No Sábado Lisboa estava ao rubro, a escolha das novas maravilhas do Mundo, fez afluir ao Estádio da Luz, uns milhares de basbaques. Ao que sei a coisa foi um pouco sensaborona, com gente a cantar em playback, outros com exibições farroupilhas de qualidade duvidosa, claro queriam o quê, a malta foi lá actuar à borla, se calhar queriam empenho e dedicação.
No meio da estúrdia, lá elegeram, as maravilhas, algumas achei piada uma ou outra achei cretino, mas andando, o Ti Carreras lá fingiu que cantou para gáudio dos nabos que pagaram e bem para ir ver aquela pseudo manifestação cultural, a piquena Dulce lá esganiçou um bocado a vozita para fingir que cantava, o cavalheiro que ganha dinheiro a dar biqueiradas no chão e que as senhoras adoram, lá deu uns traques e uns olés, depois sentou-se a fazer basqueiro com a pandilha de tocadores de vão de escada que trazia para animar.
Em resumo as tais maravilhas foram um monumental barretaço, ainda por cima muito bem pago pela turba que lá caiu, foi com esta sensação que fiquei depois de falar com três otários desses milhares que lá foram.
O Barão que é um gajo que para além de teso que nem um carapau da Nazaré, não gosta muito de salsifrés mediáticos, abalou para o outro lado da cidade para o Pavilhão Atlântico e como bom Portuga, que adora borlas, encanou pelo Live Earth, em boa hora deixem que vos confesse, pois foi um bom espectáculo.
Sem playback, com entrega e dedicação, por ali passaram os eternos Xutos, Teresa Salgueiro, Blind Zero, Sérgio Godinho, entre outros, que fizeram daquela iniciativa um belo concerto, ainda para mais à borla, se bem que uma imperialzita lá dentro custasse um euro e meio, mas valeu a pena. No meio daquilo tudo até os Anjos soaram bem, um projecto que me espantou foi o “Mundo Cão” de que é vocalista o actor Pedro Laginha, gostei os putos têm alma e vão longe, a acústica do local não ajuda muito mas foi um bom espectáculo, cada grupo, artista e ou banda tocava cinco temas, seguia-se um copasso para mudar os equipamentos, pelo ecrã gigante viamos outros concertos idênticos, delirei com o Cat Stevens que tocou em Hamburgo, e dava para não enjoar.
Os apresentadeiros enfim fizeram o papel deles, o miúdo Mendes chamou Carla Salgueiro à Teresa, mas tudo bem, a moçoila que com ele apresenta o Top Mais, ainda é mais desenxabida e pele e osso ao vivo que na televisão, uma coisinha decepcionante. Faltou uma coisa, o público. E é aqui que eu quero bater, senão vejamos, num lado, as Maravilhas, com rapaziada em playback e actuações de gosto duvidoso, repleto de gente pagante, do outro boa música, ao vivo e à borla com pouquíssima gente, assim por alto o Pavilhão nunca esteve com mais de mil ou duas mil pessoas, o que foi óptimo para quem lá esteve, os piquenitos dançavam alegremente no imenso espaço vazio, corriam e faziam tropelias, a malta sentava onde queria, como é que isto se explica?
Fácil como em muitas outras coisas o Portuga adora levar na rabadilha, adora ser comido, ser otário, basta acenarem-lhe com gente famosa e disparates despesistas como o balneário redecorado só porque aquela gateca pingada exigiu, que eles vão logo a correr, por outro lado as questões ambientais, não fazem bem parte da preocupação desta malta, e reparem que estamos a falar da capital de um país onde supostamente a população deveria ser mais culta e esclarecida, pois não é, são o mesmo bando de labregos canhestros iguais ao resto do país.
Por mim fiquei satisfeito, gastei quinze euros ao todo, entre imperiais para mim e para a nina, mais uns sumos e águas e uns cachorros, curtimos a valer, no meio da malta, ouvi muito boa música, tocada por gente profissional que lá por estar ali à borla não deixou de se entregar e fazer o que sabe, para mim ali é que estiveram as tais maravilhas, claro que isto é a opinião de um idiota, mas que querem…
Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia