Somos um país de farsolas, de mentiras de meias tintas de faz de conta que faz, nada fazendo, alguém uma vez disse que o que é preciso é …fazer alguma coisa para que tudo fique na mesma… pois, é assim que continuamos a fazer de conta que se faz algo, Pessoa dizia que o poeta é um fingidor, ora Portugal como reconhecido país de poetas, que já ninguém lê, passa também por ser um país de fingidores, logo um país de farsolas, de farsantes, de títeres, de mentirosos, de aldrabões e de bufões.
Nesta actual conjuntura da rebaldaria lusitana, uns fingem que fazem, outros fazem que fingem e uns terceiros a fazer tentam fingir que nada fazem, fazendo muito e mal sem fingir. Pois é uma gorda confusão, um nó górdio de disparate e farsolice barraqueira, actividade que adoramos, senão vejamos numa meia dúzia de exemplos, a real imagem desta terra de farsolas.
O seguro automóvel é obrigatório, assim diz a Lei. – É uma farsa digo eu, pelos caminhos de Portugal viajam centos de energúmenos sem seguro, sem documentos que os habilitem a conduzir, sem nada, sendo que os tais zelosos representantes da Autoridade, a esses nada fazem ou dizem.
Existe uma Lei do Ruído, aprovada, sancionada, ratificada e benzida por todos os mandaretes do poleiro da governação, nessa Lei constam as normas sob as quais se devem reger muitas actividades que provocam ruídos incluindo os decibéis que podem emitir, essa é a Lei. – Pois mais uma farsa digo eu, mentira, basta andar por aí e ver que motos e carripanas barulhentas é o que não falta, com escapes rotos, de rádio no máximo a qualquer hora, quem fiscaliza, quem autua, quem explica o que é o civismo, ninguém, nada, é uma farsa.
Existem umas coisas às quais se deram pomposamente o nome de PDM, RAN, REN, Rede Natura, Paisagens Protegidas, Parque Natural, existem e assim diz a Lei! – Outra enorme farsa, é mentira, os farsantes e os farsolas, tem destruído tudo sem fiscalização sem intervenção de nada nem ninguém, alias ministros do ambiente, existiram, que até sobreiros mandaram arrancar, inquestionável a qualidade de tais personagens.
Liberdade e Segurança, estão na Constituição, como garantias inalienáveis do cidadão nacional, cabendo às autoridades e seus representantes a sua defesa, diz a Lei. – FARSA, outra mentira, outra grande farsa, as autoridades não defendem ninguém, não conseguem proteger nada, experimentem ter algum problema sério com escumalha rasca tipo venda ambulante, tipo bairro social branco ou preto a merda é a mesma, tipo subsídio dependente de boné à palhaço e cão raivoso à trela, ou outro qualquer tipo de rataria subsídio dependente e vão ver com elas lhes mordem, estão de súbito sozinhos, quais polícias quais carapuça, ninguém lhes valerá.
Diz a Lei que devemos pagar impostos, pois diz! – Farsa de novo, digo eu. Então expliquem lá como é que os galfarros politiqueiros acumulam fortunas colossais em meia dúzia de anos, como é que os senhores advogados, médicos, engenheiros, arquitectos, futebolistas, empresários, e outro tipo de escumalha de colarinho branco, engorda as lautas contas bancárias, declarando o pouco que declara, expliquem?
Diz a Lei que o cidadão não deve alvo de discriminação, por causa de raça sexo, credo etcoetera, pois diz e muito bem. – De novo uma real farsa, uma grande patranha, sou descriminado porque dizem que sou branco, logo devo ser rico, sou descriminado porque sou deficiente, sou descriminado porque vivo no interior, sou descriminado porque não tenho direito a casa à borla, sou discriminado porque me obrigam a pagar impostos, porque me obrigam a trabalhar, porque me obrigam a possuir seguros, cartas de condução, taxas e licenças várias, pagar rendas e alcavalas disto daquilo e daqueloutro, sou discriminado porque estou vivo.
Poderia continuar e encher dez páginas de farsolices, de patranhas que enchem esta terra mas não o farei vou antes falar das coisas boas, dos passarinhos, bem dos que conseguiram sobreviver aos incêndios à codícia dos construtores e à poluição, vou falar dos rios e dos peixes, bem dos que estão mal ou bem vivos e ainda conseguem viver nas latrinas em que estão transformados a maioria dos rios desta terra, mas perdoem-me vamos fingir que nada disto existe, vamos continuar a pensar que aqui neste Oásis à beira mar plantado, longe de tudo, agradeçamos a Deus, e à intervenção de Nossa Senhora, que nos livraram das guerras malfazejas, ainda que a mortalidade infantil e outras fosse maior que a mortalidade de qualquer guerra, ainda que as mortes na estrada matem quase tanto como a guerra do Iraque, mas vamos fingir que isto é o cantinho da paz dos brandos costumes, onde a violência doméstica só regista 18 mil casos e no último ano só morreram 9 mulheres.
Vamos todos continuar a fingir, com muita força, pode ser que passe...
Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia