Creio que nunca escrevi nada sobre este tema, uma infeliz, sórdida e exemplar história deste nosso Portugal dos tais brandos costumes. Nunca me lembrei de dar a minha ferroada, quando tanta gente inteligente e capaz o fez, de uma forma esplêndida ou não, mas hoje lembrei-me do Caso “Casa Pia”, por causa de uma parangona que vi a propósito da entrevista da antiga Provedora dessa instituição.
- Mas que dirás tu que não tenha sido já dito ó Barão? – Perguntam e bem os meus dilectos amigos e outros que visitam esta minha barraca de atoardas, pois com certeza que não trarei nada de novo, já vou em seis linhas e ainda não disse porra nenhuma, este é mais um desabafo, uma declaração pessoal, uma espécie de reflexão à minha moda.
O processo Casa Pia arrasta-se até à exaustão, numa espécie de jogo do gato e do rato onde como nos desenhos animados do antigamente o rato finta sempre o rato, acredito que já ninguém sequer, se lembre qual era o objectivo de toda esta palhaçada, sim porque entretanto os objectivos foram mudando uma e outra vez, par culminar no actual objectivo, a completa absolvição de todos os arguidos com talvez excepção do trolha do cão de fila dos senhores ricos.
Às vitimas resta pensarem que, fica para a próxima, que talvez de hoje a muitos anos se repita algo do género, que as televisões se encham de professores doutores e mais não sei o quem, alias qualquer gato-sapato, incluindo cavalheiros de blogues da treta, este incluído, e, todos por junto caguem lampanas sobre um assunto, sobre o qual não têm a mais pequena noção, dos contornos escusos e sórdidos da sua realidade, talvez um dia as televisões, jornais, rádios e blogues se voltem a encher de acusações e contra argumentos na ânsia dos 15 minutos de glória, talvez um dia nessa outra realidade as coisas sejam diferentes ou talvez não.
Este pseudo processo sério, sim, porque tem juízes de altíssimo gabarito, advogados pagos a peso de ouro, arguidos que supostamente são da nata da sociedade, especialistas e técnicos conceituadíssimos, numa encenação destinada a ofuscar as mentes e a botar faladura no mundo, dizia eu que este tal julgamento que infelizmente acabará como eu penso, ou seja em nada, esta encenação toda dá-me o mais absoluto e genuíno asco, nojo, vómitos e diarreias, de cada vez que oiço falar nos seus intervenientes, sejam inocentes ou não, enoja-me esta farsolice beata desta sociedade traposa de energúmenos, quando finalmente esta porcaria toda acabar, infelizmente como eu preconizo que acabará, assim também acabará o meu respeito pelas instituições desta terra, aqui solenemente vos digo que o pouco respeito que ainda guardo por este país se irá esvair, amo o meu país, mas é só isso amo a terra, as árvores e os bichos mais uma mão cheia de gentes, ao resto, estimo que impludam.
Fico magoado com esta imbecilidade, magoa-me saber que ninguém valerá aquelas crianças nem a outras que aí chegarem, que não basta a infelicidade de não terem um lar verdadeiro, ainda terão de servir para as sórdidas e porcas manifestações de comportamentos desviantes de porcos da alta, cujo dinheiro e estatuto protege, magoa-me viver neste país podre e sebento, com a megalomania própria de uma puta fina, que de dia vive na barraca e à noite vai comer caviar ao bar do hotel, magoa-me a tristeza de cada uma daquelas crianças, magoa-me não as poder abraçar todas e proteger, magoa-me profundamente que mais uma vez aquelas e outras crianças sejam criminosamente esquecidas, magoa-me esta impotência de gritar em surdina sem que me oiçam.
Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia