Toda a gente emitiu o irá ainda emitir, a sua opinião sobre a Ota, sobre Alcochete, sobre o aeroporto e sobre toda esta grande trapalhada, caso curioso que quando foi para esbanjar a construir dez estádios de futebol para estarem às moscas, nem um terço das palavras foram ditas, mas andando que águas passadas, não movem moinhos.
Ora o Barão sente-se no dever de também participar na discussão que arrasta multidões, opiniões, clubes de fãs, movimentos cívicos, associações pró e contra, ambientalistas, especialistas, chupistas e outras aves de arribação, cujo contributo para a causa do conhecimento do problema, das consequências, dos perigos e das vantagens rasa o nulo ou é mesmo inexistente.
Em antes de participar na discussão, o Barão deseja fazer uma declaração. - Caríssimos e dilectos amigas e amigos, sobre o novo aeroporto, sobre a Ota, sobre Alcochete, ou o raio mais onde querem supostamente construir o mamarracho, o Barão como pobre e esquecido habitante da província, cada vez mais subúrbio infecto despejado de qualquer qualidade, com águas inquinadas e ar fétido prenhe da fumarada das carripanas dos imbecis que por cá vegetam, declara que está solenemente nas tintas para o novo aeroporto, perdão estou efectivamente a obrar para toda essa trapalhada, sobre a qual prevejo, um fim triste com derrapagens e custos astronómicos, com amigos e corrupção, com compadrios e especulação, que se faça onde fizer, para mim é igual ao litro, porque vou ter de a pagar na mesma, deixo só um perguntita, aquilo lá perto da Portela, o famoso AT1 de Figo Maduro é para quê, serve para quê, não se poderia utilizar para aumentar a Portela?
- Feito o desabafo, não deseja o Barão, porém ficar à parte da disputa e à laia de achega, aqui vão algumas soluções, para novas localizações, para essa obra impar do século XXI de Portugal, qual fome, qual taxa alarmante de acidentes nas estradas, qual taxa alarmante de adolescentes grávidas, qual analfabetismo, qual desemprego, o Aeroporto será o nosso grande triunfo, a nova quimera da idiossincrasia lusa, num despautério tão lato com quase mil anos de barbaridades, cretinices, besteiras, broncas, burrices e barracadas.
Como primeira, localização, proponho a Cova da Moura, matavam-se dois coelhos de uma só cajadada resolviam-se os problemas de habitação de muita família honesta e trabalhadora que ali vive, enfiava-se a eventual escumalha ilegal, felizmente uma minoria, que trafica e mata num avião e ala para terra deles, era só vantagens.
Como segunda localização, proponho as Caldas, o Aeroporto passaria a ser um aeroporto do c………, o que seria excelente para todos quantos nos quisessem visitar, poderiam logo ali comprar loiça típica, doces típicos, levariam um banho quer das termas locais quer da cultura nacional, ou seja que melhor forma de entrar no país do que esta de ser logo submerso na nossa cultura mais tradicional.
Como terceira localização proponho um projecto arrojado, daqueles para agradar a gregos troianos e cartagineses, construam um aeroporto internacional em cada localização agora proposta, Lisboa seria uma cidade impar, rodeada de aeroportos por todos os lados, esta solução, seria óptima por várias razões, todos comiam do bolo da especulação imobiliária, todos veriam as suas terras arruinadas por ainda mais alcatrão e cimento que por cá se chama desenvolvimento, todos ficariam contentes, poderia depois o Governo passar à fase seguinte, que seria a de construir um aeródromo e um heliporto em cada localidade.
A quarta e última localização que proponho é o Alqueva, pois, essa mesma barragem, esse outro esbanjar de dinheiros públicos, essa outra inenarrável imbecilidade, que assim como assim para pouco serve, apesar do carácter, messiânico da sua construção,numa atitude medíocre de sacralização da obra pública como salvadora e redentora da estupidez colectiva, apanágio da nossa cultura, não se cumpriu, o Alentejo continua pobre, desertificado de gentes, sem emprego, sem opções, claro está para os Alentejanos, porque os “nuestros hermanos” estão a safar-se muito bem, ao que parece.
Ora já que aquela extensão toda, está livre e desimpedida, pedimos ajuda ao Alberto, esse insígne construtor de aeroportos sobre o mar e constrói-se o aeroporto sobre as águas, num verdadeiro e arrojado projecto de arquitectura, podem fazer-se acessos por barco, colocar gaivotas a pedais, para os turistas irem brincar, vejam bem o manancial de potencialidades que esta solução apresenta, desde já vos digo que é a minha favorita, alias pondero seriamente a hipótese de começar a fazer campanha por esta solução. Já tenho até um mote de campanha, “Rá…Rá…Rá… Aeroporto do Alqueva Já!”
Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia