Expressão fantástica do quotidiano Luso, nascida ao tempo das invasões francesas, querendo significar, dar cabo de alguém ou de algo, faz justiça ao General Henri-Louis Loison, que tendo perdido um braço, era ao que consta mau como as cobras, tendo feito algumas da suas muitas galfarrices, aqui em território nacional nos idos de 1807-1808, leiam o livro “Razões do Coração” de Álvaro Guerra, um delicioso romance sobre o Portugal das invasões francesas ou a obra “Aqui não Passaram” do General Carlos Azeredo, que numa obra de excelência analisa com o seu brilhante olho de estratega e militar, o panorama, social, politico e militar das invasões.
Mas não é de história que vos quero falar, é de civismo e de uma minha mania parva, talvez porque tudo esteja ligado, e o episódio das invasões também explique alguma coisa do carácter nacional. Da minha casa ao meu local de trabalho, distam cerca de 500 ou 600 metros, percurso que faço diariamente a pé, cumprindo assim a minha parte na ajuda ao ambiente.
Nesse percurso passo por 3 ou 4 contentores do lixo, que invariavelmente estão abertos, para maior prazer de cães, gatos, mosquedo e outra bicharada, pleno de zelo comunitário lá me aproximo do mastronço e lhe cerro a bocarra. Distância igual percorro do meu local de trabalho até casa dos meus pais onde normalmente almoço, percorro igualmente a pé, até porque Almeirim é uma terra porreira para andar a pé, é toda plana, é pequenina e não fora as carripanas, de algumas alimárias, estacionadas em cima dos passeios e a velocidade estrepitosa de muitos imbecis automotorizados, o percurso ainda seria mais agradável.
Neste percurso o cenário é idêntico, passo por mais 2 ou 3 contentores do lixo, que sem surpresa volta e meia estão de tampa aberta, por vezes a deitar por fora as mais belas surpresas, galinhas, gatos e outras bichezas mortas, tripas, estrume, caquinha de tudo quanto é bicharada, enfim um pitéu para bactérias e germes e um regalo para a vista. De novo aqui o papalvo, se aproxima sorrateiro e truca, encerra a cloaca, que alguém mais distraído deixou aberta.
Agora pergunto eu, que raio de gentalha é esta que nem a porcaria dos contentores tem a preocupação de encerrar? Ora são os meus dilectos e porcinos conterrâneos, que fazem até certo gáudio em demonstrar a sua boçalidade e veia suína, não poucas as vezes, que fecho uma tampa, quando vou no percurso para o almoço e 40 minutos depois no regresso já o mesmo contentor está de boca ao léu.
Não se pense, que isto é produto de gente de baixo calibre, de ralé, não, já assisti a muita boa senhora doutora e senhorico de pose galante, deixar o troçulho à vista, mostrando a quem passa que o grau académico não invalida que sejam na mesma uns porquinhos sebentos iguais aos que só têm a quarta classe tirada à noite.
Pois com tanta gente capaz e fina, com duas mãozinhas a funcionar, toca sempre aqui ao parvo do maneta andar a fechar a porra das tampas, “…fizessem todos um pouco do que eu faço, muito me poupariam em tempo e cansaço…”
Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia