quinta-feira, novembro 06, 2008

Estou muito entusiasmada, nós vamos mudar o Mundo!

O título desta croniquelha insalúbre, faz alusão a uma frase proferida por uma apoiante, de Obama, após a confirmação da vitória do senador do Illinois, achei piada, porque não sei se o Mundo quer ou aguenta outra mudança imposta pelos Estados Unidos, até porque as mudanças, e já foram algumas, nem sempre significaram coisas boas, como desgraçadamente nos provam os últimos oitos anos daquilo a que chamam era Bush.
Diz o nosso Nobel literário, é importante ouvir sempre os gajos do contra sistemático, que Obama é um homem diferente que tem qualquer coisa de diferente, bem o Saramago lá saberá o que é isso de diferente. Relativizamos os outros dois candidatos, Ralph Nader (independente) e Cynthia McKinney (Verdes), vejam o excelente post a este propósito do meu caro amigo Grilo Escrevente.
O drama para mim nem sequer é o facto de a comunicação social ter excluído as outras duas candidaturas, naquilo que podemos entender como uma fraca noção de democracia, no país que se diz campeão da mesma, o drama para mim será o acordar do mundo. Quando amanhã desaparecer o Obama candidato e aparecer o Obama Presidente, que serão duas pessoas completamente diferentes, outro drama será quando os europeus perceberem que Obama é americano, quando a ilusão se desfizer, o acordar poderá ser complicado.
Há duas semanas que andava a matutar numa coisa, o que estava por detrás de Obama, sem claro desfazer nas qualidades do homem e capacidades, um dia antes do acto eleitoral, quando surgiram os nomes de John Podesta, Rahm Emanuel e Joshua Bolten, como possíveis integrantes do Gabinete Presidencial de Obama, aí fez-se luz, e surgiram os cordelinhos da linha Clinton e tudo começou a fazer sentido, porque quem olha para o mapa dos resultados e apesar de Obama ter ganho mais estados que MacCain, abaixo da linha Mason-Dixie, o republicano embolsou a maioria, o chamado voto evangélico também deu a primazia a MacCain, o factor cor também foi importante, é aí que Obama, ganha, nas minorias cada vez mais maioria, os pretos, mexicanos, os índios, todos concorreram na esperança de que Obama lhes proporcione melhores vidas, que ambicionam e merecem como cidadãos úteis de um país que todos os dias ajudam a construir.
Obama ganhou os estados chave, que contam com a maioria dos grandes eleitores, aí foram decisivos os tais cordelinhos Clinton, também aproveitou o facto de os Republicanos terem dado um tiro no pé ao escolher Palin para vice de MacCain, a governadora do Alasca foi a melhor aliada de Obama, a cada vez mais minoria WASP que com ela se identifica, afastou o eleitorado de centro direita e centro esquerda que até votaria em MacCain.
Quem teve o cuidado de acompanhar o discurso de Obama acerca da retirada de tropas do Iraque, coisa que confesso acreditar que ele não fará, verificou que à medida que as projecções lhe iam sendo mais favoráveis, o tempo de retirada das tropas ia aumentando, porque do lado democrata também existem muitos interesses petroleiros a controlar as decisões, a ver vamos no que isto vai dar, mas estou em crer que o acordar na era Obama, não vai significar muito de novo, veremos!

Um abraça, deste vosso amigo
Barão da Tróia

3 comentários:

Abril disse...

Caro Barão
Não se preocupe muito.Não sendo adivinho,tenho cá um palpite que "este"vai servir de alvo a alguém.....Os israelitas já disseram que não gostam do homem,a javardice nos E.U. é muita,portanto:FOGO!!!!
Um abraço

Diabólica disse...

Passei apenas para deixar um beijinho.

Passarei para comentar com mais calma.

Saudações diabólicas.

Savonarola disse...

Caro Barão,

Gostei imenso da análise. Quando desaparecer esta fumarada eleitoral, Obama terá herdado todo o lixo que a América produziu neste início de milénio. Mudança? Quero ver!

Um abraço anarquista