem as cimeiras imbecis que só dão despesa e transtornos, nada resulta porque este estado se demite de Educar, porque este estado prefere engordar aos abutres do poder, assistindo de camarote ao estertor de um povaréu, que assim como assim só tem aquilo que merece.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Eu deficiente me confesso!

Hoje é dia mundial do cidadão portador de deficiência. Como noutras áreas a política portuguesa para a deficiência, manifesta-se por não se manifestar, ou seja a política dos governos portugueses anteriores e actual para os deficientes é, UMA GRANDESSÍSSIMA MERDA!

É todo um rol de incapazes, inúteis, ineptos e imbecis que se tem ocupado desta área, a legislação é uma vergonha, a aplicação da mesma é outra vergonha, ser deficiente neste país DE MERDA, é desesperar por uma míngua de nada e sorrir agradecido sempre que algum rafeiro da matilha superior nos deixa um osso já apodrecido e descarnado.

Como gostava de poder dizer que este país, é um exemplo a seguir, no que toca aos deficientes, tais como a outros estes desgovernantes DE MERDA, maltratam a deficiência, os albergues de inúteis que são aos vários corredores do poder, passeiam as suas feiras de vaidades e mesquinhas torpezas sem água vai, sem sombra de pudor ou lembrança de quem muitas vezes quer muito e não consegue, porque os entupidos minúsculos cerebelos dessas cavalgaduras do poleiro, pouco mais alcançam que o cagar e mijar trivial.

Ser deficiente nesta terra é ter de se confrontar todos os dias com um país traiçoeiro, atroz e atrasado, que nos trata como gente de terceira, muito abaixo da escumalha perniciosa que por aí anda, ser deficiente neste país é conviver com a exclusão, com a miséria, com a mágoa e com a falta de tudo, falta de meios, falta de legislação correcta, falta de apoios, falta de civismo, falta de amor e de compreensão, só não parece existir é falta de pena, porque todos têm sempre muita peninha do ceguinho, coitadinho do maneta ou do coxo, do entrevado ou do maluco, cambada de hipócritas metam a vossa pena no OLHO DO CÚ.

Num país onde os orçamentos são fatiados consoante os interesses dos amigalhaços que tem de encher o bolso, aos deficientes toca sempre o osso, somos consequentemente arremessados para os projectos e estudos e projectos de inclusão e de mais não sei o quê, que mais não são que sorvedouros de dinheiro, pasquinices ridículas que servem para encher o bolso às “doutoras” e aos “doutores” da mula ruça, para aparecer na televisão naqueles programas lamechas até à náusea, onde apresentadores farçolas e néscios apontam para os grandes e sorridentes exemplos do paraplégico que é engenheiro ou do cego que é economista, pois atrás desses casos de sucesso está normalmente uma família com muito, muito, muito dinheiro, por detrás desses felizmente casos de sucesso, escondem-se milhares de casos de miséria e degradação, de desespero e tristeza.

Existem felizmente, projectos muito bons, projectos que com as suas exíguas capacidades vão ajudando a tornar a vida dos deficientes portugueses algo melhor, não esta realidade de miserabilismo, mas são infelizmente poucos esses projectos, demasiado poucos para os milhares de portugueses que são vítimas de uma qualquer deficiência, desde uma porcariazeca como seja a amputação de uma mão, a coisas mais graves como cegeiras, tetraplagias ou doenças mentais e ou raras.

É preciso ser muito, muito bom para viver neste país DE MERDA, mas é preciso ser ainda melhor para ser deficiente e viver neste pardieiro.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, novembro 26, 2007

As 61.893 páginas submarinas

No actual estado de indigência intelectual desta pobre Nação já nada nos deveria espantar, mas os nossos caros dirigentes politiqueiros não cessam de nos espantar, deste vez, tocou-nos em sorte, essa antiga maravilha da defesa nacional, o campeão dos desvalidos o Sebastião dos submarinos, também conhecido entre os seus detractores como papa feiras, o cavalheiro em causa que de quando em vez faz aquele ar grave e parcimonioso de quem parece ter algo de muito importante para dizer, desta vez rebentou com a escala da cretinice, ao que consta, ele até já confirmou, mandou fotocopiar documentos do ministério, nada mais, nada menos de 61893 páginas de papelada inútil ou talvez não que o dito cujo, afirma e jura a pés juntos ter pago do seu bolso, fiquem com o valor de referência de 0,05 cêntimos por impressão, valor que se pratica aqui na minha barraquinha laboral inclusive para os funcionários, terão o fantástico valor de 3094,65, sim leram bem TRÊS MIL EUROS* e mais uns trocos.

Ah, querem que eu acredite que o camarada pagou do seu bolso essa massa toda, por papéis sem relevância, por papéis dos seus discursos, têm-se em muita conta o senhor, por papéis irrelevantes, por ninharias, ao que consta outros ainda do mesmo táxi fizeram o mesmo, Luís Nobre Guedes, Telmo Correia, ex-ministro e Nuno Morais Sarmento.

O Guedes ainda percebo, pois ó se percebo, estou tão certo disso como certeza tenho de que os porcos comem bolota, isto se não arrancarem os sobreiros, o Sarmento, também percebo, o Telminho é que não me entre, então um ministro de um ministério quase fantasma, que ainda não tinha assente a poeira e já era corrido, em boa hora, que papeis é que a criatura tinha de copiar, isto é tudo uma grande macacada, mais uma, esta rapaziada deve achar que somos todos imbecis, infelizmente não, é só a maioria que é imbecil, a maioria que os elege, nós todos os outros que não somos parvos temos de os engolir.

Ao copiar os papeis o senhor ex-ministro, o senhor presidente do partido do táxi, incorre em dois erros graves, que queira copiar a porcaria dos papeluchos dos anos que foi presidente dos centreiros, tudo bem se eles deixam está no seu direito, fazer cópias de documentos oficiais de um Estado de um governo, no meu tempo era crime, está errado deontologicamente falando, claro que para isso é preciso ser dotado de escrúpulos de decência e de moral, coisa que me parece haver falta por esses lados, porque a existirem não fariam com que alguém gaste tanto dinheiro, em papeladas inúteis e sem importância segundo o próprio, num país onde existem DOIS MILHÕES DE SERES HUMANOS, viver com 0,80 cêntimos por dia, essa é que é a grande verdade.

É uma grande vergonha, uma miserável e sem pudor vergonha, que gente desta igualha ainda ande por aí a alardear facécias, nem sem razão devo confessar, que o homem até tem razão, mas queima-se mais uma vez, até porque há um ano ele era Estado, era ministro, que fez na altura para acelerar os pagamentos do Estado aos particulares seus fornecedores, que miséria de gente.

*Mesmo a 0,01 cêntimos a coisa seria cara

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, novembro 19, 2007

Estou à Escuta!

“Quem não deve não teme.” Diz o adágio popular. Então que temem os senhores do Poder, que temem então? Portugal continua a esforçar-se por ser um exemplo anedótico, entre as nações do Mundo, nesta como noutras questões continuamos a fingir. Ao contrário do senhor Procurador, eu penso que existem escutas a menos, que existe um tremendo défice de segurança, podemos ponderar também a questão, estaremos nós obcecados pela segurança? Claro que estamos! Claro que temos milhentas razões para estar, são por demais os exemplos de iniquidades perpetradas, pelos galos do poleiro, que nunca são encapoeirados.

As escutas no enquadramento actual, como se têm visto, para pouco servem, quando chegam a julgamento, nunca servem para nada, são quase sempre ilegais ou pecam por defeitos técnicos, também com as policias a comprar equipamentos de escuta nas lojas dos 300, outra coisa não seria de esperar.

Pessoalmente acho que, todos os meios de comunicação de serviços públicos deveriam ficar sob vigilância, computadores, telefones fixos, faxes e telemóveis, os conteúdos deveriam ficar registados, bem como toda a informação gerada pela comunicação, origem, destino, hora etc. E é possível fazer isto? Sim, exista para tanto vontade política, para transcrever isso em pé de lei. Acredito também que fotografias, vídeos e imagens deveriam ser usadas como meios de prova, se existe essa capacidade como é que neste estado miserável de coisas a Justiça não se faz capaz de utilizar o que existe de bom nas novas tecnologias.

Depois à que acabar com o trauma da geração 25 de Abril, a Pide morreu, a existir novamente, o que não acredito, será outra coisa diferente, por isso mesmo, todo o tipo de escutas deveria ser feita por uma única entidade e sancionada por uma única entidade, qualquer deslize que existisse seria identificado pois só poderia ter saído daquela porta, claro que isto faz confusão a muita gentinha que anda com o rabinho entalado de uma ou de outra maneira daí a que a lei continue neste absoluto estado de inclemência intelectual.

Em relação ao combate ao crime as escutas telefónicas e informáticas deveriam fazer parte do manual de primeiras práticas, mas não, compreende-se porquê, seriam apanhados muitos galos do poleiro e isso não pode ser, assim e tal como o tal novo código que vai servir para os tais galos escaparem da capoeira, continuamos a ver navios.

Ao que parece nem os serviços de informação podem comprar equipamento de escuta, se o fazem é de forma não legal, esta é de morrer a rir, já alguém pensou para que serve um serviço deste tipo que não escuta, serve para quê, pois para nada, não sei se já perceberam que hoje já ninguém comunica com pombos correio, sinais de fumo ou sinalética, hoje usam-se emails, Voips, sms, mms e sei lá que mais, que raio de serviço de informação é este, já estou a ver um encontro internacional de malta desta, CIA, Mossad e tal, entretanto chega o SIS, bem os outros devem morrer a rir.

Senhores do poleiro, ganhem vergonha, assumam de uma vez que as tecnologias vos incomodam, só porque vos podem apanhar também, mas não nos tomem por parvos, por imbecis, assumam de uma vez por todas que não querem nada com escutas, para que nós, os pobres diabos pagantes de impostos nunca venhamos a saber dos lucros que embolsam com o esburgo, que fazem dos cabedais do erário público.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, novembro 12, 2007

Mais um Visionário

«Melhores indicadores com menos dinheiro…, …o sistema de ensino em Portugal está a dar «resultados» …, a seguir à ideia mirabolante do cheque/ensino, as duas primeiras frases são as maiores barbaridades que ouvi sobre o actual estado miserável da paupérrima Educação deste país. Piores ainda do que a pérola seguinte, «há menos professores, mais alunos e menos desperdício de dinheiro». Donde se depreende que os professores são um desperdício de dinheiro.

Caro e excelentíssimo senhor Primeiro-ministro, as suas infelizes, incorrectas e anedóticas afirmações, não passam de vento dentro de um saco. Vejamos, melhores indicadores, a que melhores indicadores é que o senhor se refere, à ligeira descida do abandono escolar, realmente esse é um bom indicador, mas e então a qualidade desses alunos, as suas apetências linguísticas e científicas, a julgar pelos resultados dos vários exames nacionais, valha-nos São Sinfrósio, ou o senhor primeiro dos ministros não deu pela absoluta desgraça que foram esses resultados, ou esse seu impagável sentido de humor, fez que esteja de novo a reinar com a malta. Pois claro com menos dinheiro, porque os pais andam a pagar tudo, os professores a meter dinheiro do bolso, as câmara e juntas de freguesia à socapa a meter dinheiro nas escolas para tapar os buracos que a política inteligentíssima do governo de vossa excelência para a área da Educação tem levado a cabo, pois assim percebo.

O sistema está a dar que resultados, não percebo, então ainda agora começou e já é um sucesso significa que os alunos provavelmente já estão até doutorados, percebo é uma coisa parecida como o famoso Processo de Bolonha, é o processo Residência Oficial do Primeiro-ministro, começando hoje amanhã fazem o inglês técnico e já está. Porreiro, pá!

Ó, Senhor Primeiro-ministro, a catástrofe só se verá daqui a uns anos, como hoje se nota como começou a catástrofe anterior, cujos exemplos são sobejamente conhecidos, pessoas importantes que não sabem fazer contas, que não sabem os cantos dos Lusíadas e por aí adiante.

Vossa excelência é um visionário, os danos que a sua política educativa está a causar a este país ainda serão visíveis daqui a 50 anos, o desleixo e desinteresse por aquela que deveria ser das áreas mais sensíveis do país, onde deveria imperar a excelência o mérito e a qualidade, onde infelizmente campeia o desinteresse, o laxismo, a mediocridade e a falácia, factos esses para aos quais muito o seu excelso governo tem contribuído de forma tão ufana.

Não é a fechar escolas, a despedir professores, a fazer turmas de 30 alunos, a cortar até no papel higiénico que vossa excelência conseguirá educar este país, pode também ser o caso de a intenção ser a oposta, quanto mais ignorantes melhor e mais depressa os conseguiremos enrolar, pois parece ser esta apolítica dos senhores do poder em relação à Educação, sendo que os actuais, não são piores nem melhores que os anteriores, são a mesma coisa, mudam só as moscas.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, novembro 05, 2007

Et Tu Marcelus

Marcelo esse comediante residente da RTP, onde faz concorrência aos Gatos, tal é a qualidade e quantidade de anedotas que conta em tão pouco tempo, lembrou-se de mais uma, o Cheque Ensino. Oh maravilhosa mente que, tão grandiloquentes obstipações intelectuais produz! Oh esclarecido e iluminado, douto e sapiente criatura, com o qual, os deuses abençoaram este ignaro e miserável país, o que seria do nosso pobre mundo sem este verdadeiro Einstein do verbo fácil, este grilo da consciência nacional.

Não bastas as vezes que me tenho sentido apopléctico com algumas das bojardas, proferidas pelos fazedores de opinião nacionais, esta é mais uma, que raio de ideia mais desenxabida, mais sem sentido, até o faria noutros moldes que mais à frente explicarei. Diz o camarada que; «…O cheque-ensino consiste em dar aos pais um cheque no valor que custa actualmente o ensino numa escola estatal. As escolas estatais deixariam, assim, de ser "gratuitas", passando o seu financiamento a ser assegurado através das propinas pagas pelos alunos, como acontece com as escolas particulares.»

Meu caro amigo, o senhor e os seus acólitos não bastas vezes machadaram o ensino público, muitas vezes a coberto de preceitos legais aprovadas por camarilhas parlamentares e governativos, o que conduziu o ensino público a este estado de miséria em que actualmente se encontra, seria o primeiro a ergue-lo aos ombros caso o ouvisse pedir, não, exigir mais meios, mais investimentos e mais seriedade nas políticas educativas, mais empenho e qualidade nas escolas, mão de ferro na disciplina mais e melhores programas de verdadeiras políticas de integração dos mais desfavorecidos. Aplaudiria vossa excelência de pé caso o ouvisse declarar semelhantes coisas, caso ou sentisse indignado.

Curiosamente não, curiosamente veio mais uma grossa bojarda, claro que prontamente os tais acólitos se apressaram a glorificar a sua pretensiosa pretensão, uma tal de Associação de famílias numerosas veio logo gritar hossanas, ao seu santo salvador, claro que têm de o fazer, a intenção de vossa excelência é por demais fácil de atingir ao pouco e limitado entendimento de um labrego campónio como eu, resume-se a isto, quer vossa excelência que o meu filho vá estudar para a escolinha pública, enquanto o dinheiro dos meus impostos sirva para pagar os colégios de elite para onde vossa excelência e outros milhares de representantes das elites ociosas e pagas em demasia, enviam os seus fedelhos.

Brilhante caro senhor, é com certeza um génio vossa excelência, representa em toda a grandeza a clarividente, classe poderosa que fez do nosso povaréu o miserável, ignorante e empobrecido, rebotalho de sociedade que somos, recorda-me até uma história da minha mãe, oriunda de uma família numerosa, naquele tempo eram quase todas e rapavam fome que doía o canelo, sucedeu um dia que uma menina das finas, de uma respeitável família partiu o aparo, logo a senhora professora cheia de denodo olhou para a minha mãe, instando-a para desse o seu aparo à menina fina, a minha mãe, por feliz coincidência tinha um aparo reluzente, dado pela senhora para quem a minha avó trabalhava, que era uma rica proprietária rural, a minha mãe com o orgulho de uma pequena pobretanas tinha o maior desvelo com aquele insignificante objecto igual a tantos outros objectos insignificantes com que naquele tempo os poderosos compravam a lealdade dos humildes, aos quais o ofertório de uma côdea seca de pão escuro valia uma lealdade canina.

A minha mãe disse que não dava, que o aparo era dela, recebeu uma saraivada de chapadas, da senhora professora, acto contínuo a pequena cheia de fomita, cravou o aparo na carteira de madeira com tanta força que o entortou, ficou sem ele mas a outra também ficou sem escrever, ria-se ainda hoje a minha mãe, a bom rir, nos serões de família enquanto conta a história.

História que ilustra bem o tempo dos senhores e dos pobres do antigamente, hoje ao que parece, estes senhores parecem de novo querer rever as mordomias de antanho. Caro Marcelo, permita-me que assim o trate, assim de forma informal à europeia, reformule o cheque ensino, ao invés de o atribuir às dondocas, atribua cheques ensino para o ciganito do Bairro do Cerco ir frequentar o Colégio D. Duarte, ou para pretito da Cova da Moura ir frequentar o São João de Brito ou os Maristas, assim seria bem aplicado o cheque ensino, providenciando modelos de excelência a gente que carece de modelos de comportamento civilizado e de oportunidades, promovendo assim uma real politik de integração.

Claro que tapar o sol com a peneira, destruir o que resta do ensino público e engordar os colegas é muito mais proveitoso, sabe senhor Marcelo ao cheque ensino faço um grande:

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, outubro 29, 2007

Diário de Férias II Os Labregos

Chegaram em estilo, monovolume da moda, cheio de extras, ele sai do carro, calção de praia comprado a peso de ouro, sapatinho de vela, farripa empastada de gel arrepiada para trás, óculos escuros fashion, bronze a condizer, rapa do paivante atiça-lhe a mecha, amarfanha o maço e não vai de modas, chão. Isto quando a menos de 35cm se via uma papeleira, daquelas amarelas amarrada a um poste de iluminação.

Ela, de loiro platinado, arcaboiço de dondoca, loiríssima excepto as sobrancelhas e a raiz do cabelo, saco de praia, fatiota completa, toalha enrolada à anca volumosa, fios brincos e anéis, tipo montra de ourives ambulante de outros tempos, lulu rafeirolas ao colo, generosa de busto e repintada com camadas sucessivas de reboco, arreia o rafeiro que ali mesmo posta uma supimpa, cagadela, apanhaste tu? Pois nem a madame, a bosta do rafeireco lá ficou para que algum otário, possa lá atascar o pedúnculo.

De trás saem três fedelhos, o mais velho para aí com 14 anos, loiríssimos, vestidinhos com os chanatos de plástico da moda, pranchas de vários modelos, a piquena debicava enfastiada um bolicoiso, cujo invólucro ficou a enfeitar a ruela, entre os três faziam mais barulho que uma vara dos seus homónimos de quatro patas, daqueles que ainda se vêem mansamente boletando nos montados do Alentejo. A carripana como estava ficou, que interessa se fica mal estacionada, se fica a ocupar um espaço onde cabiam dois carros de igual tamanho, que se lixe, temos de ir que se faz tarde, são 09.35h da matina e a praia espera-nos, poderemos ainda torrar mais ao Sol, os colegas lá do trabalho ficaram ruídos de inveja, em cima do tablier, meio de esguelha mas ainda assim relativamente visível um cartão de autorização de estacionamento de uma unidade hospitalar da capital cá da parvónia, com o nome de Dr. Qualquercoisa, que o nome não vem ora ao caso.

Um quarto de hora depois, já tomei o café da ordem, dei uma debicada no jornal, acendo uma pirisca e boto-me a olhar o infindável mar, gaivotas que esvoaçam errantes, guinchando aqui e acolá, reafirmando a posse do seu território, lá em baixo já se topa a algazarra, dos veraneantes, a saudável gritaria da infância por junto com o trautear melodioso das conversas das comadres, das raquetes de bolinhas, coisa irritante e do marulhar das ondas.

Frente ao tasco onde estou, acompanhado com o amigo Zé, pára um carripano da moda, todo cheio de asas e saias e cromados, lá de dentro brota um infernal barulho, parece uma tempestade de alto mar, ao volante um rapazola de cerca de 30 anos, com o barrete oficial dos indígenas desta laia, o inefável brinquinho de brilhante à Ronaldo, e aquele ar de grunho que estas criaturas todas apresentam, do outro lado salta uma moçoila, calça justíssima, fio dental, a eterna tatuagem do golfinho azul, um penduricalho atacado na penca, também com o ar típico da fêmea desta raça, do banco de trás saltam dois fedelhos, mais uma matrona gigantesca e um pintas, de barrete igual ao do condutor, soquete branco, camisa aberta e fio de ouro da grossura de um cabo de amarração, acto instintivo, larga uma valente escarradela, compõe a calça e acomoda a tomatada, das traseiras fazem sair os inevitáveis cestos e cestas, geleiras e chapéus-de-sol, bolas e baldes de praia.

Entretanto o condutor, que até ali, tinha estado parado em cima de uma passadeira em plena via, impedindo assim os outros de passar, arranca, num verdadeiro arranque de campeão de estrada, sobe o passeio, encosta bem para a malta que vem a pé não poder passar e ter de ir para a estrada e lá vai ele, todo pimpão, orgulhoso da calçola largueirona, o barrete de ar parolo e as tatuagens étnicas, que se lhe perguntarem o significado ele nem sabe. Procurei rasto de cadeirinhas para transporte de crianças, mas nem cheiro delas, o papá fumava dentro da carripana, os putos apanham com certeza com a fumarola, que diabo só lhes faz é bem para criar resistência.

Olhei para o amigo Zé e rimos os dois a bandeiras despregadas, uma das coisas com piada durante este tempo de praia é estar assim, numa esplanada a ver as marés de Labregos que desembocam nestas praias abençoadas, quando se está atento a esta avifauna, é que se percebe a quantidade de labregos que habitam neste país, uns mais doutorados outros menos mas todos irmanados na labregada, todos labregos todos iguais.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, outubro 22, 2007

Prioridades

Este país, sempre teve prioridades que deixam qualquer um mais avisado a coçar o cocuruto sem perceber patavina da lógica da coisa, desmandos e idiotices sucedem-se em cascata, os nossos políticos são com certeza as mais prodigiosas máquinas de diarreia legislativa de que na história existe memória, tantas e tão céleres medidas, leis e projectos mirabolantes, fantasistas e completamente estúrdias, entre as mais recentes, o famoso “kit do Agarrado”, está entre as eleitas.

A ideia é evitar o contágio, com doenças como o HIV/Sida, Hepatites e outras maleitas perniciosas, aos excelsos cavalheiros que se encontram privados de liberdade por tempo certo, cumprindo, na maioria dos casos injustas penas, coitados. Então vá de enfiar par dentro das prisões caixinhas com agulhas e tal, tudo para ajudar os agarrados coitadinhos. Se a ideia não fosse parva, eu até pensaria que mais uma vez andam a gozar comigo, mas não é mesmo verdade, lá vão rios de dinheiro para o esgoto, porque os tipos vão acabar por se infectar, mais tarde ou mais cedo, mas ficamos todos mais descansados, esta é uma das medidas mais inteligentes dos últimos milénios.

Entretanto o Barão teve acesso a informações confidenciais, de que o governo prepara o lançamento de mais destes kit’s, direccionados a outro tipo de vícios e comportamentos compulsivos, pode o Barão em primeira-mão publicitar os novos kit’s a lançar futuramente em campanhas igualmente cretinas como aquelas dos agarrados.

Kit Bêbado

(Este kit consta de uma caixa de papelão contendo um copo de vidro, um maço de guardanapos, 2 caixas de Gurosan, 2 caixas de Compensan e 2 caixas de sais de fruta e um garrafão de pinga. Este kit vem em 4 versões, Bêbado Rasca, tinto carrascão ou branco, Bêbado Fingido, ginga e abafado, Bêbado Sujo, bagaço e macieira e versão elite onde o garrafão é substituído por uma garrafa maxi de champanhola e uma de vodca.)

Kit Fumador

(Este kit consta de uma caixa, tipo caixa de sapatos, contendo, um volume de maços de cigarros de marca variada, 2 caixas de fósforos e um isqueiro, traz também um lenço para os escarros matinais.)

Kit Depravado

(Este kit consta de uma caixa de papelão de tamanho médio, contendo 10 revistas pornográficas, uma boneca insuflável, 2 caixas de toalhetes, 50 fichas para o peep-show, uns binóculos para espreitar casais de namorados e um massajador facial para os casos mais complicados.)

Kit Jogador

(Este kit consta de uma caixa de papelão, com dois baralhos de cartas, um par de dados viciados, 20 cheques pré-datados sem cobertura, 10 raspadinhas, 20 boletins de totoloto e euromilhões por preencher, 10 notas de dívida, um contrato promessa de venda da sogra.)

Kit Beato

(Este kit consta de uma caixa de papelão, contendo uma bíblia em papel couché, dois rosários, uma miniatura em escala 1/72 do novo santuário de Fátima, um crucifixo de ponta e mola, duas imagens benzidas pela santa da ladeira do papa Leão III e dois Euros em moedas de um cêntimo para as esmolas.)

Kit Glutão

(Este kit consta de uma caixa de papelão, contendo, duas doses de Rojões à Minhota, duas sopas da Pedra, um ensopado de borrego e quatro pães caseiros, um frango de cabidela e duas doses de Tripas à moda do Porto, mais uma malga de litro de Papas de Serrabulho.)

Kit Malta Fashion

(Este kit consta de uma caixa de papelão, contendo, um cérebro em conserva, 4 jerricans de botox, dezoito revistas de sociedade, bijutaria barata a passar por jóias finas, convites para milhentas festarolas idiotas, roupa de marca fabricada em Shishuan e no Vale do Ave.)

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, outubro 15, 2007

Mágoas

Creio que nunca escrevi nada sobre este tema, uma infeliz, sórdida e exemplar história deste nosso Portugal dos tais brandos costumes. Nunca me lembrei de dar a minha ferroada, quando tanta gente inteligente e capaz o fez, de uma forma esplêndida ou não, mas hoje lembrei-me do Caso “Casa Pia”, por causa de uma parangona que vi a propósito da entrevista da antiga Provedora dessa instituição.

- Mas que dirás tu que não tenha sido já dito ó Barão? – Perguntam e bem os meus dilectos amigos e outros que visitam esta minha barraca de atoardas, pois com certeza que não trarei nada de novo, já vou em seis linhas e ainda não disse porra nenhuma, este é mais um desabafo, uma declaração pessoal, uma espécie de reflexão à minha moda.

O processo Casa Pia arrasta-se até à exaustão, numa espécie de jogo do gato e do rato onde como nos desenhos animados do antigamente o rato finta sempre o rato, acredito que já ninguém sequer, se lembre qual era o objectivo de toda esta palhaçada, sim porque entretanto os objectivos foram mudando uma e outra vez, par culminar no actual objectivo, a completa absolvição de todos os arguidos com talvez excepção do trolha do cão de fila dos senhores ricos.

Às vitimas resta pensarem que, fica para a próxima, que talvez de hoje a muitos anos se repita algo do género, que as televisões se encham de professores doutores e mais não sei o quem, alias qualquer gato-sapato, incluindo cavalheiros de blogues da treta, este incluído, e, todos por junto caguem lampanas sobre um assunto, sobre o qual não têm a mais pequena noção, dos contornos escusos e sórdidos da sua realidade, talvez um dia as televisões, jornais, rádios e blogues se voltem a encher de acusações e contra argumentos na ânsia dos 15 minutos de glória, talvez um dia nessa outra realidade as coisas sejam diferentes ou talvez não.

Este pseudo processo sério, sim, porque tem juízes de altíssimo gabarito, advogados pagos a peso de ouro, arguidos que supostamente são da nata da sociedade, especialistas e técnicos conceituadíssimos, numa encenação destinada a ofuscar as mentes e a botar faladura no mundo, dizia eu que este tal julgamento que infelizmente acabará como eu penso, ou seja em nada, esta encenação toda dá-me o mais absoluto e genuíno asco, nojo, vómitos e diarreias, de cada vez que oiço falar nos seus intervenientes, sejam inocentes ou não, enoja-me esta farsolice beata desta sociedade traposa de energúmenos, quando finalmente esta porcaria toda acabar, infelizmente como eu preconizo que acabará, assim também acabará o meu respeito pelas instituições desta terra, aqui solenemente vos digo que o pouco respeito que ainda guardo por este país se irá esvair, amo o meu país, mas é só isso amo a terra, as árvores e os bichos mais uma mão cheia de gentes, ao resto, estimo que impludam.

Fico magoado com esta imbecilidade, magoa-me saber que ninguém valerá aquelas crianças nem a outras que aí chegarem, que não basta a infelicidade de não terem um lar verdadeiro, ainda terão de servir para as sórdidas e porcas manifestações de comportamentos desviantes de porcos da alta, cujo dinheiro e estatuto protege, magoa-me viver neste país podre e sebento, com a megalomania própria de uma puta fina, que de dia vive na barraca e à noite vai comer caviar ao bar do hotel, magoa-me a tristeza de cada uma daquelas crianças, magoa-me não as poder abraçar todas e proteger, magoa-me profundamente que mais uma vez aquelas e outras crianças sejam criminosamente esquecidas, magoa-me esta impotência de gritar em surdina sem que me oiçam.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, outubro 08, 2007

(In)Justiça

Sua Excelência o Sr. Presidente da República a propósito do novo Código Penal, disse, cito de memória, …não percebo as críticas, devemos esperar para ver o efeito que produz…

Concordo em parte com Sua Excelência o Sr. Presidente da República, tenho de deixar de fumar, o Ventil anda a provocar-me efeitos secundários terríveis, onde já se viu, eu a concordar com Sua Excelência o Sr. Presidente da República, estou mesmo a ficar marreta, mas andando.

Então vamos esperar pelos resultados! A julgar pelos resultados iniciais, a coisa promete. Não discuto o código, não sou jurista não percebo porra nenhuma daquilo, assim como assim parece que eles também não. Mas questiono-me de uma perspectiva que deveria preocupar os senhores do poder, os juristas e toda a maralha que enche o bolso à volta dessa coisa chamada Justiça. Questiono-me da perspectiva do cidadão de bom senso, que vê os predadores de crianças a sair airosos sem mais aquela, onde os direitos dos pobres infelizes que foram vítimas desse tipo de lixo humano, ficam completamente a mercê do acaso, questiono-me na perspectiva do pagante de impostos, a quem a Constituição e os demais códigos garantem tudo e mais alguma coisa e pouco fazem cumprir e que vê dinheiro dos seus impostos esbanjado por esta caterva de indigentes intelectuais que assoberba o poder, questiono-me na perspectiva da pessoa a quem roubam vinte euros e o tribunal arquiva o processo, ninguém pergunta é se tenho mais dinheiro, se aqueles não seriam os meus únicos proventos, questiono-me na perspectiva de quem é esburgado, de quem vê o seu lar devassado, a sua intimidade violada, a quem o tribunal dá razão mas não condena ninguém, questiono-me na perspectiva de quem é agredido por escumalha intocável a quem nada acontece, questiono-me na perspectiva de quem vive em medo permanente.

Começando pelo princípio, em Portugal não há Justiça! Em Portugal a Justiça é uma mentira! Creio que esse facto é inegável. - Olha lá o Barão, as prisões estão cheias! – Sim, mas nem sequer albergam metade dos que deviam lá estar, nem os que lá estão ficam lá metade do tempo que deveriam lá ficar, deixo já claro que isso do princípio regenerador da pena e toda essa lenga-lenga lamechas de recuperação e reinserção, a mim não me convence, não digo porém que não se deva tentar, mas não nestes moldes, deverá ser feito de modo sério.

A pena deve servir para punir, pois também não acredito no modelo do exemplo, a pena como método de impedir novos crimes através do medo de ir preso, isso é treta, conheço demasiado bem o género humano e isso é mentira, ainda assim, acredito que numa ínfima percentagem isso seja verdadeiro, para além de punir a pena deve servir para manter afastados os elementos podres da sociedade, é preciso gente nos governos que tenha a decência, a coragem e a sensatez de declarar que pura e simplesmente existem pessoas que não prestam, independentemente de todos os subsídios, rendimentos, ajudas, campanhas solidárias, projectos imbecis e demais cretinices que nos últimos 30, repito trinta anos foram, são e serão levados a cabo, e ponto final, porque isso é uma verdade que constatamos todos os dias, esqueçam lá as amnistias e essas tangas e punam de verdade esses bandalhos.

No meu simples modo de labrego campesino, habituado há gerações a ser rapinado por todos, acho extraordinário que a ênfase de todos os códigos legais deste país esteja na protecção da escumalha, não da vítima, alias pelos discursos dá a sensação de que a vitima é malvada porque estava ali em casa aquela hora ou porque passou naquela rua depois das cinco da tarde, eu até percebo, os códigos legais estão feitos para salvar os amigos e os compadres, o dianho é que como as leis ao que me parece são de aplicação geral, a escumalha acaba por beneficiar e para não variar quem é que apanha por tabela, pois claro todos aqueles cidadãos cumpridores que alimentam e engordam a escumalha dirigente e a escumalha da ladroagem.

Solução para isto, politicas sociais com pés e cabeça, reforma dos sistema político e do modelo desta república de bananas, agravamento de penas, mudar completamente os códigos, defender quem merece defesa e combater a escumalha, em último caso emigrar fugir daqui a sete pés, poderia dizer para cada um de nós pegarmos na canhota e rebentar a tiro todos esses ninhos de ratos, mas isso seria incitar à violência o que é crime e ainda me vinham prender, pois sou um cidadão extremamente perigoso, tão-somente porque penso e não licito em leiloeiras de carneirada, a violência só gera mais violência, ainda que por vezes fico tentado, garanto-vos que fico!

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, outubro 01, 2007

Vira do Milho

Perorava a pobre maçaroca, ainda em incipiente estado, sobre a sua condição, não é fácil manter unidos todos aqueles grãos, cada um com a sua personalidade, mas a pobre maçaroca velava, agarrada ao caule, estiolava lentamente, mais uma ou duas irmãs, num caule, qual oleoduto que, transportando a seiva da mãe Terra, lhes traz o sustento, a par com o pai Sol, cujos raios benéficos muito ajudam, tempo virá que, a máquina portentosa e barulhenta a separará do seu amado caule e num supetão a engole, debatendo-se sem gloria nem esperança nas entranhas do monstro de aço, a maçaroca rodopia num bailado de morte, separada finalmente dos seus grãos, que saudades sente já daqueles rezingões, já não ouve a suas vozes, calaram-se para sempre, assim segue, quase nua, violada, sobram-lhe dois, não, cinco dos mais pequenos, que escaparam.

Ali vai ela, com outras milhentas, irmãs, por sobre o barulho do monstro troam as vozes dos milhões de filhos que agora órfãos gritam em vão pela mãe maçaroca, que é já cuspida pelo monstro e fica ali por junto com outras com os pequenos que lhe restaram, tolhidos, sem quase vida, que triste é vida de uma maçaroca, bichos e maleitas, ventos e tempestades, granizo e gelo, chuva em demasia e tórrido calor, javalis e aranhiço, tantas ameaças tão grandes e poderosas, que triste é a vida de uma maçaroca, amanhece lentamente, quando por entre lancinantes gritos de dor, a maçaroca sente, a desconfiada rola, a astuta perdiz ou o ladino pardal, debica-la arrancando-lhe os seus últimos e pobres grãos, em desfilada por entre o restolho orvalhado da manhã, bandos de inimigos alados banqueteiam-se alarvemente, com os restos da sua criação, triste é a vida de uma maçaroca.

Ainda assim fugiu ao destino dos seus amados grãos, que transportados no bojo do monstro, são já descarregados para outro ainda maior e mais possante monstro, que os leva, estrada fora param um mundo que nunca viram, sempre em frente para o desconhecido, atroz a viagem, comprimidos uns sobre os outros milhões de grãos de milho dos milhares de maçarocas, choram e gritam em desespero, que injustiça ainda ontem, estavam ao delicioso sol matinal, fortalecidos pelos nutrientes da terra, hoje ali estão completamente prostrados e indefesos, sob um mostro de aço que ronrona e bufa, ai de nós gritam, ai de nós, choram e soluçam, ai de nós, que nos pisam, e moem, pavoroso o som que anuncia a uns a morte dos outros, num sofrimento atroz enquanto poderosas mandíbulas de aço os atiram para tulhas que os canalizam para mós infernais que os desfazem, pobres grão de milho que cruel desfecho para uma vida delicada e bela, triste vida, a das maçarocas de milho, triste vida a do grão de milho, arrancando, calcado e esmagado.

Se eu fosse uma maçaroca era assim que descrevia minha vida, e agora digam lá, se é preciso uns eco-parvos, trangénico ou não, virem arrancar-me, com tanta, tanta coisa para irem boicotar, explodir e atazanar, digam lá!

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quinta-feira, setembro 27, 2007

Lançamennto do livro «Histórias Raríssimas»

É RARO mas acontece.
É RARO conseguir juntar 14 personalidades do mundo cultural numa obra literária única.
Mas aconteceu.
É RARO que todas aceitem escrever sobre o mesmo tema: o raro. Mas aconteceu.
É RARO o momento em que tantas personalidades se dispõem a apoiar prontamente uma causa
que precisa. Mas aconteceu.
É RARO quando o tema e o objectivo do livro são o mesmo. Mas aconteceu.

O livro é sobre «Histórias Raríssimas», conta com o alto patrocinio da Dr.ª Maria Cavaco
Silva e com o apoio exclusivo exclusivo da Novartis Oncology.
Todas as suas receitas revertem a favor da Raríssimas, Associação Nacional de
Deficiencias Mentais e Raras.

Leia-o e faça algo de bom acontecer.

O lançamento acontece no dia 2 de OUtubro na FNAC Chiado, pelas 18h30.

Um abraço Solidário deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, setembro 24, 2007

Geração Neanderthal

Anos atrás, um artigo já não sei de quem, fazia correr mares de tintas, o homem apodava os miúdos de então de “Geração” rasca, essa rapaziada tem hoje trinta e picos quarenta anos e está a produzir outro fenómeno interessante a que resolvi dar o nome de, “Geração Neanderthal”.

Na altura o artigo do dito camarada irritou-me, escrevinhei na altura, sim já então tinha a mania de que sabia escrever, um panfletozeco de título “Geração à Rasca”, onde discorria sobre a iniquidade do epíteto do cavalheiro, “Vanitas Omnia Vanitas”. Hoje, tenho de pedir desculpa ao homem, ele tinha razão, esse visionário, tinha carradas de razão.

A tal rasca Geração, produz alegremente ainda que de forma insuficiente para as necessidades do país uma coisa ainda mais degradante, a Geração Neanderthal, naquilo que é uma evolução em negativa, o crianço/adolescente até aos 30 anos, médio actual é um ou uma, fedelho birrento e semi analfabeto, mal-educado e completamente estupidificado pela globalização cultural, uma coisa pavorosa, claro que, ainda bem, existem ainda muito bons exemplos, cada vez menos, de miúdos atilados e diligentes, que está claro formarão as futuras elites, que tratarão de viver a explorar a vasta massa de asnos que estamos a produzir, e, não sou eu que o digo são as estatísticas, o abandono escolar, as notas vergonhosas, os comportamentos imbecilóides, as modas estúpidas, tudo isso concorre para esta massificação da estupidez, o que é de todo um contra-senso, pois em tempo nenhum da história do homem existiu tanto conhecimento e de acesso tão fácil.

No entanto numa coisa perfeitamente insana, esta geração pretere a sapiência em favor da asneirada, pretere a excelência em favor da imbecilidade pura, abraça o facilitismo e consumismo anárquico dos indigentes intelectuais, porquê, senhores, porquê?

Elementar meus caros! Como diria o homem de Baker Street. Já repararam por ventura nos exemplos, que lhes chegam todos os dias, já repararam nas atitudes dos mais velhos, já repararam nos edificantes modelos que os putos têm para seguir, para glorificar e imitar.

Políticos miseráveis e aldrabões, chutadores de bola analfabetos e excessivamente pagos, pais ausentes e imbecis, médicos impostores e mercenários, professores sem conhecimentos e trapalhões, juízes de quinta apanha, séries de televisão néscias e pelintras, patrões farroupilhas e falcatos, trabalhadores ineptos e absentistas, enfim todo um modelo de sociedade que se comunga para produzir a mais rematada corja de incapazes que já alguma vez existiu.

Senão reparem, as anteriores gerações, destacaram-se sempre por alguma grandiloquente conquista, a Geração da independência e da Conquista, a Geração de Aljubarrota, a Geração das Descobertas, A Geração da Restauração da independência, a Geração de Pombal, todos em maior ou menor grau e claro que com muito de mau a apontar, conseguiram dar exemplos edificantes de labor, conquista entrega e sacrifício, ao contrário as Gerações destes últimos duzentos anos, conseguiram o quê? Em primeiro, perder tudo pelo qual, nos seiscentos anos anteriores, tanta gente lutou, hipotecar e desbaratar, em traficâncias, compadrios e desvios os cabedais da fazenda pública, corromper completamente as anteparas de um país, que era pobre, pequeno mas honrado, valha-nos porém que deram ao Mundo excelentes e soberbos escribas, Antero, Eça, Camilo, Pessoa, Junqueiro, Saramago, Agustina, Lídia, Sofia enfim uma enormidade de gente que infelizmente tanto os Rasca como os Neandertais não lêem.

Desembocamos na Geração da estupidez pura, neste mar oceano de bobos da corte, toleirões e enfatuados, analfabetos e asnos, que volteja ao redor das modas como mariposas tontas à roda do castiçal, sem sequer tomarem tino do rumo, pois isto vai acabar mal, quase é certo, que vai.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, setembro 19, 2007

Desafio Aceite


[Mas isso é porque aprendemos a separar a necessidade de segurança da confiança numa intervenção divina instantânea nos assuntos terrenos]
in, Uma História da Guerra, Keegan, John, Editora Tinta da China, Lisboa, 1º Edição Outubro de 2006

Aceitando o desafio de dois caros amigos da blogoesfera, a Trequita e o Bom Gigante, resolvi responder, o desafio é simples, consta de:

1º Pegar no livro mais próximo
2º Abri-lo na página 161
3º Procurar a 5º frase completa
4º Colocar a frase no blog
5º Não escolher a melhor frase nem o melhor livro (usar o mais próximo)
6º Passar o desafio a cinco pessoas

O livro que estou a ler neste momento: "Uma História da Guerra" de John Keegan, um conceituadíssimo estudioso do fenômeno militar, é uma excelente resenha, histórica, política, social e cultural do fenômeno da Guerra no seio da Humanidade.

Passo o desafio a.... sei lá, vou tirar à sorte:
125Azul
Capitão Merda
Heresias Consentidas
As the World Turns
Ruby Sackville Baggins

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, setembro 17, 2007

Diário de Férias I

Ao princípio impressionaram-me os olhos, grandes, expressivos, negros, com a profundidade de uma alma generosa e alegre, depois foi a história de uma mulher igual a tantas outras, uma história de amores e desamores, onde as tristezas mais são que as alegrias, ainda assim não tiram o brilho a estas gentes fantásticas, depois de conhecer a sua história ainda me impressionou mais.

Mas adianto-me, comecemos pelo principio, estava de férias num poiso habitual com a malta habitual, entre todos, existem cinco fedelhotes piquenos, cinco diabretes, sentado no barzinho que serve de apoio à praia discuto com o Carlos a trabalheira que vai ser, estar atento aquela malta toda, sim porque apesar de sermos uns labregos da província, um ou outro detentor de uma licenciatureca verdadeira, mais prós graduação e mestrados incompletos, não somos pessoas de deixar os putos a dormir para ir para os copos e muito menos deixa-los sós, prezamo-nos por sermos pais galinha, mas lá estou de novo a fugir à história, isto foi só um aparte.

Discorria-mos então entre uma fresquinha e outra sobre como atalhar a coisa e manter os porta cueiros debaixo de olho, quando a senhora do barzinho a Almerinda nos diz: - Olhe se quiser a minha Raquel pode tomar conta dos meninos, ela tem muito jeito, para as crianças!

- Olhamos um para o outro, pagamos a cervejola e fomos conferenciar com o resto da maralha, trato feito, combinado o preço a Raquel nos sete dias seguintes foi a nossa melhor arma, para garantir que nada acontecia à pequenada.

Mas também não é da Raquel que vos quero falar, alias não é só dela. Quero, falar-vos é da mãe, que é a dona do barzinho, é eufemismo chamar barzinho aquela barraquinha mas enfim. A Almerinda, é uma mulher de armas, há dois anos o marido, pescador, seguindo a tradição do pai, morreu de ataque cardíaco, ficou só com os cinco filhos, o Marco de 3 anos, a Joana de 7, o Ruben de 12, a Raquel de 17 e o Miguel de 19, vivem todos num T2 num bairro social.

A Almerinda esfalfa-se a trabalhar, vê-se que foi uma mulher bonita, ainda o é, apesar de envelhecida precocemente, guarda ainda traços dessa rara beleza mediterrânica, onde o tisnado do sol se alia a lábios grossos e olhos amendoados, ancas fortes e seios fartos de mulher de trabalho, uma verdadeira força da natureza. Trabalha a dias, limpa escadas, passa a ferro, apanha fruta, nos meses de Verão explora este pequeno apoio de praia a meias com o irmão que faz de banheiro junto com o sobrinho Miguel que para além disso, frequenta a Universidade num curso de engenharia onde é bolseiro de excelência, nunca tendo perdido um ano, a Raquel segue-lhe no rasto entrou este ano também com uma bolsa para enfermagem, mas ela gostava era de ser educadora, adora crianças.

Candidatou-se a Almerinda a subsídios vários, daqueles que são dados ao desbarato, entregues de mão beijada à ralé que nada produz, mas não foi aceite, por ter o bar é considerada uma empresária de sucesso, creiam-me que não o é, vivem com dificuldades, sempre com o dinheiro contado, no prédio ao lado do da Almerinda vive uma dessas excelentes famílias de nómadas trapaceiros, vivem com muitos euros de apoios, subsídio para os 3 putos irem à escola, que vão quando lhes apetece mas o dinheirinho é sempre a cair, pagam cinquenta euros de renda a Almerinda paga 120, o papá para equilibrar as contas vende umas 6.35mm adaptadas, mais umas gramas de pó e lá vai andando, umas vezes de BMW, outras na carrinha Vito, um verdadeiro magnata.

Agora perguntou eu. Que merda de país é este? Que merda de país discrimina assim os seus cidadãos? Que merda de terra é esta que, trata assim mal as pessoas honestas e trabalhadoras e premeia a escumalha? Senti pena da Almerinda e dos seus meninos, olhava para os nossos e pensava nos dela, tantas Almerindas, tanta tristeza, tanto sofrimento, tanta gente que se perde, tudo perfeitamente evitável, se acaso, entre as várias encomendas estragadas que se entretêm a fazer de conta, por entre os corredores do poder, existisse algum, com alguma qualidade.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, setembro 12, 2007

Ir para o Maneta

Expressão fantástica do quotidiano Luso, nascida ao tempo das invasões francesas, querendo significar, dar cabo de alguém ou de algo, faz justiça ao General Henri-Louis Loison, que tendo perdido um braço, era ao que consta mau como as cobras, tendo feito algumas da suas muitas galfarrices, aqui em território nacional nos idos de 1807-1808, leiam o livro “Razões do Coração” de Álvaro Guerra, um delicioso romance sobre o Portugal das invasões francesas ou a obra “Aqui não Passaram” do General Carlos Azeredo, que numa obra de excelência analisa com o seu brilhante olho de estratega e militar, o panorama, social, politico e militar das invasões.

Mas não é de história que vos quero falar, é de civismo e de uma minha mania parva, talvez porque tudo esteja ligado, e o episódio das invasões também explique alguma coisa do carácter nacional. Da minha casa ao meu local de trabalho, distam cerca de 500 ou 600 metros, percurso que faço diariamente a pé, cumprindo assim a minha parte na ajuda ao ambiente.

Nesse percurso passo por 3 ou 4 contentores do lixo, que invariavelmente estão abertos, para maior prazer de cães, gatos, mosquedo e outra bicharada, pleno de zelo comunitário lá me aproximo do mastronço e lhe cerro a bocarra. Distância igual percorro do meu local de trabalho até casa dos meus pais onde normalmente almoço, percorro igualmente a pé, até porque Almeirim é uma terra porreira para andar a pé, é toda plana, é pequenina e não fora as carripanas, de algumas alimárias, estacionadas em cima dos passeios e a velocidade estrepitosa de muitos imbecis automotorizados, o percurso ainda seria mais agradável.

Neste percurso o cenário é idêntico, passo por mais 2 ou 3 contentores do lixo, que sem surpresa volta e meia estão de tampa aberta, por vezes a deitar por fora as mais belas surpresas, galinhas, gatos e outras bichezas mortas, tripas, estrume, caquinha de tudo quanto é bicharada, enfim um pitéu para bactérias e germes e um regalo para a vista. De novo aqui o papalvo, se aproxima sorrateiro e truca, encerra a cloaca, que alguém mais distraído deixou aberta.

Agora pergunto eu, que raio de gentalha é esta que nem a porcaria dos contentores tem a preocupação de encerrar? Ora são os meus dilectos e porcinos conterrâneos, que fazem até certo gáudio em demonstrar a sua boçalidade e veia suína, não poucas as vezes, que fecho uma tampa, quando vou no percurso para o almoço e 40 minutos depois no regresso já o mesmo contentor está de boca ao léu.

Não se pense, que isto é produto de gente de baixo calibre, de ralé, não, já assisti a muita boa senhora doutora e senhorico de pose galante, deixar o troçulho à vista, mostrando a quem passa que o grau académico não invalida que sejam na mesma uns porquinhos sebentos iguais aos que só têm a quarta classe tirada à noite.

Pois com tanta gente capaz e fina, com duas mãozinhas a funcionar, toca sempre aqui ao parvo do maneta andar a fechar a porra das tampas, “…fizessem todos um pouco do que eu faço, muito me poupariam em tempo e cansaço…”

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, setembro 10, 2007

Strangers in the night!

A noite, com os seus mistérios e silêncios, onde os pios dos mochos e as festas das bruxas, nas encruzilhadas, fazem acordar todos os ancestrais medos do humano, foi sempre um campo fértil para encenações, ilusões e sonhos, a noite exerce sobre o homem um efeito de atracção, misto de medo e desejo, a noite cativa, todos os que por ela passam.

Conheci o mundo da noite relativamente bem, com todas as misérias e qualidades da natureza humana, trabalhei uma década quase duas na noite, nas profissões pouco recomendáveis de segurança de bar e discoteca, nas cobranças musculadas, não faço disso um orgulho, foi uma fase da vida, aprendi bastante.

Quando comecei, aos 16 anos tinha já um corpanzil razoável, fazia matinés, era o ajudante do porteiro, como as matínés eram essencialmente frequentadas por maralha da minha idade eu actuava como uma espécie de mediador, com 18, levado por um sargento da minha guerra fui para Lisboa, naquela altura, os seguranças eram gente de classe, eram bons bandidos, ex-militares ou militares no activo, duros mas com dois dedos de testa, ou então malta da velha guarda, durões, calejados pelas guerras de navalhada do Intendente e do Cais do Sodré, das noitadas do aprazível Bairro Alto, privilegiava-se o diálogo, tentava-se levar o cliente à certa, acrescento que em 14 anos de noite dei porrada em três imbecis, que mereceram toda a sopaparia que lhes enfiei pelo focinho.

Mas a principio dos anos 90 a coisa muda, começam a aparecer os armários de ginásio, aqueles gajos muito grandes com braços muito grossos, cheios de hormonas, com um cérebro do tamanho de um amendoim, começam a aparecer, muitos polícias, já existiam alguns, mas agora eram mais, até existia quem fizesse segurança a um bar ou discoteca, armado com a arma de serviço.

A noite começava a perder o encanto, os bisontes sem cérebro, não sabiam ser seguranças, a doutrina de um segurança diz que ele deve servir para impedir e mediar conflitos, não para os promover, pois mas esses depósitos de hormonas não conseguiam, de tão grunhos e labregos que são, à mínima desculpa eivavam a cara do incauto cliente com uma saraivada de murros, aquele mundo que nunca fora muito saudável era agora um mundo completamente podre, onde se traficavam drogas e armas com muito dinheiro pelo meio, esse dinheiro era um chamariz, polícias corruptos, seguranças traficantes, empresários bandidos, taxistas proxenetas, juntavam-se todos em alegres noitadas, chega a existir um modos operandi curioso que se trata de prostituição encapotada, onde grupos de 4 ou 5 prostitutas atacam em discotecas da moda, chegam como se fossem clientes normais e como numa discoteca anda quase sempre metade a tentar engatar a outra metade a coisa dá lucro.

Quando comecei a namorar a minha actual mulher, deixei o trabalho noctívago, já tinha dores nas costas e nos joelhos, já não tinha paciência, o tipo de cliente também tinha mudado, antes as pessoas eram mais educadas, hoje o adolescente bêbado e brigão sem cara para levar uma chapada era o prato do dia, por isso dá para rir quando hoje vejo os nossos políticos e governantes muito preocupados com a luta do submundo da noite, o que andaram a fazer este tempo tudo a dormir, a criar leis estúpidas, a esquecer-se de criar outras que seriam importantes.

Não me espantam todas estas mortes, há 20 anos conheci, porteiros que vendiam ouro roubado, seguranças que serviam de intermediários a negócios de armas, um tinha seis mulheres a trabalhar para ele, na vida! Outro era polícia e roubava carros, mas isso foi há muito tempo, dois até já faleceram, comparados com a malta de hoje aqueles tipos eram uns anjos.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quinta-feira, setembro 06, 2007

Onde pára o Estado

Vivemos tempos de mudança, escuso aos vossos cristalinos o fastio de um discurso sobejamente conhecido de mudanças, o facto é, que elas surgem diariamente, umas mais visíveis outras mais encapotadas, mas o mundo muda, num tropel louco, com uma velocidade que nunca antes fora conseguida. O conceito de Estado esboroa-se, gasto por anos de inépcia o Estado, soçobra, num mar revolto de novas convenções sociais, politicas e sobretudo económicas porque como dizia o outro”…money makes the world go around…”

O Estado tenta impor a sua Autoridade, mas, sucumbe aos dilemas modernos, vamos ao primordial, o que é a Autoridade do Estado, passando ao lado das definições académicas, eu diria que, se trata de um poder que exercido dentro da norma democrática e constitucional, persegue objectivos de zelar pela segurança e integridade nacional, zelar pelo cumprimento das leis, direitos e garantias consignados e proteger o cidadão, fazendo cumprir as leis e mantendo o país em funcionamento.

Ora é aqui que a porca torce o rabo, dos diversos actores da Autoridade do Estado, que actuam como seus representantes, resulta uma incomensurável confusão e dispêndio de cabedais, naquilo a que uns chamam burocracia, o Estado hesita! Os representantes da autoridade, Assembleia da República, Tribunais e Polícias, ocupam-se de garantir que o Estado seja representado em todos os actos da vida do cidadão regulando essas actividades no são cumprimento das premissas legais da Estado, quando ao seu desempenho o que dizer?

Em relação aos primeiros, qualquer dos 487 vocábulos, que me passam assim num repente pelo neurónio, para os classificar, entram seguramente na categoria da ofensa, grave, muito grave e gravíssima, o Barão que é um tipo ordeiro e respeitador, não querendo desrespeitar as mães e restante família dos senhores deputados, exime-se portanto a fazer comentários, direi somente que assim como está a AR, pouco préstimo tem e autoridade nenhuma, logo falha este representante do Estado em zelar pelos interesses desse mesmo Estado.

Nos Tribunais, é aquilo que se vê, num misto de má vontade, falta de conhecimento, limitações materiais, falta de condições, má vontade, limitações impostas pelos vários códigos legais, desactualizados face às mudanças do mundo novo, o que os tribunais produzem é farinha de pão escuro. A autoridade do Estado revela-se fraca, muito fraquinha no capítulo legal, reina a impunidade, os poderosos orquestram a Lei a seu bel-prazer e os pobretanas batem com os costados na choldra, os exemplos são bastos e demasiado conhecidos seria fastidioso voltar a enumera-los, na certeza porém de que se o ilícito envolve alguém com nome ou posição, nunca nada se prova. Pois falha novamente outro representante da autoridade do Estado, falha catastroficamente, pior, mostra à populaça, que isto é tudo uma farsa, que o que conta na realidade são os cifrões e o resto são outros quinhentos.

Por último as polícias, ora como são o último terço da recta, é sobre eles que recaem todas as recriminações e exigências, como se as polícias fossem corpos autónomos e dotados de capacidade própria, não o são! Não o são na imediata subordinação ao poder politico e judicial, não o são porque democraticamente não poderíamos ter uma espécie de pretorianos, que sem rei nem roque fizessem tudo aquilo que lhes desse na gana, um dia polícia outro ladrão.

São porém os únicos que merecem ser louvados, porque estão entre a espada e a parede, entre a espada da sociedade sempre prestes a acusa-los de tudo e mais alguma coisa e sempre pronta a gritar aqui d’el rei quando sente o traseiro apertado, sem nunca sequer se lembrarem, de que por baixo da farda estão homens e mulheres, que têm filhos e família, dívidas e prestações, doenças e problemas, alegrias e tristezas, momentos bons e maus, condições de trabalho por vezes a roçar o subdesenvolvido.

Contra a parede das instituições judiciais e políticas que condicionam e espartilham a sua actividade, que comprometem o seu desempenho que os atacam e ajudam a desrespeitar, fazendo com nos dias que correm um polícia inspire tão pouco respeito. Falha mais uma vez o representante da Autoridade do Estado, mas este contrariamente aos anteriores falha não por iniciativa própria, mas pelas condicionantes que lhe são impostas.

Ora se os representantes da Autoridade do Estado falham, onde pára a Autoridade do Estado? Pára pouco, manifesta-se pouco e mal e sempre aos mesmos, porque o mesmo estado que a uns impõe tudo a outros tudo permite, a Autoridade do Estado falha rotundamente, neste país não há porra nenhuma de Autoridade do Estado, isso é uma anedota, uma farsa, uma mentira para manter a maioria a cumprir que é isso que interessa, ainda que exista uma minoria grande, que faça gato-sapato da Autoridade do Estado, que o prejudique, que o esburgue, que pratica todas as vilezas e sai incólume, esta minoria causa a maioria dos crimes, que lesam o Estado em milhões e milhões, paulatinamente o Estado, qual pai complacente e bonacheirão assume a despesa sem reclamar, os seus representantes, inchados pela qualidade que ocupam, engordados com os cabedais do mesmo saco, olham para o lado, relativizam fingem nem reparar, como na canção.

Pois porque afinal, o Estado somos nós, os infelizes, que pagamos isto tudo, que alimentamos, o político, o tribunal, o polícia e o ladrão, damos de comer a todos e somos comidos por todos, naquilo a que se poderia chamar uma grande e feliz Homossexuaolacracia.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, setembro 03, 2007

A « Rentrée »

Hélas ! Terminado o período das impostas, libações termais, aconselhadas pelo mais desapoderado discípulo de Esculápio, de que há na Historia, memória. Regressa o Barão ao convívio da blogosfera, amigas e amigos estou, feliz por vos voltar a rever.

Andei a seguir nos últimos três dias, os discursos dos politiqueiros de serapilheira que nos tocaram em sorte, as tais das “rentrées”, com discursos mais ou menos inflamados, mais ou menos indigentes, mais ou menos do mesmo.

O único que me merece algum destaque é o CDS, não pelo conteúdo farroupilha e farçola tão ao gosto do seu excelso presidente, mas pela excelente iniciativa de atacar nas novas tecnologias, esteve bem o CDS, quanto ao discurso de Portas, foi uma, catrefa de minudências demagógicas e populistas, sem alcance prático absolutamente nenhum, raiando até nalguns pontos a simples hipocrisia, como o ataque ao governo por causa da acção da GNR, durante o ataque ao milho transgénico, mas andando, a continuar assim o CDS, será sempre o grupelho reaça que sempre foi, alicerçado num aspirante a caudilho e seus apaniguados revivalistas, sedentos de Deus, Pátria e Família, coisas que em abono da verdade nunca existiram, excepto como mitos políticos de alguns que nos querem fazer de tolos, mas há quem goste, paciência, que é uma virtude que deve ser cultivada, confesso que tenho muito pouca.

Do PS, enfim, o deserto ideológico que por ali campeia, deixa aquela rapaziada um pouco à nora, não chego a perceber o que deseja o senhor PM, se quer ter um partido de esquerda se um de direita se uma terceira via blairista, se até uma quarta via, a do naufrágio, verdade verdadinha é que entre discursos mais ou menos ocos, acções populistas, como andar a enfiar computadores de três vinténs pelo gorgomilo da maralha, este PS e o Governo anda a contra ciclo do resto do país, mas como as alternativas são de arrepelar os cabelos de tão más, acredito que nas futuras eleições o fado seja o mesmo, a ver vamos se me assiste a razão.

O PSD, igual a si próprio, cinzento, sem ideias, com um discurso vazio de conteúdo e pobre de espírito, Mendes não se manca, o partido também não se não tiver melhor alternativa que Menezes, como está, o PSD é o melhor aliado do PS. Critica-se a uns o que outros no passado fizeram, responsabiliza-se outros pela culpa de todos, ainda assim o melhor mesmo é Jardim, o mãos largas do Atlântico, continuo a disparatar a torto e a direito sem literalmente dar cavaco a ninguém.

Louça, e o seu Bloco, continua a não perceber que o seu trotskismo sectário, é a sua ruína, estão à laia do CDS, são um grupelho, esquerdeirote, caceteiro e mal amanhado, sem réstia de préstimo, cheguei a acreditar que aqui existiria alguma alternativa, mas não, instalados como já estão no poleiro, acomodaram-se depressa, os arroubos de pseudo irritação e alegada provocação intelectual, ficam-se pelas costumeiras calinadas, típicas desta rapaziada das foices e dos martelos, até chateia, porra.

O PCP, lá anda, a julgar pelos cada vez menos e mais idosos voluntários da festa do “Avante” qualquer dia, não vão mais avante, porque os que faziam algum à borla bateram a pataleta, esperado o discurso de Jerónimo, que fazendo, uso dos meus dotes sibilinos aqui reproduzo já, “ Blá, Blá, Blá os trabalhadores e tal, blá, blá, blá, o grande capital, blá, blá, blá, os interesses do imperialismo e assim por diante…” Rematando tudo com um “Avante Camaradas” e tá feito, guarda lá as folhinhas que para o ano muda-se a data e os substantivos e chega.

Resumindo, isto é tudo de uma atroz pobreza franciscana, de uma indigência intelectual fantástica, ninguém discute realmente nada daquilo que a nós cidadãos preocupados e pagantes impenitentes desta salada toda, interessa, ninguém levanta uma sequer pequena frase que intelectualmente seja desafiante, que nos ponha a pensar que nos tire deste pântano, não, a bitola é tão baixa que é degradante viver num país governado por gente desta semelha, mas que fazer, desistir? Jamais! Por isso vamos à luta.

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia