segunda-feira, novembro 20, 2006

O Reino do Faz de Conta

Uma vez, era um reino, que ficava à beira do mar oceano, semeado de criaturas estranhas e muito, muito complicadas. Neste reino existiam muitos tipos de criaturas, umas menos boas outras assim e outras do piorio, neste reino reinava em real reinação um rei que não era rei excepto quando tinha o bolo, o tal das migalhas do bolo-rei.
Este reino tinha várias ilhas, numa delas habitava um Ogre-papão, que dominava toda a ilha e desatava a desancar e a enxovalhar toda agente por dá cá aquela palha, ninguém o conseguia ou queria meter na ordem, por várias e ridículas vezes o Ogre-papão havia dito cobras e lagartos deste ou daquele fulano, vilipendiado sicrano e arrasado as instituições do reino, no entanto, por artes de poderes encantatórios o Ogre-papão sempre conseguira que os papalvos de quem ele dizia as maiores barbaridades, lhe fossem comer à mão, aparecendo nos ecrãs da Televisão do reino como se fossem os maiores amigos do mundo, entrementes anteriormente, havia arrasado o elfo chamando-lhe tudo quanto era mau.
O último tinha sido o Elfomendes, uma criatura pequenina e irritadiça, uma espécie de grilo da consciência do partido a que pertencia o Ogre-papão, este elfo subira ao poder, e sentira-se o maior, no entanto quando o Ogre-papão, a propósito do anunciado corte nos dinheiros do erário público que alimentam as suas ruinosas prestações, se inflamou, soltando chispas de fogos pelas narinas, o Elfomendes ao invés de o colocar no sitio, preferiu ir-lhe beijar a mão, abanando o rabinho e curvando-se perante o Ogre-papão, que uma vez mais não perdeu a ocasião para achincalhar tudo e todos excepto o elfo, do qual revelou ser o seu mais insigne e dilecto amigo.
Mais uma vez alguém se vendera a interesses comezinhos e medíocres, mais uma vez o líder do partido do Ogre-papão, se rebaixara e engolira em seco, o Ogre devia estar a rir a bandeiras despregadas, como era possível que ele um simples Ogre de uma ilha perdida no meio do mar oceano, conseguisse por em sentido todos os líderes do seu partido, que cambada de vermes sem espinha, fazia deles o que queria, nem o actual chefe do reino quando outrora ainda líder do partido do Ogre-papão conseguira fazer nada, o Ogre ria muito, na sua voz cavernosa, queimado pelos charutos cubanos, apesar de detestar cubanos, e pelo bagaço, que ao que dizem o Ogre tem uma queda para o copo, coisas da vida, não há bela sem senão e ao que consta este Ogre é um belo dum beberrão.
O Elfomendes, ao ir, miseravelmente prestar vassalagem e fazer o beija-mão ao Ogre-papão, dera mais um exemplo de tibieza e fraca qualidade que os líderes destes partidos demonstravam, prestava um péssimo serviço ao reino e ao seu partido, mas confiado em que a memória é curta lá seguia a fazer de conta que mandava alguma coisa, realmente excelente exemplo de futuro líder de um reino que nem um pelintra beberrão de uma ilhota miserável consegue por na ordem.
Quando fossem as eleições para chefe dos elfos, Elfomendes ganharia, seria eleito o Elfo-mandão, sendo mais um excelente exemplo do tipo de nulidades que fazem de conta que governam neste Reino do Faz de Conta.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sexta-feira, novembro 17, 2006

Manias

Visto que a moda pegou, vou aderir para não dizerem que sou mesmo um chato, rezingão, a amiga “Eu Mesma” do blogue, http://oquedernagana.blogspot.com/, que aconselho a visita, invectivou-me a declarar publicamente, 5 manias que eu tenha.
Ora aqui vão;

1 . Nunca me sento de costas para uma porta ou janela, não sei porque tenho esta mania, coisas de louco quem sabe.
2. Bebo sempre café sem açúcar, mas mexo o café, na mesma, com a colher.
3. Tenho a mania de respeitar e de querer ser respeitado pelos outros, mania essa que já me causou alguns dissabores.
4. Tenho a mania de comer frango, sardinhas e entrecosto sem usar talheres, independentemente do sitio onde esteja e estando nas tintas para a tal etiqueta.
5. Tenho a mania de coleccionar coisas, selos, marcadores de livros, canetas, parafusos, modelos à escala, livros, enfim manias.
Deixo o desafio a todos os 220 ou 230 blogues que costumo visitar com regularidade. Um bom fim de semana para todos.

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

quarta-feira, novembro 15, 2006

Os Futuro são as Crianças!

O petiz aproximou-se sorrateiramente do pai, que distraído, enviesava umas piscadelas de olho ao jornal, por desfastio, já que recentemente as notícias eram sempre a mesma treta, crime, e mentiras.
- Pai qual é a diferença entre um Proxeneta e um Chulo?
- Disparou o pequeno à queima-roupa, deixando o outro atarantado e sem palavras, ficou embasbacado a olhar para o puto, que sorria com ar de diabrete, feliz da vida por apanhar o pai de calças na mão, salvo seja.
- Hã…hãn. – Pigarreou. – Ora bem, vamos lá ver, então, é pá isso são sinónimos, são palavras que significam o mesmo, percebes filho!
- Pai, dahhhh, isso eu sei, tenho 8 anos, sei muito bem o que são sinónimos, eu queria era saber o que é que fazem, como é, topas?
- Bem filho, ora basicamente são senhores que vivem à conta das senhoras, elas trabalham e eles usam o dinheiro delas, cobram uma taxa para as proteger, outra para as alimentar, outra ainda para as vestir, outra taxa para o calçado e alojamento, enfim elas tem de trabalhar.
- Pois pai é como diz o tio Zé, elas têm de dar o corpo ao manifesto!
- Pois, ora bem o teu tio… não deves ouvir tudo o que ele diz. Além disso apesar de serem sinónimos estas palavras, usam-se de modo diferente, quando estás a falar assim mais educadamente, deves sempre dizer Proxeneta, é mais correcto, Chulo é uma palavra feia, costuma dizer-se dos tipos que andam a viver à conta do nosso dinheiro mas não se diz, percebes!
- Ok, pai, já percebi!
Alguns dias depois, o pai é chamado à escola, a directora de turma queria falar com o pai porque o pequeno referira-se ao pai de outro colega, utilizando termos menos próprios. O pai estava espantado, o seu filhote apesar de ser um pestinha de primeira água não era mal educado, dizia sempre bom dia e boa tarde, cedia sempre a passagem aos mais idosos, respeitava os professores, enfim era o paradigma do miúdo do seu tempo, o que lhe teria dado, pensava o pai enquanto entrava no gabinete. Sentado numa poltrona macilenta e gasta de tanto uso, o miúdo folheava, com ar enfadado uma revista.
– Como está bom dia! – Atirara a professora
- Bom dia professora, então vamos lá a saber o que fez esse malandrete?
- A professora começou a explicar que numa aula, a professora da disciplina tinha pedido para descreverem a profissão dos pais e que um menino ao descrever o que o pai fazia, fizera rebentar de riso metade da turma, a professora perguntara o motivo da risota.
- O seu filho levantou o braço e disse que sabia palavras que queriam dizer o mesmo que a palavra que era a profissão do pai do menino, a professora perguntou quais eram e ele disse, Proxeneta e Chulo. Foi o que disse o meu pai, dissera o pequeno, a turma rompera às gargalhadas de novo a professora chocada enviara o pequeno logo ao gabinete da directora.
- Peço desculpa, senhora professora, nunca me fizera isto, posso leva-lo.
- Saíram os dois calados, o pequeno olhava para o horizonte adivinhando no cenho franzido do progenitor a bronca que aí vinha, chegados ao carro sentou-se na cadeirinha colocou o cinto e o pai arrancou. De imediato o pai olha para o retrovisor e declara.
- Com mil coriscos, o que é que te passou pela cabeça? Como é que foste capaz de dizer uma coisa daquelas? Já agora que raio é que o homem faz, em que é que trabalha.
- Então pai tu lembras do que disseste, que o Proxeneta era para quem a senhoras trabalham e cobra taxas, o Chulo era o que vivi a conta do dinheiro dos outros, pois o Pedrinho disse o meu pai vive do dinheiro dos outro que lhe dão para ele guardar, tem muitas mulheres e homens a trabalhar para ele e cobra muitas taxas, logo eu pensei que era sinónimo, choramingou!
- Mas que raio é que o homem faz és capaz de me dizer?
- É Banqueiro!
- A luz do semáforo estava verde, a chuva caí em grossas pérolas desse Outono mas o carro não arrancara, o pai soltava as mais grandes e poderosas gargalhadas que o pequeno já ouvira, timidamente até ele começara a rir, do outro lado da rua um polícia fazia soar o apito, lá arrancaram.
- Só tu, para me fazeres rir assim, filhote!


Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sábado, novembro 11, 2006

Eu Marxista me Confesso

É verdade sou Marxista! Muitos de vós já o desconfiavam, o verbo fácil e sarrafeiro, a piadeca pouco inteligente e safada, a sempre verrumosa linguagem pontuada de laivos de anarco-sindicalismo caduco, por isso e para que não restem dúvidas, resolvi escrever esta confissão, em jeito de esclarecimento para todos os que não partilhando deste meu gosto, acabam por concordar com aquilo que escrevo neste pasquim electrónico.
Fazendo uma analepse, não me recordo bem de como descobri o Marxismo, mas foi bem sido, com 14 ou 15 anos, foi a televisão que me abriu esse caminho essa estreita vereda de conhecimentos onde só passa quem porfia e quer agarrar-se ao conhecimento, claro que depois anos mais tarde já existiam outros meios mas desses falaremos no fim desta confissão.
Recordo que a descoberta do Marxismo foi para mim uma experiência, agradável, claro que o meu espírito crítico não me permitia concordar com tudo o que ali era apregoado, mas na essência, sim sem dúvida eu era um Marxista convicto, a crítica à sociedade e aos seus valores, a arte da subversão, o constante contestar da rude e bendita sociedade, recorrendo a métodos muitas vezes pouco ortodoxos, tiveram em mim o efeito de um tónico vitamínico, despertando os meus sentidos para integrar essa luta.
A partir do momento em que decidi, ser Marxista a minha vida mudou, passei a ser mais alegre e descontraído, ainda mais crítico e desperto par o mundo e para a roda da vida, o Marxismo entrará em mim como uma religião, durante anos vi tudo sobre o Marxismo, li tudo sobre o Marxismo, biografias recortes de jornal e tudo o que a esse tema fizesse referência.
Hoje, consigo ver a essa distância alguma ingenuidade, consigo ver que há ali coisas menos bem conseguidas, artifícios menos próprios, opções menos precisas, atitudes forçadas, consigo ver isso tudo, por isso me confesso perante vós, para que me julguem se achardes que deveis, contínuo Marxista, é verdade mas com mais tolerância e aberto a outras correntes, no entanto devo confessar que até hoje não decidi ainda qual a faceta do Marxismo que gosto mais, hoje parece-me tudo tão banal e desarvorado, no entanto não consigo escolher entre Chico, Harpo, Groucho, Gummo e Zeppo Marx os famosos Irmãos Marx, os únicos responsáveis por eu ser Marxista.


Filmes com os Quatro Marx Brothers:

Humor Risk (1926)
The Cocoanuts (1929)
Animal Crackers (1930)
The House That Shadows Built (1931)
Monkey Business (1931)
Horse Feathers (1932)
Duck Soup (1933)

Filmes com os Três Marx Brothers (depois de falecimento de Zeppo):

A Night at the Opera (1935)
A Day at the Races (1937)
Room Service (1938)
At the Circus (1939)
Go West (1940)
The Big Store (1941)
A Night in Casablanca (1946)
Love Happy (1949)
The Story of Mankind (1957)

Filmes a solo

Groucho:
Copacabana (1947)
Double Dynamite (1951)
A Girl in Every Port (1952)
Will Success Spoil Rock Hunter? (1957)
The Mikado (1960)
Skidoo (1968)

Harpo:
Too Many Kisses (1925)
Stage Door Canteen (1943)

Chico:
Papa Romani (1950)

Zeppo:
A Kiss in the Dark (1925)

*Marxista, ao contrário do que pensam é um tipo que gosta dos filmes dos irmãos Marx.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quarta-feira, novembro 08, 2006

Epistola Aos Incréus

Naqueles tempos o Profeta, também conhecido por JS, para se distinguir do outro, do JC, sim porque isto da religião cada macaco no seu galho, perdão cada santo no seu altar. Recomeçando, naqueles tempos o Profeta andava amargurado, toda a gente lhe queria ir aos fagotes por causa da OE, Oração de Estado, era uma ideia que JS tinha tido, depois de ter falado com o Altíssimo no Alto de Belém pedindo ajuda.
O céu toldara-se de névoas, nuvens e neblinas, ao longe coriscavam raios, onde antes estava o silêncio ribombavam os sonoros e estrepitosos catrapuns dos coriscos, chovia que Deus a dava, esta foi bem metida, JS, também conhecido como o Artífice, uma espécie de engenheiro da época, ajoelhado em pose de penitência, com a túnica a escorrer água, mortificado e borrado de medo ouviu então uma voz vinda do alto, - Rais’parta as migalhas do bolo rei.
- E com isto as chispas dos coriscos riscavam o plúmbeo firmamento eivado da fera procela, esta é do Luís Vaz, num repente repentino, rápido e despachado, exactamente o mesmo tempo que uma castanha leva a cair de um banco, sem ter importância o tamanho do banco, um molho de urtigas pega fogo, sim urtigas porquê, ora não querem lá ver, isso da sarça é na história do outro além disso a sarça tinha de ser importada, fica caro e a malta está em contenção orçamental, as urtigas servem perfeitamente, além disso o milagre é o fogo arder e não queimar, não é o raio da planta que diabo, ops perdão senhor!
Das urtigas brotava um intenso fogo vivo, faíscante, uma voz cavernosa com sotaque do sul e ligeiramente sopinha de massa disse. – JS procura as tribos e faz ver aos incréus que para tu e os teus compinchas puderem estar no altar, e eu também já me esquecia, é preciso que eles continuem a pagar, vai e leva as palavras do teu Senhor.
- Aos joelhos do Profeta aterraram 1743 tabuinhas com a OE, gravadas em letra tamanho 12, tipo Arial a espaço e meio, o Profeta assustado funga e chora, - Senhor eu não mereço esta Graça! – Vai já disse, Maria vem ver o teu filho, este choramingas, eu sempre disse que ele devia ter ido para os Comandos a ver se enrijava. Vai já disse, vai cumprir o teu destino.
Entretanto vá lá saber-se porquê o fogo das urtigas tinha pegado ao mato rasteiro do bosque que ninguém limpava e tinha dado início a um grande incêndio, que queimara 483 hectares de floresta virgem, suspeitando as autoridades de acto criminoso pois haviam sido descobertas 1741 tabuinhas muita arrumadas que pareciam indiciar o crime, entrementes o Profeta quando se apercebera que o fogaréu lhe estava a chamuscar o rabo pegara em duas tábuas e arrancara à francesa monte abaixo, com as barbas já chamuscadas.
Naqueles tempos 13 tribos habitavam aquela região, preferida dos deuses, esta é da Íliada, os Labregos, os Borra-botas, os Safardanas, os Farsantes, os Broncos, os Galfarros, os Pelintras, os Pategos, os Tansos, os Lorpas, os Bardamerdas, os Papalvos e a tribo perdida, logo nunca achada dos Culpados, estas eram as 13 tribos, que na realidade eram só doze, uma coisa ao estilo dos 3 Mosqueteiros que afinal eram 4 mas no inverso.
Era a toda esta gente que JS, o Profeta tinha de mostrar o que tinha salvo da OE que o Altíssimo lhe tinha dado, restavam 2 míseras tábuas com 10 mandamentos era tudo o que sobrara, os apóstolos, diziam, - Mestre nós somos sabedores, esta é do Seleccionador, de que por um infeliz acidente havia muito mais para dar às tribos, mas vai em frente, comunica a palavra do Senhor a estes incréus.
- Colocaram as tábuas na Arca da Aliança Democrática, que vinha dos tempos ainda mais antigos, que falavam de uma aliança entre tribos, de um bloco central da maioria silenciosa enfim uma confusão e uma trapalhada dos diabos!
– MAU, MAU, OUTRA VEZ, OLHA LÁ OH ESCRIBA ESTOU A VER QUE QUERES EXPERIMENTAR A MÃO DO SENHOR.
– Perdoa-me Altíssimo é que estou distraído a rir do que estou a escrever e dá nisto!
Retomando, naqueles tempos o Profeta chegado à AR, ou Assembleia Religiosa, pegou nas tábuas e mostrou os 10 Mandamentos tal como o seu Senhor lhos haviam mostrado gravados a fogo na madeira de eucalipto, pois eucalipto se calhar queriam mogno ou teca não.
- Olhai, tribos ignaras e pagãs, esta é a palavra do Senhor! – Rezavam assim os Mandamentos:

1. Eu sou o Vosso Senhor, por tal pagai.
2 . Não invocarão o meu nome, excepto se pagarem.
3 . Não trabalharão ao dia santo, excepto se descontarem tudo incluindo sobre as gorjas.
4 . Honrem o vosso pai e mãe e paguem o que eles não puderam descontar.
5 . Não ficarão a dever às finanças.
6 . Não cometerão adultério, excepto se pagarem.
7 . Não roubarão, sem declarar as mais valias e pagar as taxas aplicadas.
8 . Não levantarão falso testemunho, a menos que sejam pagos para isso, devendo declarar os montantes ao fisco.
9 . Não cobiçarão a mulher do outro excepto se, se divorciarem, declarando os bens e pagando as taxas legais.
10 . Não cobiçarão a casa do vizinho a menos que tenham dinheiro para pagar os juros do empréstimo.

Estarrecidos os representantes das 12 tribos ficaram quedos, afinal aquela arenga toda só significava uma coisa, este deus novo o altíssimo ou o profeta ou lá o que era, ia era depena-los a eito, levando-lhes os tostões todos, mas isto era naqueles tempos.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, novembro 06, 2006

Os Deficientes. Esses Malandros!

Ele há gente capaz de tudo, até de ser deficiente para poder escapar aos impostos. Esta parece ser a doutrina do actual Ministério das Finanças, quando no actual Orçamento de Estado se propõe taxar todos os deficientes que ganham mais de 800 Euros mensais. A ser verdade, e a ser concretizado na prática este procedimento é a maior estupidez alguma vez feita, das muitas que são cometidas contras os deficientes em Portugal.
Ser deficiente em Portugal excepto se for de família rica, o que deverá ser uma minoria, é viver num pesadelo constante, isto porque estes sucessivos ingovernos que tem passado pelo panorama nacional, pouco ou nada tem feito para defender os cidadãos deficientes de Portugal, isto e apesar de existir legislação razoável nalguns casos pontuais, o que acaba por acontecer é que ela nunca é cumprida nem tão pouco se fiscaliza e incentiva o seu cumprimento.
Poderíamos usar adjectivos, mais ou menos pejorativos, para classificar os vários governos, os muitos ministros e as suas actuações, tais como ineptos, incompetentes, inúteis, incapazes, impotentes, imbecis, energúmenos, empecilhos, idiotas, emplastros, canhestros, safardanas, galfarros, cretinos, broncos, burros, cavalgaduras, cavalidades, bestas quadradas, parvos, bananas, pelintras, badamecos, palhaços, mentecaptos, fruta do chão, cromos, bandalhos, a lista seria longa e cada adjectivo assentaria como uma luva nesses senhores, porém a educação esmerada que nos foi dada e o respeito que temos pelas instituições da Administração Pública da República Portuguesa, impedem-nos de o fazer, diremos apenas que estes senhores são menos correctos e um pouco distraídos nas conclusões e nas acções que levam a cabo.
A minha raiva é tanta que facilmente cederia ao insulto gratuito, com o defecar à porta da AR e limpar o traseiro à gravata de seda de algum deputado que fosse a passar, mictar em cima do Ministro também não seria de todo despropositado, ou atirar-lhe com bosta de vaca fresquinha, no entanto mais uma vez o decoro e o respeito impedem-me de o fazer.
Decoro e respeito, que esses cavalheiros raramente demonstram por mim enquanto deficiente, para quem julgar que 800 Euros são uma fortuna, deixem-me dizer-vos que uma cadeira de rodas com motorização, facilmente chega aos 5000 Euros e não é nenhum topo gama, uma scotter, triciclo para deficientes custa 2000 a 3000 Euros, uma cadeira de rodas manual pode ir dos 200 aos 1500 Euros, dependendo do tipo de deficiência para que seja necessária, uma simples roda traseira de cadeira de rodas, pode ir de 70 a 90 Euros.
Um programa de Zoom Test para amblíopes custa cerca de 100 Euros os simples até 600 os melhores, um teclado Braille não custa menos de 2500 Euros, podendo chegar aos 10 000, os mesmos preços que podem atingir as impressoras em Braille.
Nem vou falar das próteses para os amputados, mas só para vos dar um exemplo a minha custou 4000 Euros há 15 anos, por isso é fácil fazer a conta ao que é ser deficiente em Portugal, claro que depois existe todo um amplexo de deficiências com particularidades e exigências próprias, apoio especial, internamento, acompanhamento terapêutico, fisioterapias várias, fraldas, medicação, enfim um nunca mais acabar de coisas que para além de não serem comparticipadas, são caríssimas.
Por tudo isto e pela trampa de legislação que temos nesta trampa de país, que enfia na miséria os seus deficientes, eu digo que esta medida é criminosa, demonstra que quem a propõe é uma refutadíssima nulidade, tem menos miolos que uma galinha morta. Quando eu vejo este país a desbaratar rios de dinheiro em habitação social para parasitas sociais, que nada produzem, ou em mirabolantes ajudas a tudo o sítio do mundo, fico capaz de me fazer explodir dentro do parlamento.
Então, os senhores, minhas alimárias, malbaratam fortunas, em trapices imbecis, em projectos de treta, em bairros sociais para escumalha, deixando à míngua pessoas que por serem deficientes são relegadas para último plano, os deficientes são em Portugal a única e verdadeira minoria ostracizada por toda a gente, não conseguem emprego mesmo quando se fartam de lutar por ele, não conseguem reconhecimento, e para pelo menos passearem na rua, ainda tem de lutar contra todo o tipo de barreiras físicas, como escadas e degraus, carros carrinhas e carretas em cima dos passeios, buracos de todas as dimensões, postes e caixotes do lixo, placares de publicidade e todo o tipo de coisas, que a incúria a boçalidade e a estupidez desta trampa de sociedade onde tivemos a infeliz sorte de nascer nos atira para a frente.
Como se tudo isso não bastasse, ainda aparecem estas sanguessugas, governantes para sugar a réstia de alento que nos resta.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sexta-feira, novembro 03, 2006

OBRIGADO!

Estou atolado em trabalho até às orelhas, tirei uns minutos para agradecer a todos os que me enviam mails, e pedir desculpas públicas à Maria de São Pedro do blogue: www.luadoslobos.blogspot.com, pela demora em lá chegar, visitem que é um excelente blogue.
Quero agradecer a todos em particular à Joana que eu não conheço mas a quem o comentário que deixei sensibilizou, a Joana enviou-me o seguinte mail, que tomo a liberdade de publicar, poorque o mail da Joana também me fez recordar que um dia ouve uma “Joana” e uma família que acreditou em mim e não me deixou afundar;


“... peço desculpa pelo atrevimento de invadir assim a sua caixa de correio electrónico, mas não pude deixar de o fazer.
Li um comentário que deixou no blog "Azul e Verde", sobre a questão do Mário Jardel e queria apenas dizer-lhe que admiro, honestamente, com todo o coração, a sua força de vontade e a sua coragem de vida.
Tempos houve em que alguém cruzou a minha vida, cheio de histórias semelhantes... mas nada o conseguiu demover e rumar aos carris da sobriedade. Talvez por não ter essa família equilibrada que o Francisco teve a Graça e a sorte de ter.
Lê-lo, trouxe-me memórias dolorosas (embora bonitas) e fez-me pensar que, afinal, para algumas pessoas, é mesmo possível recomeçar.

Um beijo, Francisco.
Obrigada


Joana”

Eu não conheço a Joana, nunca a vi, como nunca vi a enorme maioria dos que visitam este cantinho de palhaçada que é este blogue, no entanto a amizade o carinho e a simpatia que vocês me despertam, fazem com que tenha de vos dizer obrigado e bom fim de semana.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão daTróia

terça-feira, outubro 31, 2006

Um Exemplo, exemplar!


Esta notícia saiu há dias num jornal diário, uma notícia pequenina de fim de página, rezava assim; “ Catorze actuais e antigos deputados sul-africanos foram condenados por fraude, depois de terem admitido abusar dos subsídios de viagens concedidos aos parlamentares, segundo um comunicado da Autoridade Nacional de Acusação divulgado ontem. Os arguidos foram condenados a multas entre os 2641 euros e 12.547 euros ou penas de prisão de três a cinco anos”.
Muito bem agora vamos supor que a notícia era sobre Portugal e deputados portugueses, que era publicada no mesmo diário, a redacção da notícia seria radicalmente diferente, vejamos; “ Dois deputados dum lote inicial de catorze actuais e antigos deputados portugueses, foram condenados por alegada fraude, o Ministério Público só produziu prova no caso destes dois deputados, visto que no caso dos outros doze, a matéria de facto, já prescreveu. A condenação surge depois de um período de 5 anos de investigação, 3 anos de instrução e 4 anos de julgamento, em que os arguidos negaram qualquer abuso dos subsídios de viagens concedidos aos parlamentares, afirmando alguns deles tratar-se de uma cabala que atinge directamente a sua honra e o seu bom nome, existindo assim matéria para processar o estado e exigir a respectiva indemnização por ofensas morais, divulgou ontem uma fonte anónima do Ministério público já que o processo ainda se encontra em segredo de justiça.
Os dois alegados arguidos condenados incorrem numa multa de 30 a 300 Euros, ambos já declaram que vão recorrer, da sentença. Prevendo-se que a leitura da decisão do recurso seja feita no prazo de 2 anos, até lá os alegados arguidos mantém todos os seus cargos na Assembleia, visto faltarem somente 2 anos para o fim dos seus mandatos.”
Duas diferenças saltam logo aos nossos olhos, a 1ª é que a notícia portuguesa é maior, porreiro um a zero, a 2ª diferença reside no tamanho dos dois países, eles são um pouco maiores, porra um igual.
É caso para dizer, na África do Sul só demoram um ano a julgar e condenar deputados criminosos, e vocês por cá, quanto tempo mais vão demorar.

P.S. – Contínua ainda por esclarecer aquela questão do tal subsídiozito que os nossos queridos deputados auferem para os transportes públicos que nunca usam, pergunto eu, se não usam não podem apresentar a justificação para receber o subsídio, então porque recebem na mesma, será isto legal?

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

Pedido de Sangue!

Pedido de sangue!
Por motivo de doença grave, um amigo está hospitalizado. À espera de ser operado.Ainda não o foi porque tem um sangue raro (B-).
Pede-se a quem tenha este tipo de sangue que contacte com urgência:
Luís de Carvalho - 931085403
Pedro Leal Ribeiro - 222041893 Fax: 222059125
Se não puderes ajudar, por favor divulga este pedido.
HOJE POR ELE AMANHÃ POR TI!

Divulgação


Para mais informações acerca do lançamento deste livro visitem o blogue:


Vejam estes dois blogues, podem conhecer alguém que precise de ajuda ou podem querer ajudar;
Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

domingo, outubro 29, 2006

Notícias que provavelmente nunca o serão

Numa conferência de imprensa, realizada hoje num hotel da capital o conhecido empresário da noite J. S. Lopes, anunciou que pretende ser candidato pelo seu partido à Junta da Freguesia de Vila Pouca da Esparrela, com o lema “ O menino guerreiro volta à Esparrela…”. Instado a pronunciar-se sobre este assunto o líder do Partido Socialista Democrático, declarou que, e passamos a citar”… o Sr. Lopes não está na política activa há muito tempo, não percebe que o seu tempo já passou…” J. S. Lopes um conhecido empresário da noite e antigo advogado, tem 89 anos e pretende abrir uma discoteca de cariz revivalista com êxitos dos anos 80 do Século XX, em Vila Pouca da Esparrela, ao mesmo tempo que concorre para Presidente de Junta.

A Polícia Judiciária solicita que divulguemos o seguinte comunicado: Fugiu de sua casa no passado dia 28 de Dezembro de 2052 o Sr. Barroso, tem 1,70 de altura, sofre de perturbações mentais tendo sido visto pela última vez na estação do Barreiro a comprar um bilhete para Bruxelas, pede-se a quem o encontrar que contacte a PJ”. Ao que conseguimos apurar este senhor, já fugiu outras vezes, sempre na direcção de Bruxelas e clamando aos gritos ser ele o verdadeiro Presidente do Conselho Europeu.

Num golpe de teatro fantástico foi comunicado ontem à imprensa pelo assessor para a comunicação do Partido da Fundação do Oriente Próximo, que o seu candidato será o Sr. M. Soares, ou antes o holograma do Sr. M. Soares. Já que o dito senhor faleceu há cerca de 43 anos, portanto é o seu holograma que irá concorrer, no comunicado foi realçado que as excelentes prestações do candidato no passado tinham um peso decisivo na actual conjuntura, sabendo nós de antemão, que só 0,001% dos eleitores, possuem uma vaga noção de quem foi o Sr. Soares. Aguardamos mais notícias.

Foi preso ontem em Boliqueime o mais idoso assaltante de Portugal, o Sr. Silva de 96 anos, é dos mais empedernidos e galfarrentos meliantes de Portugal.
Este meliante é o mais antigo cadastrado em actividade em Portugal, reportando-se aos suas malfeitorias ainda há década de 90 do século XX. Aos 96 anos este homem de origens humildes que outrora desempenhou alguns cargos de relevo político em Portugal, é um meliante duro e experiente que se especializou no assalto às pastelarias.
O seu modo de operar é sempre idêntico, chega, pede uma bica em chávena escaldada com pingo e um pastel de Belém. Enquanto a funcionária escalda a chávena e sacode o pingo o meliante ataca roubando um bolo-rei, fugindo depois a toda a velocidade que o reumático lhe permite, trincando o bolo, com tal voracidade e de boca aberta, vai deixando migalhas espalhadas por todo o caminho, facto que normalmente o incrimina e leva à sua prisão, já que às forças policiais basta seguir o rasto das migalhas até à sua porta e verificar as migalhas que ficam no canto da boca de avôzinho metralha.

Foi eleito Associado Honório pela APoGaPeCA*, o senhor Engenheiro José S.¹, a citada associação entendeu, agraciar o senhor engenheiro com esta distinção, pelo enorme contributo que deu ao desenvolvimento desta associação e ao volume de negócios que permitiu aos seus associados atingir. O Presidente da APoGaPeCA, declarou e citamos, “… as reformas e os choque do senhor engenheiro fizeram mais pela nossa associação do que muitas maleitas…” terminou dizendo que como homens como o senhor engenheiro, depressa muitos dos problemas do mundo, como o excesso de população estariam resolvidos.
*Associação Portuguesa de Gatos-pingados e Cangalheiros de Aldeia
1 Serapião, igual ao filósofo Grego
Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sexta-feira, outubro 27, 2006

O Guei e o Pgesidente! *

Como se nada mais existisse para discutir neste país, volta e meia, lá volta a discussão da Monarquia vs Republica, adeptos de uma e de outra causa, esgrimem argumentos mais ou menos ridículos e estapafúrdios a favor ou contra um e outro modelo.
Tenho amigos monárquicos e tenho amigos republicanos, devo confessar que pessoalmente entre uma e outra venha o diabo e escolha. Os monárquicos são aquela rapaziada betolas, com aspirações a serem Condes, Viscondes ou quiçá Barões, alguns com uns apêndices pelosos sitos logo abaixo da narigueta, muito cuidados e enviesados com longas pontas retorcidas, acho que dá um ar nobre, foi a resposta que me deu um desses bons e inofensivos rapazes da monárquica causa, que porta uma tal bigodaça, percebo, disse-lhe eu em tom irónico, é que não tive coragem de dizer ao tipo que o único ar que ele tem é a de “roberto”, que para quem não se lembra, eram uns bonecos tipo marioneta que no antigamente andavam pelas feiras e romarias, fogo estou velho como o caraças.
Os republicanos são cada vez menos, ou seja 1 em cada mil Portugas, sabe o que é a republica e identifica-se como republicano, o resto da malta limita-se a andar por cá a ver passar os comboios, coisa que num país cretino que desinveste nesta importante modalidade do transporte público, não será fácil.
São vários os argumentos que a rapaziada real advoga, um desses é o do desenvolvimento e tal, que os países que são monarquias são desenvolvidíssimos, pois tá bem abelha, a Alemanha enquanto foi monarquia foi um espectáculo, a Inglaterra se não fosse o Parlamento estava bem arranjada, A França idem, e nós a julgar pela última dinastia sim senhor íamos bem encaminhados.
Outro argumento porreiro é aquele que diz que o Rei é educado para a sacrossanta função de representar o país e tal e coiso, ah é, não sabia dessa, já avisaram o Príncipe Carlos ou as suas crias, pela atitudes a coisa descambou um pouco. Um argumento mais falacioso é o da poupança ao erário público, talvez não sei, façam as contas o tipo reina 30 ou 40 anos, come e bebe à pala, faz nomear 375 conselheiros, viaja pelo mundo arrastando a camarilha chupista dessa nobreza falida e farroupilha da treta que vegeta pelas discotecas da capital a tratar os filhos por você. Não sei não! Essa peta da poupança não me convence.
Do outro lado o republicanismo pseudo democrático, que tão bem conhecemos o que me escusa de mais delongas, pois são democráticos, dizem eles, não tenho visto nada disso, bem pelo contrário, a nossa I Republica foi o que foi, o Estado Novo foi um fenómeno híbrido, era uma republica mas quem reinava era o Ti Oliveira, mas dizia-se que Portugal era o Império, que grande confusão.
A republica é por excelência corrupta e despesista, talvez até mais que a Monarquia, a republica sob a tal capa da fraternidade e igualdade, aprisiona e escraviza as massas, é uma espécie de ditadura da democracia, isto está bonito, onde uns poucos e sempre os mesmos se fazem eleger a si e aos seus, no fundo a republica é um sucedâneo da Monarquia. É uma espécie de Monarquia descafeinada.
Notem caríssimas amigas e amigos, que nada tenho contra uma ou outra forma de estado, para que conste nem a favor, até acho que a questão da Monarquia devia ser referendada, eu até votaria sim, só para me rir mais um pouco, porque se a palhaçada é o que é com a republica imaginem com a monarquia, o que não seria, com os mediáticos condes e viscondes que por aí andam a coisa seria mesmo de rebentar a rir.
*O autor tem um problema de dicção. (A piada tá um bocado estafada mas como não arranjei título melhor)

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quinta-feira, outubro 26, 2006

2 Milhões

É daqueles números abstractos que nos deixa a pensar, dois milhões de pessoas vivem ou antes sobrevivem naquele país com menos de 1 Euro por dia, como é isso possível, tendo em conta que ainda há bem pouco tempo esse país era o paradigma do sucesso Europa, era o Oásis, que passou a Paixão de seguida a Choque e receio bem que chegue a Traque num instante, já que a coisa tem vindo sempre a decrescer, espera-se que atinja o zénite com o eflúvio estomacal sorrateiro e por vezes húmido a que se atribui o nome vernáculo de Bufa.
Dois milhões de pessoas nesse país vegetam, dormem à noite de barriga vazia, não vêem televisão nem compram jornais, não lerão estas linhas, creio até que se estão nas tintas para o orçamento de estado e para a Assembleia da Republica. Dois milhões de pessoas, choram, sangram e tossem, dói a barriga com a dor da fome, a dor da fome é uma dor sui generis, não falo do vulgarmente chamado ratito no estômago, não, falo numa dor que se instala fundo, que nos atravessa a alma e que dói, dói como nada faz doer, é impossível de descrever por palavras, quem nunca sentiu fome ao ler isto nem sequer sonha como é a dor, essa dor que alquebra e desalenta, tornando redundante e penoso até o respirar.
Nesse país que se orgulha das auto-estradas, do novo aeroporto de dez estádios para as moscas, é o maior campeonato de moscas, varejas e mosquitos do mundo, de comboios super hiper rápidos, da banda larga e da via verde, para esse país o que são dois milhões de pessoas com fome com carências, com pobreza extrema, tristes sem ilusões, caramba são dois milhões!
Nos discursos de circunstância não falam disso, porque nem sequer disso há consciência, nesse país que faz de conta que é rico, a preocupação é África, é a Palestina, é o Afeganistão é Timor é todo o sítio que dê para aparecer nos jornais e nas revistas, é gente muito religiosa e muito caridosa e muito preocupada em missionar. No entanto ao virar da esquina, no andar de baixo ou na porta ao lado, estão dois milhões de seres humanos que vivem abaixo do limite de pobreza e tão pouca gente se preocupa com eles, porquê?
Será porque não são pretos? Será porque são brancos? Será porque são Portugueses? Será que por serem portugueses devem ser ricos e estão a mentir? Será que sofre menos, quem vive em Massamá ou em Sanfins do Douro do que no Darfur ou em Ramallah? O sofrimento mede-se? Como? Quem mede o sofrimento, existe um sofridómetro?
Tanta pergunta sem resposta, e dois milhões de seres humanos nesse país que sofrem sem meios de subsistência, nesse país da Europa, da União Europeia, esse país onde tu e eu vivemos, esse país que é Portugal.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

terça-feira, outubro 24, 2006

O Vento Mudou Mas o Cheiro Continuou o Mesmo

Plano geral, escritório típico de advogado farçola, plano apertado entra o protagonista, uma espécie de sempre em pé da política, camisita de alvura tipo “ Aldeia da Roupa Branca”, corte de cabelo estilo “Menino Rebelde de Campo de Ourique” empastado de gel, plano americano, foca o nosso herói a debruçar-se sobre a papelada fingindo que está ler, capacidade sobre a qual o autor deste texto tem sérias dúvidas que o tal nosso herói possua.
A objectiva abre em média luz em contraste, em voz off, o nosso herói revela o que lhe vai na alma, diz que se dedicou a ser advogado, sinceramente gostaria de saber quem no seu perfeito juízo contrata este gabiru para advogar o que quer que seja mas enfim, o homem está, como se diz aqui na terra, descorçoado.
De todas as bojardas que soltou, pois a estação de televisão concede-lhe aqueles minutos, para isso mesmo, para dizer disparates e assim fazer subir o share, até porque o canal em causa, é de um amigo, uma coisa o infeliz telespectador percebeu de imediato, tal como na história dos 3 mosqueteiros que afinal eram 4, a entrevista deste homem mostrou ao mundo que afinal o quarteto do gato que fede, é um quinteto.
Vejamos. – Ah e tal, as taxas moderadoras! – Não as taxas moderadoras, fui eu que propus, e o que é que eles disseram? – Pois taxas moderadas cum caraças! Pois, e mai nada! Vai buscar Tibi!
Tal e qual Santana dixit. Santana é o quinto gato, ficou desvendado o mistério. Esse excelente produto político da praça da alegria em que está transformado este país, lá ligou ao titio Balsemão, que lhe arranjou uns minutos de publicidade, pois porque aquilo foi um spot publicitário, o cavalheiro precisava de dizer que estava a praticar advocacia, porque isto tá mau e angariar clientes não tá fácil, até porque hoje a malta solta um traque e catrapumba, logo aparece um advogado. Foi de risos, estas coisas são porreiras, a malta diverte-se com estes grandes pândegos. Força Santana, pá a malta tá contigo, prometo-te que se eu processar aquele bar onde vou, porque vendem uísque marado, é a ti que vou contratar, visto que tens uma certa afinidade com essas coisas, noitadas copos e tal.
Nota final, os partidos não acertam as suas próprias contas como podem querer acertar as do país.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, outubro 23, 2006

Epístola Aos Pagãos

A vós pagãos que me escutais!
Naqueles tempos, o profeta andava amargurado, dois dos seus discípulos, desaustinados de todo tinham metido a pata na poça e irritado o povo. O profeta estava cansado, afinal andava ele a apregoar choques disto e daquilo, a encomendar estudos sobre os milagres que a malta mais gostava, a gastar rios de dinheiros em pombos correio e estafetas, para depois aqueles dois patarecos estragarem tudo com bocas da reacção, que diabo, perdoa-me senhor, tinha de fazer algo.
E depois a populaça, ignorante e pagã, andava irritada e amargurada, os pategos não percebiam nada de milagres, alias o estudo que encomendara, que por acaso fora um pechincha, feito pela empresa de um amigo de infância só custara 230 mil Euricos, o estudo mostrava isso mesmo, cambada de chipansos ignorantes, 56% queriam ver a selecção nacional de Finta o Fisco, que era o desporto nacional, ganhar o mundial, 22% queriam era ter uma palafita à beira do mar e uma carroça de 4 cavalos GTA*, que cambada.
Ele decidira fazer um milagre bem mais fácil, escolhera o milagre da multiplicação, mas agora aqueles dois papalvos, andavam a estragar tudo. Amanhã iria resolver aquilo, ia mas era dormir, que isto de ser profeta era uma canseira.
Amanhecia no monte das Rosas, onde o profeta adorava estar, pequeno-almoço tomado, agarrou em dois PCexpress¹ e enviou-os aos discípulos. Passados alguns minutos, aí vinham os dois monte acima ofegantes e em bolandas. – Bom dia mestre, em que Te pudemos ser útil, gritaram os dois em uníssono.
- Ora bem para me serem úteis deviam era cozer a boca, seus papagaios! – Disse o profeta erguendo a mão aos céus num gesto teatral tipo filme bíblico dos anos 50. Imaginem a cena, com raios e coriscos, trovões e nuvens negras, vento e arbustos a arder, com os discípulos acagaçados de joelhos a rezar ao Altíssimo.
- Pinhão, minha besta-quadrada, então tu vais dizer à malta que a crise acabou, oh meu grande dromedário, meu imbecil, que tens a dizer, vá confessa-te!
- Perdoa-me Mestre que não foi por mal, eu tinha estado a dar no licor de figo e na aguardente de medronho, depois lembrei-me que era um milagre porreiro e vai daí, zás disse aquilo.
- Então e não pensou, que se o raio da crise acaba estamos tramados, que sem crise já não temos desculpas para esburgar a malta, que já não podemos sacanear o que quisermos e quem quisermos, meu grande asno, vais já pedir desculpa, anda raspa-te. – Pinhão botou a correr por ali abaixo direito aos escribas e arautos do reino para fazer o que o Mestre dizia.
- Agora nós oh Guerrilha do Castro, então tu vais dizer que a culpa da subida do preço do papel higiénico, é do povo, tu tens noção da barbaridade, que proferiste! – Erguendo-se em bicos de pés, gestos tétricos e a mesma cena com trovões e tal.
- Perdoa-me mestre a culpa foi daquele incenso que eu comprei a um malvado marroquino, como sabes eu gosto muito de meditar, comprei incenso, o marroquino até me garantiu que o porro era do bom só cabeças e cheias de óleo, ora o óleo arde bem e levei, pus aquilo a arder e comecei a ter visões e depois disse aquilo.
- Valha o Altíssimo, com é que se pode ser prior de uma paróquia destas, um bêbado e o outro agarrado!
- O profeta arrepelava os cabelos, gesticulava, olhou para o discípulo que tremia a seus pés e assentou-lhe uma valente biqueirada no traseiro, acrescentando. – Raspa-te e vai a correr desculpar-te meu tragalhadanças.
Caramba com gajos destes estou arrumado, não há milagre que resista, nem o milagre das pedras se salva.
Naqueles tempos de choque, o profeta ficara chocado com a leviandade dos seus discípulos, assim o povo não o seguiria, contestaria as sua absurdidades e recusaria pagar, e pagar e pagar, que era o únnico préstimo que tinham aqueles energúmenos.
*Grande Turismo Animal (GTA)
1 Pombo Correio Express

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sexta-feira, outubro 20, 2006

Sem Perdão

Tem para hoje anunciado o desfecho, um dos julgamentos mais mediáticos dos últimos tempos, a anedótica sucessão de acontecimentos que levou finalmente ao julgamento, fez com que eu tenha anteriormente escrito o seguinte”…estando eu em crer que provavelmente nunca este caso irá a julgamento, se o for porém fiquem certos de que os arguidos a julgar será meros títeres, cuja função será arcar com as culpas e desviar as atenções…” Escrevi esta opinião cerca de um ano e meio depois do desastre, pois o rocambolesco jogo do empurra denunciava o que se iria passar.
Passados que estão 5 anos e meio, hoje dia 20 de Outubro de 2006, será lido o acórdão do Tribunal em relação à prova produzida e deliberando da pena aplicar aos arguidos. Os arguidos, uma verdadeira brigada do reumático, tanto que a idade dos arguidos até foi utilizada como atenuante à aplicação da pena, quatro engenheiros da extinta JAE e dois técnicos de uma empresa privada, são pura e simplesmente os bobos da festa, são o cordeiro sacrificial de toda esta palhaçada.
O pouco respeito que ainda existia em mim pela Lei e pelos tribunais desapareceu hoje, a vergonhosa encenação a que este suposto Estado de Direito se prestou é duma baixeza inqualificável, teria sido melhor que a maquinação tivesse ficado esquecida quando um tal Sr. Juiz, decidiu arquivar o caso, teria sido melhor assim, todos ficaríamos com a sensação de que teria sido mais um caso de corrupção e manipulação da Justiça, mas pronto engoliríamos a história. Infelizmente ao reabrirem o caso para esta vergonhosa falta de respeito, pela memória de todos os que faleceram, pela Justiça e por todos nós é algo que eu não achava ser possível.
Portugal é um país podre, completamente podre, irremediavelmente podre. A facilidade com que se suja o nome daqueles cidadãos, que até concordo, devessem fazer parte do processo como co-arguidos, a facilidade com que se mancha o nome e honestidade dessas pessoas é arrepiante. Onde estão os outros, onde estão os políticos, os ministros o presidente de câmara, os directores de topo, os areeiros, os que licenciaram os areeiros, os que falharam as inspecções da ponte, os que não legislaram a tempo sobre a obrigatoriedade das inspecções e seu conteúdo onde está toda essa gente, bastante mais culpada, vergonhosamente mais culpada, impensadamente ausente.
É com profunda tristeza que vejo morrer a réstia de esperança que tinha em finalmente ver que a culpa em Portugal seria assumida, que existiria gente com honra neste país, infelizmente assim não será, este julgamento ficará para a história como uma vergonhosa encenação, que tão somente pretendeu esconder sob a capa da legalidade a culpa de uma série enorme de cobardes ineptos, que se acoitam sobre as cores partidárias e os lugares políticos de onde manobram as instituições deste país, este julgamento é a mais completa e ridícula encenação judicial que há memória, se exceptuarmos o processo dos Távoras.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quarta-feira, outubro 18, 2006

É preciso cuidar! Porque os Maus-tratos existem!

Era um canteiro igual a tantos outros canteiros de tantos outros jardins habitados por tantas e tantas espécies de flores, mas este era especial porque a florzinha estava ali, ondeando ao sabor das brisas, banhando-se com as orvalhadas da aurora, e aquecendo-se com o sol.
O pai flor não lhe ligava muito, estava mais interessado em atrair os insectos que pudessem levar o seu pólen o mais longe possível, a mãe flor ocupada em resistir aos ventos e falar com as amigas tinha pouco tempo para a pequena florzinha.
Um cacto malvado adorava espicaçar com os seus aguçados espinhos a pobre florzinha, o caracol pirata mordiscava-lhe as pequeninas folhas, florzinha vira-se para o pai flor em súplica de auxilio, mas este demasiado ocupado ou nada preocupado ralhava-lhe batia-lhe com o forte caule na sua pequena corola e fazia de conta que nada se passava, a mãe flor ocupadíssima fazia de conta que não a via.
Florzinha, entristecia, a cada dia, fechada sobre si mesma, as ervas daninhas erguiam-se ameaçadoramente à sua frente cobrindo com a sua sombra o Sol, que era o único conforto que aquela florzinha sentia, o calor quentinho do sol que a embalava em sonhos de menina flor.
Aquele canteiro, estiava a olhos vistos, a cigarra lá no alto abria os dias com as suas sonatas estridentes, por entre a folhagem abrigavam-se os animais e as plantas, à mingua de sombra que a protege-se da escaldante aragem, a água faltava, no seu cantinho do canteiro, florzinha cantava, ou antes murmurava, seguindo a deixa das cigarras, uma triste cantilena, a sede esgotava-lhe as forças. E naquela tarde, cansada das maleitas, amargurada pela falta de amor e carinho a florzinha secara, o canteiro ficara mais triste, mas na outra ponta outra florzinha despontava, já pequenina, era o orgulho do canteiro, mas o pai flor estava demasiado ocupado e a mãe não queria saber.


Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, outubro 16, 2006

Petição Contra As Criminosas Taxas Moderadoras

Não sou a fovor de sistemas gratuitos, está mais que provado que esses sistemas geram vícios de forma, no entanto não posso deixar de repudiar esta atitude, que classifico de mercenária deste suposto governo socialista.
Eu até nem pago taxas moderadoras, por enquanto, pois sou dador de sangue, mas sei o que custará a muita gente ter de desenbolsar aquelas taxas, por conseguinte deixo-vos este link que abarbatei ao meu conterrâneo do http://www.bloguedealmeirim.net/, espero que ele não se importe. Pode até não dar em nada, mas é para que aquela camarilha de São Bento, perceber que ainda há alguns que não andam a dormir no meio desta trampa toda. Assinem a petição online o Link tá aí em baixo.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

Reestruturações, confusões e demais burrices!

O Governo anda mesmo às aranhas, eu já desconfiava que o Conselho de Ministros andava a torrar uns pós, a meter uns fumos, enfim a expandir a carola, mas agora fiquei com a certeza. António Costa, que está para o MAI como Portas esteve para a pasta do MDN, ou seja à nora, mais ceguinho que um morcego vesgo, num encontro de técnicos de luz. Dizia eu que o Sr. Ministro Costa, encomendou um estudo sobre as forças policiais a uma empresa de consultadoria, ainda não percebi bem o que é isto da consultadoria mas macacos me mordam se não abro uma coisas destas, recomenda o estudo várias mudanças no aparelho e modelo das forças policiais.
O Sr. Ministro Costa, apresenta o estudo como a coisa mais fiável do mundo, por cá agora está na moda, quando os decisores políticos não percebem nada do que estão a fazer, encomendam um estudo, se a coisa der para o torto, existe sempre a hipótese de dizer que os dados do estudo estavam errados ou que houve erros de interpretação.
Propõe, o tal estudo, que a Brigada Fiscal da GNR, seja extinta. Até concordo, caso claro está, sejam dadas condições à GNR de efectivamente exercer um controlo fiscal de fronteiras internas e externas, conforme à missão que actualmente está confiada à BF, que existam destacamentos costeiros dotados de pelo menos 2 lanchas rápidas por destacamento e área de intervenção, com equipas treinadas e equipadas para exercer fiscalização até às 12 milhas bem como nos estuários e rios, com meios aéreos atribuídos e com viaturas, sistemas de armas e transmissões em condições, se assim for até concordo com a extinção da BF.
Outra proposta pretende a extinção da BT, aqui, acredito que funcionou o método moeda ar, os senhores consultores atiraram a moedita para ver o que iam propor para fechar e deu-se este caso de pura imbecilidade. Sr. Ministro existirão seguramente, métodos melhores, para varrer a casa, para limpar os corruptos, extinguir a BT é uma imbecilidade, ao invés disso proponho que se invista na BT, na prevenção rodoviária, que se introduzam mudanças na legislação que legitimem e regulamentem o uso intensivo de radares, de câmaras de vídeo e demais equipamentos que permitam levar perante a justiça os prevaricadores, invistam em meios aéreos para a BT e em meios terrestres condignos equipados com câmaras térmicas, com radares de varrimento, dopplers e demais sistemas que ali ao lado onde começa a Europa já se utilizam, como um sistema informático actualizado com cruzamento de dados e verdadeiramente eficaz, não é preciso inventar nada, está tudo inventado, basta seguir os bons exemplos e adaptar à nossa realidade, é simples, tão simples quanto o tempo em que o raio do chimpanzé demora a apreender a reciclar, no entanto por cá os senhores, demoram e demoram.
Ainda não contentes, propõem os senhores consultores, verdadeiros génios, estes cavalheiros, reduzir os comandos distritais da PSP dos actuais 12 para 4 super estruturas de comando. Outra imbecilidade, alguém deveria explicar aos senhores, que a PSP, não é uma estrutura militar, é uma estrutura civil de policiamento de proximidade, o modelo que os senhores aconselham fará todo o sentido numa reorganização das Forças Armadas, que já deveria ter sido feita mas ninguém parece ter coragem para fazer.
Resulta portanto, que este estudo propõe aqui mais umas cretinices, que não têm qualquer justificação, porém se este estudo apresentasse a fusão das duas forças que actualmente exercem o policiamento, coisa que há muito que advogo como método de racionalização de meios, isso seria uma muito boa proposta, se neste estudo fosse dito que a AR não necessita de 2 (Duas) companhias cerca de duzentos homens, a bater charuto o dia inteiro, lá destacados, quando são é necessários nas ruas, isso seria uma boa proposta, se este estudo declarasse que por exemplo a GNR precisa de se aligeirada porque a sua estrutura de comando é demasiado pesada, pois tem servido para absorver os incapazes oriundos do Exército, Coronéis, Brigadeiros e Generais, esta seria uma boa proposta.
Como não diz nada disso este estudo é mais uma palhaçada, destina-se somente a cortar cegamente e sem critério de benefício do cidadão nem da optimização da Segurança, qualquer merceeiro faria melhor por menos dinheiro e com melhores resultados.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sexta-feira, outubro 13, 2006

Hossana Senhor Eis a Luz da Salvação!

Ele acordara naquela manhã com a firme decisão de fazer história, caramba, todos tinham direito ao seu momento de brilho, no entanto o seu momento tardava em chegar, apesar daquela fugaz e celebre questão do jaguar, todos pareciam ter esquecido de quem ele era e do importante cargo que desempenhava.
- Uhmm, Uhmm, diacho que o troçulho estava entalado! – Pensava o nosso herói, enquanto as grossas pérolas da transpiração lhe escorriam pela alva fronte de menino copo de leite, mas bem sucedido na vida, e ao que consta com queda para o copo, que não de leite.
A obra estava complicada, o dejecto teimava em atrofiar nas paredes do final do intestino, resistindo à forçada evacuação. Urgia o tempo que o relógio não perdoava.
-Ordeno-te que saias! Declarava ele no seu tom de voz, bagaço do cais do Sodré. Mas a indómita poia não anuía. Assim como assim, até porque podia sempre ir a 215 à hora e invocar razões de estado, o nosso herói, botou-se a pensar.
Quanto mais pensava mais congestionado ficava a bosta, e ideias que é bom, meus amigos nada, um gigantesco e aterrador vazio. – Caraças, não devia ter mandado abaixo aqueles 6 uíesquesitos ontem, diabos levem o engenheiro mais as ideias parvas dele.
- Enquanto ruminava aqueles pensamentos, relia uma das revistas de grande informação à portuguesa, desaparecida a única que valia a pena ler que era a Grande Reportagem, o que restava era uma espécie de Maria em formato pretensioso de revista de informação, foi aí que os seus olhos rebrilharam de fulgor.
- Caramba é isto mesmo, tá aqui, tá bem que não será inovador, mas como a malta por cá, tem memória curta a coisa até pode passar e vai ser uma bomba.
- Como por milagre, o intestino descongestionara, o homem quisera e a obra saíra, ou seja obrara. Limpara o estrago sem atenção, com tão pouco cuidado que o papel, o tal de dupla folha tinha rompido, irisando de castanho a ponta dos dedos indicador e anelar. – Que se lixe, isto vai ser, a loucura, pá sou mesmo muito bom! – Dizia enquanto lambia a sua imagem reflectida no espelho ainda meio embaciado pela água a escaldar do banho.
Em cima do bidé, ainda aberta na página fatídica já amarelecida, jazia a visão antiga, de um anterior primeiro-ministro, homem sobejamente conhecido, principalmente por ter servido os cafés aos senhores, que congeminaram a invasão e saque do petróleo ao Iraque. Nessa página podia-se ler … Portugal já está em retoma…
Levado por aquela visão, à tarde o nosso herói, declara sem medo às televisões aos jornais a todo o mundo que; “ … a crise em Portugal acabou…” – É a isto minhas amigas e amigos que se chama uma ideia de merda.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quinta-feira, outubro 12, 2006

Provincianos!Quem, nós?

Durante o fim-de-semana tive uma crise de insónia, que normalmente curo com uma ida à minha tasca de eleição, degustando uns petiscos e regando tudo a branco ou tinto conforme esteja a maré, até um ocasional palheto ou uma supimpa água-pé.
Na roda de amigos, enquanto a chouriça rechinchava, esqueimaçada por uma excelente aguardente vínica de 70º, discutia-se o provincianismo, o que é ser provinciano ou não e por aí adiante, temas de provincianos. O meu amigo Zé, no uso da palavra, batia no maltedo da capital, por serem uns nabiças avoados, por andarem de carro para todo o lado, de encherem os passeios de carros de não usarem as toneladas de transportes públicos que têm e depois se queixarem do preço da gasolina.
Aparentemente isto não tinha nada que ver com provincianismo, mas tem. Tem porque ser provinciano não é falar com sotaque regional, ser provinciano não desconhecer que metro apanhar para o Cais do Sodré ou qual é o número do autocarro para o Rossio, isso é simples desconhecimento.
Ser provinciano é viver numa terreola, como Almeirim e andar de carro para todo o lado, quando a terreola se atravessa bem de ponta a ponta em 20 minutos, ser provinciano é construir prédios de 4 andares quando há espaço de sobra para fazer moradias, ser provinciano é querer ser uma coisa que não somos e malbaratar a excelente terra que aqui existiu, uma ilustre Almeirinense, que aqui exerceu a sua profissão médica, pessoa sobejamente conhecida por cá, disse um dia, … Almeirim como Vila era uma Vila bonita, como cidade é uma merda…
Não posso estar mais de acordo. Ser provinciano é adoptar modas imbecis como esta de entupir de carros uma terreola, que até chateia de tão plana que é, sendo que os únicos obstáculos que quem circula a pé encontra são as bestas dos automobilistas e motociclistas locais, que pouco ou nada respeitam a sinalização, e os carros nos passeios que as mesmas bestas estacionam em local proibido, para irem tomar café, para estar a falar com a vizinha, entre outras coisas de extrema urgência.
Este modelo de progresso que entrou no imaginário do povaréu ignaro, não cessa de me espantar, como não cessa de me espantar a capacidade, que os Portugueses têm de só copiar os maus hábitos e as imbecilidades, raras são as vezes em que vi serem adoptados bons hábitos de civilidade e de verdadeiro progresso, que ao contrário do que pensam estas alimárias asininas se mede pela qualidade de vida e não pelo betão. De que lhes valerá deixar, por vergonha, de dizer o “mê pai” e a “nha mãe” bem como outras expressões bem típicas da minha terra, para passar a falar à lisboeta, coisa que não tenho nada contra em Lisboa ou em alfacinhas, excepto nas séries portuguesas de época, onde falam todos à lisboeta é só rir, trabalho de actor, de composição de personagem zero, nadinha de nada.
Dizia eu que, de muito lhes vale abandonar as suas raízes e cultura, para adoptar a mentalidade do subúrbio, isto sim é ser provinciano, mas isto meus amigos os meus conterrâneos não percebem nem que lhes entre pelo olho do cu adentro, mas como dizia o outro …felizes dos ignorantes porque deles é o reino dos céus…

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quarta-feira, outubro 11, 2006

Triste e Indignado II.

Quando eu julgava que pior não era possível, erro crasso, ainda não refeito da situação, eis que leio num jornal diário esta brilhante tirada, “Responsável da IGAI diz que é mais "sensato" permitir fugas do que mortes”, quem afirma isto é um cavalheiro que dá pelo nome de Clemente Lima, e é ao que parece o chefe dessa coisa que se chama Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI), para que serve, sinceramente não sei, é mais um daqueles lugares do tachito para entreter os amigos da cor certa.
Quando alguém com a suposta função e inerente importância, deste cavalheiro faz declarações desta natureza, o que devo eu que vivo do roubo dos bens alheios inferir, que tenho a porta aberta. Que posso continuar a fazer todo o tipo de tropelias que acabarei sempre por escapar, ora que excelente exemplo que esta laminária está a dar.
Diz ainda este ilustre e douto senhor, "É preciso nunca nos esquecermos de que estamos a falar de uma criminalidade urbana, com características específicas.” Oh rapaz deves ser o único que ainda não percebeu isso, porque a maltinha que é roubada e mora em centros urbanos, há muito que entendeu o que é esse tipo de criminalidade específica, alias Vexa. e os seus comparsas aí do IGAI e dessas tretas semelhantes, devem andar a dormir, pois a situação degrada-se ano após ano sem que nenhum desses senhores tão sapientes faça nada.
Esta declaração dá claramente a entender que os senhores que mandam não fazem a mínima ideia de como debelar o problema. E como isso acontece? Simples, por pura ignorância e inépcia, porque infelizmente coisas que devem se levadas a sério estão entregues aos amiguinhos de partido que assim durante 4 anos arranjam um tachito porreiro.
Continuou o dito senhor com mais esta pérola, “Mas também admito que exista falta de preparação específica no que toca à utilização das armas de fogo…”E porquê, pergunto eu? Simples, porque o dinheiro do orçamento de Estado ao invés de ser gasto em coisas importantes é gasto em TGV’s e contas de telemóvel e assessores e estudos e todo o tipo de porcarias sem préstimo, este como outros Governos anteriores, é um governo de incompetentes e ineptos, no que concerne à segurança interna e defesa. A lei de utilização de armas é miserável e estúpida, mas eles lá continuam todos contentes e a proferir as mais estapafúrdias absurdidades como as do artigo em que se baseia este post aqui no Barão.
Já com pouco para dizer alias as declarações que prestou no referido artigo são uma anedota pegada, este apóstolo da clemência refere ainda, “"Preocupa-me a falta de cadeias de comando que poderiam evitar mortes desnecessárias.” Esta para mim é uma frase chave, é o mais completo atestado de estupidez passado a quem governa, pois como todos devem saber as cadeias de Comando destas coisas são da responsabilidade dos governos que os nomeiam, logo se não existem a culpa de quem é? Outro problema quanto a mim grave é entregar a IGAI ou outro tipo de instituições similares à chefia de Juízes e rapaziada do género, facto que é facilmente comprovado, pela morte, essa sim de lamentar, de profissionais das polícias que no cumprimento do seu dever foram assassinados, exactamente porque a doutrina que os comanda é permissiva e relativiza o uso da arma coisa que os bandidos não fazem. Ao não colocar profissionais qualificados, com formação policial, gente que sabe aquilo que anda a fazer e como deve ser feito, nestas instituições, preteridos a favor de Juízes e magistrados que como temos visto nem de Leis percebem, quanto mais de polícia, continuaremos a ter isto, este faz de conta que é a Segurança em Portugal.
Termino com uma coisa que me faz confusão no discurso destes senhores, que é a relativização dos roubos, dou-vos um exemplo, eu que sou um pobre diabo contratado a termo que ganho 450 Euro por mês se me roubam 50 Euro isso para mim é um grande roubo, já que significa uns dias mais complicados, para o senhor ministro é de somenos importância pois se lhe limparem 50 do ordenadito ele nem nota, tenho um conselho para todos os senhores que relativizam os roubos praticados sobre outros, que é o seguinte, vão todos para a libidinosa meretriz que vos deu a luz, corja de impotentes ide fazer felácios a cavalos e que um raio de luz celestial vos trespasse o esfíncter anal.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

terça-feira, outubro 10, 2006

Triste e Indignado!

Estou triste e quero deixar aqui um voto de protesto contra a Guarda Nacional Republicana! Caramba a vossa falta de pontaria não é admissível, deixam sempre escapar vivos os energúmenos que perseguem, como no caso mais recente, onde aquele pobre moço, que é uma excelente pessoa, de junto com aquela menina de excelentes famílias como nos foi dado a ver na televisão, resolveram deslocalizar uma viatura por puro prazer lúdico, eles não queriam fazer mal a ninguém, caramba quantos de vós não afanasteis já uma carripana para dar umas voltas com uma miúda a ver se lhe punham a passarinha ao léu, confessai-vos oh ignara corja de alegres e prazenteiros bonacheirões do gamanço.
O moço ao que sei, era um exemplo da comunidade, prisional, com um cadastro de fazer inveja aos irmãos Dalton, apesar da tenra idade, 21 ou 22 anos, mas tadinho, ele não é mau, tal como os outros pobres quatro rapazes de Matosinhos, foi a sociedade que os corrompeu, que os impediu de estudar, que os não deixa trabalhar e lhes dá o rendimento mínimo, esta sociedade vil que avilta a alma e corrompe o corpo, eles andam só a divertir-se, com os bens dos outros é verdade, mas não é roubo, é brincadeira, pura gaiatice de meninos pobre e enjeitados a quem a mãe de certeza deu muitas bolachas Maria, ficando assim a cérebro entupido de bolacha, dando origem aquelas criaturas, cândidas e pacatas mas brincalhonas e traquinas, uns anjos que só precisam de amor carinho e compreensão.
Por isso apelo às pessoas de Matosinhos e de Gaia, não tranquem as portas de casa nem dos carros, facilitem a vida a estes moços que só querem ser felizes, sejam humanos, estas pobres ovelhas só precisam de uma ajuda, pois porque os 400 eurozitos do rendimento mínimo não chegam, ajudem a iluminar os seus caminhos, deixem sempre as luzes das lojas acesas para eles puderem gamar à vontade sem se magoarem, deixem também o ouro à vista e umas notitas de 200 ou 500 num sitío visível e já agora apelo também ao vosso espírito cristão deixem sempre que possível um lanchezinho, estes pobres cordeiritos são oriundos de bairros degradados, não se deixem enganar lá porque eles vestem roupa mais cara que aquela dos vossos filhos e estão arreados de mais ouro que o Mr. T e que os telémoveis deles sejam topo gama, enquanto o vosso até dificuldade em enviar mensagens já tem, no fundo eles passam dificuldades, já pensaram quanto custa alimentar 3 ou 4 cães pitbull, e manter o carrito tuningue com as bufadeiras a brilhar, por isso ajudem por favor.
Estou indignado, porque ontem à porta do Tribunal de onde foi presente a um juiz o Heróico Militar da GNR que baleou e bem o imbecil que gamou o carro e tentou atropelar os guardas, estava uma manifestação de amigos e familiares da "vítima", vejam bem, ao estado a que este país de merda chegou, os amigos e familiares daquele traposo infecto vão manifestar-se para a porta do tribunal, em apoio ao nojento galfarro ladrãozeco pilha galinhas de merda, e apupando o Militar da GNR.
Caramba isto está tudo ao contrário, então onde estão os cidadãos honestos que deviam aos milhares estar, ali à porta daquele tribunal a mostrar o seu apoio à GNR e ao seu homem que e bem volto a repetir, no exercício da missão que lhe está confiada atirou num imbecil nojento, sim porque o GNR está a defender o vosso cu, oh cambada de vermes sem espinha, os vossos antepassados que correram com a canzoada muçulmana daqui à espadeirada, que desbarataram a rataria espanhola em Aljubarrota e que da Roliça ao Buçaco e à Ponte de Amarante, mostraram aos ranhosos esbirros de Napoleão com quantos paus se faz uma canoa, devem estar muito orgulhosos dos seus descendentes, que bela caterva de carneiros eunucos.
Que triste corja de castrados que sois oh gentes do meus país, e por aqui me fico para não ser ainda mais ofensivo, o outro é que tinha razão, quando escrevia sobre a corja.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, outubro 09, 2006

Se pudesse deixava já de ser Professora! *

Frase lapidar do estado de ânimo nas hostes docentes. Não raras vezes, escrevi acerca da profissão professor, que creio deva ser encarada como uma espécie de sacerdócio, infelizmente não é. Infelizmente ser professor nos dias que correm é triste, é miserável e pouco aliciante.
Generalizando não conheço nenhuma outra profissão em que as incertezas são mais que as certezas, em que se trate tão mal quem trabalha e cuida do ensino das futuras gerações. Claro que muito do que acontece hoje é fruto, do regabofe que durante anos a fio se instalou no ensino, abusos de toda a ordem e por aí adiante. Claro que como classe a classe profissional dos Professores deixa muito a desejar, há uma corja elitista de nariz emproado, presente em todas as escolas que é um nojo, que tem muitas culpas no cartório, do regabofe anterior e que pela mera questão de possuir mais tempo de serviço vai sair beneficiada, com estas novas alterações.
Continuo a dizer que 50% dos que dão aulas, não prestam nem são competentes para o fazer, daí também a degradação do ensino. No entanto, as broncas e barracadas politiqueiras são de longe, quem reserva a maior fatia de culpabilidade pelo actual estado do ensino. As novas medidas do Ministério são, de uma estupidez a toda a prova, professores titulares e professores não sei das quantas, uma cretinice pegada, que se destina somente a impedir as pessoas de progredirem na carreira com os consequentes aumentos, é uma vergonha.
Se o Ministério realmente se preocupasse com a qualidade dos professores, faria rever os cursos que os formam e que são uma palhaçada, bem com a dita profissionalização que é outra palhaçada, se o Ministério tivesse a mínima noção do que anda a fazer, iria rever os moldes de concurso para docentes, não fecharias escolas, antes abriria mais, com condições, não como muitas das actuais funcionam.
O Concurso deste ano lectivo foi mais uma vergonha, colocações fraudulentas, horários guardados para os amigos, professores contratados à frente de professores dos quadros, listas desaparecidas, enfim um grande rol de imbecilidades que só foram esquecidas porque o ministério soltou a suprema bomba da cavalidade com a proposta para as alterações ao Estatuto da Carreira Docente.
Ser Professor devia vincular o docente à intuição da sacralidade da sua actividade, longe disso, é hoje uma profissão desacreditada, muita culpa aos docentes, uma profissão sem futuro e miseravelmente paga, no meio disto tudo, uma certeza podemos ter, com os Docentes neste estado, a Educação em Portugal continuará a ser miserável, o insucesso continuará a grassar nas escolas, por mais projectos imbecilóides que se façam, hipotecando assim as futuras gerações, os nossos filhos serão uns imbecis.

* Título de um artigo do Público.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sexta-feira, outubro 06, 2006

I Almoço de Bloguistas


Meus Amigos

Almeirim fica a 2.00h do Porto, a 40 minutos de Lisboa, a 3 horas de Faro, a 50 minutos de Évora e tudo com ligação de Auto-estrada, também tem ligação à CP, por isso não há desculpas esfarrapadas. Bom fim de semana.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Resposta ao Exmo. Sr. Túlio Gonzaga

“Túlio Gonzaga said...

Então e Sr. não se chibou nem nada? Cagufa?
Tanta moral, e toda para a pia...

P.S. Barão uma porra... isto pode ser uma merda ( e é ), mas ainda é uma merda de uma república...

Saudações calorosas... “

Exmo. Sr. Túlio Gonzaga

Prezado amante da blogueira escrita, agradeço a Vexa a subtileza e olhar arguto que deitou às minhas escrevinhadelas, rescinde o comentário de Vexa. à ínclita utilização do vulgarmente apodado neurónio, tenho pois que é o meu dilecto leitor, um caso raro de intelectualidade, como alias o seu comentário denota.

Dividirei para sua melhor compreensão a resposta em duas partes, creio que num jeito menos cavernícola, conseguirei dar a Vexa. as explicações, que me parecem sobremaneira urgentes, pois, é vossa excelência um diligente e ávido pensador, de quilate tão raro que me sentiria mal permitindo que a sua distinção fosse equivocada pela minha ignorância e confesso limitada capacidade, não posso pois permitir que o meu insigne invectivador labore em erros, pondo em causa toda a sua excelsa e preclara virtude intelectual.

Caríssimo senhor, este seu humilde e limitado criado, cresceu numa família de fracos recursos, num bairro pobre, mas cresceu, educado em princípios morais e intelectuais sérios, com limitações como é óbvio, não tendo a educação requintada que o comentário de Vossa Excelência pressupõe.

Aos 17 anos e acabado todo o percurso académico para o qual havia dinheiro, 12º Ano do Curso Geral dos Liceus, foi este seu humilde criado intimado pelo progenitor a “fazer-se à vida”. Naqueles tempos as perspectivas eram poucas, e este seu amigo, coisa que não duvide que sou, foi voluntário para a tropa onde passei 6 anos de admirável percurso de aprendizagem.

“…não se chibou nem nada…” Ilustre leitor, apesar de partilha com o dito animal muita da carga genética, inerente à condição de mamífero. Chibar é um verbo do qual desconheço o significado, como tal jamais o praticaria.

“ Cagufa?” Se com esse vocábulo vernáculo pretende o meu esclarecido amigo significar que tive medo, que fui cobarde, sim confesso que sim, os miúdos com 18 anos e 19 e mesmo 20 são cobardes? Não sei, eu fui, até porque uma vez alertei para uma determinada situação e um senhor Coronel esclareceu-me sobre a localização geográfica dos Arquipélagos da Madeira e dos Açores e sobre a forte possibilidade de eu acabar lá os meus dias como militar, o que convenhamos, não estava nos meus planos.

Sabe, excelso amigo, se houve uma coisa que aprendi no meio castrense foi a de conhecer os vários tipos de filhos de barregã que existem, aprendi também a ver pouco e a ouvir menos ainda.

Quanto à moral ou ausência da mesma e da sua utilização em sede de lavatório, terá o meu denodado amigo razão, mas conceda que nem todos podemos ter os sãos e fortes princípios morais que Vossa Excelência, demonstra possuir no seu soberbo comentário, assim faço publicamente o meu acto de contrição, declarando-me seu fiel seguidor em questões da moral pois sou fraco e quiçá imoral.

No que concerne à última parte do seu portentoso comentário, que desde já rogo a Vexa. desculpas, por o publicar junta com as minhas insignificantes e tolas garatujas, mas era de toda a justiça que o fizesse, para cabal esclarecimento dos outros, muito poucos eventuais leitores. Vou esclarecer Vossa senhoria do seguinte, “…mas ainda é uma merda de uma república...”.

O meu trisavô que também se chama Francisco Pereira, arrancado ao seu Alentejo natal, foi enviado, aos baldões para África com a bandeira azul e branca às costas calcorreando estevas e montes, atrás do Mouzinho e em 1895 esteve em Chaimite.

O meu bisavô, que também se chamava Francisco Pereira, com o pavilhão verde rubro da I República, amargou até 1919 num campo de prisioneiros de guerra, só regressando a Portugal em 1920, pois no fatídico dia de 9 de Abril de 1918, estava esse meu antepassado integrado no Batalhão de Infantaria 17, durante a ofensiva de La Lys na I Guerra Mundial.

O meu avô Silvério, amante da liberdade foi encarcerado diversas vezes pelo Estado Novo. O meu pai Francisco Pereira, foi dar com os costados a Angola enviado pelo Império para defender o sonho e fortuna de alguns, eu meu caro senhor também me chamo Francisco Pereira, sob o pavilhão da Republica democrática, servia a minha pátria o melhor que soube e pude, sempre fomos pobres e sempre seremos, à gente como nós não nos interessa que seja Republica ou Monarquia ou a trampa que for, porque com uns ou com outros o nosso fado é sempre o mesmo.

“…Barão uma porra…” o pseudónimo nada tem de desejo monárquico, tem que ver com outra coisa, que passo ora a explicar a Vexa. não ignora certamente o meu arguto e distinto comparsa, a existência de uma personagem de Banda Desenhada que dá pelo nome de Barão de Munchausen, personagem que vive as mais mirabolantes e estapafúrdias aventuras, num país fictício e completamente surreal, muito parecido com Portugal.

Este personagem tem porém um fundo real, esse fundo é o do Barão Karl Friedrich Hieronymus, Freiherr von Münchhausen 1720-1797, que ao que consta era um patranheiro de primeira água, contando a quem o quisesse ouvir barbaridades tão estapafúrdias como viajar em cima de balas de canhão.

Tróia, porque é um dos mais castiços bairros de Almeirim, e o bairro que me viu nascer para o mundo, um bairro pobre e humilde, tendes aí senhor a explicação para o meu pseudónimo, com vedes, não existe nenhum secreto desejo de nobreza ou aspiração monárquica. Vai longa já a faladura, despeço-me do meu prezado amigo, tem Vossa Ilustre Senhoria, um blogue aberto para tecer as refinadas e argutas considerações que desejar, sempre que deseje partilhar com este seu humilde e insignificante criado, bem como com os outros leitores, todas as suas brilhantes e intelectualmente superiores conclusões.

Creia-me um seu leal e devotado criado,

Com um abraço

Barão da Tróia

Almoço Blogger


ESTAMOS À VOSSA ESPERA.

terça-feira, outubro 03, 2006

Estou convosco!

Aos Militares do destacamento da GNR de Matosinhos, quero dizer que estou convosco, que concordo com a vossa actuação, que finalmente aparece gente com eles no sítio, e que faz frente à escumalha que coloca a vida dos outros em perigo.
Gostava que as televisões fossem tão céleres a esmiuçar, a morte dos agentes da PSP os Militares da GNR, quanto são céleres e expeditas a coscuvilhar a morte de um qualquer inútil. Militares da GNR, estou solidário convosco, assim é que se faz.
Pena tenho, que só tenham acertado num ao invés de terem enviado os quatro energúmenos para o inferno. Eu, cidadão honesto e cumpridor estou farto de ser esburgado por essa tropa fandanga, por essa escumalha nojenta, que não só vive do meu suor como ainda me rouba e assassina e intoxica os meus filhos.
Militares da GNR, eu, estou convosco num grito de desespero, que tenta alertar a escumalha que manda, para o rumo que este país tomou, a esses que nada fazem, a esses rafeiros de corredor, a esses que também vivem do espólio que amealham com o meu sangue.
Militares da GNR, ainda que seja só eu a gritar convosco, hei-de gritar bem alto, contra a merda da correcção politica e dos capados sociais e demais benfazejos da treta, alarves que enchem os bolsos com a miséria dos outros.
Militares da GNR do destacamento de Matosinhos, parabéns pelo dever cumprido.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

segunda-feira, outubro 02, 2006

Pobre o Meu País!

Primeiro, amordaçaram-nos, fizeram de nós pobres indigentes, miseráveis iletrados e incompetentes, haviam polícias internacionais, bufas e bufos e outros que tais, pois porque Salazar não o foi sozinho. A modorra do estado novo que antes de o ser, era já velho de mil anos e desgraças, de atropelos e desvarios, não fenecia porém o sonho no peito dos afoitos, antes brilhava a aurora da liberdade, que muitos nem sabiam o que era, e passaram anos e chuvadas e Tarrafais e Aljubes e nos quintais e trigais cantavam cigarras e pardais, cantavam a liberdade, que não soía aparecer, por assim dizer.
E veio a fera belicosa lança de Marte cravar a sua ponta nos lusos costados, chamados a defender o Império que mais não era que uma já anedótica quimera, e dos que foram não vieram todos, mesmo estando muitos por cá a alma o espírito por lá ficou, sujo e a tremer daquele medo que só quem sentiu o cheiro da pólvora sabe, da boca a saber a metal, dos tímpanos que ribombam a cada disparo dos gritos dos camaradas que rizam de vermelho, as verdes velas do mato. O império caiu numa madrugada de desespero, o Estado que velho de podre caiu. E era pobre o meu país!
Segundo, nessa manhã era a primeira do mundo novo, abraços, cânticos e vivas à liberdade, o país voltava a acreditar, voltava a respirar o ar puro das noites de liberdade que por não saberem o que era os intoxicava e inebriava, pois o tomavam em golfadas imensas como aquele mar que dantes os via parir e navegar para o Império que era já só sonho, cravos sorriam onde antes a chama da metralha assestava o tiro certeiro ao alvo negro, à sombra que se movia ao longe. Irmanados numa camaradagem que rescindia à primeira idade do homem, eram como crianças à solta num país inteiro, sem eira nem beira, veio a liberdade, a imprenssa, o teatro, a reacção e a oposição, a revolução a música de intervenção e a contra a revolução, os povos e o mê fê à, mas veio o PREC, e a direita má, e os contra tempos golpistas, o dinheiro a luta e a crise mais a esquerda oportunista, depois disseram que éramos livres como a gaivota.
– Mas mãe para onde vão as gaivotas livres?
– Não sei filho, não sei!
- E tínhamos perdido a inocência.
Eles não sabiam nem sonhavam que a liberdade era um machado de um e outro gume os dois afiados, apontados à jugular do mundo, deste nosso mundo pequenino, que era livre e começava já a deixar de o ser, sem saber, que a liberdade é uma areia de grão fino que se tem de lutar e porfiar para agarrar e que por vezes para manter é preciso deixar de respirar e morrer, e largava-se bombas e comícios e FP’s e MDLP’s e todos a querer a sua parte daquilo, pelo qual só alguns haviam lutado. E era pobre o meu país.
Terceiro, era a loucura porque alguém descobrira que estávamos na Europa e de repente tudo seria diferente, toca o alegre hino da pompa e da circunstância em que se assinavam papéis importantes, éramos da Europa, tudo seria diferente agora que para trás estava o pesadelo e a liberdade era só nossa, já não tínhamos Império, tínhamos agora roubos e crimes e carros e poluição e alcatrão, pejado de arvores aqui e além.
Planos de formação, rios de ouro rolavam pelas cascatas da governação, esquecidos que estávamos dos outros tempos ou não, era a salvação os rios de mel e leite da nossa Canaã, nunca mais sofreríamos dos males de antanho, atrofiados pelo tamanho, a loucura da inacção a corrupção o facilitismo e analfabetismo eram as miragens de tempos bárbaros passados, afinal éramos Europeus.
Crescia a loucura da integração, o peso da imigração que ora migrava, ora imigrava ora emigrava, o interior fundia-se na costa, o subúrbio o bairro da lata, o crime a barafunda a poluição, mas estávamos na Europa. E era e continuava pobre o meu país.
Quarto, e veio o multiculturalismo e linguismo e a globalização e a Europa estava aqui tão perto do outro lado da fronteira, e disseram-nos que era bom, tantas cores, e aumentou o crime com novas formas nunca vistas, trazidas de fora, era o progresso, e cada vez mais éramos como canários encerrados em pequenas gaiolas, liberdade, para não sair à noite para rezar que o carro não fosse assaltado ou a casa, e disseram-nos que nos integrasse-mos, que todos iguais todos diferentes, mas era já a torpeza da libertação que nos prendia a conceitos novos e nós velhos de analfabetismo, já nem lutávamos e perecíamos sobre a opressão das minorias, da minoria dos que não trabalham, dos que roubam, dos que não pagam, dos que tudo exigem e nada dão em troca, e veio a imagem e o sms, e tantos bens como os cartões Express, e veio toda a malta e contínua pobre o meu país. E contínua cada vez mais sujo e anárquico e analfabeto, velejando num mar de cinzas, alguém esquece a natureza e cultiva o cimento e o casario em desvario por toda a costa e arriba, perdeu-se o respeito pelo próximo se é que chegou a existir, perdeu-se o civismo a idoneidade, a alegria e caridade, mas somos Europeus. E contínua pobre o meu país, tristemente pobre.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

sábado, setembro 30, 2006

Descobriram a pólvora!

Dois oficiais da Armada e um Sargento foram detidos esta semana, por suspeitas de corrupção, favorecimento de contratos e fornecimento e outras diatribes. Na imprensa o escarcéu habitual, as declarações bombásticas, a surpresa o horror.
Finalmente digo eu, após anos a fio de roubos descarados e galfarrices variadas, nas FA de Portugal alguém é preso e indiciado, finalmente, ou querem fazer-me acreditar que ninguém sabia.
Alias basta olhar para as compras de material bélico dos últimos 30 anos para se perceber, aqui e além, onde estão os cambalachos e as matrafias. Começando nas compras de ferro velho americano, até aos submarinos do outro mentecapto é um rol de trampa.
Vou contar-vos só um episódio de quando eu estava na tropa, comparado com as outras negociatas não é nada, mas é só para verem como eram as coisas, as segundas-feiras eram conhecidas numa das Unidades onde estive como “o dia do cu de rojo”. Porquê, simples, era o dia em que os fornecedores traziam os alimentos para a semana, todo o tipo de vitualhas para alimentar os cerca de 1700 homens que ali vegetavam a semana inteira.
À hora de saída lá pelas 6 da tarde, era ver as carripanas do pessoal civil e militar que trabalhavam nas messes a sair ao portão da Unidade, com a bagageira praticamente a roçar no chão, daí o cu de rojo, carregadinhos de massa arroz, carne, azeite café, peixe enfim tudo o que faz falta numa casa para fazer comida.
Claro que depois quem sofria era a malta, que comia mal e porcamente, podia ainda falar de cambalachos de gasóleo, tabaco, álcool, munições e outras negociatas que vi, bem como da existência de sacos azuis, que só alguns usavam, de materiais de construção, que antes de entrar nas unidades, um terço ficava na casa deste oficial ou daquele sargento, mas isso ficou no século passado e a minha memória está fraca.
Mais uma, vez acho que todo este alarido é uma cretinice, descobriram agora que nas FA se rouba e se faz tráfico de influências, que grandes nabos.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

quinta-feira, setembro 28, 2006

A quem interessa o enfraquecimento da Europa formal?

Esta pergunta foi deixada num comentário a um post aqui do Barão, pelo amigo “Pirata-vermelho”. É uma questão interessante, que coloca um nunca mais acabar de hipóteses, todas mais ou menos alucinadas com maior ou menor grau de comprovação científica.
Numa primeira análise, interessa à Rússia, que não nos há-de jamais perdoar a ingerência na sua tradicional esfera geográfica de influência, bem como o arraso completo do equilíbrio geopolítico e militar do leste da Europa, ter a Nato praticamente às portas de Moscovo é algo que deve fazer o Tio Joseph, revoltear na tumba, qual pioninha nas mãos de um petiz do antigamente, por outro lado uma Europa fraca é um bom aliado de um bloco Islâmico cada vez mais radical e coeso, que assim plantaria como plantou as suas sementes mortíferas bem no seio da velha e amolecida Europa, uma das indagações que se colocou, com os atentados de Londres, foi perceber como é que cidadãos britânicos tinham, feito aquilo.
A resposta não é simples, mas a minha opinião é simples, sejam eles cidadãos de onde forem, nunca se sentirão como tal, como pertencendo ali aquela comunidade, o Passaporte e o Bilhete de Identidade, pode dizer que sim, mas o seu coração dirá outra coisa, é como dizia um personagem do livro “ O último dos Moicanos” – …durante vinte anos vive como um Mohawk, mas no meu coração eu era Huron…-. Sendo muçulmanos pior será esse desenraizamento e desfasamento cultural e social, as questões que nos separam, são muitas e levadas demasiado a sério para que a ruptura e a falta de entendimento não surja num ápice.
Uma Europa fraca, também interessa, ao aliado americano, que assim continuará a dividir para reinar, até porque esta Europa está senil, tarda em se afirmar, faz lembrar um bebé que, ainda trôpego, que mal começou a andar e hesita nos passinhos, sentando-se.
Agradecem os Estados Unidos, o brilho e o efeito, catalizador que pretendem ter, torna-se mais efectivo, porque não existe réplica da Europa, poderão assim os americanos continuar na sua senda de polícia mundial, bem como o seu projecto expansionista. Quem conhece o “ Manifest Destiny” de 1845 sabe do que falo e não falo só da expansão para a costa do Pacífico. A hilariante Pig’s War de 1859, é prova do finca pé expansionista dos americanos, propósito esse que com uma Europa fraca e pior dividida, como no caso da recente tropelia bélica no Iraque, foi claro que os americanos forçaram a mão, numa prova de força.
Os Alemães por ideologia e os Franceses para chatearem os Ingleses ficaram contra, outros vermes subservientes vergaram-se e foram de rabiosque encolhido lamber a mão ao dono, outros anuíram por mera necessidade de protagonismo.
Uma Europa fraca, interessa também a uma corrente de europeus, uma família política muito eclética que junta, os resquícios do anarquismo visceral e trauliteiro do século XIX, a uma certa direita política e ao seu braço armado a extrema-direita pseudo fascizante e surpreendentemente também a uma certa esquerda radical e extrema-esquerda sarrafeira, juntemos mais uns grupelhos de hippies pedrados e umas sociedades mais ou menos secretas e temos um grande tômbola de sequazes oportunistas esperando que a Europa caía.
Existirão, seguramente outros interessados, como a China e o bloco asiático, ou alguns países europeus, até porque até aqui só se falou em aderir à União Europeia, então e se um dia alguém quiser sair como será?

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

quarta-feira, setembro 27, 2006

Allah U Akbar!

A machada final foi dada, de ora avante, com o precedente criado tudo será mais fácil. Em Berlim uma ópera de Mozart, “Idomeneo”, foi retirada de cena. O cancelamento do espectáculo, segundo a directora da Deutsche Oper, foi recear pela segurança do público e dos artistas, pois a ópera poderia ser vítima de ataques de muçulmanos radicais.
Se isto não fosse trágico, era de certeza uma excelente anedota. Com este precedente, a partir de hoje tudo é possível, estamos prisioneiros do Islão, como em todas as ditaduras ao longo da história, começa sempre com pequenas coisas, pequenos nadas, hoje proíbe-se isto amanhã aquilo e sem quase se dar por isso estamos enclausurados ao ar livre, prisioneiros de normas, regulamentos, preceitos e leis, nomes pomposos para instrumentos de tortura psicológica, que pretendem espartilhar a cultura, a liberdade e a vida.
Estou a exagerar, talvez, a ver vamos, até agora pouco errei. As coisas evoluem como eu previ, com maior ou menor pontaria, estamos no caminho do confronto, o exemplo triste dado pelos Alemães é só mais um exemplo daquilo que irá suceder mais vezes, uma surpreendente forma de coacção cultural. Como sucedeu na Alemanha, depressa chegará a França, onde habitam 5 milhões de filhos de Alá.
Os Versículos Satânicos de Rushdie foram a primeira tentativa, não foi bem sucedida na altura, o Ocidente ainda não estava amolecido, ainda haviam uns quantos cavalheiros dotados de masculinidade e testosterona em quantidades suficientes para não cederem aos disparates dos Ayatholas. Quase vinte anos depois o Ocidente, está de cócoras, psicologicamente arrasado, sem lideranças firmes, aquele pobre títere que ocupa a Casa Branca, é um pau mandado dos grupos de pressão da economia belicista americana, já pareço o papalvo do Chavez, deste lado do Atlântico, não estamos melhores, a frouxidão dos líderes Europeus, não os deixa afastar dos Estados Unidos, não os deixa ser firmes.
Ratzinger deu um excelente sinal, talvez sem intenção, talvez propalando o diálogo ecuménico, o Papa teve o alcance de visão suficiente de dar um aviso ao Ocidente, esse aviso foi claro, “Cuidado com o Islão”. Alias quem olhar para a cronologia do Islão verá, uma entre outras constantes, a guerra, a conquista e submissão dos povos e o proselitismo. Todo o projecto do Islão, se centra na vertente da conquista, numa mão o canhão na outra mão o Corão! Há muito que o Ocidente deixou o mesmo lema, “ Numa mão a espada noutra a Cruz”. O Islão porque não se reformou, porque se mantém, aquém do mundo, fechado sobre os seus dogmas, sem reforma nem contra reforma, sem um verdadeiro processo filosófico e metafísico de questionar as suas verdades, sem a catarse que o Cristianismo fez, o Islão continua igual ao que era no século VI.
Na Alemanha, prestou-se um péssimo serviço ao mundo livre, que mal ou bem é o nosso, que com todas as incongruências e misérias é o mundo em que gostamos de viver e gostaríamos de legar aos nossos filhos, a continuar esta senda de baixar as calças, não tardará muito que o Islão se sinta capaz de ir mais longe, de tentar impor ainda mais, a ver vamos se estou errado, era bom que estivesse.

Um abraço deste vosso amigo
Barão da Tróia

terça-feira, setembro 26, 2006

Desculpe Está Fechado!

Toda esta estória de fechos de tudo e mais alguma coisa, deixa-me triste e cada vez mais, reticente em relação a este nosso país. Fechar maternidades num interior já depauperado e sem estruturas que atraiam gentes, é para além de completamente estúpido, um crime. O actual executivo na sua insana e cega procura de poupar tostões, hipoteca o futuro deste país, com estes fechos imbecis.
Se a isto juntar-mos os centros de saúde, que fecham que reduzem o seu horário, e pasme-se até as morgues estão a fechar, depressa chegamos à conclusão de que este é um país a prazo, como a prazo andam 30 ou 40% dos trabalhadores desta terra. De tal modo está a prazo que corremos o risco de o ver fechado, imaginem alguém a querer entrar em Portugal e ver a placa “Fechado”. O interior agoniza lentamente asfixiado pelas diatribes e caprichos das laminárias de São Bento.
O modelo de desenvolvimento luso soçobra, o tempo do alcatrão&betão já passou, toda a gente já percebeu, os mais avisados de entre nós já perceberam também o que perdemos com esse modelo de desenvolvimento, perdemos muito, ganhamos muito pouco, iremos perder mais, enquanto persistir esta louca onda do fecho sem razão que seja a economicista.
Poupar, sem dúvida, mas nunca à custa dos que já pouco ou nada têm, como até aqui se fez. Quisesse este suposto governo “socialista”, verdadeiramente poupar, seria fácil consegui-lo, para além do mais colheriam votos da população, que apesar de serem na sua maioria uns patos atordoados, já vão pensando, já vão percebendo a rataria que são os políticos.
Quisesse este suposto governo “socialista”, poupar, tinha atempadamente cancelado os submarinos, aqueles que a nódoa que foi o Paulinho das Feiras, deixou de herança, que custarão facilmente 1 bilião de Euros a comprar e a manter. Quisesse este suposto governo “socialista”, poupar cortaria nos carros de estado, nos motoristas nas secretarias e sub-secretarias, que para nada servem, já para não falar nos governos civis. Quisesse este suposto governo “socialista”, poupar, ordenaria uma redução e redimensionamento das Forças Armadas, teria de o fazer a bem da poupança.
Quisesse este suposto governo “socialista”, poupar, encerraria metade das embaixadas que existem, e não se justificam, acabaria com os privilégios irracionais dos administradores públicos, todas aquelas mordomias que ficariam bem num regime feudal, que é o que afinal somos, mas que não ficam bem porque são demasiado caras neste estado de direito, esta é pra rir. Quisesse este suposto governo “socialista”, poupar, reduziria o pessoal dos ministérios, reduziria o número de deputados, introduziria os círculos uninominais, exterminaria esse atentado que se chama Lei do Financiamento dos Partidos, que é das maiores vergonhas institucionais desta terra.
Quisesse este suposto governo “socialista”, poupar, faria com que os bancos pagassem sobre aquilo, que efectivamente ganham. Quisesse este suposto governo “socialista”, poupar, investigaria e poria em hasta pública, os bens de todos aqueles milhares de bons rapazes, que declarando ordenados iguais ao meu, conseguem casas nos condomínios fechados, carros de luxo, iates e demais bugigangas que esta malta gosta, os senhores advogados e empresários e engenheiros e médicos e arquitectos que por aí andam a laurear a pevide.
Quisesse este suposto governo “socialista”, poupar, incentivaria a produção e utilização de energias alternativas, reduzindo a dependência do petróleo, faria da batalha contra a poluição uma prioridade, reciclando obrigando a reciclar, acabando com a lenta agonia dos nossos rios e ribeiras, das nossas florestas e solos, mas faria isto de forma séria não como a palhaçada que foi até agora. Quisesse este suposto governo “socialista”, poupar, faria desenvolver o interior, não fecharia escolas nem maternidades, faria sim oposto, criaria pontos de desenvolvimento sustentado, que fixassem as populações e as mantivessem no interior a produzir riqueza a explorar o turismo e a conservar a natureza, isto se este suposto governo “socialista”, quisesse mesmo poupar.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia