Eles não querem picar o ponto! Porquê? São especiais! Sem dúvida, são especiais, mas na sua grande maioria, portam-se como os outros, sem respeito pelas pessoas, com arrogância e displicência, ao tal juramento que fazem, perdoem-me os bons profissionais, deveriam mudar o nome para Juramento de Hipócrita, porque é assim que se portam estes nossos senhores doutores.
São por demais os exemplos de desmando nesta classe profissional, arrogantes, cheios de si mesmos, embevecidos qual Narciso pela sua própria imagem, como muito bem sabe quem vive no interior, os senhores doutores não querem ir para lá, um centro de saúde no interior, que serve 60 mil pessoas tem uma dotação para 13 médicos e só lá estão 9, porquê?
Porque os senhores Doutores, continuam a tratar de todos nós como se fôramos uns asnos, quando nos salvam, coisa que alias são pagos e muito bem pagos para fazer, atingimos os píncaros, exigem-se todas as alcavalas e honrarias, mas quando a coisa dá para o torto e o paciente ata as cardas, então é o sacudir o capote para que caia a água, porque a culpa nesta terra morre sempre sem casório.
Não me insurjo contra os médicos, insurjo-me contra privilégios de classe, contra a incompetência, contra a podridão que chegou a esta classe de mercenários encapotados, mais uma vez que me desculpem os bons profissionais que ainda os há, insurjo-me contra uma Ordem, que tal qual uma Máfia, manda e desmanda, chantageia e esburga, a pobre da plebe, há uns tempos li num blogue de um senhor que é médico, que ninguém dá valor às agruras por que passam esses profissionais, porque o paciente cheira mal dos pés ou porque não toma banho.
Então senhor doutor, o senhor tão inteligente não sabia que era assim, já se questionou se a pessoa em causa tem água em casa, ou se tem dinheiro para a pagar, terá o senhor aproveitado, visto ser intelectualmente superior, para aconselhar a pessoa sobre as vantagens da banhoca e do uso do sabonete, ou limita-se o senhor a defecar larachas, a torcer o nariz e a ser mal-educado. Problemas laborais todos têm, falta de meios e recursos, ter de inventar, caramba todos passamos pelo mesmo, os médicos não deviam passar por isso, é verdade, mas este é o país que temos, se a juntar a isso as atitudes dos senhores doutores são as que são, a coisa só pode descambar.
Os senhores como agentes da nossa saúde deveriam ter uma atitude mais interventora, mas infelizmente não o fazem, infelizmente na maioria dos casos são mais um exemplo triste desta sociedade de mentecaptos e galfarros, o caso que vou relatar passou-se comigo e é um triste exemplo; há uns tempos fui a um centro de saúde, tinha passado mal a noite, febre, dores de cabeça e má disposição, tanto que nem consegui ir apanhar o comboio para Lisboa onde morava na altura, telefonei à minha mulher e contei-lhe como estava, disse-lhe que ficava em casa da minha mãe, suspeitei de virose, mas não sendo médico quis ir confirmar, lá fui.
Após 4 horas de espera fui atendido, confirmada a suspeita e passada a receita, perguntei ao senhor doutor se me passava um dia ou dois para me recompor. O homem olhou para mim, torceu o nariz e declarou que isso dos dias é complicado, porque torna e porque deixa.
- Então o que é que você faz?
- Sou engenheiro informático, declarei. O efeito da palavra “engenheiro”, foi surpreendente, o homem passou do tom distante ao tom de igual para igual, afinal eu era um “engenheiro”.
– Bem senhor engenheiro, vou passar-lhe aqui uns dias! Afinal tudo se resolvia, o peso do engenheiro dera frutos, um homem risonho, despontava onde antes estivera uma criatura distante e bisonha. O atestado marcava 6 dias, que porreiro. Fiquei em casa um dia para recuperar e voltei ao trabalho, ainda não tive coragem de dizer ao senhor que não sou engenheiro.
Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

