“Túlio Gonzaga said...
Então e Sr. não se chibou nem nada? Cagufa?
Tanta moral, e toda para a pia...
P.S. Barão uma porra... isto pode ser uma merda ( e é ), mas ainda é uma merda de uma república...
Saudações calorosas... “
Exmo. Sr. Túlio Gonzaga
Prezado amante da blogueira escrita, agradeço a Vexa a subtileza e olhar arguto que deitou às minhas escrevinhadelas, rescinde o comentário de Vexa. à ínclita utilização do vulgarmente apodado neurónio, tenho pois que é o meu dilecto leitor, um caso raro de intelectualidade, como alias o seu comentário denota.
Dividirei para sua melhor compreensão a resposta em duas partes, creio que num jeito menos cavernícola, conseguirei dar a Vexa. as explicações, que me parecem sobremaneira urgentes, pois, é vossa excelência um diligente e ávido pensador, de quilate tão raro que me sentiria mal permitindo que a sua distinção fosse equivocada pela minha ignorância e confesso limitada capacidade, não posso pois permitir que o meu insigne invectivador labore em erros, pondo em causa toda a sua excelsa e preclara virtude intelectual.
Caríssimo senhor, este seu humilde e limitado criado, cresceu numa família de fracos recursos, num bairro pobre, mas cresceu, educado em princípios morais e intelectuais sérios, com limitações como é óbvio, não tendo a educação requintada que o comentário de Vossa Excelência pressupõe.
Aos 17 anos e acabado todo o percurso académico para o qual havia dinheiro, 12º Ano do Curso Geral dos Liceus, foi este seu humilde criado intimado pelo progenitor a “fazer-se à vida”. Naqueles tempos as perspectivas eram poucas, e este seu amigo, coisa que não duvide que sou, foi voluntário para a tropa onde passei 6 anos de admirável percurso de aprendizagem.
“…não se chibou nem nada…” Ilustre leitor, apesar de partilha com o dito animal muita da carga genética, inerente à condição de mamífero. Chibar é um verbo do qual desconheço o significado, como tal jamais o praticaria.
“ Cagufa?” Se com esse vocábulo vernáculo pretende o meu esclarecido amigo significar que tive medo, que fui cobarde, sim confesso que sim, os miúdos com 18 anos e 19 e mesmo 20 são cobardes? Não sei, eu fui, até porque uma vez alertei para uma determinada situação e um senhor Coronel esclareceu-me sobre a localização geográfica dos Arquipélagos da Madeira e dos Açores e sobre a forte possibilidade de eu acabar lá os meus dias como militar, o que convenhamos, não estava nos meus planos.
Sabe, excelso amigo, se houve uma coisa que aprendi no meio castrense foi a de conhecer os vários tipos de filhos de barregã que existem, aprendi também a ver pouco e a ouvir menos ainda.
Quanto à moral ou ausência da mesma e da sua utilização em sede de lavatório, terá o meu denodado amigo razão, mas conceda que nem todos podemos ter os sãos e fortes princípios morais que Vossa Excelência, demonstra possuir no seu soberbo comentário, assim faço publicamente o meu acto de contrição, declarando-me seu fiel seguidor em questões da moral pois sou fraco e quiçá imoral.
No que concerne à última parte do seu portentoso comentário, que desde já rogo a Vexa. desculpas, por o publicar junta com as minhas insignificantes e tolas garatujas, mas era de toda a justiça que o fizesse, para cabal esclarecimento dos outros, muito poucos eventuais leitores. Vou esclarecer Vossa senhoria do seguinte, “…mas ainda é uma merda de uma república...”.
O meu trisavô que também se chama Francisco Pereira, arrancado ao seu Alentejo natal, foi enviado, aos baldões para África com a bandeira azul e branca às costas calcorreando estevas e montes, atrás do Mouzinho e em 1895 esteve em Chaimite.
O meu bisavô, que também se chamava Francisco Pereira, com o pavilhão verde rubro da I República, amargou até 1919 num campo de prisioneiros de guerra, só regressando a Portugal em 1920, pois no fatídico dia de 9 de Abril de 1918, estava esse meu antepassado integrado no Batalhão de Infantaria 17, durante a ofensiva de La Lys na I Guerra Mundial.
O meu avô Silvério, amante da liberdade foi encarcerado diversas vezes pelo Estado Novo. O meu pai Francisco Pereira, foi dar com os costados a Angola enviado pelo Império para defender o sonho e fortuna de alguns, eu meu caro senhor também me chamo Francisco Pereira, sob o pavilhão da Republica democrática, servia a minha pátria o melhor que soube e pude, sempre fomos pobres e sempre seremos, à gente como nós não nos interessa que seja Republica ou Monarquia ou a trampa que for, porque com uns ou com outros o nosso fado é sempre o mesmo.
“…Barão uma porra…” o pseudónimo nada tem de desejo monárquico, tem que ver com outra coisa, que passo ora a explicar a Vexa. não ignora certamente o meu arguto e distinto comparsa, a existência de uma personagem de Banda Desenhada que dá pelo nome de Barão de Munchausen, personagem que vive as mais mirabolantes e estapafúrdias aventuras, num país fictício e completamente surreal, muito parecido com Portugal.
Este personagem tem porém um fundo real, esse fundo é o do Barão Karl Friedrich Hieronymus, Freiherr von Münchhausen 1720-1797, que ao que consta era um patranheiro de primeira água, contando a quem o quisesse ouvir barbaridades tão estapafúrdias como viajar em cima de balas de canhão.
Tróia, porque é um dos mais castiços bairros de Almeirim, e o bairro que me viu nascer para o mundo, um bairro pobre e humilde, tendes aí senhor a explicação para o meu pseudónimo, com vedes, não existe nenhum secreto desejo de nobreza ou aspiração monárquica. Vai longa já a faladura, despeço-me do meu prezado amigo, tem Vossa Ilustre Senhoria, um blogue aberto para tecer as refinadas e argutas considerações que desejar, sempre que deseje partilhar com este seu humilde e insignificante criado, bem como com os outros leitores, todas as suas brilhantes e intelectualmente superiores conclusões.
Creia-me um seu leal e devotado criado,
Com um abraço
Barão da Tróia






