A megalomania é uma característica, Portuguesa, adoramos manifestar a nossa pequenez fazendo coisas faraónicas, a maior árvore de natal, a maior sandes de coirato, a maior rabanada, enfim não importa o quê, tem é de ser o maior, do mundo, quiçá do universo ou mais além, infelizmente o que conseguimos quase sempre é um ainda maior disparate que o anterior.
Como é que se explica esta coisa muito nossa, esta espécie de mesquinhez colectiva, que nos consome e leva a uma quasi loucura colectiva, uma alienação total, onde hordas de pategos e pategas, carnavalejam aos saltos, urros e pulos pelos espaços mediáticos onde ocorrem estes arrais de estupidificação colectiva, a nossa pequenez fica sempre espelhada na grandiosidade destes mega eventos da cretinice, aquela coisa muito nossa de olhar por cima do ombro para ver o tamanho da do vizinho, enquanto micta, este voyeurismo nacional, que surpreende sempre, sinceramente não sei explicar, talvez seja genético, pois que agora tudo é genético.
Estabelecer uma relação entre esta grandiloquência surreal e a pequenez surda do disparate é fácil, nós somos tanto mais propensos a estas manifestações como somos um falhanço completo como povo, a nossa capacidade de obliviar o importante e sacralizar a estúrdia é algo que deveria ser objecto de estudo, ninguém como nós relativiza os reais problemas desta terra e se atira com tanta gana e fervor a comemorar a vitória de um clube de empurra bolas num qualquer campeonato farroupilha, nessas alturas os apóstolos da ufana urbanidade coloquial atiram-se às massas como gato a bofe, bandeiras desfraldadas ao vento, discursos inflamados, lágrimas e abraços, cachecóis, ursinhos de peluche, miúdos e graúdos, embarcam numa espécie de “Bacannalia”, irmanados numa irracionalidade colectiva, que a mim me assusta, bramem, suam, até à exaustão, preparam-se para morrer, os excessos das libações báquicas toldam os espíritos e os corpos fedendo a suor, a vómito e a ranço acotovelam-se em borbotões, pára-se o trânsito, defeca-se na esquina, toneladas de desperdícios atulham as ruas enquanto esse cortejo fúnebre, parábola de uma sociedade já cadáver, cujos eflúvios tresandam, arrasta a turba ao êxtase da insanidade, os pobres sandeus esbulham-se para dizer, eu estive lá! Pane et Circus, diziam os outros há uns milhares de solstícios.
A desmesura deste tipo de manifestações faz pensar. Imaginem o que este povo não seria capaz, se, ao invés de ser esta massa embrutecida de canhestros, de bois mansos, esta gentalha, fosse uma grande e irada manada de toiros bravos, de toiros com grandes tomates negros impantes de raiva e orgulho, mas infelizmente não é nada disso que temos, o que por cá passeia é esta pategada insalubre e labrega.
Imaginem o que, esta multidão arrastada por ideais de humanismo, civismo, cultura e cooperação, não conseguiria fazer, ao invés de torpes manifestações de patriotismozeco de quinta categoria e arroubos de insanidade canhestra motivada por imbecilidades de grandeza, que coisas fantásticas não conseguiria esta gente, que fantástica seria esta terra, para quando perceber que o “El Dorado” está aqui, porque aqui vai havendo o que noutros lado falta em demasia, para quando perceber que a grandeza não se mede por estúrdias e recordes, mas por civismo, cultura e humanismo, para quando senhores perceber que podemos ser grandes sem sermos estes grandes parvos, para quando?
Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia