segunda-feira, abril 02, 2007

Porque os Perigos Existem II!

A palestra sobre a utilização segura da Internet pelas crianças e adolescentes foi um sucesso, no entanto importa reter algumas conclusões, assim o post de hoje versa sobre isso.

Fazendo um pouco de história, esta actividade começou em 2002, aqui no Espaço Internet de Almeirim, desde esse ano até à mais recente iniciativa do passado dia 31, já passaram por aqui cerca de 100 pessoas, um feito dado que só tínhamos 6 computadores, recentemente foram-nos dados mais 2.

Para que serve esta actividade e a quem se destina. Esta actividade serve essencialmente para despertar a consciências das pessoas para um problema real, que, passa despercebido, à maioria delas, destina-se a todos os agentes de educação, pais, avós, tios, educadores, professores, enfim todos os que directa e indirectamente estejam envolvidos no processo educativo das crianças e dos adolescentes.

Várias conclusões ficaram à vista, com mais esta palestra, desde logo que os pais não têm a mínima noção dos hábitos de navegação dos seus filhos, também não têm a mais ténue noção dos problemas e perigos que um uso desregrado da Internet possa provocar.

Mas não são só os pais, os professores idem, partilham a mesma santa ignorância apesar da sua atitude e resistência mental em frequentar estes eventos, basta para tanto dizer que desde 2002 até agora ainda não houve um único professor e ou educador a frequentar estas actividades, facto que é claramente esclarecedor da pobreza de espírito da classe neste capítulo.

As próprias instituições governamentais e locais, também não estão de modo nenhum despertas para este sensível e preocupante problema, fiquem a saber que esta actividade só se realiza ao que sei no Espaço Internet de Almeirim, não havendo nenhuma outra actividade paralela em todo o país. Que por exemplo a FCCN, Fundação para a Computação Científica Nacional, responsável pela introdução do acesso à Internet nas escolas, não considera esta questão importante, sendo o objectivo único, fornecer acesso à Internet nas escolas, esquecendo de dizer que esses acessos comportam riscos, ainda por cima se falamos de crianças.

Resumindo, a malta não sabe nem quer saber e só quando elas acontecem é que vão a correr por velinhas a Fátima, o que não resolver porra nenhuma. Fiquem portanto cientes de uma coisa, os perigos são vários e comportam riscos grandes, com situações que por vezes tomam contornos preocupantes e sérios, envolvendo até riscos de rapto, abuso e até de morte para as crianças e adolescentes, podemos ter duas atitudes, aquela que é tipicamente portuguesa do laxismo e do deixa andar ou podemos ser pessoas preocupadas e procurar informações, exigindo aos governantes medidas sérias.

Resta dizer que destes perigos o maior é só vermos os defeitos e não os tremendos benefícios que a Internet veio trazer ao nosso mundo e se é verdade que a televisão é a janela do Mundo, a Internet é a porta, e as portas servem para entrar e sair. Se quiserem saber mais consultem este excelente sítio: www.miudossegurosna.net.

P.S. Continuo sem PC, deve vir amanhã, (I hope so)

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

sexta-feira, março 30, 2007

terça-feira, março 27, 2007

Ele é o Maior?

O maior português de sempre, foi eleito. As hostes regozijam-se, ganhou aquele que os votantes elegeram com o maior de todos, Oliveira Salazar. Dos, fazendo fé nos números, 159.245, votantes, cerca de 40% votaram em Oliveira, numa extraordinária reviravolta, Oliveira ficou à frente de pessoas verdadeiramente interessantes e extraordinárias de génio, como Pessoa, Sousa Mendes ou Camões, esse facto parece ser suficiente para provar que todas as vezes que tenho dito que nós portugueses somos uns canhestros imbecis, tive sempre razão.

Este concurso, foi um “fait diver”, imbecil, começando pela apresentadora, aquela senhora esgalgalhada, ex-jornalista, ex-deputada, ex-adida cultural e ex sei lá que mais, os resultados do concurso seriam sempre inconsequentes, no entanto sempre passíveis de algum tipo de leitura subliminar. Este concurso foi uma espécie de teste de popularidade do actual PM.

Os camaradas que votaram, fizeram-no, uns por brincadeira, outros por razões ideológicas, outros ainda porque não tinham mais o que fazer. Os resultados foram surpreendentes, a malta adora ditadores, em primeiro colocaram o Oliveira, a mais rematada cavalgadura do século XX lusitano, rato de sacristia rodeado de uma oligarquia cleptomaníaca que depauperou esta terra, em cabedais guerras e outros disparates, em segundo Cunhal, o camarada do comité central, aspirante a ditador, que teve o azar de lhe cortarem as asas, também assim como assim se não tivéssemos sido nós a por termo às suas tropelias e à peregrina ideia da sovietização de Portugal teriam sido os ianques, como alias hoje se sabe, não é à toa que a base aérea de Torrejon esteve em alerta desde 74 até 78, com a esquadra ianque do atlântico sempre de olho atento ao que se passava cá no burgo.

Percebem agora porque é que o nosso PM, continua com índices de popularidade altíssimos, a malta adora ditaduras, gajos com tomates de aço e mãos postas a rezar o terço.

Interessa também perceber, porque se vota em Oliveira, aqui os actuais politiqueirotes de pacotilha poderiam ir colher umas lições, uma questão tão simples como a segurança, no tempo de Oliveira, passava-se fome, vivia-se miseravelmente, mas como é sabido, quem mictava fora do penico, levava nas orelhas até criar bicho, a ciganada andava na linha, a escumalha em geral era reprimida com punho forte, como deveria ser hoje, o advento da democracia, trouxe esta coisa da anarquia parcial em que vivemos, onde a rataria e a escumalha fazem o que querem e só não roubam mais porque não conseguem, porque essa também é a nossa sorte, os ladrões que temos são uns asnos.

Outra razão por votarem como votaram é uma razão cultural, Oliveira e Cunhal, eram os únicos que a malta conhecia, quem é que conhece Pessoa, excepto meia dúzia de intelectuais, ratos de biblioteca, Camões então só sabemos que era zarolho, ah e escreveu aquela cena os Lusíadas, parece que escreveu nos cantos, gajo complicado este Camões! Sousa Mendes, era o quê? Conçule, que raio é isso? Porra e D. João II, caramba, isso foi há que tempos.

Pois se uma coisa este concurso mostrou foi a incomensurável pobreza franciscana que ocupa as cabeças da lusitanidade, resumindo, a conclusão mais lógica deste concurso é que continuamos pobres, asnos e com a mania das grandezas!

P.S. Malta estou sem PC, por isso não vos tenho visitado, hoje cheguei mais cedo ainda ao trabalho para actualizar aqui o Barão, Boa semana.

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, março 21, 2007

Assim se Percebe!

Numa insuspeita matina, batida pelo malvado Bóreas, que sopra das serranias, inundando de frios e tremeliques a malta aqui da lezíria, saí da minha barraca e fui beber um café à tasca do lado, já que a maquineta do serviço está avariada, entrei, cheguei-me ao balcão pedi um arábica robusta bem quentinho e pus-me a observar a fauna.

A tasca estava cheia, apinhada com a creme de la merde da Portugalidade urbana, leia-se labrega, eu incluído, dos dias correntes. Ao fundo três aposentados, todos abaixo dos 60 anos, bebericavam um Porto, maltinha porreira esta, reformazita de mil e tal euros, e deixa cantar a carriça, com certeza que conhecem o estilo muito anel e fio de ouro com o tal Cristo, pulseira com o santinho, olho rápido e sempre atento, sobre o traseiro das piquenas que passam, bocas mais ou menos descaradas à empregadita do local, enfim o Portuga típico.

Três mesas ocupadas com a fina-flor dos subsídio-dependentes, as madames e os cavalheiros, de cultura elevadíssima, rodeados de fedelhos, geração floribela/morangos, enquanto os papás papam a meia de leite a torrada, a sandes mista e bolinho, os fedelhos desenfastiam-se com bolicaus, gomas ou outro qualquer desses excelentes alimentos próprios para estas pobres crianças, nas mesas destas criaturas estão sempre em mostra os telemóveis topo gama, que além do estatuto que conferem ao seu dono, estão sempre apetrechados com a última música do pimbalhão de que gostam e que a destempo toca na máxima força, violando os tímpanos do incauto cliente com suaves melodias, tipo “bacalhau quer alho”, “ parti e não voltei”, “ dá-me gasolina” entre outras pérolas da arte musical.

Esta malta, vive dos rendimentos mínimos dos subsídios de desemprego, apesar de alguns trabalharem. O inevitável cigarro, enche de fumarada o local e os pulmõezitos dos pequenotes, mas que interessa isso a rataria está feliz, vive como qualquer burguês desafogado, pequeno-almoço na pastelaria, dinheiro no bolso para tabaco e carregamentos de telemóveis.

Noutra mesa, os empresários de sucesso, alguns com dívidas de bradar aos céus, empanturram os anafados traseiros com bolinhos cheios de creme e discutem negociatas, subvencionadas a fundo perdido pela incomensurável bondade comunitária, uma montra de vaidades, de sacripantas que mal fizeram a 4ª classe, mas como são dotados para o chico-espertismo, dedicaram-se à subsídio cultura do nosso infeliz país.

Numa outra mesa, meia dúzia de adolescentes parvas, berram umas com as outras, riem e debicam os bolinhos, gomas e demais porcarias que esta gentinha come agora, ninguém lê um jornal, ninguém lê um livro, na televisão desfila o programa típico e preferido deste tipo de casas e deste tipo de clientes, o programa da manhã da TVI, esse momento alto de televisão.

Saio como entrei transido pelo frio e pelo absurdo desta sociedade de mentecaptos, amanhã, porque sou burro, vou voltar ao mesmo balcão pedir outro café, que trago e pago em cinco minutos, voltando a sair com a mesma sensação de tristeza e de impotência, de desespero e de choque. Assim se percebe, neste microcosmo de insanidade o mal em que navega Portugal.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, março 19, 2007

Sem Palavras!

Nem sei o que hei-de pensar, sim porque eu julgava que era impossível descer mais baixo, pois parece que não, alias esta situação é recorrente, sempre que pensamos que a coisa bateu no fundo, alguém se lembra de uma que ainda desce mais um nível.

Pinho, esse tratado ministerial Lusitano, pariu mais uma! Apresentada com pompa e circunstância a nova imagem do Algarve, passa pela mudança do nome o nosso Algarve vai passar a ser “Allgarve”, para atrair os clientes da velha Albion, carregados de libras e sedentos de sol e cerveja.

Com a módica quantia de 3 milhões de Euros o executivo actual pretende promover o Algarve, uma gorda fatia destes milhões foi dada à empresa que engendrou esta idiotice, passará então o Algarve a ser conhecido como “Allgarve”, numa das mais absurdas e cretinas tentativas de promoção turística daquela região.

Senhor ministro, o que o Algarve precisa não é de campanhas mirabolantes, estúpidas e despesistas, o que o Algarve precisa é de qualidade, de menos campos de golfe de menos mamarracho plantados em cima das dunas, o que o Algarve precisa é de governantes com eles no sítio, que façam deitar abaixo os mamarachos que estão a mais, que metam os autarcas na ordem, o que o Algarve precisa é de ordenamento é de boas estradas e estações de tratamento de esgotos, de hospitais dignos desse nome de centros de saúde a funcionar.

Senhor ministro a sua invenção é mais uma daquelas ideias, a que aqui chamamos “ideias de trampa”não será com esta idiotice e deixando todo o resto na mesma que se irá atrair mais ingleses ao Algarve, pergunto-me amanhã quando o mercado inglês decair e começar a ser necessário promover a região noutros mercados como é que o senhor ministro irá descalçar a bota.

Seguido a linha mestra desta campanha, promova já o Algarve na China crie a marca Pinglingarve, ou na Alemanha Hallegarve, Elgarve para os espanhóis, depois pode também promover o resto do país, UpTejo para Ribatejo, Mynho para o Minho, enfim um nunca mais acabar de possibilidades, pode até ir mudando o nome ao país de acordo com a onda do momento.

Sinceramente, caramba! Mas que raio que é que passa pela cabeça desta gentinha, quando acorda com ideias parvas como esta, “Allgarve”, a única coisa que estes cavalheiros merecem é uma “Albarda” e uns “Entreolhos”, sempre ficavam mais de acordo com as alimárias que são.

O estado a que este país chegou, onde todo e qualquer disparate cretino, é propalado, aos quatro ventos como a mais brilhante das descobertas, é confrangedor! É confrangedor que um Governo chegue a estes disparates a estas cretinices ridículas, será que esta rapaziada não tem noção do ridículo.

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, março 14, 2007

Do Menos o Mal!

Este Portugal anda todo do avesso, as anedotas sucedem-se, uns fingem que vivem numa terra de gente normal, que anormalmente força a normalidade do invulgar, dando a tudo isto um tom de surrealismo, que tinge esta terra, Almada teria ficado encantado.

Somos um país de aves de arribação, certo e sabido, pelos canhenhos da biologia que muitas são as aves que vão para depois voltar, quando menos espera ao incauto habitante da Lusa terra, ei-las que regressam, recauchutadas, com as plumas luzidias e prontas para bicar o erário público que à força de as engordar está nas últimas, lastima-se portanto o óbito do defunto erário, imaginando já as paragonas em gorda letra de imprensa, informando na necrológica página, - Faleceu de causas bastas e doença prolongada o senhor Erário Público, o corpo jaz em câmara ardente para os lados de São Bento, pronto três badaladas e um balde de cal!

Inscrevem-se na classe de volejantes de arriba, os dois camaradas, que qual Lázaros saídos da tumba regressam ao mundo dos vivos, Portas e Santana, não contentes com todo o disparate, burradas e barracadas que promoveram, os dois senhores voltam para mais uma volta, o triste não é eles estarem de volta, o triste, amigos e amigas que perdem tempo a ler estas escrevinhadelas, é existir gente que lhes dá ouvidos, como se as nefastas e dispendiosas barbaridades desta parelha não fossem suficientes para os afastar de qualquer cargo, excepto de zeladores de balneários públicos, cargo alias que me quer parecer estarem os dois talhados em primor para desempenhar, tão habituados que estão a só fazerem trampa da grossa.

Amigo dos anteriores, partilhando a gula ao erário, do fim do Atlântico sopra o já podre bafo, dessa pérola da jardinagem da ilha da lenha, mais um anafado parodiante, um pândego bonacheirão, que quer, diz o bicho, questionar a constitucionalidade de um referendo, esta ave, vive às nossas custas, suga-nos o dinheiro e ainda se dá ao dislate de obrar lampanas sobre toda a diareia mental que lhe assoberba a cabecinha, cimentado o poder do galfarro, numa população de papalvos, analfabetos e pelintras, engorda o folgazão sem dar cavaco a ninguém, uma paródia amigos uma grande paródia.

Em Santa Comba viveu-se um momento histórico, só visto nos tempos do PREC e do Verão Quente, de um lado a Revolução do outro a Reacção, toda esta estúrdia porque quase quarenta anos passados sobre morte do Ti Oliveira, quer parecer que estamos na mesma. O Oliveira foi aquilo que foi, recorra-se ao revisionismo histórico, tão ao gosto de uma direiteca sacrista e pindérica, ou ao diabolismo da figura por parte dos esquerdeirotes radicais, existem factos indesmentíveis, o Ti Oliveira era um prepotente, era um ditador, era uma cavalgadura, que estragou o possível bem que tenha feito, com o atraso que nos legou e aquela estúpida e quimérica guerra imperial, que tantos mortos e estropiados, deixou. O Ti Oliveira era portanto um valentíssimo sacana, quer se queira, quer não este é um facto.

Posto isto, as gentinhas de Santa Comba querem um museu ao homem, que o façam e que sejam felizes, isto é democracia, claro que depois de o fazerem terão de gramar com as possíveis manifestação de quem quiser dizer que o camarada era um atraso de vida. O interessante aqui é perceber, quão frágil é esta nossa democracia, que a tal revolçãozeca de Abril, foi atabalhoada e mal feita, para pouco serviu, porque, mudou o sistema mas deixou as cabeças iguais, perdão, piores!

Sugiro ao senhor Presidente da Câmara de Santa Comba que seja um homem de visão, aposte no turismo, faça lá o museu ao Oliveira mas faça também uma espécie de panteão dos bandalhos, uma sala para o Estaline, outra para o Hitler, outra para o Franco, seria interessante, tem imenso por onde escolher, Santa Comba iria ser conhecida no mundo como a capital mundial dos ditadores facínoras e bandalhos, atrairia assim grossos cabedais, dos estrangeiros visitantes, força senhor presidente esta é uma rica ideia. Olhe até pode fazer uma sala sobre a Inquisição, ah e o Bin Ladden, ficaria bem uma salinha, reproduzindo um qualquer ambiente esconso e cavernoso lá dos Afegões, força estou consigo! São homens de visão como este edil de Santa Comba, que fazem o mundo avançar e vós, pobres mentes obtusas vejam neste homem de visão vejam nesta população, o símbolo vivo de uma nova era, de um novo modelo de desenvolvimento sustentável, o modelo “Regresso ao Passado”. O Barão soube entretanto que M.J. Fox recusou o papel de Ti Oliveira num futuro filme de Manuel Oliveira, sobre o tema com o título provisório, “A Cadeira do Poder” porque afirmou e citamos – O senhor era uma meia leca!

Assim vai o Portugal, este paraíso terrenal, sem semelha de igual em quantos universos existam.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

sábado, março 10, 2007

(In)Cultura

Estava sentado a degustar a sopinha da mamã, quando uma reportagem na televisão me chamou a atenção, os museus nacionais estão semi-abertos, porque não existem funcionários, grandes áreas destes museus estão encerradas porque não existem funcionários para acompanhar os visitantes, obras emblemáticas da nossa cultura como os Painéis de São Vicente, não estão disponíveis ao visitante.

Brilhante, a todos os títulos brilhante. Os exemplos sucederam-se, museus com quadros orgânicos de 40 funcionários, possuem 7 ou 8, sendo que metade está a contratos, daqueles precários, onde um tipo vê chegar a data do fim do contrato e fica com a garganta seca, começando a ter dificuldades em dormir, ando assim vai para 10 anos.

Faz todo o sentido neste país que os museus estejam encerrados por falta de gente, com o desemprego que grassa por aí, é mais um exemplo concreto da excelente visão dos nossos amigos do poder, é o exemplo acabado da barbárie em que esta terra está mergulhada.

Mas que interessam os museus quando, vamos ter um TGV, para poder fugir daqui mais depressa, quando temos ADSL de Banda Larga, ainda que a maioria de nós não tenha dinheiro para comprar um computador e muito menos instalar a Internet cujos tarifários são autênticos roubos, que interessa a cultura, num país de analfabrutos e asnos de categorias várias.

Curioso foi que não vi ninguém, nem da oposição nem da situação insurgir-se contra este triste facto, uns andam mais preocupados com a embaixada no Iraque, que prestam um serviço tão grande como um furúnculo no traseiro da sogra, outros preocupados com as lutinhas torpes e mesquinhas dos seus partidozecos de vão de escada, outros ainda os arautos da cultura dormitam sobre as memórias o passado e da tentação revisionista.

Brilhante país, este que encerra a sua cultura, brilhante sem dúvida, uma terra acéfala e parola, habitada por criaturas que tardam em dar atenção à lógica e ao que realmente importa, como raio é que conseguimos sobreviver durante 864 anos, como?

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, março 05, 2007

À Saúde!

A fazer fé em números, adiantados pelos ministérios competentes, 1 milhão e 750 mil Portugueses, têm mais de 65 anos, 750 mil não têm essa maravilhosa instituição que é o “médico de família”por exemplo aqui na minha região de saúde o estado desistiu de abrir concurso para colocação de médicos, das 17 vagas a concurso, colocadas à disposição dos senhores Doutores, nos últimos 3 concursos só 4 foram preenchidas, daí resultando que só aqui na região 50 mil pessoas não tenham médico de família, 2600 tem reformas superiores a 4000 mil Euros, porém 300 mil vivem com reformas de pouco mais de 300 Euros, 2 milhões vivem com 80 cêntimos por dia e cerca de 1 milhão têm de fazer 40 50 ou mais quilómetros para serem atendidos nos mais elementares procedimentos de saúde, fisioterapia, receitas, pensos etc.

Este são números oriundos dos ministérios, não são extrapolações empíricas da minha pessoa, são números que certamente deveriam envergonhar, qualquer país dito civilizado ou qualquer sociedade, pois parece que não, ao que parece estamos todos muito descansados, a começar pelos senhores ministros, mas claros esses usam as clínicas privadas dos amiguinhos.

Analisando os números, dá para perceber, que estamos a envelhecer, que a malta não se reproduz, claro, quem têm filhos sabe a luta, que necessita de fazer para os criar, os incentivos à família, não existem, os diferentes subsídios são esmolas ridículas, que deveriam envergonhar os senhores do poder, as licenças de maternidade e paternidade são vergonhosas, ou seja os governos têm feito tudo para que as pessoas não tenham filhos, excepto claro está a rataria subsídio dependente, a esses tudo é dado.

A figura do “Médico de Família” é um modelo que está esgotado, que não funciona, que só complica, ao invés de andar a fechar urgências, maternidades e centros de saúde o senhor ministro deveria era abrir mais, e sobretudo acabar com a vergonhosa negociata dos senhores doutores e obriga-los a trabalhar, caso não hajam médicos portugueses que recorra aos espanhóis, aos russos, aos ucranianos a quem quiser trabalhar, porque estão aí disponíveis centenas de excelentes profissionais dessa área, claro que o senhor ministro não tem coragem para afrontar a poderosa Ordem dos Médicos, ordem essa que tem feito gato-sapato de todos os ministros da saúde dos últimos 20 anos, incrível, mas verdadeiro.

Com tanta gente com reformas miseráveis como é possível que este Estado, continue a permitir que mangas-de-alpaca de quinta categoria continuem a auferir as gordas alcavalas da reforma dourada que auferem, o afã reformista dos senhores governantes esgota-se no “fait diver”, ao que é verdadeiramente necessário mudar, finge-se não ver, é vergonhoso, ver estas sanguessugas a engordar com o sangue dos outros, isto numa alegada Democracia ocidental, num alegado país desenvolvido, com TGV, Banda Larga, modelos finlandeses e choques vários, sendo que o maior choque é verificar que isto é tudo uma grande mentira, não há democracia nenhuma, não há justiça nenhuma, a única coisa eu existe é o poder do dinheiro, quem tem faz o que quer quem não tem que se desenrasque.

Como sociedade, somos uma vergonha, uns bandalhos miseráveis, sempre prontos a abraçar as causas mais estúpidas e cretinas, esquecendo-nos de olhar para dentro, para a miséria que grassa nesta terra, vivemos de aparência na lufa-lufa do faz de conta e do nacional porreirismo, castrados e encarneirando nos grupelhos de ocasião, preocupados com as novelas e com quem dorme com quem, como sociedade somos uns imbecis completos, obtusos até ao tutano, sempre dispostos a ajudar, sem porém nos conseguir-mos valer a nós mesmos. À vossa Saúde! Nem a propósito vejam este artigo no jornal de Almeirim.
http://www.almeirinense.com/almeirinense/index_noticia.asp?id=1542

P.S. – Obrigado a todos a gripe tá melhor, com uns tintos, isto vai.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quinta-feira, março 01, 2007

Valha-nos São DVD!

O Barão gripou. Logo, ficou a demolhar durante uns dias, combatendo o enfado e o tédio com recurso às maravilhosas invenções da tecnologia. O estado febril e delirante ajudava à quietude da modorra, instalado no seu sofá o Barão tomando pulso à coisa debelava as bactérias, micróbios e estafilococos da malvada gripalhada.

De comando na mão recorria à extraordinária técnica do “zapping”, para entrever de olhos semicerrados as pérolas televisivas que a matinal emissão produz. Porque de parcos recursos, alias como a maioria da malta, o Barão não tem televisão por cabo, logo contenta-se com os 4 canaizitos da ordem e vai daí foi “zapingando”, a manhã começou a bonecada, como convém cheia de cores e bicharada, apesar de gostar de alguns, tenho saudades das animações do meu tempo de fedelho, mas regra geral gostei, foi uma boa preparação para as bichezas que se seguiriam.

Atacam depois, os alinhamentos dos canais, com a informação, os três canais generalistas, entopem a malta de notícias, repetidas até à exaustão são o prelúdio para os blocos noticiosos da hora de almoço.

Ligações em directo aos vários helicópteros e câmaras de vídeo, fornecendo informações sobre o trânsito na capital e no Porto, chegando nós sempre à mesma a constatação, aquilo das CREL, CRIL, VCI e afins é sempre o mesmo inferno, ainda bem que vivo aqui na província, pensou o Barão.

Os pivôs que apresentam estas maravilhas da informação, cumprem, com honestidade o papel entediante de papagaios, que debitam insistentemente as mesmas novidades que de tão repetidas, passados os primeiros 15 minutos são já velhas, sóbrio q.b. os da RTP, diligentes e seguindo a linha os da SIC. Ressalva para a malta da TVI, o moço enfim lá cumpre, mas a mocinha é um tratado de cretinice, dos três serviços informativos este da TVI é de gritos, umas atrás das outras, enfim tanta burrice num espaço tão pequeno é obra.

Entretanto acaba o serviço noticioso, atacam com um quarto de hora de anúncios, depois surgem as “piéce de resistance” das manhãs televisivas. “Você na TV” da TVI, “Fátima” da SIC e o “Praça da Alegria” da RTP. Entre todos não há matéria para fazer um só programa sofrível, mas enfim lá iremos, começo pelo menos péssimo, “Praça da Alegria” tem uma coisa excelente uma banda ao vivo composta de profissionais excelentes que dá um toque de bom gosto ao programa e que está subaproveitada, pois ao invés de levarem ao programa imbecis a fazer playback de música da treta, podiam bem deixar-nos ouvir gente a tocar a o vivo e bem, os apresentadores cumprem bem o papel melhor ele que ela, que tirando o bom aspecto se fica por isso mesmo uma bonequinha para decorar, um nadinha oca mas enfim é o que temos. Dispensáveis completamente as presenças de um tal “colunista social” figurinha execrável e de todo dispensável, mas a RTP lá entendeu que ficava bem copiar os métodos da concorrência que colocam em destaque bichezas de igual semelha. Dispensável também o Cura do “show biz” que faz daquilo uma borga, não acrescenta nada ao programa, as suas intervenções à laia de “Diácono Remédios” pouco de útil trazem ao programa, enfim seria preferível trazerem também um Rabino, um Pastor Protestante e um Imã e durante 10 ou 15 minutos encetarem um diálogo ecuménico ao vivo, seria bem mais interessante.

Os da SIC, compõem um programeco bem ao seu estilo, uma coisa insípida e por vezes disparatada, que com a capa da seriedade, lá se arrasta por umas boas três horas de entediante sonolência, um aparte, devem pagar muito bem ao pessoal que lá está a fazer figuração, como nos seus congéneres também por lá aparecem umas criaturas a obrar “postas de pescada”, sobre a vida de terceiros e sobre as revistas cor-de-rosa.

A tal tertúlia é a parte do programa mais interessante, isto do ponto de vista sociológico e psicológico, a avi- fauna presente vai desde a cartomante/atriz em fim de carreira, a um tal de Ramos que ainda não percebi o que faz, é de rebentar a rir, o ar de seriedade que as criaturas colocam, os absurdos e disparates que dizem, senhores realizadores de cinema português, aquilo é tão irreal que dava um excelente argumento para um dos vossos filmes de cinema de autor.

“Você na TV” é a coisa mais absurdo e rasca da manhã televisiva nacional, entre um ex-cozinheireco, pedante e arrogante e uma galinha histérica, o programa transcorre entre gritos, porque gritar significa alegria, num ambiente do mais absoluto grau zero de inteligência, este programa é um insulto permanente ao intelecto de qualquer pessoa por muito néscia que seja.

Assim vai a manhã do Barão, felizmente porque precavido o Barão adquiriu um leitor de DVD, onde se tem deliciado a ver todo o género de barbaridades cinematográficas, valha-nos São DVD!

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

sábado, fevereiro 24, 2007

Canta Alberto!

Não canto. Gritava Alberto a plenos pulmões, que diabo afinal quem mandava ali era ele, cantava quando queria bailava o bailinho lá pelo chão de uma qualquer lagoa sem dar cavaco a quem fosse, afinal o Alberto, era ele.

Canta Alberto! Teimavam da outra margem. Não canto, insistia Alberto, e para mais vou-me embora, mas volto logo de seguida porque adoro estes carnavais, adoro o petisco, os folguedos mais estes marítimos nacionais. Adoro o ar do mar que sopra aqui na vigia, por isso nem gregos nem cubanos me farão cantar quando o que quero é bailar.

Enquanto assim pensava, Alberto olhava a sua obra. Uma pérola era isso que era a sua obra, uma pérola semeada no fero Atlântico, bem próxima de África, alias tão próxima que os ares quentes de lá tinham muita influência nos pensares dos habitantes da pérola, a começar por ele próprio, Alberto de cognome “O Pulverizador”.

Hás-de cantar. Prometiam os da outra margem. Não canto! Vociferava, Alberto, já irado com tamanha insistência. – Roubaram-me os instrumentos, malvados colonialistas continentais, por isso não canto! E mais vamos às urnas, porque sempre são mais uns grossos cabedais que pulverizo ao Reino, daí o seu cognome, Alberto era exímio a pulverizar, a desfazer em pó ou dizem as más-línguas, a malbaratar, as tenças do Reino.

Escavava túneis, investia em arraiais e Carnavais, sustentava outros tantos disparates reais, como futeboladas e jornais, com os cabedais, que do reino davam à costa da pérola, o seu reinado não tinha fim e a malta gostava, adorava aquele saco de ar quente insuflado pela pinga e comezainas dos lautos repastos nas festarolas privadas do apaniguados do funil e outras aves de arribação que são comuns em ilhotas perdidas.

A chatice era que o reino estava farto de embotar a cartola e arrotar com as prestações para a malandragem, Alberto era o príncipe dos madraços, o rei dos pulverizadores, qual Midas ao reverso, pilim em que deitasse a garra esfumava-se em segundos, a vida no campo do funcho era uma eterna paródia, enquanto no interior a miséria, o alcoolismo, o analfabetismo a mortalidade infantil eram o dobro dos valores da outra margem.

Que interessava isso, se Alberto continuava a cantar, deliciado com o apoio das massas ignorantes das hordas dos servos da gleba que aravam as jeiras, para encher o bandulho a ramos e outros que tais da flora local. Canta Alberto!

- Não canto.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Ecos d'além!

Ecos do referendo ainda soam por esses recantos dos Lusos lares, aqui e além continuam as atoardas, sua Excelência o Senhor Presidente da Republica, abriu a boca, fiquem descansados porque não saíram migalhas de bolo-rei, saiu no entanto uma conversa insalubre, sobre poderes e sobre não prescindir dos poderes, e sobre seguir bons exemplos da Europa, a mim pareceu-me um charada típica, tão ao gosto do homem do Tabu, falou ainda da união dos Portugueses, por o referendo ser factor de divisão.

Oh homem! Em que país é que vossa Excelência anda a viver, com 2 milhões a viver com 80 cêntimos por dia, 700 mil a pagar a crise, um milhão a engordar à sombra da bananeira outros tantos a rendimentos mínimos e subsídios vários, quer o caríssimo senhor mais diferença, então não o preocupa esta diferença de misérias e preocupa-o a porcaria de um refendo em que mais de metade dos imbecis não votou, porque não quis.

Oh, Senhor Presidente, tenha vossa Excelência dó, eu sei que sou um pobre diabo inculto e intelectualmente limitado, mas essa da divisão é demais.

Entrementes os nossos excelsos Bispos, após uma aturada conferência vieram também comunicar o seu parecer, incrível que gente que se diz cristã e que seja tão plena de bons valores, dizem eles, venha depois fazer as declarações que os senhores bispos fazem, uma catadupa de cavalalidades vindas de gente que nem filhos poder ter. O medievo pensar faz destas as declarações mais obscenas que ouvi, os senhores bispos ao invés de andarem a salvar as almas, mais se preocupam em as danar.

O primeiro dos ministros, deu também a sua sentença, umas larachas, pseudo sociais e mais umas promessas, iguais aos milhares que fez e não cumpriu, tudo espremido nem uma gota deu a arenga do homem.

Entre todas estas “nobres” intenções uma coisa me preocupou, a falta de propostas sérias e credíveis, a falta de orientação, a falta de senso de toda esta gente. As dúvidas que tinha antes do referendo continuam, pois ninguém lhes deu resposta, entre a gritaria dos ratos de sacristia do”Não” e dos intelectuais de esquerda do “Sim” não vislumbro bom senso, nem vejo ninguém a dizer que vai fazer algo de válido, fico a aguardar mas com a consciência de que estes primeiros ecos nada acrescentam ao problema, antes o complicam ainda mais.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Quid Juris

Elevado a passatempo nacional, o dizer mal da Justiça, passou a figurar em qualquer órgão de informação, por força do barulho a malta lá despertou para esta verdadeira praga dos tempos modernos. Isto porque enquanto a coisa só tocava ao “Zé Povinho” era o deixar andar, ledos e folgando, lá seguiam sem mais aquela, no entanto e depois de alguns, muitos, casos de bradar aos céus, é do lado de dentro que algumas vozes começam a questionar esta Justiça que temos.

Que a Justiça cá no cantinho à beira mar é tudo menos cega, qualquer otário já tinha percebido, excepto os senhores Juízes e os senhores Governantes. Para estas elites, trôpegas a Justiça funciona, até porque na sua maioria, estes cavalheiros parecem ter visão curta, pouco vendo para além do horizonte do seu umbigo, verdade seja dita que a Justiça em Portugal está à laia do resto do país, ou vocês queriam ter um país rafeireco como este com uma excelente Justiça?

Do ponto de vista de um leigo ignorante, que é aquilo que sou, a Justiça em Portugal parece-me, lenta, bafienta e muito pouco justa, pretende-se que seja isenta, não o é porém, quem insistir em ver na nossa Justiça a marca da isenção, mente sem pudor, a nossa justiçazinha é parcial, subjugada que está a grupos de interesses vários, fazendo de conta que é cega, faz-me lembrar a brincadeira da “cabra-cega”, em que nos tapavam os olhos com um lenço e nós arranjávamos sempre maneira de por uma nesga de pano entrever por onde andavam os comparsas de folguedos.

Continuo a insistir em que as penas são desadequadas, a ilícitos criminais menores são impostas penas excessivas enquanto a crimes gravíssimos cometidos por seres, que de humano pouco devem ter, se aplicam penas ridículas, aqui é um problema de doutrina, por cá aplica-se a doutrina da reabilitação, que não funciona diga-se “en passant”, até porque quem vai preso não vai para reabilitar vai antes para fazer um espécie de “up grade” entra “carteirista” sai “rato de automóveis”, quando se devia aplicar a da expiação do crime cometido e a da segurança de quem não comete crimes, segurança essa que ao que me quer parecer ninguém liga peva.

Por outro lado ficamos com a sensação que tudo isto é um jogo que se destina somente a fazer-nos andar entretidos e enredados em ilusões, é o tal jogo do faz de conta, tão ao gosto do nosso Portugal. Num mundo em que a tecnologia serve o homem, com cada vez mais acuidade, a nossa Justiça insiste em fazer tábua rasa da utilização desses métodos, as fotografias e os vídeos não fazem meio de prova e as escutas são sempre ou quase sempre ilegais, não percebo, sinceramente não percebo, isto num tempo em qualquer bandalho de quinta categoria já usa um telemóvel de ultima geração, não percebo, sinceramente gostava que me explicassem.

Acontece que agora, são Juízes que começam a questionar esta “Justiça”, são Advogados, que levantam questões, a uns e a outros as respostas tardam em aparecer, como a nós. Os legisladores tardam em perceber, que este é um tempo novo, que mal ou bem, uma cada vez maior franja da população, questiona o que era até aqui inquestionável, esta nossa Justiça e os seus principais actores parecem não perceber o que se lhes exige.

O tal advento da modernidade tarda em chegar aos ermos esconsos desta Justiça bolorenta que se arrasta como uma dama antiga, cuja vestimenta lhe tolhe o movimento, daí que seja lenta, anacrónica e muito pouco justa. No meio deste oceano de broncas, burrices e barracadas, vários náufragos vogam ao sabor da brisa do momento, Polícias, Procuradores, Juízes, Advogados, Governantes, Vítimas, Criminosos e Sociedade em geral, cada um colocando o ónus da preguiça e do laxismo no outro, uns fazendo outros desfazendo, uns informando outros desinformando, todos irmanados e apostados em transformar a Justiça num ainda maior caos.

Enquanto isso o pobre cidadão, pode e deve questionar a Justiça, tendo o direito de a por em causa, visto que como está, ela serve a poucos e aos poucos que serve, mais se servem dela do que aos outros presta serviço.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Sem Rei Nem Roque

As nossas cidades aldeias, vilas e lugares, poderiam ser locais aprazíveis, no entanto e por causa de uma série de factores, não o são, na sua grande maioria são pardieiros infectos, réplicas subdesenvolvidas de um terceiro mundismo comezinho e pobre de espírito.

O jornal aqui da minha terra, no qual tive a honra de debutar para a escrita de croniquetas insalubres e maledicentes, foi lá que nasceu o “Barão da Tróia”, publica na sua última edição uma excelente peça sobre a incivilidade boçal dos habitantes cá do burgo, deixo aqui o link para a versão online, http://www.almeirinense.com/almeirinense/index_noticia.asp?id=1504.

É este o tipo de excelente trabalho jornalístico que deveria estar mais presente na imprensa regional, o Almeirinense, presta com esta peça um excelente serviço público, um serviço que informa, que expõe as fragilidades de uma população inculta, incivilizada e sem regras de civismo e respeito pelo próximo, está pois de parabéns o Almeirinense por este excelente trabalho.

Denunciar assim publicamente as características boçais de alguns, tendo ao mesmo tempo uma atitude pedagógica e de sensibilização é também uma das responsabilidades da imprensa regional. Porque mais próxima das populações que serve poderia servir às mil maravilhas para mostrar a verdadeira realidade de um país podre, no entanto por causas mais que muitas, regra geral a imprensa regional é um reflexo do país, pobre de espírito e mais preocupada com a roupa interior do sacristão do que com o ribeiro que corre cheio de lixo, enfim prioridades.

No entanto nesta peça o Almeirinense revela que é capaz de voos maiores, de conteúdos de excelência, pois que venham eles, aguardaremos por mais coisas de igual semelhança, com qualidade e que ponham a nu as barbaridades e atropelos civilizacionais que por cá se cometem.

Em relação à peça que motivou este pequeno escrevinhadeiro, deixem que vos conte, para quem não conhece aqui a terreola, que Almeirim é plana, completamente plana, minto, existe um pequeno desnível, mas tão ligeiro que nem nos apercebemos dele, além disso é pequena terra, que se atravessa a pé em passo normal em 20 minutos, parando aqui e acolá para cumprimentar algum conhecido, no entanto a maioria dos seus habitantes não sabe aproveitar estas benesses e entulha de carripanas as ruas, praças e pracetas, vias vielas e passeios, fazendo do percurso de um peão um autêntico jogo de computador.

Não há muito tempo a maltinha aqui do burgo andava de monco no nariz, de carroça e a pé com a bota de cardas de sola rota e porém era feliz, uma felicidade que se via no sorriso franco dos cumprimentos matinais, na limpeza e asseio das ruas, no brioso comportamento, eram pobres mas felizes.

Hoje são ricos, tem carro, gastam horas e fortunas em combustíveis, mas estão tristes e amargurados, as ruas estão sujas e as hordas selvagens de veículos que entopem as nossas ruas fazem lembrar os subúrbios manhosos da capital, definitivamente o habitante Almeirinense, abastardado pela gula e ganância deixou de ser o povo franco e pranzenteiro do Ribatejo e passou a ser um desenraizado suburbano sem civismo, sem respeito pelos outros e sem amor pela sua terra.

Esta excelente reportagem de “O Almeirinense” traz a terreiro uma situação onde a torpe boçalidade e falta de civismo das pessoas, esconde o que de bom ainda existe nelas, era importante que mais coisas desta igualha viessem a público, para educar, para despertar as consciências e para vergonha dos néscios e asnos que por aqui habitam. Parabéns ao Almeirinense por uma excelente peça de trabalho jornalístico.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

domingo, fevereiro 04, 2007

Maldito Lagarto

Naqueles tempos, o Profeta precisava de mudar de ares, a coisa andava preta, os filisteus não paravam de o desancar, os milagres prometidos tardavam, aproveitando a deixa de um cartaz de manifestantes que o aconselhava a desopilar para a China, o Profeta se o pensou melhor o fez, ala que se faz tarde, arrumou as maletas, arregimentou uns apóstolos e zarpou.

Dias mais tarde aportou ao Império do Meio, ao Celeste Império, vinha para negociar para dar uma corridinha na cidade proibida, enfim para conviver com a malta e desanuviar a cabeça. Naqueles dias os chineses que tinham mais que fazer do que aturar o Profeta, lá o autorizaram a dar a tal corridita, organizaram uns lancheszecos, lá com uns quaisquer patos e estava o caso arrumado, alias a visita do Profeta era tão importante que o Presidente dos Chineses até tinha, convenientemente partido para uma viagem de negócios a África.

O profeta não desarmava, a sua conhecida fleuma, fazia-o falar e falar, arengava aos chins, como Santo António às fanecas e aos carapaus, como os via rir e coçar na cabeça achou que os chineses gostavam de o ouvir, vai daí, zás, redobrou os esforços e os argumentos a favor do reino Luso, que isto era lindo e tal, que a malta estava em África como em casa e porque torna e porque deixa, os outros riam e acenavam com a cabeça, a proverbial paciência chinesa dava provas de uma indómita capacidade de sacrifício, ouvir um gajo que não se percebe, ainda por cima a dizer bojardas umas atrás das outras era dose.

- Eh…eh…eh, estão no papo estes chins! Declarou o Profeta para o apóstolo Amado, o que tratava das passagens aéreas, ria a bom rir estava satisfeito consigo. – Olha o Amado, aposto contigo que no mês que vem, os mercadores chins vão meter os pés ao caminho, as suas récuas e cáfilas carregadinhas de pechisbeques e fancaria e vão chegar ao nosso reino e fazer negócios da China. Olha, já agora,sabes onde anda o Pinho? – Não esse desde que aterramos aqui que foi abençoar e converter os pecadores!

- Oxalá não meta a pata na poça, como daquela vez da crise. Caramba o que eu tive de pregar para desfazer, aquela bojarda! – Sim eu lembro-me, foi pior que eu não saber dos voos da CIA.

Aquele hora, num templo escuro numa rua escura, numa noite escura o apóstolo Pinho, declarava à tripa forra para quem o queria ouvir.

- Os senhores chins venham para Portugal que a malta de lá, tem os salários mais baixos da Europa, isto sim é uma mais valia.

Entrementes o Profeta dormia o sono dos justos, descansava para bem cedo na fria manhã de Pequim e esticar as pernas e dar uma corridita. Tliiiiiiiiiinnnnnnnnnng, soou o despertador. – Que raio de barulho que esta geringonça faz, tling,! – Claro! – Disse o apóstolo Amado. – Então tu não sabes que os Chineses não sabem dizer os “R” e os despertadores como são “made in China” também não dizem os “R”.

-Olha ó Amado liga aí a televisão no canal do Reino, a ver se dão notícias da nossa grande gesta. Amado ligou a televisão por satélite e alto e bom som ouviram a voz do Pinho a dizer … Os senhores chins venham para Portugal que a malta de lá, tem os salários mais baixos da Europa…

- O profeta saltou da cama e arrepelou os cabelos. – Que grande asno, que camelo, lá deu barraca outra vez, pai porque me abandonas! Num gesto teatral o Profeta arremessava os braços para o céu.

- Desta vez estou arrumado, o meu pai crucifica-me, o Pinho aquele grandessíssimo asno, meteu outra vez a pata na poça, desta vez não há remédio, vai já acordar essa grandessíssima cavalidade e trá-lo aqui.

- Meio ensonado, Pinho lá apareceu aos trambolhões, de barrete de mandarim no cocuruto, visivelmente, incomodado pelo matinal da ora. – Oh minha grande besta, resmungou em tom feérico o Profeta, então vossa excelência sua burridade, não tem vergonha de dizer aquela bojarda?

- Desculpa Zé, mil perdões, ribombavam trovões e coriscos o céu cobria-se de breu, é que, eu fui com o Ming Lin Po, a um restaurante chin e nem queiras saber, tinham lá uma beberagem, de se tirar o chapéu tinha era um lagarto dentro, mas aquilo é bom e depois os copos são tão pequeninos que uma pessoa nem dá conta, maldito lagarto!

Um abraço deste vosso amigo


Barão da Tróia

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Bombordo e Estibordo II

Ainda a propósito do referendo, foram recentemente disponibilizados os orçamentos dos vários intervenientes na campanha. Ficamos a saber que serão gastos em, cartazes, panfletos, pasquins, anúncios, tempos de antena, autocolantes e outro tipo de traparias do género que em nada contribui para o cabal esclarecimento desta situação, 2,5 milhões de Euros, que acredito facilmente chegarão aos 3 milhões, sim porque a contabilidade desta rapaziada nunca é de fiar.

Ora, com estes 3 milhões, as coisas bonitas que não se fariam, por exemplo, pelo menos 10 casas de acolhimento para crianças em risco, 20 casas de acolhimento para protecção de crianças e mães vítimas de violência doméstica, 1000 bolsas de estudo para órfãos, que forneceriam o sustento a toda a sua vida académica.

Ora quão bonito seria, quão civilizado que todas estas almas caridosas e de bom coração tão preocupadas com a vida se juntassem aos fins-de-semana e ajudassem a educar todas aquelas crianças que andam ao Deus dará. Que exemplo edificante de solidariedade de civilidade, mas não; o ser humano tem destas coisas, as ideologias, as religiões e outras questões toldam-lhes os fígados, intumescem-lhes a bílis e os humores maléficos perturbam-lhes os espíritos, ficam cegos, relevam o óbvio, apaixonam-se antes pelo comezinho, pelo efémero.

Aliviam a consciência de boas almas, de espíritos pios, tal como a empregada marota, que na distracção da dona da casa varre o cotão para baixo do tapete, é a velha máxima que diz, “ o que os olhos não vêem, o coração não sente”. Recordo porém a outra máxima que diz, “ o pior dos cegos é aquele que não quer ver,”e neste ocaso de civilidade que transcorre estes nossos dias é essa cegueira de quem vê que me perturba e deixa triste.

Eu ficaria verdadeiramente espantado se existisse um movimento cívico de construção de casas para quem não têm, um movimento cívico para adoptar os miúdos dos orfanatos e retira-los das garras e agruras da delinquência, um movimento cívico para promover e apoiar através do ensino das visitas ao domicilio e apoio financeiro dos pobres, ensinando a gerir uma casa a poupar dinheiro a tomar banho, a ler e escrever, isto sim seriam movimentos de cidadania de elevação cultural.

Já sei sou um imbecil, um sonhador, um lírico, mas desculpem que vos diga, perder tempo com movimentos do “Sim” ou do “Não”, faz lembrar os chás da caridade do tempo da outra senhora onde se gastava 500 mil réis para angariar 50.

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Bombordo e Estibordo I

Um destes dias ouvi a propósito da luta “aborteira” que por aí anda que existem mais blogues de “Direita” do que de “Esquerda”, logo na blogosfera lusa o “Não” vai à frente, está mais organizado e são mais a botar faladura, a arengar e a apregoar à salvação elevando a alma ao paraíso ou à condenação nas eternas fogueiras do demo, para uma vida triste a arear as braseiras do mafarrico, sim porque lá por aquilo ser o Inferno não quer dizer que seja desleixado, afinal até o Diabo gosta de limpeza.

No meio disto tudo, as crianças são o que menos importa, o que parece ser ponto de luta são as ideologias dos esquerdeirotes ou as beatices dos reaças da direita, digladiam-se ideias, poucas, soluções menos ainda, argumentos torpes e parvos, aqui a rapaziada da direita bate os da esquerda aos pontos, malta com, imaginação esta da nossa Direiteca sacrista!

Dos movimentos “cívicos” pelo “Não” à sacrossanta Madre Igreja é um desfiar do rosário de diatribes, alguns dos argumentos vindos deste lado até dão vómitos de tão imbecis que são, é ver a rapaziada da sotaina e as tias a correr de crucifixo ao ombro prontos para queimar na fogueira os “Ches” e os vermelhuscos, que arvorando as foices e os martelos se lhes opõem, com argumentos libertários que por vezes, devo confessar que andam roçando o anárquico.

Neste entrementes, uma pergunta se impõe, então e as crianças? Ninguém parece importar-se com elas, ninguém parece querer saber, alias anda tudo tão ocupado que nem tempo tem para elas, por isso querem as escolas abertas mais tempo, qual aviário onde se depositam os rebentos.

Os Governos também nada fazem para incentivar a natalidade, a Lei da Natalidade é uma anedota digna de um qualquer pardieiro terceiro mundista, os subsídios à natalidade só funcionam para alguns, todos os outros, aqueles que trabalham e sustentam esta trampa toda tem de arcar com todas as despesas e mais algumas, pagar infantários que escasseiam, escolas miseráveis, manuais que trocam todos os anos e demais maneiras de sugar uns trocados.

Pomposamente apelidada existe ainda uma Comissão de Protecção de Menores, que não protege coisa nenhuma, resultando daí que as crianças deste país estejam a mercê de todo o tipo de malfeitorias sem que ninguém que as proteja, num não mais acabar de imbecilidades e jogos políticos da treta, que não conduzem a lado nenhum.

No meio desta palhaçada toda, Portugal poderia, facilmente resolver toda esta questão e ombrear com os melhores, seguir o exemplo de paragens mais civilizadas desta nossa Europa onde os prazos legais, para o aborto são maiores e mais abrangentes, mais uma vez a rataria que elegemos encolhe os ombros e atira para cima dos eleitos a batata quente, numa atitude de desprezo vergonhoso.

Mais uma vez, perdemos o comboio da maioridade civilizacional, enredados em lutas imbecis que não nos levam a lado nenhum, pessoalmente voto SIM, não que o meu voto sirva para alguma coisa, pois ganhe quem ganhar o aborto irá continuar. Se ganhar o Não, ganham a hipocrisia e os ratos de sacristia, se ganhar o sim ganham os esquerdistas e os “Ches” ganzados dos blocos. Ganhe quem ganhar irá sempre haver aborto ilegal, porque não se eleva o nível de educação, porque não se eleva o nível de prosperidade, porque não se apoiam as pessoas, porque verdadeiramente não se cuidam das crianças.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Volta Kafka que tás Perdoado!

Era uma vez uma senhora que precisou de ir a uma loja e estacionou num local próprio, a tarde ia no fim o sol começava a mostrar a sua sonolência sinal de que se iria retira e dar lugar à sua eterna amante a Lua, a senhora desligou o carro, olhou para o passeio e a uma certa distância um garboso e diligente, representante da Autoridade, olhava para ela com olhos de carneiro mal morto. – Mau! - Pensou a senhora. - Que é que aquele quer!

Saiu da viatura encarou o preclaro agente da Autoridade, este, ao sentir-se ameaçado, a senhora tem um metro e cinquenta e dois e pesa 50 quilos, compôs a fardeta e lançou em tom de verdade científica, - Um pouco melhor estacionado e cabiam ali dois carros!

A senhora, volta a entrar no carro, coloca o cinto e avança com a viatura um metro ou dois, desliga a carripana, tira o cinto, sai, fecha a desdita máquina e encara o inteligente e composto zelador das leis, - Olhe está bem assim!

O senhor das forças policiais, sentindo-se como que desafiado na sua autoridade, achou por bem atirar com a seguinte pérola. – Um metro ou dois para a frente não faz diferença, podia ter andado um pouco mais e estacionado em cima do passeio que ninguém lhe diz nada!

A senhora olha para o cavalheiro fardado, sorriu e voltou-lhe as costas, o outro quedara-se no mesmo sítio, cheio de certezas e a pensar que ele é que estava certo, dois ou três passos mais à frente a senhora, desata às gargalhadas, caramba quem passava haveria de julgar que era maluca, pensou, mas não, ria a bandeiras despregadas de uma coisa que podia ser anedota mas não era, aconteceu ontem ao fim da tarde numa terreola do nosso Portugal.

Eu sou um tipo que acredito nas nossas polícias, que acho que devam ser protegidos e acarinhados, que defendo as polícias sempre que acho ser necessário faze-lo, quem me conhece sabe que sou um acérrimo defensor destas instituições, mas desculpem-me com criaturas destas, não à quem resista.

Que raio de formação recebeu aquele senhor para usar uma farda, então estacionar em cima do passeio está bem porque, “…ninguém lhe diz nada!”

Este história parece uma anedota, de tão rocambolesca que é, dá vontade de rir para não chorar, com a tristeza que tudo isto demonstra, a tristeza de espírito de alguém que é pago para zelar pela segurança dos outros, logo, deve ter formação e demonstrar que é alguém que pode dar um bom exemplo, no pela atitude, passa a ser simplesmente mais um triste exemplo da Lusitana cretinice.

Caramba, é por estas e por outras bem mais graves que nós, teimamos em não evoluir como sociedade, teimamos em não ter regras de civismo e comportamentos de cidadania, então aquilo lá é coisa que um polícia diga!

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Tic…Tac… São Horas Senhor Doutor!

Eles não querem picar o ponto! Porquê? São especiais! Sem dúvida, são especiais, mas na sua grande maioria, portam-se como os outros, sem respeito pelas pessoas, com arrogância e displicência, ao tal juramento que fazem, perdoem-me os bons profissionais, deveriam mudar o nome para Juramento de Hipócrita, porque é assim que se portam estes nossos senhores doutores.

São por demais os exemplos de desmando nesta classe profissional, arrogantes, cheios de si mesmos, embevecidos qual Narciso pela sua própria imagem, como muito bem sabe quem vive no interior, os senhores doutores não querem ir para lá, um centro de saúde no interior, que serve 60 mil pessoas tem uma dotação para 13 médicos e só lá estão 9, porquê?

Porque os senhores Doutores, continuam a tratar de todos nós como se fôramos uns asnos, quando nos salvam, coisa que alias são pagos e muito bem pagos para fazer, atingimos os píncaros, exigem-se todas as alcavalas e honrarias, mas quando a coisa dá para o torto e o paciente ata as cardas, então é o sacudir o capote para que caia a água, porque a culpa nesta terra morre sempre sem casório.

Não me insurjo contra os médicos, insurjo-me contra privilégios de classe, contra a incompetência, contra a podridão que chegou a esta classe de mercenários encapotados, mais uma vez que me desculpem os bons profissionais que ainda os há, insurjo-me contra uma Ordem, que tal qual uma Máfia, manda e desmanda, chantageia e esburga, a pobre da plebe, há uns tempos li num blogue de um senhor que é médico, que ninguém dá valor às agruras por que passam esses profissionais, porque o paciente cheira mal dos pés ou porque não toma banho.

Então senhor doutor, o senhor tão inteligente não sabia que era assim, já se questionou se a pessoa em causa tem água em casa, ou se tem dinheiro para a pagar, terá o senhor aproveitado, visto ser intelectualmente superior, para aconselhar a pessoa sobre as vantagens da banhoca e do uso do sabonete, ou limita-se o senhor a defecar larachas, a torcer o nariz e a ser mal-educado. Problemas laborais todos têm, falta de meios e recursos, ter de inventar, caramba todos passamos pelo mesmo, os médicos não deviam passar por isso, é verdade, mas este é o país que temos, se a juntar a isso as atitudes dos senhores doutores são as que são, a coisa só pode descambar.

Os senhores como agentes da nossa saúde deveriam ter uma atitude mais interventora, mas infelizmente não o fazem, infelizmente na maioria dos casos são mais um exemplo triste desta sociedade de mentecaptos e galfarros, o caso que vou relatar passou-se comigo e é um triste exemplo; há uns tempos fui a um centro de saúde, tinha passado mal a noite, febre, dores de cabeça e má disposição, tanto que nem consegui ir apanhar o comboio para Lisboa onde morava na altura, telefonei à minha mulher e contei-lhe como estava, disse-lhe que ficava em casa da minha mãe, suspeitei de virose, mas não sendo médico quis ir confirmar, lá fui.

Após 4 horas de espera fui atendido, confirmada a suspeita e passada a receita, perguntei ao senhor doutor se me passava um dia ou dois para me recompor. O homem olhou para mim, torceu o nariz e declarou que isso dos dias é complicado, porque torna e porque deixa.

- Então o que é que você faz?

- Sou engenheiro informático, declarei. O efeito da palavra “engenheiro”, foi surpreendente, o homem passou do tom distante ao tom de igual para igual, afinal eu era um “engenheiro”.

– Bem senhor engenheiro, vou passar-lhe aqui uns dias! Afinal tudo se resolvia, o peso do engenheiro dera frutos, um homem risonho, despontava onde antes estivera uma criatura distante e bisonha. O atestado marcava 6 dias, que porreiro. Fiquei em casa um dia para recuperar e voltei ao trabalho, ainda não tive coragem de dizer ao senhor que não sou engenheiro.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Pequeno Tratado da Cavalgadura Lusitana

A Cavalgadura, “Iumentum Lusitanum” é um animal que bem longe de estar extinto, conhece em terras Lusas um franco progresso demográfico, existem vários tipos, cores e feitios de Cavalgadura, sendo que existem também vários graus de Cavalgadurice, um facto porém é insofismável, a Cavalgadura em Portugal, prospera.
A Cavalgadura, conduz a sua carripana, a toda a velocidade, ultrapassa pela esquerda ou pela direita, nem as procelas ou as névoas a fazem abrandar a marcha, a Cavalgadura não se detém por nada, insulta quem anda mais devagar, buzina, acende as luzes, solta impropérios e acelera, de quando em vez a Cavalgadura, marra de encontro a uma árvore e morre, outras vezes, infelizmente, ceifa a vida de inocentes na sua louca corrida.
A Cavalgadura estaciona em cima dos passeios, à frente de garagens ou portas das casas, estaciona em lugares para deficientes e em todo e qualquer sítio, a Cavalgadura tem uma máxima, pela qual rege toda a sua vida, “Primeiro Eu, depois Eu outra vez.” A esta máxima junta o bom senso de um gnu da savana, o gnu como todos sabem é dos animais mais inteligentes do universo.
A Cavalgadura, abre a janela da carripana para deitar lixo para a estrada, cuspir escarros verdes e soltar ranhocas, quando apeada a Cavalgadura exibe o mesmo comportamento porcino, quando dá o aperto na bexiga, a Cavalgadura micta onde calha, mesmo quando existe um urinol próximo, ombreiras das casas, entradas de prédios, caixas de electricidade, caixas Multibanco, árvores, atrás dos contentores do lixo e dos ecopontos, enfim qualquer sítio serve, para alívio da Cavalgadura.
A Cavalgadura, fala aos berros, entra num comboio, num autocarro ou numa repartição pública e toda a gente sabe que ela entrou tal é o berreiro que faz, e se por infeliz acaso recebe uma chamada no telemóvel, aí sim a Cavalgadura faz ouvir alto e bom som a sua edificante voz de Cavalgadura, incomodando toda a gente. A Cavalgadura não sabe ler, finge que sabe, pois nunca lê as informações que estão nos locais de acesso público, depois com o ar mais inocente do mundo diz – Ah desculpe não sabia!
A Cavalgadura, chega sempre atrasada, ao teatro, ao cinema, à escola, bem a todo o lado, assim tem mais hipótese de chatear quem chega a horas, além disso deixa o telefone ligado para que lhe possam ligar, e o agradável som polifónico, pois claro, de uma qualquer músiqueta irritante e estapafúrdia, invada os tímpanos de quem só quer estar em silêncio. A Cavalgadura fala sempre aos berros a qualquer hora do dia ou da noite, o sossego e paz de espírito alheios nada dizem à Cavalgadura, a música lá em casa é sempre em altos brados e os berbequins podem ser ligados à uma ou duas da manhã, sem problema, quem não quiser ouvir tape as orelhas.
A Cavalgadura, tem-se por ser esperta, para ela as bichas para o que quer que seja servem para exercitar a sua esperteza, tentando papar uns lugares, ser atendido primeiro, alias a Cavalgadura é a única que tem pressa, que trabalha e que tem obrigações a cumprir.
A Cavalgadura adora animais, em especial cães, e é ver o desvelo com que a Cavalgadura trata o rafeiro, passeando alegremente pelos jardins, passeios e ruas de Portugal, conspurcando com grossas poias todos esses locais, enchendo de mijadelas as jantes dos carros dos vizinhos e as entradas das casas, é uma alegria.
A Cavalgadura é de todas as cores, sendo porém de notar que, existem Cavalgaduras que por serem de uma ou de outra suposta etnia ou classe profissional, fazem da arte de ser Cavalgadura uma arte superior, são uma espécie de versão de luxo da Cavalgadurice, selvagens, incivilizados, ladrões, sanguessugas, boçais e estúpidos, mas como são Cavalgaduras minoritárias, são o supra sumo da Cavalgadura, vivem acima da Lei da Nação, regem-se por leis próprias, são uma espécie de pequenos estados dentro do estado.
Em resumo a Cavalgadura vai de vento em popa, sosseguem todas as vozes da brigada do reumático de Belém, que se cale Baco e Zeus do trovão ardente, e vós oh musas dos antigos, preclaras anunciadoras das artes e virtudes, lavrem novas loas às Tágides do Tejo, coitadas com as carradas de merdum que o rio tem devem estar lindas, porque no horizonte desponta a Cavalgadura Lusitana, que dará brados ao mundo, tão latos que nem o fero Boreas a fará fracassar.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

domingo, janeiro 14, 2007

Oh Que Surpresa!

Volto ao caso do naufrágio na Nazaré. O Sr. Ministro veio à televisão declarar que, aquilo que qualquer criatura com 2 palmos de testa, já sabia, ou seja os célebres relatórios que encheram páginas de jornais, dizem aquilo que toda a gente sabe, que a Força Aérea e a Armada fizeram aquilo que puderam com a porcaria dos meios que têm.
A montanha pariu um rato, ao jeito dos politiqueiros andrajosos dos últimos tempos o senhor Ministro da Defesa, veio à televisão gastar o dinheiro dos contribuintes para dizer uma série de baboseiras e lugares comuns que não ajudam em nada a melhorar a actual situação miserável.
Diz o senhor Ministro que se vão rever os métodos, para quê, pergunto eu. O problema está na falta de meios, na falta de planeamento, na falta de organização, mas essencialmente nos meios de salvamento que não existem, mais uma vez se anda a discutir o sexo dos anjos, sem que se vislumbre a menor vontade de resolver o problema.
O Sr. Ministro veio à televisão dizer umas larachas, com aquele ar sério de professor de universidade, à espera que os imbecis engulam as patranhas sem mais aquela, pois desengane-se senhor ministro, o ar triunfante com que anunciou que 3 lanchas irão entrar ao serviço, é por si só um exemplo mais que suficiente da realidade patética em que vivemos, bem como dos patetas que julgam governar, alguém diga ao senhor ministro que com 943 quilómetros de costa em Portugal continental, com 667 nos Açores e com 250 na Madeira, essas 3 lanchas são literalmente uma gota de água no oceano, nem sequer são um bom começo.
Senhor Ministro Teixeira, não venha à televisão gastar, dinheiro dos contribuintes para dizer, patetices e lugares comuns, não venha mentir, venha dizer que de uma vez por todas se resolvem os problemas inerentes a este problema, que se transforma a Polícia Marítima em Guarda Costeira, que as equipas de socorro passam a estar 24 horas ao serviço, que os sistemas de radar e recepção de socorro são instalados e ficam a funcionar, que cada capitania disporá de equipas de socorro com material terrestre, naval e aéreo em permanência, sendo que os meios aéreos não devem estar a mais de 10 minutos da costa.
Que os Nadadores Salvadores passam a ser verdadeiros representantes da Autoridade, que passam a ser uma profissão, com elevado grau de exigência, que passam a estar enquadrados na dependência da Guarda Costeira, com legislação e quadro de pessoa próprio.
Senhor Ministro, faça alguma coisa, se precisar de ajuda, eu vou para seu assessor, de borla, sim porque ineptos chupistas que não percebem patavina disso parece que o senhor já tem de sobra.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia