segunda-feira, outubro 29, 2007

Diário de Férias II Os Labregos

Chegaram em estilo, monovolume da moda, cheio de extras, ele sai do carro, calção de praia comprado a peso de ouro, sapatinho de vela, farripa empastada de gel arrepiada para trás, óculos escuros fashion, bronze a condizer, rapa do paivante atiça-lhe a mecha, amarfanha o maço e não vai de modas, chão. Isto quando a menos de 35cm se via uma papeleira, daquelas amarelas amarrada a um poste de iluminação.

Ela, de loiro platinado, arcaboiço de dondoca, loiríssima excepto as sobrancelhas e a raiz do cabelo, saco de praia, fatiota completa, toalha enrolada à anca volumosa, fios brincos e anéis, tipo montra de ourives ambulante de outros tempos, lulu rafeirolas ao colo, generosa de busto e repintada com camadas sucessivas de reboco, arreia o rafeiro que ali mesmo posta uma supimpa, cagadela, apanhaste tu? Pois nem a madame, a bosta do rafeireco lá ficou para que algum otário, possa lá atascar o pedúnculo.

De trás saem três fedelhos, o mais velho para aí com 14 anos, loiríssimos, vestidinhos com os chanatos de plástico da moda, pranchas de vários modelos, a piquena debicava enfastiada um bolicoiso, cujo invólucro ficou a enfeitar a ruela, entre os três faziam mais barulho que uma vara dos seus homónimos de quatro patas, daqueles que ainda se vêem mansamente boletando nos montados do Alentejo. A carripana como estava ficou, que interessa se fica mal estacionada, se fica a ocupar um espaço onde cabiam dois carros de igual tamanho, que se lixe, temos de ir que se faz tarde, são 09.35h da matina e a praia espera-nos, poderemos ainda torrar mais ao Sol, os colegas lá do trabalho ficaram ruídos de inveja, em cima do tablier, meio de esguelha mas ainda assim relativamente visível um cartão de autorização de estacionamento de uma unidade hospitalar da capital cá da parvónia, com o nome de Dr. Qualquercoisa, que o nome não vem ora ao caso.

Um quarto de hora depois, já tomei o café da ordem, dei uma debicada no jornal, acendo uma pirisca e boto-me a olhar o infindável mar, gaivotas que esvoaçam errantes, guinchando aqui e acolá, reafirmando a posse do seu território, lá em baixo já se topa a algazarra, dos veraneantes, a saudável gritaria da infância por junto com o trautear melodioso das conversas das comadres, das raquetes de bolinhas, coisa irritante e do marulhar das ondas.

Frente ao tasco onde estou, acompanhado com o amigo Zé, pára um carripano da moda, todo cheio de asas e saias e cromados, lá de dentro brota um infernal barulho, parece uma tempestade de alto mar, ao volante um rapazola de cerca de 30 anos, com o barrete oficial dos indígenas desta laia, o inefável brinquinho de brilhante à Ronaldo, e aquele ar de grunho que estas criaturas todas apresentam, do outro lado salta uma moçoila, calça justíssima, fio dental, a eterna tatuagem do golfinho azul, um penduricalho atacado na penca, também com o ar típico da fêmea desta raça, do banco de trás saltam dois fedelhos, mais uma matrona gigantesca e um pintas, de barrete igual ao do condutor, soquete branco, camisa aberta e fio de ouro da grossura de um cabo de amarração, acto instintivo, larga uma valente escarradela, compõe a calça e acomoda a tomatada, das traseiras fazem sair os inevitáveis cestos e cestas, geleiras e chapéus-de-sol, bolas e baldes de praia.

Entretanto o condutor, que até ali, tinha estado parado em cima de uma passadeira em plena via, impedindo assim os outros de passar, arranca, num verdadeiro arranque de campeão de estrada, sobe o passeio, encosta bem para a malta que vem a pé não poder passar e ter de ir para a estrada e lá vai ele, todo pimpão, orgulhoso da calçola largueirona, o barrete de ar parolo e as tatuagens étnicas, que se lhe perguntarem o significado ele nem sabe. Procurei rasto de cadeirinhas para transporte de crianças, mas nem cheiro delas, o papá fumava dentro da carripana, os putos apanham com certeza com a fumarola, que diabo só lhes faz é bem para criar resistência.

Olhei para o amigo Zé e rimos os dois a bandeiras despregadas, uma das coisas com piada durante este tempo de praia é estar assim, numa esplanada a ver as marés de Labregos que desembocam nestas praias abençoadas, quando se está atento a esta avifauna, é que se percebe a quantidade de labregos que habitam neste país, uns mais doutorados outros menos mas todos irmanados na labregada, todos labregos todos iguais.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, outubro 22, 2007

Prioridades

Este país, sempre teve prioridades que deixam qualquer um mais avisado a coçar o cocuruto sem perceber patavina da lógica da coisa, desmandos e idiotices sucedem-se em cascata, os nossos políticos são com certeza as mais prodigiosas máquinas de diarreia legislativa de que na história existe memória, tantas e tão céleres medidas, leis e projectos mirabolantes, fantasistas e completamente estúrdias, entre as mais recentes, o famoso “kit do Agarrado”, está entre as eleitas.

A ideia é evitar o contágio, com doenças como o HIV/Sida, Hepatites e outras maleitas perniciosas, aos excelsos cavalheiros que se encontram privados de liberdade por tempo certo, cumprindo, na maioria dos casos injustas penas, coitados. Então vá de enfiar par dentro das prisões caixinhas com agulhas e tal, tudo para ajudar os agarrados coitadinhos. Se a ideia não fosse parva, eu até pensaria que mais uma vez andam a gozar comigo, mas não é mesmo verdade, lá vão rios de dinheiro para o esgoto, porque os tipos vão acabar por se infectar, mais tarde ou mais cedo, mas ficamos todos mais descansados, esta é uma das medidas mais inteligentes dos últimos milénios.

Entretanto o Barão teve acesso a informações confidenciais, de que o governo prepara o lançamento de mais destes kit’s, direccionados a outro tipo de vícios e comportamentos compulsivos, pode o Barão em primeira-mão publicitar os novos kit’s a lançar futuramente em campanhas igualmente cretinas como aquelas dos agarrados.

Kit Bêbado

(Este kit consta de uma caixa de papelão contendo um copo de vidro, um maço de guardanapos, 2 caixas de Gurosan, 2 caixas de Compensan e 2 caixas de sais de fruta e um garrafão de pinga. Este kit vem em 4 versões, Bêbado Rasca, tinto carrascão ou branco, Bêbado Fingido, ginga e abafado, Bêbado Sujo, bagaço e macieira e versão elite onde o garrafão é substituído por uma garrafa maxi de champanhola e uma de vodca.)

Kit Fumador

(Este kit consta de uma caixa, tipo caixa de sapatos, contendo, um volume de maços de cigarros de marca variada, 2 caixas de fósforos e um isqueiro, traz também um lenço para os escarros matinais.)

Kit Depravado

(Este kit consta de uma caixa de papelão de tamanho médio, contendo 10 revistas pornográficas, uma boneca insuflável, 2 caixas de toalhetes, 50 fichas para o peep-show, uns binóculos para espreitar casais de namorados e um massajador facial para os casos mais complicados.)

Kit Jogador

(Este kit consta de uma caixa de papelão, com dois baralhos de cartas, um par de dados viciados, 20 cheques pré-datados sem cobertura, 10 raspadinhas, 20 boletins de totoloto e euromilhões por preencher, 10 notas de dívida, um contrato promessa de venda da sogra.)

Kit Beato

(Este kit consta de uma caixa de papelão, contendo uma bíblia em papel couché, dois rosários, uma miniatura em escala 1/72 do novo santuário de Fátima, um crucifixo de ponta e mola, duas imagens benzidas pela santa da ladeira do papa Leão III e dois Euros em moedas de um cêntimo para as esmolas.)

Kit Glutão

(Este kit consta de uma caixa de papelão, contendo, duas doses de Rojões à Minhota, duas sopas da Pedra, um ensopado de borrego e quatro pães caseiros, um frango de cabidela e duas doses de Tripas à moda do Porto, mais uma malga de litro de Papas de Serrabulho.)

Kit Malta Fashion

(Este kit consta de uma caixa de papelão, contendo, um cérebro em conserva, 4 jerricans de botox, dezoito revistas de sociedade, bijutaria barata a passar por jóias finas, convites para milhentas festarolas idiotas, roupa de marca fabricada em Shishuan e no Vale do Ave.)

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, outubro 15, 2007

Mágoas

Creio que nunca escrevi nada sobre este tema, uma infeliz, sórdida e exemplar história deste nosso Portugal dos tais brandos costumes. Nunca me lembrei de dar a minha ferroada, quando tanta gente inteligente e capaz o fez, de uma forma esplêndida ou não, mas hoje lembrei-me do Caso “Casa Pia”, por causa de uma parangona que vi a propósito da entrevista da antiga Provedora dessa instituição.

- Mas que dirás tu que não tenha sido já dito ó Barão? – Perguntam e bem os meus dilectos amigos e outros que visitam esta minha barraca de atoardas, pois com certeza que não trarei nada de novo, já vou em seis linhas e ainda não disse porra nenhuma, este é mais um desabafo, uma declaração pessoal, uma espécie de reflexão à minha moda.

O processo Casa Pia arrasta-se até à exaustão, numa espécie de jogo do gato e do rato onde como nos desenhos animados do antigamente o rato finta sempre o rato, acredito que já ninguém sequer, se lembre qual era o objectivo de toda esta palhaçada, sim porque entretanto os objectivos foram mudando uma e outra vez, par culminar no actual objectivo, a completa absolvição de todos os arguidos com talvez excepção do trolha do cão de fila dos senhores ricos.

Às vitimas resta pensarem que, fica para a próxima, que talvez de hoje a muitos anos se repita algo do género, que as televisões se encham de professores doutores e mais não sei o quem, alias qualquer gato-sapato, incluindo cavalheiros de blogues da treta, este incluído, e, todos por junto caguem lampanas sobre um assunto, sobre o qual não têm a mais pequena noção, dos contornos escusos e sórdidos da sua realidade, talvez um dia as televisões, jornais, rádios e blogues se voltem a encher de acusações e contra argumentos na ânsia dos 15 minutos de glória, talvez um dia nessa outra realidade as coisas sejam diferentes ou talvez não.

Este pseudo processo sério, sim, porque tem juízes de altíssimo gabarito, advogados pagos a peso de ouro, arguidos que supostamente são da nata da sociedade, especialistas e técnicos conceituadíssimos, numa encenação destinada a ofuscar as mentes e a botar faladura no mundo, dizia eu que este tal julgamento que infelizmente acabará como eu penso, ou seja em nada, esta encenação toda dá-me o mais absoluto e genuíno asco, nojo, vómitos e diarreias, de cada vez que oiço falar nos seus intervenientes, sejam inocentes ou não, enoja-me esta farsolice beata desta sociedade traposa de energúmenos, quando finalmente esta porcaria toda acabar, infelizmente como eu preconizo que acabará, assim também acabará o meu respeito pelas instituições desta terra, aqui solenemente vos digo que o pouco respeito que ainda guardo por este país se irá esvair, amo o meu país, mas é só isso amo a terra, as árvores e os bichos mais uma mão cheia de gentes, ao resto, estimo que impludam.

Fico magoado com esta imbecilidade, magoa-me saber que ninguém valerá aquelas crianças nem a outras que aí chegarem, que não basta a infelicidade de não terem um lar verdadeiro, ainda terão de servir para as sórdidas e porcas manifestações de comportamentos desviantes de porcos da alta, cujo dinheiro e estatuto protege, magoa-me viver neste país podre e sebento, com a megalomania própria de uma puta fina, que de dia vive na barraca e à noite vai comer caviar ao bar do hotel, magoa-me a tristeza de cada uma daquelas crianças, magoa-me não as poder abraçar todas e proteger, magoa-me profundamente que mais uma vez aquelas e outras crianças sejam criminosamente esquecidas, magoa-me esta impotência de gritar em surdina sem que me oiçam.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, outubro 08, 2007

(In)Justiça

Sua Excelência o Sr. Presidente da República a propósito do novo Código Penal, disse, cito de memória, …não percebo as críticas, devemos esperar para ver o efeito que produz…

Concordo em parte com Sua Excelência o Sr. Presidente da República, tenho de deixar de fumar, o Ventil anda a provocar-me efeitos secundários terríveis, onde já se viu, eu a concordar com Sua Excelência o Sr. Presidente da República, estou mesmo a ficar marreta, mas andando.

Então vamos esperar pelos resultados! A julgar pelos resultados iniciais, a coisa promete. Não discuto o código, não sou jurista não percebo porra nenhuma daquilo, assim como assim parece que eles também não. Mas questiono-me de uma perspectiva que deveria preocupar os senhores do poder, os juristas e toda a maralha que enche o bolso à volta dessa coisa chamada Justiça. Questiono-me da perspectiva do cidadão de bom senso, que vê os predadores de crianças a sair airosos sem mais aquela, onde os direitos dos pobres infelizes que foram vítimas desse tipo de lixo humano, ficam completamente a mercê do acaso, questiono-me na perspectiva do pagante de impostos, a quem a Constituição e os demais códigos garantem tudo e mais alguma coisa e pouco fazem cumprir e que vê dinheiro dos seus impostos esbanjado por esta caterva de indigentes intelectuais que assoberba o poder, questiono-me na perspectiva da pessoa a quem roubam vinte euros e o tribunal arquiva o processo, ninguém pergunta é se tenho mais dinheiro, se aqueles não seriam os meus únicos proventos, questiono-me na perspectiva de quem é esburgado, de quem vê o seu lar devassado, a sua intimidade violada, a quem o tribunal dá razão mas não condena ninguém, questiono-me na perspectiva de quem é agredido por escumalha intocável a quem nada acontece, questiono-me na perspectiva de quem vive em medo permanente.

Começando pelo princípio, em Portugal não há Justiça! Em Portugal a Justiça é uma mentira! Creio que esse facto é inegável. - Olha lá o Barão, as prisões estão cheias! – Sim, mas nem sequer albergam metade dos que deviam lá estar, nem os que lá estão ficam lá metade do tempo que deveriam lá ficar, deixo já claro que isso do princípio regenerador da pena e toda essa lenga-lenga lamechas de recuperação e reinserção, a mim não me convence, não digo porém que não se deva tentar, mas não nestes moldes, deverá ser feito de modo sério.

A pena deve servir para punir, pois também não acredito no modelo do exemplo, a pena como método de impedir novos crimes através do medo de ir preso, isso é treta, conheço demasiado bem o género humano e isso é mentira, ainda assim, acredito que numa ínfima percentagem isso seja verdadeiro, para além de punir a pena deve servir para manter afastados os elementos podres da sociedade, é preciso gente nos governos que tenha a decência, a coragem e a sensatez de declarar que pura e simplesmente existem pessoas que não prestam, independentemente de todos os subsídios, rendimentos, ajudas, campanhas solidárias, projectos imbecis e demais cretinices que nos últimos 30, repito trinta anos foram, são e serão levados a cabo, e ponto final, porque isso é uma verdade que constatamos todos os dias, esqueçam lá as amnistias e essas tangas e punam de verdade esses bandalhos.

No meu simples modo de labrego campesino, habituado há gerações a ser rapinado por todos, acho extraordinário que a ênfase de todos os códigos legais deste país esteja na protecção da escumalha, não da vítima, alias pelos discursos dá a sensação de que a vitima é malvada porque estava ali em casa aquela hora ou porque passou naquela rua depois das cinco da tarde, eu até percebo, os códigos legais estão feitos para salvar os amigos e os compadres, o dianho é que como as leis ao que me parece são de aplicação geral, a escumalha acaba por beneficiar e para não variar quem é que apanha por tabela, pois claro todos aqueles cidadãos cumpridores que alimentam e engordam a escumalha dirigente e a escumalha da ladroagem.

Solução para isto, politicas sociais com pés e cabeça, reforma dos sistema político e do modelo desta república de bananas, agravamento de penas, mudar completamente os códigos, defender quem merece defesa e combater a escumalha, em último caso emigrar fugir daqui a sete pés, poderia dizer para cada um de nós pegarmos na canhota e rebentar a tiro todos esses ninhos de ratos, mas isso seria incitar à violência o que é crime e ainda me vinham prender, pois sou um cidadão extremamente perigoso, tão-somente porque penso e não licito em leiloeiras de carneirada, a violência só gera mais violência, ainda que por vezes fico tentado, garanto-vos que fico!

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, outubro 01, 2007

Vira do Milho

Perorava a pobre maçaroca, ainda em incipiente estado, sobre a sua condição, não é fácil manter unidos todos aqueles grãos, cada um com a sua personalidade, mas a pobre maçaroca velava, agarrada ao caule, estiolava lentamente, mais uma ou duas irmãs, num caule, qual oleoduto que, transportando a seiva da mãe Terra, lhes traz o sustento, a par com o pai Sol, cujos raios benéficos muito ajudam, tempo virá que, a máquina portentosa e barulhenta a separará do seu amado caule e num supetão a engole, debatendo-se sem gloria nem esperança nas entranhas do monstro de aço, a maçaroca rodopia num bailado de morte, separada finalmente dos seus grãos, que saudades sente já daqueles rezingões, já não ouve a suas vozes, calaram-se para sempre, assim segue, quase nua, violada, sobram-lhe dois, não, cinco dos mais pequenos, que escaparam.

Ali vai ela, com outras milhentas, irmãs, por sobre o barulho do monstro troam as vozes dos milhões de filhos que agora órfãos gritam em vão pela mãe maçaroca, que é já cuspida pelo monstro e fica ali por junto com outras com os pequenos que lhe restaram, tolhidos, sem quase vida, que triste é vida de uma maçaroca, bichos e maleitas, ventos e tempestades, granizo e gelo, chuva em demasia e tórrido calor, javalis e aranhiço, tantas ameaças tão grandes e poderosas, que triste é a vida de uma maçaroca, amanhece lentamente, quando por entre lancinantes gritos de dor, a maçaroca sente, a desconfiada rola, a astuta perdiz ou o ladino pardal, debica-la arrancando-lhe os seus últimos e pobres grãos, em desfilada por entre o restolho orvalhado da manhã, bandos de inimigos alados banqueteiam-se alarvemente, com os restos da sua criação, triste é a vida de uma maçaroca.

Ainda assim fugiu ao destino dos seus amados grãos, que transportados no bojo do monstro, são já descarregados para outro ainda maior e mais possante monstro, que os leva, estrada fora param um mundo que nunca viram, sempre em frente para o desconhecido, atroz a viagem, comprimidos uns sobre os outros milhões de grãos de milho dos milhares de maçarocas, choram e gritam em desespero, que injustiça ainda ontem, estavam ao delicioso sol matinal, fortalecidos pelos nutrientes da terra, hoje ali estão completamente prostrados e indefesos, sob um mostro de aço que ronrona e bufa, ai de nós gritam, ai de nós, choram e soluçam, ai de nós, que nos pisam, e moem, pavoroso o som que anuncia a uns a morte dos outros, num sofrimento atroz enquanto poderosas mandíbulas de aço os atiram para tulhas que os canalizam para mós infernais que os desfazem, pobres grão de milho que cruel desfecho para uma vida delicada e bela, triste vida, a das maçarocas de milho, triste vida a do grão de milho, arrancando, calcado e esmagado.

Se eu fosse uma maçaroca era assim que descrevia minha vida, e agora digam lá, se é preciso uns eco-parvos, trangénico ou não, virem arrancar-me, com tanta, tanta coisa para irem boicotar, explodir e atazanar, digam lá!

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quinta-feira, setembro 27, 2007

Lançamennto do livro «Histórias Raríssimas»

É RARO mas acontece.
É RARO conseguir juntar 14 personalidades do mundo cultural numa obra literária única.
Mas aconteceu.
É RARO que todas aceitem escrever sobre o mesmo tema: o raro. Mas aconteceu.
É RARO o momento em que tantas personalidades se dispõem a apoiar prontamente uma causa
que precisa. Mas aconteceu.
É RARO quando o tema e o objectivo do livro são o mesmo. Mas aconteceu.

O livro é sobre «Histórias Raríssimas», conta com o alto patrocinio da Dr.ª Maria Cavaco
Silva e com o apoio exclusivo exclusivo da Novartis Oncology.
Todas as suas receitas revertem a favor da Raríssimas, Associação Nacional de
Deficiencias Mentais e Raras.

Leia-o e faça algo de bom acontecer.

O lançamento acontece no dia 2 de OUtubro na FNAC Chiado, pelas 18h30.

Um abraço Solidário deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, setembro 24, 2007

Geração Neanderthal

Anos atrás, um artigo já não sei de quem, fazia correr mares de tintas, o homem apodava os miúdos de então de “Geração” rasca, essa rapaziada tem hoje trinta e picos quarenta anos e está a produzir outro fenómeno interessante a que resolvi dar o nome de, “Geração Neanderthal”.

Na altura o artigo do dito camarada irritou-me, escrevinhei na altura, sim já então tinha a mania de que sabia escrever, um panfletozeco de título “Geração à Rasca”, onde discorria sobre a iniquidade do epíteto do cavalheiro, “Vanitas Omnia Vanitas”. Hoje, tenho de pedir desculpa ao homem, ele tinha razão, esse visionário, tinha carradas de razão.

A tal rasca Geração, produz alegremente ainda que de forma insuficiente para as necessidades do país uma coisa ainda mais degradante, a Geração Neanderthal, naquilo que é uma evolução em negativa, o crianço/adolescente até aos 30 anos, médio actual é um ou uma, fedelho birrento e semi analfabeto, mal-educado e completamente estupidificado pela globalização cultural, uma coisa pavorosa, claro que, ainda bem, existem ainda muito bons exemplos, cada vez menos, de miúdos atilados e diligentes, que está claro formarão as futuras elites, que tratarão de viver a explorar a vasta massa de asnos que estamos a produzir, e, não sou eu que o digo são as estatísticas, o abandono escolar, as notas vergonhosas, os comportamentos imbecilóides, as modas estúpidas, tudo isso concorre para esta massificação da estupidez, o que é de todo um contra-senso, pois em tempo nenhum da história do homem existiu tanto conhecimento e de acesso tão fácil.

No entanto numa coisa perfeitamente insana, esta geração pretere a sapiência em favor da asneirada, pretere a excelência em favor da imbecilidade pura, abraça o facilitismo e consumismo anárquico dos indigentes intelectuais, porquê, senhores, porquê?

Elementar meus caros! Como diria o homem de Baker Street. Já repararam por ventura nos exemplos, que lhes chegam todos os dias, já repararam nas atitudes dos mais velhos, já repararam nos edificantes modelos que os putos têm para seguir, para glorificar e imitar.

Políticos miseráveis e aldrabões, chutadores de bola analfabetos e excessivamente pagos, pais ausentes e imbecis, médicos impostores e mercenários, professores sem conhecimentos e trapalhões, juízes de quinta apanha, séries de televisão néscias e pelintras, patrões farroupilhas e falcatos, trabalhadores ineptos e absentistas, enfim todo um modelo de sociedade que se comunga para produzir a mais rematada corja de incapazes que já alguma vez existiu.

Senão reparem, as anteriores gerações, destacaram-se sempre por alguma grandiloquente conquista, a Geração da independência e da Conquista, a Geração de Aljubarrota, a Geração das Descobertas, A Geração da Restauração da independência, a Geração de Pombal, todos em maior ou menor grau e claro que com muito de mau a apontar, conseguiram dar exemplos edificantes de labor, conquista entrega e sacrifício, ao contrário as Gerações destes últimos duzentos anos, conseguiram o quê? Em primeiro, perder tudo pelo qual, nos seiscentos anos anteriores, tanta gente lutou, hipotecar e desbaratar, em traficâncias, compadrios e desvios os cabedais da fazenda pública, corromper completamente as anteparas de um país, que era pobre, pequeno mas honrado, valha-nos porém que deram ao Mundo excelentes e soberbos escribas, Antero, Eça, Camilo, Pessoa, Junqueiro, Saramago, Agustina, Lídia, Sofia enfim uma enormidade de gente que infelizmente tanto os Rasca como os Neandertais não lêem.

Desembocamos na Geração da estupidez pura, neste mar oceano de bobos da corte, toleirões e enfatuados, analfabetos e asnos, que volteja ao redor das modas como mariposas tontas à roda do castiçal, sem sequer tomarem tino do rumo, pois isto vai acabar mal, quase é certo, que vai.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, setembro 19, 2007

Desafio Aceite


[Mas isso é porque aprendemos a separar a necessidade de segurança da confiança numa intervenção divina instantânea nos assuntos terrenos]
in, Uma História da Guerra, Keegan, John, Editora Tinta da China, Lisboa, 1º Edição Outubro de 2006

Aceitando o desafio de dois caros amigos da blogoesfera, a Trequita e o Bom Gigante, resolvi responder, o desafio é simples, consta de:

1º Pegar no livro mais próximo
2º Abri-lo na página 161
3º Procurar a 5º frase completa
4º Colocar a frase no blog
5º Não escolher a melhor frase nem o melhor livro (usar o mais próximo)
6º Passar o desafio a cinco pessoas

O livro que estou a ler neste momento: "Uma História da Guerra" de John Keegan, um conceituadíssimo estudioso do fenômeno militar, é uma excelente resenha, histórica, política, social e cultural do fenômeno da Guerra no seio da Humanidade.

Passo o desafio a.... sei lá, vou tirar à sorte:
125Azul
Capitão Merda
Heresias Consentidas
As the World Turns
Ruby Sackville Baggins

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, setembro 17, 2007

Diário de Férias I

Ao princípio impressionaram-me os olhos, grandes, expressivos, negros, com a profundidade de uma alma generosa e alegre, depois foi a história de uma mulher igual a tantas outras, uma história de amores e desamores, onde as tristezas mais são que as alegrias, ainda assim não tiram o brilho a estas gentes fantásticas, depois de conhecer a sua história ainda me impressionou mais.

Mas adianto-me, comecemos pelo principio, estava de férias num poiso habitual com a malta habitual, entre todos, existem cinco fedelhotes piquenos, cinco diabretes, sentado no barzinho que serve de apoio à praia discuto com o Carlos a trabalheira que vai ser, estar atento aquela malta toda, sim porque apesar de sermos uns labregos da província, um ou outro detentor de uma licenciatureca verdadeira, mais prós graduação e mestrados incompletos, não somos pessoas de deixar os putos a dormir para ir para os copos e muito menos deixa-los sós, prezamo-nos por sermos pais galinha, mas lá estou de novo a fugir à história, isto foi só um aparte.

Discorria-mos então entre uma fresquinha e outra sobre como atalhar a coisa e manter os porta cueiros debaixo de olho, quando a senhora do barzinho a Almerinda nos diz: - Olhe se quiser a minha Raquel pode tomar conta dos meninos, ela tem muito jeito, para as crianças!

- Olhamos um para o outro, pagamos a cervejola e fomos conferenciar com o resto da maralha, trato feito, combinado o preço a Raquel nos sete dias seguintes foi a nossa melhor arma, para garantir que nada acontecia à pequenada.

Mas também não é da Raquel que vos quero falar, alias não é só dela. Quero, falar-vos é da mãe, que é a dona do barzinho, é eufemismo chamar barzinho aquela barraquinha mas enfim. A Almerinda, é uma mulher de armas, há dois anos o marido, pescador, seguindo a tradição do pai, morreu de ataque cardíaco, ficou só com os cinco filhos, o Marco de 3 anos, a Joana de 7, o Ruben de 12, a Raquel de 17 e o Miguel de 19, vivem todos num T2 num bairro social.

A Almerinda esfalfa-se a trabalhar, vê-se que foi uma mulher bonita, ainda o é, apesar de envelhecida precocemente, guarda ainda traços dessa rara beleza mediterrânica, onde o tisnado do sol se alia a lábios grossos e olhos amendoados, ancas fortes e seios fartos de mulher de trabalho, uma verdadeira força da natureza. Trabalha a dias, limpa escadas, passa a ferro, apanha fruta, nos meses de Verão explora este pequeno apoio de praia a meias com o irmão que faz de banheiro junto com o sobrinho Miguel que para além disso, frequenta a Universidade num curso de engenharia onde é bolseiro de excelência, nunca tendo perdido um ano, a Raquel segue-lhe no rasto entrou este ano também com uma bolsa para enfermagem, mas ela gostava era de ser educadora, adora crianças.

Candidatou-se a Almerinda a subsídios vários, daqueles que são dados ao desbarato, entregues de mão beijada à ralé que nada produz, mas não foi aceite, por ter o bar é considerada uma empresária de sucesso, creiam-me que não o é, vivem com dificuldades, sempre com o dinheiro contado, no prédio ao lado do da Almerinda vive uma dessas excelentes famílias de nómadas trapaceiros, vivem com muitos euros de apoios, subsídio para os 3 putos irem à escola, que vão quando lhes apetece mas o dinheirinho é sempre a cair, pagam cinquenta euros de renda a Almerinda paga 120, o papá para equilibrar as contas vende umas 6.35mm adaptadas, mais umas gramas de pó e lá vai andando, umas vezes de BMW, outras na carrinha Vito, um verdadeiro magnata.

Agora perguntou eu. Que merda de país é este? Que merda de país discrimina assim os seus cidadãos? Que merda de terra é esta que, trata assim mal as pessoas honestas e trabalhadoras e premeia a escumalha? Senti pena da Almerinda e dos seus meninos, olhava para os nossos e pensava nos dela, tantas Almerindas, tanta tristeza, tanto sofrimento, tanta gente que se perde, tudo perfeitamente evitável, se acaso, entre as várias encomendas estragadas que se entretêm a fazer de conta, por entre os corredores do poder, existisse algum, com alguma qualidade.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, setembro 12, 2007

Ir para o Maneta

Expressão fantástica do quotidiano Luso, nascida ao tempo das invasões francesas, querendo significar, dar cabo de alguém ou de algo, faz justiça ao General Henri-Louis Loison, que tendo perdido um braço, era ao que consta mau como as cobras, tendo feito algumas da suas muitas galfarrices, aqui em território nacional nos idos de 1807-1808, leiam o livro “Razões do Coração” de Álvaro Guerra, um delicioso romance sobre o Portugal das invasões francesas ou a obra “Aqui não Passaram” do General Carlos Azeredo, que numa obra de excelência analisa com o seu brilhante olho de estratega e militar, o panorama, social, politico e militar das invasões.

Mas não é de história que vos quero falar, é de civismo e de uma minha mania parva, talvez porque tudo esteja ligado, e o episódio das invasões também explique alguma coisa do carácter nacional. Da minha casa ao meu local de trabalho, distam cerca de 500 ou 600 metros, percurso que faço diariamente a pé, cumprindo assim a minha parte na ajuda ao ambiente.

Nesse percurso passo por 3 ou 4 contentores do lixo, que invariavelmente estão abertos, para maior prazer de cães, gatos, mosquedo e outra bicharada, pleno de zelo comunitário lá me aproximo do mastronço e lhe cerro a bocarra. Distância igual percorro do meu local de trabalho até casa dos meus pais onde normalmente almoço, percorro igualmente a pé, até porque Almeirim é uma terra porreira para andar a pé, é toda plana, é pequenina e não fora as carripanas, de algumas alimárias, estacionadas em cima dos passeios e a velocidade estrepitosa de muitos imbecis automotorizados, o percurso ainda seria mais agradável.

Neste percurso o cenário é idêntico, passo por mais 2 ou 3 contentores do lixo, que sem surpresa volta e meia estão de tampa aberta, por vezes a deitar por fora as mais belas surpresas, galinhas, gatos e outras bichezas mortas, tripas, estrume, caquinha de tudo quanto é bicharada, enfim um pitéu para bactérias e germes e um regalo para a vista. De novo aqui o papalvo, se aproxima sorrateiro e truca, encerra a cloaca, que alguém mais distraído deixou aberta.

Agora pergunto eu, que raio de gentalha é esta que nem a porcaria dos contentores tem a preocupação de encerrar? Ora são os meus dilectos e porcinos conterrâneos, que fazem até certo gáudio em demonstrar a sua boçalidade e veia suína, não poucas as vezes, que fecho uma tampa, quando vou no percurso para o almoço e 40 minutos depois no regresso já o mesmo contentor está de boca ao léu.

Não se pense, que isto é produto de gente de baixo calibre, de ralé, não, já assisti a muita boa senhora doutora e senhorico de pose galante, deixar o troçulho à vista, mostrando a quem passa que o grau académico não invalida que sejam na mesma uns porquinhos sebentos iguais aos que só têm a quarta classe tirada à noite.

Pois com tanta gente capaz e fina, com duas mãozinhas a funcionar, toca sempre aqui ao parvo do maneta andar a fechar a porra das tampas, “…fizessem todos um pouco do que eu faço, muito me poupariam em tempo e cansaço…”

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, setembro 10, 2007

Strangers in the night!

A noite, com os seus mistérios e silêncios, onde os pios dos mochos e as festas das bruxas, nas encruzilhadas, fazem acordar todos os ancestrais medos do humano, foi sempre um campo fértil para encenações, ilusões e sonhos, a noite exerce sobre o homem um efeito de atracção, misto de medo e desejo, a noite cativa, todos os que por ela passam.

Conheci o mundo da noite relativamente bem, com todas as misérias e qualidades da natureza humana, trabalhei uma década quase duas na noite, nas profissões pouco recomendáveis de segurança de bar e discoteca, nas cobranças musculadas, não faço disso um orgulho, foi uma fase da vida, aprendi bastante.

Quando comecei, aos 16 anos tinha já um corpanzil razoável, fazia matinés, era o ajudante do porteiro, como as matínés eram essencialmente frequentadas por maralha da minha idade eu actuava como uma espécie de mediador, com 18, levado por um sargento da minha guerra fui para Lisboa, naquela altura, os seguranças eram gente de classe, eram bons bandidos, ex-militares ou militares no activo, duros mas com dois dedos de testa, ou então malta da velha guarda, durões, calejados pelas guerras de navalhada do Intendente e do Cais do Sodré, das noitadas do aprazível Bairro Alto, privilegiava-se o diálogo, tentava-se levar o cliente à certa, acrescento que em 14 anos de noite dei porrada em três imbecis, que mereceram toda a sopaparia que lhes enfiei pelo focinho.

Mas a principio dos anos 90 a coisa muda, começam a aparecer os armários de ginásio, aqueles gajos muito grandes com braços muito grossos, cheios de hormonas, com um cérebro do tamanho de um amendoim, começam a aparecer, muitos polícias, já existiam alguns, mas agora eram mais, até existia quem fizesse segurança a um bar ou discoteca, armado com a arma de serviço.

A noite começava a perder o encanto, os bisontes sem cérebro, não sabiam ser seguranças, a doutrina de um segurança diz que ele deve servir para impedir e mediar conflitos, não para os promover, pois mas esses depósitos de hormonas não conseguiam, de tão grunhos e labregos que são, à mínima desculpa eivavam a cara do incauto cliente com uma saraivada de murros, aquele mundo que nunca fora muito saudável era agora um mundo completamente podre, onde se traficavam drogas e armas com muito dinheiro pelo meio, esse dinheiro era um chamariz, polícias corruptos, seguranças traficantes, empresários bandidos, taxistas proxenetas, juntavam-se todos em alegres noitadas, chega a existir um modos operandi curioso que se trata de prostituição encapotada, onde grupos de 4 ou 5 prostitutas atacam em discotecas da moda, chegam como se fossem clientes normais e como numa discoteca anda quase sempre metade a tentar engatar a outra metade a coisa dá lucro.

Quando comecei a namorar a minha actual mulher, deixei o trabalho noctívago, já tinha dores nas costas e nos joelhos, já não tinha paciência, o tipo de cliente também tinha mudado, antes as pessoas eram mais educadas, hoje o adolescente bêbado e brigão sem cara para levar uma chapada era o prato do dia, por isso dá para rir quando hoje vejo os nossos políticos e governantes muito preocupados com a luta do submundo da noite, o que andaram a fazer este tempo tudo a dormir, a criar leis estúpidas, a esquecer-se de criar outras que seriam importantes.

Não me espantam todas estas mortes, há 20 anos conheci, porteiros que vendiam ouro roubado, seguranças que serviam de intermediários a negócios de armas, um tinha seis mulheres a trabalhar para ele, na vida! Outro era polícia e roubava carros, mas isso foi há muito tempo, dois até já faleceram, comparados com a malta de hoje aqueles tipos eram uns anjos.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quinta-feira, setembro 06, 2007

Onde pára o Estado

Vivemos tempos de mudança, escuso aos vossos cristalinos o fastio de um discurso sobejamente conhecido de mudanças, o facto é, que elas surgem diariamente, umas mais visíveis outras mais encapotadas, mas o mundo muda, num tropel louco, com uma velocidade que nunca antes fora conseguida. O conceito de Estado esboroa-se, gasto por anos de inépcia o Estado, soçobra, num mar revolto de novas convenções sociais, politicas e sobretudo económicas porque como dizia o outro”…money makes the world go around…”

O Estado tenta impor a sua Autoridade, mas, sucumbe aos dilemas modernos, vamos ao primordial, o que é a Autoridade do Estado, passando ao lado das definições académicas, eu diria que, se trata de um poder que exercido dentro da norma democrática e constitucional, persegue objectivos de zelar pela segurança e integridade nacional, zelar pelo cumprimento das leis, direitos e garantias consignados e proteger o cidadão, fazendo cumprir as leis e mantendo o país em funcionamento.

Ora é aqui que a porca torce o rabo, dos diversos actores da Autoridade do Estado, que actuam como seus representantes, resulta uma incomensurável confusão e dispêndio de cabedais, naquilo a que uns chamam burocracia, o Estado hesita! Os representantes da autoridade, Assembleia da República, Tribunais e Polícias, ocupam-se de garantir que o Estado seja representado em todos os actos da vida do cidadão regulando essas actividades no são cumprimento das premissas legais da Estado, quando ao seu desempenho o que dizer?

Em relação aos primeiros, qualquer dos 487 vocábulos, que me passam assim num repente pelo neurónio, para os classificar, entram seguramente na categoria da ofensa, grave, muito grave e gravíssima, o Barão que é um tipo ordeiro e respeitador, não querendo desrespeitar as mães e restante família dos senhores deputados, exime-se portanto a fazer comentários, direi somente que assim como está a AR, pouco préstimo tem e autoridade nenhuma, logo falha este representante do Estado em zelar pelos interesses desse mesmo Estado.

Nos Tribunais, é aquilo que se vê, num misto de má vontade, falta de conhecimento, limitações materiais, falta de condições, má vontade, limitações impostas pelos vários códigos legais, desactualizados face às mudanças do mundo novo, o que os tribunais produzem é farinha de pão escuro. A autoridade do Estado revela-se fraca, muito fraquinha no capítulo legal, reina a impunidade, os poderosos orquestram a Lei a seu bel-prazer e os pobretanas batem com os costados na choldra, os exemplos são bastos e demasiado conhecidos seria fastidioso voltar a enumera-los, na certeza porém de que se o ilícito envolve alguém com nome ou posição, nunca nada se prova. Pois falha novamente outro representante da autoridade do Estado, falha catastroficamente, pior, mostra à populaça, que isto é tudo uma farsa, que o que conta na realidade são os cifrões e o resto são outros quinhentos.

Por último as polícias, ora como são o último terço da recta, é sobre eles que recaem todas as recriminações e exigências, como se as polícias fossem corpos autónomos e dotados de capacidade própria, não o são! Não o são na imediata subordinação ao poder politico e judicial, não o são porque democraticamente não poderíamos ter uma espécie de pretorianos, que sem rei nem roque fizessem tudo aquilo que lhes desse na gana, um dia polícia outro ladrão.

São porém os únicos que merecem ser louvados, porque estão entre a espada e a parede, entre a espada da sociedade sempre prestes a acusa-los de tudo e mais alguma coisa e sempre pronta a gritar aqui d’el rei quando sente o traseiro apertado, sem nunca sequer se lembrarem, de que por baixo da farda estão homens e mulheres, que têm filhos e família, dívidas e prestações, doenças e problemas, alegrias e tristezas, momentos bons e maus, condições de trabalho por vezes a roçar o subdesenvolvido.

Contra a parede das instituições judiciais e políticas que condicionam e espartilham a sua actividade, que comprometem o seu desempenho que os atacam e ajudam a desrespeitar, fazendo com nos dias que correm um polícia inspire tão pouco respeito. Falha mais uma vez o representante da Autoridade do Estado, mas este contrariamente aos anteriores falha não por iniciativa própria, mas pelas condicionantes que lhe são impostas.

Ora se os representantes da Autoridade do Estado falham, onde pára a Autoridade do Estado? Pára pouco, manifesta-se pouco e mal e sempre aos mesmos, porque o mesmo estado que a uns impõe tudo a outros tudo permite, a Autoridade do Estado falha rotundamente, neste país não há porra nenhuma de Autoridade do Estado, isso é uma anedota, uma farsa, uma mentira para manter a maioria a cumprir que é isso que interessa, ainda que exista uma minoria grande, que faça gato-sapato da Autoridade do Estado, que o prejudique, que o esburgue, que pratica todas as vilezas e sai incólume, esta minoria causa a maioria dos crimes, que lesam o Estado em milhões e milhões, paulatinamente o Estado, qual pai complacente e bonacheirão assume a despesa sem reclamar, os seus representantes, inchados pela qualidade que ocupam, engordados com os cabedais do mesmo saco, olham para o lado, relativizam fingem nem reparar, como na canção.

Pois porque afinal, o Estado somos nós, os infelizes, que pagamos isto tudo, que alimentamos, o político, o tribunal, o polícia e o ladrão, damos de comer a todos e somos comidos por todos, naquilo a que se poderia chamar uma grande e feliz Homossexuaolacracia.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, setembro 03, 2007

A « Rentrée »

Hélas ! Terminado o período das impostas, libações termais, aconselhadas pelo mais desapoderado discípulo de Esculápio, de que há na Historia, memória. Regressa o Barão ao convívio da blogosfera, amigas e amigos estou, feliz por vos voltar a rever.

Andei a seguir nos últimos três dias, os discursos dos politiqueiros de serapilheira que nos tocaram em sorte, as tais das “rentrées”, com discursos mais ou menos inflamados, mais ou menos indigentes, mais ou menos do mesmo.

O único que me merece algum destaque é o CDS, não pelo conteúdo farroupilha e farçola tão ao gosto do seu excelso presidente, mas pela excelente iniciativa de atacar nas novas tecnologias, esteve bem o CDS, quanto ao discurso de Portas, foi uma, catrefa de minudências demagógicas e populistas, sem alcance prático absolutamente nenhum, raiando até nalguns pontos a simples hipocrisia, como o ataque ao governo por causa da acção da GNR, durante o ataque ao milho transgénico, mas andando, a continuar assim o CDS, será sempre o grupelho reaça que sempre foi, alicerçado num aspirante a caudilho e seus apaniguados revivalistas, sedentos de Deus, Pátria e Família, coisas que em abono da verdade nunca existiram, excepto como mitos políticos de alguns que nos querem fazer de tolos, mas há quem goste, paciência, que é uma virtude que deve ser cultivada, confesso que tenho muito pouca.

Do PS, enfim, o deserto ideológico que por ali campeia, deixa aquela rapaziada um pouco à nora, não chego a perceber o que deseja o senhor PM, se quer ter um partido de esquerda se um de direita se uma terceira via blairista, se até uma quarta via, a do naufrágio, verdade verdadinha é que entre discursos mais ou menos ocos, acções populistas, como andar a enfiar computadores de três vinténs pelo gorgomilo da maralha, este PS e o Governo anda a contra ciclo do resto do país, mas como as alternativas são de arrepelar os cabelos de tão más, acredito que nas futuras eleições o fado seja o mesmo, a ver vamos se me assiste a razão.

O PSD, igual a si próprio, cinzento, sem ideias, com um discurso vazio de conteúdo e pobre de espírito, Mendes não se manca, o partido também não se não tiver melhor alternativa que Menezes, como está, o PSD é o melhor aliado do PS. Critica-se a uns o que outros no passado fizeram, responsabiliza-se outros pela culpa de todos, ainda assim o melhor mesmo é Jardim, o mãos largas do Atlântico, continuo a disparatar a torto e a direito sem literalmente dar cavaco a ninguém.

Louça, e o seu Bloco, continua a não perceber que o seu trotskismo sectário, é a sua ruína, estão à laia do CDS, são um grupelho, esquerdeirote, caceteiro e mal amanhado, sem réstia de préstimo, cheguei a acreditar que aqui existiria alguma alternativa, mas não, instalados como já estão no poleiro, acomodaram-se depressa, os arroubos de pseudo irritação e alegada provocação intelectual, ficam-se pelas costumeiras calinadas, típicas desta rapaziada das foices e dos martelos, até chateia, porra.

O PCP, lá anda, a julgar pelos cada vez menos e mais idosos voluntários da festa do “Avante” qualquer dia, não vão mais avante, porque os que faziam algum à borla bateram a pataleta, esperado o discurso de Jerónimo, que fazendo, uso dos meus dotes sibilinos aqui reproduzo já, “ Blá, Blá, Blá os trabalhadores e tal, blá, blá, blá, o grande capital, blá, blá, blá, os interesses do imperialismo e assim por diante…” Rematando tudo com um “Avante Camaradas” e tá feito, guarda lá as folhinhas que para o ano muda-se a data e os substantivos e chega.

Resumindo, isto é tudo de uma atroz pobreza franciscana, de uma indigência intelectual fantástica, ninguém discute realmente nada daquilo que a nós cidadãos preocupados e pagantes impenitentes desta salada toda, interessa, ninguém levanta uma sequer pequena frase que intelectualmente seja desafiante, que nos ponha a pensar que nos tire deste pântano, não, a bitola é tão baixa que é degradante viver num país governado por gente desta semelha, mas que fazer, desistir? Jamais! Por isso vamos à luta.

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, agosto 08, 2007

Abala o Barão para Férias

Nação demente e endividada, o Barão vai de férias regressando lá para Setembro. Caras e mui estimadas amigas e amigos, delicadas estrofes deste grande poema da vida, este vosso amigo, creiam-me que sinceramente o sou, vai, por imposições nefastas da bílis que me verruma o intestino debilitado pelas alcagoitas e pela cervejófila paixão, a banhos e a cura para as termas.

Nesta esplêndida ocasião, os cavalheiros de bem, tal como este vosso humilde criado, não podem senão escolher a celebres, aclamadas e afamadas Termas do Cartaxo, local de eleição de todos os que, como aqui este vosso infeliz amigo, sofrem de compleição frágil e eterna secura do gorgomilo. Ao meu infeliz estado, impõe o jarreta, discípulo de Galeno, que me tocou em sorte, uma apertada e restrita dieta, da dilecta sardinha ao insigne percebe, do singelo bife de barrosã ao quasi inocente cozido, podendo aqui e além com a devida contenção debicar uma ou outra santola ou lagostita, tudo regado a branco ou tinto medicinal, sob a forma de não mais de uma garrafa por refeição, pois como vedes, dilectos e prezados visitadores, a minha existência é frágil e periclitante, terei de me submeter a estes tratos de polé, seguro porém da justeza do trato.

Rogo a vossas excelências que mantenham a dedicação com que têm brindado este insignificante pasquim electrónico, brindarei de taça erguida, não poucas vezes asseguro-vos, por claros motivos medicinais, à vossa eterna saúde, esperando reencontra-los com a mais sadia compleição e paz de espírito quando, infelizmente, acabarem as minhas impostas e necessárias libações termais.

Delicadas senhoras minhas, estimáveis e venerandos cavalheiros, eis que me saio pela esquerda baixa como convém a um humilde escrevinhador de barbaridades, célere porém na gratidão e amizade que vos dispensa, em que crê, ser por vós correspondido, levo-vos a todos nos recônditos dos ventrículos bem apertados para caberem todos e nunca serão demais.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, agosto 06, 2007

Esteve bem a Câmara de Almeirim!

Correndo o risco de enxofrar muita gente, esta não posso, deixar passar em claro. A mim sempre me fez confusão a mesquinhez, a má formação, o preconceito e a tacanhez das pessoas, azar o meu vim nascer num país onde existe disso às carradas.

Corre o ano da Graça do Senhor de 2007, quando uma ilustre Almeirinense, a Cristina Branco, vem cantar à borla, em prol do Centro de Recuperação Infantil de Almeirim, o Crial, que se ocupa da prestação de cuidados a crianças e jovens portadores de necessidades especiais, vai daí, e bem, a Assembleia Municipal propôs à votação a atribuição da medalha de oiro do Concelho, a alguém que, os mais atentos já viram inúmeras vezes nos seus concertos fazer sempre uma referência a Almeirim, alguém que habituada a ser uma cidadã do mundo precisa tanto da medalhita, como de uma dor de dentes, mas como não fica mal e estas coisas honoríficas são para ser atribuídas, lá veio a proposta.

Aqui começa a guerra, uma guerra diga-se mesquinha sem lógica e exemplificativa da pequenez das mentes politiqueirotas locais, o ano passado a Cristina dera uma entrevista a um jornal local, onde dissera; “…“Sou uma cidadã do Mundo. Estou ligada a Almeirim por questões meramente circunstanciais. Tenho lá o meu filho e tenho a felicidade de ter lá os meus pais que me ficam com ele nas minhas ausências. Gostava de dizer que Almeirim é a melhor terra do Mundo mas de facto não é. Voltaria sempre lá porque estão lá as pessoas de quem gosto, mas só por isso”, salientou na altura Cristina Branco…”

Pois compreende-se, quem conhece o mundo depressa percebe o que aqui faz falta, em termos de civismo, cultura, qualidade de vida, infra-estruturas e bem-estar social. No entanto eu levo isto mais como um desafio, do que como uma crítica sarrafeira, confesso que em parte, até partilho do ponto de vista da Cristina, ponto de vista que deveria fazer os autarcas e todos os eleitos municipais pensar e pugnar para que as coisas boas sejam feitas, ora a Câmara Municipal por intermédio da Assembleia Municipal, parece e bem, ter levado a coisa, por essa vereda do desafio, e aceitando o desafio resolveu atribuir a medalha, e bem, à Cristina Branco.

Pasmem-se agora caros leitores, que das bancadas de alguma da oposição, veio a abstenção, porquê, pergunto eu? Por causa de ter assumido e dito aquilo que pensa? Por ter dito que esta terra não é o paraíso? Meus senhores e senhoras, tenham dó, não insultem os nossos poucos neurónios. Assusta-me esta gente que é eleita e demonstra tão estreiteza de espírito, alguns deles conheço são amigos, mas esta atitude é vergonhosa, para mais são gente que conhece bem a Cristina e o que ela tem feito pelo nome de Almeirim, caramba, absterem-se por causa de uma insignificância! Rematou bem a Câmara Municipal de Almeirim, que resolveu e bem dar a dita medalha, independentemente das tais vozes.

Foi mais uma tirada brilhante, foi a demonstração cabal de que a Cristina está certa nas afirmações que faz, pior é que há gente que os elege, como? Porquê e para quê? Para fazer tristes figuras destas mais valia não estar lá ninguém, com franqueza!

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, agosto 01, 2007

Exista Para Tanto, Vontade!

É inegável a atitude relativamente corajosa do actual Governo, algumas medidas, eram realmente necessárias, outras são, pura estultice, mas andando prá frente que atrás vem gente. No entanto todas irão cair em saco roto se verdadeiramente não se reformar o Estado, este modelo de República tem os dias contados, a actual República é um semi-cadáver cujos eflúvios pestilentos assomam, narina adentro dos seus cidadãos. O Modelo Constitucional está esgotado, é um espectro definhado, raso de vermes que lhe verrumam as entranhas apodrecidas por quase cem anos de uso e abuso, oh da Guarda, aqui d’el Rey! Esta República definha, morreu já sem saber, que se tragam as purgas de antimónio e água quente, limpe-se a tripa a esta velha moribunda para que não manche mais com o seu nauseabundo fedor o ar deste país.

E aqui residirá, na modesta opinião deste vosso servo, a solução. Impõe-se uma séria revisão da constituição e do modelo constitucional, exige-se que se opte por um mais adequado modelo de funcionamento, este país não pode continuar a sustentar um Presidente, um Governo e um Parlamento Faraónico, que se mude, cum mil demónios! Que se opte! Que se extingam instituições, que se criem novas instituições, urge mudar para melhorar. Instituam-se os círculos uninominais, reduza-se o número de deputados. Terminem-se as ridículas mordomias de toda esta gente, coisas que fazem lembrar as repúblicas das bananas fantoches dos anos sessenta. Assim estará o país realmente a poupar dinheiro, a libertar fundos tão necessários para fazer deste pardieiro um país realmente desenvolvido.

Extingam-se os governos civis, que são coisas completamente ocas e despropositadas, que não servem para coisa alguma excepto para perpetuar a actual tachocracia vigente, redimensione-se com seriedade as Forças Armadas, optimize-se o funcionamento das três Academias Militares, esta medida faria poupar milhões, os tais milhões tão necessários para escolas, infantários e creches, hospitais e centros de saúde, teatros e bibliotecas públicas.

Institua-se uma reforma máxima, um tecto máximo que independentemente dos descontos, resolva de uma vez por todas a vergonhosa situação que vivem os reformados deste país, alguns, bem poucos que fingiram trabalhar, recebem a parte de leão, todos os outros vivem de pensões sociais miseráveis, indignas de um país que se vangloria da banda larga do TGV e de outras cretinices modernas.

Extermine-se a Lei de Financiamento dos Partidos, essa rameira despudorada, que faz de nós votantes vulgares prostitutas, extingam-se as mordomias e alcavalas de Directorezecos e Administradorezecos de pacotilha que afogam o erário público no despesismo, haja comedimento nas festarolas e jantaradas, poupará assim o Estado mais uns milhões que fazem falta à saúde, à justiça, às polícias, à cultura e a tantos outros sectores fundamentais.

Mude-se o sistema de subsídiocracia que está instituído, obrigue-se quem recebe, a repor o dinheiro assim que esteja a trabalhar, à laia daquilo que se pratica noutras terras bem mais avisadas, o Estado Previdência não pode assim continuar, sob pena de serem sempre os mesmos a receber e outros os mesmos sempre a pagar. Poupar-se-iam assim mais uns milhões e os cofres da segurança social estariam sempre em equilíbrio.

Nada do que aqui foi escrito é difícil de implementar, existisse para tal real vontade de reformar, de evoluir num sentido positivo, existissem governantes corajosos. Até porque todas as actuais medidas de poupança, são engolidas pelo verdadeiro monstro que é o sistema constitucional e político, que são os verdadeiros tumores desta pátria, mas disso curiosamente ninguém fala, toda a pandilha, da esquerda caceteira à direita ultramontana, está queda e muda, assobiando a modinha da época, reina a hipocrisia geral, e a pobre carneirada cada vez mais miserável, cá anda encantada com maravilhas e festarolas, abençoada pelos santinhos e cada vez mais ignorante e canhestra.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, julho 23, 2007

Carta aberta de um Pai ao senhor Primeiro-ministro

Sua excelência senhor Primeiro-ministro, quem lhe fala é um pai, um pai normal que trabalha e paga impostos um pai que se revolta com a absurdidade cada vez maior desta terra.

Vossa excelência desconhece a existência deste pobre habitante de um país infeliz que o tem a vossa excelência como o primeiro dos Ministros, sou um, entre os milhares de pobres diabos, que vivem do trabalhito, que pagam impostos, que descontam por tudo e por nada, que aceitam, mal ou bem as barbaridades que lhes são impostas e que pagam com o seu trabalho os lautos ordenaditos que entre os demais, vossa excelência aufere.

Fiquei exultante, quando o vi anunciar incentivos à natalidade, comecei a acreditar que vossa excelência, teria finalmente idealizado algo que iria beneficiar quem paga toda esta estúrdia, erro crasso, depois de ouvir o seu discurso fiquei a perceber que era mais um fogacho, mais uma medida feita à medida do paiszeco miserável que somos, mais uma inenarrável estultice.

Então propõe vossa excelência mais uns tostões pelo segundo filho, e junta mais uns tostõezitos pelo terceiro, adorei confesso foram de novo os incentivos às famílias numerosas, da Torre da Marinha aos acampamentos de barraqueiros nómadas aquilo é que foi festejar.

Sim, porque senhor ministro, com algumas raras excepções só existem famílias numerosas nas desocupadas das revistas cor-de-rosa, do bairro fino em que o marido é assessor de um qualquer ministro e ganha 5 ou 6 mil euros por mês, ou nos bairros da rataria onde os vários subsídios por cabeça fazem com que facilmente embolsem mil ou 2 mil euros por mês, quanto a todos os outros, nós os que trabalhamos, e descontamos e pagamos impostos, ainda temos de pagar creches, infantários, amas, livros, escolas, pediatras, fraldas medicamentos e tudo o resto, para esses vossa excelência não ofereceu nada, alias, ofereceu sim, com esta sua medida vamos ainda pagar mais para alimentar essa escumalha toda.

Permita-me, vossa excelência, que lhe dê umas dicas, caso algum dia vossa excelência queira realmente fazer algo para incentivar a natalidade, eis algumas coisitas insignificantes que realmente podem contribuir para a tal natalidade.

Vossa excelência pode começar por dotar o país de uma rede de creches e infantários públicos com qualidade e horários flexíveis, que permitam a nós os imbecis que lhe pagam o seu ordenado, poder trabalhar descansado sabendo que os nossos filhos estão em segurança, olhe terá visto esta prática quando visitou a Finlândia, eles por lá tem essa mania da protecção social, os tansos.

Poderá vossa excelência, criar legislação que promova uma licença de parto verdadeira, não esta coisa aberrante que temos por cá, no mínimo um ano de licença integralmente paga, não esta palhaçada de 4 meses ou 5 a 80%, poderá criar ainda mecanismos de fiscalização sérios, que façam cumprir a legislação, já que por cá a flexisegurança já chegou há muitos anos.

Em querendo de verdade incentivar a natalidade, vossa excelência poderá também, mudar a política de manuais escolares, não sei se viu lá na Finlândia os manuais escolares pertencem à escola e só mudam de 5 em 5 anos depois de estarem gastos, os mesmos livros servem de aluno para aluno sendo substituídos e pagos pelos pais se o aluno o danificar por algum motivo, os livros ficam na escola, quando acabam as aulas os alunos vão mais leves, previne-se assim as lordoses e as escolioses a que as nossas crianças estão sujeitas tal é o peso da livraria que têm de carregar às costas, como vê senhor primeiro-ministro o modelo finlandês é giro, pena que no que tem de bom o senhor não pega e traz para cá.

Em estando realmente interessado em promover a natalidade, vossa excelência poderá até cometer a loucura de voltar a abrir escolas, a dar condições para revitalizar o interior a construir um país a sério que realmente funcione, estando realmente interessado em promover a natalidade, vossa excelência promoverá condições para impedir os milhares de compatriotas que saem para a emigração à procura de dignidade para a sua vida, coisa que no país deles não conseguem.

Senhor Primeiro-ministro, com o alarde que vossa excelência propagandeou esse tal incentivo à natalidade, realmente cheguei a pensar que vossa excelência finalmente teria enveredado pelo firme desígnio de realmente governar para quem produz, para quem faz mover as engrenagens desta terra, mas não, mais uma vez, a montanha pariu um rateco, enfezado e raquítico, mais uma vez se beneficia o rebotalho e os inúteis, deixando de fora e castigando quem realmente sustenta toda esta cloaca, em que está transformado este país.

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

quinta-feira, julho 19, 2007

A Vitória da Derrota

A propósito de um dos seus Generais, em 1861 Lincoln disse “…ninguém como ele, seria capaz de arrancar uma tão grande derrota dos maxilares cerrados da vitória…”, caro Abraham, onde quer que esteja deixe que lhe diga, que ainda existem piores que esse seu General MccLeland. A prova, provada disso, foram as eleições intercalares para o poiso da Câmara de Lisboa.

Sinceramente não percebi, a loucura festivaleira dos pseudo vencedores, as bandeirinhas e os comícios, os aplausos, os abraços e sorrisos de circunstância, não percebi a loucura das hostes, nem o ar de triunfo dos candidatos agora eleitos, não percebi!

Com 62% de abstenção, estas eleições são a maior derrota de sempre para a actual classe política, um claro sinal de que o senhor PM deveria estar a reformar o sistema político a constituição e o Parlamento e não a disparar tiros nos pés como tem feito até agora.

Maior derrota se pensarmos que normalmente o eleitorado de Lisboa é empenhado e cumpridor, porque talvez mais participativo, informado e atento, ainda maior derrota se pensarmos que os partidos fizeram avançar os pesos pesados, empenharam os líderes e as suas figuras mais mediáticas, vastíssima derrota se pensarmos que nenhum dos candidatos chegou sequer a 30% dos votos e que dos que votaram quase oito mil votaram em branco ou anularam o boletim, com estes dados falar de vitória é seguramente tapar o sol com a peneira num dia de estio em pleno Verão.

Os grupelhos partidários com o inefável PP à cabeça, arregimentaram meia dúzia de gatos-pingados para votar neles, por graças divinas não foram eleitos, pouparam Lisboa à presença de figurinhas de todo execráveis, os partidotes esquerdeirotes, arrancaram mais uma grande vitória, o candidato da CDU deve estar inchado de orgulho, naquela que foi mais uma miserável prestação dessa aberração política que dá pelo nome de PCP, será que ainda não perceberam que precisam de mudar o CD e passar para DVD. O Bloco estagnou! É uma coisa sem grande préstimo, vegetam por ali, mandam uns bitaites e pronto.

Os dicotómicos PS’s um deles com D no fim, arrancaram a figurinha mais triste da sessão, milhares de Euros gastos, discursos, beijos às velhinhas e demais imbecilidades próprias dos procuradores de tacho redundaram na mais absoluta e miserável derrota, uma derrota transversal, para os seus candidatos, para os líderes e para as próprias estruturas partidárias.

Surpresa dos Independentes, achei que iriam levar uma trepa, mas aguentaram o balanço, no meio desta atroz e nefasta empresa, são, Barão dixit, os únicos a poder cantar hossanas, cumpriram, mal ou bem fizeram eleger Vereadores, o que não foi de todo em todo mau, confesso a minha maior simpatia a estas causas de independentes, quando aparentemente são sérias, a ver vamos.

Ora bem, meus caros, esta foi sem dúvida uma vergonhosa, mais uma, tirada nesta nossa insonsa democraciazeca de pacotilha, atentos ao seu umbigo, um atrás do outro, os candidatos, alinharam, pela visitinha aos velhinhos, pelo beijinho às peixeiras e pela bandeirinha de plástico “made in China”, uma vergonhosa montra de vaidades e barbaridades, como se percebeu pelo “Prós e Contras” esse expoente máximo do programa de informação à Portuguesa. Gostaria que os ideólogos dos vários partidos. Se é que isso ainda existe, se ainda lá existir alguém que pense, duvido! Gostaria, dizia eu, que esses tais doutrinadores, atentassem nesta realidade e conseguissem perceber, o que correu mal, o que corre mal e que correrá mal, se nada se fizer, esta foi uma bela lição, pena que os discentes estejam demasiado ocupados a cabular para perceberem a récita.

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, julho 16, 2007

A Desmesura

A megalomania é uma característica, Portuguesa, adoramos manifestar a nossa pequenez fazendo coisas faraónicas, a maior árvore de natal, a maior sandes de coirato, a maior rabanada, enfim não importa o quê, tem é de ser o maior, do mundo, quiçá do universo ou mais além, infelizmente o que conseguimos quase sempre é um ainda maior disparate que o anterior.

Como é que se explica esta coisa muito nossa, esta espécie de mesquinhez colectiva, que nos consome e leva a uma quasi loucura colectiva, uma alienação total, onde hordas de pategos e pategas, carnavalejam aos saltos, urros e pulos pelos espaços mediáticos onde ocorrem estes arrais de estupidificação colectiva, a nossa pequenez fica sempre espelhada na grandiosidade destes mega eventos da cretinice, aquela coisa muito nossa de olhar por cima do ombro para ver o tamanho da do vizinho, enquanto micta, este voyeurismo nacional, que surpreende sempre, sinceramente não sei explicar, talvez seja genético, pois que agora tudo é genético.

Estabelecer uma relação entre esta grandiloquência surreal e a pequenez surda do disparate é fácil, nós somos tanto mais propensos a estas manifestações como somos um falhanço completo como povo, a nossa capacidade de obliviar o importante e sacralizar a estúrdia é algo que deveria ser objecto de estudo, ninguém como nós relativiza os reais problemas desta terra e se atira com tanta gana e fervor a comemorar a vitória de um clube de empurra bolas num qualquer campeonato farroupilha, nessas alturas os apóstolos da ufana urbanidade coloquial atiram-se às massas como gato a bofe, bandeiras desfraldadas ao vento, discursos inflamados, lágrimas e abraços, cachecóis, ursinhos de peluche, miúdos e graúdos, embarcam numa espécie de “Bacannalia”, irmanados numa irracionalidade colectiva, que a mim me assusta, bramem, suam, até à exaustão, preparam-se para morrer, os excessos das libações báquicas toldam os espíritos e os corpos fedendo a suor, a vómito e a ranço acotovelam-se em borbotões, pára-se o trânsito, defeca-se na esquina, toneladas de desperdícios atulham as ruas enquanto esse cortejo fúnebre, parábola de uma sociedade já cadáver, cujos eflúvios tresandam, arrasta a turba ao êxtase da insanidade, os pobres sandeus esbulham-se para dizer, eu estive lá! Pane et Circus, diziam os outros há uns milhares de solstícios.

A desmesura deste tipo de manifestações faz pensar. Imaginem o que este povo não seria capaz, se, ao invés de ser esta massa embrutecida de canhestros, de bois mansos, esta gentalha, fosse uma grande e irada manada de toiros bravos, de toiros com grandes tomates negros impantes de raiva e orgulho, mas infelizmente não é nada disso que temos, o que por cá passeia é esta pategada insalubre e labrega.

Imaginem o que, esta multidão arrastada por ideais de humanismo, civismo, cultura e cooperação, não conseguiria fazer, ao invés de torpes manifestações de patriotismozeco de quinta categoria e arroubos de insanidade canhestra motivada por imbecilidades de grandeza, que coisas fantásticas não conseguiria esta gente, que fantástica seria esta terra, para quando perceber que o “El Dorado” está aqui, porque aqui vai havendo o que noutros lado falta em demasia, para quando perceber que a grandeza não se mede por estúrdias e recordes, mas por civismo, cultura e humanismo, para quando senhores perceber que podemos ser grandes sem sermos estes grandes parvos, para quando?

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quinta-feira, julho 12, 2007

ABC

A história da língua, os linguistas e outros estudiosos do fenómeno humano que nos deu esta maravilhosa capacidade de articular sons exprimindo as mais variadas coisas, há anos que se debatem com este problema de saber onde apareceu, quem inventou. Muitas são as propostas, teorias, hipóteses e conclusões, desde gregos a árabes, a sumérios e egípcios são muitos os povos que contribuíram para esta maravilha, no entanto recentemente o MIT, Movimento de Investigação da Tróia, um organismo completa e totalmente imparcial, revelou ao mundo que os inventores do ABC, foram, aquele povo pequinino, mesquinho e sacaninha, enfiado lá no fim da Europa entalado entre a grande Hispânia Tarraconense e o grande mar oceano Atlântico, a quem vulgarmente se dá o nome de Portugueses.

O MIT, publicou um douto e aturado estudo onde ficou plenamente demonstrado o primado das Lusas gentes na tarefa inventiva de criar o ABC, que é uma das mais importantes aquisições deste nosso mundo, que nos acompanha desde a mais tenra idade, nas suas múltiplas manifestações e utilizações diárias, quase sem dar-mos por isso, o ABC, faz parte da nossa vida, nós Portugueses somos adictos ao ABC, com ele conquistamos o mundo, o continente, o país, a cidade, o bairro, a casa, o emprego e milhares de outras coisas, é o nosso mais estimável e perene recurso, por ele calcorreamos ruelas e vielas ruas e arruamentos, estradas, caminhos e ruelas vamos não importa onde, falamos com não importa quem.

Logo de pequeninos, vamos para o infantário e quando não há vaga o que nos salva muitas vezes é o domínio do ABC, começa aí a aprendizagem, ao longo da vida vamos dando largas à nossa curiosidade, vamos aquela discoteca ou bar da moda, e lá vem o ABC, para podermos entrar à frente dos outros, na escola uns esfalfam-se para tirar grandes notas, coitados, não tem habilidade com o ABC, porque os que têm essa habilidade sabem que independentemente das notas, quando saírem da universidade, à sua espera estará aquele lugarzinho de assessor de coisa alguma, pago regiamente.

No hospital, só nos safamos com o nosso ABC, é ele que garante que somos atendidos, primeiro que os demais, que somos operados e tratados à frente dos outros, sim porque para quem domina o ABC não existem listas de espera, na Justiça é o mesmo, quem tem essa esplêndida capacidade, contorna sempre a tal Lei igualitária que por cá existe, a Lei é para todos diz-se, perdão! A Lei é para tolos! Diz quem sabe do ABC.

O ABC, faz parte de nós, em casa, no emprego, quando somos multados, na escola com os horários guardados para os amiguinhos, enfim nas milhentas actividades desta nossa sociedade o ABC é importante, é omnipresente e fomos nós que o inventamos ao ABC, Alavanca Barrote e Cunha, o método mais importante para perpetuar o chico espertismo nacional, contornando a Lei, arranjando emprego e passando à frente de todos, ludibriando, pagando e devendo favores. Viva o ABC a mais importante invenção da Lusa Pátria.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia